domingo, novembro 8

Domingo

Domingo.
Prenúncio de segunda.
De mais uma semana de ralação intensa.
De mais uma semana.
Tanta coisa que eu preciso fazer.
Tanta coisa que eu quero.
Tanta coisa que eu preciso.
Hoje.
Tão cansada.
Exausta.
Ainda assim sem sono.
Ainda assim sem o que eu gostaria hoje.
Sem o que precisava.
Sem.
Domingo.
Prenúncio de segunda.
Quero livros novos.
E ainda preciso terminar os velhos.
Livros.
Hoje.
Um pouco triste.
Ainda que o dia tenha sido feliz.
É o coração.
Tão cansado.
Sem.
Domingo.
Prenúncio de segunda.
Hoje não tem música.
Não tem som.
Tem sono.
E silêncio.
Tem que tomar coragem.
Respirar fundo.
Respirar.
Pra ganhar o Mundo.
Correr com ele.
Correr.
Domingo.
Prenúncio de segunda.
Falta cafuné.
Falta café também.
Falta muito.
Falta.
Ainda que brilhe, falta sol.
Ainda que vente, ar.
Ainda.
Domingo.
Prenúncio de segunda...

terça-feira, novembro 3

Me Conectando

Renata cheia do jeito tirando dúvidas sobre o moderno aparelho que vai permitir que eu volte a ser uma moça conectada à sociedade – status o qual eu ainda não tenho muita certeza se gosto muito ou não:

- Aí eu posso enfiar isso aí em qualquer lugar?
(Antes de começar a responder o moço tenta prender uma gargalhada.)
-...Não... Qualquer lugar, não...

Caímos os dois na gargalhada.

Pelo menos adquirir a paradinha foi divertido.

Vida Mais Ou Menos

Um amigo meu acha que tem o melhor emprego do mundo porque faz aquilo que gosta.
Nisso, só posso concordar com ele, mas hoje, tive cá a impressão de que o melhor emprego no momento é o meu.
Tá certo que a minha postura anda uma merda e eu fico com o corpo todo dolorido de ficar sentada quase que o dia todo; tá certo que chega uma hora que as minhas orelhas estão doendo também; tá certo que tem horas que o assunto é tão fora de qualquer coisa dentro da minha área de interesses (e que não é pequena) que eu fico com um sono fora do comum; tá certo que eu posso ter pesadelos com essas vozes por vários anos e que volta e meia considero o suicídio como opção; mas...
...Eu posso trabalhar sem sutiã, ou pelada se quiser; posso fumar quantos cigarros eu quiser e quando quiser; não preciso me maquiar, raspar as pernas, nem me pentear se eu quiser; só falo com o meu chefe duas, três vezes por semana no máximo e via telefone; não preciso ir até o local de trabalho, fico aqui dentro do meu quarto, na minha mesa, olhando a foto da minha filha; posso fugir pra ir ao cinema se eu quiser; não tenho hora de almoço, de entrada ou de saída.
O dinheiro não é lá nenhuma fortuna, mas, poxa, hoje, descabelada, de chinelo, com um cigarro na mão e uma caneca de café na outra, sem sutiã e olhando as minhas rosas crescerem enquanto me espreguiçava pareceu o melhor emprego atual do mundo.

domingo, novembro 1

Meus vizinhos, meus amores

Fazem quase dois anos que eu me mudei, mas o encanto perdura.
Continuo perdidamente apaixonada pelos meus vizinhos.

Cada vez mais, até.

É verdade que no início eu tinha um pouco (muito) de medo deles, mas depois que eu entendi e aceitei que eles todos saíram de um filme do Polanski (Inquilino, Bebê de Rosemary, pode escolher), minha fascinação por eles só fez por aumentar.

O Velho, por exemplo.
Nenhuma visita, festa ou faxina é completa pra mim se O Velho não está espiando da janela.
Sempre, em um dado momento, ele está lá, parado não muito perto do parapeito dele – só o suficiente para que eu possa ver aquela cara dele de Velho Satanista Do Mal Que Planeja Rituais Dolorosos Para Mim Por Causa Do Barulho – espiando tudo que se passa na minha varanda.
Me apeguei.
No início do ano ele viajou e eu fiquei sentindo uma saudade imensa dessa vigília psicótica; vigiava eu, todos os dias, para ver se ele já tinha voltado ao seu posto. Voltou.

Tem As Vizinhas Que Pegam Na Rua Pra Contar As Fofocas Do Condomínio – uma de cada lado da história – coisa que eu adoro, já que quase não fico aqui (ou ficava) e fico me sentindo uma participante mais ativa se sei quem anda brigando com quem, quem fez o que com quem...

Talvez por sempre ter tido coisa de dois, três vizinhos, eu ache tudo isso bastante fascinante. É uma espécie de realização social pra mim.

Então estamos no feriado.
Por diversos motivos que eu não vou citar aqui, resolvi ficar trancada dentro de casa.
Então, sábado à noite começa uma gritaria.
É O Vizinho Que Grita.
A maior parte, como sempre, eu não consigo entender direito. Só sei que tem a ver com dinheiro e que palavras de baixo calão voam a mil por hora e portas batem, sempre por mais de uma hora.

Mais tarde, outros vizinhos fazem saliência, alguém derruba panelas, O Povo De Cabo Verde ri alto, a vizinha de cima passeia pela casa de salto alto, o cachorro late, o celular toca em outro apartamento.

Acordo com mais gritos – de outra vizinha (essa ainda não tem apelido, foi mal) – e mais portas batendo.
E então eu tive mais um arrebatamento de paixão pelos meus vizinhos.
Com um povo animado assim, não tem como a gente se sentir sozinha, não é mesmo?

Faniquito feminista

Ontem eu dei uma escapada do que foi um final de semana/ feriado bastante enfadonho e solitário e fui assistir “Distrito 9”.
Tá tudo muito bem, tudo muito bom, a cia. da minha parceira de cinema foi mais que bem vinda, várias fofoquinhas, risadas; o filme indo muito bem, aí...
...Aí o ET de repente se levanta e diz:
“Meu filho! Tenho que ir buscar meu filho!” (ou alguma coisa do gênero)
E me deu um daqueles meus revertérios interiores.
No meio do filme (quase fim, na verdade) eu comecei a realizar o quanto filmes de homem são machistas – pra mim foi uma surpresa, mas eu explico.
Voltei àquela minha idéia de quem em filmes de terror é sempre a mãe solteira que tem que se virar nas onze pra catar a criancinha dos perigos demoníacos/ fantasmagóricos. Em filmes de terror, geralmente a tal criancinha é menina.
Percebi, naquele momento, que em filmes de ação/ ficção, o caso é justamente o oposto – são pais solteiros (que podem até começar casados, mas mulher sempre dança em algum momento do filme) que tem que salvar o mundo e/ou seus filhos homens.
Existem exceções, claro.
Mas, naquele momento, essas analogias me pareceram coisas tão sexistas que chegaram a me dar uma certa raivinha dos filmes, dos clichês dos filmes e de mim, que pago pra assistir esses filmes!
Tudo bem... O De Niro já fez filme de terror em que ele pai solteiro de uma garotinha – se bem que, no caso, ele também era a assombração (arrá, estraguei o filme pra quem não viu!). O Shwaza já fez filme de ação em que ele salvava a filhinha dele.
Agora, cadê a Jolie atirando em geral pra salvar a filhinha dela? Ou o filhinho? Ou todos os seis?
Como eu ando num momento muito mulher-moderna-independente-do-século-XXI, ando bastante chegada a faniquitos feministas; e, mesmo os tendo durante o filme, muito provavelmente assistiria de novo.
E continuarei fazendo.

Da Fidelidade cosmética

Existem fatores, vamos dizer, alheios à minha vontade, que me fazem fazer coisas estúpidas de vez em quando:
Ressaca,
TPM,
Briga com a mãe,
Cansaço,
Falta de grana,
Carência...
Juntemos tudo isso num só pacote e teremos o que andava me acometendo quando fui comprar um desodorante este mês.
Eu ainda estou naquela pilha de ficar variando produtos conforme meu humor e vontade. No sentido cosmético, minha fidelidade é zero; não existe perfume, shampoo, desodorante, sabonete, creme que eu use sem trocar por um novo ou que tenha uma embalagem mais bonita.
Assim sendo, desta vez, enquanto olhava a prateleira com aquela quantidade que eu sempre acho absurda demais de variedades, pensei cá comigo:
“Vou levar um de aerosol e ficar que nem aquelas mulheres do comercial, me sprayzando toda.”
Minha idéia era luxo, glamour, alguma coisa para compensar as unhas ainda arrasadas pelo aniversário e a monocelha bonita que anda enfeitando meu belo rostinho.
Já na primeira tentativa de uso mandei ver um jato de spray bem no meu nariz e fiquei aparvalhada com a minha falta de jeito. A gente nunca vê aquelas mulheres incríveis mandando ver um spray direto na fuça.
Dois dias depois, encasquetei com o cheiro da coisa.
Comecei a achar que, invés de cheirosa e glamourosa, estava parecendo peão de obra no fim do dia.
Quase uma semana depois, ainda não peguei o jeito do spray e acho que foi uma das idéias mais estúpidas que eu já tive na vida...
...E começo a considerar seriamente se a fidelidade cosmética não seria lá algo muito ruim...

sexta-feira, outubro 30

Em Breve

...Internet em casa.
Visualizo um futuro negro...

Trabalho rural

No meio de todos os preparativos para a micareta de aniversário, me foi oferecido um trabalho.
Temporário, mas urra!, uma coisa que a gente procura e não tem há alguns anos é sempre bem vinda, seja lá qual for a confusão domiciliar que você esteja metida.
Um trabalho, vamos dizer assim, rural.
E instrutivo.
Já no dois primeiro dia eu descobri que:
Traíras são realmente traíras – elas comem peixinhos inocentes.
Hitler devia gostar de touros (não li “Minha Luta”, ainda que ache que deva ler algum dia pela relevância histórica da coisa, então não posso fazer esta afirmação com 100% de certeza), porque existe uma busca por exemplares geneticamente perfeitos bizarra no meio.
Que bananeiras têm sigatokas nas axilas.
...Dentre outras coisas...

(À noite, durante um breve intervalo, peguei uma família de cochonilas pondo ovos na minha roseira. Agora eu sei o que são e já vi cochonilas.)

No segundo e no terceiro dias, tive a imagem perfeita de mim mesma como uma caricatura mais cheia e bonita de Beavis and Buthead.
Ouvia expressões como “Pantanal da nhecolândia”, “distribuição de sêmen para as comunidades carentes”, “época de montagem” e começava a gargalhar sozinha.

Hoje, quase uma semana depois, estou tendo trecos de irritação em perceber como as pessoas de um modo geral falam mal.
ÃÃÃÃÃ...
ÉÉÉÉÉ...

E rola uma certa dor de ouvido por ter que ficar com os fones, uma vez que o som do computador é algo de bem baixo.

Chega a ser irônico que eu, uma pessoa que nem gosta quando o telefone toca, tenha que trabalhar com barulhos e sons a maior parte do dia.

Getting old

- Mãe, quando eu tiver 6 anos eu vou ser do seu tamanho, né?
- Quando você tiver 16, você quer dizer...
- Nããããããããooooooo, 16 é muito velhinha!
(Gargalhada materna.)
- Poxa, então eu sou uma múmia!!!
- Não, mãe...
- Mas eu tenho duas vezes 16!
(O queixo da criança cai e seu rosto fica com uma expressão de horror profunda.)
(Ela se recompõe.)
- Tá bom, então.
- O que que tá bom?
- 16 não é tão velha...


Preciso urgentemente me render aos cremes antirugas.

A festa

...De qualquer forma, o Veríssimo tem toda razão: festa de criança sem birita, não dá.
Organizar uma festa de criança em casa é um trabalho hercúleo que começa bem antes da festa.
Existe a excursão, ou excursões como foi o caso, à lojinhas de artigos de festas em busca do tema encomendado pela criança, do confeito perfeito, da lembrancinha pros amigos... São horas e mais horas de solas de sapato jogadas ao vento e uma coisa bem próxima dos milhões de dólares.
Antes de qualquer coisa, é preciso arrumar o barraco.
Avós, tias, amigos e toda a sorte de pessoas vão transitar pela casa e, no meu entender, ela tem que estar im-pe-ca-vel-men-te arrumada. Observando o meu nível de histeria – já que passo dois dias falando com as pessoas de cima de um armário qualquer porque realmente acredito que as pessoas vão enxergar os coelhos de poeira que moram em cima dos armários – minha mãe, temendo um acidente brutal quando eu começo a discorrer sobre limprar as janelas, resolve me ceder a faxineira dela um dia para que ela execute essa tarefa.
Começo a me sentir muito mal com esse meu luxo de sinhá – coisa que só piora quando passo o rodo no estoque de cervejas e refrigerantes das Sendas e preciso contratar o serviço de entrega a domicílio, feito por um senhor bem mais velho que eu que faz questão de me acompanhar pelo caminho enquanto empurra o carrinho com as minhas coisas. Pela primeira vez desde que eu me mudei, o porteiro ajudou a descarregar as compras, acredito que para ganhar um trocado; mas a sinhá é de quinta, então não tinha um mísero trocado (de verdade) e ele ficou a ver navios.
Aposto que não me ajuda nunca mais e que vai sumir com alguma das minhas contas preu pagar multa só de vingança.
Mas as janelas ficam limpas e a birita garantida.
Teoricamente, o menu da festa deve comportar coisas que sejam do gosto tanto dos adultos quanto das crianças.
Por elas, eu posso dizer com confiança: bastava um fandanguinho em cima da mesa que já ficava geral na maior felicidade; mas não! Lá vai a mãe (com bastante influência da avó) inventar hambúrguer, cachorro quente, empada, várias coisas super práticas de se ter à mesa. Elas só precisam que você não dê mole e esquente fornadas e mais fornadas variadas de cada uma delas – o que faz com que a mãe da criança, que também é da dona da casa, seja facilmente encontrada durante os festejos dentro da cozinha com um pano em cima do ombro, suando em bicas por causa do calor do fogão, mas sem perder o glamour do alto de suas chinelas de strass.
E tem que ter bolo e brigadeiro!
Mamãe tem alguns desvios de conduta. Um deles é a recusa premente de pagar uma padaria de quinta (tá, segunda) uma fortuna para que eles façam um bolinho de chocolate de nada.
O que leva nossa pobre mamãe de volta ao fogão – ou inicia a sua saga, já que o bolo é feito antes da festinha.
O brigadeiro requere ajuda já que, apesar de gorda e balzaca, o brigadeiro da mamãe nunca deu e hoje nem tem mais pretensão de dar ponto para enrolar. Sobra para a madrinha.
Na véspera da festa, o saldo de cervejas já consumidas já ultrapassa uma caixa.
E alguns brigadeiros lembram aquele papel famoso do Eric Stoltz – o Rock Dennis.
E tome mãe de metro e meio subindo em parapeito de janela pra pendurar bola!
Bolas estas que vão ficar penduradas um bom tempo...
Duas horas antes, cerveja no gelo, comida entregue,criança de banho tomado, tudo pronto.
Pelas próximas sete horas eu iria me dividir entre todos os cômodos e convidados da casa, num ritmo tão frenético que entabular duas frases era uma tarefa digna de medalha.
Lembrei do Veríssimo.
Na última hora, consegui sentar, beber e conversar com meus amigos.
Depois que a última pessoa foi embora, a criança foi banhada e posta para dormir, copos e pratos foram recolhidos.
Lembrei de novo do Veríssimo e agradeci por só ter que fazer uma festa por ano.
O plano era comemorar sozinha o sucesso da empreitada bebendo uma cerveja com calma – todas ficavam quentes ou perdidas pela casa antes que a gente pudesse ter uma relação mais íntima.
Acabei dormindo, antes que pudesse começar uma relação mais íntima com qualquer cerveja, agradecendo por só ter que fazer uma festa por ano, com o corpo todo destruído e imensamente feliz por olhar a felicidade de quem – excepcionalmente – havia tido permissão para no fim de tudo isso vir dormir abraçada comigo.

5 anos

Aniversário.
Se no nosso, já fica impossível não fazer uma retrospectiva do que foi o ano que passou e o que a gente espera pro que vai vir, no dos filhos, é igualmente inevitável lembrar, lembrar, lembrar...
Lembrar que, há 5 anos atrás, a esta hora eu já não podia nem comer nem beber nada há algumas horas – e isso era ruim.
Lembrar que, às 22:26 da noite, a mala já estava pronta.
Lembrar que existia uma enorme ansiedade para saber se o que estava dentro de mim tinha mesmo aquela carinha que apareceu na última ultra.
Tinha.
Tinha, mas ainda era de verdade.
É inevitável lembrar de todo o caminho que a gente percorreu até aqui.
Ver como as duas cresceram.
No caso dela, bate um aperto no peito se eu penso tudo que ainda vai acontecer com ela...
Nos amores que ela vai ter e que não vão ser correspondidos, nas provas em que ela vai bombar, no momento em que ela vai descobrir que a vida não é um conto de fadas, que ela não vai conseguir ser cantora, pilota, construtora, médica de bichos e professora ao mesmo tempo.
Aperta o peito a cada par de meias que ela bota sozinha, a cada resposta malcriada que eu nem imaginava que ela pudesse dar, a cada jogo novo que ela descobre no computador, a cada passo de balé.
Ao mesmo tempo que é muito bom ver um filho crescer e se tornar mais independente, também é muito ruim saber que o dia em que ele vai te deixar chega cada vez mais perto.
Todas as noites eu agradeço pela filha companheira, bem humorada, carinhosa e maravilhosa que eu tenho. Todos os dias é ela o motivo deu levantar da minha cama e tocar os piores e melhores dias.
Hoje, virada do avesso depois de uma festinha caseira com sucesso absoluto de público e crítica onde trabalhei cachorramente, ela me disse:
“Quando eu crescer vou querer ser cantora, bailarina, construtora, médica de bicho, pilota... e mãe! Mas mãe eu vou ser todo dia!!!”
Pronto.
Pra mim, já valeu o dia.
Ganhei o meu presente de hoje.
Porque tem 5 que eu ganho um novo todos os dias.
E, nossa! Como vale a pena!

quinta-feira, outubro 15

Kevin Costner Mode On

Feriado.
4 pessoas numa mesa de bar.
Chegam outras duas pessoas, cumprimentam duas das pessoas já sentadas e saem.
"Puxa, a gente é mal educado, né?"
"Ai, tudo bem, eu não preciso conhecer mais ninguém mesmo..."

A mesa riu, mas o pensamento é mais ou menos esse mesmo.
Não é porque você mora numa cidade que tem milhões de habitantes que deve conhecer um milhão de pessoas.
Nem tem espaço no hard disk pra isso!
Eu gosto de curtir as pessoas que eu já conheço...
Conversar com elas, sair com elas...
Não precisa mais.
Ainda que eu saiba que elas virão.

quarta-feira, outubro 14

Além desse, voltei ao Projeto Aprendendo a Dormir no Meio da Cama.
Ao Projeto Fure Você Mesma a Parede.
Ao Projeto Vamos Revelar Fotos Antigas.
Ao Projeto Abaixo a Gilete.
E ao Projeto Vamos Ser Fortes e Resistir às Tentações...
Uma mulher muito projetada eu...

Mural de Balzaca

...Andei queimando muitos neurônios...
...Compensou imensamente, mas, logo depois de sair de uma prova que me deixou literalmente de pernas bambas, aproveitei a rebordosa, o antibiótico (que acabou, acabou, acabou graçasadeus!!!) e lá fui eu me internar na minha cama para ler todas as revistas que ganhei de presente...
Apesar de precisar queimar muitos outros neurônios, é um daqueles momentos na vida em que só o que vai me salvar é Coleção Vagalume, Sidney Sheldon...
É uma pausa rápida pra perfumaria...

...Então, numa dessas revistas tava lá: O Cozinheiro.
Quase peladão.
Mas, pruma mulher, o quase peladão é tão bom quanto o peladão em si.
Olhei praquela foto e pensei que eu devia pendurar ela na parede do meu quarto.
Aí fui pensando em todos os caras que a gente pode dizer que são ídolos de alguma forma...

... Lembrei dos 14 anos.
Aquela parede cheia de Tom Cruise em uniforme de piloto, Axel Rose de shortinho de lycra... Típica parede de menina de 14 anos.
Percebi que, hoje, aos 32, os cantores e atores que eu gosto não são mais os mesmos, nem têm o mesmo visual... A grande maioria de fotos seria de escritores - com pequenas excessões para os dois grupos anteriores...
Pensei nas mudanças e no grupo que mereceria figurar desse meu novo mural...
Todo mundo com barriguinha, quase todos de barbinha, muita coisa dentro e nada que costume interessar o público geral fora...

Mural de Balzaca.
Meu novo projeto novo para 2010.

segunda-feira, outubro 5

...ai, tô em crise...

domingo, outubro 4

Delegando Culpa

Aquele pessoal da auto ajuda, do esoterismo, dessa bobajada toda, costuma dizer que se a gente repetir bastante alguma coisa, ela se realiza.
Que a palavra tem poder.
Ok.
Eu acredito nisso.
Sempre acreditei.
Passo horas e horas do meu dia repetindo coisas variadas - que, dependendo do meu humor, podem ser coisas bem suaves e felizes até ameaças (veladas) de estrangulamento ou alguma coisa parecida.

Como meu ano foi bastante barra pesada no quesito que diz respeito àquele músculo disforme e esmigalhado que eu trago dentro do peito, por muitas vezes passei o dia cantando:

"De hoje em diante
Vou modificar o meu modo de vida
(...)
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim
"

Não só não funcionou, como eu não sei se ainda se sinto raiva do povo biruta, do Rei, do Seguimundo ou de mim mesma...
...Essa coisa de mulher civilizada que tem delegar culpa à alguém ou àlguma coisa ainda vai acabar comigo...

E eu ainda me espanto...

- E aí quando a gente morrer, vão vir vários bichinhos e comer toda a nossa carne lá embaixo da terra até não sobrar nada, não é, mãe?

Vida de Adulta

...Passava uma coisa qualquer na televisão quando eu me senti sentindo saudades de uma alegria plena que, ou não me acomete há muito, muito tempo, ou que eu nunca senti...
...Senti saudade de ter inocência, da vida descomplicada onde a maior preocupação é a prova de matemática e, por falta de maior compromisso, existia sempre uma festa americana planejada em coisa de meia hora...
...Saudade de quando achar que uma coisa era eterna era sinônimo de felicidade e não o despertar de uma furiosa vontade de chorar...

Quando me batem essas saudades, batata: TPM ou é Dia de Conta Pra Pagar.

Coisas extremamente simbólicas que me lembram do quanto eu cresci, encaretei, acabei ficando esmigalhada de afazeres e responsabilidades e preocupações. As mesmas que eu via a minha mãe ter quando era criança e não conseguia entender.
Mesmo hoje, entendendo, não posso dizer que entenda.
Porque eu não entendo e não gosto do preço alto que se paga pelos afazeres, responsabilidades e preocupações, que a gente chama de "liberdade".
Quanto mais preso a gente se sente, mais liberto - independente - também. E isso tudo é muito louco demais pra mim.

Nesses momentos, eu saio empurrando minhas pedras, resolvendo meus problemas, desfiando meus novelos...
Empurro aqui, resolvo ali, desfio lá e, quanto mais adulta e resolvida eu fico, mais eu sinto saudades...

Nesse final de semana eu fui lá, venci meus medos, tive um momento "Fome Animal", com direito a pus, sangue e um belo buraco pra enfeitar minha perna direita. Resolvi sozinha. Ainda que tenha chorado por horas a fio, dado chilique e gasto minhas parcas economias em remédios.
Muito adulta.
Muito independente.
Um final de semana em que fiquei de perna pra cima, sem andar, fazendo curativo em mim mesma e completamente sozinha.
O antibiótico de ouro cumpre a sua função.
Dois dias depois eu já posso andar sem dor.
A perna vai ficar boa.
Eu penso se existe a possibilidade do remédio estar curando outras coisas que eu nem se existem dentro de mim - e penso nisso como uma coisa boa.
A única coisa que o remédio não cura - insiste em não curar - é a saudade.

...Saudade de uma vida mais leve, despreocupada, feliz...
Completamente utópica.
E sem cura.

sábado, setembro 26

Círculo Vicioso

E então você passa um bom tempo sonhando com alguma coisa.
Estabelecendo padrões, definindo o que voce quer, acendendo velas pra Santo Antônio - eu não roubo mais o menino ou afogo a imagem depois que me chamaram a atenção de que o Santo até manda alguém depois, mas alguém horrível, só vingança.
E começa a procurar.
No meio do caminho, tropeça em vários pessoas que não são o que voce espera; até que um dia, tropeça no cara que você esperava.
O que acontece depois não fica bem definido, porque voce não sabe direito se é porque ele te dá a atenção que voce queria, se é porque ele tem vontade de verdade de estar perto de voce, mas a coisa acaba não acontecendo como voce esperava que acontecesse.
Perde noites em claro pensando na surrealidade da situação.
Sem querer acaba machucando alguém.
E termina com um sentimento mau dentro do peito.
E frases más no celular.
Os dias vão passar.
E voce vai voltar ao Santo, vai voltar a treinar dormir no meio da cama sozinha; daqui a pouco vai voltar a procurar - mesmo achando que as chances de um acerto diminuem a cada dia.
Não sem um pouco de tristeza.
Não sem xingar um pouco o Tio Segmundo.
E continuar sobrevivendo.

terça-feira, setembro 22

Duas Datas, Um Ano.

Em 2008.
19 de setembro foi sexta.
19 de setembro foi a segunda vez na minha vida que eu botei um homem pra fora de casa.
A bebedeira, que seguia sem grandes novidades, descambou pruma discussão - que começou no meio da rua, testemunhada por olhares tão ébrios quanto os das pessoas que gritavam entre si, e foi acabar num quarto. Pra sempre.
Não só o homem e as coisas que eu consegui pegar e enfiar dentro de uma sacola de mercado (camisetas, cuecas, bermudas) enquanto gritos se misturavam com lágrimas.
Quando eu fechei (bati) aquela porta - a minha porta - muito mais coisa foi junto com aquele homem.
Naquela madrugada, um Amigo me consolou, me abraçou, ouviu, bebeu comigo e ficou todo ensopado de lágrimas.
Um Amigo que, há anos, faz dessas de atender telefone no meio da madrugada e vir correndo me socorrer, mas que também não faz só isso - a gente também ri muito há muitos anos.
Eu fui dormir bem mais calma, mas com uma dor que quase não cabia dentro do peito.

Em 2009.
19 de setembro foi sábado.
Guardei bem os dias da semana e a data porque uma Amiga faz aniversário dia 20; e, no dia 20 do ano passado ela havia dançado no dia do próprio aniversário, e as danças só acontecem aos sábados.
Neste ano eu também fui ver Amigas dançarem.
Duas outras Amigas.
Não era aniversário de nenhuma delas, mas, nos últimos anos, essas duas Amigas saíram das almofadinhas que ficam no chão para a mesa dos adultos dentro do meu coração.
No caminho, dentro de um 569, sem querer olhei pro lado, vi o homem.
Meu coração não bateu como costumava bater, mas ele ainda é uma lembrança ruim.
Ele ainda está no mesmo lugar, com a mesma cara.
Eu ia para o mesmo lugar que havia ido há um ano atrás.
Mas eu não estou mais no mesmo lugar ou tenho a mesma cara.

Em 2008
20 de setembro foi sábado.
Como se eu não tivesse chorado a alma - como só fui chorar apenas uma vez depois e por motivos em nada semelhantes, ainda que ambos digam respeito ao abandono - levantei.
Me banhei, me arrumei, me enfeitei como não fazia há tempos.
E fui ver, pela primeira vez, minha Amiga numa apresentação de dança do ventre.
Uma mesa enorme me esperava, cheia de Amigos e amigos.
Todo mundo muito feliz, comemorando.
Eu, louca para ir embora - observando a felicidade alheia e rindo da desgraça alheia.
Quando a dança acabou e eu achei que já poderia ir sem fazer desfeita ou algo do gênero, voltei pra casa e chorei olhando pruma sandália havaiana, até dormir.

Em 2009
20 de setembro foi domingo.
A Amiga que dançava ano passado hoje amamenta um lindo e robusto bebê faminto. Continua aniversariando, mas hoje não dança mais.
Os Amigos naquela casa, neste dia, sentam todos à Grande Mesa; e a casa me é muito mais familiar e querida do que era no ano que passou.
No dia anterior, a mesa do bar era mesma, mas não eram as pessoas que lá estavam ou sentavam conosco.
Muitas se separaram, algumas encontraram um novo par, novas amizades se formaram, novas crianças nasceram - as pessoas que dançam não são mais as mesmas.

Ainda me espanta a quantidade de coisas e pessoas que podem acontecer no período de um ano. Me espanta a quantidade de pessoas que entram, que vão embora; como há dois meses atrás eu me treinava para aprender a dormir no meio da cama, aceitando a inevitabilidade da solidão; como há apenas um mês atrás, sentia que ocupava muito espaço no mundo à toa e hoje me falta espaço para ocupar tudo o que devo.
Perceber o passar de um ano todo e tudo o que aconteceu neste ano me espanta.
Coroei a passagem com tantos beijos e abraços e Amigos que dentro do meu peito, hoje, não cabe mesmo, nenhuma dor.

quarta-feira, setembro 16

Facinha, facinha...

Meu Mundo por uma manicure, uma faxineira e um passaporte pro Festival do Rio.


...Alguém...?

quarta-feira, setembro 9

Do You Realize?

De vez em quando eu escuto muita música.
É uma coisa que varia com o humor, com o tempo, com aquelas coisas todas...
E, de vez em quando, quando eu escuto música, eu volto a ouvir coisas que não ouvia há algum tempo...

"Do You Realize - that you have the most beautiful face
Do You Realize - we're floating in space -
Do You Realize - that happiness makes you cry
Do You Realize - that everyone you know someday will die

And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round

Do You Realize - Oh - Oh - Oh
Do You Realize - that everyone you know
Someday will die -

And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast

It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round

Do You Realize - that you have the most beautiful face
Do You Realize
"

Ouvi.
Prestei atenção na letra.
...E lá veio o revertério!

Do dia para a noite, passei a dizer tanto para as pessoas que eu as amo que uma das amigas reclamou dizendo que nem o namorado dizia tanto isso para ela; tenho ouvido mais música e bem mais alto; não tenho pensado duas vezes antes de chutar os estudos para a monografia para cima para ficar com as pessoas que eu amo (e eu sei que vou pagar caro por isso); faxina eu faço quando eu quero e até tenho tirado fotos sorrindo.
Do dia para a noite, reservei todos os finais de semana para ir a todos os aniversários das pessoas - ultimamente comemorados em lugares onde eu não iria se estivesse no que as pessoas chama de "meu juízo perfeito"; compareci a três chás de bebê e visito religiosamente a amiga que já deu à luz ao seu pequeno moleirabanger; passei a dar presentes para as pessoas com uma determinação furiosa que não me assaltava há anos; arrastei estantes e vou pintar paredes.
Do dia para a noite, por causa de uma música, porque eu me dei conta...

terça-feira, setembro 1

A felicidade de uns...

De vez em quando eu descompenso.
Tem TPM, trabalho de faculdade, telefone que não toca, roupa pra lavar, falta de grana... Eu descompenso.
E quando eu descompenso o mundo fica ruim.
Cada defeito que eu dou ou que a criança dá nesse período é coroado por gritos - pelos quais eu pago o preço caindo em prantos no meu travesseiro quando o cai o silêncio na casa, me achando uma mãe horrenda e malvada.
Mas é quando existem manhãs como a de hoje, que eu vejo que isso acontece com todo mundo.
Às 9:20 da manhã, um vizinho gritava.
Gritava tanto e mais alto do que eu.
Ele estava descompensado.
A gritaria durou algo mais que 20 minutos e eu fui invadida por uma alegria tremenda ao perceber que existem pessoas como eu; que meus vizinhos, que sempre ouvem os meus gritos, também ouvem os próprios gritos; que eles também são gente como eu; e que isso é normal.
Por mais estranho que seja se sentir feliz com o que acontece de ruim com outras pessoas, fez com que eu começasse meu dia bem.
E perfeitamente compensada.

domingo, agosto 30

Harmonizando o dia-a-dia material

Vênus na casa 6

DE: 30/08 (Hoje), 23h38
ATÉ: 23/09 , 22h57
Entre os dias 30/08 (Hoje) e 23/09, você estará passando pelo momento de Vênus na sexta casa do seu mapa, Renata. Como que para compensar a "farra" do ciclo anterior, neste momento você passa a se interessar mais com o andamento das questões cotidianas: o emprego, a saúde, as contas a pagar. A atenção sai subitamente do plano das diversões, e "cai na real", por assim dizer, percebendo que também há prazer em organizar uma vida funcional, resolvendo pendências e deixando o dia-a-dia mais harmonioso e equilibrado.

Esta é uma fase excelente para você aprimorar alguma habilidade sua, Renata. Você estará com uma predisposição maior a lapidar seus talentos, aprendendo a fazer melhor aquilo que já sabe fazer.

Em geral, há neste período um desejo por uma atmosfera harmoniosa no trabalho, e isso favorece as relações com os colegas, caso você trabalhe. Caso não esteja trabalhando no momento, Vênus na Casa 6 sugere um momento em que você sente grande necessidade de ser útil, e isso pode significar você ajudando mais nos afazeres domésticos, ou colaborando com algum amigo na produção de alguma coisa.

No que diz respeito à saúde, esta é uma boa fase, é bem provável que você venha a dar mais atenção à sua alimentação, à qualidade do que você come, aos seus hábitos em geral.

*****************

Por essas e outras eu continuo lendo essas coisas.
E acreditando.

quarta-feira, agosto 26

Alguém me leva?



vouterumtreco
euqueroirnoshow

O problema de agosto

O problema de agosto é que eu virei pisciana.
Sabe aquele papo de que, em alguma hora da sua vida, você vai passar a ser "comandada" pelo seu signo ascendente?
Então.

Comecei a desconfiar quando percebi que a Olívia chegava todos os dias em casa, me pedia biscoito, e eu não ligava. Porque, geralmente, eu faço uma pressão por uma maçãzinha, uma bananinha, alguma coisinha mais saudável e maternal - o que nem tem tanta importância assim, visto que a criança passa o dia no colégio só comendo coisas saudáveis - e eu passei a não fazer.
Depois, meu liquidificador quebrou. Eu preciso do meu liquidificador porque eu gosto demais de chegar em casa e tomar uma sopinha. Mas ele quebrou. E até hoje ele está quebrado.
Então uma das lâmpadas da sala queimou. Bastaria que eu fosse ao mercado e comprasse uma nova. De fato, já fui ao mercado um sem número de vezes desde que ela queimou, mas ela continua lá, queimada.
E aí, nesse tempo todo, passei algumas noites, zapeando em frente à tv, em noites que seriam livres e eu não saí por preguiça de me arrumar, sentada na minha poltrona de balanço, com os pés pra cima, enrolada numa coberta - o verdadeiro retrato da decadência humana e que jamais será visto por alguma outra pessoa que não seja a minha filha, que é uma pessoa que me acha linda não importa meu estado - pensando como seria bom se eu não tivesse que me levantar para ir ao banheiro.

Comecei a ler notícias no jornal que fugiam à minha compreensão - tive que pedir ajuda à minha mãe. Meus textos de semiótica se transformaram em algo próximo ao grego arcaico. Livro, tem mais de uma semana que eu não leio - o que é grave. Resolvi mudar o tema da minha monografia, mas, por enquanto, não tenho nada melhor para apresentar de objetivo do que "preciso me formar" ou justificar além de "eu gosto de livro".

Fiquei lenta.
Desliguei da tomada.
A vida fica mais calma, bonita e menos sofrida, mas tudo isso tá me atrapalhando.

Essa noite eu morri

Era noite numa cidade com toques coloniais, meio Paraty (Centro histórico), meio Salvador (Pelourinho). Um grupo grande de amigos, dos quais eu só me lembro de dois, e que um eu não revelo nem sob tortura, havia acabado de sair de algum evento meio sarau, meio cinema, meio show e procurava um bar, algum outro lugar em que pudessem beber e continuar as risadas e alongar a noite que estava muito divertida e agradável.
O lugar escolhido era um casarão, daqueles meio estilosos com móveis coloniais e lustres grandes e brilhantes. Numa mesa bem grande, no meio do salão, um farto bufet de frutas e outras coisas. Havia um par de candelabros em cada ponta da mesa também, com velas brancas e aquela luz de vela - fraca no meio dos lustres.
Tudo começou a ficar estranho quando todos escolheram beber taças de vinho e o garçom era o Lafayete, de True Blood.
(Sim, eu ando vendo tv demais, mas foi quando eu notei que as coisas estavam estranhas.)
Antes que o vinho chegasse, pela janela entraram dois insetos.
Um de cada lado da mesa.
O do lado de cá, meio lagosta pré-histórica, não se mexia.
O do lado de lá, uma espécie de filhote de libéluba gigante criada a base de geléia de mocotó, era frenético.
Minha fobia de inseto e coisas que possuem exoesqueleto começou a se manifestar com força total, enquanto o grupo de rapazes - 3 - ria muito e corria até o lado de lá para espiar de perto "o bichinho".
Este ("o bichinho"), a esta altura me olhava com grandes olhos de mosca, de um azul bem azul, cheio de olhinhos pequenos juntos num mesmo olho, todos emoldurados por uma longa e fragmentada antena de mariposa.
Quando os rapazes chegaram perto - rindo do meu medo - de repente, a mosca libélula mariposa superalimentada, criou um bico. Um bico que abria e fechava sem parar e de onde saía um zumbido alto.
Ensurdecedor.
Logo, o monstro inseto from hell também tinha penas e abocanhou o primeiro rapaz. Todinho. De uma só bocada. E, enquanto comia os outros, ia crescendo numa rapidez espantosa, ficando cada vez maior a cada corpo que engolia.
Ainda com medo do outro monstro - o monstro lagosta do lado de cá - não consegui ir pro outro lado da mesa, então resolvi me enfiar debaixo da mesa.
Acontece que outra amiga também tinha tido a mesma idéia e, num remake muito ruim de Alice do País das Maravilhas, embaixo da mesa era um lugar pequeno para nós duas, como se ambas tivessem resolvido crescer e a mesa diminuir.
Nisso, o monstro inseto-passarinho, que a esta altura era um ser gigante, resolveu ir para cima da mesa, quase esmigalhando as duas com o seu peso e procurando as duas últimas iguarias do seu jantar.
Naquela hora, apertei a toalha, de veludo verde escuro, de encontro ao meu rosto, fechei os olhos e tive certeza que ia morrer.
Acordei com o coração aos saltos, o corpo todo doído e precisei de um bom tempo para conseguir pregar os olhos de novo - ainda com medo de ser devorada.

quarta-feira, agosto 12

Ah, dois meses, hein?

Alguém tem lá idéia do que é passar dois meses de férias?
Sendo que um deles em uma quase completa imobilidade?

A televisão me acrescentou coisas incríveis à vida... "Sobre duas rodas com Ewan McGregor", que eu perdi o tesão de ver quando ele resolveu ficar choroso de saudades da esposa; "Pimp my wife", um programa incrível das madrugadas do Multishow que me provou por A + B como os homens podem ser uns manés e dão mais sorte com certas coisas do que mereciam; episódios e mais episódios de "True Blood", meu novo vício...
Passei a voltar a prestar atenção nos comerciais.
Aquele do absorvente Sym, por exemplo, conseguiu me irritar profundamente. Aquela mocinha faz perguntas que qualquer publicitário debilóide sabe responder, mas que eles acham que a população que compra é absolutamente incapaz de perceber. Sinto-me no dever de contar pra vocês o mistério:
1 -Pessoas podem e devem ficar felizes quando ficam menstruadas porque isso significa que o mole que elas deram no final de semana foi, de certa forma, bastante inofensivo, além do mais, quem gosta de lembrar que passa alguns dias TODO MÊS deitada troncha em algum lugar sofrendo de cólicas cruéis como a maioria das mulheres? Mostre uma mulher sofrendo de cólica num anúncio de absorvente que eu quero ver se ele vai vender...
2 - As moças nesse tipo de comercial usam sempre calças brancas porque o produto quer mostrar que é tão confiável que a pessoa pode pôr uma calça branca sem medo de sair por aí com uma imensa mancha vermelha nos países baixos. Mostra lá uma moça com a calça manchada de sangue que eu quero ver se o absorvente vende...
3 - O teste é sempre feito com o líquido azul porque se fosse feito com o vermelho as pessoas iam ficar nojo. É fato que as mulheres menstruam todo mês, mas ninguém quer ou precisa tomar conhecimento da hemorragia pessoal das pessoas e é desagradável lembrar que o que sai da área de lazer é sangue, sangue, muito sangue... Sangue nêgo só gosta de ver em filme de terror e seriado de médico, pô!
Odeio coisas que diminuem o espectador enquanto ser pensante.
Mas gostei quando reparei que um dos Blue Man do anúncio da TIM tinha também os olhos azuis. Perdi uma pá de tempo pensando comigo mesma que todos os homens azuis deveriam ter olhos também azuis e como eles são serezinhos simpáticos...

Eu li.
Li muito.
Li mesmo.
Os mais incríveis foram o "Mundo Sem Fim", que, por ter quase 1000 páginas, me arrancou noites e mais noites de sono e realmente pareceu não ter fim porque demorava a acabar e eu fico tensa quando um livro demora a acabar; e ando me divertindo consideravelmente na minha aventura de ler "Ramsés". Gosto dessa coisa de romancear o que se não se conhece por fato.

Eu vi uma tonelada de filmes.
Em casa, no cinema.
Gastei mais horas sentada com um balde de pipoca debaixo do edredom do que se pode pensar e sonhar.
Até o momento minha única grande descoberta - além de estar com meu saco bem cheio de dinossauros - é que o Polanski era bastante gatinho quando era novo e dava um caldo bem bacana.

No Metrô, descobri manicures que cozinham enquanto baixam músicas no laptop de casa - o que só confirma a minha inaptidão informática.

Eu viajei, o pé melhorou, eu plantei plantas, fiz aniversário, dei festinha, chorei, bebi, dancei, beijei e estou esfuziante em voltar às aulas porque começou a ficar bem chato ler e filmes só porque não existe mais nada que eu possa fazer no momento.

Ainda assim, desconfio que dois quartos dos neurônios derreteram, um quarto permanece a salvo, estudando para futura procriação e o quarto que sobrou ainda não sabe bem se foge, se fica...

Eu?
Tô entediada.
Muito entediada.

Mas parece que isso vai melhorar...

sexta-feira, junho 19

Eu & meu anjo

Então, no segundo dia, um anjo estropiado, com as roupas em farrapos e uma puta enxaqueca pediu uma audiência.
Num pranto desesperado expôs ao Chefe suas provações, pedindo penico.
Este, ouviu tudo muito atento e respondeu naquela voz de Deus dele:
- Tens razão, meu chapa. A mulher anda abusando de ti. Do serviço não vai dar pra te liberar, sacumé... Mas, faz o seguinte...
Cochichou um cochicho celestial no pé do ouvido do anjo e...
...foi assim que eu acabei quebrando um dedo do pé.

A mãe quando soube teve uma crise de riso que a levou às lágrimas - porque ela tem certeza que uma das minhas taras mais profundas é ficar engessada numa cama.
Não posso dizer que ela esteja lá tãããããão errada assim - o curativo realmente me fez babar de satisfação de tão bonito e complexo.

Duas das melhores amigas suspiraram de alívio - não estavam mais aguentando o ritmo frenético que a amiga se encontrava. Ambas concordam que as saídas são divertidas e que a companhia é pau pra toda obra, mas nenhuma das três têm mais 15 anos...

Eu?
Depois de embevecida com o curativo imobilizador, fiquei bastante injuriada.
Por um mês a proibição de sair para lugares crawdeados.
Por um mês nada de festinhas dançantes ou botecos lotados.
Por um mês nada de bater perna na rua, nada de faxina pesada (isso tem o seu lado bom. hehehe).
Fazia parte do plano ler muitos livros e ver muitos filmes, mas é completamente diferente ver muitos filmes e ler muitos livros porque é só o que voce pode fazer.

O anjo se mandou prum spa com um estoque tamanho família de aspirinas e eu estou aqui, morta de tédio, comendo, lendo, vendo, dormindo e esperando o raio do osso calcificar.

terça-feira, junho 9

Mea culpa

Tá bom, dessa vez reclamei sem razão.
Logo depois que escrevi percebi a coisa feia que eu fiz.

Fim de semana passado reclamei que queria ler e ficar quieta e não conseguia.
Nesse fim de semana, não só tem um livro "andando" como tem dois novos chegando (encomendei o livro neura da vez) e eu vou ter todo o tempo do mundo para ficar lendo quieta - ainda assim, reclamei que ninguém ia querer sair comigo.

Eu reclamo demais e tenho vontades muito conflitantes.
Praticamente uma esquizofrênica.
Desculpem.

Injuriada

Como eu já havia dito antes, esse ano o Dia dos Namorados não surtiu nenhum efeito na minha pessoa.
Só havia me lembrado dele, até ontem à noite em três ocasiões:

- Nas Lojas Americanas, de repente a Olívia me pede pra esperar enquanto ela olha atentamente uma daquelas estantes de cartões. Quando eu pergunto o quê que ela está fazendo, ela me responde: "Preciso escolher alguma coisa pra dar pro Dani...".

- Ainda na procura do presente pro 'namorado', ela pára, mais uma vez, diante de uma vitrine. No meio de milhões de corações, e camisetas e canecas onde se lê 'supernamorado(a)', eu consigo ver um mouse pad cor de rosa com os seguintes dizeres: "Penso. Por isso sou solteira.". Me senti vingada; e, se tivesse um computador que funciona, juro que comprava um pra mim.

- De novo, Olívia: "Mãe, existe dia das namoradas?".

A vida na escola nova anda movimentada. Ela é louca pelo Dani, que é o apaixonado clássico - rasga as sucatas, destrói os desenhos dela, uma loucura! - mas tem o Rodrigo, que é louco por ela - outro dia ela chegou em casa com a sandália arrebentada porque ele queria fazer massagem no pé dela e a sandália, que era uma porcaria, arrebentou - e ela esnoba. Parece familiar isso?
Eu expliquei que dia dos namorados servia pros dois e combinamos que o melhor seria ela fazer um presente no colégio para dar pro namorado que ela quisesse.
Me tremo toda de pensar nos 15 anos.

Mas, enfim, até ontem era isso.
Mas aí eu estava salvando grana, planejando nefastamente sair e chacoalhar o esqueleto e o que mais estivesse na frente durante o feriado e lembrei. Lembrei do Dia dos Namorados; onde o grosso dos meus amigos 'baladeiros de plantão' vai cumprir a etiqueta e ficar grudado na cara metade da vez, me deixando largada ao Deus dará e frustrando os meus planos...
Aí me afetou.
Aí fiquei com raivinha.
Aí deu eca.

Mas, chata do jeito que eu sou, periga conseguir arrumar companhia mesmo com os percalços da data.

segunda-feira, junho 8

Pírulas

Ainda estou bolada com um acontecimento do final de semana: pela primeira vez na história da minha "carreira" cinéfila, eu vi um filme melhor que o livro!
Eu precisava explicar isso, porque, se um dos meus dois leitores olhar ali do lado e vir que eu pus um 'zenzacional' do lado de "Crepúsculo", vai achar que eu pirei de vez e que a internação é eminente; mas eu juro: o filme é muito bom.
Claro, é um filme muito bom na medida em que a pessoa entende que é um filme sobre amor adolescente entre um vampiro e uma adolescente.
O livro, tio Stephen tem toda a razão, é muito mal escrito; e foi exatamente por isso que eu nem me animei a saber o resto da história, nem quis ir ao cinema quando o filme saiu. Mas, na sexta-feira, ele estava lá, na estante da locadora, que anda me assombrando ou com filmes que eu já vi, ou com filmes que eu não quero ver - estou numa fase aficcionada onde nada me vai me apetecer até a chegada da segunda temporada de 'Dexter' às prateleiras - só que eu ia ficar em casa com a criança, não tinha nada que pudesse prender minha atenção na tv - apesar dos 88 canais - então eu resolvi pegar o filme, porque ainda não estou preparada psicologicamente para encarar "Strippers Zumbi", por mais gore e tentador que isso possa parecer.
E então, de repente, eu me vi com um cigarro na mão, pescocinho duro, sentada ao invés de deitada, na maior adrenalina durante a batalha dos vampiros (sempre tem batalha de vampiro em filme de vampiro, ok?). E pensei: cara, esse filme é do caralho.
Bolei.
E agora, confesso, espero "Lua Nova" ansiosamente.
Talvez até leia o livro...

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Tem uma semana que eu não termino um livro.
Depois dos últimos dois, peguei "Meu nome é vermelho" para ler.
Acontece que eu estou com vontade de ler "A mulher que escreveu a bíblia" - minha mãe disse tanto que eu ia gostar de ler, que era ótimo e tal, que eu fiquei com vontade de ler; o fato dela ter perdido o livro só aumentou essa vontade.
Aí estou eu encarando a crise obssessiva e não consigo me aprofundar no Negro. Tenho um feeling de que vou gostar do livro, mas simplesmente não consigo avançar nele.
Amanhã chega outro livro que eu quero ler a coisa de um ano.
Mas desconfio que terei que ir à livraria mais próxima o mais rápido possível ou meu futuro será nebuloso.

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Porque eu ando cheia de planos.
Daqui a dois dias eu entro em férias, graçasadeus.
E fiz planos nefastos.
Vou ter que replantar minhas plantas porque todas morreram afogadas com as chuvas torrenciais do mês passado; quero arrumar mais um pouco da minha casa e comprar umas duas ou três coisinhas novas para enfeitar o barraco; quero tomar uns 3 ou 4 porres bem cabeludos; quero sair para dançar até sentir dor nos quadris de novo; quero ver filmes, filmes, muitos filmes porque tem uns dois meses que eu não vejo filmes, filmes, muitos filmes e quero ler livros, livros, muitos livros.
Quero passar tardes e mais tardes enterrada nas minhas poltronas lendo, sem nem atender o telefone.
Parecem planos nefastos o suficiente para mim.

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Eu também queria cortar os cabelos.
Passei o mês esperando a chegada da lua cheia, na crença de que se eu cortar na lua cheia consiga amanhecer com uma vasta cabeleira tal e qual a Fergie.
Mas a lua cheia fez o favor de encher justo hoje, segunda-feira, que é dia de folga dos cabeleireiros (é assim?), e agora não sei o que fazer com eles de novo.

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No mais, meu coração dói quando eu penso em todos os gastos extras que vou ter este mês e a cada vez que essse maldito celular toca. Antes, razão de alegria, hoje razão de profunda vergonha e dor.
Continuo firme no masoquismo de não mudar o toque para lembrar de não pegar mais essa porcaria quando beber e fazer valer os 3 reais mais caros da história da minha vida.

sexta-feira, junho 5

Eu pensei tanta coisa, mas tanta coisa hoje, enquanto fazia meus caminhos todos, que meu cérebro deu nó e então eu resolvi ir ao cinema.

Celular de Bêbado

Por mais que eu me cobre e jure, 8 em 10 vezes que eu tomo um pileque acabo agarrada no meu celular. Ontem, não podia ter sido diferente.
Ontem foi meu dia 05.
Dia 05 é o dia mais infeliz do meu mês, o dia em que eu pago o grosso das minhas contas. Pagar contas me deprime.
Quer dizer, fico feliz por um lado porque elas estão pagas; o que é ruim é o montante de grana que sai da conta para que elas sejam pagas.
Enfim, o dinheiro sai e eu, para me consolar, me dou o direito a ficar ébria.
E foi assim, que enquanto tinha um momento macho alfa, sentadona no sofá, assistindo a mais um capítulo emocionante de "Supernatural", com a mão enfiada dentro das calças coçando a barriga enquanto tomava uma cerveja, que meu olho bateu nele.
Rolava um tédio. Já era a segunda vez que ele me assaltava.
Hoje, eu e meus pudores não me permitem mais ligar para ninguém para conversar depois das 22h, e fui forte na minha determinação em não passar mensagens para ninguém (até deletei um telefone estratégico), então fui xeretar qualquer parada.
Resultado: acabei baixando um toque pro meu celular tosco até o fim da vida de uma música Beyoncé.
Que eu vou ter que usar, já que paguei por ele.
E que vai me fazer jurar e cobrar tudo de novo pelos próximos meses toda vez que ele tocar...

quarta-feira, junho 3



Frio pra ca$#%o...
Tô achando a menor graça...

sexta-feira, maio 29

Quebomquésextafeira!!!



+




Uhuuuuuu!!!

quarta-feira, maio 27

De Vez Em Quando Ter Cérebro É Deprimente

Tá bom.
Movida pelo superego que não me deixa tirar mais zeros na vida ou deixar um projeto em suspenso, resolvi trabalhar um pouco. Achei uma tese zenzacional, com tudo que eu preciso e mais um pouco.
Evoé!
O foda é ter que fichar 130 páginas, no meio de um monte de estudantes sem um pingo de educação, com a bunda sentada numa cadeira mais dura que cimento, sem nem um cafézinho à mão ou o luxo de um cigarrinho amigo.
Dá desgosto.
Ainda mais quando a gente olha pela janela, vê aquele pusta sol brilhando lá fora e lembra que só vai sair daqui quando ele já tiver ido embora...

Restless

Como todo mundo sabe, o calendário não me dá descanso.
Todo mês tem uma data qualquer, uma coisa qualquer, que não me deixa começar a minha poupança milhonária ou comprar aquele quadro que eu bebi para a parede da minha sala.
Janeiro teve férias.
Não exatamente uma data comemorativa, mas uma data custosa, uma vez que existem viagens, programinhas culturais, cervejas... Ainda teve mudança de colégio e todo o material e uniforme novos de novo.
Não sobrou nem um realzinho pra contar a história.
Fevereiro, carnaval.
De novo, viagem. Adoro viajar, se pudesse viajava todo mês, mas viagem custa caro - ainda mais quando é viagem de mais de uma semana.
Março, páscoa.
Fui ser um gênio brilhante em prol da vida saudável (coisa que, de fato, ando tendo, no sentido alimentar, durante a semana) e troquei o ovo pelo novo filme da Barbie. Saiu mais caro. E ainda teve ovo pra professora, pra secretária...
Abril chegou com tudo!
Três feriados e um show.
Passei duas semanas comendo miojo por conta de todo esse rebuliço.
Maio.
Mais dois shows e uma bonequinha aplacadora de culpa materna.
Tudo bem que o ingresso de abril eu ganhei de mamãe e o do Dancing Dio da rádio, mas a ida ao show se configura em gasto também. Às vezes, maior que o preço do ingresso.
Então, chega junho.
Mês dos namorados.
Não sei se sou eu, que já estou bastante conformada com o fato de que Dia dos Namorados não foi uma invenção comercial feita pra mim - mesmo quando eu tinha um negócio desses, alguma coisa acontecia e o dia fatídico eu passava solteira; as pessoas têm costume de acabar no carnaval pra cair na putaria, eu tinha o costume de acabar no Dia dos Namorados - mas, este ano, não só as vitrines estão menos cheias de coraçõezinhos fofos e vermelhos, como eu não estou dando a mínima.
Claro que eu penso em descolar uma das minhas amiguinhas encalhadas e passar com elas enchendo o focinho em algum lugar remoto, falando mal de todos os homens malvados que nos deixaram na vida.
Mas, num geral, não estou dando a mínima.
Este mês, o que me move é que o semestre está quase acabando (pelo menos aqui na faculdade) e a Flip está quase chegando!
O primeiro semestre dos meus últimos anos têm isso em comum: eu sempre brigo com um professor, sempre me esforço para passar direto e sempre acaba em Flip!!!
Segunda-feira lá vou eu, amanhecer na porta da loja, com a programação em punho, para me degladiar com uma dúzia de velhinhas furiosas e enlouquecidas que vão enfrentar aquela fila monstra sentadas no chão da galeriazinha imunda de Copacabana, tão na vala quanto eu, para comprar os ingressos das mesas.
Para mim, este é pior dia da Flip, mas é um dos que dá mais charme à coisa toda.
Já comecei a fazer contagem regressiva.
As plantas vão ficar para depois da Flip, o gato vai ficar para depois da Flip, tudo agora vai esperar a Flip passar.
Flip que abre julho.
Julho que é meu aniversário.
Julho que é mês de férias.
Julho que é mês de festa junina no colégio, que vai me custar as prendas e a lavagem da roupitcha da criança na lavanderia.
E eu já tenho compromissos para setembro, outubro, dezembro...
Meio cansativo isso tudo, né, não?

O Triste Fim de Ofélia

Eu gosto de cozinha.
Gosto de cozinhar, devagar, cheirando, cortando, demorando...
Pratos elaborados demais me dão uma certa preguiça monstra, mas na maioria das vezes, posso quase afirmar que a minha comida é mais gostosa que qualquer comida que você já tenha provado.
O lance é que ainda que a minha seja a melhor comida do mundo, eu ando cansada de ter que cozinhar. Quando isso se torna uma obrigação - ou você cozinha ou morre de fome ou vive de pãozinho - o encanto da coisa se quebra bastante.
Aí tem dias em que eu me rendo à comida em pózinho.
Sou fã.
Não existe nada mais sintético, com gosto similar e bizarro, se você for analisar bem, quanto comida em pó. Mas, além de tudo isso, ela também é uma comida mágica: você mistura na água, quando muito no leite, e tchum! Pudim, macarrão com molho de alguma coisa, sopinhas - tudo brota daquela mistura bisonha!
Em coisa de 10 minutos, a sua fome será saciada por um prato quentinho e gostosinho!
Ainda tem o plus de que eu realmente gosto do sabor - e procuro esquecer que todos têm o mesmo sabor.
Eu ando sonhando com o dia em que vou poder comer "no quilo" como as velhinhas aposentadas; com o dia em que possa contar com uma cozinheira "forno e fogão" que possa deixar tudo já prontinho para que eu possa chegar e encontrar lá, certinho, quando chegar em casa...
...Enquanto isso, vivo eu, de comida de pózinho...

I VÂNT!!!

"Sun May 24, 10:32 am ET
TOKYO – In a country where ghosts are traditionally believed to hide in the loo, a Japanese company is advertising a new literary experience — a horror story printed on toilet paper.

Each roll carries several copies of a new nine-chapter novella written by Koji Suzuki, the Japanese author of the horror story "Ring," which has been made into movies in both Japan and Hollywood.

"Drop," set in a public restroom, takes up about three feet (90 centimeters) of a roll and can be read in just a few minutes, according to the manufacturer, Hayashi Paper.

The company promotes the toilet paper, which will sell for 210 yen ($2.20) a roll, as "a horror experience in the toilet."

Toilets in Japan were traditionally tucked away in a dark corner of the house due to religious beliefs. Parents would tease children that a hairy hand might pull them down into the dark pool below."

Associeted Press

terça-feira, maio 26

Da Comunicação

Ninguém respondeu meus e-mails hoje...
Fico verdadeiramente infeliz quando isso acontece...
Recebi mais um trânsito astrológico pelo e-mail. Um a cada dia, dois, todos ao mesmo tempo, não tem como uma pessoa não ser pelo menos um pouco esquizofrência.
Dentro da minha esquizofrenia, ando com problemas pata ligar para as pessoas. Me sinto uma invasora. Acho sempre que a pessoa deve estar jantando com a família, fazendo um sexo gostoso ou lendo alguma coisa mais importante que falar comigo. Aí não ligo. Não consigo ligar.
Tenho medo de incomodar até taxista.
Se ligo, ligo uma, duas vezes, no máximo - e ainda preciso respirar fundo, tomar coragem, ver se o horário é propício, os planetas estão alinhados e o sol brilha lá fora. Depois disso, já acho que ultrapassei todos os meus limites.
Mas adoro quando me ligam.
É engraçado achar que você vai, certamente, interromper algo na vida de alguém - o que, realmente, é a função de um telefonema - mas não se incomodar em absoluto que alguém interrompa qualquer atividade sua.
Daí meu grande apego aos e-mails, aos torpedos...
São mensagens de amor (ou precisão, tesão, bronca, recado) que a pessoa espia e responde quando pode, se pode e se quiser. Obviamente, todo mundo espera uma resposta de alguma forma quando manda uma mensagem - princípio básico da comunicação - mas esta resposta, neste caso, vai vir quando a pessoa puder ser interrompida.
É mais leve.
É mais legal.
É menos invasivo.
Por mim, a minha comunicação com o mundo se dividiria numa boa entre encontros presenciais e mensagens virtuais. Estou quase conseguindo. Um dia ainda cancelo aquela bosta daquele telefone fixo. Vou ser toda torpedos, e-mails e verborragias alcóolicas...
Mas, enquanto não consigo, encerro o expediente nada acadêmico de hoje, tristonha porque ninguém me deu bola...

Caos e Espera

Há duas, três semanas, a semana começa e eu só consigo pensar em quando ela vai terminar...
Vários textos esperando fichamento, e eu só penso em tomar uma cerveja...
Páginas esperando para serem escritas, e eu só penso no show de sexta-feira (essa semana)...
Duas sacolas transbordando de roupas para passar, e eu só penso no monte de homem bonito que existe no mundo e cruza o meu acidentado caminho...
Dinheiro pra ganhar, criança pra criar, plantas pra replantar, poeira para tirar, e eu só penso no oposto de tudo isso...
Na dúvida, sento, espero passar.
Não ficho, não escrevo, não passo, não ganho, não planto, não limpo - só crio.
O caos se instala e lá eu fico; pensando e esperando.

segunda-feira, maio 25

No ônibus

Sábado à noite, a caminho da Lapa, 434.
O cobrador levava um papo animadíssimo no celular - fiquei até pensando que operadora seria, porque eu tenho pânico de conversa demorada via celular, só o que pisca na minha cabeça é o valor da conta no mês seguinte. Ele, pinta de cheiroso, cabelo com gel, correntinha no pescoço, roupa muito bem engomada; não prestava a menor atenção aos passageiros - executava o serviço quase mecanicamente - e então, eu passei a prestar atenção nele.

"- Olha, não importa se ele é trabalhador ou bandido, importa se você acha que ele vale a pena pra você."

Achei bonito.

quarta-feira, maio 20

A vontade hoje era...




...mas se fosse hoje, ia dar zica...

...Não disse?

"Entre os dias 20/05 (Hoje) e 02/06, o planeta Vênus estará entrando em contato de forma harmoniosa com o planeta Mercúrio do seu mapa astral, Renata. A qualidade maior deste período envolve um melhor entendimento no que diz respeito à sua vida afetiva. Neste período, você estará mais consciente de coisas que você precisa melhorar para que as suas relações amorosas se tornem mais proveitosas. Talvez você venha a receber conselhos, toques, ou mesmo simplesmente tomar consciência das coisas que precisam ser mudadas. Mas o processo envolve também você receber alguns elogios a respeito de suas melhores qualidades nas relações. As pessoas em geral - amigos, amantes, familiares - estarão salientando suas virtudes, e falando mais delas. É legal ouvir essas coisas, mesmo quando já sabemos quais são nossas qualidades. Um melhor estímulo para a auto-estima é a marca registrada destes dias.

Outra qualidade marcante para o período, Renata, envolve você provavelmente ter idéias mais harmoniosas, percebendo em si uma tendência mais apaziguadora e razoável."

terça-feira, maio 19

I Had a Dream

Exausta, mal consegui ler meia dúzia de parágrafos do livro da vez, o corpo quando encostou no travesseiro deu aquele revertério de corpo cansado, can-sa-do.
Então eu sonhei.
Tinha uma aranha, que não era uma aranha, era uma Maria Farinha, mas era uma aranha, e ela estava lá na minha estante de livros tecendo uma teia. Eu fui fazer aquela coisa que as pessoas fazem de enfiar o dedo pra ver se a bicha pára com o serviço e então ela caiu em cima de mim; que acordei com o coração na boca, que nem a gente vê em filme e fica se perguntando "Ah, qual é! Quem acorda desse jeito?".
O medo que o sonho me deu e a adrenalina que ele me despertou, fez com que eu saísse da cama e demorasse mais três horas e um filme ruim a valer para conseguir pegar no sono de novo.
Agora fui procurar na internet:

"Sonhar com aranhas é muito desfavorável. Ver uma aranha tecer a teia representa uma armadilha preparada pelos inimigos. Ver-se preso numa teia deve-se deduzir que certas pessoas espreitam o primeiro erro que se cometa. Mas matar aranha significa libertação de um obstáculo. Comer aranha é presságio de ruína completa. Deve-se acrescentar que a aranha representa também o medo da sexualidade. Grandes e negras- é um sinal de mau agouro; traição e rivalidade; cuidado com mulheres morenas. Pequenas- sua situação financeira melhorará, com a ajuda de parentes próximos."

Como era uma aranha-carangueijo, eu fui ver se tinha carangueijo. Tinha sonho com ânus, mas não tinha com carangueijo. O mais similar era:

"ANIMAIS
Grandes - boa sorte, em tudo. Pequenos- grandes felicidades estão por acontecer. Fugir deles- você terá boas notícias, sobre assuntos comerciais e financeiros."

Então, deixa eu ver se eu entendi...
Vou ter grandes felicidades, melhorar um pouco da miséria, mas estou com medo da minha sexualidade e alguém vai arrumar algum mosquito pra vir me amolar.

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Então, às 8 da manhã, voltava eu pelo meu caminho, tinha acabado de deixar a criança no colégio e estava louca por um café e uma nesga de sol que pudesse me aquecer um pouquinho. Um pouco mais adiante, um cara, beirando os 50, sentado num degrau da rua, bem vestido, olhava com uma cara assassina pros passantes.
Quando eu passei, o semblante mudou, a voz se tornou chorosa e "moça, compra uma coca-cola pra mim?". Os tempos mudaram... Antes era um pão com manteiga, um café... Agora o cara pede coca-cola. Mesmo sendo solidária aos bebuns, nunca fiquei sentada em calçada pedindo dinheiro pras pessoas; e, mesmo que eu quisesse não poderia mesmo atender ao pedido do cara porque saí de casa sem um centavo sequer.
Quando o meu abanar de cabeça tomou lugar, veio a resposta "vai tomar no cu, sua puta!".
Meu primeiro reflexo foi de perplexidade. O segundo foi a vontade de voltar lá, olhar pra ele e "vem cá, mermão, por acaso você me conhece? Quem você acha que é pra me chamar de puta assim?". Minha filha, que não merece uma mãe morta de porrada no meio da rua e meu metro e pouco de altura, trouxeram o bom senso de volta à minha cabeça.

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Não foi a primeira vez.
Semana passada eu ouvi "eu vim de um relacionamento problemático" e perdi a cabeça.
"Vem cá, e você lá sabe como foram os meus? Me conhece o suficiente para lançar essa afirmação extremamente egoísta? Sabe você como foram os meus?".
É o tipo da afirmação que anda me tirando do sério.
Como é que as pessoas podem ser tão autocentradas assim? Assumir sempre que os problemas delas, que o passado delas, que elas são maiores e mais importantes que qualquer outra pessoa?
Não é uma competição de qual desgraça é maior, mas eu ando com muita preguiça dessa coisa individualista demais que as pessoas têm hoje em dia.
Juro que estou.

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Eu relativizo, hora bolas.

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E na parte que dos quereres, eu sou uma pessoa que realmente tem uma lista diminuta de coisas que realmente quer e serão indispensáveis à minha morte, no sentido de plena realização pessoal. E são coisas muito bobas até.
O resto é dispensável.
É consumo.
Quero, mas não preciso.
Ser amolada por terceiros ou quartos, realmente não faz parte da lista de quereres, mas é uma coisa, infelizmente, que acontece bastante quando se é vivo.
A minha sexualidade não me dá medo, mas eu ando lá analisando certos aspectos dela. São anos e anos de auto análise - final de semana passado mesmo descobri e decidi uma série de coisas que eu não quero e hoje não estou num momento ser mulher é muito bom - e ainda serão anos e mais anos até pôr todas as descobertas e decisões em prática, eu sei. É difícil perder certos (maus) hábitos...
Melhorar financeiramente, eu acho que não conheço nem uma só alma no mundo que não queira. Ajuda no que a gente quer, mas não precisa. Se bem que a casa anda precisando de várias pequenas coisas mesmo...
E pequenas felicidades?
Não só eu quero, como descobri que mereço.
Ah, se mereço!

sexta-feira, maio 15

Nikita

Apesar da semana não ter sido nem de longe das piores do ano corrente, hoje eu acordei latindo.
Não tive a menor paciência para discussões de "É sim, mãe", "Não é, filha"; na faculdade, deu de cara na porta da sala, desperdício de dinheiro de passagem e tempo ocioso; o tempo, que não decide se chove ou não, não me ajuda em nada; as pessoas mal educadas pelas ruas, metrô, ônibus que vou pegando aumentam a vontade que estou sentindo de socar, morder, gritar com outro ser humano.
Resolvo fazer compras, mas nada me apetece como deveria, não sinto a satisfação que deveria sentir diante do meu mais novo par de argolas. Penso um pouco e concluo que só pode ser a TPM - só ela é capaz de fazer emergir todo o apocalipse e a Nikita Assassina que moram dentro do meu ser.
Um porre, necessário, combinado há vários dias, merecido e planejado está para vir, mas procuro aqui, dentro de uma caneca de café, forças para voltar aos meios de transportes, as pessoas que eu quero estrangular, a fim de passar em casa e me tornar uma mulher socialmente apresentável. Hoje, excepcionalmente, eu poderia ter ido ao salão fazer as unhas pela primeira vez em alguns meses,mas a idéia de alguém me futucando não foi recebida com alegria.
Vários mosquitos rondam a minha cabeça. Penso em sair sem celular para evitar um desastre nuclear.
A esperança é que eu consiga achar a ressaca perfeita, que me alivie e deixe nikita embriagada pelos próximos 10 dias de horror...

quarta-feira, maio 13

"Mas eu sou a sua amiga mais debilóide!"
"A mais debilóide, mas a que lê mais, o que é uma combinação bastante curiosa..."

E quem vai dizer que eu não morri de orgulho de ser a débil mais letrada no meio de um monte de gente que pensa de verdade?

segunda-feira, maio 11

Sociologia Numa Hora Dessas...

Noite perfeita.
Amanhecer perfeito.
Um friiiiio na espinha...
Uma semana longa pela frente.
E tem quem queira que eu consiga pensar...

terça-feira, maio 5

Sadomasoquismo

Completamente psicótica dentro do meu novo vício, eis que veio mais um feriado. Decidi aproveitar o quarto feriado seguido da melhor maneira possível: ia me esparramada na poltrona do quarto, lendo mais um novo livro e curtindo com toda a força do meu ser a gripe que estava tentando me derrubar há duas semanas.
E, psicoticamente, passei o dia anterior ao novo feriado – que ganhei de folga de presente de uma professora malvada que não gosta de orientar monografandos – esparramada na poltrona, coberta até o pescoço, com um lencinho pendurado no nariz (cara, fumar com o lenço no nariz, além de perigoso, se mostrou uma proeza muito mais complicada do que eu achei que seria!), terminando o livro em curso para poder correr até a biblioteca e pegar outro que o pudesse substituir ao longo do feriado propriamente dito.
Meu estado quando consegui ir à rua era tão lastimável que não parava de passar pela minha cabeça que seria justo naquele dia que eu provavelmente encontraria “aquele cara”. Não foi. Mas eu também pensei bastante em atacar as pessoas à espirros se elas continuassem esbarrando em mim...
Como eu estava muito determinada (psicótica) a pegar mais um livro na brincadeira da biblioteca, ignorei a razão, os apelos dos livros que já são moradores da casa e peguei outro livro de mulherzinha da mesma autora. Achei que seria bom. Divertido.
Eu gosto. Sou entusiasta da literatura de mulherzinha, de verdade. É bom saber que eu não sou a única mulher otária, histérica, sentimentalóide e ridícula do planeta; mas é o tipo de sabedoria que só deve usada com parcimônia – em casos de falta de crença na humanidade gravíssimos.
Tudo bem, eu ando com uma falta de crença na humanidade gravíssima.
Não anda tão ruim como andava antes do primeiro livro, mas ler o segundo foi overdose. Sim, sim, todas as pessoas são sacaneadas, todo mundo termina relacionamento e encontra outra pessoa e não morre jogada às traças a não ser que queira, todo mundo é otário e sentimentalóide (até quem esconde bem); mas duas histórias onde tudo termina certinho com a mocinha nos braços de um tremendo homenzarrão (*&%$) foi demais pra mim!!!
Quando terminei o livro hoje percebi que havia exagerado, que essas coisas só podem ser lidas pela minha pessoa uma vez a cada seis meses, quatro se a barra estiver muito pesada. Ler um atrás do outro me fez vontade de voltar a ler sobre o Oriente Médio, sobre histórias de terror sanguinolento, massacres e pessoas infelizes. Nem nada do aconteceu no final de semana serviu para me consolar de que desta vez eu realmente havia passado da linha.
E com isso, foi-se a psicose.
Devolvi o livro e não peguei nenhum outro – se bem que talvez pudesse ser uma experiência sociológica interessante, saber como me comportaria ao final de um terceiro romance açucarado écati – virei as costas e fui mimbora pensando em bombas, baratas, sangue, sangue, sangue!!!
Definitivamente, meu lado mulherzinha tem um lugar muito definido em mim mesma para me fazer acreditar que tais coisas são passíveis de acontecer e eu talvez devesse me sentir mais feliz por estar viva neste mundo imenso cheio de possibilidades maravilhosas; sou muito sadomasoquista pra isso.

quarta-feira, abril 29

Consolo

Quando eu fico muito desesperada eu corro pro horóscopo.
Não o horóscopo do jornal, que eu leio religiosamente todo dia, mesmo sabendo que ele sai de uma caixinha de papéizinhos qualquer; mas previsões mais bacanas.
E tá lá, olha que legal, que em JULHO, tudo deve melhorar.
Tá lá, que até sexta meu magnetismo sexual está em alta.
Quer consolo melhor?
Julho é logo ali.
Só falta passar maio, junho...
Eu já tô esperando desde dezembro mesmo, quê que são mais 60 dias?
Além do mais, é um puta consolo saber que o mundo todo quer te pegar, segundo os astros, quando você está com as raízes dos cabelos aparecendo, uma espinha enorme no queixo por causa dos hormônios, a perna e o sovaco cabeludos porque tá-no-osso-e-gripada-então-foda-se; enfim, se achando o que há de baranga no universo.

Eu não sei porque, mas o pior é que consola mesmo...

A Noite Sem Fim

Antes de voltar pra casa consegui sanar meu desespero mental voltando à biblioteca e me certificando que a caixinha de fato havia funcionado como prometia. De quebra, peguei mais um livro.
Um livro da minha longa e eterna 'wishlist'.
Consegui ficar quase feliz quando percebi que, só na última semana, essa coisa de ser sócia de biblioteca havia me feito poupar 70 reais - o que, dada a minha situação financeira atual, não é pouca merda, não.
Quase feliz porque eu entendo que um terço do meu tesão pelos livros novos se deve ao fato de que eles vão ficar fazendo a fina lá minha única estante bombada no futuro para que todos que me visitem vejam o quanto eu sou erudita e como eu gosto de ler - uma mania de gente tarada mesmo, porque eu poderia ficar passar bem uns dois, três anos sem comprar nenhum livro se me dispusesse a ler todos os livros que a minha mãe já comprou na vida e que recheiam as paredes da casa dela ou à fileira de livros que eu ainda não li que estão dentro da minha própria casa; o que leva a outra mania de gente tarada que é gostar do cheiro, da cor, da figura do livro novo; a possessão do livro novo. A ausência deles na minha coleção será algo com a qual eu vou ter que conviver pacificamente sem a ajuda de um analista.
O importante era me sentir uma pessoa supra econômica e feliz por ter poupado os tais 70 reais e ainda ter prazer nisso.
Assim, logo que cheguei em casa, abstraí totalmente do compromisso de assistir a dois seriados na tv, e me atraquei com livro - outro exemplar de literatura mulherzinha - até quando o corpo aguentou e eu resolvi dormir o sono das pessoas abatidas pela gripe "filina"; mal cabendo em mim de antecipação ao pensar que faltavam apenas dois dias para eu ter de volta o meu amado, idolatrado, salve, salve edredom cheiroso, limpinho e quentinho (ele estava além do sujo e eu sem grana para mandar lavar, dormindo coberta por 3 lençóis e eu odeio lençol).
Quando meu corpo parou de latejar e eu comecei a cair no sono risadas e tiros de metralhadora me acordaram de supetão. Aparentemente, os mesmos vizinhos que deram uma festinha na terça-feira da semana passada haviam resolvido dar outra festinha e os vizinhos de cima resolveram assistir algo na tv que seria responsável pela saraivada de tiros.
Eu não sou uma vizinha que reclama. Detesto essse papel. Já existem 3 outras vizinhas que se prestam a ele e eu sempre me obrigo a pensar que ainda sou jovem e que virá o dia em que eu vou resolver dar uma festinha eu mesma e fazer barulho eu mesma - a diferença é que nesta terça, nesta noite, eu estava doente, doída e tinha que acordar às 5 e meia da manhã dia seguinte.
Ainda assim me resignei, peguei o livro de novo, fui fumar na varanda, futuquei as cutículas (Meu Reino Por Uma Manicure!) e, quando diminuiu a emoção, voltei pra cama.
Mais uma vez, num momento onde eu estava até babando no colchão, gritos, urros irados me tiraram do estado de torpor. Um dos casais do prédio havia resolvido ter uma discussão acalorada, com direito a palavras de baixo calão, portas batendo...
Na Idade da Pedra eu já fui parte de um casal também, então, mais uma vez me resignei.
Olívia dormia um sono pesado e solto e eu tive muita inveja dela.
Peguei o livro de novo, tomei uma aspirina porque o alto das minhas costas parecia ter sido torcido tal e qual a gente faz com tiras de plástico bolha e resolvi tomar um banho bem quente enquanto o casal resolvia acalmar os ânimos.
Dentro da banheira tive tempo de descobrir mais um aspecto importante da minha relação com os espécimes do sexo oposto - a análise havia começado à tarde, durante um papo com um amigo, a catarse dentro d'água seria apenas um encerramento para uma questão que nunca se encerra; mas que eu compreendo cada vez mais.
Na saída, limpa, quentinha, de repente encontrei dois caracóis na minha janela. Me toquei que não tenho a menor capacidade de distinguir quem são eles realmente - Sidney, Nancy, Maria - e pude ver que nenhum dos dois estava sem concha, o que me levou a perceber que eu não tenho a menor idéia de quantos deles existem na jardineira (ou eu tive um delírio) e começar a considerar a possibilidade de exterminar todos eles em breve.
Voltei pra cama.
Com o advento da solteirisse, meu colchão começou a ganhar forma, afundar, apenas de um lado da cama. Tem seu lado confortável, mas também tem seu lado deprimente, então lá fui eu mudar de lado para tentar moldar os dois lados - ou o meio - ao formato do meu corpinho de sereia. E isso também não é fácil. Nem confortável. Mas, uns vinte minutos e dez viradas variadas depois, caí no sono...
...Para ser acordada novamente!
Dessa vez meu algoz era um caminhão de lixo, entulho, a porra que for porque da minha casa não se enxerga a rua - mas se ouve.
O caminhão manobrava, rugia, um cabra do lado de fora gritava o que eu imaginava serem comandos de manobra. Quando eu achava que ia acabar, lá vinha o rugido furioso de novo.
Levantei.
Peguei o livro de novo.
Abri a janela.
Acendi um incenso.
Levei o cigarro pro quarto - foda-se.
Peguei o resto do sorvete - foda-se.
Sentei na minha poltrona e, entre uma colherada de sorvete e um parágrafo, tive tempo de pensar que a razão deu passar o mês de dieta e não emagrecer nem cem gramas estava ali, naquele pote de sorvete, na minha noite mal dormida, na minha gripe, nos meus problemas hidráulicos correntes...
Cheguei à conclusão de que faço dieta o mês inteiro para poder ficar menstruada feliz, passar pela TPM feliz e ficar de mau humor feliz, podendo me entupir de chocolate até que ele saia pelos ouvidos e eu possa morrer de culpa no dia seguinte quando os culotes resolverem saltar para os lados ameaçadoramente numa existência nada feliz em termos gerais - o que me levou à conclusão de que todo aquele papo que eu ouvia de que depois dos 30 fica muito mais difícil emagrecer não só é verdade, como é muito cruel.
Mas fodam-se os culotes. Eu não ia conseguir acordar na hora no dia seguinte, não estava me sentindo bem, minha vida amorosa, além de inexistente, é tão errada que deveria ser usada como exemplo de tudo que dá errado, estou tão dura e tão de saco cheio de estar dura que nem rezar para ganhar na mega sena eu rezo mais, minha monografia foi por água abaixo até segunda ordem, e mais, muito mais... Então fodam-se os culotes.
De repente, o silêncio.
Minha vontade, vontade mesmo, id, era enfiar a cara na janela e gritar bem alto:
- Agora acabou? Agora eu POSSO dormir? Ou alguém aí vai dançar sapateado?
Mas eu não gritei.
Fechei a janela.
Voltei pra cama.
O alto da coluna já doía de novo.
Resolvi atrasar o relógio em meia hora, já que o atraso era inevitável. Banho pra quê, não é mesmo?
Achar a posição foi mais fácil dessa vez.
Acabou a noite.
E acordei atrasada de novo.

terça-feira, abril 28

...E o Sidney, hein?
Coitado...
Na última grande chuva o mané perdeu a casinha, o que me levou à conclusão de que ele é, de fato, um caracol burro pra caramba; mas não é que mesmo sem a casa, lá tava o bicho, vivinho?
Pode ser burro, mas é highlander de verdade - e só por essa já merece todo o meu respeito.

Meu Novo Luxo

Uma das conseqüências de ser uma moradora de Botafogo, além de estar rodeada, afogada, sufocada de cinemas por todos os lados, graças a Deus, é que passei a utilizar o metrô como forma de locomoção preferida.
Preferida em todos os termos da palavra - até para a observação da flora e fauna locais.
Sem entrar no mérito caótico da coisa (só o vagão de mulheres, por exemplo, merecia tese de mestrado!), metrô é uma das invenções mais geniais da nossa era. Minhoquinha gigante embaixo da terra. Vuuuuuuiiiiimmmmmmmm!!!
(Vocês vão ter que me desculpar; estou gripada sob o efeito de remedinhos, posso alucinar um pouco.)
E então, eis que chega ao Rio de Janeiro a melhor invenção que o metrô já inventou e que já existia no reino tão, tão distante de São Paulo: a biblioteca do metrô!
O lance é que o primeiro posto era lá na estação lá longe da Central, Praça Onze, um lado distante desses que a Madame Zona Sul não freqüenta nem por acidente.
Mas, como eu não devo ter sido a única pessoa do mundo indisposta a mudar o itinerário e ir dar uma voltinha lá na Zona Norte só pra pegar um livrinho de grátis, o povo teve a sapiência de inaugurar mais um posto aqui do ladinho, na nossa amiga e bombadona Estação Siqueira Campos!!!
Fui lá, olhei, cheirei, namorei... Durante meses...
Só folhetinho descritivo de todas as coisas e papéis que a pessoa precisa pra ter a carteirinha eu devo ter pego umas 3 vezes...
Enfim, com a crise e o meu momento astrológico combinados, tomei coragem, xeroquei todas vias de papéis (depois de levar um tempo descobrindo aonde eles estavam, claro) e encarei meu cadastro.
Mais que o meu cadastro: meu e da Olívia!
Apesar de todos os obstáculos colocados pelo povo, eu venci!
Uma semana depois, carteirinhas na mão (aliás, estou morrendo de vontade de perguntar porque cargas d'água demora-se uma semana para confeccionar uma carteirinha tão peba num sistema tão moderno, informatizado, etcétera e tal, mas tenho medo que me expulsem do clubinho), peguei meu primeiro livrinho - que foi devidamente devorado ao longo do final de semana.
E então eu, esta moça zen, nada nervosa, ansiosa e tal, acabei acabando (eu sei que vocês detestam, que não se escreve assim, mas eu adoro, adoro, adoro) o livro no domingo.
Domingo a biblioteca não funciona.
Muito justo.
Tem uma caixinha de devolução "feito a blockbuster", me disse o atendente. Eu nunca usei caixinha da blockbuster, nunca fui sócia da blockbuster, mas não disse isso pra ele com medo de ser expulsa do clubinho.
Comecei a me coçar toda.
Devolver mais cedo é mais honesto com os outros leitores, afinal, eu já li, não preciso mais do livro dentro da minha casa - até porque corro o risco de me apaixonar por ele e resolver incorporar o cara à minha coleção ou realmente esquecer de devolver pra biblioteca - mas, e se eu puser na caixinha e alguém pegar? Como é que eu vou provar que pus, de fato, o livro na caixinha? Eu não confio em caixinhas!
Foi meu dilema do dia.
Só não foi maior porque o porre da noite anterior, onde pipocaram mensagens bêbadas para quem eu não devia ter mandado mensagens bêbadas, dividiu espaço dentro desta minha cabeça ocupada.
Resolvi o dilema dizendo a mim mesma que eu deveria deixar de ser old school, caretona e desconfiada e confiar no raio da caixinha; que eu só poderia estar fisicamente no balcão novamente mais para o fim da semana e que isso ia privar uma pobre alma do prazer da leitura e não era justo.
Devolvi.
Do meu lado tinha um cara olhando a vitrine (sim, a biblioteca do metrô tem vitrine!), e, imediatamente eu pensei: "e se esse cara enfiar a mão ali dentro e pegar o livro?", que foi imediatamente substituído pelo: "será que amassou o pobrezinho?"; que foi substituído pelo: "vou ter que dar um jeito de vir aqui antes ver se o moço achou o livro direitinho senão não vou conseguir dormir o resto da semana".
Não tem jeito, não confio na caixinha.
Definitivamente sou do tipo que prefere gente para essas coisas.
Mas, tirando isso, não é um luxo?
"Documento com foto, por favor, senhora"...
(Odeio, odeio, odeio, mas hoje me chama de senhora todos os dias e assinalar que é 'senhorita' já deixou de pegar bem...)
...E a senhora aqui vai e tira a carteirinha da biblioteca!
Luxo!
Adorei!
Hahahahaha
Fora que, com livro, a senhora aqui vai praonde nêgo cavar o buraco na maior felicidade!
Não tem muita coisa ainda, mas eu recomendo do mesmo jeito. :)

quarta-feira, abril 15

O atraso

Às quartas-feiras meu dia começa 5:30 da manhã.
Apesar de só precisar pôr o pé na rua uma hora e vinte minutos mais tarde esse tempo é o que eu preciso para despertar, tomar minha garrafa térmica de café, comer alguma coisa qualquer, tomar um banho (em nome da boa higiene e dos narizes das pessoas que vão estar ao meu redor durante todo o dia), arrumar a mochila da criança, acordar a criança, dar alguma coisa para ela comer e vestir a nós duas.
Há mais ou menos um mês, com todas as coisas todas que têm acontecido na minha vida, essa tarefa ficou difícil e eu tenho acordado com algo em torno de uma hora de atraso. Ainda é cedo e tem ficado escuro às 6:30 da manhã.
Prever o tempo é uma tarefa impossível e, freqüentemente, eu mando a criança de short quando chove ou calça comprida quando faz um sol nigeriano.
É uma rotina puxada pra caramba.
Meu sono tem sido mais forte justamente quando o despertador costuma dar sinais de vida - que costuma ter o som incorporado ao meu sonho corrente - e o resultado é um despertar caótico, onde só me falta vestir meias na cabeça e é comum que eu esqueça alguma coisa que ela precise levar para o colégio e pentear os cabelos de ambas é artigo de luxo quando um bom par de grampos dá conta do recado (Amém à moda dos cabelos cuidadosamente despenteados!).
Hoje, porém, me dei ao luxo de atrasar um pouco. O mundo todo se movia rápido demais pra mim e cada vez que eu ia olhar o relógio, depois de ter feito qualquer coisa, haviam se passado dez minutos. Assim, acabamos saindo bem mais atrasadas que a encomenda.
Nestes dias, ambas saímos segurando uma maçã que comemos enquanto vamos caminhando rua abaixo.
Hoje, meus olhos mal se abriam. Parecia que eu estava numa ressaca fenomenal - daquelas que têm me feito falta à alma e que anseio para o próximo sábado como se não houvesse amanhã.
No fim da rua, uma família muitas vezes maior que a minha, com cerca de uma dúzia de pessoas entre adultos e crianças ainda de colo, ainda despertava preguiçosamente, confortavelmente refastelados sobre seus pedaços de papelão e cobertores puídos.
Meu espanto foi por ver que eles, que a esta hora já costumam estar frenéticos, ainda estavam por ali - também atrasados.
Na outra esquina, porém, o casal já estava na porta da padaria.
Ela não deve ser mais que uma adolescente. Magra, despenteada. Ele é mais velho, deve estar em torno dos 25 anos.
Todos os dias eles e o cachorro estão na porta da padaria - deduzo eu que esperando por um pedaço de pão ou algo parecido.
Nunca incomodam os passantes e normalmente já se foram quando eu faço o caminho de volta. Nosso encontro é muito rápido, mas nunca desapercebido.
Eles não estavam atrasados.
Na frente do colégio, ao invés de carros de variadas formas, cores e marcas também estavam atrasados e não estavam lá. A rua parecia ainda adormecida, as professoras, coitadas, pareciam ainda adormecidas.
Mal registrei ter entrado dentro do ônibus e o percurso que este fez, mas quando bati o olho na Lagoa e no sol brilhando entre as árvores floridas ali em volta, toda a beleza da vida veio - inteira.
Lembrei porque tudo isso vale a pena e esqueci totalmente do atraso.

terça-feira, abril 14

Velha desmazelada

Hoje eu queria deixar aqui registrado que faziam anos que eu não tinha um semestre tão ruim dentro de uma instituição de ensino.
Ando me sentindo uma retardada completa.
Meu novo vício é um joguinho online num site dedicado a adolescentes imberbes, o coelho da Páscoa me deixou de presente um novo "Banco Imobiliário", que eu andava super de olho, mas tinha uma vergonha imensa de comprar pra mim cada vez que olhava na caixa que é um jogo destinado a crianças de 8 anos em diante; a nerd que habita meu ser, que geralmente fica em polvorosa nos primeiros semestres porque já existe a ida a FLIP programada e paga e as "provas finais" sempre coincidem com a data da viagem, descobriu que as datas este semestre não vão se encontrar e resolveu tirar férias, me deixando sozinha e empurrando com a barrigada cada trabalho que me é passado até a véspera da entrega, quando são feitos com o maior desmazelo do universo; a Bree que também habita meu confuso ser multipersonálico (se é que existe essa palavra), também entrou em greve, só emergindo vagamente quando os poodles de cabelo passam a ser visíveis pelo chão da casa e ao ponto da minha filha reagir com surpresa dia destes: "Nossa, mãe, não tem louça na pia!!!".
Ainda que eu saiba o motivo real de tudo isso, queria deixar registrado que de vez em quando faz bem e que eu deveria, mas não estou nem aí.

(...Enquanto isso, a monografia manda lembranças, mas a pesquisa tem me sido deveras instrutiva... Assunto para outra hora, claro.)

quarta-feira, abril 8

Olhar alienígena

Estava eu lá, sentada na minha maravilhosa poltrona de balanço que eu ganhei há duas semanas e pela qual estou imensamente apaixonada, quando um casal começou a dançar no seriado que estava rolando na tv e eu estava vendo só por ver para poder ficar sentada mais um pouco no meu ninho.
Aquela cena me fez realizar o quanto o ato de dançar é uma coisa ridícula.
Como o ser humano é ridículo.
Pensa bem: fica um bando de gente sacudindo o corpo quando ouve um barulhinho (ou barulhão). Alguém já reparou nas caras das pessoas? Alguém já reparou nos passinhos? Alguém já parou para pensar na peculiaridade que é essa coisa de gente dançando, além de eu mesma, é claro?
Eu fiquei vendo lá o negão cheio de sorrisos, jogando os braços pra lá e pra cá, enquanto a parceira dele se sacudia que nem uma minhoca com dor de barriga na frente dele. Os dois no meio de mais um monte de gente pipocando em volta, espremido, sem espaço, só porque algum outro alguém resolveu brincar de tocar piano ou violão ou saiú por aí cantando sobre o último namoro que deu errado - aliás, cantar também é uma coisa estranhíssima!
Fiquei imaginando se um alienígena visse aquela cena.
Fiquei imaginando esse ser pensando exatamente como eu penso grande parte do meu dia dentro do universo acadêmico: "Muito manés...".
Meu pensamento acava de uma forma totalmente diferente, mas quando sentei para escrever, começou a me dar pena.
Eu gosto de dançar.
De certa forma eu sempre tive noção do quão ridículo é o ritual - tanto que eu detesto me ver dançar - mas gosto.
Gosto de cantar.
Estranho. Estranho demais essa coisa da gente fazer som e pôr pra fora e isso ser legal, mas gosto.
E se, depois de começar a observar essas coisas, estranhar e achar um ritual profundamente patético, eu implicar comigo mesma e resolver bloquear qualquer tentativa que meu corpo faça de poder ser esquisito?
Porque eu já não ando querendo falar. Falo. Quando bebo continuo falando pra caramba, inclusive. Mas no dia a dia passo horas e horas e mais horas sem dar um pio. Só falo em caso de necessidade, de um interlocutor me enchendo o saco. Então só o que me falta é resolver parar de cantar e dançar, não é, não?
Próximo passo: morar em algum lugar isolado, pelada e peluda e passar a fazer parte de uma família de cabras selvagens.
Ai se os alienígenas olhassem para mim!

segunda-feira, abril 6

Ressaca Moral

Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Porquequeeufuibeijaraquelecara, peloamordeDeus? Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Pustadesperdíciodesaliva... Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga!Porquediaboseuaindasintotantafaltadadrogadomeuex? Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Porqueétãodifícilseradulta,caramba? Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Porqueéqueeunãoganheiaindanamegasena? Azarnoamordeviasercompensadoseriamentecomumamegasena... Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Porquediabosagentetemquefazer4anosdefaculdadeprapoderterumsubempregodemerda? Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Equemfoioviadoqueinventoumonografia? Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Euqueriamuito,muitoumafaxineiraporquenãoaguentomaislimpartudosemparareestoucomcalodevassouranamão,oqueéumamerdamuitomaiorquequalquercelulite... Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Precisoquebraressadrogadesseencantamentovoodooquelançarampracimademimporquetáfoda. Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Algumacoisatemquecomeçaradarcerto. Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!

domingo, abril 5

Pirando...

Sonhar não anda lá muito possível.
Ando precisando de coisas palpáveis, reais.
Infelizmente, o real também não anda lá essas coisas.
Tudo enrolado, novidades desanimadoras, falta tudo – no sentido literal de tudo.
Meu horóscopo manda eu ter paciência há uns dois meses ou mais – e eu ando tentando ser paciente, mas agora já estou é bastante agoniada com a vida.
Então, quando até os sonhos me trazem agonias, eu resolvi ir ao cinema.

E então eu olhei lá pra cima e pensei:
“Quando será que se lavam as cortinas da tela?”.
Não sei se alguém que não seja eu já reparou nisso, mas, em volta da tela existe uma cortina. São metros e metros de tecido. Metros e metros de poeira em estado bruto. Bacana, né?
Fiquei um pouco enjoada...

E então eu percebi que durante essa última semana vi mais de 10 filmes – uma tentativa de me refugiar em qualquer outro mundo que não fosse o meu, assumida.
E então eu percebi que isso significa que eu vi 10 histórias diferentes. 10 histórias diferentes que eu guardei na memória. E aí eu pirei no número de filmes e livros que eu já vi e li ao longo da vida e que ainda vou ver e percebi o tamanho da quantidade de informação que cabe dentro de uma cabeça. Fiquei pensando que não era pra menos que a memória começasse a falhar com a idade. É impossível se lembrar de tudo.
Fiquei um pouco enjoada de novo...

E então, seguindo a lógica da estupidez, eu resolvi sair de casa.
E percebi o quanto eu me desperdiço em certas noites desnecessariamente.
Acordei enjoada.

Vou procurar um antiácido.