Ainda estou bolada com um acontecimento do final de semana: pela primeira vez na história da minha "carreira" cinéfila, eu vi um filme melhor que o livro!
Eu precisava explicar isso, porque, se um dos meus dois leitores olhar ali do lado e vir que eu pus um 'zenzacional' do lado de "Crepúsculo", vai achar que eu pirei de vez e que a internação é eminente; mas eu juro: o filme é muito bom.
Claro, é um filme muito bom na medida em que a pessoa entende que é um filme sobre amor adolescente entre um vampiro e uma adolescente.
O livro, tio Stephen tem toda a razão, é muito mal escrito; e foi exatamente por isso que eu nem me animei a saber o resto da história, nem quis ir ao cinema quando o filme saiu. Mas, na sexta-feira, ele estava lá, na estante da locadora, que anda me assombrando ou com filmes que eu já vi, ou com filmes que eu não quero ver - estou numa fase aficcionada onde nada me vai me apetecer até a chegada da segunda temporada de 'Dexter' às prateleiras - só que eu ia ficar em casa com a criança, não tinha nada que pudesse prender minha atenção na tv - apesar dos 88 canais - então eu resolvi pegar o filme, porque ainda não estou preparada psicologicamente para encarar "Strippers Zumbi", por mais gore e tentador que isso possa parecer.
E então, de repente, eu me vi com um cigarro na mão, pescocinho duro, sentada ao invés de deitada, na maior adrenalina durante a batalha dos vampiros (sempre tem batalha de vampiro em filme de vampiro, ok?). E pensei: cara, esse filme é do caralho.
Bolei.
E agora, confesso, espero "Lua Nova" ansiosamente.
Talvez até leia o livro...
***********************************
Tem uma semana que eu não termino um livro.
Depois dos últimos dois, peguei "Meu nome é vermelho" para ler.
Acontece que eu estou com vontade de ler "A mulher que escreveu a bíblia" - minha mãe disse tanto que eu ia gostar de ler, que era ótimo e tal, que eu fiquei com vontade de ler; o fato dela ter perdido o livro só aumentou essa vontade.
Aí estou eu encarando a crise obssessiva e não consigo me aprofundar no Negro. Tenho um feeling de que vou gostar do livro, mas simplesmente não consigo avançar nele.
Amanhã chega outro livro que eu quero ler a coisa de um ano.
Mas desconfio que terei que ir à livraria mais próxima o mais rápido possível ou meu futuro será nebuloso.
************************************
Porque eu ando cheia de planos.
Daqui a dois dias eu entro em férias, graçasadeus.
E fiz planos nefastos.
Vou ter que replantar minhas plantas porque todas morreram afogadas com as chuvas torrenciais do mês passado; quero arrumar mais um pouco da minha casa e comprar umas duas ou três coisinhas novas para enfeitar o barraco; quero tomar uns 3 ou 4 porres bem cabeludos; quero sair para dançar até sentir dor nos quadris de novo; quero ver filmes, filmes, muitos filmes porque tem uns dois meses que eu não vejo filmes, filmes, muitos filmes e quero ler livros, livros, muitos livros.
Quero passar tardes e mais tardes enterrada nas minhas poltronas lendo, sem nem atender o telefone.
Parecem planos nefastos o suficiente para mim.
************************************
Eu também queria cortar os cabelos.
Passei o mês esperando a chegada da lua cheia, na crença de que se eu cortar na lua cheia consiga amanhecer com uma vasta cabeleira tal e qual a Fergie.
Mas a lua cheia fez o favor de encher justo hoje, segunda-feira, que é dia de folga dos cabeleireiros (é assim?), e agora não sei o que fazer com eles de novo.
************************************
No mais, meu coração dói quando eu penso em todos os gastos extras que vou ter este mês e a cada vez que essse maldito celular toca. Antes, razão de alegria, hoje razão de profunda vergonha e dor.
Continuo firme no masoquismo de não mudar o toque para lembrar de não pegar mais essa porcaria quando beber e fazer valer os 3 reais mais caros da história da minha vida.
"Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma." George R.R. Martin
segunda-feira, junho 8
sexta-feira, junho 5
Celular de Bêbado
Por mais que eu me cobre e jure, 8 em 10 vezes que eu tomo um pileque acabo agarrada no meu celular. Ontem, não podia ter sido diferente.
Ontem foi meu dia 05.
Dia 05 é o dia mais infeliz do meu mês, o dia em que eu pago o grosso das minhas contas. Pagar contas me deprime.
Quer dizer, fico feliz por um lado porque elas estão pagas; o que é ruim é o montante de grana que sai da conta para que elas sejam pagas.
Enfim, o dinheiro sai e eu, para me consolar, me dou o direito a ficar ébria.
E foi assim, que enquanto tinha um momento macho alfa, sentadona no sofá, assistindo a mais um capítulo emocionante de "Supernatural", com a mão enfiada dentro das calças coçando a barriga enquanto tomava uma cerveja, que meu olho bateu nele.
Rolava um tédio. Já era a segunda vez que ele me assaltava.
Hoje, eu e meus pudores não me permitem mais ligar para ninguém para conversar depois das 22h, e fui forte na minha determinação em não passar mensagens para ninguém (até deletei um telefone estratégico), então fui xeretar qualquer parada.
Resultado: acabei baixando um toque pro meu celular tosco até o fim da vida de uma música Beyoncé.
Que eu vou ter que usar, já que paguei por ele.
E que vai me fazer jurar e cobrar tudo de novo pelos próximos meses toda vez que ele tocar...
Ontem foi meu dia 05.
Dia 05 é o dia mais infeliz do meu mês, o dia em que eu pago o grosso das minhas contas. Pagar contas me deprime.
Quer dizer, fico feliz por um lado porque elas estão pagas; o que é ruim é o montante de grana que sai da conta para que elas sejam pagas.
Enfim, o dinheiro sai e eu, para me consolar, me dou o direito a ficar ébria.
E foi assim, que enquanto tinha um momento macho alfa, sentadona no sofá, assistindo a mais um capítulo emocionante de "Supernatural", com a mão enfiada dentro das calças coçando a barriga enquanto tomava uma cerveja, que meu olho bateu nele.
Rolava um tédio. Já era a segunda vez que ele me assaltava.
Hoje, eu e meus pudores não me permitem mais ligar para ninguém para conversar depois das 22h, e fui forte na minha determinação em não passar mensagens para ninguém (até deletei um telefone estratégico), então fui xeretar qualquer parada.
Resultado: acabei baixando um toque pro meu celular tosco até o fim da vida de uma música Beyoncé.
Que eu vou ter que usar, já que paguei por ele.
E que vai me fazer jurar e cobrar tudo de novo pelos próximos meses toda vez que ele tocar...
quarta-feira, junho 3
sexta-feira, maio 29
quarta-feira, maio 27
De Vez Em Quando Ter Cérebro É Deprimente
Tá bom.
Movida pelo superego que não me deixa tirar mais zeros na vida ou deixar um projeto em suspenso, resolvi trabalhar um pouco. Achei uma tese zenzacional, com tudo que eu preciso e mais um pouco.
Evoé!
O foda é ter que fichar 130 páginas, no meio de um monte de estudantes sem um pingo de educação, com a bunda sentada numa cadeira mais dura que cimento, sem nem um cafézinho à mão ou o luxo de um cigarrinho amigo.
Dá desgosto.
Ainda mais quando a gente olha pela janela, vê aquele pusta sol brilhando lá fora e lembra que só vai sair daqui quando ele já tiver ido embora...
Movida pelo superego que não me deixa tirar mais zeros na vida ou deixar um projeto em suspenso, resolvi trabalhar um pouco. Achei uma tese zenzacional, com tudo que eu preciso e mais um pouco.
Evoé!
O foda é ter que fichar 130 páginas, no meio de um monte de estudantes sem um pingo de educação, com a bunda sentada numa cadeira mais dura que cimento, sem nem um cafézinho à mão ou o luxo de um cigarrinho amigo.
Dá desgosto.
Ainda mais quando a gente olha pela janela, vê aquele pusta sol brilhando lá fora e lembra que só vai sair daqui quando ele já tiver ido embora...
Restless
Como todo mundo sabe, o calendário não me dá descanso.
Todo mês tem uma data qualquer, uma coisa qualquer, que não me deixa começar a minha poupança milhonária ou comprar aquele quadro que eu bebi para a parede da minha sala.
Janeiro teve férias.
Não exatamente uma data comemorativa, mas uma data custosa, uma vez que existem viagens, programinhas culturais, cervejas... Ainda teve mudança de colégio e todo o material e uniforme novos de novo.
Não sobrou nem um realzinho pra contar a história.
Fevereiro, carnaval.
De novo, viagem. Adoro viajar, se pudesse viajava todo mês, mas viagem custa caro - ainda mais quando é viagem de mais de uma semana.
Março, páscoa.
Fui ser um gênio brilhante em prol da vida saudável (coisa que, de fato, ando tendo, no sentido alimentar, durante a semana) e troquei o ovo pelo novo filme da Barbie. Saiu mais caro. E ainda teve ovo pra professora, pra secretária...
Abril chegou com tudo!
Três feriados e um show.
Passei duas semanas comendo miojo por conta de todo esse rebuliço.
Maio.
Mais dois shows e uma bonequinha aplacadora de culpa materna.
Tudo bem que o ingresso de abril eu ganhei de mamãe e o do Dancing Dio da rádio, mas a ida ao show se configura em gasto também. Às vezes, maior que o preço do ingresso.
Então, chega junho.
Mês dos namorados.
Não sei se sou eu, que já estou bastante conformada com o fato de que Dia dos Namorados não foi uma invenção comercial feita pra mim - mesmo quando eu tinha um negócio desses, alguma coisa acontecia e o dia fatídico eu passava solteira; as pessoas têm costume de acabar no carnaval pra cair na putaria, eu tinha o costume de acabar no Dia dos Namorados - mas, este ano, não só as vitrines estão menos cheias de coraçõezinhos fofos e vermelhos, como eu não estou dando a mínima.
Claro que eu penso em descolar uma das minhas amiguinhas encalhadas e passar com elas enchendo o focinho em algum lugar remoto, falando mal de todos os homens malvados que nos deixaram na vida.
Mas, num geral, não estou dando a mínima.
Este mês, o que me move é que o semestre está quase acabando (pelo menos aqui na faculdade) e a Flip está quase chegando!
O primeiro semestre dos meus últimos anos têm isso em comum: eu sempre brigo com um professor, sempre me esforço para passar direto e sempre acaba em Flip!!!
Segunda-feira lá vou eu, amanhecer na porta da loja, com a programação em punho, para me degladiar com uma dúzia de velhinhas furiosas e enlouquecidas que vão enfrentar aquela fila monstra sentadas no chão da galeriazinha imunda de Copacabana, tão na vala quanto eu, para comprar os ingressos das mesas.
Para mim, este é pior dia da Flip, mas é um dos que dá mais charme à coisa toda.
Já comecei a fazer contagem regressiva.
As plantas vão ficar para depois da Flip, o gato vai ficar para depois da Flip, tudo agora vai esperar a Flip passar.
Flip que abre julho.
Julho que é meu aniversário.
Julho que é mês de férias.
Julho que é mês de festa junina no colégio, que vai me custar as prendas e a lavagem da roupitcha da criança na lavanderia.
E eu já tenho compromissos para setembro, outubro, dezembro...
Meio cansativo isso tudo, né, não?
Todo mês tem uma data qualquer, uma coisa qualquer, que não me deixa começar a minha poupança milhonária ou comprar aquele quadro que eu bebi para a parede da minha sala.
Janeiro teve férias.
Não exatamente uma data comemorativa, mas uma data custosa, uma vez que existem viagens, programinhas culturais, cervejas... Ainda teve mudança de colégio e todo o material e uniforme novos de novo.
Não sobrou nem um realzinho pra contar a história.
Fevereiro, carnaval.
De novo, viagem. Adoro viajar, se pudesse viajava todo mês, mas viagem custa caro - ainda mais quando é viagem de mais de uma semana.
Março, páscoa.
Fui ser um gênio brilhante em prol da vida saudável (coisa que, de fato, ando tendo, no sentido alimentar, durante a semana) e troquei o ovo pelo novo filme da Barbie. Saiu mais caro. E ainda teve ovo pra professora, pra secretária...
Abril chegou com tudo!
Três feriados e um show.
Passei duas semanas comendo miojo por conta de todo esse rebuliço.
Maio.
Mais dois shows e uma bonequinha aplacadora de culpa materna.
Tudo bem que o ingresso de abril eu ganhei de mamãe e o do Dancing Dio da rádio, mas a ida ao show se configura em gasto também. Às vezes, maior que o preço do ingresso.
Então, chega junho.
Mês dos namorados.
Não sei se sou eu, que já estou bastante conformada com o fato de que Dia dos Namorados não foi uma invenção comercial feita pra mim - mesmo quando eu tinha um negócio desses, alguma coisa acontecia e o dia fatídico eu passava solteira; as pessoas têm costume de acabar no carnaval pra cair na putaria, eu tinha o costume de acabar no Dia dos Namorados - mas, este ano, não só as vitrines estão menos cheias de coraçõezinhos fofos e vermelhos, como eu não estou dando a mínima.
Claro que eu penso em descolar uma das minhas amiguinhas encalhadas e passar com elas enchendo o focinho em algum lugar remoto, falando mal de todos os homens malvados que nos deixaram na vida.
Mas, num geral, não estou dando a mínima.
Este mês, o que me move é que o semestre está quase acabando (pelo menos aqui na faculdade) e a Flip está quase chegando!
O primeiro semestre dos meus últimos anos têm isso em comum: eu sempre brigo com um professor, sempre me esforço para passar direto e sempre acaba em Flip!!!
Segunda-feira lá vou eu, amanhecer na porta da loja, com a programação em punho, para me degladiar com uma dúzia de velhinhas furiosas e enlouquecidas que vão enfrentar aquela fila monstra sentadas no chão da galeriazinha imunda de Copacabana, tão na vala quanto eu, para comprar os ingressos das mesas.
Para mim, este é pior dia da Flip, mas é um dos que dá mais charme à coisa toda.
Já comecei a fazer contagem regressiva.
As plantas vão ficar para depois da Flip, o gato vai ficar para depois da Flip, tudo agora vai esperar a Flip passar.
Flip que abre julho.
Julho que é meu aniversário.
Julho que é mês de férias.
Julho que é mês de festa junina no colégio, que vai me custar as prendas e a lavagem da roupitcha da criança na lavanderia.
E eu já tenho compromissos para setembro, outubro, dezembro...
Meio cansativo isso tudo, né, não?
O Triste Fim de Ofélia
Eu gosto de cozinha.
Gosto de cozinhar, devagar, cheirando, cortando, demorando...
Pratos elaborados demais me dão uma certa preguiça monstra, mas na maioria das vezes, posso quase afirmar que a minha comida é mais gostosa que qualquer comida que você já tenha provado.
O lance é que ainda que a minha seja a melhor comida do mundo, eu ando cansada de ter que cozinhar. Quando isso se torna uma obrigação - ou você cozinha ou morre de fome ou vive de pãozinho - o encanto da coisa se quebra bastante.
Aí tem dias em que eu me rendo à comida em pózinho.
Sou fã.
Não existe nada mais sintético, com gosto similar e bizarro, se você for analisar bem, quanto comida em pó. Mas, além de tudo isso, ela também é uma comida mágica: você mistura na água, quando muito no leite, e tchum! Pudim, macarrão com molho de alguma coisa, sopinhas - tudo brota daquela mistura bisonha!
Em coisa de 10 minutos, a sua fome será saciada por um prato quentinho e gostosinho!
Ainda tem o plus de que eu realmente gosto do sabor - e procuro esquecer que todos têm o mesmo sabor.
Eu ando sonhando com o dia em que vou poder comer "no quilo" como as velhinhas aposentadas; com o dia em que possa contar com uma cozinheira "forno e fogão" que possa deixar tudo já prontinho para que eu possa chegar e encontrar lá, certinho, quando chegar em casa...
...Enquanto isso, vivo eu, de comida de pózinho...
Gosto de cozinhar, devagar, cheirando, cortando, demorando...
Pratos elaborados demais me dão uma certa preguiça monstra, mas na maioria das vezes, posso quase afirmar que a minha comida é mais gostosa que qualquer comida que você já tenha provado.
O lance é que ainda que a minha seja a melhor comida do mundo, eu ando cansada de ter que cozinhar. Quando isso se torna uma obrigação - ou você cozinha ou morre de fome ou vive de pãozinho - o encanto da coisa se quebra bastante.
Aí tem dias em que eu me rendo à comida em pózinho.
Sou fã.
Não existe nada mais sintético, com gosto similar e bizarro, se você for analisar bem, quanto comida em pó. Mas, além de tudo isso, ela também é uma comida mágica: você mistura na água, quando muito no leite, e tchum! Pudim, macarrão com molho de alguma coisa, sopinhas - tudo brota daquela mistura bisonha!
Em coisa de 10 minutos, a sua fome será saciada por um prato quentinho e gostosinho!
Ainda tem o plus de que eu realmente gosto do sabor - e procuro esquecer que todos têm o mesmo sabor.
Eu ando sonhando com o dia em que vou poder comer "no quilo" como as velhinhas aposentadas; com o dia em que possa contar com uma cozinheira "forno e fogão" que possa deixar tudo já prontinho para que eu possa chegar e encontrar lá, certinho, quando chegar em casa...
...Enquanto isso, vivo eu, de comida de pózinho...
I VÂNT!!!
"Sun May 24, 10:32 am ET
TOKYO – In a country where ghosts are traditionally believed to hide in the loo, a Japanese company is advertising a new literary experience — a horror story printed on toilet paper.
Each roll carries several copies of a new nine-chapter novella written by Koji Suzuki, the Japanese author of the horror story "Ring," which has been made into movies in both Japan and Hollywood.
"Drop," set in a public restroom, takes up about three feet (90 centimeters) of a roll and can be read in just a few minutes, according to the manufacturer, Hayashi Paper.
The company promotes the toilet paper, which will sell for 210 yen ($2.20) a roll, as "a horror experience in the toilet."
Toilets in Japan were traditionally tucked away in a dark corner of the house due to religious beliefs. Parents would tease children that a hairy hand might pull them down into the dark pool below."
Associeted Press
TOKYO – In a country where ghosts are traditionally believed to hide in the loo, a Japanese company is advertising a new literary experience — a horror story printed on toilet paper.
Each roll carries several copies of a new nine-chapter novella written by Koji Suzuki, the Japanese author of the horror story "Ring," which has been made into movies in both Japan and Hollywood.
"Drop," set in a public restroom, takes up about three feet (90 centimeters) of a roll and can be read in just a few minutes, according to the manufacturer, Hayashi Paper.
The company promotes the toilet paper, which will sell for 210 yen ($2.20) a roll, as "a horror experience in the toilet."
Toilets in Japan were traditionally tucked away in a dark corner of the house due to religious beliefs. Parents would tease children that a hairy hand might pull them down into the dark pool below."
Associeted Press
terça-feira, maio 26
Da Comunicação
Ninguém respondeu meus e-mails hoje...
Fico verdadeiramente infeliz quando isso acontece...
Recebi mais um trânsito astrológico pelo e-mail. Um a cada dia, dois, todos ao mesmo tempo, não tem como uma pessoa não ser pelo menos um pouco esquizofrência.
Dentro da minha esquizofrenia, ando com problemas pata ligar para as pessoas. Me sinto uma invasora. Acho sempre que a pessoa deve estar jantando com a família, fazendo um sexo gostoso ou lendo alguma coisa mais importante que falar comigo. Aí não ligo. Não consigo ligar.
Tenho medo de incomodar até taxista.
Se ligo, ligo uma, duas vezes, no máximo - e ainda preciso respirar fundo, tomar coragem, ver se o horário é propício, os planetas estão alinhados e o sol brilha lá fora. Depois disso, já acho que ultrapassei todos os meus limites.
Mas adoro quando me ligam.
É engraçado achar que você vai, certamente, interromper algo na vida de alguém - o que, realmente, é a função de um telefonema - mas não se incomodar em absoluto que alguém interrompa qualquer atividade sua.
Daí meu grande apego aos e-mails, aos torpedos...
São mensagens de amor (ou precisão, tesão, bronca, recado) que a pessoa espia e responde quando pode, se pode e se quiser. Obviamente, todo mundo espera uma resposta de alguma forma quando manda uma mensagem - princípio básico da comunicação - mas esta resposta, neste caso, vai vir quando a pessoa puder ser interrompida.
É mais leve.
É mais legal.
É menos invasivo.
Por mim, a minha comunicação com o mundo se dividiria numa boa entre encontros presenciais e mensagens virtuais. Estou quase conseguindo. Um dia ainda cancelo aquela bosta daquele telefone fixo. Vou ser toda torpedos, e-mails e verborragias alcóolicas...
Mas, enquanto não consigo, encerro o expediente nada acadêmico de hoje, tristonha porque ninguém me deu bola...
Fico verdadeiramente infeliz quando isso acontece...
Recebi mais um trânsito astrológico pelo e-mail. Um a cada dia, dois, todos ao mesmo tempo, não tem como uma pessoa não ser pelo menos um pouco esquizofrência.
Dentro da minha esquizofrenia, ando com problemas pata ligar para as pessoas. Me sinto uma invasora. Acho sempre que a pessoa deve estar jantando com a família, fazendo um sexo gostoso ou lendo alguma coisa mais importante que falar comigo. Aí não ligo. Não consigo ligar.
Tenho medo de incomodar até taxista.
Se ligo, ligo uma, duas vezes, no máximo - e ainda preciso respirar fundo, tomar coragem, ver se o horário é propício, os planetas estão alinhados e o sol brilha lá fora. Depois disso, já acho que ultrapassei todos os meus limites.
Mas adoro quando me ligam.
É engraçado achar que você vai, certamente, interromper algo na vida de alguém - o que, realmente, é a função de um telefonema - mas não se incomodar em absoluto que alguém interrompa qualquer atividade sua.
Daí meu grande apego aos e-mails, aos torpedos...
São mensagens de amor (ou precisão, tesão, bronca, recado) que a pessoa espia e responde quando pode, se pode e se quiser. Obviamente, todo mundo espera uma resposta de alguma forma quando manda uma mensagem - princípio básico da comunicação - mas esta resposta, neste caso, vai vir quando a pessoa puder ser interrompida.
É mais leve.
É mais legal.
É menos invasivo.
Por mim, a minha comunicação com o mundo se dividiria numa boa entre encontros presenciais e mensagens virtuais. Estou quase conseguindo. Um dia ainda cancelo aquela bosta daquele telefone fixo. Vou ser toda torpedos, e-mails e verborragias alcóolicas...
Mas, enquanto não consigo, encerro o expediente nada acadêmico de hoje, tristonha porque ninguém me deu bola...
Caos e Espera
Há duas, três semanas, a semana começa e eu só consigo pensar em quando ela vai terminar...
Vários textos esperando fichamento, e eu só penso em tomar uma cerveja...
Páginas esperando para serem escritas, e eu só penso no show de sexta-feira (essa semana)...
Duas sacolas transbordando de roupas para passar, e eu só penso no monte de homem bonito que existe no mundo e cruza o meu acidentado caminho...
Dinheiro pra ganhar, criança pra criar, plantas pra replantar, poeira para tirar, e eu só penso no oposto de tudo isso...
Na dúvida, sento, espero passar.
Não ficho, não escrevo, não passo, não ganho, não planto, não limpo - só crio.
O caos se instala e lá eu fico; pensando e esperando.
Vários textos esperando fichamento, e eu só penso em tomar uma cerveja...
Páginas esperando para serem escritas, e eu só penso no show de sexta-feira (essa semana)...
Duas sacolas transbordando de roupas para passar, e eu só penso no monte de homem bonito que existe no mundo e cruza o meu acidentado caminho...
Dinheiro pra ganhar, criança pra criar, plantas pra replantar, poeira para tirar, e eu só penso no oposto de tudo isso...
Na dúvida, sento, espero passar.
Não ficho, não escrevo, não passo, não ganho, não planto, não limpo - só crio.
O caos se instala e lá eu fico; pensando e esperando.
segunda-feira, maio 25
No ônibus
Sábado à noite, a caminho da Lapa, 434.
O cobrador levava um papo animadíssimo no celular - fiquei até pensando que operadora seria, porque eu tenho pânico de conversa demorada via celular, só o que pisca na minha cabeça é o valor da conta no mês seguinte. Ele, pinta de cheiroso, cabelo com gel, correntinha no pescoço, roupa muito bem engomada; não prestava a menor atenção aos passageiros - executava o serviço quase mecanicamente - e então, eu passei a prestar atenção nele.
"- Olha, não importa se ele é trabalhador ou bandido, importa se você acha que ele vale a pena pra você."
Achei bonito.
O cobrador levava um papo animadíssimo no celular - fiquei até pensando que operadora seria, porque eu tenho pânico de conversa demorada via celular, só o que pisca na minha cabeça é o valor da conta no mês seguinte. Ele, pinta de cheiroso, cabelo com gel, correntinha no pescoço, roupa muito bem engomada; não prestava a menor atenção aos passageiros - executava o serviço quase mecanicamente - e então, eu passei a prestar atenção nele.
"- Olha, não importa se ele é trabalhador ou bandido, importa se você acha que ele vale a pena pra você."
Achei bonito.
quarta-feira, maio 20
...Não disse?
"Entre os dias 20/05 (Hoje) e 02/06, o planeta Vênus estará entrando em contato de forma harmoniosa com o planeta Mercúrio do seu mapa astral, Renata. A qualidade maior deste período envolve um melhor entendimento no que diz respeito à sua vida afetiva. Neste período, você estará mais consciente de coisas que você precisa melhorar para que as suas relações amorosas se tornem mais proveitosas. Talvez você venha a receber conselhos, toques, ou mesmo simplesmente tomar consciência das coisas que precisam ser mudadas. Mas o processo envolve também você receber alguns elogios a respeito de suas melhores qualidades nas relações. As pessoas em geral - amigos, amantes, familiares - estarão salientando suas virtudes, e falando mais delas. É legal ouvir essas coisas, mesmo quando já sabemos quais são nossas qualidades. Um melhor estímulo para a auto-estima é a marca registrada destes dias.
Outra qualidade marcante para o período, Renata, envolve você provavelmente ter idéias mais harmoniosas, percebendo em si uma tendência mais apaziguadora e razoável."
Outra qualidade marcante para o período, Renata, envolve você provavelmente ter idéias mais harmoniosas, percebendo em si uma tendência mais apaziguadora e razoável."
terça-feira, maio 19
I Had a Dream
Exausta, mal consegui ler meia dúzia de parágrafos do livro da vez, o corpo quando encostou no travesseiro deu aquele revertério de corpo cansado, can-sa-do.
Então eu sonhei.
Tinha uma aranha, que não era uma aranha, era uma Maria Farinha, mas era uma aranha, e ela estava lá na minha estante de livros tecendo uma teia. Eu fui fazer aquela coisa que as pessoas fazem de enfiar o dedo pra ver se a bicha pára com o serviço e então ela caiu em cima de mim; que acordei com o coração na boca, que nem a gente vê em filme e fica se perguntando "Ah, qual é! Quem acorda desse jeito?".
O medo que o sonho me deu e a adrenalina que ele me despertou, fez com que eu saísse da cama e demorasse mais três horas e um filme ruim a valer para conseguir pegar no sono de novo.
Agora fui procurar na internet:
"Sonhar com aranhas é muito desfavorável. Ver uma aranha tecer a teia representa uma armadilha preparada pelos inimigos. Ver-se preso numa teia deve-se deduzir que certas pessoas espreitam o primeiro erro que se cometa. Mas matar aranha significa libertação de um obstáculo. Comer aranha é presságio de ruína completa. Deve-se acrescentar que a aranha representa também o medo da sexualidade. Grandes e negras- é um sinal de mau agouro; traição e rivalidade; cuidado com mulheres morenas. Pequenas- sua situação financeira melhorará, com a ajuda de parentes próximos."
Como era uma aranha-carangueijo, eu fui ver se tinha carangueijo. Tinha sonho com ânus, mas não tinha com carangueijo. O mais similar era:
"ANIMAIS
Grandes - boa sorte, em tudo. Pequenos- grandes felicidades estão por acontecer. Fugir deles- você terá boas notícias, sobre assuntos comerciais e financeiros."
Então, deixa eu ver se eu entendi...
Vou ter grandes felicidades, melhorar um pouco da miséria, mas estou com medo da minha sexualidade e alguém vai arrumar algum mosquito pra vir me amolar.
**********************************
Então, às 8 da manhã, voltava eu pelo meu caminho, tinha acabado de deixar a criança no colégio e estava louca por um café e uma nesga de sol que pudesse me aquecer um pouquinho. Um pouco mais adiante, um cara, beirando os 50, sentado num degrau da rua, bem vestido, olhava com uma cara assassina pros passantes.
Quando eu passei, o semblante mudou, a voz se tornou chorosa e "moça, compra uma coca-cola pra mim?". Os tempos mudaram... Antes era um pão com manteiga, um café... Agora o cara pede coca-cola. Mesmo sendo solidária aos bebuns, nunca fiquei sentada em calçada pedindo dinheiro pras pessoas; e, mesmo que eu quisesse não poderia mesmo atender ao pedido do cara porque saí de casa sem um centavo sequer.
Quando o meu abanar de cabeça tomou lugar, veio a resposta "vai tomar no cu, sua puta!".
Meu primeiro reflexo foi de perplexidade. O segundo foi a vontade de voltar lá, olhar pra ele e "vem cá, mermão, por acaso você me conhece? Quem você acha que é pra me chamar de puta assim?". Minha filha, que não merece uma mãe morta de porrada no meio da rua e meu metro e pouco de altura, trouxeram o bom senso de volta à minha cabeça.
**************************
Não foi a primeira vez.
Semana passada eu ouvi "eu vim de um relacionamento problemático" e perdi a cabeça.
"Vem cá, e você lá sabe como foram os meus? Me conhece o suficiente para lançar essa afirmação extremamente egoísta? Sabe você como foram os meus?".
É o tipo da afirmação que anda me tirando do sério.
Como é que as pessoas podem ser tão autocentradas assim? Assumir sempre que os problemas delas, que o passado delas, que elas são maiores e mais importantes que qualquer outra pessoa?
Não é uma competição de qual desgraça é maior, mas eu ando com muita preguiça dessa coisa individualista demais que as pessoas têm hoje em dia.
Juro que estou.
**************************
Eu relativizo, hora bolas.
**************************
E na parte que dos quereres, eu sou uma pessoa que realmente tem uma lista diminuta de coisas que realmente quer e serão indispensáveis à minha morte, no sentido de plena realização pessoal. E são coisas muito bobas até.
O resto é dispensável.
É consumo.
Quero, mas não preciso.
Ser amolada por terceiros ou quartos, realmente não faz parte da lista de quereres, mas é uma coisa, infelizmente, que acontece bastante quando se é vivo.
A minha sexualidade não me dá medo, mas eu ando lá analisando certos aspectos dela. São anos e anos de auto análise - final de semana passado mesmo descobri e decidi uma série de coisas que eu não quero e hoje não estou num momento ser mulher é muito bom - e ainda serão anos e mais anos até pôr todas as descobertas e decisões em prática, eu sei. É difícil perder certos (maus) hábitos...
Melhorar financeiramente, eu acho que não conheço nem uma só alma no mundo que não queira. Ajuda no que a gente quer, mas não precisa. Se bem que a casa anda precisando de várias pequenas coisas mesmo...
E pequenas felicidades?
Não só eu quero, como descobri que mereço.
Ah, se mereço!
Então eu sonhei.
Tinha uma aranha, que não era uma aranha, era uma Maria Farinha, mas era uma aranha, e ela estava lá na minha estante de livros tecendo uma teia. Eu fui fazer aquela coisa que as pessoas fazem de enfiar o dedo pra ver se a bicha pára com o serviço e então ela caiu em cima de mim; que acordei com o coração na boca, que nem a gente vê em filme e fica se perguntando "Ah, qual é! Quem acorda desse jeito?".
O medo que o sonho me deu e a adrenalina que ele me despertou, fez com que eu saísse da cama e demorasse mais três horas e um filme ruim a valer para conseguir pegar no sono de novo.
Agora fui procurar na internet:
"Sonhar com aranhas é muito desfavorável. Ver uma aranha tecer a teia representa uma armadilha preparada pelos inimigos. Ver-se preso numa teia deve-se deduzir que certas pessoas espreitam o primeiro erro que se cometa. Mas matar aranha significa libertação de um obstáculo. Comer aranha é presságio de ruína completa. Deve-se acrescentar que a aranha representa também o medo da sexualidade. Grandes e negras- é um sinal de mau agouro; traição e rivalidade; cuidado com mulheres morenas. Pequenas- sua situação financeira melhorará, com a ajuda de parentes próximos."
Como era uma aranha-carangueijo, eu fui ver se tinha carangueijo. Tinha sonho com ânus, mas não tinha com carangueijo. O mais similar era:
"ANIMAIS
Grandes - boa sorte, em tudo. Pequenos- grandes felicidades estão por acontecer. Fugir deles- você terá boas notícias, sobre assuntos comerciais e financeiros."
Então, deixa eu ver se eu entendi...
Vou ter grandes felicidades, melhorar um pouco da miséria, mas estou com medo da minha sexualidade e alguém vai arrumar algum mosquito pra vir me amolar.
**********************************
Então, às 8 da manhã, voltava eu pelo meu caminho, tinha acabado de deixar a criança no colégio e estava louca por um café e uma nesga de sol que pudesse me aquecer um pouquinho. Um pouco mais adiante, um cara, beirando os 50, sentado num degrau da rua, bem vestido, olhava com uma cara assassina pros passantes.
Quando eu passei, o semblante mudou, a voz se tornou chorosa e "moça, compra uma coca-cola pra mim?". Os tempos mudaram... Antes era um pão com manteiga, um café... Agora o cara pede coca-cola. Mesmo sendo solidária aos bebuns, nunca fiquei sentada em calçada pedindo dinheiro pras pessoas; e, mesmo que eu quisesse não poderia mesmo atender ao pedido do cara porque saí de casa sem um centavo sequer.
Quando o meu abanar de cabeça tomou lugar, veio a resposta "vai tomar no cu, sua puta!".
Meu primeiro reflexo foi de perplexidade. O segundo foi a vontade de voltar lá, olhar pra ele e "vem cá, mermão, por acaso você me conhece? Quem você acha que é pra me chamar de puta assim?". Minha filha, que não merece uma mãe morta de porrada no meio da rua e meu metro e pouco de altura, trouxeram o bom senso de volta à minha cabeça.
**************************
Não foi a primeira vez.
Semana passada eu ouvi "eu vim de um relacionamento problemático" e perdi a cabeça.
"Vem cá, e você lá sabe como foram os meus? Me conhece o suficiente para lançar essa afirmação extremamente egoísta? Sabe você como foram os meus?".
É o tipo da afirmação que anda me tirando do sério.
Como é que as pessoas podem ser tão autocentradas assim? Assumir sempre que os problemas delas, que o passado delas, que elas são maiores e mais importantes que qualquer outra pessoa?
Não é uma competição de qual desgraça é maior, mas eu ando com muita preguiça dessa coisa individualista demais que as pessoas têm hoje em dia.
Juro que estou.
**************************
Eu relativizo, hora bolas.
**************************
E na parte que dos quereres, eu sou uma pessoa que realmente tem uma lista diminuta de coisas que realmente quer e serão indispensáveis à minha morte, no sentido de plena realização pessoal. E são coisas muito bobas até.
O resto é dispensável.
É consumo.
Quero, mas não preciso.
Ser amolada por terceiros ou quartos, realmente não faz parte da lista de quereres, mas é uma coisa, infelizmente, que acontece bastante quando se é vivo.
A minha sexualidade não me dá medo, mas eu ando lá analisando certos aspectos dela. São anos e anos de auto análise - final de semana passado mesmo descobri e decidi uma série de coisas que eu não quero e hoje não estou num momento ser mulher é muito bom - e ainda serão anos e mais anos até pôr todas as descobertas e decisões em prática, eu sei. É difícil perder certos (maus) hábitos...
Melhorar financeiramente, eu acho que não conheço nem uma só alma no mundo que não queira. Ajuda no que a gente quer, mas não precisa. Se bem que a casa anda precisando de várias pequenas coisas mesmo...
E pequenas felicidades?
Não só eu quero, como descobri que mereço.
Ah, se mereço!
sexta-feira, maio 15
Nikita
Apesar da semana não ter sido nem de longe das piores do ano corrente, hoje eu acordei latindo.
Não tive a menor paciência para discussões de "É sim, mãe", "Não é, filha"; na faculdade, deu de cara na porta da sala, desperdício de dinheiro de passagem e tempo ocioso; o tempo, que não decide se chove ou não, não me ajuda em nada; as pessoas mal educadas pelas ruas, metrô, ônibus que vou pegando aumentam a vontade que estou sentindo de socar, morder, gritar com outro ser humano.
Resolvo fazer compras, mas nada me apetece como deveria, não sinto a satisfação que deveria sentir diante do meu mais novo par de argolas. Penso um pouco e concluo que só pode ser a TPM - só ela é capaz de fazer emergir todo o apocalipse e a Nikita Assassina que moram dentro do meu ser.
Um porre, necessário, combinado há vários dias, merecido e planejado está para vir, mas procuro aqui, dentro de uma caneca de café, forças para voltar aos meios de transportes, as pessoas que eu quero estrangular, a fim de passar em casa e me tornar uma mulher socialmente apresentável. Hoje, excepcionalmente, eu poderia ter ido ao salão fazer as unhas pela primeira vez em alguns meses,mas a idéia de alguém me futucando não foi recebida com alegria.
Vários mosquitos rondam a minha cabeça. Penso em sair sem celular para evitar um desastre nuclear.
A esperança é que eu consiga achar a ressaca perfeita, que me alivie e deixe nikita embriagada pelos próximos 10 dias de horror...
Não tive a menor paciência para discussões de "É sim, mãe", "Não é, filha"; na faculdade, deu de cara na porta da sala, desperdício de dinheiro de passagem e tempo ocioso; o tempo, que não decide se chove ou não, não me ajuda em nada; as pessoas mal educadas pelas ruas, metrô, ônibus que vou pegando aumentam a vontade que estou sentindo de socar, morder, gritar com outro ser humano.
Resolvo fazer compras, mas nada me apetece como deveria, não sinto a satisfação que deveria sentir diante do meu mais novo par de argolas. Penso um pouco e concluo que só pode ser a TPM - só ela é capaz de fazer emergir todo o apocalipse e a Nikita Assassina que moram dentro do meu ser.
Um porre, necessário, combinado há vários dias, merecido e planejado está para vir, mas procuro aqui, dentro de uma caneca de café, forças para voltar aos meios de transportes, as pessoas que eu quero estrangular, a fim de passar em casa e me tornar uma mulher socialmente apresentável. Hoje, excepcionalmente, eu poderia ter ido ao salão fazer as unhas pela primeira vez em alguns meses,mas a idéia de alguém me futucando não foi recebida com alegria.
Vários mosquitos rondam a minha cabeça. Penso em sair sem celular para evitar um desastre nuclear.
A esperança é que eu consiga achar a ressaca perfeita, que me alivie e deixe nikita embriagada pelos próximos 10 dias de horror...
quarta-feira, maio 13
segunda-feira, maio 11
Sociologia Numa Hora Dessas...
Noite perfeita.
Amanhecer perfeito.
Um friiiiio na espinha...
Uma semana longa pela frente.
E tem quem queira que eu consiga pensar...
Amanhecer perfeito.
Um friiiiio na espinha...
Uma semana longa pela frente.
E tem quem queira que eu consiga pensar...
terça-feira, maio 5
Sadomasoquismo
Completamente psicótica dentro do meu novo vício, eis que veio mais um feriado. Decidi aproveitar o quarto feriado seguido da melhor maneira possível: ia me esparramada na poltrona do quarto, lendo mais um novo livro e curtindo com toda a força do meu ser a gripe que estava tentando me derrubar há duas semanas.
E, psicoticamente, passei o dia anterior ao novo feriado – que ganhei de folga de presente de uma professora malvada que não gosta de orientar monografandos – esparramada na poltrona, coberta até o pescoço, com um lencinho pendurado no nariz (cara, fumar com o lenço no nariz, além de perigoso, se mostrou uma proeza muito mais complicada do que eu achei que seria!), terminando o livro em curso para poder correr até a biblioteca e pegar outro que o pudesse substituir ao longo do feriado propriamente dito.
Meu estado quando consegui ir à rua era tão lastimável que não parava de passar pela minha cabeça que seria justo naquele dia que eu provavelmente encontraria “aquele cara”. Não foi. Mas eu também pensei bastante em atacar as pessoas à espirros se elas continuassem esbarrando em mim...
Como eu estava muito determinada (psicótica) a pegar mais um livro na brincadeira da biblioteca, ignorei a razão, os apelos dos livros que já são moradores da casa e peguei outro livro de mulherzinha da mesma autora. Achei que seria bom. Divertido.
Eu gosto. Sou entusiasta da literatura de mulherzinha, de verdade. É bom saber que eu não sou a única mulher otária, histérica, sentimentalóide e ridícula do planeta; mas é o tipo de sabedoria que só deve usada com parcimônia – em casos de falta de crença na humanidade gravíssimos.
Tudo bem, eu ando com uma falta de crença na humanidade gravíssima.
Não anda tão ruim como andava antes do primeiro livro, mas ler o segundo foi overdose. Sim, sim, todas as pessoas são sacaneadas, todo mundo termina relacionamento e encontra outra pessoa e não morre jogada às traças a não ser que queira, todo mundo é otário e sentimentalóide (até quem esconde bem); mas duas histórias onde tudo termina certinho com a mocinha nos braços de um tremendo homenzarrão (*&%$) foi demais pra mim!!!
Quando terminei o livro hoje percebi que havia exagerado, que essas coisas só podem ser lidas pela minha pessoa uma vez a cada seis meses, quatro se a barra estiver muito pesada. Ler um atrás do outro me fez vontade de voltar a ler sobre o Oriente Médio, sobre histórias de terror sanguinolento, massacres e pessoas infelizes. Nem nada do aconteceu no final de semana serviu para me consolar de que desta vez eu realmente havia passado da linha.
E com isso, foi-se a psicose.
Devolvi o livro e não peguei nenhum outro – se bem que talvez pudesse ser uma experiência sociológica interessante, saber como me comportaria ao final de um terceiro romance açucarado écati – virei as costas e fui mimbora pensando em bombas, baratas, sangue, sangue, sangue!!!
Definitivamente, meu lado mulherzinha tem um lugar muito definido em mim mesma para me fazer acreditar que tais coisas são passíveis de acontecer e eu talvez devesse me sentir mais feliz por estar viva neste mundo imenso cheio de possibilidades maravilhosas; sou muito sadomasoquista pra isso.
E, psicoticamente, passei o dia anterior ao novo feriado – que ganhei de folga de presente de uma professora malvada que não gosta de orientar monografandos – esparramada na poltrona, coberta até o pescoço, com um lencinho pendurado no nariz (cara, fumar com o lenço no nariz, além de perigoso, se mostrou uma proeza muito mais complicada do que eu achei que seria!), terminando o livro em curso para poder correr até a biblioteca e pegar outro que o pudesse substituir ao longo do feriado propriamente dito.
Meu estado quando consegui ir à rua era tão lastimável que não parava de passar pela minha cabeça que seria justo naquele dia que eu provavelmente encontraria “aquele cara”. Não foi. Mas eu também pensei bastante em atacar as pessoas à espirros se elas continuassem esbarrando em mim...
Como eu estava muito determinada (psicótica) a pegar mais um livro na brincadeira da biblioteca, ignorei a razão, os apelos dos livros que já são moradores da casa e peguei outro livro de mulherzinha da mesma autora. Achei que seria bom. Divertido.
Eu gosto. Sou entusiasta da literatura de mulherzinha, de verdade. É bom saber que eu não sou a única mulher otária, histérica, sentimentalóide e ridícula do planeta; mas é o tipo de sabedoria que só deve usada com parcimônia – em casos de falta de crença na humanidade gravíssimos.
Tudo bem, eu ando com uma falta de crença na humanidade gravíssima.
Não anda tão ruim como andava antes do primeiro livro, mas ler o segundo foi overdose. Sim, sim, todas as pessoas são sacaneadas, todo mundo termina relacionamento e encontra outra pessoa e não morre jogada às traças a não ser que queira, todo mundo é otário e sentimentalóide (até quem esconde bem); mas duas histórias onde tudo termina certinho com a mocinha nos braços de um tremendo homenzarrão (*&%$) foi demais pra mim!!!
Quando terminei o livro hoje percebi que havia exagerado, que essas coisas só podem ser lidas pela minha pessoa uma vez a cada seis meses, quatro se a barra estiver muito pesada. Ler um atrás do outro me fez vontade de voltar a ler sobre o Oriente Médio, sobre histórias de terror sanguinolento, massacres e pessoas infelizes. Nem nada do aconteceu no final de semana serviu para me consolar de que desta vez eu realmente havia passado da linha.
E com isso, foi-se a psicose.
Devolvi o livro e não peguei nenhum outro – se bem que talvez pudesse ser uma experiência sociológica interessante, saber como me comportaria ao final de um terceiro romance açucarado écati – virei as costas e fui mimbora pensando em bombas, baratas, sangue, sangue, sangue!!!
Definitivamente, meu lado mulherzinha tem um lugar muito definido em mim mesma para me fazer acreditar que tais coisas são passíveis de acontecer e eu talvez devesse me sentir mais feliz por estar viva neste mundo imenso cheio de possibilidades maravilhosas; sou muito sadomasoquista pra isso.
quarta-feira, abril 29
Consolo
Quando eu fico muito desesperada eu corro pro horóscopo.
Não o horóscopo do jornal, que eu leio religiosamente todo dia, mesmo sabendo que ele sai de uma caixinha de papéizinhos qualquer; mas previsões mais bacanas.
E tá lá, olha que legal, que em JULHO, tudo deve melhorar.
Tá lá, que até sexta meu magnetismo sexual está em alta.
Quer consolo melhor?
Julho é logo ali.
Só falta passar maio, junho...
Eu já tô esperando desde dezembro mesmo, quê que são mais 60 dias?
Além do mais, é um puta consolo saber que o mundo todo quer te pegar, segundo os astros, quando você está com as raízes dos cabelos aparecendo, uma espinha enorme no queixo por causa dos hormônios, a perna e o sovaco cabeludos porque tá-no-osso-e-gripada-então-foda-se; enfim, se achando o que há de baranga no universo.
Eu não sei porque, mas o pior é que consola mesmo...
Não o horóscopo do jornal, que eu leio religiosamente todo dia, mesmo sabendo que ele sai de uma caixinha de papéizinhos qualquer; mas previsões mais bacanas.
E tá lá, olha que legal, que em JULHO, tudo deve melhorar.
Tá lá, que até sexta meu magnetismo sexual está em alta.
Quer consolo melhor?
Julho é logo ali.
Só falta passar maio, junho...
Eu já tô esperando desde dezembro mesmo, quê que são mais 60 dias?
Além do mais, é um puta consolo saber que o mundo todo quer te pegar, segundo os astros, quando você está com as raízes dos cabelos aparecendo, uma espinha enorme no queixo por causa dos hormônios, a perna e o sovaco cabeludos porque tá-no-osso-e-gripada-então-foda-se; enfim, se achando o que há de baranga no universo.
Eu não sei porque, mas o pior é que consola mesmo...
A Noite Sem Fim
Antes de voltar pra casa consegui sanar meu desespero mental voltando à biblioteca e me certificando que a caixinha de fato havia funcionado como prometia. De quebra, peguei mais um livro.
Um livro da minha longa e eterna 'wishlist'.
Consegui ficar quase feliz quando percebi que, só na última semana, essa coisa de ser sócia de biblioteca havia me feito poupar 70 reais - o que, dada a minha situação financeira atual, não é pouca merda, não.
Quase feliz porque eu entendo que um terço do meu tesão pelos livros novos se deve ao fato de que eles vão ficar fazendo a fina lá minha única estante bombada no futuro para que todos que me visitem vejam o quanto eu sou erudita e como eu gosto de ler - uma mania de gente tarada mesmo, porque eu poderia ficar passar bem uns dois, três anos sem comprar nenhum livro se me dispusesse a ler todos os livros que a minha mãe já comprou na vida e que recheiam as paredes da casa dela ou à fileira de livros que eu ainda não li que estão dentro da minha própria casa; o que leva a outra mania de gente tarada que é gostar do cheiro, da cor, da figura do livro novo; a possessão do livro novo. A ausência deles na minha coleção será algo com a qual eu vou ter que conviver pacificamente sem a ajuda de um analista.
O importante era me sentir uma pessoa supra econômica e feliz por ter poupado os tais 70 reais e ainda ter prazer nisso.
Assim, logo que cheguei em casa, abstraí totalmente do compromisso de assistir a dois seriados na tv, e me atraquei com livro - outro exemplar de literatura mulherzinha - até quando o corpo aguentou e eu resolvi dormir o sono das pessoas abatidas pela gripe "filina"; mal cabendo em mim de antecipação ao pensar que faltavam apenas dois dias para eu ter de volta o meu amado, idolatrado, salve, salve edredom cheiroso, limpinho e quentinho (ele estava além do sujo e eu sem grana para mandar lavar, dormindo coberta por 3 lençóis e eu odeio lençol).
Quando meu corpo parou de latejar e eu comecei a cair no sono risadas e tiros de metralhadora me acordaram de supetão. Aparentemente, os mesmos vizinhos que deram uma festinha na terça-feira da semana passada haviam resolvido dar outra festinha e os vizinhos de cima resolveram assistir algo na tv que seria responsável pela saraivada de tiros.
Eu não sou uma vizinha que reclama. Detesto essse papel. Já existem 3 outras vizinhas que se prestam a ele e eu sempre me obrigo a pensar que ainda sou jovem e que virá o dia em que eu vou resolver dar uma festinha eu mesma e fazer barulho eu mesma - a diferença é que nesta terça, nesta noite, eu estava doente, doída e tinha que acordar às 5 e meia da manhã dia seguinte.
Ainda assim me resignei, peguei o livro de novo, fui fumar na varanda, futuquei as cutículas (Meu Reino Por Uma Manicure!) e, quando diminuiu a emoção, voltei pra cama.
Mais uma vez, num momento onde eu estava até babando no colchão, gritos, urros irados me tiraram do estado de torpor. Um dos casais do prédio havia resolvido ter uma discussão acalorada, com direito a palavras de baixo calão, portas batendo...
Na Idade da Pedra eu já fui parte de um casal também, então, mais uma vez me resignei.
Olívia dormia um sono pesado e solto e eu tive muita inveja dela.
Peguei o livro de novo, tomei uma aspirina porque o alto das minhas costas parecia ter sido torcido tal e qual a gente faz com tiras de plástico bolha e resolvi tomar um banho bem quente enquanto o casal resolvia acalmar os ânimos.
Dentro da banheira tive tempo de descobrir mais um aspecto importante da minha relação com os espécimes do sexo oposto - a análise havia começado à tarde, durante um papo com um amigo, a catarse dentro d'água seria apenas um encerramento para uma questão que nunca se encerra; mas que eu compreendo cada vez mais.
Na saída, limpa, quentinha, de repente encontrei dois caracóis na minha janela. Me toquei que não tenho a menor capacidade de distinguir quem são eles realmente - Sidney, Nancy, Maria - e pude ver que nenhum dos dois estava sem concha, o que me levou a perceber que eu não tenho a menor idéia de quantos deles existem na jardineira (ou eu tive um delírio) e começar a considerar a possibilidade de exterminar todos eles em breve.
Voltei pra cama.
Com o advento da solteirisse, meu colchão começou a ganhar forma, afundar, apenas de um lado da cama. Tem seu lado confortável, mas também tem seu lado deprimente, então lá fui eu mudar de lado para tentar moldar os dois lados - ou o meio - ao formato do meu corpinho de sereia. E isso também não é fácil. Nem confortável. Mas, uns vinte minutos e dez viradas variadas depois, caí no sono...
...Para ser acordada novamente!
Dessa vez meu algoz era um caminhão de lixo, entulho, a porra que for porque da minha casa não se enxerga a rua - mas se ouve.
O caminhão manobrava, rugia, um cabra do lado de fora gritava o que eu imaginava serem comandos de manobra. Quando eu achava que ia acabar, lá vinha o rugido furioso de novo.
Levantei.
Peguei o livro de novo.
Abri a janela.
Acendi um incenso.
Levei o cigarro pro quarto - foda-se.
Peguei o resto do sorvete - foda-se.
Sentei na minha poltrona e, entre uma colherada de sorvete e um parágrafo, tive tempo de pensar que a razão deu passar o mês de dieta e não emagrecer nem cem gramas estava ali, naquele pote de sorvete, na minha noite mal dormida, na minha gripe, nos meus problemas hidráulicos correntes...
Cheguei à conclusão de que faço dieta o mês inteiro para poder ficar menstruada feliz, passar pela TPM feliz e ficar de mau humor feliz, podendo me entupir de chocolate até que ele saia pelos ouvidos e eu possa morrer de culpa no dia seguinte quando os culotes resolverem saltar para os lados ameaçadoramente numa existência nada feliz em termos gerais - o que me levou à conclusão de que todo aquele papo que eu ouvia de que depois dos 30 fica muito mais difícil emagrecer não só é verdade, como é muito cruel.
Mas fodam-se os culotes. Eu não ia conseguir acordar na hora no dia seguinte, não estava me sentindo bem, minha vida amorosa, além de inexistente, é tão errada que deveria ser usada como exemplo de tudo que dá errado, estou tão dura e tão de saco cheio de estar dura que nem rezar para ganhar na mega sena eu rezo mais, minha monografia foi por água abaixo até segunda ordem, e mais, muito mais... Então fodam-se os culotes.
De repente, o silêncio.
Minha vontade, vontade mesmo, id, era enfiar a cara na janela e gritar bem alto:
- Agora acabou? Agora eu POSSO dormir? Ou alguém aí vai dançar sapateado?
Mas eu não gritei.
Fechei a janela.
Voltei pra cama.
O alto da coluna já doía de novo.
Resolvi atrasar o relógio em meia hora, já que o atraso era inevitável. Banho pra quê, não é mesmo?
Achar a posição foi mais fácil dessa vez.
Acabou a noite.
E acordei atrasada de novo.
Um livro da minha longa e eterna 'wishlist'.
Consegui ficar quase feliz quando percebi que, só na última semana, essa coisa de ser sócia de biblioteca havia me feito poupar 70 reais - o que, dada a minha situação financeira atual, não é pouca merda, não.
Quase feliz porque eu entendo que um terço do meu tesão pelos livros novos se deve ao fato de que eles vão ficar fazendo a fina lá minha única estante bombada no futuro para que todos que me visitem vejam o quanto eu sou erudita e como eu gosto de ler - uma mania de gente tarada mesmo, porque eu poderia ficar passar bem uns dois, três anos sem comprar nenhum livro se me dispusesse a ler todos os livros que a minha mãe já comprou na vida e que recheiam as paredes da casa dela ou à fileira de livros que eu ainda não li que estão dentro da minha própria casa; o que leva a outra mania de gente tarada que é gostar do cheiro, da cor, da figura do livro novo; a possessão do livro novo. A ausência deles na minha coleção será algo com a qual eu vou ter que conviver pacificamente sem a ajuda de um analista.
O importante era me sentir uma pessoa supra econômica e feliz por ter poupado os tais 70 reais e ainda ter prazer nisso.
Assim, logo que cheguei em casa, abstraí totalmente do compromisso de assistir a dois seriados na tv, e me atraquei com livro - outro exemplar de literatura mulherzinha - até quando o corpo aguentou e eu resolvi dormir o sono das pessoas abatidas pela gripe "filina"; mal cabendo em mim de antecipação ao pensar que faltavam apenas dois dias para eu ter de volta o meu amado, idolatrado, salve, salve edredom cheiroso, limpinho e quentinho (ele estava além do sujo e eu sem grana para mandar lavar, dormindo coberta por 3 lençóis e eu odeio lençol).
Quando meu corpo parou de latejar e eu comecei a cair no sono risadas e tiros de metralhadora me acordaram de supetão. Aparentemente, os mesmos vizinhos que deram uma festinha na terça-feira da semana passada haviam resolvido dar outra festinha e os vizinhos de cima resolveram assistir algo na tv que seria responsável pela saraivada de tiros.
Eu não sou uma vizinha que reclama. Detesto essse papel. Já existem 3 outras vizinhas que se prestam a ele e eu sempre me obrigo a pensar que ainda sou jovem e que virá o dia em que eu vou resolver dar uma festinha eu mesma e fazer barulho eu mesma - a diferença é que nesta terça, nesta noite, eu estava doente, doída e tinha que acordar às 5 e meia da manhã dia seguinte.
Ainda assim me resignei, peguei o livro de novo, fui fumar na varanda, futuquei as cutículas (Meu Reino Por Uma Manicure!) e, quando diminuiu a emoção, voltei pra cama.
Mais uma vez, num momento onde eu estava até babando no colchão, gritos, urros irados me tiraram do estado de torpor. Um dos casais do prédio havia resolvido ter uma discussão acalorada, com direito a palavras de baixo calão, portas batendo...
Na Idade da Pedra eu já fui parte de um casal também, então, mais uma vez me resignei.
Olívia dormia um sono pesado e solto e eu tive muita inveja dela.
Peguei o livro de novo, tomei uma aspirina porque o alto das minhas costas parecia ter sido torcido tal e qual a gente faz com tiras de plástico bolha e resolvi tomar um banho bem quente enquanto o casal resolvia acalmar os ânimos.
Dentro da banheira tive tempo de descobrir mais um aspecto importante da minha relação com os espécimes do sexo oposto - a análise havia começado à tarde, durante um papo com um amigo, a catarse dentro d'água seria apenas um encerramento para uma questão que nunca se encerra; mas que eu compreendo cada vez mais.
Na saída, limpa, quentinha, de repente encontrei dois caracóis na minha janela. Me toquei que não tenho a menor capacidade de distinguir quem são eles realmente - Sidney, Nancy, Maria - e pude ver que nenhum dos dois estava sem concha, o que me levou a perceber que eu não tenho a menor idéia de quantos deles existem na jardineira (ou eu tive um delírio) e começar a considerar a possibilidade de exterminar todos eles em breve.
Voltei pra cama.
Com o advento da solteirisse, meu colchão começou a ganhar forma, afundar, apenas de um lado da cama. Tem seu lado confortável, mas também tem seu lado deprimente, então lá fui eu mudar de lado para tentar moldar os dois lados - ou o meio - ao formato do meu corpinho de sereia. E isso também não é fácil. Nem confortável. Mas, uns vinte minutos e dez viradas variadas depois, caí no sono...
...Para ser acordada novamente!
Dessa vez meu algoz era um caminhão de lixo, entulho, a porra que for porque da minha casa não se enxerga a rua - mas se ouve.
O caminhão manobrava, rugia, um cabra do lado de fora gritava o que eu imaginava serem comandos de manobra. Quando eu achava que ia acabar, lá vinha o rugido furioso de novo.
Levantei.
Peguei o livro de novo.
Abri a janela.
Acendi um incenso.
Levei o cigarro pro quarto - foda-se.
Peguei o resto do sorvete - foda-se.
Sentei na minha poltrona e, entre uma colherada de sorvete e um parágrafo, tive tempo de pensar que a razão deu passar o mês de dieta e não emagrecer nem cem gramas estava ali, naquele pote de sorvete, na minha noite mal dormida, na minha gripe, nos meus problemas hidráulicos correntes...
Cheguei à conclusão de que faço dieta o mês inteiro para poder ficar menstruada feliz, passar pela TPM feliz e ficar de mau humor feliz, podendo me entupir de chocolate até que ele saia pelos ouvidos e eu possa morrer de culpa no dia seguinte quando os culotes resolverem saltar para os lados ameaçadoramente numa existência nada feliz em termos gerais - o que me levou à conclusão de que todo aquele papo que eu ouvia de que depois dos 30 fica muito mais difícil emagrecer não só é verdade, como é muito cruel.
Mas fodam-se os culotes. Eu não ia conseguir acordar na hora no dia seguinte, não estava me sentindo bem, minha vida amorosa, além de inexistente, é tão errada que deveria ser usada como exemplo de tudo que dá errado, estou tão dura e tão de saco cheio de estar dura que nem rezar para ganhar na mega sena eu rezo mais, minha monografia foi por água abaixo até segunda ordem, e mais, muito mais... Então fodam-se os culotes.
De repente, o silêncio.
Minha vontade, vontade mesmo, id, era enfiar a cara na janela e gritar bem alto:
- Agora acabou? Agora eu POSSO dormir? Ou alguém aí vai dançar sapateado?
Mas eu não gritei.
Fechei a janela.
Voltei pra cama.
O alto da coluna já doía de novo.
Resolvi atrasar o relógio em meia hora, já que o atraso era inevitável. Banho pra quê, não é mesmo?
Achar a posição foi mais fácil dessa vez.
Acabou a noite.
E acordei atrasada de novo.
terça-feira, abril 28
...E o Sidney, hein?
Coitado...
Na última grande chuva o mané perdeu a casinha, o que me levou à conclusão de que ele é, de fato, um caracol burro pra caramba; mas não é que mesmo sem a casa, lá tava o bicho, vivinho?
Pode ser burro, mas é highlander de verdade - e só por essa já merece todo o meu respeito.
Coitado...
Na última grande chuva o mané perdeu a casinha, o que me levou à conclusão de que ele é, de fato, um caracol burro pra caramba; mas não é que mesmo sem a casa, lá tava o bicho, vivinho?
Pode ser burro, mas é highlander de verdade - e só por essa já merece todo o meu respeito.
Meu Novo Luxo
Uma das conseqüências de ser uma moradora de Botafogo, além de estar rodeada, afogada, sufocada de cinemas por todos os lados, graças a Deus, é que passei a utilizar o metrô como forma de locomoção preferida.
Preferida em todos os termos da palavra - até para a observação da flora e fauna locais.
Sem entrar no mérito caótico da coisa (só o vagão de mulheres, por exemplo, merecia tese de mestrado!), metrô é uma das invenções mais geniais da nossa era. Minhoquinha gigante embaixo da terra. Vuuuuuuiiiiimmmmmmmm!!!
(Vocês vão ter que me desculpar; estou gripada sob o efeito de remedinhos, posso alucinar um pouco.)
E então, eis que chega ao Rio de Janeiro a melhor invenção que o metrô já inventou e que já existia no reino tão, tão distante de São Paulo: a biblioteca do metrô!
O lance é que o primeiro posto era lá na estação lá longe da Central, Praça Onze, um lado distante desses que a Madame Zona Sul não freqüenta nem por acidente.
Mas, como eu não devo ter sido a única pessoa do mundo indisposta a mudar o itinerário e ir dar uma voltinha lá na Zona Norte só pra pegar um livrinho de grátis, o povo teve a sapiência de inaugurar mais um posto aqui do ladinho, na nossa amiga e bombadona Estação Siqueira Campos!!!
Fui lá, olhei, cheirei, namorei... Durante meses...
Só folhetinho descritivo de todas as coisas e papéis que a pessoa precisa pra ter a carteirinha eu devo ter pego umas 3 vezes...
Enfim, com a crise e o meu momento astrológico combinados, tomei coragem, xeroquei todas vias de papéis (depois de levar um tempo descobrindo aonde eles estavam, claro) e encarei meu cadastro.
Mais que o meu cadastro: meu e da Olívia!
Apesar de todos os obstáculos colocados pelo povo, eu venci!
Uma semana depois, carteirinhas na mão (aliás, estou morrendo de vontade de perguntar porque cargas d'água demora-se uma semana para confeccionar uma carteirinha tão peba num sistema tão moderno, informatizado, etcétera e tal, mas tenho medo que me expulsem do clubinho), peguei meu primeiro livrinho - que foi devidamente devorado ao longo do final de semana.
E então eu, esta moça zen, nada nervosa, ansiosa e tal, acabei acabando (eu sei que vocês detestam, que não se escreve assim, mas eu adoro, adoro, adoro) o livro no domingo.
Domingo a biblioteca não funciona.
Muito justo.
Tem uma caixinha de devolução "feito a blockbuster", me disse o atendente. Eu nunca usei caixinha da blockbuster, nunca fui sócia da blockbuster, mas não disse isso pra ele com medo de ser expulsa do clubinho.
Comecei a me coçar toda.
Devolver mais cedo é mais honesto com os outros leitores, afinal, eu já li, não preciso mais do livro dentro da minha casa - até porque corro o risco de me apaixonar por ele e resolver incorporar o cara à minha coleção ou realmente esquecer de devolver pra biblioteca - mas, e se eu puser na caixinha e alguém pegar? Como é que eu vou provar que pus, de fato, o livro na caixinha? Eu não confio em caixinhas!
Foi meu dilema do dia.
Só não foi maior porque o porre da noite anterior, onde pipocaram mensagens bêbadas para quem eu não devia ter mandado mensagens bêbadas, dividiu espaço dentro desta minha cabeça ocupada.
Resolvi o dilema dizendo a mim mesma que eu deveria deixar de ser old school, caretona e desconfiada e confiar no raio da caixinha; que eu só poderia estar fisicamente no balcão novamente mais para o fim da semana e que isso ia privar uma pobre alma do prazer da leitura e não era justo.
Devolvi.
Do meu lado tinha um cara olhando a vitrine (sim, a biblioteca do metrô tem vitrine!), e, imediatamente eu pensei: "e se esse cara enfiar a mão ali dentro e pegar o livro?", que foi imediatamente substituído pelo: "será que amassou o pobrezinho?"; que foi substituído pelo: "vou ter que dar um jeito de vir aqui antes ver se o moço achou o livro direitinho senão não vou conseguir dormir o resto da semana".
Não tem jeito, não confio na caixinha.
Definitivamente sou do tipo que prefere gente para essas coisas.
Mas, tirando isso, não é um luxo?
"Documento com foto, por favor, senhora"...
(Odeio, odeio, odeio, mas hoje me chama de senhora todos os dias e assinalar que é 'senhorita' já deixou de pegar bem...)
...E a senhora aqui vai e tira a carteirinha da biblioteca!
Luxo!
Adorei!
Hahahahaha
Fora que, com livro, a senhora aqui vai praonde nêgo cavar o buraco na maior felicidade!
Não tem muita coisa ainda, mas eu recomendo do mesmo jeito. :)
Preferida em todos os termos da palavra - até para a observação da flora e fauna locais.
Sem entrar no mérito caótico da coisa (só o vagão de mulheres, por exemplo, merecia tese de mestrado!), metrô é uma das invenções mais geniais da nossa era. Minhoquinha gigante embaixo da terra. Vuuuuuuiiiiimmmmmmmm!!!
(Vocês vão ter que me desculpar; estou gripada sob o efeito de remedinhos, posso alucinar um pouco.)
E então, eis que chega ao Rio de Janeiro a melhor invenção que o metrô já inventou e que já existia no reino tão, tão distante de São Paulo: a biblioteca do metrô!
O lance é que o primeiro posto era lá na estação lá longe da Central, Praça Onze, um lado distante desses que a Madame Zona Sul não freqüenta nem por acidente.
Mas, como eu não devo ter sido a única pessoa do mundo indisposta a mudar o itinerário e ir dar uma voltinha lá na Zona Norte só pra pegar um livrinho de grátis, o povo teve a sapiência de inaugurar mais um posto aqui do ladinho, na nossa amiga e bombadona Estação Siqueira Campos!!!
Fui lá, olhei, cheirei, namorei... Durante meses...
Só folhetinho descritivo de todas as coisas e papéis que a pessoa precisa pra ter a carteirinha eu devo ter pego umas 3 vezes...
Enfim, com a crise e o meu momento astrológico combinados, tomei coragem, xeroquei todas vias de papéis (depois de levar um tempo descobrindo aonde eles estavam, claro) e encarei meu cadastro.
Mais que o meu cadastro: meu e da Olívia!
Apesar de todos os obstáculos colocados pelo povo, eu venci!
Uma semana depois, carteirinhas na mão (aliás, estou morrendo de vontade de perguntar porque cargas d'água demora-se uma semana para confeccionar uma carteirinha tão peba num sistema tão moderno, informatizado, etcétera e tal, mas tenho medo que me expulsem do clubinho), peguei meu primeiro livrinho - que foi devidamente devorado ao longo do final de semana.
E então eu, esta moça zen, nada nervosa, ansiosa e tal, acabei acabando (eu sei que vocês detestam, que não se escreve assim, mas eu adoro, adoro, adoro) o livro no domingo.
Domingo a biblioteca não funciona.
Muito justo.
Tem uma caixinha de devolução "feito a blockbuster", me disse o atendente. Eu nunca usei caixinha da blockbuster, nunca fui sócia da blockbuster, mas não disse isso pra ele com medo de ser expulsa do clubinho.
Comecei a me coçar toda.
Devolver mais cedo é mais honesto com os outros leitores, afinal, eu já li, não preciso mais do livro dentro da minha casa - até porque corro o risco de me apaixonar por ele e resolver incorporar o cara à minha coleção ou realmente esquecer de devolver pra biblioteca - mas, e se eu puser na caixinha e alguém pegar? Como é que eu vou provar que pus, de fato, o livro na caixinha? Eu não confio em caixinhas!
Foi meu dilema do dia.
Só não foi maior porque o porre da noite anterior, onde pipocaram mensagens bêbadas para quem eu não devia ter mandado mensagens bêbadas, dividiu espaço dentro desta minha cabeça ocupada.
Resolvi o dilema dizendo a mim mesma que eu deveria deixar de ser old school, caretona e desconfiada e confiar no raio da caixinha; que eu só poderia estar fisicamente no balcão novamente mais para o fim da semana e que isso ia privar uma pobre alma do prazer da leitura e não era justo.
Devolvi.
Do meu lado tinha um cara olhando a vitrine (sim, a biblioteca do metrô tem vitrine!), e, imediatamente eu pensei: "e se esse cara enfiar a mão ali dentro e pegar o livro?", que foi imediatamente substituído pelo: "será que amassou o pobrezinho?"; que foi substituído pelo: "vou ter que dar um jeito de vir aqui antes ver se o moço achou o livro direitinho senão não vou conseguir dormir o resto da semana".
Não tem jeito, não confio na caixinha.
Definitivamente sou do tipo que prefere gente para essas coisas.
Mas, tirando isso, não é um luxo?
"Documento com foto, por favor, senhora"...
(Odeio, odeio, odeio, mas hoje me chama de senhora todos os dias e assinalar que é 'senhorita' já deixou de pegar bem...)
...E a senhora aqui vai e tira a carteirinha da biblioteca!
Luxo!
Adorei!
Hahahahaha
Fora que, com livro, a senhora aqui vai praonde nêgo cavar o buraco na maior felicidade!
Não tem muita coisa ainda, mas eu recomendo do mesmo jeito. :)
quarta-feira, abril 15
O atraso
Às quartas-feiras meu dia começa 5:30 da manhã.
Apesar de só precisar pôr o pé na rua uma hora e vinte minutos mais tarde esse tempo é o que eu preciso para despertar, tomar minha garrafa térmica de café, comer alguma coisa qualquer, tomar um banho (em nome da boa higiene e dos narizes das pessoas que vão estar ao meu redor durante todo o dia), arrumar a mochila da criança, acordar a criança, dar alguma coisa para ela comer e vestir a nós duas.
Há mais ou menos um mês, com todas as coisas todas que têm acontecido na minha vida, essa tarefa ficou difícil e eu tenho acordado com algo em torno de uma hora de atraso. Ainda é cedo e tem ficado escuro às 6:30 da manhã.
Prever o tempo é uma tarefa impossível e, freqüentemente, eu mando a criança de short quando chove ou calça comprida quando faz um sol nigeriano.
É uma rotina puxada pra caramba.
Meu sono tem sido mais forte justamente quando o despertador costuma dar sinais de vida - que costuma ter o som incorporado ao meu sonho corrente - e o resultado é um despertar caótico, onde só me falta vestir meias na cabeça e é comum que eu esqueça alguma coisa que ela precise levar para o colégio e pentear os cabelos de ambas é artigo de luxo quando um bom par de grampos dá conta do recado (Amém à moda dos cabelos cuidadosamente despenteados!).
Hoje, porém, me dei ao luxo de atrasar um pouco. O mundo todo se movia rápido demais pra mim e cada vez que eu ia olhar o relógio, depois de ter feito qualquer coisa, haviam se passado dez minutos. Assim, acabamos saindo bem mais atrasadas que a encomenda.
Nestes dias, ambas saímos segurando uma maçã que comemos enquanto vamos caminhando rua abaixo.
Hoje, meus olhos mal se abriam. Parecia que eu estava numa ressaca fenomenal - daquelas que têm me feito falta à alma e que anseio para o próximo sábado como se não houvesse amanhã.
No fim da rua, uma família muitas vezes maior que a minha, com cerca de uma dúzia de pessoas entre adultos e crianças ainda de colo, ainda despertava preguiçosamente, confortavelmente refastelados sobre seus pedaços de papelão e cobertores puídos.
Meu espanto foi por ver que eles, que a esta hora já costumam estar frenéticos, ainda estavam por ali - também atrasados.
Na outra esquina, porém, o casal já estava na porta da padaria.
Ela não deve ser mais que uma adolescente. Magra, despenteada. Ele é mais velho, deve estar em torno dos 25 anos.
Todos os dias eles e o cachorro estão na porta da padaria - deduzo eu que esperando por um pedaço de pão ou algo parecido.
Nunca incomodam os passantes e normalmente já se foram quando eu faço o caminho de volta. Nosso encontro é muito rápido, mas nunca desapercebido.
Eles não estavam atrasados.
Na frente do colégio, ao invés de carros de variadas formas, cores e marcas também estavam atrasados e não estavam lá. A rua parecia ainda adormecida, as professoras, coitadas, pareciam ainda adormecidas.
Mal registrei ter entrado dentro do ônibus e o percurso que este fez, mas quando bati o olho na Lagoa e no sol brilhando entre as árvores floridas ali em volta, toda a beleza da vida veio - inteira.
Lembrei porque tudo isso vale a pena e esqueci totalmente do atraso.
Apesar de só precisar pôr o pé na rua uma hora e vinte minutos mais tarde esse tempo é o que eu preciso para despertar, tomar minha garrafa térmica de café, comer alguma coisa qualquer, tomar um banho (em nome da boa higiene e dos narizes das pessoas que vão estar ao meu redor durante todo o dia), arrumar a mochila da criança, acordar a criança, dar alguma coisa para ela comer e vestir a nós duas.
Há mais ou menos um mês, com todas as coisas todas que têm acontecido na minha vida, essa tarefa ficou difícil e eu tenho acordado com algo em torno de uma hora de atraso. Ainda é cedo e tem ficado escuro às 6:30 da manhã.
Prever o tempo é uma tarefa impossível e, freqüentemente, eu mando a criança de short quando chove ou calça comprida quando faz um sol nigeriano.
É uma rotina puxada pra caramba.
Meu sono tem sido mais forte justamente quando o despertador costuma dar sinais de vida - que costuma ter o som incorporado ao meu sonho corrente - e o resultado é um despertar caótico, onde só me falta vestir meias na cabeça e é comum que eu esqueça alguma coisa que ela precise levar para o colégio e pentear os cabelos de ambas é artigo de luxo quando um bom par de grampos dá conta do recado (Amém à moda dos cabelos cuidadosamente despenteados!).
Hoje, porém, me dei ao luxo de atrasar um pouco. O mundo todo se movia rápido demais pra mim e cada vez que eu ia olhar o relógio, depois de ter feito qualquer coisa, haviam se passado dez minutos. Assim, acabamos saindo bem mais atrasadas que a encomenda.
Nestes dias, ambas saímos segurando uma maçã que comemos enquanto vamos caminhando rua abaixo.
Hoje, meus olhos mal se abriam. Parecia que eu estava numa ressaca fenomenal - daquelas que têm me feito falta à alma e que anseio para o próximo sábado como se não houvesse amanhã.
No fim da rua, uma família muitas vezes maior que a minha, com cerca de uma dúzia de pessoas entre adultos e crianças ainda de colo, ainda despertava preguiçosamente, confortavelmente refastelados sobre seus pedaços de papelão e cobertores puídos.
Meu espanto foi por ver que eles, que a esta hora já costumam estar frenéticos, ainda estavam por ali - também atrasados.
Na outra esquina, porém, o casal já estava na porta da padaria.
Ela não deve ser mais que uma adolescente. Magra, despenteada. Ele é mais velho, deve estar em torno dos 25 anos.
Todos os dias eles e o cachorro estão na porta da padaria - deduzo eu que esperando por um pedaço de pão ou algo parecido.
Nunca incomodam os passantes e normalmente já se foram quando eu faço o caminho de volta. Nosso encontro é muito rápido, mas nunca desapercebido.
Eles não estavam atrasados.
Na frente do colégio, ao invés de carros de variadas formas, cores e marcas também estavam atrasados e não estavam lá. A rua parecia ainda adormecida, as professoras, coitadas, pareciam ainda adormecidas.
Mal registrei ter entrado dentro do ônibus e o percurso que este fez, mas quando bati o olho na Lagoa e no sol brilhando entre as árvores floridas ali em volta, toda a beleza da vida veio - inteira.
Lembrei porque tudo isso vale a pena e esqueci totalmente do atraso.
terça-feira, abril 14
Velha desmazelada
Hoje eu queria deixar aqui registrado que faziam anos que eu não tinha um semestre tão ruim dentro de uma instituição de ensino.
Ando me sentindo uma retardada completa.
Meu novo vício é um joguinho online num site dedicado a adolescentes imberbes, o coelho da Páscoa me deixou de presente um novo "Banco Imobiliário", que eu andava super de olho, mas tinha uma vergonha imensa de comprar pra mim cada vez que olhava na caixa que é um jogo destinado a crianças de 8 anos em diante; a nerd que habita meu ser, que geralmente fica em polvorosa nos primeiros semestres porque já existe a ida a FLIP programada e paga e as "provas finais" sempre coincidem com a data da viagem, descobriu que as datas este semestre não vão se encontrar e resolveu tirar férias, me deixando sozinha e empurrando com a barrigada cada trabalho que me é passado até a véspera da entrega, quando são feitos com o maior desmazelo do universo; a Bree que também habita meu confuso ser multipersonálico (se é que existe essa palavra), também entrou em greve, só emergindo vagamente quando os poodles de cabelo passam a ser visíveis pelo chão da casa e ao ponto da minha filha reagir com surpresa dia destes: "Nossa, mãe, não tem louça na pia!!!".
Ainda que eu saiba o motivo real de tudo isso, queria deixar registrado que de vez em quando faz bem e que eu deveria, mas não estou nem aí.
(...Enquanto isso, a monografia manda lembranças, mas a pesquisa tem me sido deveras instrutiva... Assunto para outra hora, claro.)
Ando me sentindo uma retardada completa.
Meu novo vício é um joguinho online num site dedicado a adolescentes imberbes, o coelho da Páscoa me deixou de presente um novo "Banco Imobiliário", que eu andava super de olho, mas tinha uma vergonha imensa de comprar pra mim cada vez que olhava na caixa que é um jogo destinado a crianças de 8 anos em diante; a nerd que habita meu ser, que geralmente fica em polvorosa nos primeiros semestres porque já existe a ida a FLIP programada e paga e as "provas finais" sempre coincidem com a data da viagem, descobriu que as datas este semestre não vão se encontrar e resolveu tirar férias, me deixando sozinha e empurrando com a barrigada cada trabalho que me é passado até a véspera da entrega, quando são feitos com o maior desmazelo do universo; a Bree que também habita meu confuso ser multipersonálico (se é que existe essa palavra), também entrou em greve, só emergindo vagamente quando os poodles de cabelo passam a ser visíveis pelo chão da casa e ao ponto da minha filha reagir com surpresa dia destes: "Nossa, mãe, não tem louça na pia!!!".
Ainda que eu saiba o motivo real de tudo isso, queria deixar registrado que de vez em quando faz bem e que eu deveria, mas não estou nem aí.
(...Enquanto isso, a monografia manda lembranças, mas a pesquisa tem me sido deveras instrutiva... Assunto para outra hora, claro.)
quarta-feira, abril 8
Olhar alienígena
Estava eu lá, sentada na minha maravilhosa poltrona de balanço que eu ganhei há duas semanas e pela qual estou imensamente apaixonada, quando um casal começou a dançar no seriado que estava rolando na tv e eu estava vendo só por ver para poder ficar sentada mais um pouco no meu ninho.
Aquela cena me fez realizar o quanto o ato de dançar é uma coisa ridícula.
Como o ser humano é ridículo.
Pensa bem: fica um bando de gente sacudindo o corpo quando ouve um barulhinho (ou barulhão). Alguém já reparou nas caras das pessoas? Alguém já reparou nos passinhos? Alguém já parou para pensar na peculiaridade que é essa coisa de gente dançando, além de eu mesma, é claro?
Eu fiquei vendo lá o negão cheio de sorrisos, jogando os braços pra lá e pra cá, enquanto a parceira dele se sacudia que nem uma minhoca com dor de barriga na frente dele. Os dois no meio de mais um monte de gente pipocando em volta, espremido, sem espaço, só porque algum outro alguém resolveu brincar de tocar piano ou violão ou saiú por aí cantando sobre o último namoro que deu errado - aliás, cantar também é uma coisa estranhíssima!
Fiquei imaginando se um alienígena visse aquela cena.
Fiquei imaginando esse ser pensando exatamente como eu penso grande parte do meu dia dentro do universo acadêmico: "Muito manés...".
Meu pensamento acava de uma forma totalmente diferente, mas quando sentei para escrever, começou a me dar pena.
Eu gosto de dançar.
De certa forma eu sempre tive noção do quão ridículo é o ritual - tanto que eu detesto me ver dançar - mas gosto.
Gosto de cantar.
Estranho. Estranho demais essa coisa da gente fazer som e pôr pra fora e isso ser legal, mas gosto.
E se, depois de começar a observar essas coisas, estranhar e achar um ritual profundamente patético, eu implicar comigo mesma e resolver bloquear qualquer tentativa que meu corpo faça de poder ser esquisito?
Porque eu já não ando querendo falar. Falo. Quando bebo continuo falando pra caramba, inclusive. Mas no dia a dia passo horas e horas e mais horas sem dar um pio. Só falo em caso de necessidade, de um interlocutor me enchendo o saco. Então só o que me falta é resolver parar de cantar e dançar, não é, não?
Próximo passo: morar em algum lugar isolado, pelada e peluda e passar a fazer parte de uma família de cabras selvagens.
Ai se os alienígenas olhassem para mim!
Aquela cena me fez realizar o quanto o ato de dançar é uma coisa ridícula.
Como o ser humano é ridículo.
Pensa bem: fica um bando de gente sacudindo o corpo quando ouve um barulhinho (ou barulhão). Alguém já reparou nas caras das pessoas? Alguém já reparou nos passinhos? Alguém já parou para pensar na peculiaridade que é essa coisa de gente dançando, além de eu mesma, é claro?
Eu fiquei vendo lá o negão cheio de sorrisos, jogando os braços pra lá e pra cá, enquanto a parceira dele se sacudia que nem uma minhoca com dor de barriga na frente dele. Os dois no meio de mais um monte de gente pipocando em volta, espremido, sem espaço, só porque algum outro alguém resolveu brincar de tocar piano ou violão ou saiú por aí cantando sobre o último namoro que deu errado - aliás, cantar também é uma coisa estranhíssima!
Fiquei imaginando se um alienígena visse aquela cena.
Fiquei imaginando esse ser pensando exatamente como eu penso grande parte do meu dia dentro do universo acadêmico: "Muito manés...".
Meu pensamento acava de uma forma totalmente diferente, mas quando sentei para escrever, começou a me dar pena.
Eu gosto de dançar.
De certa forma eu sempre tive noção do quão ridículo é o ritual - tanto que eu detesto me ver dançar - mas gosto.
Gosto de cantar.
Estranho. Estranho demais essa coisa da gente fazer som e pôr pra fora e isso ser legal, mas gosto.
E se, depois de começar a observar essas coisas, estranhar e achar um ritual profundamente patético, eu implicar comigo mesma e resolver bloquear qualquer tentativa que meu corpo faça de poder ser esquisito?
Porque eu já não ando querendo falar. Falo. Quando bebo continuo falando pra caramba, inclusive. Mas no dia a dia passo horas e horas e mais horas sem dar um pio. Só falo em caso de necessidade, de um interlocutor me enchendo o saco. Então só o que me falta é resolver parar de cantar e dançar, não é, não?
Próximo passo: morar em algum lugar isolado, pelada e peluda e passar a fazer parte de uma família de cabras selvagens.
Ai se os alienígenas olhassem para mim!
segunda-feira, abril 6
Ressaca Moral
Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Porquequeeufuibeijaraquelecara, peloamordeDeus? Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Pustadesperdíciodesaliva... Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga!Porquediaboseuaindasintotantafaltadadrogadomeuex? Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Porqueétãodifícilseradulta,caramba? Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Porqueéqueeunãoganheiaindanamegasena? Azarnoamordeviasercompensadoseriamentecomumamegasena... Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Porquediabosagentetemquefazer4anosdefaculdadeprapoderterumsubempregodemerda? Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Equemfoioviadoqueinventoumonografia? Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Euqueriamuito,muitoumafaxineiraporquenãoaguentomaislimpartudosemparareestoucomcalodevassouranamão,oqueéumamerdamuitomaiorquequalquercelulite... Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Precisoquebraressadrogadesseencantamentovoodooquelançarampracimademimporquetáfoda. Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Algumacoisatemquecomeçaradarcerto. Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!
domingo, abril 5
Pirando...
Sonhar não anda lá muito possível.
Ando precisando de coisas palpáveis, reais.
Infelizmente, o real também não anda lá essas coisas.
Tudo enrolado, novidades desanimadoras, falta tudo – no sentido literal de tudo.
Meu horóscopo manda eu ter paciência há uns dois meses ou mais – e eu ando tentando ser paciente, mas agora já estou é bastante agoniada com a vida.
Então, quando até os sonhos me trazem agonias, eu resolvi ir ao cinema.
E então eu olhei lá pra cima e pensei:
“Quando será que se lavam as cortinas da tela?”.
Não sei se alguém que não seja eu já reparou nisso, mas, em volta da tela existe uma cortina. São metros e metros de tecido. Metros e metros de poeira em estado bruto. Bacana, né?
Fiquei um pouco enjoada...
E então eu percebi que durante essa última semana vi mais de 10 filmes – uma tentativa de me refugiar em qualquer outro mundo que não fosse o meu, assumida.
E então eu percebi que isso significa que eu vi 10 histórias diferentes. 10 histórias diferentes que eu guardei na memória. E aí eu pirei no número de filmes e livros que eu já vi e li ao longo da vida e que ainda vou ver e percebi o tamanho da quantidade de informação que cabe dentro de uma cabeça. Fiquei pensando que não era pra menos que a memória começasse a falhar com a idade. É impossível se lembrar de tudo.
Fiquei um pouco enjoada de novo...
E então, seguindo a lógica da estupidez, eu resolvi sair de casa.
E percebi o quanto eu me desperdiço em certas noites desnecessariamente.
Acordei enjoada.
Vou procurar um antiácido.
Ando precisando de coisas palpáveis, reais.
Infelizmente, o real também não anda lá essas coisas.
Tudo enrolado, novidades desanimadoras, falta tudo – no sentido literal de tudo.
Meu horóscopo manda eu ter paciência há uns dois meses ou mais – e eu ando tentando ser paciente, mas agora já estou é bastante agoniada com a vida.
Então, quando até os sonhos me trazem agonias, eu resolvi ir ao cinema.
E então eu olhei lá pra cima e pensei:
“Quando será que se lavam as cortinas da tela?”.
Não sei se alguém que não seja eu já reparou nisso, mas, em volta da tela existe uma cortina. São metros e metros de tecido. Metros e metros de poeira em estado bruto. Bacana, né?
Fiquei um pouco enjoada...
E então eu percebi que durante essa última semana vi mais de 10 filmes – uma tentativa de me refugiar em qualquer outro mundo que não fosse o meu, assumida.
E então eu percebi que isso significa que eu vi 10 histórias diferentes. 10 histórias diferentes que eu guardei na memória. E aí eu pirei no número de filmes e livros que eu já vi e li ao longo da vida e que ainda vou ver e percebi o tamanho da quantidade de informação que cabe dentro de uma cabeça. Fiquei pensando que não era pra menos que a memória começasse a falhar com a idade. É impossível se lembrar de tudo.
Fiquei um pouco enjoada de novo...
E então, seguindo a lógica da estupidez, eu resolvi sair de casa.
E percebi o quanto eu me desperdiço em certas noites desnecessariamente.
Acordei enjoada.
Vou procurar um antiácido.
terça-feira, março 24
No Primeiro Dia Veio a TPM...
...E vieram dias em que eu chorava vendo trailer de filme, outros em que os hormônios estavam numa festa tão animada que eu resolvia ligar para SACs de empresas para tentar resolver problemas no meio da madrugada só para poder descarregar um pouco da tensão e poder dormir em paz, já que o Dormonid está em falta na farmácia lá de casa.
Em todos os dias, a sensação bem conhecida de solidão.
Mais uma vez, o desejo de mandar desligar pelo menos um dos meus telefones, já que as únicas ligações constantes que eu recebo ultimamente são da minha mãe.
A sensação conhecida de que meus problemas, apesar de para mim serem imensos, são menores do que os dos outros e de que havia sido muito incoveniente de procurar a ajuda de outra pessoa.
A sensação conhecida de saudade, muita saudade.
Uma saudade tardia que despertou um embate com a minha própria força de vontade.
Mais uma vez, eu venci.
Sensações conhecidas de abandono, de cansaço, da necessidade de uma outra pessoa por perto.
Me deu vontade de adotar um bicho de estimação de verdade, apesar de saber o tamanho da insanidade e do trabalho extra que isso me traria.
Me deu vontade de sumir, de aparecer, de dormir...
Dormir foi um prazer.
Nos sonhos, imagens e cores e pessoas não vistas a algum tempo.
Roteiros de amor, de suspense, de aventura.
Sonhei.
Ainda assim, muito menos do que gostaria.
Acordei e a festa acabou.
Metade das sensações não foram embora ainda - tenho uma dificuldade imensa de deixar de sentir as coisas.
Acordei e a guerra comia solta.
Voltou a vontade de ir embora - tenho uma dificuldade imensa de me livrar dela.
Acordei e agora espero o sétimo dia - para voltar a sonhar mais um pouco.
Em todos os dias, a sensação bem conhecida de solidão.
Mais uma vez, o desejo de mandar desligar pelo menos um dos meus telefones, já que as únicas ligações constantes que eu recebo ultimamente são da minha mãe.
A sensação conhecida de que meus problemas, apesar de para mim serem imensos, são menores do que os dos outros e de que havia sido muito incoveniente de procurar a ajuda de outra pessoa.
A sensação conhecida de saudade, muita saudade.
Uma saudade tardia que despertou um embate com a minha própria força de vontade.
Mais uma vez, eu venci.
Sensações conhecidas de abandono, de cansaço, da necessidade de uma outra pessoa por perto.
Me deu vontade de adotar um bicho de estimação de verdade, apesar de saber o tamanho da insanidade e do trabalho extra que isso me traria.
Me deu vontade de sumir, de aparecer, de dormir...
Dormir foi um prazer.
Nos sonhos, imagens e cores e pessoas não vistas a algum tempo.
Roteiros de amor, de suspense, de aventura.
Sonhei.
Ainda assim, muito menos do que gostaria.
Acordei e a festa acabou.
Metade das sensações não foram embora ainda - tenho uma dificuldade imensa de deixar de sentir as coisas.
Acordei e a guerra comia solta.
Voltou a vontade de ir embora - tenho uma dificuldade imensa de me livrar dela.
Acordei e agora espero o sétimo dia - para voltar a sonhar mais um pouco.
sexta-feira, março 13
De repente, o sol volta a brilhar!!!
Tudo começou numa manhã modorrenta em que a nossa brilhante protagonista, depois de deixar sua animada e bela filha no colégio, chegou em casa e reparou que ainda tinha algumas horas antes de ser obrigada a sair e enfrentar o mundo feio e malvado. Nada que valesse a pena o custo destas horas passava na televisão.
De repente, ela sentiu uma coisa que não sentia havia muitos e muitos meses. Foi até o quarto de hóspedes, que, ao invés de pessoas anda hospedando uma enorme e ameaçadora pilha de roupas limpas a guardar e passar (a pior parte do trabalho doméstico, segundo ela), pegou um punhado de folhas de papel em branco, pescou lá de um fundo bem fundo sua caixa de lápis de cor de estimação (ela a possui desde os 15 anos) e, na mesa da sala, se deu o milagre! Pôs para fora, em forma de desenhos, uma história que estava rodando a sua cabeça ha alguns dias. Ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou...
Era um milagre porque ela tinha costume de agir assim quando era uma adolescente - fazia uma boa soma de tempo, alguns namorados, uma filha, duas faculdades e uma casa que ela não coloria nada; muito menos botava pra fora alguma história absurda e fictícia. As histórias que ela faz, colore, guarda uns dois meses, depois rasga e joga fora e não deixa nunca ninguém ver, mas que lhe dão um prazer imenso e são uma coisa que é só dela - é bom que a gente tenha algo que seja só nosso na vida.
...E ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou, por horas a fio...
...Aí ela lembrou de um "livro para colorir para adultos" que ela tinha comprado quando nem adulta era e que nunca tinha colorido, mas tinha certeza que estava guardado em algum lugar. Bendita mania de não jogar as coisas fora e entulhar tudo o que possa vir a ter alguma utilidade! Achou.
E coloriu, rabiscou... Até que os olhos dela,que já não são mais os olhos que ela tinha, começaram a ver coisas duplicadas. Ela piscava os olhos, pingava gotinhas, fechava um e abria outro - tudo para enxergar mais um tempo e poder continuar - até não conseguir enxergar mais nada MESMO.
Resolveu se arrumar e sair para enfrentar o mundo sujo, feio e malvado que lhe esparava lá fora; grudada num livro. Não era um livro que ela de-ve-ria estar lendo - porque ela tem muitos livro que deve ler - era outro livro qualquer. E, mais uma vez, ela seguiu até a visão embolar.
Quando chegou aonde deveria estar, se animou, escreveu, questionou, debateu, sentou e trabalhou. Alguma coisa naquele dia estava diferente.
Ela sentia que depois de um longo período em que as coisas não andavam, de repente elas começavam a andar a novo. E com os passos, as cores. As letras. As idéias.
A alegria.
De repente, ela sentiu uma coisa que não sentia havia muitos e muitos meses. Foi até o quarto de hóspedes, que, ao invés de pessoas anda hospedando uma enorme e ameaçadora pilha de roupas limpas a guardar e passar (a pior parte do trabalho doméstico, segundo ela), pegou um punhado de folhas de papel em branco, pescou lá de um fundo bem fundo sua caixa de lápis de cor de estimação (ela a possui desde os 15 anos) e, na mesa da sala, se deu o milagre! Pôs para fora, em forma de desenhos, uma história que estava rodando a sua cabeça ha alguns dias. Ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou...
Era um milagre porque ela tinha costume de agir assim quando era uma adolescente - fazia uma boa soma de tempo, alguns namorados, uma filha, duas faculdades e uma casa que ela não coloria nada; muito menos botava pra fora alguma história absurda e fictícia. As histórias que ela faz, colore, guarda uns dois meses, depois rasga e joga fora e não deixa nunca ninguém ver, mas que lhe dão um prazer imenso e são uma coisa que é só dela - é bom que a gente tenha algo que seja só nosso na vida.
...E ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou, por horas a fio...
...Aí ela lembrou de um "livro para colorir para adultos" que ela tinha comprado quando nem adulta era e que nunca tinha colorido, mas tinha certeza que estava guardado em algum lugar. Bendita mania de não jogar as coisas fora e entulhar tudo o que possa vir a ter alguma utilidade! Achou.
E coloriu, rabiscou... Até que os olhos dela,que já não são mais os olhos que ela tinha, começaram a ver coisas duplicadas. Ela piscava os olhos, pingava gotinhas, fechava um e abria outro - tudo para enxergar mais um tempo e poder continuar - até não conseguir enxergar mais nada MESMO.
Resolveu se arrumar e sair para enfrentar o mundo sujo, feio e malvado que lhe esparava lá fora; grudada num livro. Não era um livro que ela de-ve-ria estar lendo - porque ela tem muitos livro que deve ler - era outro livro qualquer. E, mais uma vez, ela seguiu até a visão embolar.
Quando chegou aonde deveria estar, se animou, escreveu, questionou, debateu, sentou e trabalhou. Alguma coisa naquele dia estava diferente.
Ela sentia que depois de um longo período em que as coisas não andavam, de repente elas começavam a andar a novo. E com os passos, as cores. As letras. As idéias.
A alegria.
terça-feira, março 10
E daí?
Geralmente eu sou atacada pela Síndrome de Barbie Malibu (uma boneca que existia quando eu era criança que era bem morena e tinha os cabelos bem loiros e que ninguém mais lembra), mas, chegada aos 31, decidi aceitar que eu nunca vou ter o corpo da Barbie, os peitos da Barbie e, muito menos, os longos e loiros cabelos da Barbie - já que os meus andam ameaçando me deixar...
...Como a única coisa que eu realmente consigo adquirir no verão é uma pele morena de dar inveja a Sargenteli, troquei o nome da Síndrome, entoei "Garoto Maroto" e resolvi que, a partir deste verão, eu faço workshop é pra clone de Alcione mesmo, que é coisa nossa e ainda tem aquelas unhas decoradas enormes superestilosas.
***********************************
Aí, poxa vida, voltei de viagem abalada e pensando que eu realmente era um clone da Marrom. A dita civilização realmente me aborrece horrores já nos meus dias bons, num dia ruim e em que a minha pequena filha resolve padecer de otite num dia chave para resolução de um trabalhinho de colégio, foi demais para mim!
Minha casa estava andando sozinha, pilhas de roupa dominavam o planeta, a geladeira rugia tamanho o eco que a porta fazia quando ela era aberta.
Resolvi tirar a minha semana sabática do semestre.
Meu primeiro ato?
Me dar ao prazer de me render ao detergente em gel.
Do ponto de vista racional, custa o triplo do preço e lava a mesma coisa, então eu não preciso dele; mas o racional falou mais alto e eu resolvi comprar porque acho uma coisa linda de doer os olhos aquele detergente em gel brilhante! Ainda comprei num mercado bem caro que tem lá perto de casa porque, este mês, tirei a Alcione de campo uns dez minutos e gritei "Nunca mais carregarei sacolas pesadas de tão longe!" tal qual Scarlet O'Hara gritaria se tivesse que fazer compras longe, muito longe de casa e me dei esse luxo. Dane-se.
Sinal claro: se produtos de limpeza estão voltando a ser o meu ápice em termos consumistas, devo estar voltando ao normal muito em breve.
**************************************
Porque, sim, eu ando meio descompensada.
Não sei bem se é a TPM, se é o fato cósmico de sair na porrada com algum professor sempre no primeiro semestre do ano, se é porque a Claro é uma merda, se é porque a NET é uma merda, se é porque, finalmente, decidi sentir falta de ter um namorado...
...O lance é que eu descobri que ligar para o atendimento de empresas que te sacaneiam antes de dormir é um tremendo calmante.
No mais, a TPM costuma passar - até hoje sem incidentes graves.
E a falta... A falta também passa. Daqui a pouco eu paro com essas coisas de sentir saudades da pessoa errada, de implicar com a cama vazia e ter vontade de chorar por causa de lâmpada queimada.
Estou otimista!
**************************************
Meu otimismo, por sinal, começou a voltar quando eu fui ao cinema semana passada ver "O Leitor". Olha, a história é ótima, tudo aquilo e tal, mas o que me deu uma puta emoção mesmo foi perceber que a Kate Winslet tem um peito caído FEITO O MEU e um monte de estria no lombo FEITO EU um cabelo quebrado do inferno FEITO EU e uma ruguinhas nos olhos bisonhas - feito ela, que isso eu ainda não tenho.
Durante todo o início do filme, em que rola aquela coisa toda que você já fez algum dia na vida, eu só tinha olhos para estas coisas lindas. Além de ganhar o Oscar, aquela mulher era tão baranga quanto eu!!!
Em dias de baixa estima, nada melhor que isso!
Deve ter me feito tão bem, que, quando eu saí na rua de novo, tinha um monte de peão me olhando e eu nem tava com um abacaxi pendurado na cabeça!
***************************************
Não que eu realmente esteja otimista de novo.
Não que isso tenha adiantado de alguma coisa.
Mas, e daí, né?
...Como a única coisa que eu realmente consigo adquirir no verão é uma pele morena de dar inveja a Sargenteli, troquei o nome da Síndrome, entoei "Garoto Maroto" e resolvi que, a partir deste verão, eu faço workshop é pra clone de Alcione mesmo, que é coisa nossa e ainda tem aquelas unhas decoradas enormes superestilosas.
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Aí, poxa vida, voltei de viagem abalada e pensando que eu realmente era um clone da Marrom. A dita civilização realmente me aborrece horrores já nos meus dias bons, num dia ruim e em que a minha pequena filha resolve padecer de otite num dia chave para resolução de um trabalhinho de colégio, foi demais para mim!
Minha casa estava andando sozinha, pilhas de roupa dominavam o planeta, a geladeira rugia tamanho o eco que a porta fazia quando ela era aberta.
Resolvi tirar a minha semana sabática do semestre.
Meu primeiro ato?
Me dar ao prazer de me render ao detergente em gel.
Do ponto de vista racional, custa o triplo do preço e lava a mesma coisa, então eu não preciso dele; mas o racional falou mais alto e eu resolvi comprar porque acho uma coisa linda de doer os olhos aquele detergente em gel brilhante! Ainda comprei num mercado bem caro que tem lá perto de casa porque, este mês, tirei a Alcione de campo uns dez minutos e gritei "Nunca mais carregarei sacolas pesadas de tão longe!" tal qual Scarlet O'Hara gritaria se tivesse que fazer compras longe, muito longe de casa e me dei esse luxo. Dane-se.
Sinal claro: se produtos de limpeza estão voltando a ser o meu ápice em termos consumistas, devo estar voltando ao normal muito em breve.
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Porque, sim, eu ando meio descompensada.
Não sei bem se é a TPM, se é o fato cósmico de sair na porrada com algum professor sempre no primeiro semestre do ano, se é porque a Claro é uma merda, se é porque a NET é uma merda, se é porque, finalmente, decidi sentir falta de ter um namorado...
...O lance é que eu descobri que ligar para o atendimento de empresas que te sacaneiam antes de dormir é um tremendo calmante.
No mais, a TPM costuma passar - até hoje sem incidentes graves.
E a falta... A falta também passa. Daqui a pouco eu paro com essas coisas de sentir saudades da pessoa errada, de implicar com a cama vazia e ter vontade de chorar por causa de lâmpada queimada.
Estou otimista!
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Meu otimismo, por sinal, começou a voltar quando eu fui ao cinema semana passada ver "O Leitor". Olha, a história é ótima, tudo aquilo e tal, mas o que me deu uma puta emoção mesmo foi perceber que a Kate Winslet tem um peito caído FEITO O MEU e um monte de estria no lombo FEITO EU um cabelo quebrado do inferno FEITO EU e uma ruguinhas nos olhos bisonhas - feito ela, que isso eu ainda não tenho.
Durante todo o início do filme, em que rola aquela coisa toda que você já fez algum dia na vida, eu só tinha olhos para estas coisas lindas. Além de ganhar o Oscar, aquela mulher era tão baranga quanto eu!!!
Em dias de baixa estima, nada melhor que isso!
Deve ter me feito tão bem, que, quando eu saí na rua de novo, tinha um monte de peão me olhando e eu nem tava com um abacaxi pendurado na cabeça!
***************************************
Não que eu realmente esteja otimista de novo.
Não que isso tenha adiantado de alguma coisa.
Mas, e daí, né?
quarta-feira, março 4
Procura-se um "S" Desesperadamente
Em Janeiro eu amava tanto que parecia que meu peito ia explodir.
Amava tudo e todo mundo, amava demais e a beleza das coisas todas chegava a doer.
Foi um surto de amor.
Em Fevereiro, todo esse amor em excesso foi embora.
Comecei a sentir um vazio no peito.
Uma coisa muito estranha...
As coisas ficaram mais cruas, desmistifiquei várias pessoas e várias coisas...
E as coisas continuam nessa "esquisiteza".
Pôr do sol foda dá vazio.
Eu sempre segui apaixonada ou sofrendo de amor, de repente não estar em paixão é um trânsito, uma lógica, completamente nova na minha vida.
Não sei se eu gosto dela, mas também não sei se estando assim estaria propensa a me apaixonar de novo. Fui atacada por um excesso de estudo teóricos, pensamentos, vidas sem graça, ruas sujas, barulhos... Sei lá...
No meio disso tudo, parece-me que Nancy abandonou Sid. Só tenho visto ele pela minha jardineira. Ontem pude até constatar que ele continua um caracol deveras estúpido que levou outra travada da janela na casa por estar estacionado em local proibido. Fiquei pensando nela...
Será que ela encheu a casa de ovinhos e se mandou para parir em paz longe daquele ser pegajoso? Será esta a lógica de reprodução dos caracóis? Afinal, porque ela deixou o Sid lá, sozinho, coitado?
Tão complicadamente humano tudo isso...
Olhei prum lado, olhei pro outro, e, tudo que existia para ser lido dentro de casa se resumia a coisas de estudo e histórias reais. Bateu um enorme desespero essa falta de romance até em papel na minha vida. Bateu uma urgência de alguma coisa estúpida qualquer para dar descanso a mim mesma.
Um Stephen King, peloamordedeus!!!
Na atual conjuntura até Sidney Sheldon seria muitíssimo bem vindo...
Um "S", eu preciso de um escritor com "s", capaz de escrever alguma coisa longa ao invés de um conto, uma história que me deixe esperando pelo próximo capítulo ao invés da próxima história, que escangalhe a minha coluna de uma vez por todas além do limite da dor que já anda me perseguindo fiel como um cãozinho, que me deixe feliz por só poder mastigar cenourinhas...!
Um "S"!!!
Amava tudo e todo mundo, amava demais e a beleza das coisas todas chegava a doer.
Foi um surto de amor.
Em Fevereiro, todo esse amor em excesso foi embora.
Comecei a sentir um vazio no peito.
Uma coisa muito estranha...
As coisas ficaram mais cruas, desmistifiquei várias pessoas e várias coisas...
E as coisas continuam nessa "esquisiteza".
Pôr do sol foda dá vazio.
Eu sempre segui apaixonada ou sofrendo de amor, de repente não estar em paixão é um trânsito, uma lógica, completamente nova na minha vida.
Não sei se eu gosto dela, mas também não sei se estando assim estaria propensa a me apaixonar de novo. Fui atacada por um excesso de estudo teóricos, pensamentos, vidas sem graça, ruas sujas, barulhos... Sei lá...
No meio disso tudo, parece-me que Nancy abandonou Sid. Só tenho visto ele pela minha jardineira. Ontem pude até constatar que ele continua um caracol deveras estúpido que levou outra travada da janela na casa por estar estacionado em local proibido. Fiquei pensando nela...
Será que ela encheu a casa de ovinhos e se mandou para parir em paz longe daquele ser pegajoso? Será esta a lógica de reprodução dos caracóis? Afinal, porque ela deixou o Sid lá, sozinho, coitado?
Tão complicadamente humano tudo isso...
Olhei prum lado, olhei pro outro, e, tudo que existia para ser lido dentro de casa se resumia a coisas de estudo e histórias reais. Bateu um enorme desespero essa falta de romance até em papel na minha vida. Bateu uma urgência de alguma coisa estúpida qualquer para dar descanso a mim mesma.
Um Stephen King, peloamordedeus!!!
Na atual conjuntura até Sidney Sheldon seria muitíssimo bem vindo...
Um "S", eu preciso de um escritor com "s", capaz de escrever alguma coisa longa ao invés de um conto, uma história que me deixe esperando pelo próximo capítulo ao invés da próxima história, que escangalhe a minha coluna de uma vez por todas além do limite da dor que já anda me perseguindo fiel como um cãozinho, que me deixe feliz por só poder mastigar cenourinhas...!
Um "S"!!!
segunda-feira, março 2
...Já que estou transcrevendo diálogos...
...Como pude esquecer da frase chave da viagem?!?
Cenário: Ponto de parada na estrada, debaixo de uma cobertura cheia de ar quente por causa do sol que brilhava lá fora e fritava as coisas vivas que se arriscassem sobre ele.
- Mãe, pedei.
- Hein?!?
- Pedei.
Seguem gargalhadas e uma leve bronca porque mocinhas educadas não saem dizendo essas coisas por aí.
Dia seguinte, nova cena.
Cenário: casa de um amigo, churrasco rolando, sessão de fotos.
Descrevo a cena acima.
- Você entendeu errado, Renata, ela olhou em volta e tava era dizendo 'Mayday, mayday!'!
Adoro meus amigos!!!
Cenário: Ponto de parada na estrada, debaixo de uma cobertura cheia de ar quente por causa do sol que brilhava lá fora e fritava as coisas vivas que se arriscassem sobre ele.
- Mãe, pedei.
- Hein?!?
- Pedei.
Seguem gargalhadas e uma leve bronca porque mocinhas educadas não saem dizendo essas coisas por aí.
Dia seguinte, nova cena.
Cenário: casa de um amigo, churrasco rolando, sessão de fotos.
Descrevo a cena acima.
- Você entendeu errado, Renata, ela olhou em volta e tava era dizendo 'Mayday, mayday!'!
Adoro meus amigos!!!
Segunda-feira
Por si só já é uma coisa terrível.
Fora todo o trabalho que eu tenho para fazer, tudo o que eu tenho para ler, todo o esforço físico que me aguarda ante a eminência de levantar as ruínas da casa que esteve abandonada, é segunda-feira.
Mesmo sabendo que fechar as cortinas e pôr aquela paradinha de avião que tapa olho depois de horas de viagem e algumas chamadas madrugada adentro seria uma má idéia e certeza absoluta de acordar atrasada, escolhi ignorar os argumentos da razão e foi exatamente o que eu fiz.
E exatamente o que aconteceu.
Acordei atrasada, ainda cansada e com a disposição de uma entrevada.
Meu sono foi tão pesado que mais pareceu um cochilo.
Lá fora, um sol rascante, que só era bonito quando eu estava fazendo meu workshop pra clone de Alcione...
- Ai, droga! Que sol é esse?!?
- Mãe, ele tá brilhando pra dizer olá...
- Ahn?!?
- É porque a gente voltou e ele tá dizendo "olá, Olívia!", "olá, Renata!"!
- Tudo bem, mas ele podia brilhar com menos força um pouquinho, não podia...?
Fora todo o trabalho que eu tenho para fazer, tudo o que eu tenho para ler, todo o esforço físico que me aguarda ante a eminência de levantar as ruínas da casa que esteve abandonada, é segunda-feira.
Mesmo sabendo que fechar as cortinas e pôr aquela paradinha de avião que tapa olho depois de horas de viagem e algumas chamadas madrugada adentro seria uma má idéia e certeza absoluta de acordar atrasada, escolhi ignorar os argumentos da razão e foi exatamente o que eu fiz.
E exatamente o que aconteceu.
Acordei atrasada, ainda cansada e com a disposição de uma entrevada.
Meu sono foi tão pesado que mais pareceu um cochilo.
Lá fora, um sol rascante, que só era bonito quando eu estava fazendo meu workshop pra clone de Alcione...
- Ai, droga! Que sol é esse?!?
- Mãe, ele tá brilhando pra dizer olá...
- Ahn?!?
- É porque a gente voltou e ele tá dizendo "olá, Olívia!", "olá, Renata!"!
- Tudo bem, mas ele podia brilhar com menos força um pouquinho, não podia...?
Mais uma volta
Mais uma semana de viagem - graças a Deus e à econômia doméstica.
A volta pra casa sempre se repete...
Apesar da saudade dos meus caracóis e plantas, a paisagem e as casas que passam lá fora simbolizam tantas coisas que eu ainda quero que me dão uma dó imensa de voltar...
A "civilização" me esperava de braços abertos.
De saída houve um atraso de 20 minutos. Aparentemente o motorista só tirou o carro da garagem cinco minutos depois da hora em que ele deveria ter saído da rodoviária, mas tudo bem... Visto que a vida no interior é mais descansada... Tentava-se manter o bom humor, bastante abalado ante a perspectiva de uma segunda-feira de trabalho na cidade grande em troca de dias de sol na beira da piscina e churrascos sobre o céu estrelado; mas este nos deixou definitivamente quando havia uma parada em cada esquina de uma pequena cidade e nosso guia e guardião teimava em ultrapassar pequenos veículos em estradas de mão dupla.
Na ponte, uma esperança.
No desembarque, ninguém por perto para pegar as bagagens de um ônibus que chegou atrasado em uma hora "graças a Deus", como bem me disse o motorista, porque haviam muitos ônibus chegando - ainda que os carregadores estivessem batendo um papo muito animado sobre jogos de futebol ou coisa que o valha. Uma fila monstruosa e barulhenta para conseguir pegar um taxi (onde a menina do voucher ficou sem resposta ao me perguntar se havia bagagem; tão mecânica e treinada que tem a pachorra de perguntar algo assim a alguém munido de criança, mala de rodinhas e mochila de camping) seria nosso último obstáculo se não fosse chegar na minha esquina e encontrar alguns guardinhas municipais desviando o trânsito por causa de um bloco de carnaval - que, eu podia jurar, já havia acabado há pelo menos 5 dias - que me dão as boas vindas com um "vai ter que ir a pé".
Já voltei praguejando. Consegui fazer passar o taxi. Andei atrás do bloco um tempo a pedido da criança e em busca de comida. A idéia de viajar sem arrumar a casa e deixando a geladeira vazia mostrou-se um fiasco - a visão do caos e do vazio até dentro do meu ninho também me deu vontade de sair correndo.
Cheguei assim, querendo sair correndo.
De novo.
A volta pra casa sempre se repete...
Apesar da saudade dos meus caracóis e plantas, a paisagem e as casas que passam lá fora simbolizam tantas coisas que eu ainda quero que me dão uma dó imensa de voltar...
A "civilização" me esperava de braços abertos.
De saída houve um atraso de 20 minutos. Aparentemente o motorista só tirou o carro da garagem cinco minutos depois da hora em que ele deveria ter saído da rodoviária, mas tudo bem... Visto que a vida no interior é mais descansada... Tentava-se manter o bom humor, bastante abalado ante a perspectiva de uma segunda-feira de trabalho na cidade grande em troca de dias de sol na beira da piscina e churrascos sobre o céu estrelado; mas este nos deixou definitivamente quando havia uma parada em cada esquina de uma pequena cidade e nosso guia e guardião teimava em ultrapassar pequenos veículos em estradas de mão dupla.
Na ponte, uma esperança.
No desembarque, ninguém por perto para pegar as bagagens de um ônibus que chegou atrasado em uma hora "graças a Deus", como bem me disse o motorista, porque haviam muitos ônibus chegando - ainda que os carregadores estivessem batendo um papo muito animado sobre jogos de futebol ou coisa que o valha. Uma fila monstruosa e barulhenta para conseguir pegar um taxi (onde a menina do voucher ficou sem resposta ao me perguntar se havia bagagem; tão mecânica e treinada que tem a pachorra de perguntar algo assim a alguém munido de criança, mala de rodinhas e mochila de camping) seria nosso último obstáculo se não fosse chegar na minha esquina e encontrar alguns guardinhas municipais desviando o trânsito por causa de um bloco de carnaval - que, eu podia jurar, já havia acabado há pelo menos 5 dias - que me dão as boas vindas com um "vai ter que ir a pé".
Já voltei praguejando. Consegui fazer passar o taxi. Andei atrás do bloco um tempo a pedido da criança e em busca de comida. A idéia de viajar sem arrumar a casa e deixando a geladeira vazia mostrou-se um fiasco - a visão do caos e do vazio até dentro do meu ninho também me deu vontade de sair correndo.
Cheguei assim, querendo sair correndo.
De novo.
sábado, fevereiro 21
My pet
quinta-feira, fevereiro 19
Momento Mastercard
Meia-calça arrastão: R$ 20,00
Fita de veludo: R$ 2,50
Esmalte dourado: R$ 1,20
O olhar de espanto da sua mãe quando você declara que vai se fantasiar de oncinha: Não tem preço!!!
Fita de veludo: R$ 2,50
Esmalte dourado: R$ 1,20
O olhar de espanto da sua mãe quando você declara que vai se fantasiar de oncinha: Não tem preço!!!
quarta-feira, fevereiro 18
terça-feira, fevereiro 17
Ameaça Carnavalesca
Eu não sei se foi porque ontem escrevi sobre aquele diálogo carnavalesco; eu só sei que hoje, desde que acordei, só consigo pensar na chegada do carnaval.
No final de semana de semana antes de viajar, em que estarei entregue ao carnaval.
Como certas coisas a gente nunca faz sozinha e eu mereço lá pagar algumas penitências leves, já às 10 horas da manhã passei uma SMS pro Folião:
"Pilhei de me fantasiar de oncinha. Arruma um bloco ae pra nóis."
Já sei a cor do esmalte, vou lavar a camisola que levou um banho de cerveja, vou iniciar uma caça frenética por uma meia calça arrastão (HOHOHO); o problema é que ou eu matei o Folião de susto, ou ele saiu correndo de medo de mim ou saiu correndo de vergonha de ser visto na rua comigo nestes trajes...
Faltam 3 dias ainda para o final de semana, 5 para a viagem.
(Já posso até sentir o calor, a sovaqueira, a boniteza da rodoviária no meio do carnaval...!)
Mal posso esperar!
Tanto que não gastei mais de 10 minutos hoje pensando em como estou infeliz de estar com dois livros empacados na cabeceira da cama (além dos outros 2 que já moram lá) por conta de todos os textos de logias que andam me mandando ler. Sim, a revanche dos cabeçudos continua, mas eu me vingo pintando as unhas de rosa pink e tomando revistas populares como tema de monografia. Rá!
Menos essa semana.
Essa semana meu cérebro está virando geléia e só a oncinha me importa.
A conferir...
No final de semana de semana antes de viajar, em que estarei entregue ao carnaval.
Como certas coisas a gente nunca faz sozinha e eu mereço lá pagar algumas penitências leves, já às 10 horas da manhã passei uma SMS pro Folião:
"Pilhei de me fantasiar de oncinha. Arruma um bloco ae pra nóis."
Já sei a cor do esmalte, vou lavar a camisola que levou um banho de cerveja, vou iniciar uma caça frenética por uma meia calça arrastão (HOHOHO); o problema é que ou eu matei o Folião de susto, ou ele saiu correndo de medo de mim ou saiu correndo de vergonha de ser visto na rua comigo nestes trajes...
Faltam 3 dias ainda para o final de semana, 5 para a viagem.
(Já posso até sentir o calor, a sovaqueira, a boniteza da rodoviária no meio do carnaval...!)
Mal posso esperar!
Tanto que não gastei mais de 10 minutos hoje pensando em como estou infeliz de estar com dois livros empacados na cabeceira da cama (além dos outros 2 que já moram lá) por conta de todos os textos de logias que andam me mandando ler. Sim, a revanche dos cabeçudos continua, mas eu me vingo pintando as unhas de rosa pink e tomando revistas populares como tema de monografia. Rá!
Menos essa semana.
Essa semana meu cérebro está virando geléia e só a oncinha me importa.
A conferir...
Historinha de Amor
Eu tinha uma presilha de cabelo.
Uma presilha de cabelo amiga.
Ela era daquela cor que as pessoas que sabem nome de cor chamam de "casco de tartaruga", seja lá o que for isso; prendia meus longos e parcos cabelos bem firme; tinha o tamanho perfeito - nem muito grande, nem muito pequena - e eu carregava para todos os cantos.
Se você é meu amigo, com certeza chegou a me ver com ela por aí.
Então essa presilha caiu.
Caiu, não. Praticamente se jogou da pia do banheiro. Como se eu me jogasse do alto de um prédio de...uhm...uns 6 andares, vamos dizer. Sem play e garagem, tá? Só 6 andares.
E nesse salto, a minha presilha perdeu um dente e um pedaço daquela paradinha do meio perto da mola que fazia ela ficar firme e retinha.
Ela já havia caído duas outras vezes.
Em uma, havia perdido um dente - no caso das piranhas, classe a qual a minha presilha muito fiel infelizmente pertencia, perder um dente é uma seqüela gravíssima. Em outra perdeu mais uma parada qualquer que fazia ela engasgar na hora de prender e me dar um certo trabalho para encaixar a bichinha no lugar.
Com esse tombo, eu percebi que, por mais que a gente ame as coisas loucamente e saiba o tamanho da falta que elas vão fazer na nossa vida, depois de um certo número de quedas, essa coisa que detém o seu afeto vai estar irremediavelmente quebrada. Primeiro vai estar doente, depois remendada, mas, em alguma hora, nenhum superbonder do mundo vai mais fazer efeito. Você vai ter que jogar o que está quebrado no lixo.
Vai sentir tristeza e passar meses procurando outra coisa que dê a liga que aquilo dava.
Hoje eu vou jogar ela no lixo.
Que nem eu fiz com tantas outras coisas antes que não podiam ser mais consertadas.
Não vou me importar com as frases bonitas, que chegam tão tarde; e vou procurar numa outra banca alguma outra coisa que possa enfeitar os meus cabelos, que hoje nem são mais pretos...
Uma presilha de cabelo amiga.
Ela era daquela cor que as pessoas que sabem nome de cor chamam de "casco de tartaruga", seja lá o que for isso; prendia meus longos e parcos cabelos bem firme; tinha o tamanho perfeito - nem muito grande, nem muito pequena - e eu carregava para todos os cantos.
Se você é meu amigo, com certeza chegou a me ver com ela por aí.
Então essa presilha caiu.
Caiu, não. Praticamente se jogou da pia do banheiro. Como se eu me jogasse do alto de um prédio de...uhm...uns 6 andares, vamos dizer. Sem play e garagem, tá? Só 6 andares.
E nesse salto, a minha presilha perdeu um dente e um pedaço daquela paradinha do meio perto da mola que fazia ela ficar firme e retinha.
Ela já havia caído duas outras vezes.
Em uma, havia perdido um dente - no caso das piranhas, classe a qual a minha presilha muito fiel infelizmente pertencia, perder um dente é uma seqüela gravíssima. Em outra perdeu mais uma parada qualquer que fazia ela engasgar na hora de prender e me dar um certo trabalho para encaixar a bichinha no lugar.
Com esse tombo, eu percebi que, por mais que a gente ame as coisas loucamente e saiba o tamanho da falta que elas vão fazer na nossa vida, depois de um certo número de quedas, essa coisa que detém o seu afeto vai estar irremediavelmente quebrada. Primeiro vai estar doente, depois remendada, mas, em alguma hora, nenhum superbonder do mundo vai mais fazer efeito. Você vai ter que jogar o que está quebrado no lixo.
Vai sentir tristeza e passar meses procurando outra coisa que dê a liga que aquilo dava.
Hoje eu vou jogar ela no lixo.
Que nem eu fiz com tantas outras coisas antes que não podiam ser mais consertadas.
Não vou me importar com as frases bonitas, que chegam tão tarde; e vou procurar numa outra banca alguma outra coisa que possa enfeitar os meus cabelos, que hoje nem são mais pretos...
segunda-feira, fevereiro 16
R.R., 31, Caracóloga
Depois do período em que eu ficava observando as plantas crescerem, agora eu gasto horas dos meus dias assistindo a vida que passou a existir lá dentro.
Tudo começou com as formigas.
Eram formigas pequenininhas, que andam para lá e para cá tirando pequenos nacos das minhas folhinhas. Como eu tenho o costume de mandar ver um spray de veneno uma vez a cada dois meses, azar o delas.
Ainda assim, pode ser bastante terapêutico ficar espiando aquele povo que vai pra lá e pra cá.
Em dezembro apareceu um caracol.
Apareceu da pior forma possível.
Provavelmente ele já estava lá vivendo na comunidade da minha jardineira, mas nós só nos encontramos num dia em que eu estava tendo um dia muito ruim, muito ruim mesmo e resolvi ir lá dar uma espiada nas plantas. Abri a janela com uma certa fúria e só ouvi aquele "CREC", que, por mais que tenha sido quase inaudível, me pareceu o barulho mais alto do mundo. Quando eu espiei o que era, lá estava ele, meio sem rabo, com a casinha meio esmigalhada, meio pendurada, soltando uma gosma gosmenta do lado de fora da minha janela. E, pelas próximas horas, meu sentimento de culpa por ter massacrado o caracol sem querer e a preocupação com a possibilidade dele continuar vivo foram o estopim para outra coisa muito ruim que eu fiz aquele dia.
Eu ligava pros meus amigos - que, graças a Deus são meus amigos, então não acharam que eu já era caso de internação - praticamente aos prantos dizendo que "ainda por cima eu tinha matado um caracoooooooollllllllll".
Desde esse dia eu passei a procurar o caracol.
Vi que ele se recuperou e passei a tomar o maior cuidado do mundo com o momento de abrir e fechar as minhas janelas.
Semana passada, quando cheguei em casa de noite, além do meu caracol, havia a caracol dele. E eles estavam fornicando. Foi um momento de ápice da minha vida Discovery.
Numa noite pouco depois, pude presenciar o momento em que um deles (eu ainda não sei quem é a moça e quem é o moço, mas me dêem um tempo que eu chego lá) fazia uma manobra arriscadíssima e extremamente nojenta entre a borda da jardineira e a parede da mesma. Ninguém nunca tinha me dito que eles eram tão elásticos.
E assim, sem querer, ganhei dois bichos de estimação.
Entre cachorros, gatos, tartarugas, peixes, eu crio um casal de caracóis.
Minha mãe brinca que eu deveria trocar de carreira, virar Caracóloga.
Eu já penso em comprar uma lanterninha, porque eu fico querendo dar boa noite pra eles, ver se eles estão bem de noite, e não consigo enxergar nada no meio daquele meu matagal.
A pessoa vive 31 anos pra isso.
Virar criadora de caracol.
Foda.
Tudo começou com as formigas.
Eram formigas pequenininhas, que andam para lá e para cá tirando pequenos nacos das minhas folhinhas. Como eu tenho o costume de mandar ver um spray de veneno uma vez a cada dois meses, azar o delas.
Ainda assim, pode ser bastante terapêutico ficar espiando aquele povo que vai pra lá e pra cá.
Em dezembro apareceu um caracol.
Apareceu da pior forma possível.
Provavelmente ele já estava lá vivendo na comunidade da minha jardineira, mas nós só nos encontramos num dia em que eu estava tendo um dia muito ruim, muito ruim mesmo e resolvi ir lá dar uma espiada nas plantas. Abri a janela com uma certa fúria e só ouvi aquele "CREC", que, por mais que tenha sido quase inaudível, me pareceu o barulho mais alto do mundo. Quando eu espiei o que era, lá estava ele, meio sem rabo, com a casinha meio esmigalhada, meio pendurada, soltando uma gosma gosmenta do lado de fora da minha janela. E, pelas próximas horas, meu sentimento de culpa por ter massacrado o caracol sem querer e a preocupação com a possibilidade dele continuar vivo foram o estopim para outra coisa muito ruim que eu fiz aquele dia.
Eu ligava pros meus amigos - que, graças a Deus são meus amigos, então não acharam que eu já era caso de internação - praticamente aos prantos dizendo que "ainda por cima eu tinha matado um caracoooooooollllllllll".
Desde esse dia eu passei a procurar o caracol.
Vi que ele se recuperou e passei a tomar o maior cuidado do mundo com o momento de abrir e fechar as minhas janelas.
Semana passada, quando cheguei em casa de noite, além do meu caracol, havia a caracol dele. E eles estavam fornicando. Foi um momento de ápice da minha vida Discovery.
Numa noite pouco depois, pude presenciar o momento em que um deles (eu ainda não sei quem é a moça e quem é o moço, mas me dêem um tempo que eu chego lá) fazia uma manobra arriscadíssima e extremamente nojenta entre a borda da jardineira e a parede da mesma. Ninguém nunca tinha me dito que eles eram tão elásticos.
E assim, sem querer, ganhei dois bichos de estimação.
Entre cachorros, gatos, tartarugas, peixes, eu crio um casal de caracóis.
Minha mãe brinca que eu deveria trocar de carreira, virar Caracóloga.
Eu já penso em comprar uma lanterninha, porque eu fico querendo dar boa noite pra eles, ver se eles estão bem de noite, e não consigo enxergar nada no meio daquele meu matagal.
A pessoa vive 31 anos pra isso.
Virar criadora de caracol.
Foda.
Da Chuva
No meio de todas as confusões todas, ainda vieram dias de chuva.
Dias de chuva forte.
E, numa dessas chuvas, percebi o quanto é difícil ser uma pessoa que anda na chuva, ainda mais uma pessoa que anda na chuva sem segurar um guarda-chuva nas mãos. É como se as pessoas que carregam guarda-chuvas fossem mais pessoas que você, que não carrega um por questões ideológicas. Estas pessoas, saem pelas ruas andando como se fossem verdadeiros monarcas de pés molhados e descontam em você o fato de não terem carro com motorista ou terem que enfiar os pés dentro de poças cheias de organismos vivos e praticamente escalpelam as pessoas desprotegidas.
Estas, precisam fazer um caminho que é quase um roteiro de RPG, desviando daqui, escapando de fininho de uma ponta de guarda-chuva dentro do olho, pulando uma Bacia de Campos ali...
Não existe nada romântico do tipo música tocando ao fundo enquanto as pessoas sapateiam felizes e que vá culminar em você sendo parte de um casal que se beija loucamente enquanto borboletas borboleteiam e o sol sai lá atrás. Na melhor das hipóteses, um ônibus passa à toda do seu lado e te dá um banho de esgoto e a sua trilha sonora é a buzina daquele camarada que não se convenceu ainda, com 40 anos de carteira, que buzina em meio de engarrafamento não faz com que as pessoas comecem a andar mais rápido.
Um bueiro que jorra no meio do caminho uma mistura de água com alguma coisa marrom, que eu faço questão de bloquear da minha mente, me faz prestar atenção no fato que, tirando uns dois ou três porteiros espalhados por aí, ninguém se dá ao trabalho de passar um sabãozinho nas calçadas da cidade. Todos os dias cachorros fazem as suas coisas, eu apago cigarros, pessoas derrubam comidas e bebidas, outras fazem as mesmas coisas dos cachorros, cabelos caem, folhas caem, poeira se espalha e ninguém lava aquilo tudo como a gente deve lavar as coisas. E chuva? Chuva lava, leva uma água preta cheia dessas coisas todas que eu já listei aí em cima, aquela água, mas deixa o grosso da coisa. Não desinfeta.
O bueiro me fez entender de verdade o conceito de rua ser um lugar sujo.
E, no fundo, no fundo, começo eu aqui a pensar o que será que vai acontecer quando essa crosta ficar mais sólida, mais prensadinha...
ARGH!
Dias de chuva forte.
E, numa dessas chuvas, percebi o quanto é difícil ser uma pessoa que anda na chuva, ainda mais uma pessoa que anda na chuva sem segurar um guarda-chuva nas mãos. É como se as pessoas que carregam guarda-chuvas fossem mais pessoas que você, que não carrega um por questões ideológicas. Estas pessoas, saem pelas ruas andando como se fossem verdadeiros monarcas de pés molhados e descontam em você o fato de não terem carro com motorista ou terem que enfiar os pés dentro de poças cheias de organismos vivos e praticamente escalpelam as pessoas desprotegidas.
Estas, precisam fazer um caminho que é quase um roteiro de RPG, desviando daqui, escapando de fininho de uma ponta de guarda-chuva dentro do olho, pulando uma Bacia de Campos ali...
Não existe nada romântico do tipo música tocando ao fundo enquanto as pessoas sapateiam felizes e que vá culminar em você sendo parte de um casal que se beija loucamente enquanto borboletas borboleteiam e o sol sai lá atrás. Na melhor das hipóteses, um ônibus passa à toda do seu lado e te dá um banho de esgoto e a sua trilha sonora é a buzina daquele camarada que não se convenceu ainda, com 40 anos de carteira, que buzina em meio de engarrafamento não faz com que as pessoas comecem a andar mais rápido.
Um bueiro que jorra no meio do caminho uma mistura de água com alguma coisa marrom, que eu faço questão de bloquear da minha mente, me faz prestar atenção no fato que, tirando uns dois ou três porteiros espalhados por aí, ninguém se dá ao trabalho de passar um sabãozinho nas calçadas da cidade. Todos os dias cachorros fazem as suas coisas, eu apago cigarros, pessoas derrubam comidas e bebidas, outras fazem as mesmas coisas dos cachorros, cabelos caem, folhas caem, poeira se espalha e ninguém lava aquilo tudo como a gente deve lavar as coisas. E chuva? Chuva lava, leva uma água preta cheia dessas coisas todas que eu já listei aí em cima, aquela água, mas deixa o grosso da coisa. Não desinfeta.
O bueiro me fez entender de verdade o conceito de rua ser um lugar sujo.
E, no fundo, no fundo, começo eu aqui a pensar o que será que vai acontecer quando essa crosta ficar mais sólida, mais prensadinha...
ARGH!
O Carnaval Ruge!
Aí que outro dia eu tomei uma tremenda bronca de um amigo meu.
Ele é folião, sabe.
Folião daqueles que saem de casa na sexta-feira e só voltam pra casa às onze da noite da quarta-feira de cinzas.
Eu não sou uma foliã.
Quando eu era pequena pulava carnaval nos bailes da Associação Atlética Arealense e hoje vou a um bloco (pra ver se é nesse ano que eu consigo gostar) e um bailinho infantil por ano.
Há anos tenho um desejo não tão furioso de possuir e usar um daqueles sutiãs cheios de lantejolas que aqueles camelôes pebas vendem lá na frente da Help para usar durante a festança do povo e abalar Bangu. Também sonho, com saudades, em ter uma fantasia de melindrosa só minha para usar num baile qualquer. Os dois desejos esbarram sempre no fim da dieta eterna que não chega nunca e que se encontra em andamento - como em todos os anos.
Então, eu não me fantasio.
Minha ida ao bloco se resume a uma escalada da sobriedade a ebriedade ao longo de um quarteirão de um bairro qualquer e o bailinho... Até ano passado eu desconfiava que a minha filha não era lá muito fã dos bailinhos (apesar de ser usuária, em toda a glória do termo, de fantasias), mas ela anda aprendendo a história da Carmen Miranda e cantando as marchinhas, então eu já não sei como será este episódio esse ano.
Voltando ao assunto.
Estávamos eu e esse meu amigo comentando a proximidade do carnaval. Desde que eu passei a prestar mais atenção no mundo, quando eu me conecto a ele, posso orgulhosamente declarar que a minha vida já não é mais a mesma e eu virei uma pessoa muito mais escrota nas observações que faço.
- Fala sério, qual é a graça de sair andando espremido atrás de um bando de nêgo bêbado, suado, com o sovaco fedorento na sua cara, sem nem ouvir o que diabos tá sendo tocado lá na frente?
- Ah, é legal...
- Legal? Que que tem de legal nisso? Muvuca, sovaqueira...
- Você tem razão. Obrigada, Renata, você acabou de arruinar uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida...
Tadinho. Me senti malvada. Ainda argumentei que a intenção não era essa, que eu provavelmente também acabaria indo a algum bloco, que ele deveria aproveitar do mesmo jeito...
...Mas, sem entrar nos méritos antropológicos da coisa, eu tenho, ou não tenho razão?
Ele é folião, sabe.
Folião daqueles que saem de casa na sexta-feira e só voltam pra casa às onze da noite da quarta-feira de cinzas.
Eu não sou uma foliã.
Quando eu era pequena pulava carnaval nos bailes da Associação Atlética Arealense e hoje vou a um bloco (pra ver se é nesse ano que eu consigo gostar) e um bailinho infantil por ano.
Há anos tenho um desejo não tão furioso de possuir e usar um daqueles sutiãs cheios de lantejolas que aqueles camelôes pebas vendem lá na frente da Help para usar durante a festança do povo e abalar Bangu. Também sonho, com saudades, em ter uma fantasia de melindrosa só minha para usar num baile qualquer. Os dois desejos esbarram sempre no fim da dieta eterna que não chega nunca e que se encontra em andamento - como em todos os anos.
Então, eu não me fantasio.
Minha ida ao bloco se resume a uma escalada da sobriedade a ebriedade ao longo de um quarteirão de um bairro qualquer e o bailinho... Até ano passado eu desconfiava que a minha filha não era lá muito fã dos bailinhos (apesar de ser usuária, em toda a glória do termo, de fantasias), mas ela anda aprendendo a história da Carmen Miranda e cantando as marchinhas, então eu já não sei como será este episódio esse ano.
Voltando ao assunto.
Estávamos eu e esse meu amigo comentando a proximidade do carnaval. Desde que eu passei a prestar mais atenção no mundo, quando eu me conecto a ele, posso orgulhosamente declarar que a minha vida já não é mais a mesma e eu virei uma pessoa muito mais escrota nas observações que faço.
- Fala sério, qual é a graça de sair andando espremido atrás de um bando de nêgo bêbado, suado, com o sovaco fedorento na sua cara, sem nem ouvir o que diabos tá sendo tocado lá na frente?
- Ah, é legal...
- Legal? Que que tem de legal nisso? Muvuca, sovaqueira...
- Você tem razão. Obrigada, Renata, você acabou de arruinar uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida...
Tadinho. Me senti malvada. Ainda argumentei que a intenção não era essa, que eu provavelmente também acabaria indo a algum bloco, que ele deveria aproveitar do mesmo jeito...
...Mas, sem entrar nos méritos antropológicos da coisa, eu tenho, ou não tenho razão?
A Escova de Dentes
Há 3 semanas atrás, estava eu lá tentando resolver as coisas da minha pouco interessante e atribulada vidinha (que, inclusive, me mantiveram bem longe daqui; algumas vezes graças a Deus) quando me apareceu um senhor problema: minha escova de dentes da nova geração movida a pilha etecétera e tal resolveu morrer.
O problema que se instaurou foi: que escova de dentes eu devo comprar?
Comprar uma escova de dentes se tornou uma escolha complicadíssima nos dias de hoje. Existem vários fabricantes e estes fabricantes (que declaram sempre serem "a escolha preferida dos dentistas" ou coisa que o valha) fabricam uma dúzia de modelos diferentes de escovas. Cada uma delas tem uma nova tecnologia ou acessório absolutamente essencial à saúde da sua flora bucal e dos seus dentes.
Meus dentes não são lá essas coisas, como nunca são os dentes de qualquer fumante; eu como as minhas bochechas constantemente por nervosismo e vício, e, como pude descobrir ao longo do último mês, minhas bochechas são o grande novo foco de bactérias bucais (junto com as próprias cerdas das escovas!!!); minhas gengivas também sofrem com meus nervos nervosos...Tudo necessita das novidades e do amparo de uma nova escova robótica e super cheia de coisículas.
Cada comercial que passa na televisão (ao longo do mês acabei me rendendo de novo aos seriados, coisa que havia jurado de pés juntos que não faria mais) me mostra um modelo novo, uma tecnologia essencial.
Fiz uma média de duas excursões à farmácia por semana para observar os modelos e todas as minhas opções na tentativa de comprar o tal... (Escova de dente é o quê? Acessório?) ...a tal escova. Como costuma me acontecer quando existem muitas opções de escolha, não consegui escolher nenhuma delas e passei semanas indo embora das farmácias de mãos vazias.
A pergunta que me atormentava era por quê, meu Deus, por quê essas modernidades todas, essas coisas todas que eles dizem que eu preciso ter, não vinham todas num único modelo de uma vez?!? Por quê tinha eu, com todas as coisas todas que eu já tenho que fazer e cuidar e pensar, que ficar torturada por conta de um raio de uma escova de dentes?!?
Não me interessavam as desculpas mercadológicas que explicam esse fenômeno, apenas a praticidade da coisa e o fim da procura.
Todas as noites a Colgate me atormentava com seus comerciais...
Até que a minha filha apareceu em casa com a escova de dentes do colégio toda mastigada e apareceu a necessidade de comprar uma escova para ela também. No caso dela é extremamente mais fácil, visto que só existem duas ou três para a faixa de idade dela e o grande dilema dela é escolher entre a Hello Kitty e As Princesas.
Assim, lá fui eu de novo para dentro de uma farmácia.
Olha daqui, espia de lá, no meio de todas aqueles totens agressivos da higiene moderna, bem na hora em que eu estava quase me convencendo realmente de que o lance seria comprar uma escova que não tivesse tecnologia nenhuma ou qualquer espécie de proteção extra a sei lá o quê que eles dizem que tem dentro da minha boca, estava lá, na embalagem: "3 em 1".
Eu não demorei nem um minuto pensando no assunto, não sei 3 o que aonde, só vi que eram coisas numa escova só e isso me pareceu bastante satisfatório para acabar com o dilema do mês de uma vez.
Mas aí eu saí de lá e já fiquei pensando se a minha escolha, se essas 3 coisas seriam realmente o que a minha boca - que depois de tantos comerciais já me parece um dos lugares mais inóspitos do universo - precisaria para ser saudável, feliz e soltar flores pelo ar quando eu falasse com as pessoas...
O problema que se instaurou foi: que escova de dentes eu devo comprar?
Comprar uma escova de dentes se tornou uma escolha complicadíssima nos dias de hoje. Existem vários fabricantes e estes fabricantes (que declaram sempre serem "a escolha preferida dos dentistas" ou coisa que o valha) fabricam uma dúzia de modelos diferentes de escovas. Cada uma delas tem uma nova tecnologia ou acessório absolutamente essencial à saúde da sua flora bucal e dos seus dentes.
Meus dentes não são lá essas coisas, como nunca são os dentes de qualquer fumante; eu como as minhas bochechas constantemente por nervosismo e vício, e, como pude descobrir ao longo do último mês, minhas bochechas são o grande novo foco de bactérias bucais (junto com as próprias cerdas das escovas!!!); minhas gengivas também sofrem com meus nervos nervosos...Tudo necessita das novidades e do amparo de uma nova escova robótica e super cheia de coisículas.
Cada comercial que passa na televisão (ao longo do mês acabei me rendendo de novo aos seriados, coisa que havia jurado de pés juntos que não faria mais) me mostra um modelo novo, uma tecnologia essencial.
Fiz uma média de duas excursões à farmácia por semana para observar os modelos e todas as minhas opções na tentativa de comprar o tal... (Escova de dente é o quê? Acessório?) ...a tal escova. Como costuma me acontecer quando existem muitas opções de escolha, não consegui escolher nenhuma delas e passei semanas indo embora das farmácias de mãos vazias.
A pergunta que me atormentava era por quê, meu Deus, por quê essas modernidades todas, essas coisas todas que eles dizem que eu preciso ter, não vinham todas num único modelo de uma vez?!? Por quê tinha eu, com todas as coisas todas que eu já tenho que fazer e cuidar e pensar, que ficar torturada por conta de um raio de uma escova de dentes?!?
Não me interessavam as desculpas mercadológicas que explicam esse fenômeno, apenas a praticidade da coisa e o fim da procura.
Todas as noites a Colgate me atormentava com seus comerciais...
Até que a minha filha apareceu em casa com a escova de dentes do colégio toda mastigada e apareceu a necessidade de comprar uma escova para ela também. No caso dela é extremamente mais fácil, visto que só existem duas ou três para a faixa de idade dela e o grande dilema dela é escolher entre a Hello Kitty e As Princesas.
Assim, lá fui eu de novo para dentro de uma farmácia.
Olha daqui, espia de lá, no meio de todas aqueles totens agressivos da higiene moderna, bem na hora em que eu estava quase me convencendo realmente de que o lance seria comprar uma escova que não tivesse tecnologia nenhuma ou qualquer espécie de proteção extra a sei lá o quê que eles dizem que tem dentro da minha boca, estava lá, na embalagem: "3 em 1".
Eu não demorei nem um minuto pensando no assunto, não sei 3 o que aonde, só vi que eram coisas numa escova só e isso me pareceu bastante satisfatório para acabar com o dilema do mês de uma vez.
Mas aí eu saí de lá e já fiquei pensando se a minha escolha, se essas 3 coisas seriam realmente o que a minha boca - que depois de tantos comerciais já me parece um dos lugares mais inóspitos do universo - precisaria para ser saudável, feliz e soltar flores pelo ar quando eu falasse com as pessoas...
segunda-feira, fevereiro 2
Shame on Me
Triste, muito triste mesmo o balanço de tudo o que eu consumi de cultura no ano de 2008.
Tirando os filmes, que eu tive uma média excelente; li menos livros, não vi show nenhum, praticamente não fui ao teatro.
Uma derrota.
Uma vergonha vergonhosa.
Vou me recuperar e amanhã talvez eu volte...
Tirando os filmes, que eu tive uma média excelente; li menos livros, não vi show nenhum, praticamente não fui ao teatro.
Uma derrota.
Uma vergonha vergonhosa.
Vou me recuperar e amanhã talvez eu volte...
quarta-feira, janeiro 21
Música do Dia
"I thought love was only true in fairy tales
Meant for someone else but not for me
Love was out to get me
That's the way it seemed
Disappointment haunted all my dreams
(...)
I thought love was more or less a givin' thing
Seems the more I gave the less I got
What's the use in trying
All you get is pain
When I needed sunshine I got rain"
Exatamente assim.
Pulando a parte feliz da coisa.
Como uma luva, amigo, como uma luva...
Meant for someone else but not for me
Love was out to get me
That's the way it seemed
Disappointment haunted all my dreams
(...)
I thought love was more or less a givin' thing
Seems the more I gave the less I got
What's the use in trying
All you get is pain
When I needed sunshine I got rain"
Exatamente assim.
Pulando a parte feliz da coisa.
Como uma luva, amigo, como uma luva...
sábado, janeiro 17
A janela
Na Banca de Jornal...
...diante de uma revista adolescente com previsões astrológicas para o amor em 2009.
- O que é isso, mãe?
- É uma revista para as meninas saberem quem elas vão namorar durante o ano.
- E você não vai comprar?!?
- Por que?
- Porque você precisa arrumar um namorado!!!
- Ah, minha filha, não quero namorado, não...
- Por que?
- Dá muito trabalho, filha... Mamãe tá bem assim...
- O que é isso, mãe?
- É uma revista para as meninas saberem quem elas vão namorar durante o ano.
- E você não vai comprar?!?
- Por que?
- Porque você precisa arrumar um namorado!!!
- Ah, minha filha, não quero namorado, não...
- Por que?
- Dá muito trabalho, filha... Mamãe tá bem assim...
terça-feira, janeiro 13
Hoje
Natal foi aquilo.
Última semana do ano, cheia de amigos aparecendo.
A viagem de réveillon, um alívio por não ter eu que caçar alguma festa fantástica e significativa, mas, o que chamou mesmo a minha atenção, não foi o amor do avestruz pelos meus belos olhos – e o meu pelos dele – mas um outdoor em algum lugar do caminho que anunciava um rodízio de pizza onde a estrela era uma pizza de pudim.
De todas as invenções inventadas nos últimos tempos, devo declarar que esta foi a que mais me deixou curiosa. Uma que eu não conheci, nem vou conhecer. Mas, você já parou para pensar em como seria uma pizza de pudim? A visão, na minha cabeça, é grotesca; mas como seria o sabor disso?
O mau humor da primeira semana do ano foi embora.
Foi uma primeira semana dificílima. Em quase todos os níveis.
Agora estou mais feliz, mais tranqüila, o hiato terminou, meu ano começou de uma forma mais leve. Tenho dedicado a semana a descobrir que a grande vantagem de ter a idade que eu tenho, é poder conviver bem comigo mesma em relação a todas as coisas certas e erradas que faço, é que posso usufruir, com algum conhecimento de causa do meu arquivo mental dos anos de análise para saber exatamente o que anda acontecendo – já que eu vivo me repetindo.
Na base das repetições, repito muitas coisas, entre elas uma nova dieta.
Ela e Freud são meus novos companheiros, enquanto eu tento fazer tudo que ainda preciso antes que as férias acabem e me controlo para não cair em prantos ante à pilha de livros que eu já deveria ter lido e que, certamente, não conseguirei terminar antes que comece meu novo período novo. As últimas semanas são sempre as piores porque começo a precisar produzir, começo a sentir falta, me ocupo com outras que sinto falta e não sei se tão louváveis.
Diria que para a internação no Pinel só me falta parar de fumar e escrever uma “Ode ao Brócolis” – coisas que eu bem posso adiar para gastar o tempo vigiando o crescimento das minhas adoradas plantinhas...
Última semana do ano, cheia de amigos aparecendo.
A viagem de réveillon, um alívio por não ter eu que caçar alguma festa fantástica e significativa, mas, o que chamou mesmo a minha atenção, não foi o amor do avestruz pelos meus belos olhos – e o meu pelos dele – mas um outdoor em algum lugar do caminho que anunciava um rodízio de pizza onde a estrela era uma pizza de pudim.
De todas as invenções inventadas nos últimos tempos, devo declarar que esta foi a que mais me deixou curiosa. Uma que eu não conheci, nem vou conhecer. Mas, você já parou para pensar em como seria uma pizza de pudim? A visão, na minha cabeça, é grotesca; mas como seria o sabor disso?
O mau humor da primeira semana do ano foi embora.
Foi uma primeira semana dificílima. Em quase todos os níveis.
Agora estou mais feliz, mais tranqüila, o hiato terminou, meu ano começou de uma forma mais leve. Tenho dedicado a semana a descobrir que a grande vantagem de ter a idade que eu tenho, é poder conviver bem comigo mesma em relação a todas as coisas certas e erradas que faço, é que posso usufruir, com algum conhecimento de causa do meu arquivo mental dos anos de análise para saber exatamente o que anda acontecendo – já que eu vivo me repetindo.
Na base das repetições, repito muitas coisas, entre elas uma nova dieta.
Ela e Freud são meus novos companheiros, enquanto eu tento fazer tudo que ainda preciso antes que as férias acabem e me controlo para não cair em prantos ante à pilha de livros que eu já deveria ter lido e que, certamente, não conseguirei terminar antes que comece meu novo período novo. As últimas semanas são sempre as piores porque começo a precisar produzir, começo a sentir falta, me ocupo com outras que sinto falta e não sei se tão louváveis.
Diria que para a internação no Pinel só me falta parar de fumar e escrever uma “Ode ao Brócolis” – coisas que eu bem posso adiar para gastar o tempo vigiando o crescimento das minhas adoradas plantinhas...
23 de Dezembro
Acordei 5 horas da manhã.
Acordei com aquela sede que a gente só sente quando uma ressaca cavalar se prepara para começar.
Nada no celular.
Do meu lado, a criança dorme um sono tão profundo que eu chego a ter uma pontada de inveja.
Levanto para pegar a água com a certeza de que uma boa convivência entre eu e a ressaca é afogar a mesma em litros e mais litros d’água. Ensinamento que nem Dalai seria capaz de me passar (Pensando nisso agora, será que Dalai tem ressacas como a minha? Duvido.).
Na noite passada fui me encontrar com uma amiga para trocarmos presentes de Natal e nos despedirmos de nós mesmas por este ano e o que seria rápido e inocente acabou v irando um papo de horas, risos, lágrimas e chopps a perder de vista. O resultado disso é que fui, mais uma vez, uma mãe permissiva (eu tenho sido permissiva de uma forma geral, mas isso é outra história) e deixei a criança dormir, mais uma vez, na minha cama (eu tenho regras); e, fui perceber que, do alto da minha sapiência etílica, resolvi dormir com as janelas do quarto abertas.
Dormir com as janelas do quarto abertas só estando de porre mesmo, porque volta e meia aparecem bichos estranhos, pré-históricos, cascudos, voadores e bizarros na minha casa. Só Deus sabe que espécie de dinossauro poderia ter invadido meus lençóis de madrugada. Uma náusea profunda me invadiu junto com esse pensamento. Fechei as janelas e deitei de novo.
De repente, me veio na cabeça a imagem das contas que eu tenho para pagar. Elas sempre me tiram o sono, mas acabam sendo sentidamente pagas pela minha pessoa.
Que raio tinha eu que pensar em conta às 5 meia da manhã?
O próximo passo foi levantar, pegar a calculadora, achar um boleto perdido entre o meus rios de papel e respirar aliviada chegando à brilhante conclusão de que eu nada poderia fazer àquela hora da madrugada – além de dormir.
Mas, para minha alegria, o sono não morava mais aqui.
Resolvi ver televisão.
Desde que o advento da NET chegou à minha humilde casa, sinto-me na obrigação de assistir à televisão. Já tinha desacostumado; me desintoxicado com sucesso dos anos e mais anos de fidelidade serial. Parei de achar graça e cheguei à conclusão de que não quero mais ter o compromisso de ter que ficar todo dia x, hora tal, por sei lá quantos anos a fio sentada no sofázão, perdendo tempo hábil da minha preciosa e tão curta vidinha. Uma espécie de circuito inverso.
Mas, acabo me sentindo na obrigação de justificar o investimento alheio.
Fiquei olhando sem absorver nada.
Passei um tempo distraída por um saco plático que passeava pela sala levado pelo vento do ventilador de teto, comecei a planejar mentalmente a faxina que se tornava necessária ao lar (na tela, a doente do seriado vomitava sangue de uma forma bonita mesmo), prestei atenção num reflexo de luz que passou pelo canto do meu olho e me fez pensar se teria sido mesmo apenas um reflexo, pensei no problema que eu tenho por ser tão chata e caxias ao ponto de ficar aborrecida com as pessoas só porque elas dizem que vão me ligar às 10 da manhã para se um dia todo fosse pouco para planejar...
Toda essa torrente foi gloriosamente interrompida por um dos dinossauros: preto, voador, cascudo que entrou voando pela minha sala com a mesma velocidade com que eu dei um pulo e saí desabalada do recinto. Sem nem querer saber o que seria o tal dinossauro, tranquei a porta do quarto acreditando piamente que quando saísse aquele monstro não estaria mais do lado de fora me esperando e sentindo toda a minha dignidade se esvair ante à minha atitude sóbria e nada corajosa, em menos de 30 segundos, graças a um inseto.
Mas o sono tinha mesmo ido embora. Começava a brilhar lá fora um sol brilhante de filme de amor de seção da tarde. E meu dente começou a doer.
Resolvi, então escrever.
O computador, resolveu, então, não ligar.
Resolvi nem pensar no pânico de perder todos os anos de fotografias estocados lá dentro que esperam há anos serem finalmente reveladas em papel.
Então o dente dói de novo, uma leve sinusite se insinua, a boca começa a ter “aquele gostinho de cabo de guarda-chuva” e eu começo a sentir um desejo meio kamikaze de “encarar uma prainha”.
O entregador do jornal toca o interfone – que eu não atendo de pirraça, porque acho inconcebível que alguém toque meu interfone antes de meio-dia sem que tenha sido convidado a isso – e o que me resta é fazer mais um penico de café, descobrir se o mundo já acabou e esperar o resto do mundo que resta voltar à vida e começar, ele, seu dia.
Acordei com aquela sede que a gente só sente quando uma ressaca cavalar se prepara para começar.
Nada no celular.
Do meu lado, a criança dorme um sono tão profundo que eu chego a ter uma pontada de inveja.
Levanto para pegar a água com a certeza de que uma boa convivência entre eu e a ressaca é afogar a mesma em litros e mais litros d’água. Ensinamento que nem Dalai seria capaz de me passar (Pensando nisso agora, será que Dalai tem ressacas como a minha? Duvido.).
Na noite passada fui me encontrar com uma amiga para trocarmos presentes de Natal e nos despedirmos de nós mesmas por este ano e o que seria rápido e inocente acabou v irando um papo de horas, risos, lágrimas e chopps a perder de vista. O resultado disso é que fui, mais uma vez, uma mãe permissiva (eu tenho sido permissiva de uma forma geral, mas isso é outra história) e deixei a criança dormir, mais uma vez, na minha cama (eu tenho regras); e, fui perceber que, do alto da minha sapiência etílica, resolvi dormir com as janelas do quarto abertas.
Dormir com as janelas do quarto abertas só estando de porre mesmo, porque volta e meia aparecem bichos estranhos, pré-históricos, cascudos, voadores e bizarros na minha casa. Só Deus sabe que espécie de dinossauro poderia ter invadido meus lençóis de madrugada. Uma náusea profunda me invadiu junto com esse pensamento. Fechei as janelas e deitei de novo.
De repente, me veio na cabeça a imagem das contas que eu tenho para pagar. Elas sempre me tiram o sono, mas acabam sendo sentidamente pagas pela minha pessoa.
Que raio tinha eu que pensar em conta às 5 meia da manhã?
O próximo passo foi levantar, pegar a calculadora, achar um boleto perdido entre o meus rios de papel e respirar aliviada chegando à brilhante conclusão de que eu nada poderia fazer àquela hora da madrugada – além de dormir.
Mas, para minha alegria, o sono não morava mais aqui.
Resolvi ver televisão.
Desde que o advento da NET chegou à minha humilde casa, sinto-me na obrigação de assistir à televisão. Já tinha desacostumado; me desintoxicado com sucesso dos anos e mais anos de fidelidade serial. Parei de achar graça e cheguei à conclusão de que não quero mais ter o compromisso de ter que ficar todo dia x, hora tal, por sei lá quantos anos a fio sentada no sofázão, perdendo tempo hábil da minha preciosa e tão curta vidinha. Uma espécie de circuito inverso.
Mas, acabo me sentindo na obrigação de justificar o investimento alheio.
Fiquei olhando sem absorver nada.
Passei um tempo distraída por um saco plático que passeava pela sala levado pelo vento do ventilador de teto, comecei a planejar mentalmente a faxina que se tornava necessária ao lar (na tela, a doente do seriado vomitava sangue de uma forma bonita mesmo), prestei atenção num reflexo de luz que passou pelo canto do meu olho e me fez pensar se teria sido mesmo apenas um reflexo, pensei no problema que eu tenho por ser tão chata e caxias ao ponto de ficar aborrecida com as pessoas só porque elas dizem que vão me ligar às 10 da manhã para se um dia todo fosse pouco para planejar...
Toda essa torrente foi gloriosamente interrompida por um dos dinossauros: preto, voador, cascudo que entrou voando pela minha sala com a mesma velocidade com que eu dei um pulo e saí desabalada do recinto. Sem nem querer saber o que seria o tal dinossauro, tranquei a porta do quarto acreditando piamente que quando saísse aquele monstro não estaria mais do lado de fora me esperando e sentindo toda a minha dignidade se esvair ante à minha atitude sóbria e nada corajosa, em menos de 30 segundos, graças a um inseto.
Mas o sono tinha mesmo ido embora. Começava a brilhar lá fora um sol brilhante de filme de amor de seção da tarde. E meu dente começou a doer.
Resolvi, então escrever.
O computador, resolveu, então, não ligar.
Resolvi nem pensar no pânico de perder todos os anos de fotografias estocados lá dentro que esperam há anos serem finalmente reveladas em papel.
Então o dente dói de novo, uma leve sinusite se insinua, a boca começa a ter “aquele gostinho de cabo de guarda-chuva” e eu começo a sentir um desejo meio kamikaze de “encarar uma prainha”.
O entregador do jornal toca o interfone – que eu não atendo de pirraça, porque acho inconcebível que alguém toque meu interfone antes de meio-dia sem que tenha sido convidado a isso – e o que me resta é fazer mais um penico de café, descobrir se o mundo já acabou e esperar o resto do mundo que resta voltar à vida e começar, ele, seu dia.
segunda-feira, janeiro 12
Eu tinha escrito um post imenso que o blogger fez a gentileza de não salvar e desapareceu.
Esqueci as novas coisas pra botar ali do lado também.
Assim sendo, não vou repetir minha luta com o teclado agora, não.
Me deu preguiça, eu estou feliz e não quero brigar com computador nenhum hoje. :)
Durante a semana eu conto as coisas todas...
Prometo. :)
Esqueci as novas coisas pra botar ali do lado também.
Assim sendo, não vou repetir minha luta com o teclado agora, não.
Me deu preguiça, eu estou feliz e não quero brigar com computador nenhum hoje. :)
Durante a semana eu conto as coisas todas...
Prometo. :)
terça-feira, janeiro 6
Uma Beleza
O Ano Novo é uma beleza, não é, minha gente?
Começa coisas, termina coisas...
Mesmo sem ter certeza absoluta do quê realmente aconteceu, tenho lá minhas teorias conspiratórias - a tia aqui não é nada boba, sabe? - e tem sempre um lado meu que gosta muito quando as pessoas resolvem resolver as coisas por mim.
Enfim, o Ano Novo é uma beleza, não é, minha gente?
E eu nem tive chance de falar do Natal, do mato e já me esperam meses de abstnência alcóolica pela frente...
Tudo uma delícia...!
E ninguém entende porque me falta um quê de animação...
Começa coisas, termina coisas...
Mesmo sem ter certeza absoluta do quê realmente aconteceu, tenho lá minhas teorias conspiratórias - a tia aqui não é nada boba, sabe? - e tem sempre um lado meu que gosta muito quando as pessoas resolvem resolver as coisas por mim.
Enfim, o Ano Novo é uma beleza, não é, minha gente?
E eu nem tive chance de falar do Natal, do mato e já me esperam meses de abstnência alcóolica pela frente...
Tudo uma delícia...!
E ninguém entende porque me falta um quê de animação...
segunda-feira, dezembro 22
...Eu não sabia que tudo ia dar certo hoje (agora não vai dar mais só porque eu disse que estava dando), porque eu tive dias em tudo deu muito errado. Nem sabia que ia ter tempo sobrando para ficar aqui vendo o tempo passar. Tudo isso para dizer que, se eu soubesse, ao invés de existir este post que não quer dizer, existiria uma foto aqui agora.
Signos
Faziam anos que eu não lançava mão do "Seu Futuro Astrológico" com fins de pesquisa.
Tinha esquecido como era divertido isso!!!
O que me lembra que tenho que correr na banca de jornais para comprar aquelas revisitinhas vagabundas de previsões para o ano que tanto me confortam!
Pode parecer besteira. Muita gente acha.
Eu, eu acredito em muita coisa que ninguém acredita.
Acredito e assumo todas as características do signo de Câncer, entendo perfeitamente as consequências da minha lua em Libra, fico pasma ao constatar que as minhas melhores amigas - a exceção de umazinha só - são todas virginianas, reconheço cada traço escorpiano da minha filhota (uma relação deveras interessante esta nossa câncer x escorpião), pago meus pecados com todos os arianos espalhados pela minha família mais próxima. Não pude deixar de pensar "putz, tô perdida".
Não entendo tudo. Entendo menos que muita gente.
Mas, super acredito.
Tinha esquecido como era divertido isso!!!
O que me lembra que tenho que correr na banca de jornais para comprar aquelas revisitinhas vagabundas de previsões para o ano que tanto me confortam!
Pode parecer besteira. Muita gente acha.
Eu, eu acredito em muita coisa que ninguém acredita.
Acredito e assumo todas as características do signo de Câncer, entendo perfeitamente as consequências da minha lua em Libra, fico pasma ao constatar que as minhas melhores amigas - a exceção de umazinha só - são todas virginianas, reconheço cada traço escorpiano da minha filhota (uma relação deveras interessante esta nossa câncer x escorpião), pago meus pecados com todos os arianos espalhados pela minha família mais próxima. Não pude deixar de pensar "putz, tô perdida".
Não entendo tudo. Entendo menos que muita gente.
Mas, super acredito.
Lindo e triste (Nua)
...Essa coisa de ter passado um bom tempo do meu ano dedicada aos contos de fadas - lendo, estudando, pesquisando, entendendo - provavelmente me deixou um pouco (mais) pirada.
Depois daquele dia em que questionei que direito tinha eu de segurar a criança para que ela não saísse voando na ventania, impedindo que, assim, ela pudesse ter aventuras fantásticas, dei para ter as mesmas fantasias em torno do ralo da banheira.
Eu explico.
Todas as vezes em que ela toma banho de banheira eu brinco que ela tem que tomar cuidado para não ir pelo ralo. Logicamente, eu sei que isso não é possível. No início ela tinha até bastante medo disso acontecer de verdade, mas o medo foi embora e deu lugar à curiosidade pelo dito ralo. Hoje, a diversão é ver a água indo embora, pôr o dedo lá. E eu brinco: "Então tá bom, boa viagem, quando voltar me conta tudo, tá?".
E então lá fui eu...
E se ela fosse mesmo? E se isso fosse possível?
A cada banho eu penso nisso.
Dava uma história...
...Assim como "A Mulher Que Vendeu o Natal".
O título não é meu - deram pra mim.
É a história que eu estou vivendo agora.
Essa e as outras...
Períodos de descontrole têm isso.
A última vez que me lembro de ter um enredo pessoal tão cheio de tramas paralelas foi quando fui parar na Bahia. Ao mesmo tempo existiam muitas histórias acontecendo. É uma administração difícil.
Tenho me lembrado constantemente de uma pessoa que conheci há uns anos atrás que me disse que eu estava perdida. Ando me achado um pouco perdida.
Não que coisas ótimas não estejam ocorrendo. Estão.
Amigos de longe, amigos de perto, felicidade bombante em contraste com tantas outras coisas. Não posso reclamar, ainda que ande sentindo cada dia mais a saudade de ter um bicho de estimação que durma comigo e me aqueça nas noites mais vazias, ainda que tente compensar o que eu sinto ou deixo de sentir com plantas novas e barris de cerveja.
Cancerianos.
A gente gosta de rotina. Gosta de saber aonde vai. O que vai fazer.
É um período de espera. Não muitos dias. Menos de um mês.
Mas, o quê que a gente faz quando tá esperando?
Pra que lado a gente segue?
Como se preenche isso?
Como a gente escolhe direita, esquerda ou no meio?
Ou não escolhe?
Detesto não saber. Ter que esperar para resolver as coisas da minha vida. Só saber que existe uma viagem, existe uma volta e que aí, sim, vou poder andar, decidir, fazer, produzir, esperar. Tranquila.
Não posso reclamar, mas este fim de ano está um fim de ano.
Engraçado. Bonito. Cheio de encontros.
Mas, ainda assim, um fim de ano.
Outro dia quase chorei depois de um passeio com a minha filha.
Bati os olhos numa vitrine - coisa raríssima - e...
"Olha, filha, quantas camisolas lindas!!!"
"Mãe, você já tem uma camisola de oncinha."
"Eu sei, mas eu quero outra, o quê que tem?"
(Ando numa fase terrível. De repente oncinhas me parecem o que há em termos de estampa, dourados passaram a existir entre as minhas coisas e nos tons em que pinto as unhas, meu desejo ancestral de possuir um par de tamancos com plumas voltou com força total e conjuntos de lingerie com detalhes floridos e laços que eu não possuo passam a ter lugar na cobiça. Uma coisa assustadora, mas eu estou adorando cada minuto.)
"Tá bom, quando eu receber meu dinheiro, eu vejo pra você. Calma, tá?"
(Eu falo assim com ela.)
Mais tarde, meu pai resolveu fazer uma visita e deu umas moedas para a Olívia, que no mesmo instante me olhou e disse: "Pronto, mãe, agora eu tenho dinheiros para comprar a sua camisola de presente de natal".
Lindo e triste, né?
Tô assim, achando tudo lindo e triste.
De noite é pior.
Até porque, meu silêncio, que é meu e eu amo, é um silêncio completo..
Lindo e triste.
Os beijos.
Os encontros.
Tudo dura somente o que tem durar.
Me agarro às pessoas querendo que elas não me deixem, não vão embora. Uma coisa quase antropofágica.
Todas.
Você, você e você também.
Tudo muito lindo e muito triste.
Eu queria que fosse fácil explicar, que fosse fácil entender.
Não anda mais cabendo tanta beleza e tanta tristeza no meu coração.
Depois daquele dia em que questionei que direito tinha eu de segurar a criança para que ela não saísse voando na ventania, impedindo que, assim, ela pudesse ter aventuras fantásticas, dei para ter as mesmas fantasias em torno do ralo da banheira.
Eu explico.
Todas as vezes em que ela toma banho de banheira eu brinco que ela tem que tomar cuidado para não ir pelo ralo. Logicamente, eu sei que isso não é possível. No início ela tinha até bastante medo disso acontecer de verdade, mas o medo foi embora e deu lugar à curiosidade pelo dito ralo. Hoje, a diversão é ver a água indo embora, pôr o dedo lá. E eu brinco: "Então tá bom, boa viagem, quando voltar me conta tudo, tá?".
E então lá fui eu...
E se ela fosse mesmo? E se isso fosse possível?
A cada banho eu penso nisso.
Dava uma história...
...Assim como "A Mulher Que Vendeu o Natal".
O título não é meu - deram pra mim.
É a história que eu estou vivendo agora.
Essa e as outras...
Períodos de descontrole têm isso.
A última vez que me lembro de ter um enredo pessoal tão cheio de tramas paralelas foi quando fui parar na Bahia. Ao mesmo tempo existiam muitas histórias acontecendo. É uma administração difícil.
Tenho me lembrado constantemente de uma pessoa que conheci há uns anos atrás que me disse que eu estava perdida. Ando me achado um pouco perdida.
Não que coisas ótimas não estejam ocorrendo. Estão.
Amigos de longe, amigos de perto, felicidade bombante em contraste com tantas outras coisas. Não posso reclamar, ainda que ande sentindo cada dia mais a saudade de ter um bicho de estimação que durma comigo e me aqueça nas noites mais vazias, ainda que tente compensar o que eu sinto ou deixo de sentir com plantas novas e barris de cerveja.
Cancerianos.
A gente gosta de rotina. Gosta de saber aonde vai. O que vai fazer.
É um período de espera. Não muitos dias. Menos de um mês.
Mas, o quê que a gente faz quando tá esperando?
Pra que lado a gente segue?
Como se preenche isso?
Como a gente escolhe direita, esquerda ou no meio?
Ou não escolhe?
Detesto não saber. Ter que esperar para resolver as coisas da minha vida. Só saber que existe uma viagem, existe uma volta e que aí, sim, vou poder andar, decidir, fazer, produzir, esperar. Tranquila.
Não posso reclamar, mas este fim de ano está um fim de ano.
Engraçado. Bonito. Cheio de encontros.
Mas, ainda assim, um fim de ano.
Outro dia quase chorei depois de um passeio com a minha filha.
Bati os olhos numa vitrine - coisa raríssima - e...
"Olha, filha, quantas camisolas lindas!!!"
"Mãe, você já tem uma camisola de oncinha."
"Eu sei, mas eu quero outra, o quê que tem?"
(Ando numa fase terrível. De repente oncinhas me parecem o que há em termos de estampa, dourados passaram a existir entre as minhas coisas e nos tons em que pinto as unhas, meu desejo ancestral de possuir um par de tamancos com plumas voltou com força total e conjuntos de lingerie com detalhes floridos e laços que eu não possuo passam a ter lugar na cobiça. Uma coisa assustadora, mas eu estou adorando cada minuto.)
"Tá bom, quando eu receber meu dinheiro, eu vejo pra você. Calma, tá?"
(Eu falo assim com ela.)
Mais tarde, meu pai resolveu fazer uma visita e deu umas moedas para a Olívia, que no mesmo instante me olhou e disse: "Pronto, mãe, agora eu tenho dinheiros para comprar a sua camisola de presente de natal".
Lindo e triste, né?
Tô assim, achando tudo lindo e triste.
De noite é pior.
Até porque, meu silêncio, que é meu e eu amo, é um silêncio completo..
Lindo e triste.
Os beijos.
Os encontros.
Tudo dura somente o que tem durar.
Me agarro às pessoas querendo que elas não me deixem, não vão embora. Uma coisa quase antropofágica.
Todas.
Você, você e você também.
Tudo muito lindo e muito triste.
Eu queria que fosse fácil explicar, que fosse fácil entender.
Não anda mais cabendo tanta beleza e tanta tristeza no meu coração.
quarta-feira, dezembro 17
Às vezes...
...Basta pouco para ser feliz.
Como o incrível supermercado incrível da minha rua resolver voltar a funcionar e eu poder, finalmente, ter uma porção de coisinhas gostosas à minha disposição e poder voltar a cozinhar de verdade por causa disso;
Como ver a felicidade da sua filha com a eminente chegada do Papai Noel e olhos brilhando cada vez que ela beija a árvore de Natal;
Como ter de novo Tv a cabo em casa e poder ver um seriado legal - ou esnobar o seriado legal por escolha própria.
...também basta pouco para ser infeliz.
Como não conseguir parar de se preocupar em ter que arrumar um emprego e pensar em grana;
Como aquela sua calça limite chegar ao limite da sua cintura, o que prenuncia um mês de janeiro de muitas privações gastronômicas;
Como o pensamento que também não abanadona de que a vida acontece lá fora e eu estou perdendo alguma coisa quando fico em casa nos finais de semana;
Como a mania que eu tenho de não conseguir segurar a língua dentro da boca de vez em quando que me faz dizer coisas pras pessoas que as normas de conduta humana não aconselham...
Como o incrível supermercado incrível da minha rua resolver voltar a funcionar e eu poder, finalmente, ter uma porção de coisinhas gostosas à minha disposição e poder voltar a cozinhar de verdade por causa disso;
Como ver a felicidade da sua filha com a eminente chegada do Papai Noel e olhos brilhando cada vez que ela beija a árvore de Natal;
Como ter de novo Tv a cabo em casa e poder ver um seriado legal - ou esnobar o seriado legal por escolha própria.
...também basta pouco para ser infeliz.
Como não conseguir parar de se preocupar em ter que arrumar um emprego e pensar em grana;
Como aquela sua calça limite chegar ao limite da sua cintura, o que prenuncia um mês de janeiro de muitas privações gastronômicas;
Como o pensamento que também não abanadona de que a vida acontece lá fora e eu estou perdendo alguma coisa quando fico em casa nos finais de semana;
Como a mania que eu tenho de não conseguir segurar a língua dentro da boca de vez em quando que me faz dizer coisas pras pessoas que as normas de conduta humana não aconselham...
segunda-feira, dezembro 15
Férias?
Teoricamente, elas começaram.
Isso significa que estarei mais longe do que o habitual deste ambiente virtual, logo, paciência.
Eu continuo anotando as minhas coisas, mas, como saí de casa baratinada, como de hábito, esqueci em cima da mesa.
Desde que começaram as férias já ajeitei coisas na minha casa, na casa da minha mãe, fiz as famigeradas compras de Natal...
Estas me dão a felicidade de escolher coisas legais para todas as pessoas que me aturam durante o ano, mas me dão uma deprêzinha básica ao vislumbrar o efeito arrasador que tiveram na minha conta bancária. E ainda vai existir uma nova reunião familiar em casa, para meu desespero de mulher limpadora e dona de casa em busca da perfeição.
Ainda estou correndo, correndo, correndo e com algumas considerações nada edificantes a fazer, mas vai tudo ficar pra outro dia.
...Era só pra dar alguma satisfação. :)
Isso significa que estarei mais longe do que o habitual deste ambiente virtual, logo, paciência.
Eu continuo anotando as minhas coisas, mas, como saí de casa baratinada, como de hábito, esqueci em cima da mesa.
Desde que começaram as férias já ajeitei coisas na minha casa, na casa da minha mãe, fiz as famigeradas compras de Natal...
Estas me dão a felicidade de escolher coisas legais para todas as pessoas que me aturam durante o ano, mas me dão uma deprêzinha básica ao vislumbrar o efeito arrasador que tiveram na minha conta bancária. E ainda vai existir uma nova reunião familiar em casa, para meu desespero de mulher limpadora e dona de casa em busca da perfeição.
Ainda estou correndo, correndo, correndo e com algumas considerações nada edificantes a fazer, mas vai tudo ficar pra outro dia.
...Era só pra dar alguma satisfação. :)
terça-feira, dezembro 2
Recaída da Velhinha. :D

Quando estou na pior, fico tipo a Lily Allen. Adoro desabafar no meu diário virtual, escrever músicas mandando recados para namorados, ex-namorados, faço a maluca e saio pelada na rua e me sinto derrotada facilmente. Tenho que sair dessa, gente!
Qual celebridade você é quando está na pior?
Hahahahahahahaha
A-mei!!!
Lista de tarefas
- Matrícula no colégio - Ok.
- Viagem de Ano-novo - Ok.
- Presente de Natal da Licas - Ok.
- Trabalho de Filosofia - Ok.
- Monitoria - Acabou.
Falta
- Cama nova da Licas montada.
- Tv da mamãe consertada.
- Chamar o técnico da Máquina de lavar para assinar o óbito.
- Levar o edredom pra lavar.
- Comprar minha sapatilha fashion nova.
- Esperar a NET.
Dormir 3 dias seguidos.
Sonhar com um capacho novo, plantar novas plantas, dar um jeito nas velhas, arrumar uma roupa pro reveillon, ver uniforme novo da criança, tomar coragem para recolher material para o exame dela, ver presente pelo menos para a mamãe e para as tias, faxinar lugares desagradáveis e empoeirados da casa, segurar a onda para conseguir colocar uma fechadura nova e comprar um creminho para os pés. Se der, comprar lembrancinhas para as amigas que tanto merecem.
Depois dormir mais 3 dias seguidos.
Tô exausta...
- Viagem de Ano-novo - Ok.
- Presente de Natal da Licas - Ok.
- Trabalho de Filosofia - Ok.
- Monitoria - Acabou.
Falta
- Cama nova da Licas montada.
- Tv da mamãe consertada.
- Chamar o técnico da Máquina de lavar para assinar o óbito.
- Levar o edredom pra lavar.
- Comprar minha sapatilha fashion nova.
- Esperar a NET.
Dormir 3 dias seguidos.
Sonhar com um capacho novo, plantar novas plantas, dar um jeito nas velhas, arrumar uma roupa pro reveillon, ver uniforme novo da criança, tomar coragem para recolher material para o exame dela, ver presente pelo menos para a mamãe e para as tias, faxinar lugares desagradáveis e empoeirados da casa, segurar a onda para conseguir colocar uma fechadura nova e comprar um creminho para os pés. Se der, comprar lembrancinhas para as amigas que tanto merecem.
Depois dormir mais 3 dias seguidos.
Tô exausta...
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