Este post vai começar com uma frase que, para quem me conhece, é o que há em obviedade:
Eu sou uma pessoa obsessiva.
O Grande Lance é que essas obsessões, em sua maioria, são, vamos dizer assim, rotativas. E eu me refiro as Grandes Obsessões. Aquelas do momento específico de vida. Já foram homens, a filha, a destruição através de muitas noites de rock e biritas e por aí vai...
Pois então, de um mês pra cá mais ou menos começou a me dar uma coisa – uma coisa lááááááááá no fundo...
Eu comecei a perceber que existiam muitos, muitos, muitos livros no mundo. As pessoas escrevem sem parar!!! E eu não vou conseguir ler todos os livros que devo e que quero num espaço de uma vida. Nem que eu viva 200 anos.
Nem se eu largasse a faculdade, mandasse a minha filha morar com o pai e não saísse mais de casa nunca mais.
Nem se eu deixasse uma pilha de livros ao lado do meu leito de morte – existe uma crença de um povo aí que eu já esqueci qual é (ou era) de que você deve deixar ao lado do seu leito de morte aquilo que deseja encontrar assim que reencarnar.
É um pensamento caótico e aflitivo.
Eu me considero uma leitora ávida. Costumo ler mais que a maioria das pessoas que eu conheço. Com falhas de caráter; afinal, nunca li nada de Victor Hugo ou Dostoievski ou Proust ou... deu pra entender; ainda assim, me considero ávida.
Passou a fazer parte da minha compreensão de vida que eu não preciso escrever nada nunca na vida, porque já existe gente demais escrevendo coisa demais. No fundo do meu íntimo, num lugar lá escondido, sempre existiu uma vontade inconfessa – e que assim vai permanecer porque eu vou negar, não vou dizer em voz alta e se alguém perguntar eu digo que escrevi isso em momentos de dor e delírio – de ser uma escritora. Eu invejo os escritores; com sua inteligência, imaginação e domínio da língua, com a aura que eu acho que escritores têm; invejo. Mas não serei uma. Não só não serei como não preciso ser. Me faz bem ler e admirar essas pessoas.
Bom, fazia...
No momento, é angustiante olhar a pilha de mais de 20 livros que se ergue e cresce ao lado da minha cama a cada semana. É angustiante receber indicações, lembrar de clássicos, conhecer novos autores – escolher o próximo livro a ser lido.
Escolher o próximo livro!
Sempre foi fácil. Era pegar e ler. Hoje, não consigo me decidir por este ou aquele, pelo fino (que será lido mais rápido) ou pelo grosso (que vai me tomar o tempo de dois finos), pelo clássico ou pelo novo, o policial, o romance, o “de conteúdo” ou o fútil.
Ser uma leitora ávida nunca foi tão difícil.
Existe um bocado de ressaca de FLIP nesse meu desespero absurdo.
Foi uma experiência – para mim, pelo menos.
Sim. Experiência ponto.
Porque eu ainda não sei definir bem que espécie de experiência foi.
Foi maravilhoso, angustiante, maravilhoso. Saí de lá me sentindo uma das mulheres mais burras do planeta – com a minha obsessão latente latindo mais do que nunca.
Entrei numa livraria ontem e saí praticamente correndo quando olhei em volta e me dei conta da quantidade de coisas que eu quero ler.
Além de tudo é uma obsessão cara pra caralho.
"Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma." George R.R. Martin
sexta-feira, julho 13
quarta-feira, julho 11
P.S.
Mais coisas...
Mas ainda sem PC.
Bloco cheio de anotações relevantes...
Tenho vindo à faculdade, em plenas férias só para usar o computador, talvez volte amanhã...
Talvez não.
Sei lá.
Mas ainda sem PC.
Bloco cheio de anotações relevantes...
Tenho vindo à faculdade, em plenas férias só para usar o computador, talvez volte amanhã...
Talvez não.
Sei lá.
Voltando pra casa
De uns tempos pra cá voltar de viagem é uma coisa que sempre dói.
E olha que eu nem gosto de Paraty! Pode tacar pedra, mas quando eu digo que não gosto, quero dizer que eu não me imagino de forma alguma morando lá algum dia – é um lugar bacana para ir, visitar (a FLIP é uma experiência – depois eu conto), passar uns dias e voltar pra onde quer que você more.
Mas more no Rio...
Pra início de conversa, seu portal de entrada é a Baixada Fluminense.
Que fique claro que eu nunca freqüentei nada da Baixada a não ser o “Alemão” que tinha um croquete absurdo de bom que hoje em dia eu acho mole, mole em várias casas “finas” da Zona Sul – então nem vou falar mal – mas que a Avenida que corta a coisa, as bordas da Avenida, a “paisagem” que nos recebe assim que voltamos à Cidade é feia. Pobre e maltratada como a maior parte do Rio de Janeiro anda.
Porque Rio de Janeiro não é só Zona Sul. A ZS é famosa, é grande, é chique – haha! – mas como o nome diz é Sul; existem ainda Leste, Oeste e Norte.
Você já parou para pensar nisso?
Então você chega na Rodoviária Novo Rio.
Aquele caos.
Consegue – a duras penas – pegar um táxi. O táxi que te coube é um daqueles que está mais pra golzinho 80 que pra gol 1000, o motorista, um senhor careca de barba te lembra alguém de pornochanchada e dirige como se não houvesse amanhã fazendo com que você segure sua filha no colo com uma força que não se lembra de ter segurado em muito tempo.
Finalmente, o táxi estaciona na entrada da sua casa.
Você salta e ouve logo de cara que a Creche do Inferno do lado da sua casa está dando uma “daquelas” festinhas.
Então, você entra em casa e percebe que vai ter muita, mas muita roupa para lavar, já que trouxe junto metade do chão de terra de Paraty grudado nas roupas....Que maravilha voltar pra casa...!
E olha que eu nem gosto de Paraty! Pode tacar pedra, mas quando eu digo que não gosto, quero dizer que eu não me imagino de forma alguma morando lá algum dia – é um lugar bacana para ir, visitar (a FLIP é uma experiência – depois eu conto), passar uns dias e voltar pra onde quer que você more.
Mas more no Rio...
Pra início de conversa, seu portal de entrada é a Baixada Fluminense.
Que fique claro que eu nunca freqüentei nada da Baixada a não ser o “Alemão” que tinha um croquete absurdo de bom que hoje em dia eu acho mole, mole em várias casas “finas” da Zona Sul – então nem vou falar mal – mas que a Avenida que corta a coisa, as bordas da Avenida, a “paisagem” que nos recebe assim que voltamos à Cidade é feia. Pobre e maltratada como a maior parte do Rio de Janeiro anda.
Porque Rio de Janeiro não é só Zona Sul. A ZS é famosa, é grande, é chique – haha! – mas como o nome diz é Sul; existem ainda Leste, Oeste e Norte.
Você já parou para pensar nisso?
Então você chega na Rodoviária Novo Rio.
Aquele caos.
Consegue – a duras penas – pegar um táxi. O táxi que te coube é um daqueles que está mais pra golzinho 80 que pra gol 1000, o motorista, um senhor careca de barba te lembra alguém de pornochanchada e dirige como se não houvesse amanhã fazendo com que você segure sua filha no colo com uma força que não se lembra de ter segurado em muito tempo.
Finalmente, o táxi estaciona na entrada da sua casa.
Você salta e ouve logo de cara que a Creche do Inferno do lado da sua casa está dando uma “daquelas” festinhas.
Então, você entra em casa e percebe que vai ter muita, mas muita roupa para lavar, já que trouxe junto metade do chão de terra de Paraty grudado nas roupas....Que maravilha voltar pra casa...!
segunda-feira, julho 2
Pra variar...
...E não perder o hábito, estamos naquela fase do ano em que eu estou excluída digital.
Meu pc pifou;
O semestre acabou;
O coração vai mal (de várias formas e sentidos diferentes);
E depois de amanhã eu viajo de mãe, filha e malas - muitas malas - para a minha tão esperada primeira FLIP.
Um prêmio mais do que merecido.
Na volta eu resolvo, conserto, escrevo, leio...
Meu pc pifou;
O semestre acabou;
O coração vai mal (de várias formas e sentidos diferentes);
E depois de amanhã eu viajo de mãe, filha e malas - muitas malas - para a minha tão esperada primeira FLIP.
Um prêmio mais do que merecido.
Na volta eu resolvo, conserto, escrevo, leio...
terça-feira, junho 5
Duas Cartas Para Homens Que Eu Amo
"Sabe, a semana está sendo uma semana ruim.
(Bem como as últimas antes dela)
O semestre está quase terminando e nas próximas semanas provavelmente não terei vida minha; ficarei só correndo de um lado a outro, de ilha de edição a ilha de edição, de estúdio em estúdio, de livro a livro...
O corpo pede arrêgo, a mente também.
Estou exausta.
Então, no meio desta terça-feira em que eu não queria estar fazendo nada, em que eu só queria dormir, tive que vir às pressas para casa porque havia esquecido uma conta e dei de cara com o carteiro me esperando, com um envelope em punho com o meu nome escrito numa letra linda.
Dentro do envelope, uma carta - impressa, o que deu um toque todo impessoal a coisa, ainda assim, uma bela carta; papéis e um disco. A carta que demorou tanto a vir e o disco que eu tanto queria ouvir. No encarte uma surpresa: meu nome também estava lá!
Chorei.
Chorei porque foi um momento lindo num dia, num mês escuro - e, Deus! como eu ando precisando de momentos lindos...!
Parei, então, pra te contar como eu fiquei feliz.
Que resolvi parar um pouco com o dia, as contas, os trabalhos e até meu coração partido, pra ouvir o que eu esperava há tanto tempo...
Pra ouvir um pouco a sua voz.
Hoje, com a certeza de que, pelo menos pra você, eu não passei batida.
Obrigada, amor.
Apesar, mesmo, de todo o jeito estarei sempre aqui, serei sempre sua companheira e sua amiga.
Pode contar.
Beijos enormes,
Com muitas saudades, sempre.
Rê."
" Oi XXXX **!
Hehehehehe
Ai, XXX, foi mal...
A coisa tá tão punk rock pra mim aqui que eu nem tive tempo de sentar e escrever uma resposta decente pra você...
Agora estamos no final do semestre, o pânico toma conta. Aliás, tomou conta o semestre inteiro e eu estou exausta ao cubo. Peguei rádio e tv pra fazer, então tenho dois programas de rádio e uma trauletada de coisas de tv pra fazer semanalmente, tipo ritmo frenético mesmo. Meu atual pesadelo é entrevistar o XXXX (um jornalista fodão aí) dia 20. Eu nem vi direito esse início de ano!
Ainda mais porque agora no início de julho vai ter a FLIP (festa literária de paraty), as Roxo vão em peso (Licas inclusa), tudo reservado e meio pago e eu preciso passar direto! hehehehehe
FLIP foi outra novela, mas depois eu te conto.
Quando você vier.
Liloca tá bem, cara. Agora que esfriou, gripada, pra variar. Nunca pensei que um nariz tão pequeno pudesse produzir tanta meleca!
Mas tá aquilo mesmo: figuraça, amorosa e hipergeniosa.
Altas historinhas.
Cada dia mais linda também! :)
Mamãe tá bem. Trabalhando pra cacete. Teve um estresse básico por causa de grana mês passado, mas nada que uma FLIP não cure. Continua cabeluda e pegando no meu pé quando eu bebo, definitivamente ajuda a pessoa a se sentir com 15 anos quando está é na porta dos 30. :P
Amores?
Bah!
Esse setor, meu amigo, é um que não muda na vida da sua amiga aqui. A sorte inexiste nele. Solteira desde XXXX, encalhadona último nível, sem fé na humanidade, padecendo de uma carência sinistra. Já apareceram aí duas outras pessoas, uma que não deu certo (me trocou por uma guria de 21 anos) e outro que eu ainda não sei bem que que eu faço com ele - longa história, longuíssima história mesmo. O fato é que até beijo na boca aqui tá raro, é que nem ano novo, tem até que soltar fogos quando acontece.
E eu nem tava me ligando nisso, não. Fiquei sem tempo de viver mesmo nos últimos meses. Literalmente. Agora é que aniversário chegando, Dia dos Namorados chegando, essa porra toda, que eu resolvi voltar a me incomodar. Mas esperanças de sucesso mesmo - só volto a ter quando vir acontecer.
E é isso.
Tô morta de saudades. Mesmo.
Doida pra te ver! :)
Mande beijos pra patrôa, viu?
E outro enorme pra você!
Té breve! ;)
Rê"
Um ex-amor, dois amigos, homens que fazem parte da minha vida mesmo estando longe.
E, que agora, sabem um pouco mais dela.
* - Os nomes alheios foram trocados pelo XXX.
(Bem como as últimas antes dela)
O semestre está quase terminando e nas próximas semanas provavelmente não terei vida minha; ficarei só correndo de um lado a outro, de ilha de edição a ilha de edição, de estúdio em estúdio, de livro a livro...
O corpo pede arrêgo, a mente também.
Estou exausta.
Então, no meio desta terça-feira em que eu não queria estar fazendo nada, em que eu só queria dormir, tive que vir às pressas para casa porque havia esquecido uma conta e dei de cara com o carteiro me esperando, com um envelope em punho com o meu nome escrito numa letra linda.
Dentro do envelope, uma carta - impressa, o que deu um toque todo impessoal a coisa, ainda assim, uma bela carta; papéis e um disco. A carta que demorou tanto a vir e o disco que eu tanto queria ouvir. No encarte uma surpresa: meu nome também estava lá!
Chorei.
Chorei porque foi um momento lindo num dia, num mês escuro - e, Deus! como eu ando precisando de momentos lindos...!
Parei, então, pra te contar como eu fiquei feliz.
Que resolvi parar um pouco com o dia, as contas, os trabalhos e até meu coração partido, pra ouvir o que eu esperava há tanto tempo...
Pra ouvir um pouco a sua voz.
Hoje, com a certeza de que, pelo menos pra você, eu não passei batida.
Obrigada, amor.
Apesar, mesmo, de todo o jeito estarei sempre aqui, serei sempre sua companheira e sua amiga.
Pode contar.
Beijos enormes,
Com muitas saudades, sempre.
Rê."
" Oi XXXX **!
Hehehehehe
Ai, XXX, foi mal...
A coisa tá tão punk rock pra mim aqui que eu nem tive tempo de sentar e escrever uma resposta decente pra você...
Agora estamos no final do semestre, o pânico toma conta. Aliás, tomou conta o semestre inteiro e eu estou exausta ao cubo. Peguei rádio e tv pra fazer, então tenho dois programas de rádio e uma trauletada de coisas de tv pra fazer semanalmente, tipo ritmo frenético mesmo. Meu atual pesadelo é entrevistar o XXXX (um jornalista fodão aí) dia 20. Eu nem vi direito esse início de ano!
Ainda mais porque agora no início de julho vai ter a FLIP (festa literária de paraty), as Roxo vão em peso (Licas inclusa), tudo reservado e meio pago e eu preciso passar direto! hehehehehe
FLIP foi outra novela, mas depois eu te conto.
Quando você vier.
Liloca tá bem, cara. Agora que esfriou, gripada, pra variar. Nunca pensei que um nariz tão pequeno pudesse produzir tanta meleca!
Mas tá aquilo mesmo: figuraça, amorosa e hipergeniosa.
Altas historinhas.
Cada dia mais linda também! :)
Mamãe tá bem. Trabalhando pra cacete. Teve um estresse básico por causa de grana mês passado, mas nada que uma FLIP não cure. Continua cabeluda e pegando no meu pé quando eu bebo, definitivamente ajuda a pessoa a se sentir com 15 anos quando está é na porta dos 30. :P
Amores?
Bah!
Esse setor, meu amigo, é um que não muda na vida da sua amiga aqui. A sorte inexiste nele. Solteira desde XXXX, encalhadona último nível, sem fé na humanidade, padecendo de uma carência sinistra. Já apareceram aí duas outras pessoas, uma que não deu certo (me trocou por uma guria de 21 anos) e outro que eu ainda não sei bem que que eu faço com ele - longa história, longuíssima história mesmo. O fato é que até beijo na boca aqui tá raro, é que nem ano novo, tem até que soltar fogos quando acontece.
E eu nem tava me ligando nisso, não. Fiquei sem tempo de viver mesmo nos últimos meses. Literalmente. Agora é que aniversário chegando, Dia dos Namorados chegando, essa porra toda, que eu resolvi voltar a me incomodar. Mas esperanças de sucesso mesmo - só volto a ter quando vir acontecer.
E é isso.
Tô morta de saudades. Mesmo.
Doida pra te ver! :)
Mande beijos pra patrôa, viu?
E outro enorme pra você!
Té breve! ;)
Rê"
Um ex-amor, dois amigos, homens que fazem parte da minha vida mesmo estando longe.
E, que agora, sabem um pouco mais dela.
* - Os nomes alheios foram trocados pelo XXX.
segunda-feira, maio 21
Crise dos Trinta
Uma mulher dizer que está em crise é de uma redundância incrível; crises fazem parte do nosso DNA, são uma espécie de doença pré-existente e sempre presente.
Ainda assim, de vez em quando, aparece uma Crise Especial – daquelas que têm ser bem aproveitadas porque acontecem uma vez só na vida e olhe lá.
Daquelas que fazem com que você sinta que o dinheiro que gasta de análise está sendo bem utilizado uma vez na vida.
Daquelas que fazem com você possa alugar seus amigos por horas a fio numa mesa de bar sem a menor culpa.
Daquelas que fazem você dar uma pirada básica e poder usar uma desculpa socialmente aceitável – irreprimível.
No momento, eu curto uma crise dessas.
A famosa Crise dos 30.
Ela veio me assaltar a uns três meses atrás.
Depois do período das férias escolares, diversas viagens e romances rompidos, um dia percebi que faltavam cinco meses para o fatídico dia em que eu não poderia mais dizer que tinha vinte e algo; passaria aos trrri.
Pior do que isso! Me ocorreu que jamais havia sido assídua dos tão famosos e vendidos cremes faciais e corporais. Eu nem sei como se passa creme no rosto! Depilação pra mim é com gilete porque me falta saco e disposição de ficar mostrando minhas intimidades a pessoas que eu não conheço; manicura só faço na TPM, quando preciso me sentir bonita para ser um ser menos nocivo ao planeta Terra de um modo geral.
Pior que isso!!! Comecei a perceber como os anos de noitadas, boates, efeito iô-iô, gravidez e afins deixaram sua marca no meu “corpitcho”. Verdade seja dita, beldade eu nunca fui. Sempre fui a mais gorducha da turma e carreguei com uma certa dose de prazer – me baseando naquela máxima de que as marcas que eu corpo traz contam a minha história – uma coleção invejável de celulites e estrias.
Mas, aos cinco meses de virar de fato uma “balzaca”, pela primeira vez tive um pânico profundo quando entalei num par de calças.
Já me conformei e aprendi a duras penas que aquela vidinha “perfeita” que eu imaginava aos quinze anos não passava disso mesmo – imaginação. Que a vida dá voltas, nos surpreende, blábláblábláblá... Agora, não chegar aos trinta cabendo numa roupa decente foi demais pra mim!
De repente, me tornei uma mulher ordinária.
Igualzinha a todas as outras.
E quase uma obcecada por virar uma mulher mais gostosinha.
Fui ao médico, fechei a boca, mas o principal sintoma da seriedade da coisa foi quando eu resolvi me render, e, num rompante de desespero, me inscrevi na Curves.
Nunca fui fã de academias- devo ter me matriculado em pelo menos uma dúzia delas ao longo dos últimos dez anos. Sempre me pareceu ilógico gastar uma hora inteira do meu dia numa esteira e perceber que depois disso eu só havia queimado calorias o suficiente para deletar um chopp da minha longa folha corrida de débitos alimentares. Achava o fim ficar de bumbum para cima ou abrindo e fechando as pernas em público, com uma platéia de He-Mans e Barbies me olhando – eu sou uma senhora pudorada!
Quando a própria Curves foi lançada no Brasil, me lembro de passar na frente daquilo e ficar imaginando que deveria ser uma espécie de seita, uma coisa Vigilantes do Peso onde as pessoas gritam que o melhor Spa é o esparadrapo.
E, de certa forma, é mesmo.
E eu caí feito uma patinha.
Um mês e meio depois, já não me dá vontade de atirar nas professoras quando elas gritam entusiasticamente: “Vamos lá, Rê, acelera!”. Já penso que, se não tenho mesmo mais nada para fazer em algum momento do dia, melhor ir malhar. Comecei a carregar na mochila a muda de roupa da ginástica!
Este mês eles inventaram uma gincana. As alunas realizam tarefas e ganham prêmios por isso. Eu sou uma das mais aplicadas e competitivas.
Há cinco anos atrás, perder peso não era uma tarefa tão excruciante. Era rápido e fácil. Os cinco quilos que perdi nos últimos dois meses, teria perdido em uma semana; e meu ideal de chegar ao tão temido dia com pelos menos dez a menos, já teria sido alcançado a esta altura – mesmo com meus momentos de gorda safada onde me pego com um chocolate na boca enquanto penso no tempo que falta.
É ridículo.
É fútil.
É vergonhoso que uma mulher como eu, tão inteligente de uma forma geral, tenha como maior preocupação momentânea separar meia hora do seu dia a uma das atividades que passou a maior parte da vida abominando.
Apesar disso, trinta anos só se faz uma vez, e, se eu não consegui grana, homens e sucesso, pelo menos coxas mais durinhas e um manequim menor eu mereço.
Ah, se mereço!
Ainda assim, de vez em quando, aparece uma Crise Especial – daquelas que têm ser bem aproveitadas porque acontecem uma vez só na vida e olhe lá.
Daquelas que fazem com que você sinta que o dinheiro que gasta de análise está sendo bem utilizado uma vez na vida.
Daquelas que fazem com você possa alugar seus amigos por horas a fio numa mesa de bar sem a menor culpa.
Daquelas que fazem você dar uma pirada básica e poder usar uma desculpa socialmente aceitável – irreprimível.
No momento, eu curto uma crise dessas.
A famosa Crise dos 30.
Ela veio me assaltar a uns três meses atrás.
Depois do período das férias escolares, diversas viagens e romances rompidos, um dia percebi que faltavam cinco meses para o fatídico dia em que eu não poderia mais dizer que tinha vinte e algo; passaria aos trrri.
Pior do que isso! Me ocorreu que jamais havia sido assídua dos tão famosos e vendidos cremes faciais e corporais. Eu nem sei como se passa creme no rosto! Depilação pra mim é com gilete porque me falta saco e disposição de ficar mostrando minhas intimidades a pessoas que eu não conheço; manicura só faço na TPM, quando preciso me sentir bonita para ser um ser menos nocivo ao planeta Terra de um modo geral.
Pior que isso!!! Comecei a perceber como os anos de noitadas, boates, efeito iô-iô, gravidez e afins deixaram sua marca no meu “corpitcho”. Verdade seja dita, beldade eu nunca fui. Sempre fui a mais gorducha da turma e carreguei com uma certa dose de prazer – me baseando naquela máxima de que as marcas que eu corpo traz contam a minha história – uma coleção invejável de celulites e estrias.
Mas, aos cinco meses de virar de fato uma “balzaca”, pela primeira vez tive um pânico profundo quando entalei num par de calças.
Já me conformei e aprendi a duras penas que aquela vidinha “perfeita” que eu imaginava aos quinze anos não passava disso mesmo – imaginação. Que a vida dá voltas, nos surpreende, blábláblábláblá... Agora, não chegar aos trinta cabendo numa roupa decente foi demais pra mim!
De repente, me tornei uma mulher ordinária.
Igualzinha a todas as outras.
E quase uma obcecada por virar uma mulher mais gostosinha.
Fui ao médico, fechei a boca, mas o principal sintoma da seriedade da coisa foi quando eu resolvi me render, e, num rompante de desespero, me inscrevi na Curves.
Nunca fui fã de academias- devo ter me matriculado em pelo menos uma dúzia delas ao longo dos últimos dez anos. Sempre me pareceu ilógico gastar uma hora inteira do meu dia numa esteira e perceber que depois disso eu só havia queimado calorias o suficiente para deletar um chopp da minha longa folha corrida de débitos alimentares. Achava o fim ficar de bumbum para cima ou abrindo e fechando as pernas em público, com uma platéia de He-Mans e Barbies me olhando – eu sou uma senhora pudorada!
Quando a própria Curves foi lançada no Brasil, me lembro de passar na frente daquilo e ficar imaginando que deveria ser uma espécie de seita, uma coisa Vigilantes do Peso onde as pessoas gritam que o melhor Spa é o esparadrapo.
E, de certa forma, é mesmo.
E eu caí feito uma patinha.
Um mês e meio depois, já não me dá vontade de atirar nas professoras quando elas gritam entusiasticamente: “Vamos lá, Rê, acelera!”. Já penso que, se não tenho mesmo mais nada para fazer em algum momento do dia, melhor ir malhar. Comecei a carregar na mochila a muda de roupa da ginástica!
Este mês eles inventaram uma gincana. As alunas realizam tarefas e ganham prêmios por isso. Eu sou uma das mais aplicadas e competitivas.
Há cinco anos atrás, perder peso não era uma tarefa tão excruciante. Era rápido e fácil. Os cinco quilos que perdi nos últimos dois meses, teria perdido em uma semana; e meu ideal de chegar ao tão temido dia com pelos menos dez a menos, já teria sido alcançado a esta altura – mesmo com meus momentos de gorda safada onde me pego com um chocolate na boca enquanto penso no tempo que falta.
É ridículo.
É fútil.
É vergonhoso que uma mulher como eu, tão inteligente de uma forma geral, tenha como maior preocupação momentânea separar meia hora do seu dia a uma das atividades que passou a maior parte da vida abominando.
Apesar disso, trinta anos só se faz uma vez, e, se eu não consegui grana, homens e sucesso, pelo menos coxas mais durinhas e um manequim menor eu mereço.
Ah, se mereço!
quarta-feira, maio 16
Moreninha ordinária
É absolutamente ridículo que uma pessoa que vive de escrever (isso agora é fato, só não me deu dinheiro ainda); que esteja se virando do avesso para que chegue logo a festa literária do ano; que pretende pleitear uma vaga num curso de escrita disputado; é ridículo que essa pessoa não consiga manter um mísero blog.
Ridículo, mas real.
Ou é o cansaço, ou é a falta de tempo, ou a falta de inspiração, ou a sociopatia, ou simplesmente o fato de que não ando achando minha lá muito digna de nota no momento.
Apesar de todas as coisas fantásticas que eu faço todos os dias, na verdade não ando passando de uma moreninha ordinária...
Como tantas outras...
(Talvez nunca tenha passado.)
Mas me dá dó.
O blog foi uma das coisas mais constantes que mantive na minha vida nos últimos anos.
Uma espécie de vitória - conseguir manter algo durante tanto tempo.
Poder acompanhar meu desenvolvimento em várias áreas...
Talvez seja só mais um hiato.
Todo mundo tem hiatos.
Lapsos.
Ou coisa que o valha.
Até (inclusive) moreninhas ordinárias.
Ridículo, mas real.
Ou é o cansaço, ou é a falta de tempo, ou a falta de inspiração, ou a sociopatia, ou simplesmente o fato de que não ando achando minha lá muito digna de nota no momento.
Apesar de todas as coisas fantásticas que eu faço todos os dias, na verdade não ando passando de uma moreninha ordinária...
Como tantas outras...
(Talvez nunca tenha passado.)
Mas me dá dó.
O blog foi uma das coisas mais constantes que mantive na minha vida nos últimos anos.
Uma espécie de vitória - conseguir manter algo durante tanto tempo.
Poder acompanhar meu desenvolvimento em várias áreas...
Talvez seja só mais um hiato.
Todo mundo tem hiatos.
Lapsos.
Ou coisa que o valha.
Até (inclusive) moreninhas ordinárias.
domingo, abril 8
...
Ai, cara, mil coisas.
E pouco tempo.
Pouquíssimo.
Mas, uma coisa é certa: eu pedi.
Eu pensei tanto, mas tanto, que vieram lá, os três, me assombrar.
Cada um a seu modo.
Bem feito.
E pouco tempo.
Pouquíssimo.
Mas, uma coisa é certa: eu pedi.
Eu pensei tanto, mas tanto, que vieram lá, os três, me assombrar.
Cada um a seu modo.
Bem feito.
sábado, abril 7
Listas
Eu devia ter posto uma lista de shows que eu vi também... :/
No próximo que eu for, eu começo com ela, apesar de defasada.
Amanhã eu volto...
No próximo que eu for, eu começo com ela, apesar de defasada.
Amanhã eu volto...
sábado, março 31
segunda-feira, março 26
Dos Planos
Houve um tempo em que eu realmente baseava o que queria da vida - o que esperava e como eu achava que ela deveria ser - em alguém.
Foi assim com o primeiro amor.
Eu fiz planos, construí toda uma vida. Mesmo sabendo que ia acabar. Quando acabou, foi um choque e eu fiquei perdida e sem planos.
Foi assim quando engravidei e pensei em formar uma família.
De verdade e como mandava o figurino.
Deus foi sábio e hoje eu vejo que não era - nem nunca foi - uma boa idéia.
Eu gosto de fazer planos.
Ano passado cheguei a fazer planos de novo.
Imaginei toda uma vida nova, a rotina, como ia ser esperar que ele chegasse de onde tivesse ido, como ia ser a nossa casa.
Acho que ele nem sabe disso até hoje.
Mas entre um plano e outro, eu aprendi a viver sozinha.
Muito mais do que eu gostaria até.
Meus planos, hoje em dia, na maioria das vezes, são independentes de outras pessoas para existirem.
Porque, hoje, eu bem sei o que quero da minha vida; quais são minhas metas.
Sei o que eu não quero também.
Nulidade.
Subjeição.
Rejeição.
Certas pessoas...
E a dificuldade é justo achar alguém que case com esses planos.
Que eu possa arrastar junto.
Que me ajude a construir isso tudo que eu quero.
Nenhuma paixão teve mais planos.
E eu quero planos de novo.
Quero pensar, fazer e construir.
Junto.
Mas, se for sozinha, eu hoje sei que também vou conseguir.
Porque eu vou conseguir.
Até penso se não seria melhor deixar certas coisas para depois de conseguir.
Talvez fosse melhor...
Mas aí o quê que eu faço para me distrair nesse meio tempo?
Pra quem eu vou escrever?
Por quem eu vou chorar?
Por mais que eu tenha mesmo muito pouco tempo meu, uma distração sempre cai bem.
Hoje, eu só tenho a mim mesma de novo.
Mas amanhã (numa linguagem literária e não literal, por favor), eu sei que ainda vai haver alguém para me ajudar a erguer tijolinhos. Ou, pelo menos, ajudar a conservar...
...E fazer novos planos.
(Que estes são sempre necessários e são o que dão graça à vida, no fim das coisas...)
Foi assim com o primeiro amor.
Eu fiz planos, construí toda uma vida. Mesmo sabendo que ia acabar. Quando acabou, foi um choque e eu fiquei perdida e sem planos.
Foi assim quando engravidei e pensei em formar uma família.
De verdade e como mandava o figurino.
Deus foi sábio e hoje eu vejo que não era - nem nunca foi - uma boa idéia.
Eu gosto de fazer planos.
Ano passado cheguei a fazer planos de novo.
Imaginei toda uma vida nova, a rotina, como ia ser esperar que ele chegasse de onde tivesse ido, como ia ser a nossa casa.
Acho que ele nem sabe disso até hoje.
Mas entre um plano e outro, eu aprendi a viver sozinha.
Muito mais do que eu gostaria até.
Meus planos, hoje em dia, na maioria das vezes, são independentes de outras pessoas para existirem.
Porque, hoje, eu bem sei o que quero da minha vida; quais são minhas metas.
Sei o que eu não quero também.
Nulidade.
Subjeição.
Rejeição.
Certas pessoas...
E a dificuldade é justo achar alguém que case com esses planos.
Que eu possa arrastar junto.
Que me ajude a construir isso tudo que eu quero.
Nenhuma paixão teve mais planos.
E eu quero planos de novo.
Quero pensar, fazer e construir.
Junto.
Mas, se for sozinha, eu hoje sei que também vou conseguir.
Porque eu vou conseguir.
Até penso se não seria melhor deixar certas coisas para depois de conseguir.
Talvez fosse melhor...
Mas aí o quê que eu faço para me distrair nesse meio tempo?
Pra quem eu vou escrever?
Por quem eu vou chorar?
Por mais que eu tenha mesmo muito pouco tempo meu, uma distração sempre cai bem.
Hoje, eu só tenho a mim mesma de novo.
Mas amanhã (numa linguagem literária e não literal, por favor), eu sei que ainda vai haver alguém para me ajudar a erguer tijolinhos. Ou, pelo menos, ajudar a conservar...
...E fazer novos planos.
(Que estes são sempre necessários e são o que dão graça à vida, no fim das coisas...)
domingo, março 25
Okay
Sabe...
Na verdade, eu estou achando tudo um pouco fantástico.
Tudo bem que a parte de ser rejeitada e trocada não é lá muito legal, nem deixa ninguém muito feliz da vida. Mas também não é nenhuma novidade.
Além disso, dessa vez nem posso dizer que doeu tanto.
E é fantástico, do seu jeito, porque eu fiquei foi é me sentindo livre.
Zerada.
Eu estava pronta, mas presa de algum modo.
Agora não estou mais.
Pronta e zerada.
Agora sim vai ser um novo começo.
De uma forma meio estranha, isso tudo foi bom.
Me deu esperança.
Foi só uma coisa que eu já via que ia acontecer que aconteceu e me deixou okay dessa vez.
Okay...
No hard feelings.
Boa viagem, meu bem, e até qualquer dia!
Na verdade, eu estou achando tudo um pouco fantástico.
Tudo bem que a parte de ser rejeitada e trocada não é lá muito legal, nem deixa ninguém muito feliz da vida. Mas também não é nenhuma novidade.
Além disso, dessa vez nem posso dizer que doeu tanto.
E é fantástico, do seu jeito, porque eu fiquei foi é me sentindo livre.
Zerada.
Eu estava pronta, mas presa de algum modo.
Agora não estou mais.
Pronta e zerada.
Agora sim vai ser um novo começo.
De uma forma meio estranha, isso tudo foi bom.
Me deu esperança.
Foi só uma coisa que eu já via que ia acontecer que aconteceu e me deixou okay dessa vez.
Okay...
No hard feelings.
Boa viagem, meu bem, e até qualquer dia!
sexta-feira, março 23
...
Essa semana não está sendo uma boa semana.
Em nenhum, ne-nhum, aspecto.
Nenhum.
Além de tudo mais, você nem pensou, nem perguntou, nem perdeu seu precioso tempo para tentar saber - eu poderia até dizer lembar, já que eu já havia lhe dito - o quê anda acontecendo.
O Motivo Principal.
Tens culhões para se dizer abandonado, quando abandonada estou eu.
Por ti.
Por ela.
Por tanta gente.
E é tudo tanto, que a lembrança me dói.
Todos os dias.
Nos últimos dias.
De ti.
Que não me quer e diz que não rejeita.
Que canta tudo quye eu posso ser e não vê.
Que me impede.
Do galego, que me assombra, diz que ama, que me espera, mas não nada nunca no mundo e por quem eu teria mudado toda uma vida.
Do amor, da felicidade, da plenitude que sentia quando estava com quem dizia não poder me amar e que hoje ama tão plenamente a outra pessoa.
De quem mentiu, deliberadamente, para mim.
De quem ainda me desperta calafrios e não me deixa pegar certas linhas de ônibus.
De quem eu ainda tenho medo de esbarrar.
De quem eu ainda não estou curada.
Precisava de ti.
Que me conhece e compreende.
Dele não me promete, que é carnal.
Dele que me protegia e preenchia.
Dos três.
Que me amam.
Que queria que aqui estivessem para me acalmar sobre aquele que amanhã pode ser bom ou acabar com com minha razão de vida.
Para segurar minha mão enquanto tenho medo, muito medo.
Para me acalentar para que eu possa descansar.
Estar pronta.
Precisava de uma fusão dos três em um.
Precisava só de ti, que vinha me ocupando e me tendo.
Precisava tanto.
E, ainda assim, não te tenho.
Não tenho a ninguém.
Só a mim.
Que ando gostando tão pouco de mim...
...E precisava tanto de ti.
Tão perdido em umbiguismos.
Tão esquecido.
Tão desleixado.
Tão pouco cuidadoso com quem te cuida tanto.
Tanto te quer.
Devia eu, estar acostumada.
Devia eu, ser tão mais forte.
Devia eu, salvar minhas lágrimas.
Em nenhum, ne-nhum, aspecto.
Nenhum.
Além de tudo mais, você nem pensou, nem perguntou, nem perdeu seu precioso tempo para tentar saber - eu poderia até dizer lembar, já que eu já havia lhe dito - o quê anda acontecendo.
O Motivo Principal.
Tens culhões para se dizer abandonado, quando abandonada estou eu.
Por ti.
Por ela.
Por tanta gente.
E é tudo tanto, que a lembrança me dói.
Todos os dias.
Nos últimos dias.
De ti.
Que não me quer e diz que não rejeita.
Que canta tudo quye eu posso ser e não vê.
Que me impede.
Do galego, que me assombra, diz que ama, que me espera, mas não nada nunca no mundo e por quem eu teria mudado toda uma vida.
Do amor, da felicidade, da plenitude que sentia quando estava com quem dizia não poder me amar e que hoje ama tão plenamente a outra pessoa.
De quem mentiu, deliberadamente, para mim.
De quem ainda me desperta calafrios e não me deixa pegar certas linhas de ônibus.
De quem eu ainda tenho medo de esbarrar.
De quem eu ainda não estou curada.
Precisava de ti.
Que me conhece e compreende.
Dele não me promete, que é carnal.
Dele que me protegia e preenchia.
Dos três.
Que me amam.
Que queria que aqui estivessem para me acalmar sobre aquele que amanhã pode ser bom ou acabar com com minha razão de vida.
Para segurar minha mão enquanto tenho medo, muito medo.
Para me acalentar para que eu possa descansar.
Estar pronta.
Precisava de uma fusão dos três em um.
Precisava só de ti, que vinha me ocupando e me tendo.
Precisava tanto.
E, ainda assim, não te tenho.
Não tenho a ninguém.
Só a mim.
Que ando gostando tão pouco de mim...
...E precisava tanto de ti.
Tão perdido em umbiguismos.
Tão esquecido.
Tão desleixado.
Tão pouco cuidadoso com quem te cuida tanto.
Tanto te quer.
Devia eu, estar acostumada.
Devia eu, ser tão mais forte.
Devia eu, salvar minhas lágrimas.
quarta-feira, março 21
A Barbie
Pois então...
Pouco antes do Natal, minha filha descobriu a Barbie.
Barbie: aquela boneca loura, peituda e de pernas compridas que toda garota tem pelo menos uma há décadas, e que é tão ícone de qualquer coisa que recentemente até divorciada virou.
Obviamente, eu já esperava que o "Momento Barbie" fosse acontecer em alguma hora da infância, mas não contava que fosse já.
Foi uma coisa inacreditável o primeiro contato.
A Barbie em questão era uma bailarina da prima de 3 anos.
Eu, cá com meus botões, já havia ficado muito espantada de uma menina de 3 nos ter uma.
Olívia quando viu ficou no encanto dos encantos com a boneca!
Agarrada e possessiva durante toda nossa estadia com a prima.
Pouco depois, viajamos de novo e ela, mais uma vez, encontrou uma Barbie - dessa vez de uma garotinha de 7 anos.
Novamente foi aquele encanto.
E eu comecei, então a maturar a idéia de comprar uma para ela.
Hoje em dia, existem, sim, Barbies caríssimas, mas também existem Barbies mais "populares". Eu, na verdade, achava que uma genérica já quebrava o galho e cumpria sua função.
E assim foi...
Após algum tempo de pesquisa, veio uma Barbie genérica.
Devidamente munida de mudas de roupa tão genéricas quanto ela.
E que causou grande comoção!
A frase de ordem ultimamente aqui em casa é "vou mostrar pra Luísa" - "vou mostrar pra Luísa" serve para comidas, acessórios, brinquedos, programas; para tudo - e a nova boneca entrou nessa.
O grande problema da Barbie genérica é que ela é genérica e sua composição corporal, vamos dizer assim, é absolutamente insufciente para sobreviver a uma criança de dois anos de idade. Foram dois dias de "mamãe, caiu pernas*", "mamãe, caiu braços", "conserta, por favor" em intervalos constantes de 10 minutos.
Mamãe aqui anda um pouco atabalhoada, atrapalhada e não muito paciente, como bem se sabe.
Então, mamãe aqui saiu correndo e embicou na primeira Lojas Americanas que viu pela frente e, em desespero, comprou uma Barbie original e deu mais alguns reais para a Mattel bem mais cedo do que poderia supôr.
(Ainda teve o desprazer de sacar o quanto é uma mulher desvalorizada, já que a Barbie loura era 8 reais mais cara que a morena!)
Olívia amou sua nova boneca, como não poderia deixar de ser, mas, imediatamente me olhou e perguntou: "cadê minha outra Barbie?".
...E eu achando que ia conseguir dar a volta nela...
Agora ela anda grudada com as duas, para cima e para baixo.
*Ela descobriu o plural. Não que saiba usá-lo corretamente ainda, uma vez que ela machuca seu braços ou seu pés, mas a gente chega lá! ;)
Pouco antes do Natal, minha filha descobriu a Barbie.
Barbie: aquela boneca loura, peituda e de pernas compridas que toda garota tem pelo menos uma há décadas, e que é tão ícone de qualquer coisa que recentemente até divorciada virou.
Obviamente, eu já esperava que o "Momento Barbie" fosse acontecer em alguma hora da infância, mas não contava que fosse já.
Foi uma coisa inacreditável o primeiro contato.
A Barbie em questão era uma bailarina da prima de 3 anos.
Eu, cá com meus botões, já havia ficado muito espantada de uma menina de 3 nos ter uma.
Olívia quando viu ficou no encanto dos encantos com a boneca!
Agarrada e possessiva durante toda nossa estadia com a prima.
Pouco depois, viajamos de novo e ela, mais uma vez, encontrou uma Barbie - dessa vez de uma garotinha de 7 anos.
Novamente foi aquele encanto.
E eu comecei, então a maturar a idéia de comprar uma para ela.
Hoje em dia, existem, sim, Barbies caríssimas, mas também existem Barbies mais "populares". Eu, na verdade, achava que uma genérica já quebrava o galho e cumpria sua função.
E assim foi...
Após algum tempo de pesquisa, veio uma Barbie genérica.
Devidamente munida de mudas de roupa tão genéricas quanto ela.
E que causou grande comoção!
A frase de ordem ultimamente aqui em casa é "vou mostrar pra Luísa" - "vou mostrar pra Luísa" serve para comidas, acessórios, brinquedos, programas; para tudo - e a nova boneca entrou nessa.
O grande problema da Barbie genérica é que ela é genérica e sua composição corporal, vamos dizer assim, é absolutamente insufciente para sobreviver a uma criança de dois anos de idade. Foram dois dias de "mamãe, caiu pernas*", "mamãe, caiu braços", "conserta, por favor" em intervalos constantes de 10 minutos.
Mamãe aqui anda um pouco atabalhoada, atrapalhada e não muito paciente, como bem se sabe.
Então, mamãe aqui saiu correndo e embicou na primeira Lojas Americanas que viu pela frente e, em desespero, comprou uma Barbie original e deu mais alguns reais para a Mattel bem mais cedo do que poderia supôr.
(Ainda teve o desprazer de sacar o quanto é uma mulher desvalorizada, já que a Barbie loura era 8 reais mais cara que a morena!)
Olívia amou sua nova boneca, como não poderia deixar de ser, mas, imediatamente me olhou e perguntou: "cadê minha outra Barbie?".
...E eu achando que ia conseguir dar a volta nela...
Agora ela anda grudada com as duas, para cima e para baixo.
*Ela descobriu o plural. Não que saiba usá-lo corretamente ainda, uma vez que ela machuca seu braços ou seu pés, mas a gente chega lá! ;)
Ex's
E o que faz uma pessoa guardar tudo?
No caso, e-mails antigos de ex-namorados.
Eu também guardo cartas, fotos e afins, mas muito, muito bem guardados.
Guardados apenas por desencargo de consciência, porque essas pessoas fizeram parte da minha vida em algum momento passado e isso seria apagar a minha história de vida.
Mas, porque a gente precisa guardar os e-mails, assim, tão à vista?
Porque que quando a gente procura uma coisa boba acaba dando o mole de achar coisas que podem balançar tanto com a gente?
Pelo simples fato do que poderia ter sido e de como acabou.
Pelo momento particular de vida que eu estou vivendo.
Porque só olhar o nome ali já é confuso.
Porque?
Em alguns casos bastante específicos, ultimamente, eu bem que tenho me pego pensando - e verbalizando, e agora, escrevendo - o quanto seria bom, fácil, se ex-namorados tivessem um pó de pirlimpimpim qualquer que os fizesse simplesmente sumir - puf! - desaparecer, sem mais poder ter o poder de atrapalhar você, que segue com a sua vida sem eles.
Não por mágoas - tenho muito poucas não resolvidas com eles.
Não por ainda existir sentimentos de amor - no máximo um tremer de pernas.
Seria simplesmente fantástico se os e-mails se evaporassem até a gente ter uns 90 anos e precisar deles para lembrar de alguma coisa, se eles não mais conhecessem as mesmas pessoas que você, se eles não pudessem aparecer sem aviso quando você está andando descabelada e desmazelada pelas ruas num dia comum, se eles fossem banidos para o Cazaquistão até que você esteja tão curada deles que já não importa nada se eles estão lá ou aqui.
Porque, em casos bem específicos, nada disso, por mais maldoso que seja e por mais karma que possa me acrescer, não me parece mal por esses dias...
No caso, e-mails antigos de ex-namorados.
Eu também guardo cartas, fotos e afins, mas muito, muito bem guardados.
Guardados apenas por desencargo de consciência, porque essas pessoas fizeram parte da minha vida em algum momento passado e isso seria apagar a minha história de vida.
Mas, porque a gente precisa guardar os e-mails, assim, tão à vista?
Porque que quando a gente procura uma coisa boba acaba dando o mole de achar coisas que podem balançar tanto com a gente?
Pelo simples fato do que poderia ter sido e de como acabou.
Pelo momento particular de vida que eu estou vivendo.
Porque só olhar o nome ali já é confuso.
Porque?
Em alguns casos bastante específicos, ultimamente, eu bem que tenho me pego pensando - e verbalizando, e agora, escrevendo - o quanto seria bom, fácil, se ex-namorados tivessem um pó de pirlimpimpim qualquer que os fizesse simplesmente sumir - puf! - desaparecer, sem mais poder ter o poder de atrapalhar você, que segue com a sua vida sem eles.
Não por mágoas - tenho muito poucas não resolvidas com eles.
Não por ainda existir sentimentos de amor - no máximo um tremer de pernas.
Seria simplesmente fantástico se os e-mails se evaporassem até a gente ter uns 90 anos e precisar deles para lembrar de alguma coisa, se eles não mais conhecessem as mesmas pessoas que você, se eles não pudessem aparecer sem aviso quando você está andando descabelada e desmazelada pelas ruas num dia comum, se eles fossem banidos para o Cazaquistão até que você esteja tão curada deles que já não importa nada se eles estão lá ou aqui.
Porque, em casos bem específicos, nada disso, por mais maldoso que seja e por mais karma que possa me acrescer, não me parece mal por esses dias...
A minha casa
E nisso, existem sempre problemas que existem, mas que eu não posso resolver de forma prática.
De vez em quando eles me assaltam.
E, hoje, eu me peguei, de novo, pensando na minha casa.
Naquela casa que eu planejo ter há mais de um ano.
Ao invés de ser assaltada pela melancolia da coisa - a melancolia pelo tempo em que eu vou levar para ter ainda essa casa - hoje eu pensei na casa em termos diferentes.
Pensei em tudo que eu ainda tenho que passar para tê-la de fato.
Pensei no prazer que eu vou ter de ter passado por tudo para poder chegar a ela.
Me imaginei, me vi, olhando e falando: caramba, eu consegui.
"Eu tanto quis e tanto fiz que eu consegui. Minha casa. A casa que eu sonho desde...".
E isso me deu um alento...!
Me deu, já, uma sensação boa de conquista.
Me fez acreditar que eu vou conseguir de verdade.
Me deixou na boca o gosto que eu vou ter em tê-la.
Porque a gente vive uma vida complicada, numa cidade complicada.
A vida é difícil. Ponto.
A cidade está em guerra civil.
Ou você se rende, ou convive com ela - e tem medo de um jeito ou de outro.
Eu leio, vejo, escuto casos.
Vivo casos.
Semana passada, uns amigos vieram me deixar em casa.
Assim que o carro encostou, uma patrulinha vinha subindo a rua. Eu desci com um dos meninos e a patrulinha encostou, perguntou aos rapazes o que eles estavam fazendo aqui; não sei se a resposta não foi clara ou o quê, mas um dos PMs resolveu então saltar do carro de arma na mão e vir abordar o carro em pessoa. Eu dizia que eles só estavam me deixando em casa. Devo ter repetido umas duas vezes antes de começar a atravessar a rua de volta e da miha mãe ter, então, aparecido abrindo a janela com um certo barulho. Lá pela quarta vez que eu repetia que eles só estavam me deixando em casa, já com o outro PM do lado de fora do carro, também de arma na mão, pelo mesmo motivo oculto que o cara saiu do carro, ele resolveu voltar. Eles ainda ficaram parados um tempo na rua, e eu, tensa, me despedi com pressa.
Nesse dia, além de todos os meus direitos que já são diariamente violados, me roubaram o direito a um beijo de boa noite.
Eu, como boa carioca que sou, engoli mais essa violação e nada fiz ou falei.
Compreendo o medo deles, veja bem, mas acho absurdo que já abordem amigos meus de arma em punho por causa de uma carona, no meu caso após uma noite de trabalho.
Então, minha mãe vem pedir cuidado agora sempre que eu saio por causa do caso "x" ou do caso "y". Eu não vou deixar de sair. Saio, às vezes, com medo - sempre com cautela - mas não posso deixar de sair.
Também não pretendo envelhecer com esse medo, nem dessa forma.
E ainda há quem ache que eu que estou errada de não querer mais morar aqui.
Que eu que estou errada de querer beijos de boa noite, noites de liberdade, casas ao invés de apartamentos brutalmente protegidos e vigiados, laranjeiras no meu jardim - um jardim.
De vez em quando eles me assaltam.
E, hoje, eu me peguei, de novo, pensando na minha casa.
Naquela casa que eu planejo ter há mais de um ano.
Ao invés de ser assaltada pela melancolia da coisa - a melancolia pelo tempo em que eu vou levar para ter ainda essa casa - hoje eu pensei na casa em termos diferentes.
Pensei em tudo que eu ainda tenho que passar para tê-la de fato.
Pensei no prazer que eu vou ter de ter passado por tudo para poder chegar a ela.
Me imaginei, me vi, olhando e falando: caramba, eu consegui.
"Eu tanto quis e tanto fiz que eu consegui. Minha casa. A casa que eu sonho desde...".
E isso me deu um alento...!
Me deu, já, uma sensação boa de conquista.
Me fez acreditar que eu vou conseguir de verdade.
Me deixou na boca o gosto que eu vou ter em tê-la.
Porque a gente vive uma vida complicada, numa cidade complicada.
A vida é difícil. Ponto.
A cidade está em guerra civil.
Ou você se rende, ou convive com ela - e tem medo de um jeito ou de outro.
Eu leio, vejo, escuto casos.
Vivo casos.
Semana passada, uns amigos vieram me deixar em casa.
Assim que o carro encostou, uma patrulinha vinha subindo a rua. Eu desci com um dos meninos e a patrulinha encostou, perguntou aos rapazes o que eles estavam fazendo aqui; não sei se a resposta não foi clara ou o quê, mas um dos PMs resolveu então saltar do carro de arma na mão e vir abordar o carro em pessoa. Eu dizia que eles só estavam me deixando em casa. Devo ter repetido umas duas vezes antes de começar a atravessar a rua de volta e da miha mãe ter, então, aparecido abrindo a janela com um certo barulho. Lá pela quarta vez que eu repetia que eles só estavam me deixando em casa, já com o outro PM do lado de fora do carro, também de arma na mão, pelo mesmo motivo oculto que o cara saiu do carro, ele resolveu voltar. Eles ainda ficaram parados um tempo na rua, e eu, tensa, me despedi com pressa.
Nesse dia, além de todos os meus direitos que já são diariamente violados, me roubaram o direito a um beijo de boa noite.
Eu, como boa carioca que sou, engoli mais essa violação e nada fiz ou falei.
Compreendo o medo deles, veja bem, mas acho absurdo que já abordem amigos meus de arma em punho por causa de uma carona, no meu caso após uma noite de trabalho.
Então, minha mãe vem pedir cuidado agora sempre que eu saio por causa do caso "x" ou do caso "y". Eu não vou deixar de sair. Saio, às vezes, com medo - sempre com cautela - mas não posso deixar de sair.
Também não pretendo envelhecer com esse medo, nem dessa forma.
E ainda há quem ache que eu que estou errada de não querer mais morar aqui.
Que eu que estou errada de querer beijos de boa noite, noites de liberdade, casas ao invés de apartamentos brutalmente protegidos e vigiados, laranjeiras no meu jardim - um jardim.
terça-feira, março 20
Óbvio
Eu ando ficando tão boa em auto diagnóstico que eu deveria também começar a ponderar porque cargas d'água eu continuo pagando minha terapeuta...
É simples.
O ano - o meu ano - finalmente começou.
Metida que eu sou, peguei matérias bastante trabalhosas e um bocado avançadas na faculdade. Nada que muito trabalho não vença, mas ainda assim, trabalho.
Muito.
Eu gosto de bastidores.
Amo fazer as coisas, trabalhar por elas, mas não gosto de aparecer.
De repente me escalaram para aparecer.
Okay, ser locutora de rádio não é exatamente exposição de figura.
Okay, fato já percebido anteriormente, os locutores com as vozes mais fantásticas não são lá as maiores beldades.
Eu muito me espantei, visto que já ouvi minha voz gravada e não gostei.
Não gosto da minha voz.
Mas também não tenho nenhum poder decisivo real nessa questão.
Ouço e obedeço.
Na outra aula, "ganhei" um professor tão bom (ególatra, mas bom) que sinto uma necessidade incrível de mostrar àquele sujeito o quão boa e inteligente eu posso ser.
Transferência.
Dispendiosa e trabalhosa.
Mas, que faz de mim alguém necessariamente melhor do ponto de vista intelectual (sem kant, hein!).
As pendências judicias continuam e são um saco.
O tipo de coisa que me faz pensar como seria bom voltar a ser criança.
E, na maioria do tempo, isso é uma tremenda inverdade.
Ser adulta tem lá as suas vantagens.
Pela primeira vez desde que a Licas nasceu, comecei a correr atrás, aceitar e fazer alguns pequenos trabalhos. De verdade.
Nada genial, nem que nos sustente com louvor - ou sem louvor - mas ainda assim, trabalhos.
Fisicamente, ando bastante insatisfeita comigo mesma.
O cabelo não está curto, não está grande, não está com a cor certa.
O rosto, volta e meia tem espinhas - ainda que minúsculas.
A ocupação espacial só faz aumentar.
Tem dois meses que eu espero uma consulta com um cara que deve ser o Rei da Cocada Preta das dietas, que está marcada para semana que vem.
Isso me deixa tensa.
Nesse meio tempo, apelei para um chá, que era ótimo, mas que eu não tenho mais tempo de tomar porque passo o dia na rua agora e o tal chá maravilha é laxante.
Fui me inscrever na Curves e a filial perto da minha faculdade ainda não foi inaugurada.
Tinha acupuntura marcada e o médico não foi.
É um complô.
Eu fiz todo um plano, pela primeira vez na minha vida, de que tenho que estar alguma coisa mais magra no dia do meu aniversário.
Daqui a quatro meses.
Quando os 30 anos chegarem e me arrebatarem.
Daqui a quatro meses, eu preciso de um par de calças que me caiba decentemente.
Meus dias começam de manhã bem cedo agora e terminam bem tarde.
Em muitos dias, o máximo que eu consigo dormir é 4 horas por noite.
Tudo bem adulto.
Tudo para que eu consiga ler tudo que preciso, ver tudo que preciso, preparar tudo que preciso, trabalhar no que me comprometi, cuidar da minha filha sem ser relapsa.
E aí, eu me pego pensando em rapazes.
Rapazes genéricos.
Rapazes.
Que eu bem quero e bem preciso.
Preciso porque acho que mereço ser premiada, recompensada pelos meus esforços, por assim dizer.
É o básico do meu modus operandi quando as coisas ficam demais.
Mesmo me sentindo num dos meus piores momentos comigo mesma, não é que as oportunidades têm aparecido? Elogios e oportunidades.
Nada muito digno de nota, se não fosse isso: eu não ando gostando de mim, mas outras pessoas andam.
Entelinhas e diagnósticos?
250 só nesse texto confuso.
É tudo muito óbvio, na verdade.
Quase como que noticiar que as crianças do Iraque têm pesadelos com a guerra.
(Isso foi notícia no jornal hoje. Faz parte de novo do meu dia ler jornal todos os dias e ter que me deparar com uma coisa dessas...)
É simples.
O ano - o meu ano - finalmente começou.
Metida que eu sou, peguei matérias bastante trabalhosas e um bocado avançadas na faculdade. Nada que muito trabalho não vença, mas ainda assim, trabalho.
Muito.
Eu gosto de bastidores.
Amo fazer as coisas, trabalhar por elas, mas não gosto de aparecer.
De repente me escalaram para aparecer.
Okay, ser locutora de rádio não é exatamente exposição de figura.
Okay, fato já percebido anteriormente, os locutores com as vozes mais fantásticas não são lá as maiores beldades.
Eu muito me espantei, visto que já ouvi minha voz gravada e não gostei.
Não gosto da minha voz.
Mas também não tenho nenhum poder decisivo real nessa questão.
Ouço e obedeço.
Na outra aula, "ganhei" um professor tão bom (ególatra, mas bom) que sinto uma necessidade incrível de mostrar àquele sujeito o quão boa e inteligente eu posso ser.
Transferência.
Dispendiosa e trabalhosa.
Mas, que faz de mim alguém necessariamente melhor do ponto de vista intelectual (sem kant, hein!).
As pendências judicias continuam e são um saco.
O tipo de coisa que me faz pensar como seria bom voltar a ser criança.
E, na maioria do tempo, isso é uma tremenda inverdade.
Ser adulta tem lá as suas vantagens.
Pela primeira vez desde que a Licas nasceu, comecei a correr atrás, aceitar e fazer alguns pequenos trabalhos. De verdade.
Nada genial, nem que nos sustente com louvor - ou sem louvor - mas ainda assim, trabalhos.
Fisicamente, ando bastante insatisfeita comigo mesma.
O cabelo não está curto, não está grande, não está com a cor certa.
O rosto, volta e meia tem espinhas - ainda que minúsculas.
A ocupação espacial só faz aumentar.
Tem dois meses que eu espero uma consulta com um cara que deve ser o Rei da Cocada Preta das dietas, que está marcada para semana que vem.
Isso me deixa tensa.
Nesse meio tempo, apelei para um chá, que era ótimo, mas que eu não tenho mais tempo de tomar porque passo o dia na rua agora e o tal chá maravilha é laxante.
Fui me inscrever na Curves e a filial perto da minha faculdade ainda não foi inaugurada.
Tinha acupuntura marcada e o médico não foi.
É um complô.
Eu fiz todo um plano, pela primeira vez na minha vida, de que tenho que estar alguma coisa mais magra no dia do meu aniversário.
Daqui a quatro meses.
Quando os 30 anos chegarem e me arrebatarem.
Daqui a quatro meses, eu preciso de um par de calças que me caiba decentemente.
Meus dias começam de manhã bem cedo agora e terminam bem tarde.
Em muitos dias, o máximo que eu consigo dormir é 4 horas por noite.
Tudo bem adulto.
Tudo para que eu consiga ler tudo que preciso, ver tudo que preciso, preparar tudo que preciso, trabalhar no que me comprometi, cuidar da minha filha sem ser relapsa.
E aí, eu me pego pensando em rapazes.
Rapazes genéricos.
Rapazes.
Que eu bem quero e bem preciso.
Preciso porque acho que mereço ser premiada, recompensada pelos meus esforços, por assim dizer.
É o básico do meu modus operandi quando as coisas ficam demais.
Mesmo me sentindo num dos meus piores momentos comigo mesma, não é que as oportunidades têm aparecido? Elogios e oportunidades.
Nada muito digno de nota, se não fosse isso: eu não ando gostando de mim, mas outras pessoas andam.
Entelinhas e diagnósticos?
250 só nesse texto confuso.
É tudo muito óbvio, na verdade.
Quase como que noticiar que as crianças do Iraque têm pesadelos com a guerra.
(Isso foi notícia no jornal hoje. Faz parte de novo do meu dia ler jornal todos os dias e ter que me deparar com uma coisa dessas...)
terça-feira, março 13
Eu & Meu Horóscopo
"A dinamização da libido
13/03 (hoje) às 23h13 a 28/03 às 8h24 Marte em trigono com Vênus natal
Entre os dias 13/03 (hoje) às 23h13 e 28/03 às 8h24, o planeta Marte estará formando um ângulo harmonioso em relação ao planeta Vênus do seu mapa astral, Renata. Este tende a ser um período particularmente positivo para o sexo, o prazer, uma fase em que você provavelmente sentirá que está irradiando um magnetismo pessoal maior, e de fato estará... Convém aproveitar o momento, circular mais, fazer-se ver, exibir-se um pouquinho não faz mal ninguém, afinal de contas.
O magnetismo pessoal irradiado neste momento vai bem além da mera esfera sexual, entrando em todas as suas áreas sociais, do trabalho às amizades. As pessoas estarão percebendo em você um "tesão maior" para fazer as coisas, uma percepção de que você estará tendo mais prazer em viver a vida. E você, é claro, poderá contaminar positivamente os outros com esta qualidade, neste momento. "
Dramático...
13/03 (hoje) às 23h13 a 28/03 às 8h24 Marte em trigono com Vênus natal
Entre os dias 13/03 (hoje) às 23h13 e 28/03 às 8h24, o planeta Marte estará formando um ângulo harmonioso em relação ao planeta Vênus do seu mapa astral, Renata. Este tende a ser um período particularmente positivo para o sexo, o prazer, uma fase em que você provavelmente sentirá que está irradiando um magnetismo pessoal maior, e de fato estará... Convém aproveitar o momento, circular mais, fazer-se ver, exibir-se um pouquinho não faz mal ninguém, afinal de contas.
O magnetismo pessoal irradiado neste momento vai bem além da mera esfera sexual, entrando em todas as suas áreas sociais, do trabalho às amizades. As pessoas estarão percebendo em você um "tesão maior" para fazer as coisas, uma percepção de que você estará tendo mais prazer em viver a vida. E você, é claro, poderá contaminar positivamente os outros com esta qualidade, neste momento. "
Dramático...
domingo, março 11
Ready again
Foi um longo fim de férias.
Cansativo em todas as suas cores e possibilidades.
Em muitos momentos, angustiante.
(Já pararam para pensar na angústia? No quê ela é? Como ela vem e vai, vem e vai...?)
O período fora, é período fora.
Cada vez mais, o que passou, passou.
Cada vez mais, eu não gosto de lembrar de coisas passadas.
Ver fotos antigas.
Lembrar conversas e acontecimentos.
Certas lembranças são dolorosas e dor é um sentimento desnecessário.
Aquilo que foi feito no segundo passado jamais poderá ser desfeito; com sorte, melhorado (ou piorado), talvez até remendado. Desfeito, nunca.
Eu e minhas "coisas" doidas.
De alguma maneira, o conceito de não carregar sentimentos negativos se enraizou no meu ser de tal forma, que virou isso aí.
Não gosto mais de lembranças.
Descobri semana passada, também, que estou virando uma velha ridícula.
Depois de tanto assistir - sorver - filmes de terror japonês ao longo do ano passado, de repente me vi na seguinte situação: estava eu no paraíso; em casa, sem mãe nem criança, sem compromisso e resolvi que ia tomar um longo banho de banheira. A banheira começou a encher, eu entrei e fui assaltada por um pânico absolutamente surreal, uma certeza quase absoluta de que alguma coisa ia aparecer lá dentro do meu banho ou que alguém ia me agarrar por trás - as cenas clássicas. De nada adiantou me xingar mentalmente e tentar me convencer de que nada disso ia acontecer, tive que sair da banheira.
O que faz de mim uma velha ridícula.
Extremamente ridícula de resolver ter medo de tomar banho sozinha a essa altura do campeonato.
De qualquer forma, nem foi sobre isso que eu vim escrever.
Não foi o que me fez voltar.
Foi a angústia de novo.
Já fazem uns dias que eu prestei atenção em algumas coisas.
Ando pensando em algumas coisas.
Coisas do meu já tão maltratado coração.
O fim do último "relacionamento" foi o mais doloroso que eu tive nos últimos dois anos. No início, eu nem me dei muito conta disso, já andava adepta de ser inimiga do passado, então resolvi tentar de novo. Mas me relacionar, fazer aquela dança do acasalamento que eu tanto detesto e levo tão pouco jeito e tenho tão pouca paciência, beijar outra boca, estar com outro corpo não me caiu bem. Não parecia certo. Não era o que eu queria. Ainda mais quando o meu peito pedia por uma pessoa que eu já não podia ter.
Então eu me fechei.
Resolvi respeitar meu próprio luto e meu próprio tempo.
Durante esse tempo, apenas uma outra pessoa pôde se aproximar um pouco mais de mim. E isso estava ok. Está ok.
Mas tem uns dias já que eu percebi que o luto acabou.
Que, por mais que a lembranças me venha de vez em quando, que o medo permaneça e tenha tomado novos contornos; por mais que eu ainda não tenha as condições que eu mesma ache "apropriadas" para me envolver com alguém de novo; estou sentindo uma falta tremenda de estar apaixonada. Estou precisando me apaixonar de novo.
Poderia ser pela "pessoa". Facilmente. Mas a "pessoa" tem coisas com a paixão, não é o que ele quer e eu não vou ser doida de deixar que isso aconteça.
Sim, o princípio básico é predisposição para se apaixonar.
E, sim, a gente não manda no coração um sem número de vezes - eu sei.
Mas a gente pode manobrar as coisas e ter um acordo prévio de um relacionamento sem chances já é meio caminho andado para isso.
Mesmo que a pessoa seja realmente fantástica (e não veja) e você ache... Enfim, não vem ao caso.
Então eu preciso de uma pessoa nova.
Preciso de telefonemas de boa noite. De corações acelerados. De encontros fortuitos. De risadas cúmplices. De programas em casal. De beijos. De cheiros. De gostos. De histórias. De tudo.
Preciso e quero.
Anuncio com orgulho.
Me angustio é por pensar nisso.
Pensar aonde essa pessoa pode estar.
Quanto tempo ela ainda vai demorar.
Se eu vou ver ela chegar.
Se não vou deixar passar.
O amor é uma coisa muito complicada.
Né?
Hoje é um sábado à noite.
Inevitável que venha à cabeça que o Mundo está lá fora e eu estou aqui.
Inevitável que me ocorra aquela canção do Michael que diz: "I sit around, with my head hanging down, and I wonder who's loving you..."
Inevitável que esteja me sentindo solitária.
Fazia tempo que não me sentia solitária.
Tão solitária.
Eu ando, eu estudo, eu lavo, passo, cozinho, crio filha, pago conta, resolvo perrengue, eventualmente trabalho fora, leio, vejo filmes, saio, volto, viajo... Minha vida é até bastante boa, atribulada e satisfatória.
Mas são nos sábados à noite, sentada sozinha numa sala quente feito o inferno e cheia de insônia que pensamentos como estes ficam mais fortes, quase tangíveis.
O que me faz falta hoje, me faz falta já há bastante tempo, mas, às vezes, é só como aquele sapato que você não pode comprar.
Hoje, meu sapato virou item de necessidade básica.
Ainda que seja uma vitória para mim reconhecer essa mudança de status.
Cansativo em todas as suas cores e possibilidades.
Em muitos momentos, angustiante.
(Já pararam para pensar na angústia? No quê ela é? Como ela vem e vai, vem e vai...?)
O período fora, é período fora.
Cada vez mais, o que passou, passou.
Cada vez mais, eu não gosto de lembrar de coisas passadas.
Ver fotos antigas.
Lembrar conversas e acontecimentos.
Certas lembranças são dolorosas e dor é um sentimento desnecessário.
Aquilo que foi feito no segundo passado jamais poderá ser desfeito; com sorte, melhorado (ou piorado), talvez até remendado. Desfeito, nunca.
Eu e minhas "coisas" doidas.
De alguma maneira, o conceito de não carregar sentimentos negativos se enraizou no meu ser de tal forma, que virou isso aí.
Não gosto mais de lembranças.
Descobri semana passada, também, que estou virando uma velha ridícula.
Depois de tanto assistir - sorver - filmes de terror japonês ao longo do ano passado, de repente me vi na seguinte situação: estava eu no paraíso; em casa, sem mãe nem criança, sem compromisso e resolvi que ia tomar um longo banho de banheira. A banheira começou a encher, eu entrei e fui assaltada por um pânico absolutamente surreal, uma certeza quase absoluta de que alguma coisa ia aparecer lá dentro do meu banho ou que alguém ia me agarrar por trás - as cenas clássicas. De nada adiantou me xingar mentalmente e tentar me convencer de que nada disso ia acontecer, tive que sair da banheira.
O que faz de mim uma velha ridícula.
Extremamente ridícula de resolver ter medo de tomar banho sozinha a essa altura do campeonato.
De qualquer forma, nem foi sobre isso que eu vim escrever.
Não foi o que me fez voltar.
Foi a angústia de novo.
Já fazem uns dias que eu prestei atenção em algumas coisas.
Ando pensando em algumas coisas.
Coisas do meu já tão maltratado coração.
O fim do último "relacionamento" foi o mais doloroso que eu tive nos últimos dois anos. No início, eu nem me dei muito conta disso, já andava adepta de ser inimiga do passado, então resolvi tentar de novo. Mas me relacionar, fazer aquela dança do acasalamento que eu tanto detesto e levo tão pouco jeito e tenho tão pouca paciência, beijar outra boca, estar com outro corpo não me caiu bem. Não parecia certo. Não era o que eu queria. Ainda mais quando o meu peito pedia por uma pessoa que eu já não podia ter.
Então eu me fechei.
Resolvi respeitar meu próprio luto e meu próprio tempo.
Durante esse tempo, apenas uma outra pessoa pôde se aproximar um pouco mais de mim. E isso estava ok. Está ok.
Mas tem uns dias já que eu percebi que o luto acabou.
Que, por mais que a lembranças me venha de vez em quando, que o medo permaneça e tenha tomado novos contornos; por mais que eu ainda não tenha as condições que eu mesma ache "apropriadas" para me envolver com alguém de novo; estou sentindo uma falta tremenda de estar apaixonada. Estou precisando me apaixonar de novo.
Poderia ser pela "pessoa". Facilmente. Mas a "pessoa" tem coisas com a paixão, não é o que ele quer e eu não vou ser doida de deixar que isso aconteça.
Sim, o princípio básico é predisposição para se apaixonar.
E, sim, a gente não manda no coração um sem número de vezes - eu sei.
Mas a gente pode manobrar as coisas e ter um acordo prévio de um relacionamento sem chances já é meio caminho andado para isso.
Mesmo que a pessoa seja realmente fantástica (e não veja) e você ache... Enfim, não vem ao caso.
Então eu preciso de uma pessoa nova.
Preciso de telefonemas de boa noite. De corações acelerados. De encontros fortuitos. De risadas cúmplices. De programas em casal. De beijos. De cheiros. De gostos. De histórias. De tudo.
Preciso e quero.
Anuncio com orgulho.
Me angustio é por pensar nisso.
Pensar aonde essa pessoa pode estar.
Quanto tempo ela ainda vai demorar.
Se eu vou ver ela chegar.
Se não vou deixar passar.
O amor é uma coisa muito complicada.
Né?
Hoje é um sábado à noite.
Inevitável que venha à cabeça que o Mundo está lá fora e eu estou aqui.
Inevitável que me ocorra aquela canção do Michael que diz: "I sit around, with my head hanging down, and I wonder who's loving you..."
Inevitável que esteja me sentindo solitária.
Fazia tempo que não me sentia solitária.
Tão solitária.
Eu ando, eu estudo, eu lavo, passo, cozinho, crio filha, pago conta, resolvo perrengue, eventualmente trabalho fora, leio, vejo filmes, saio, volto, viajo... Minha vida é até bastante boa, atribulada e satisfatória.
Mas são nos sábados à noite, sentada sozinha numa sala quente feito o inferno e cheia de insônia que pensamentos como estes ficam mais fortes, quase tangíveis.
O que me faz falta hoje, me faz falta já há bastante tempo, mas, às vezes, é só como aquele sapato que você não pode comprar.
Hoje, meu sapato virou item de necessidade básica.
Ainda que seja uma vitória para mim reconhecer essa mudança de status.
quarta-feira, fevereiro 14
Luz e contraste
Toda vez que eu vou à praia agora eu me espanto com algo, lá do lato do meu posto de observadora do Mundo.
Sábado, de repente, apareceu um transatlântico, daqueles que a gente ouve falar, mas pouco vê por aí. Daqueles que até deveriam ser bastante divertidos não fosse o fato de estarem dentro d'água. Ele apareceu lá no canto do Leme, soltando um daqueles apitos de navio que a gente vê em filme. Enorme. Um monstrengo branco no meio de um monte de barquinhos de passeio que se não fosse ele ter aparecido lá longe a gente sequer notaria tão imersos na paisagem que estão.
No que eu vi o barcão, notei também, na beira da praia, em contraste extremo com todo aquele povo caído, queimado e de biquini, um senhor.
Um senhor daqueles de filme de nordestino, sabe?
Bem pobrinho, com uma sacola de viagem bem surrada num ombro, boné na cabeça, um bebê no outro ombro e uma menininha segurando a mão da sacola. Uma família atípica num lugar atípico. Olhando, assim como eu, e com a maior atenção, aquele monstro branco que passava lá no fundo fazendo grande alarde.
A maioria das pessoas não prestou a atenção que nós prestamos nele.
A maioria das pessoas não prestou atenção neles.
Eu achei de um contraste tão absurdo; aquela família, que muito provavelmente nunca vai andar naquilo observando tão atentamente aquele símbolo de luxo e riqueza tão distantes. Fiquei a imaginar se dali não teria nascido naquele momento uma daquelas histórias em que a menininha então vai sair, batalhar, fundar uma empresa ou cantar ou rebolar ou fazer algo que lhe dê toneladas de dinheiro só para poder levar seu velho pai para andar de navio por causa daquela tarde em Copacabana.
Hoje, como tem sido de praxe, o mar estava uma coisa lamentável de sujeira. Havia uma espuma marrom que eu tenho certeza que vai desencadear uma centena de doenças de pele mutantes sem que as pessoas que brincavam tão alegremente venham sequer a se dar conta que a culpada foi ela. Ela borbulhava na areia quando as ondas vinham, quase como se fosse realmente um Ser. Do Mal.
Além dos riscos marrons, manchas pretas e rastros de lixo na areia.
Uma pena das penas das penas.
Nem sou das pessoas mais ecológicas do planeta, mas morro de pena ao ver como o homem destrói aquilo que lhe é dado de tão bom grado e de forma tão generosa. Bem feito para nós que daqui a alguns anos não vamos poder mergulhar mais sem que nos caia um braço e vamos morrer de sede e feder como se fedia na Idade Média por conta dessa burrice tão imensa.
O mar hoje, por sinal, estava como há anos eu não via. Ondas enormes, que vinham e levavam tudo que desse mole no meio do caminho, tomavam conta também da areia que em certos pontos mal existia... Como se ele também estivesse furioso. E estivesse mostrando a quem quisesse ver o quanto ele estava furioso.
Enquanto observava este espetáculo bem lá de longe, deixando o sol bater no meu rosto, fui acordada dos meus devaneios quando um senhor começou a tocar o tema da Pantera Cor-de-rosa em um trombone de vara.
Sim, um trombone de vara no meio da praia.
Que tal?
Cada vez que eu vou, observo um espetáculo. Do homem e/ou da natureza. Em altos contrastes.
Fico sempre embevecida.
Perdida em milhões de pensamentos.
Mas, precisar mesmo, eu precisava era pensar menos e conseguir luz de mais.
Luz, energia.
Apesar das caminhadas, os dias têm sido trabalhosos.
Cansativos.
Têm exigido demais de mim em todos os sentidos.
As madrugadas têm sido de imensas batalhas.
Volta e meia elas acontecem.
E passam.
Mas o durante sempre me deixa massacrada.
Por isso preciso de mais luz.
Para conseguir passar por mais essa, acordar, levantar, continuar tudo que eu sempre faço sem que me perca, sem que erre feio, sem sucumbir.
Não são mais cores.
É luz.
Luz e contraste, hein...
Uau...
Sábado, de repente, apareceu um transatlântico, daqueles que a gente ouve falar, mas pouco vê por aí. Daqueles que até deveriam ser bastante divertidos não fosse o fato de estarem dentro d'água. Ele apareceu lá no canto do Leme, soltando um daqueles apitos de navio que a gente vê em filme. Enorme. Um monstrengo branco no meio de um monte de barquinhos de passeio que se não fosse ele ter aparecido lá longe a gente sequer notaria tão imersos na paisagem que estão.
No que eu vi o barcão, notei também, na beira da praia, em contraste extremo com todo aquele povo caído, queimado e de biquini, um senhor.
Um senhor daqueles de filme de nordestino, sabe?
Bem pobrinho, com uma sacola de viagem bem surrada num ombro, boné na cabeça, um bebê no outro ombro e uma menininha segurando a mão da sacola. Uma família atípica num lugar atípico. Olhando, assim como eu, e com a maior atenção, aquele monstro branco que passava lá no fundo fazendo grande alarde.
A maioria das pessoas não prestou a atenção que nós prestamos nele.
A maioria das pessoas não prestou atenção neles.
Eu achei de um contraste tão absurdo; aquela família, que muito provavelmente nunca vai andar naquilo observando tão atentamente aquele símbolo de luxo e riqueza tão distantes. Fiquei a imaginar se dali não teria nascido naquele momento uma daquelas histórias em que a menininha então vai sair, batalhar, fundar uma empresa ou cantar ou rebolar ou fazer algo que lhe dê toneladas de dinheiro só para poder levar seu velho pai para andar de navio por causa daquela tarde em Copacabana.
Hoje, como tem sido de praxe, o mar estava uma coisa lamentável de sujeira. Havia uma espuma marrom que eu tenho certeza que vai desencadear uma centena de doenças de pele mutantes sem que as pessoas que brincavam tão alegremente venham sequer a se dar conta que a culpada foi ela. Ela borbulhava na areia quando as ondas vinham, quase como se fosse realmente um Ser. Do Mal.
Além dos riscos marrons, manchas pretas e rastros de lixo na areia.
Uma pena das penas das penas.
Nem sou das pessoas mais ecológicas do planeta, mas morro de pena ao ver como o homem destrói aquilo que lhe é dado de tão bom grado e de forma tão generosa. Bem feito para nós que daqui a alguns anos não vamos poder mergulhar mais sem que nos caia um braço e vamos morrer de sede e feder como se fedia na Idade Média por conta dessa burrice tão imensa.
O mar hoje, por sinal, estava como há anos eu não via. Ondas enormes, que vinham e levavam tudo que desse mole no meio do caminho, tomavam conta também da areia que em certos pontos mal existia... Como se ele também estivesse furioso. E estivesse mostrando a quem quisesse ver o quanto ele estava furioso.
Enquanto observava este espetáculo bem lá de longe, deixando o sol bater no meu rosto, fui acordada dos meus devaneios quando um senhor começou a tocar o tema da Pantera Cor-de-rosa em um trombone de vara.
Sim, um trombone de vara no meio da praia.
Que tal?
Cada vez que eu vou, observo um espetáculo. Do homem e/ou da natureza. Em altos contrastes.
Fico sempre embevecida.
Perdida em milhões de pensamentos.
Mas, precisar mesmo, eu precisava era pensar menos e conseguir luz de mais.
Luz, energia.
Apesar das caminhadas, os dias têm sido trabalhosos.
Cansativos.
Têm exigido demais de mim em todos os sentidos.
As madrugadas têm sido de imensas batalhas.
Volta e meia elas acontecem.
E passam.
Mas o durante sempre me deixa massacrada.
Por isso preciso de mais luz.
Para conseguir passar por mais essa, acordar, levantar, continuar tudo que eu sempre faço sem que me perca, sem que erre feio, sem sucumbir.
Não são mais cores.
É luz.
Luz e contraste, hein...
Uau...
segunda-feira, fevereiro 12
A Frase
Assim como quando me descobri grávida, em dias como o de hoje, o que mais me vem à cabeça é aquela frase celébre que todos os médicos de Nelson Rodrigues viviam dizendo às pobres "heroínas":
"- Na hora de fazer gostou, não foi? Agora agüenta."
Claro, claro...
Eu aguento...
Às vezes, como hoje, mal e porcamente, mas agüento...
"- Na hora de fazer gostou, não foi? Agora agüenta."
Claro, claro...
Eu aguento...
Às vezes, como hoje, mal e porcamente, mas agüento...
*Suspiro*
Tem um caboclo solto por aí que não quer que eu tenha férias, cara...
Ameaça uma tempestade, um pequeno nariz escorre, faz frio no Rio.
Não tem jeito, né?
A vida só começa depois do Carnaval...
Passa, carnaval, passa...
Ameaça uma tempestade, um pequeno nariz escorre, faz frio no Rio.
Não tem jeito, né?
A vida só começa depois do Carnaval...
Passa, carnaval, passa...
sexta-feira, fevereiro 9
Só um pensamento
Outro dia eu estava na rua com um casal de amigos.
De repente, ele começa com um tal de "cuidado com o carro", "vamos por ali" e ela me diz, rindo: "Ele acha que eu não sei andar na rua sozinha".
Eu respondi: "Puxa! E como foi que conseguiu andar durante os 30 anos que passou sem ele?".
Que nem amizade.
Existem amizades que você é obrigada a fazer com aquele moleque melequento ou com aquela garota nojenta porque eles são filhos do Fulano de Tal e da Maria das Couves, que são amigos dos seus pais. Eu tenho, inclusive, amizades que começaram assim - por imposição - e que duram até hoje, bonitas pra caramba, mas enfim...
A sua primeira amizade.
A que você fez.
Sozinho.
Com certeza não foi se enfiando debaixo das saias da sua mãe, ou de mãos dadas com ela.
O ponto é, pára pra pensar em tudo que você faz sozinho.
Que pode fazer sozinho.
Que não depende de ninguém para fazer.
Em como você sobrevive legal a ruas lotadas, colégios, eventos sociais, filas de banco...
Em como você sobrevive.
Não sei você, mas eu acharia, inclusive, um saco ir a algum lugar com alguém pendurado em mim tentando me dar atenção todo o tempo, ou tentando me pajear o tempo todo.
Atenção é ótimo.
Mimo é ótimo.
Cuidado é ótimo.
Mas tudo que é muito enjoa, não?
Anyway, isso é só um pensamento...
De repente, ele começa com um tal de "cuidado com o carro", "vamos por ali" e ela me diz, rindo: "Ele acha que eu não sei andar na rua sozinha".
Eu respondi: "Puxa! E como foi que conseguiu andar durante os 30 anos que passou sem ele?".
Que nem amizade.
Existem amizades que você é obrigada a fazer com aquele moleque melequento ou com aquela garota nojenta porque eles são filhos do Fulano de Tal e da Maria das Couves, que são amigos dos seus pais. Eu tenho, inclusive, amizades que começaram assim - por imposição - e que duram até hoje, bonitas pra caramba, mas enfim...
A sua primeira amizade.
A que você fez.
Sozinho.
Com certeza não foi se enfiando debaixo das saias da sua mãe, ou de mãos dadas com ela.
O ponto é, pára pra pensar em tudo que você faz sozinho.
Que pode fazer sozinho.
Que não depende de ninguém para fazer.
Em como você sobrevive legal a ruas lotadas, colégios, eventos sociais, filas de banco...
Em como você sobrevive.
Não sei você, mas eu acharia, inclusive, um saco ir a algum lugar com alguém pendurado em mim tentando me dar atenção todo o tempo, ou tentando me pajear o tempo todo.
Atenção é ótimo.
Mimo é ótimo.
Cuidado é ótimo.
Mas tudo que é muito enjoa, não?
Anyway, isso é só um pensamento...
3:33 A.M.
"Color me once color me twice
Everything gonna turn out nice
Everlasting arms you gotta keep me from these false alarms
Alarm, alarm I see you sad
Maybe I see you I'm glad
Maybe maybe t he fire of her desire
Patience patience said the man
Patience patience I can't understand
Patience like a man and a wife I got patience on my neck like a cold cold knife"
Everything gonna turn out nice
Everlasting arms you gotta keep me from these false alarms
Alarm, alarm I see you sad
Maybe I see you I'm glad
Maybe maybe t he fire of her desire
Patience patience said the man
Patience patience I can't understand
Patience like a man and a wife I got patience on my neck like a cold cold knife"
Previsão para 09/02
"Previsão para 09/02
Reunião, então? Muito bem, faça a rodinha de caranguejos e ponha os pingos nos Is. Vá fundo, não deixe as coisas importantes e que lhe incomodam passarem assim, sem mais. Você bem sabe que elas não passam de verdade, que seguem dando voltas e voltas em sua concha, lhe dando enjôo, gastrite e outras ites. Cuide de sua paz."
Eu preciso parar de ler horóscopo...
************************
E quem disse que a quinta-feira não foi proveitosa?
Criança em casa ainda acidentada, mas já sem febre.
Mãe morrendo de calor.
Faxineira tentando arrumar a casa.
Tia vindo visitar.
Encontro rápido com amigos.
Pingos nos Is, um dia antes da previsão.
Fora isso, redescobri uma coisa nova.
Hoje eu me sentei para colorir pôneis e outros bichos com a minha filha.
Cada uma com seu desenho, deitadas no chão, divindo lápis.
Engraçado como a gente esquece dos pequenos prazeres da vida a medida que vai crescendo!
Foi divertido!
Me fez lembrar que faz tempo também que eu não desenho.
Parei de desenhar, de repente, há uns três anos.
Eu resolvia e pensava tanta coisa quando desenhava, cheguei até a pensar que viveria disso. Hoje não desenho mais. Não tenho vontade. Tempo.
De novo, o maldito do tempo.
Por um lado, dias de 48 horas seriam excelentes, por outro dispensáveis.
Os desenhos me tomavam um tempo que hoje não disponho.
De horas e horas que ficava sentada viajando...
Além de tudo o mais que eu faço, hoje existem livros me seduzindo e que eu nunca vou conseguir ler todos. Já até brinquei que a idéia de nascer burra na próxima encarnação é atraente, mas que do jeito que eu sou, periga deixar separada uma pilha de livros pra quando eu voltar.
De qualquer forma, além de tudo mais que planejo, o plano do final de semana é desenterrar os meus lápis - aqueles, já secos, que ficam em cima do armário, que eu não dou, não vendo e não empresto - e pintar, colorir mais um pouco a vida e o tempo.
*******************************
Já contei aqui que de um cara espantoso que tem aqui na rua - porque, a essa altura, o homem já é da área.
Ele apareceu aqui ano passado em algum momento, ficava lá na rua, sem camisa, garrafa em punho e gritando por horas a fio: "vagabunda!!!" - que aliás, virou seu apelido aqui em casa. Tudo muito chique, claro. Depois de um tempo ele deu uma sumida, mas no início do ano ele voltou. Agora não grita mais, só fica ali, sem camisa, garrafa em punho, olhando a janela da moça, que até hoje eu não descobri quem é, mas devo reconhecer que ela deve ser algo sensacional. São 3:30 da manhã e ele está lá fora.
Claro que se fosse comigo eu ia ficar muito assustada e incomodada, mas vendo de fora, isso sim que é amor! Doente e obsessivo, é verdade, mas ainda assim...
*******************************
Que nem a astronauta que dirigiu 14 horas de fraldas só para dar uns tabefes na cara da rival. Mamãe achou o fim, eu achei de um profissionalismo espantoso!
*******************************
Cores.
Tudo se resume a cores.
Reunião, então? Muito bem, faça a rodinha de caranguejos e ponha os pingos nos Is. Vá fundo, não deixe as coisas importantes e que lhe incomodam passarem assim, sem mais. Você bem sabe que elas não passam de verdade, que seguem dando voltas e voltas em sua concha, lhe dando enjôo, gastrite e outras ites. Cuide de sua paz."
Eu preciso parar de ler horóscopo...
************************
E quem disse que a quinta-feira não foi proveitosa?
Criança em casa ainda acidentada, mas já sem febre.
Mãe morrendo de calor.
Faxineira tentando arrumar a casa.
Tia vindo visitar.
Encontro rápido com amigos.
Pingos nos Is, um dia antes da previsão.
Fora isso, redescobri uma coisa nova.
Hoje eu me sentei para colorir pôneis e outros bichos com a minha filha.
Cada uma com seu desenho, deitadas no chão, divindo lápis.
Engraçado como a gente esquece dos pequenos prazeres da vida a medida que vai crescendo!
Foi divertido!
Me fez lembrar que faz tempo também que eu não desenho.
Parei de desenhar, de repente, há uns três anos.
Eu resolvia e pensava tanta coisa quando desenhava, cheguei até a pensar que viveria disso. Hoje não desenho mais. Não tenho vontade. Tempo.
De novo, o maldito do tempo.
Por um lado, dias de 48 horas seriam excelentes, por outro dispensáveis.
Os desenhos me tomavam um tempo que hoje não disponho.
De horas e horas que ficava sentada viajando...
Além de tudo o mais que eu faço, hoje existem livros me seduzindo e que eu nunca vou conseguir ler todos. Já até brinquei que a idéia de nascer burra na próxima encarnação é atraente, mas que do jeito que eu sou, periga deixar separada uma pilha de livros pra quando eu voltar.
De qualquer forma, além de tudo mais que planejo, o plano do final de semana é desenterrar os meus lápis - aqueles, já secos, que ficam em cima do armário, que eu não dou, não vendo e não empresto - e pintar, colorir mais um pouco a vida e o tempo.
*******************************
Já contei aqui que de um cara espantoso que tem aqui na rua - porque, a essa altura, o homem já é da área.
Ele apareceu aqui ano passado em algum momento, ficava lá na rua, sem camisa, garrafa em punho e gritando por horas a fio: "vagabunda!!!" - que aliás, virou seu apelido aqui em casa. Tudo muito chique, claro. Depois de um tempo ele deu uma sumida, mas no início do ano ele voltou. Agora não grita mais, só fica ali, sem camisa, garrafa em punho, olhando a janela da moça, que até hoje eu não descobri quem é, mas devo reconhecer que ela deve ser algo sensacional. São 3:30 da manhã e ele está lá fora.
Claro que se fosse comigo eu ia ficar muito assustada e incomodada, mas vendo de fora, isso sim que é amor! Doente e obsessivo, é verdade, mas ainda assim...
*******************************
Que nem a astronauta que dirigiu 14 horas de fraldas só para dar uns tabefes na cara da rival. Mamãe achou o fim, eu achei de um profissionalismo espantoso!
*******************************
Cores.
Tudo se resume a cores.
quarta-feira, fevereiro 7
Acidentes
Acontecem.
São normais.
Fazem parte de uma infância bem vivida.
E, sim, geralmente podiam ter sido evitados, mas não foram.
A grande questão em torno de acidentes infantis, na verdade, é que o Mundo se une e bota a culpa na mãe.
Na pobre mãezinha que quase perde o coração pela boca quando vê aquela sanguera toda, mas tem que se controlar para conseguir lavar, aparentar calma e medir se seu bebê deve ou não ser levado voando para um hospital.
Na pobre mãezinha que fica correndo atrás da criança de remédio em punho enquanto a criança grita "na-na-ni-não" a plenos pulmões.
Na pobre mãezinha que deita com a criança nos braços depois de toda a agitação para acalmar dois corações e que acaba adormecendo junto.
Na pobre mãezinha que acorda de madrugada para tentar dar remédio à criança com febre.
Na pobre mãezinha que olha para o rostinho da filha e fica com o coração apertado, tentando se convencer de que ele vai ficar lindo e lisinho de novo.
Na pobre mãezinha que sai com sua doentinha na rua e se vê obrigada a responder perguntas e recebe de volta olhares que se fossem pedras a estraçalhariam.
Na pobre mãezinha que fica escutando esporros da família aos prantos no telefone por causa de uma situação que ela não pôde controlar.
Porque o mundo é assim.
Cheio de coisa que a gente não controla.
Assim como os acidentes.
E é uma sujeira bem das grandes pôr a culpa logo em mim como se eu estivesse felizona da minha filha estar parecendo o "scarface"...
São normais.
Fazem parte de uma infância bem vivida.
E, sim, geralmente podiam ter sido evitados, mas não foram.
A grande questão em torno de acidentes infantis, na verdade, é que o Mundo se une e bota a culpa na mãe.
Na pobre mãezinha que quase perde o coração pela boca quando vê aquela sanguera toda, mas tem que se controlar para conseguir lavar, aparentar calma e medir se seu bebê deve ou não ser levado voando para um hospital.
Na pobre mãezinha que fica correndo atrás da criança de remédio em punho enquanto a criança grita "na-na-ni-não" a plenos pulmões.
Na pobre mãezinha que deita com a criança nos braços depois de toda a agitação para acalmar dois corações e que acaba adormecendo junto.
Na pobre mãezinha que acorda de madrugada para tentar dar remédio à criança com febre.
Na pobre mãezinha que olha para o rostinho da filha e fica com o coração apertado, tentando se convencer de que ele vai ficar lindo e lisinho de novo.
Na pobre mãezinha que sai com sua doentinha na rua e se vê obrigada a responder perguntas e recebe de volta olhares que se fossem pedras a estraçalhariam.
Na pobre mãezinha que fica escutando esporros da família aos prantos no telefone por causa de uma situação que ela não pôde controlar.
Porque o mundo é assim.
Cheio de coisa que a gente não controla.
Assim como os acidentes.
E é uma sujeira bem das grandes pôr a culpa logo em mim como se eu estivesse felizona da minha filha estar parecendo o "scarface"...
Princesas
Mas era claro, óbvio e ululante que eu não teria duas semanas de descanso sem percalços.
Ontem à noite, um pequeno acidente doméstico nos deu um susto horroroso e deixou Liloca fora de combate, pelo menos por hoje.
Assim sendo, estamos de castigo em casa.
Assim sendo, eu fui uma mulher iluminada e resolvi pegar vários filminhos na locadora - coisa que até não deveria, visto que hoje é quarta, amanhã é quinta e os seriados que nós vemos aqui em casa estão estreiando novas temporadas.
E então, resolvi iniciar minha filha em uma nova princesa: a Bela.
A história eu sei de cor e nem era das minhas preferidas quando criança, ainda assim é uma história que ficou marcada na minha história.
A última vez que eu havia visto "A Bela e a Fera", foi quando a Disney resolveu lançar o desenho no cinema. Era meu aniversário de 15 anos e fomos ao cinema eu, meu pai e meus dois irmãos, na época com 5 e 4 anos respectivamente. E eu fui vendo a história, etc,etc, e quando o filme acabou eu era uma pessoa que se debulhava em lágrimas vigorosas! Meu pai, meus irmãos e o resto da platéia, composta por crianças pequenas e pais em sua grande maioria; todos olhavam para mim como se eu fosse um grande e verde e.t.. E eu ali, chorando, achando aquelas a mais bela história de amor que eu já havia visto...!
(E realmente é uma história belíssima de uma moral estupenda, a meu ver.)
Foi cedo, porém, para a minha pequena princesa bailarina.
Ela até tentou, mas no fim não deu a menor pelota.
Veio aqui me pedir a Cinderela, por favor.
Eu tentei, mas a praga não me deixa, né?
Quem diria que eu ia ser assombrada por princesas...
Ontem à noite, um pequeno acidente doméstico nos deu um susto horroroso e deixou Liloca fora de combate, pelo menos por hoje.
Assim sendo, estamos de castigo em casa.
Assim sendo, eu fui uma mulher iluminada e resolvi pegar vários filminhos na locadora - coisa que até não deveria, visto que hoje é quarta, amanhã é quinta e os seriados que nós vemos aqui em casa estão estreiando novas temporadas.
E então, resolvi iniciar minha filha em uma nova princesa: a Bela.
A história eu sei de cor e nem era das minhas preferidas quando criança, ainda assim é uma história que ficou marcada na minha história.
A última vez que eu havia visto "A Bela e a Fera", foi quando a Disney resolveu lançar o desenho no cinema. Era meu aniversário de 15 anos e fomos ao cinema eu, meu pai e meus dois irmãos, na época com 5 e 4 anos respectivamente. E eu fui vendo a história, etc,etc, e quando o filme acabou eu era uma pessoa que se debulhava em lágrimas vigorosas! Meu pai, meus irmãos e o resto da platéia, composta por crianças pequenas e pais em sua grande maioria; todos olhavam para mim como se eu fosse um grande e verde e.t.. E eu ali, chorando, achando aquelas a mais bela história de amor que eu já havia visto...!
(E realmente é uma história belíssima de uma moral estupenda, a meu ver.)
Foi cedo, porém, para a minha pequena princesa bailarina.
Ela até tentou, mas no fim não deu a menor pelota.
Veio aqui me pedir a Cinderela, por favor.
Eu tentei, mas a praga não me deixa, né?
Quem diria que eu ia ser assombrada por princesas...
terça-feira, fevereiro 6
Ah, sim!
Hoje ela não chorou!
Hoje ela não chorou!
Viva a Santa Luísa!
Viva a Minha Filha!
Perdão, Senhor, por ter implicado com a professora nova.
Amém.
Hoje ela não chorou!
Viva a Santa Luísa!
Viva a Minha Filha!
Perdão, Senhor, por ter implicado com a professora nova.
Amém.
Deus quer que eu morra gorda.
Acordei com o pé torcido pelo terceiro dia consecutivo.
Como eu não sei, nem adianta perguntar. As especulações giram em torno de dormir com o pé para fora da cama, coisa que eu ando fazendo ultimamente, apesar do tamanho compacto.
O fato é que hoje o pé - é o esquerdo, não é engraçado? - doeu mais que em todos os outros dias.
Saí eu manca, para comprar cigarros, corri manca para me arrumar, desci manca as escadas de novo, peguei um ônibus manca e deixei a criança no colégio, obviamente, manca.
Mesmo assim, ainda existia a esperança de andar até o Leblon, deixar para passar pomadas e afins à noite.
Então chove.
Cheguei à conclusão de que é um complô divino contra a minha pessoa.
Na volta, acabei andando mais da metade do caminho, mas aí foi por pura e simples burrice, simplesmente porque quando entrei no ônibus esqueci de olhar o número. Que tal? Uma pessoa que entra nos ônibus, passa a roleta e não vê que linha é.
Por enquanto, a coisa boa do dia foi ter lembrado que existe um hortifruti no Leblon.
Boa porque estou viciada na coisa mais besta do mundo: suco de melancia.
Tá, é vermelho, é bom, é saudável, mas pensa bem, como uma coisa tão besta quanto uma melancia pode ser tão boa? E como é que uma pessoa se vicia nisso?
Passei a outra metade do dia - cheio de metades - absorta em planos para o futuro. Pensando em mil coisas, desligada. O ruim de pensar e planejar o futuro é que fico ansiosa, querendo conseguir tudo logo; daqui a uns dois dias vou ficar deprimida porque odeio longos prazos. Todos os meus prazos para planos são longos ultimamente. 3 anos e tal para o fim da faculdade, 4 anos para uma loucura, mais 4 para outra, mais 1 e meio para um ar... A espera me enlouquece. Me enlouquece também pensar tudo o que pode acontecer nesse meio tempo; que meus planos podem mudar. Sempre.
Eu odeio férias longas.
Odeio férias longas.
Inevitavelmente eu penso mais do que seria razoavelmente recomendado.
(Lembra quando você era criança e via, de vez em quando, aquelas pessoas que fazem comida para a criança, pro cachorro, para si, lavava roupa, escrevia, atendia telefone; tudo ao mesmo tempo? Pois é, eu cresci e fiquei assim...)
Como eu não sei, nem adianta perguntar. As especulações giram em torno de dormir com o pé para fora da cama, coisa que eu ando fazendo ultimamente, apesar do tamanho compacto.
O fato é que hoje o pé - é o esquerdo, não é engraçado? - doeu mais que em todos os outros dias.
Saí eu manca, para comprar cigarros, corri manca para me arrumar, desci manca as escadas de novo, peguei um ônibus manca e deixei a criança no colégio, obviamente, manca.
Mesmo assim, ainda existia a esperança de andar até o Leblon, deixar para passar pomadas e afins à noite.
Então chove.
Cheguei à conclusão de que é um complô divino contra a minha pessoa.
Na volta, acabei andando mais da metade do caminho, mas aí foi por pura e simples burrice, simplesmente porque quando entrei no ônibus esqueci de olhar o número. Que tal? Uma pessoa que entra nos ônibus, passa a roleta e não vê que linha é.
Por enquanto, a coisa boa do dia foi ter lembrado que existe um hortifruti no Leblon.
Boa porque estou viciada na coisa mais besta do mundo: suco de melancia.
Tá, é vermelho, é bom, é saudável, mas pensa bem, como uma coisa tão besta quanto uma melancia pode ser tão boa? E como é que uma pessoa se vicia nisso?
Passei a outra metade do dia - cheio de metades - absorta em planos para o futuro. Pensando em mil coisas, desligada. O ruim de pensar e planejar o futuro é que fico ansiosa, querendo conseguir tudo logo; daqui a uns dois dias vou ficar deprimida porque odeio longos prazos. Todos os meus prazos para planos são longos ultimamente. 3 anos e tal para o fim da faculdade, 4 anos para uma loucura, mais 4 para outra, mais 1 e meio para um ar... A espera me enlouquece. Me enlouquece também pensar tudo o que pode acontecer nesse meio tempo; que meus planos podem mudar. Sempre.
Eu odeio férias longas.
Odeio férias longas.
Inevitavelmente eu penso mais do que seria razoavelmente recomendado.
(Lembra quando você era criança e via, de vez em quando, aquelas pessoas que fazem comida para a criança, pro cachorro, para si, lavava roupa, escrevia, atendia telefone; tudo ao mesmo tempo? Pois é, eu cresci e fiquei assim...)
segunda-feira, fevereiro 5
Novo dia novo
E então chegou o primeiro dia de aula da Licas.
Eu aqui passei um bom pedaço da noite acordada, tensa; o que é uma idiotiçe já que a criança está no colégio há um ano já.
Hoje, ela foi felizona, louca para rever os amiguinhos, foi correndo toda animada!
Quando chegou lá ela bolou, quis voltar pra casa e não quis entrar na sala direto; a sorte é que eu vi lá no canto uma cara conhecida:
- Ô, filha, olha lá a Luísa!!!
Santa Luísa!
Ela aí entrou correndo e foi lá ter com a amiga mais querida, que ficava lá chamando:
- Aqui, Roxo, o telefone, pega!
Conversei rapidamente com a nova professora e saí fora.
Um erro, um erro o colégio não ter feito uma reunião de pais antes de hoje, mas sutilmente, escrevi eu uma cartinha para a professora explicando um pouco de tudo de nós e dela.
Olívia chiou, chorou um pouco, mas ficou.
Aí saí eu.
Duas semanas de tardes livres!
Que beleza!
Que fazer com esse tempo livre tão sonhado?
Meu plano "A" para hoje era dormir até furar o colchão, mas quando acordei fazia um sol maravilhoso, daqueles quentes e brilhantes.
O plano "B" dessas férias era caminhar na praia, todos os dias; um plano com falhas, obviamente, já que não disponho de todos os dias para caminhar, ainda assim é a intenção que conta.
Então eu fui, caminhar.
Em Ipanema um mar lindo, calmo, azul...
Mas a monga aqui resolveu que só ia mergulhar em Copacabana, mais perto de casa, e, quando eu cheguei a Copacabana, desci pra areia, tirei o vestido, guardei a sandália, molhei os pés numa água meio, uhm, escura, ignorei as algas verdes nojentas e...
...Me deparei com um absorvente usado!
Tudo bem, há três dias atrás foi Dia de Iemanjá, ontem foi domingo, Dia Oficial da Farofa; mas absorvente usado não deu pra ignorar. Pensei cá comigo que mais a frente haveria de existir um lugarzinho mais limpo...
E continuei caminhando.
Essa é a beleza de Copacabana, eu posso andar só de maiô na beira da praia que continuo sendo uma das pessoas mais gatas sobre o sol...!
Mas aí, um saco de lixo.
Quando as pessoas vão entender que a gente leva, sim, sacos de lixo para a praia, mas que o lugar de jogar fora é na lixeira e não no mar?
Mais adiante, tropecei em outro saco.
Outro saco.
Uma maré de coisas não identificadas.
Algas nojentas.
Tentei não pensar em todas as doenças de pele que podiam estar entrando pelos meus poros; não pensar em como eu fui mané de não ter mergulhado do outro lado da curva onde o povo é mais chique e limpinho; não pensar nos coliformes fecais - que aliás, são uma invenção do inferno, antes ninguém se preocupava com eles...
Tentei, andei, procurei, pensei em como estava sendo bom andar na beira da praia, pegar um solzinho para manter minha corzinha de café torrado, exercitar as pernocas flácidas; mas nada de um buraquinho que fosse que me encorajasse a entrar nesse marzão sem porteira...
Graças ao bom Deus, o homem inventou o coliforme, mas também inventou aqueles chuveirinhos fantásticos que ficam lá perto das barracas! Foi a salvação!
Pena que a praia estivesse tão suja...
Queria tanto ter nadado um pouquinho...!
Mas, tudo bem...
Amanhã eu tento de novo.
Ainda existe tempo para a minha salada, para um banho de chuveiro sozinha e para ler alguns capítulos do livro novo.
Ainda existem planos para uma orgia literária esta semana e, quem sabe, até um cineminha.
Quem diria que existiriam boas segundas-feiras...!
Nada mais justo depois dos últimos dias, também.
Eu mereço!
Eu aqui passei um bom pedaço da noite acordada, tensa; o que é uma idiotiçe já que a criança está no colégio há um ano já.
Hoje, ela foi felizona, louca para rever os amiguinhos, foi correndo toda animada!
Quando chegou lá ela bolou, quis voltar pra casa e não quis entrar na sala direto; a sorte é que eu vi lá no canto uma cara conhecida:
- Ô, filha, olha lá a Luísa!!!
Santa Luísa!
Ela aí entrou correndo e foi lá ter com a amiga mais querida, que ficava lá chamando:
- Aqui, Roxo, o telefone, pega!
Conversei rapidamente com a nova professora e saí fora.
Um erro, um erro o colégio não ter feito uma reunião de pais antes de hoje, mas sutilmente, escrevi eu uma cartinha para a professora explicando um pouco de tudo de nós e dela.
Olívia chiou, chorou um pouco, mas ficou.
Aí saí eu.
Duas semanas de tardes livres!
Que beleza!
Que fazer com esse tempo livre tão sonhado?
Meu plano "A" para hoje era dormir até furar o colchão, mas quando acordei fazia um sol maravilhoso, daqueles quentes e brilhantes.
O plano "B" dessas férias era caminhar na praia, todos os dias; um plano com falhas, obviamente, já que não disponho de todos os dias para caminhar, ainda assim é a intenção que conta.
Então eu fui, caminhar.
Em Ipanema um mar lindo, calmo, azul...
Mas a monga aqui resolveu que só ia mergulhar em Copacabana, mais perto de casa, e, quando eu cheguei a Copacabana, desci pra areia, tirei o vestido, guardei a sandália, molhei os pés numa água meio, uhm, escura, ignorei as algas verdes nojentas e...
...Me deparei com um absorvente usado!
Tudo bem, há três dias atrás foi Dia de Iemanjá, ontem foi domingo, Dia Oficial da Farofa; mas absorvente usado não deu pra ignorar. Pensei cá comigo que mais a frente haveria de existir um lugarzinho mais limpo...
E continuei caminhando.
Essa é a beleza de Copacabana, eu posso andar só de maiô na beira da praia que continuo sendo uma das pessoas mais gatas sobre o sol...!
Mas aí, um saco de lixo.
Quando as pessoas vão entender que a gente leva, sim, sacos de lixo para a praia, mas que o lugar de jogar fora é na lixeira e não no mar?
Mais adiante, tropecei em outro saco.
Outro saco.
Uma maré de coisas não identificadas.
Algas nojentas.
Tentei não pensar em todas as doenças de pele que podiam estar entrando pelos meus poros; não pensar em como eu fui mané de não ter mergulhado do outro lado da curva onde o povo é mais chique e limpinho; não pensar nos coliformes fecais - que aliás, são uma invenção do inferno, antes ninguém se preocupava com eles...
Tentei, andei, procurei, pensei em como estava sendo bom andar na beira da praia, pegar um solzinho para manter minha corzinha de café torrado, exercitar as pernocas flácidas; mas nada de um buraquinho que fosse que me encorajasse a entrar nesse marzão sem porteira...
Graças ao bom Deus, o homem inventou o coliforme, mas também inventou aqueles chuveirinhos fantásticos que ficam lá perto das barracas! Foi a salvação!
Pena que a praia estivesse tão suja...
Queria tanto ter nadado um pouquinho...!
Mas, tudo bem...
Amanhã eu tento de novo.
Ainda existe tempo para a minha salada, para um banho de chuveiro sozinha e para ler alguns capítulos do livro novo.
Ainda existem planos para uma orgia literária esta semana e, quem sabe, até um cineminha.
Quem diria que existiriam boas segundas-feiras...!
Nada mais justo depois dos últimos dias, também.
Eu mereço!
domingo, fevereiro 4
F%$-se
Fico pensando se não seria um caso de falta de ambição.
Eu nunca tive e continuo não tendo a menor vontade de ter 10 milhões de dólares, casas espalhadas pelo mundo, jóias de diamantes de verdade...
Sempre foi a coisa básica: casa, marido, filhotes; paz.
Sempre segui o preceito básico de "não faça com os outros o que você não gostaria que não fizessem com você".
Isso é tão arraigado na minha alma que depois fico eu me lamentando, sofrendo.
Foda-se, hoje estou mesmo, me lamentando e sofrendo.
Se eu fosse uma tremenda filha da puta, se eu fosse uma pessoa sem coração, se eu quisesse ter 10 milhões, a vida seria diferente?
Será que eu seria...
...Mais feliz?
Eu nunca tive e continuo não tendo a menor vontade de ter 10 milhões de dólares, casas espalhadas pelo mundo, jóias de diamantes de verdade...
Sempre foi a coisa básica: casa, marido, filhotes; paz.
Sempre segui o preceito básico de "não faça com os outros o que você não gostaria que não fizessem com você".
Isso é tão arraigado na minha alma que depois fico eu me lamentando, sofrendo.
Foda-se, hoje estou mesmo, me lamentando e sofrendo.
Se eu fosse uma tremenda filha da puta, se eu fosse uma pessoa sem coração, se eu quisesse ter 10 milhões, a vida seria diferente?
Será que eu seria...
...Mais feliz?
...
Eu queria muito, muito, que um dia as pessoas entendessem o quanto me dá calafrios receber um pedido de desculpas. Não que um pedido não amenize as coisas, e não seja necessário um sem número de vezes ao longo da vida; mas me ensinaram, há muito tempo atrás, que mais importante que um pedido de desculpas, é a pessoa se esforçar para não repetir o erro.
Essa é a parte difícil.
Pedir, dizer, escrever tais palavras, é fácil.
Ter e demonstrar tal cuidado com as pessoas é que é difícil.
Ando recebendo muitos pedidos dessa natureza.
Só quero ver, só quero ver se algo vai mudar, se as pessoas vão passar a ter comigo o cuidado que eu tenho com elas.
Ando achando que isso é sonhar demais.
Que o mundo vai achar que eu ando sendo exigente demais.
Que eu preciso aprender a ser tão desleixada quanto as pessoas são comigo.
E, enquanto eu não aprendo, fico eu cá, tendo calafrios.
O que mais me espanta é que tudo isso vem vindo de pessoas que bem sabem o quanto a falta de cuidado me afeta. Vem vindo de pessoas que eu cuido muito. Que sabem da minha vida coisas que poucas pessoas sabem.
Não é irônico?
Esse processo de auto análise de vida está me deixando exausta.
Essa semana descobri coisas que nem eu sabia de mim mesma.
Doeu.
Nas duas últimas tomei uns tabefes que não esperava.
Doeu.
Como se ajeita isso?
Como se convive com isso?
Preciso descobrir as respostas, descobrir um meio de não deixar que me afetem tanto.
Descobrir um jeito, realmente eficaz de não gostar de nada. De ninguém.
De ter a capacidade de não ligar para nada.
De conseguir deixar de ser tão emotiva.
"Eu não sou perfeito"
"Eu não sou perfeita"
Ninguém é.
Eu, então!!!
Não é preciso ser perfeito.
Só ter coração.
Ou aprender a lidar com quem tem.
No meu caso, com quem não tem...
Essa é a parte difícil.
Pedir, dizer, escrever tais palavras, é fácil.
Ter e demonstrar tal cuidado com as pessoas é que é difícil.
Ando recebendo muitos pedidos dessa natureza.
Só quero ver, só quero ver se algo vai mudar, se as pessoas vão passar a ter comigo o cuidado que eu tenho com elas.
Ando achando que isso é sonhar demais.
Que o mundo vai achar que eu ando sendo exigente demais.
Que eu preciso aprender a ser tão desleixada quanto as pessoas são comigo.
E, enquanto eu não aprendo, fico eu cá, tendo calafrios.
O que mais me espanta é que tudo isso vem vindo de pessoas que bem sabem o quanto a falta de cuidado me afeta. Vem vindo de pessoas que eu cuido muito. Que sabem da minha vida coisas que poucas pessoas sabem.
Não é irônico?
Esse processo de auto análise de vida está me deixando exausta.
Essa semana descobri coisas que nem eu sabia de mim mesma.
Doeu.
Nas duas últimas tomei uns tabefes que não esperava.
Doeu.
Como se ajeita isso?
Como se convive com isso?
Preciso descobrir as respostas, descobrir um meio de não deixar que me afetem tanto.
Descobrir um jeito, realmente eficaz de não gostar de nada. De ninguém.
De ter a capacidade de não ligar para nada.
De conseguir deixar de ser tão emotiva.
"Eu não sou perfeito"
"Eu não sou perfeita"
Ninguém é.
Eu, então!!!
Não é preciso ser perfeito.
Só ter coração.
Ou aprender a lidar com quem tem.
No meu caso, com quem não tem...
Depois
Depois me pergunta porque quero parecer tão dura;
Depois me pergunta porque digo não acreditar;
Depois me pergunta porque tenho medo.
Então, quando ligo,
é outra voz que atende.
Então deixo o Mundo,
resolvo tentar,
e, mais uma vez.
Por mim não se faz nada;
A mim nada retorna.
Depois me pergunta porque;
Depois você pensa que já sabe tudo;
Depois me diz que não vai me fazer sofrer.
Ainda assim, quando eu vou,
Não é meu rosto que você olha,
Não é a sua voz que eu escuto,
Não é para mim seu sorriso.
Você me manda embora.
Mas pede que eu não mude.
Depois fico eu a perguntar;
Porque.
Porque eu faço,
Porque eu deixo,
Porque acredito,
Porque eu tento.
Não é primeiro,
Nem vai ser o último
a me deixar.
A me fazer sentir.
Ainda assim,
Não foi sua voz,
Nem meu sorriso.
Depois eu me pergunto.
Depois você pergunta.
Precisa mais?
Precisa?
Ainda assim perco meu sono,
Minha noite,
Meu tempo.
Sonhei.
Tentei.
A tempo.
Ainda há tempo.
Ainda assim,
me pergunto,
Porque?
Depois você pergunta...
Depois me pergunta porque digo não acreditar;
Depois me pergunta porque tenho medo.
Então, quando ligo,
é outra voz que atende.
Então deixo o Mundo,
resolvo tentar,
e, mais uma vez.
Por mim não se faz nada;
A mim nada retorna.
Depois me pergunta porque;
Depois você pensa que já sabe tudo;
Depois me diz que não vai me fazer sofrer.
Ainda assim, quando eu vou,
Não é meu rosto que você olha,
Não é a sua voz que eu escuto,
Não é para mim seu sorriso.
Você me manda embora.
Mas pede que eu não mude.
Depois fico eu a perguntar;
Porque.
Porque eu faço,
Porque eu deixo,
Porque acredito,
Porque eu tento.
Não é primeiro,
Nem vai ser o último
a me deixar.
A me fazer sentir.
Ainda assim,
Não foi sua voz,
Nem meu sorriso.
Depois eu me pergunto.
Depois você pergunta.
Precisa mais?
Precisa?
Ainda assim perco meu sono,
Minha noite,
Meu tempo.
Sonhei.
Tentei.
A tempo.
Ainda há tempo.
Ainda assim,
me pergunto,
Porque?
Depois você pergunta...
sexta-feira, fevereiro 2
Direitinho
Hoje quando acordei, não me saía da cabeça um poeminha de um livro que eu adorava quando era criança:
"Ou se tem chuva ou não se tem sol,
ou se tem sol ou não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo dinheiro e não compro doce,
ou compro doce e não guardo dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo."
Nunca achei que, 20 anos depois, ele fosse simplesmente brotar dentro da minha cabeçae fosse servir direitinho... Direitinho...
"Ou se tem chuva ou não se tem sol,
ou se tem sol ou não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo dinheiro e não compro doce,
ou compro doce e não guardo dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo."
Nunca achei que, 20 anos depois, ele fosse simplesmente brotar dentro da minha cabeçae fosse servir direitinho... Direitinho...
quarta-feira, janeiro 31
Verão
Hoje eu me peguei pensando que, a não ser pela falta de melanina, o verão (aqui no Rio) anda bem parecido com "Faça a coisa certa".
As pessoas todas meio ensadecidas; se refrescando do calor escaldante na base do cubinho de gelo; usando o mínimo de roupa possível, mortas de tesão umas pelas outras, mas sem conseguirem se agarrar de verdade porque o calor humano nesses dias atrapalha; com os neurônios cozinhando e brigando com toda e qualquer pessoa que passe assim, meio de lado, por perto.
Porque eu tenho certeza de que o calor deixa as pessoas mais esquentas, no sentido literal.
Tenho certeza de que, metade das minhas compulsões materiais são frutos da quantidade de sol excessiva na cabeça.
Tenho absoluta convicção de que suar demais é esteticamente feio e que existe um milhão de pessoas por aí que, ou não conhecem, ou não usam um desodorante decente e depois vêm abrir os braços bem no meu nariz, que sou pequena e fico bem na altura do suvaco da maioria que fede; o que é uma sacanagem.
No momento estrogênio bombando, adoro fantasiar em me engalfinhar com algumas pessoas, mas a fantasia toda acaba quando eu imagino o calor, o calor, o calor...!
E as outras pessoas?
Aquelas que não têm um corpo legal e insistem em sair por aí usando biquinis minúsculos, shorts curtos, tops! Tudo bem, está calor, as pessoas feias também são filhas de Deus, mas e o bom senso? E o meu direito de não ser submetida a tortura visual?
Bom de verão é que ele acaba.
As pessoas todas meio ensadecidas; se refrescando do calor escaldante na base do cubinho de gelo; usando o mínimo de roupa possível, mortas de tesão umas pelas outras, mas sem conseguirem se agarrar de verdade porque o calor humano nesses dias atrapalha; com os neurônios cozinhando e brigando com toda e qualquer pessoa que passe assim, meio de lado, por perto.
Porque eu tenho certeza de que o calor deixa as pessoas mais esquentas, no sentido literal.
Tenho certeza de que, metade das minhas compulsões materiais são frutos da quantidade de sol excessiva na cabeça.
Tenho absoluta convicção de que suar demais é esteticamente feio e que existe um milhão de pessoas por aí que, ou não conhecem, ou não usam um desodorante decente e depois vêm abrir os braços bem no meu nariz, que sou pequena e fico bem na altura do suvaco da maioria que fede; o que é uma sacanagem.
No momento estrogênio bombando, adoro fantasiar em me engalfinhar com algumas pessoas, mas a fantasia toda acaba quando eu imagino o calor, o calor, o calor...!
E as outras pessoas?
Aquelas que não têm um corpo legal e insistem em sair por aí usando biquinis minúsculos, shorts curtos, tops! Tudo bem, está calor, as pessoas feias também são filhas de Deus, mas e o bom senso? E o meu direito de não ser submetida a tortura visual?
Bom de verão é que ele acaba.
Horóscopo do dia
"Afunde na areia fofa e morna, caranguejo. Pôr as antenas de molho é o melhor a ser feito quando logo ali, pertinho, rola um maremoto. O movimento das marés, molhando suas pinças, faz com que sua peculiar intuição torne-se ainda mais reveladora, trazendo à tona aquele tesouro. Qual? Esse mesmo, enterrado lá no fundo e que você nem lembrava. "
Preciso de interpretação especializada.
Preciso de interpretação especializada.
Listas
Ano passado tentei fazer uma lista com todos os livros e filmes do meu ano.
Queria contabilizar o tempo gasto e quantidade ingerida.
No meio do ano o computador pifou e eu perdi a lista.
Pois bem, agora que eu aprendi a brincar no blog novo de novo, vou começar tudo de novo.
Aí do lado vou pôr tudo, a partir de hoje, 31 de janeiro de 2007.
Queria contabilizar o tempo gasto e quantidade ingerida.
No meio do ano o computador pifou e eu perdi a lista.
Pois bem, agora que eu aprendi a brincar no blog novo de novo, vou começar tudo de novo.
Aí do lado vou pôr tudo, a partir de hoje, 31 de janeiro de 2007.
terça-feira, janeiro 30
Lili da Lapa Mode On
Apesar de bem educada e fina para uma série de padrões, eu sei - e cultivo com carinho - que tenho uma alma cafona.
É mais uma das coisas que considero como um certo desvio de caráter meu.
Acho pobreza uma coisa deveras romântica quando é vivida em nome do amor - nessas horas eu não levo em conta as brigas futuras, ou o futuro propriamente dito; e isso, por si só, já explica bastante coisa. Acho pé sujo o que há em termos de comodidade e charme. Acho chiquérrimo renda de sutiã aparecendo no decote e sou fã ardorosa de tamancos bem altos. Meu sonho é ter uma casinha num subúrbio qualquer, porque eu acho lindo.
Mesmo assim, às vezes, eu me assusto um pouco comigo mesma.
Eu tive uma fase, há alguns atrás, em que a minha tara específica dizia respeito a anéis.
Muitos anéis. De cores e shapes variados. E então os anéis - até um então, um toque exótico no meu visual - foram crescendo de tamanho. Crescendo, crescendo... Até o dia em que eu esbarrei com a Elke Maravilha numa feira de moda (naquela época era moda e, sim, eu freqüentava) e percebi que, para que os meus anéis chegassem ao calibre dos dela faltava muito pouco. O susto foi tão grande que eu desisti dos anéis.
Até perdi vários.
Hoje, quase não uso.
Minha fase agora é de brincos.
Semana passada comprei um enorme, vermelho, que me deixa com uma certa pinta de pomba-gira excelente. Hoje, de repente, começou a me dar uma certa vontade de passar uma purpurina por cima do meu esmalte impecável; quando saí do metrô, voltando da terapia, me veio uma vontade enorme - tipo coisa de gente louca e compulsiva mesmo - de ir numa loja que tem aqui perto e comprar umas argolas inacreditáveis: cheias de pedras e sei lá mais que balangandãs pendurados.
Eu tentei lutar, comecei a perceber que eu comportamento está compulsivo no que diz respeito a aquisição de livros e balangandãs. Mesmo assim andei até a loja. A coisa tá tão séria pro meu lado que as meninas da loja já me conhecem, me cumprimentam na maior intimidade. Parei, olhei, analisei, olhei de novo. Resisti.
Fiquei me imaginando com aquelas coisas enormes e as unhas de purpurina.
Tá, ia ficar lindo.
Cafona, mas lindo.
Mas vai ser ainda melhor quando eu puder caber dentro de um shortinho de oncinha que eu vi na Atlântica para vender, não?
Eu me assuto um pouco comigo quando a cafonice fica over. Quando eu auto-denomino meu figurino de vestida de "Lili da Lapa".
Afinal de contas, eu sou uma moça fina!
Pôr freio na alma é uma coisa difícil...
*****************************************
Enquanto isso, dois dias de retorno à dieta.
Morta de fome, me alimentando de coisinhas como cenouras, beterrabas, queijo minas - tudo muito saudável.
Ainda não estou certa se comemoro, por enquanto ainda é deprimente...
...Ainda que necessário.
É mais uma das coisas que considero como um certo desvio de caráter meu.
Acho pobreza uma coisa deveras romântica quando é vivida em nome do amor - nessas horas eu não levo em conta as brigas futuras, ou o futuro propriamente dito; e isso, por si só, já explica bastante coisa. Acho pé sujo o que há em termos de comodidade e charme. Acho chiquérrimo renda de sutiã aparecendo no decote e sou fã ardorosa de tamancos bem altos. Meu sonho é ter uma casinha num subúrbio qualquer, porque eu acho lindo.
Mesmo assim, às vezes, eu me assusto um pouco comigo mesma.
Eu tive uma fase, há alguns atrás, em que a minha tara específica dizia respeito a anéis.
Muitos anéis. De cores e shapes variados. E então os anéis - até um então, um toque exótico no meu visual - foram crescendo de tamanho. Crescendo, crescendo... Até o dia em que eu esbarrei com a Elke Maravilha numa feira de moda (naquela época era moda e, sim, eu freqüentava) e percebi que, para que os meus anéis chegassem ao calibre dos dela faltava muito pouco. O susto foi tão grande que eu desisti dos anéis.
Até perdi vários.
Hoje, quase não uso.
Minha fase agora é de brincos.
Semana passada comprei um enorme, vermelho, que me deixa com uma certa pinta de pomba-gira excelente. Hoje, de repente, começou a me dar uma certa vontade de passar uma purpurina por cima do meu esmalte impecável; quando saí do metrô, voltando da terapia, me veio uma vontade enorme - tipo coisa de gente louca e compulsiva mesmo - de ir numa loja que tem aqui perto e comprar umas argolas inacreditáveis: cheias de pedras e sei lá mais que balangandãs pendurados.
Eu tentei lutar, comecei a perceber que eu comportamento está compulsivo no que diz respeito a aquisição de livros e balangandãs. Mesmo assim andei até a loja. A coisa tá tão séria pro meu lado que as meninas da loja já me conhecem, me cumprimentam na maior intimidade. Parei, olhei, analisei, olhei de novo. Resisti.
Fiquei me imaginando com aquelas coisas enormes e as unhas de purpurina.
Tá, ia ficar lindo.
Cafona, mas lindo.
Mas vai ser ainda melhor quando eu puder caber dentro de um shortinho de oncinha que eu vi na Atlântica para vender, não?
Eu me assuto um pouco comigo quando a cafonice fica over. Quando eu auto-denomino meu figurino de vestida de "Lili da Lapa".
Afinal de contas, eu sou uma moça fina!
Pôr freio na alma é uma coisa difícil...
*****************************************
Enquanto isso, dois dias de retorno à dieta.
Morta de fome, me alimentando de coisinhas como cenouras, beterrabas, queijo minas - tudo muito saudável.
Ainda não estou certa se comemoro, por enquanto ainda é deprimente...
...Ainda que necessário.
Nós
Eu tenho um nó.
Um grandecíssimo nó.
Bem na minha cabeça.
Lá dentro.
Um, não.
Uns dois milhões.
Discutidos ad nauseam.
Argumentados.
Contra argumentados.
Simples, porém enormes.
Antagônicos.
Todos eles girando em torno da vida.
Minha vida.
Meus amores.
Meus.
Eus.
Meus errados.
Meus certos.
Meus desejos.
Os que nego.
Os que anseio.
Os que me faltam.
Eles me assombram.
Sempre voltam.
Sempre, sempre.
É tanto...!
Não consigo.
Hoje.
Nem discorrer.
Discursar.
Discutir.
Pensar.
Hoje.
Amarrados.
Firmes.
Juntos.
Emaranhados.
Me roubam as palavras.
O tempo.
Às vezes, a saúde.
Tudo o que eu precisava era uma caneta;
Um cabo de garfo;
Um alfinete de crochê.
Qualquer coisa que os deixassem mais froxos.
Leves.
Não encontro.
E fujo.
Corro.
Grito.
Choro.
Fujo.
Me escondo.
Do mundo.
Da vida.
Aí passa.
Aí volta.
Hoje, chega.
Um grandecíssimo nó.
Bem na minha cabeça.
Lá dentro.
Um, não.
Uns dois milhões.
Discutidos ad nauseam.
Argumentados.
Contra argumentados.
Simples, porém enormes.
Antagônicos.
Todos eles girando em torno da vida.
Minha vida.
Meus amores.
Meus.
Eus.
Meus errados.
Meus certos.
Meus desejos.
Os que nego.
Os que anseio.
Os que me faltam.
Eles me assombram.
Sempre voltam.
Sempre, sempre.
É tanto...!
Não consigo.
Hoje.
Nem discorrer.
Discursar.
Discutir.
Pensar.
Hoje.
Amarrados.
Firmes.
Juntos.
Emaranhados.
Me roubam as palavras.
O tempo.
Às vezes, a saúde.
Tudo o que eu precisava era uma caneta;
Um cabo de garfo;
Um alfinete de crochê.
Qualquer coisa que os deixassem mais froxos.
Leves.
Não encontro.
E fujo.
Corro.
Grito.
Choro.
Fujo.
Me escondo.
Do mundo.
Da vida.
Aí passa.
Aí volta.
Hoje, chega.
segunda-feira, janeiro 29
Quero voltar pro mato
Mal cheguei, meu horóscopo me avisou para ficar longe das pessoas.
Eu não levei a sério.
Tomei o cano de 13 pessoas.
Briguei com 3.
Fiz as pazes, mas fica aquela chateação de praxe, de quando eu percebo que vivo dando mais importância às pessoas do que elas me dão. Do quanto eu me dou de graça. Do quanto isso me deixa triste e do quanto eu gostaria, muitas vezes, que eu pudesse me consertar.
É o Dia da Marmota.
Tô cansada.
Pra caramba.
Vou comprar mais livros.
Eu não levei a sério.
Tomei o cano de 13 pessoas.
Briguei com 3.
Fiz as pazes, mas fica aquela chateação de praxe, de quando eu percebo que vivo dando mais importância às pessoas do que elas me dão. Do quanto eu me dou de graça. Do quanto isso me deixa triste e do quanto eu gostaria, muitas vezes, que eu pudesse me consertar.
É o Dia da Marmota.
Tô cansada.
Pra caramba.
Vou comprar mais livros.
Ser Mãe É...
Acordar com as galinhas numa segunda-feira de manhã, encarar fila de banco, passear por aí com uma lista de material escolar e depois sair, debaixo de chuva, por um bairro inteiro, toda carregada, procurando um roupão de princesa para a aula de natação da filha.
É que, como é de conhecimento público, minha filha agora acha que é uma princesa.
(Cá entre nós, nem pega bem eu negar que, dentro desta casa, ela é mesmo.)
Em dezembro teve a sua fase bailarina e logo depois virou a Branca de Neve - ou Princesa Neve, como ela dizia. Desde o Natal, o must é a Cinderela.
(Eu não aguento mais a Cinderela! Não aguento mais! Não aguento mais! Mesmo assim, é lindo e eu fico toda derretida quando ela pede preu ver um pouco com ela, por favor...)
Então as aulas dela recomeçam - Deus seja louvado por isso - daqui a uma semana, e a SuperMãe ataca novamente.
Ante esse furor filial pelas princesas - eu evito pensar nas conseqüências psicológicas futuras - já enfrentei várias caminhadas ao longo das ruas de cidade atrás da mochila das princesas do tamanho certo (e do preço mais em conta), da etiqueta para a mochila das princesas, do chinelo de dedo; enfim, de toda essa parafernália toda. Sim, eu dou meu rico e escasso dinheirinho para grandes multinacionais. O mundo não seria nada se não fossem mães como eu, nem as lojas de bijouteria existiriam se não fossem por nós, também, as mulheres cafonas - mas isso é outro assunto.
E eu estava lá, desde novembro, paquerando uma loja que para mim seria o sonho dos sonhos se eu fosse uma criança - toda especializada em fantasias para uso diário - mas que não dá para ficar freqüentando; só eu pudesse cometer desperdícios como, às vezes, gostaria. E, um dos ítens dessa loja de sonhos que eu paquerava, era um roupão de banho, lindo, estilizado, da porra da Cinderela. Me peguei, então, no meio de um daqueles meus ataques. Já havia gasto 30 Reais a mais do que acharei que gastaria, resolvi que era lucro gastar mais 50 no raio do roupão.
(É, nesta fase, a maioria das coisas supérfluas custam 50 Reais. Só vai piorar, eu tenho certeza.)
Não é que quando eu cheguei na loja, depois de todos esses meses, com roupões de todos os tamanhos e tipos; justo hoje; não tinha o tamanho da Olívia?!?
Uma pessoa normal teria desistido.
Eu saí revirando todas as lojas do bairro procurando.
Não achei e planejei revirar mais quantos bairros precisar.
Nessas horas e nestes casos, o sorriso de satisfação dos filhos é muito, mas muito mais importante do que a soma de dinheiro ou que as bolhas nos pés e a dor nas costas.
Aliás, meu bolso detestou brincar de comprar material escolar.
É preciso ser mãe mesmo para entender tudo que a sua passava.
Ai, ai...
É que, como é de conhecimento público, minha filha agora acha que é uma princesa.
(Cá entre nós, nem pega bem eu negar que, dentro desta casa, ela é mesmo.)
Em dezembro teve a sua fase bailarina e logo depois virou a Branca de Neve - ou Princesa Neve, como ela dizia. Desde o Natal, o must é a Cinderela.
(Eu não aguento mais a Cinderela! Não aguento mais! Não aguento mais! Mesmo assim, é lindo e eu fico toda derretida quando ela pede preu ver um pouco com ela, por favor...)
Então as aulas dela recomeçam - Deus seja louvado por isso - daqui a uma semana, e a SuperMãe ataca novamente.
Ante esse furor filial pelas princesas - eu evito pensar nas conseqüências psicológicas futuras - já enfrentei várias caminhadas ao longo das ruas de cidade atrás da mochila das princesas do tamanho certo (e do preço mais em conta), da etiqueta para a mochila das princesas, do chinelo de dedo; enfim, de toda essa parafernália toda. Sim, eu dou meu rico e escasso dinheirinho para grandes multinacionais. O mundo não seria nada se não fossem mães como eu, nem as lojas de bijouteria existiriam se não fossem por nós, também, as mulheres cafonas - mas isso é outro assunto.
E eu estava lá, desde novembro, paquerando uma loja que para mim seria o sonho dos sonhos se eu fosse uma criança - toda especializada em fantasias para uso diário - mas que não dá para ficar freqüentando; só eu pudesse cometer desperdícios como, às vezes, gostaria. E, um dos ítens dessa loja de sonhos que eu paquerava, era um roupão de banho, lindo, estilizado, da porra da Cinderela. Me peguei, então, no meio de um daqueles meus ataques. Já havia gasto 30 Reais a mais do que acharei que gastaria, resolvi que era lucro gastar mais 50 no raio do roupão.
(É, nesta fase, a maioria das coisas supérfluas custam 50 Reais. Só vai piorar, eu tenho certeza.)
Não é que quando eu cheguei na loja, depois de todos esses meses, com roupões de todos os tamanhos e tipos; justo hoje; não tinha o tamanho da Olívia?!?
Uma pessoa normal teria desistido.
Eu saí revirando todas as lojas do bairro procurando.
Não achei e planejei revirar mais quantos bairros precisar.
Nessas horas e nestes casos, o sorriso de satisfação dos filhos é muito, mas muito mais importante do que a soma de dinheiro ou que as bolhas nos pés e a dor nas costas.
Aliás, meu bolso detestou brincar de comprar material escolar.
É preciso ser mãe mesmo para entender tudo que a sua passava.
Ai, ai...
sexta-feira, janeiro 26
Maternidade comprovada
Que minha filha anda cada dia metida e falante, todo mundo sabe.
Aí que minha tia conta que quando eu era pequena, corria o dia todo atrás dela. Um dia, querendo respirar um pouco (e, ah, como eu entendo isso!), resolveu se trancar no banheiro da casa por alguns minutos. E então ela ouve uma batidinhas frenéticas na porta:
- Titia, abre. É mulher!!!
E lá estava eu, enquanto viajávamos. Fui ao banheiro para trocar de roupa - de criança de dois anos não é aconselhável fugir; ela pode fugir de você ou fazer algo pior, eles sempre conseguem algo pior. E então eu ouço as batidinhas:
- Mamãe, abre. É a Olívia Roxo!!!
Aí que minha tia conta que quando eu era pequena, corria o dia todo atrás dela. Um dia, querendo respirar um pouco (e, ah, como eu entendo isso!), resolveu se trancar no banheiro da casa por alguns minutos. E então ela ouve uma batidinhas frenéticas na porta:
- Titia, abre. É mulher!!!
E lá estava eu, enquanto viajávamos. Fui ao banheiro para trocar de roupa - de criança de dois anos não é aconselhável fugir; ela pode fugir de você ou fazer algo pior, eles sempre conseguem algo pior. E então eu ouço as batidinhas:
- Mamãe, abre. É a Olívia Roxo!!!
Uma semana depois...
E então nós viajamos de novo.
A bagagem que eu carreguei consistia em uma enorme (enorme mesmo) mochila de camping, uma bolsa de bebê com todos os acessórios e documentos que eu precisava ter à mão, uma sacola com o entretenimento da viagem (livros, jornal, biscoitos, água e uma Hello Kitty), e, a Bebê propriamente dita.
Na ida, a confusão foi que, com precisamente 4 minutos para o embarque, Liloca resolveu fazer um cocô. Antes fora do ônibus, o problema foi a correria para achar um banheiro, limpar e trocar a fralda, toda carregada e com este aperto no tempo. Mas eu, que ninja sou, consegui.
De resto, a viagem foi tranquila.
A chegada idem.
Passada na farmácia básica - porque quando eu viajo deixo as "coisas de farmácia" para serem adquiridas na cidade de destino - e fomos ao lar das férias.
Nossa chegada levou o sol também.
Pela primeira vez vi, de fato, minha filha nadando feliz com suas bóinhas de braço, como uma verdadeira peixinha. Durante os dias, eu ficava com as crianças (a esposa do meu amigo - também minha amiga, a bem da verdade - tem três filhos, sendo que dois são crianças ainda, com 7 e 9 anos) curtindo a piscina, o quintal, vendo dvds, essas coisas...
Hoje, eu pareço uma macaca da barriga branca e minha filha sustenta um belo bronzeado, para a inveja dos mortais que não têm férias de verão.
É, macaca da barriga branca.
Passar uma semana longe é supimpa, mas os pêlos - esses malditos! - insistem em crescer, os cabelos já estão denunciando minha idade, as unhas crescem e o esmalte descasca; o que acontece é a volta ao estado natural e primata do meu ser. Aquele baile assustador.
E como eu uso maiô, porque sou uma moça de família e ainda não acho decente sair mostrando minha pança, muito amavelmente cultivada, por aí na vista de todos; o bronzeado é lindo, mas a barriga fica brilhando no escuro.
De noite; cerveja.
Com várias variações.
Fazia um século desde que eu varava uma semana inteira bebendo com os amigos.
E sem ficar de porre, o que é mais bacana!
Grandes acontecimentos da viagem: show na praça, churrasco e parquinho.
Vou por partes.
Era sábado. O Grande Evento da cidade naquele dia ia ser a inauguração dos eventos de verão - todo verão a prefeitura organiza shows gratuitos na beira da Lagoa em uma área lá que tem um nome que eu esqueci. O astro do dia: Guilherme Arantes.
Tomou um susto?
Pois é.
Acontece que, quem está na chuva...
Pegamos e paramentamos as crianças e partimos.
Todos muito felizes.
Inacreditavelmente, eu descobri que conheço mais músicas dele do que imaginava. Cantei e dancei a altos brados. Minha filha deu show de balé. A iluminação do show era belíssima.
Acabou sendo um programa divertidíssimo!
(Enquanto isso, aqui no Rio, minha mãe ia ao tão falado e elogiado show do Chico... Enquanto isso, meu cão amado, o Coisa, dava seus últimos suspiros; morreu nesta madrugada, no colo da minha mãe, com 16 bem vividos anos e está fazendo uma falta...! Enquanto isso, deve ter gente pensando como pode uma pessoa amar Matanza e adorar um show do Guilherme Arantes - um dia eu ensino esse truque.)
Depois disso, passamos noites e noites a fio fazendo uma espécie de Campeonato de War. O que eu também achei deveras divertido, uma vez que, dessa vez, eu não tinha namorado jogando junto, então não saí na porrada com ninguém (nada pior que jogar esse tipo de jogo com namorado junto); além do fato de que meus adversários - eles sim - eram casados o que consiste em protecionismos e peninha na hora de atacar um outro, além de outros bagulhos, então eu acabei vencendo a maior parte dos jogos! Mente, mas mente muito, quem diz que não gosta de ganhar um jogo. Seja lá ele qual for.
Quase na véspera de vir embora, uma visita inesperada apareceu com a idéia de um churrasco na beira da piscina à noite. Idéia topada por todos. Ah, que coisa boa, amigos reunidos, cervejinha, filhotes, carninha, papos, risadas...! A mongona aqui esqueceu de levar o carregador do celular, mas adorou ficar recebendo mensagens de texto dos maigos que aqui ficaram de vez em quando; e isto está sendo citado aqui, porque no meio desse churrasco chegou uma dessas. Foi bom, muito bom, ter essa noite para matar as saudades de verdade.
E, na véspera da volta, conseguimos - nós, os adultos - nos organizarmos para levarmos as crianças ao parquinho. Todo ano, no verão, fica montado um parquinho na cidade. Daqueles parquinhos gostosos e pequenos de interior. As crianças já estavam nervosas, porque a ida ao parquinho já estava prometida ha mais de uma semana. A salvação da lavoura foi que os amigos de lá ganharam ingressos de cortesia para os brinquedos, já que cada brinquedo custava R$3,00 a ida e cada criança foi agraciada com 14 ingressos. Faz a conta aí. Liloca quase entrou em parafuso quando deu de cara com um trenzinho que tinha a carruagem da Cinderela como um dos seus carrinhos...Apesar de que os olhos dela brilhavam mesmo com aqueles brinquedos toscos que ficam girando, subindo e rodando que eu, obviamente, não fui. Nem ela. Obviamente.
Adultos satisfeitos. Crianças satisfeitas.
Assim voltamos para casa.
Apesar de, mais uma vez, não ter comida na boca, eunuco abanando e todas essas variações, encontrei uma casa limpa com descarga funcionando (a descarga aqui de casa já deu tanto problema que funcionava ha anos somente no registro). Dez milhões de e-mails me esperavam, uma bolsa com 3 máquinas de roupas a lavar, não sei mais o que acontece no mundo depois de uma semana sem jornais. Mas reencontrei minha cama. Minha banheira. Meu sofá. Minha cozinha. Meus livros a ler (o que eu levei foi devidamente devorado em tempo recorde, o que andava me dando um certo desespero). Meus amigos.
A rebordosa bate sempre, mas voltar ao lar e às coisas essênciais deste lar que nos é tão familiar, é genial. É que hospedagem atrapalha a vida alheia, te tira privacidade e a dos outros.
Anteontem, já estava tão exausta que minha cabeça girava toda vez que ouvia um "mãe" ou um "tia". De novo, vou prometer tentar alugar um lugar só nosso pro ano que vem.
De qualquer forma, é bom estar de volta.
A bagagem que eu carreguei consistia em uma enorme (enorme mesmo) mochila de camping, uma bolsa de bebê com todos os acessórios e documentos que eu precisava ter à mão, uma sacola com o entretenimento da viagem (livros, jornal, biscoitos, água e uma Hello Kitty), e, a Bebê propriamente dita.
Na ida, a confusão foi que, com precisamente 4 minutos para o embarque, Liloca resolveu fazer um cocô. Antes fora do ônibus, o problema foi a correria para achar um banheiro, limpar e trocar a fralda, toda carregada e com este aperto no tempo. Mas eu, que ninja sou, consegui.
De resto, a viagem foi tranquila.
A chegada idem.
Passada na farmácia básica - porque quando eu viajo deixo as "coisas de farmácia" para serem adquiridas na cidade de destino - e fomos ao lar das férias.
Nossa chegada levou o sol também.
Pela primeira vez vi, de fato, minha filha nadando feliz com suas bóinhas de braço, como uma verdadeira peixinha. Durante os dias, eu ficava com as crianças (a esposa do meu amigo - também minha amiga, a bem da verdade - tem três filhos, sendo que dois são crianças ainda, com 7 e 9 anos) curtindo a piscina, o quintal, vendo dvds, essas coisas...
Hoje, eu pareço uma macaca da barriga branca e minha filha sustenta um belo bronzeado, para a inveja dos mortais que não têm férias de verão.
É, macaca da barriga branca.
Passar uma semana longe é supimpa, mas os pêlos - esses malditos! - insistem em crescer, os cabelos já estão denunciando minha idade, as unhas crescem e o esmalte descasca; o que acontece é a volta ao estado natural e primata do meu ser. Aquele baile assustador.
E como eu uso maiô, porque sou uma moça de família e ainda não acho decente sair mostrando minha pança, muito amavelmente cultivada, por aí na vista de todos; o bronzeado é lindo, mas a barriga fica brilhando no escuro.
De noite; cerveja.
Com várias variações.
Fazia um século desde que eu varava uma semana inteira bebendo com os amigos.
E sem ficar de porre, o que é mais bacana!
Grandes acontecimentos da viagem: show na praça, churrasco e parquinho.
Vou por partes.
Era sábado. O Grande Evento da cidade naquele dia ia ser a inauguração dos eventos de verão - todo verão a prefeitura organiza shows gratuitos na beira da Lagoa em uma área lá que tem um nome que eu esqueci. O astro do dia: Guilherme Arantes.
Tomou um susto?
Pois é.
Acontece que, quem está na chuva...
Pegamos e paramentamos as crianças e partimos.
Todos muito felizes.
Inacreditavelmente, eu descobri que conheço mais músicas dele do que imaginava. Cantei e dancei a altos brados. Minha filha deu show de balé. A iluminação do show era belíssima.
Acabou sendo um programa divertidíssimo!
(Enquanto isso, aqui no Rio, minha mãe ia ao tão falado e elogiado show do Chico... Enquanto isso, meu cão amado, o Coisa, dava seus últimos suspiros; morreu nesta madrugada, no colo da minha mãe, com 16 bem vividos anos e está fazendo uma falta...! Enquanto isso, deve ter gente pensando como pode uma pessoa amar Matanza e adorar um show do Guilherme Arantes - um dia eu ensino esse truque.)
Depois disso, passamos noites e noites a fio fazendo uma espécie de Campeonato de War. O que eu também achei deveras divertido, uma vez que, dessa vez, eu não tinha namorado jogando junto, então não saí na porrada com ninguém (nada pior que jogar esse tipo de jogo com namorado junto); além do fato de que meus adversários - eles sim - eram casados o que consiste em protecionismos e peninha na hora de atacar um outro, além de outros bagulhos, então eu acabei vencendo a maior parte dos jogos! Mente, mas mente muito, quem diz que não gosta de ganhar um jogo. Seja lá ele qual for.
Quase na véspera de vir embora, uma visita inesperada apareceu com a idéia de um churrasco na beira da piscina à noite. Idéia topada por todos. Ah, que coisa boa, amigos reunidos, cervejinha, filhotes, carninha, papos, risadas...! A mongona aqui esqueceu de levar o carregador do celular, mas adorou ficar recebendo mensagens de texto dos maigos que aqui ficaram de vez em quando; e isto está sendo citado aqui, porque no meio desse churrasco chegou uma dessas. Foi bom, muito bom, ter essa noite para matar as saudades de verdade.
E, na véspera da volta, conseguimos - nós, os adultos - nos organizarmos para levarmos as crianças ao parquinho. Todo ano, no verão, fica montado um parquinho na cidade. Daqueles parquinhos gostosos e pequenos de interior. As crianças já estavam nervosas, porque a ida ao parquinho já estava prometida ha mais de uma semana. A salvação da lavoura foi que os amigos de lá ganharam ingressos de cortesia para os brinquedos, já que cada brinquedo custava R$3,00 a ida e cada criança foi agraciada com 14 ingressos. Faz a conta aí. Liloca quase entrou em parafuso quando deu de cara com um trenzinho que tinha a carruagem da Cinderela como um dos seus carrinhos...Apesar de que os olhos dela brilhavam mesmo com aqueles brinquedos toscos que ficam girando, subindo e rodando que eu, obviamente, não fui. Nem ela. Obviamente.
Adultos satisfeitos. Crianças satisfeitas.
Assim voltamos para casa.
Apesar de, mais uma vez, não ter comida na boca, eunuco abanando e todas essas variações, encontrei uma casa limpa com descarga funcionando (a descarga aqui de casa já deu tanto problema que funcionava ha anos somente no registro). Dez milhões de e-mails me esperavam, uma bolsa com 3 máquinas de roupas a lavar, não sei mais o que acontece no mundo depois de uma semana sem jornais. Mas reencontrei minha cama. Minha banheira. Meu sofá. Minha cozinha. Meus livros a ler (o que eu levei foi devidamente devorado em tempo recorde, o que andava me dando um certo desespero). Meus amigos.
A rebordosa bate sempre, mas voltar ao lar e às coisas essênciais deste lar que nos é tão familiar, é genial. É que hospedagem atrapalha a vida alheia, te tira privacidade e a dos outros.
Anteontem, já estava tão exausta que minha cabeça girava toda vez que ouvia um "mãe" ou um "tia". De novo, vou prometer tentar alugar um lugar só nosso pro ano que vem.
De qualquer forma, é bom estar de volta.
quarta-feira, janeiro 17
Festa de criança
Estou aqui indo me arrumar pra mais uma festinha de criança e me peguei pensando em várias coisetas...
Na minha época, as mães levavam seus filhos às festas, que aconteciam em casa ou - máximo do luxo - no play de um prédio. Festa de criança era uma coisa informal. Muitas vezes até, a mãe largava a criança lá na festa, ia dar uma volta e depois pegava de volta aquele mini-humano todo sujo e feliz.
Sem mencionar minha grande mágoa da Era Moderna de não ser mais autorizada a atender às festas que darei para minha filha no colégio...
Como tudo nessa vida evolui, hoje, festa de criança virou evento social fino.
Ou elas acontecem em plays paramentados com equipes de som, comidas, animação e milhões de outras invenções, ou em casas de festas - que eu, particularmente, acho mortais para pais, uma vez que os brinquedos são mais perigosos e a música, certamente, é muito mais alta.
Sem contar que quem leva as crianças hoje em dia é a babá das crianças. Os pais até comparecem, mas comparecem para fazer social com os outros pais, todos muito bem arrumados e penteados e perfumados - quem rala correndo atrás de criança é a babá.
Aí, olha como eu me encontro nessas situações: preciso pôr roupas arrumadas, que raramente são adequadas ao ofício de correr atrás da criança; estar de acordo com a etiqueta da fineza exigida; e ainda fico lá, me dividindo entre fazer meio social com os pais e meio social com as babás, minhas amigas de sujeira.
Pensando ainda em toda a paramentação das festa atuais - cheia de regalos para os pequenos - pensei aqui que as festas só vão ser festas para os pais (no caso, mães) também no dia em que oferecerem serviços para estas mães que acompanham seus filhotes. Já pensou que maravilha poder fazer o cabelo ou as unhas enquanto a luzinha da sua vida está lá se pintando, nadando em piscina de bolas ou dançando uma música da Xuxa? Ia ser o máximo dos máximos!
Isso tudo só porque eu estou pensando em roupa e que precisava muito fazer as unhas. Festa em lugar chique dá nessas reflexões.
Festa em lugar chique e viagem no dia seguinte de manhã.
Uma semana fora do Rio e sem manicure - vou voltar a verdadeira mulher macaco...
(E eu ainda não arrumei as malas...)
Na minha época, as mães levavam seus filhos às festas, que aconteciam em casa ou - máximo do luxo - no play de um prédio. Festa de criança era uma coisa informal. Muitas vezes até, a mãe largava a criança lá na festa, ia dar uma volta e depois pegava de volta aquele mini-humano todo sujo e feliz.
Sem mencionar minha grande mágoa da Era Moderna de não ser mais autorizada a atender às festas que darei para minha filha no colégio...
Como tudo nessa vida evolui, hoje, festa de criança virou evento social fino.
Ou elas acontecem em plays paramentados com equipes de som, comidas, animação e milhões de outras invenções, ou em casas de festas - que eu, particularmente, acho mortais para pais, uma vez que os brinquedos são mais perigosos e a música, certamente, é muito mais alta.
Sem contar que quem leva as crianças hoje em dia é a babá das crianças. Os pais até comparecem, mas comparecem para fazer social com os outros pais, todos muito bem arrumados e penteados e perfumados - quem rala correndo atrás de criança é a babá.
Aí, olha como eu me encontro nessas situações: preciso pôr roupas arrumadas, que raramente são adequadas ao ofício de correr atrás da criança; estar de acordo com a etiqueta da fineza exigida; e ainda fico lá, me dividindo entre fazer meio social com os pais e meio social com as babás, minhas amigas de sujeira.
Pensando ainda em toda a paramentação das festa atuais - cheia de regalos para os pequenos - pensei aqui que as festas só vão ser festas para os pais (no caso, mães) também no dia em que oferecerem serviços para estas mães que acompanham seus filhotes. Já pensou que maravilha poder fazer o cabelo ou as unhas enquanto a luzinha da sua vida está lá se pintando, nadando em piscina de bolas ou dançando uma música da Xuxa? Ia ser o máximo dos máximos!
Isso tudo só porque eu estou pensando em roupa e que precisava muito fazer as unhas. Festa em lugar chique dá nessas reflexões.
Festa em lugar chique e viagem no dia seguinte de manhã.
Uma semana fora do Rio e sem manicure - vou voltar a verdadeira mulher macaco...
(E eu ainda não arrumei as malas...)
Malas
Além de voltar pra casa, existe outra coisa muito chata em viajar: fazer as malas.
Fazer e desfazer.
Na feitura, a gente precisa ter certeza de que não se esqueceu de nada.
Na desfeitura, existem dentro de uma bolsa uma penca de roupas para lavar.
E eu ainda padeço do mal de não conseguir fazer mala pequena NUNCA.
...Aquele meu gênio dos sonhos bem que podia cuidar dessa parte pra mim também...
Mas, enquanto não tem gênio...
Lá vou eu de novo.
(Penúltima viagem de verão...)
Fazer e desfazer.
Na feitura, a gente precisa ter certeza de que não se esqueceu de nada.
Na desfeitura, existem dentro de uma bolsa uma penca de roupas para lavar.
E eu ainda padeço do mal de não conseguir fazer mala pequena NUNCA.
...Aquele meu gênio dos sonhos bem que podia cuidar dessa parte pra mim também...
Mas, enquanto não tem gênio...
Lá vou eu de novo.
(Penúltima viagem de verão...)
terça-feira, janeiro 16
Promiscuidade cultural
Eu preciso escrever.
A gente pode até dizer que, o que eu preciso escrever, será meu primeiro trabalho por encomenda que não uma redação escolar.
E aí fiquei eu aqui pensando que assunto abordarei, que introdução farei...
Cheguei à conclusão de que, pessoas como eu, que vivem de cultura - e por isso não quero dizer que ganham dinheiro com ela, porque eu não ganho ainda, só gasto - são absurdamente promíscuas.
O que é viver de cultura?
É se alimentar, às vezes no sentido literal, de livros, discos, filmes; enfim, material cultural.
E porque somos promíscuos?
Porque quem vive assim, não tem um escritor favorito; tem uma dúzia.
Não tem um cantor/banda favoritos, não tem um filme, ator ou diretor favoritos.
Em uma semana, todos estes seus favoritos mudam.
Se combinam e se misturam conforme sua fase de vida, sua companhia, sua vontade.
Esta semana mesmo - mais precisamente no espaço dos últimos dois dias - passei de um Garcia-Roza (que eu gosto, é um bom escritor e pessoa interessantíssima, mas que sobre o último livro eu ainda não sei opinar lá muito bem) para um Neil Gaiman (que, para mim, é um ser iluminado, capaz de escrever contos de fadas modernos que eu gostaria de escrever, de pensar como ele). Semana passada estava deliciada aqui com as desventuras das moças solteiras na casa dos 30. Isso é de uma promiscuidade literária absurda!
E só posso, na verdade, me referir a este caso; meu dvd continua refém da Cinderela (que já anda me irritando um pouco porque eu estou começando a achar que falta culhão naquela garota) e meu aparelho de som também foi raptado por uma mãe.
Mas, pensando, pensando, quem vive de cultura não é nada fiel, vive aberto a novos "casos de amor"; novos escritos, novas histórias, novas coisas novas - até de seus casos mais antigos.
E essa falta de fidelidade é uma coisa maravilhosa!
Não vai me servir para o que eu preciso agora, esta reflexão toda, mas serve para aconselhar quem é de casa, que neste caso em específico, ser promíscuo é maravilhoso e não traz problemas futuros. Só ganhos.
A gente pode até dizer que, o que eu preciso escrever, será meu primeiro trabalho por encomenda que não uma redação escolar.
E aí fiquei eu aqui pensando que assunto abordarei, que introdução farei...
Cheguei à conclusão de que, pessoas como eu, que vivem de cultura - e por isso não quero dizer que ganham dinheiro com ela, porque eu não ganho ainda, só gasto - são absurdamente promíscuas.
O que é viver de cultura?
É se alimentar, às vezes no sentido literal, de livros, discos, filmes; enfim, material cultural.
E porque somos promíscuos?
Porque quem vive assim, não tem um escritor favorito; tem uma dúzia.
Não tem um cantor/banda favoritos, não tem um filme, ator ou diretor favoritos.
Em uma semana, todos estes seus favoritos mudam.
Se combinam e se misturam conforme sua fase de vida, sua companhia, sua vontade.
Esta semana mesmo - mais precisamente no espaço dos últimos dois dias - passei de um Garcia-Roza (que eu gosto, é um bom escritor e pessoa interessantíssima, mas que sobre o último livro eu ainda não sei opinar lá muito bem) para um Neil Gaiman (que, para mim, é um ser iluminado, capaz de escrever contos de fadas modernos que eu gostaria de escrever, de pensar como ele). Semana passada estava deliciada aqui com as desventuras das moças solteiras na casa dos 30. Isso é de uma promiscuidade literária absurda!
E só posso, na verdade, me referir a este caso; meu dvd continua refém da Cinderela (que já anda me irritando um pouco porque eu estou começando a achar que falta culhão naquela garota) e meu aparelho de som também foi raptado por uma mãe.
Mas, pensando, pensando, quem vive de cultura não é nada fiel, vive aberto a novos "casos de amor"; novos escritos, novas histórias, novas coisas novas - até de seus casos mais antigos.
E essa falta de fidelidade é uma coisa maravilhosa!
Não vai me servir para o que eu preciso agora, esta reflexão toda, mas serve para aconselhar quem é de casa, que neste caso em específico, ser promíscuo é maravilhoso e não traz problemas futuros. Só ganhos.
domingo, janeiro 14
Vindo
O engraçado de quando a gente viaja é que começa um dia num lugar, faz algumas coisas nesse lugar e depois recomeça tudo em outro completamente diferente. Já perceberam?
*************************************
Outro final de semana maravilhoso.
Calmo.
Descansei, li, tomei minhas cervejinhas e enfiei o pé na lama literalmente.
Acabei participando ativamente de uma obra, pensando que, no futuro, isso será mais uma grande lembrança. Puta prova de amizade, cheia de risadas e momentos gostosos.
Fritei ao sol, que, sabiamente só apareceu um dia, caso contrário estaria eu intocável, também no sentido literal, agora - tenho essa falha de caráter; não pode fazer sol que eu fico lá torrando e depois fico toda roxa, cheia de dor.
Quem me dera a vida fosse assim em todos os finais de semana.
*************************************
O encontro que o povo temia aconteceu, como era previsto.
E sabe do quê mais?
Nada.
Não aconteceu nada.
Em todos os sentidos imagináveis.
Confesso que achei que os joelhos iam tremer, o coração ia bater mais forte, mas nada. Só sorrisos, abraços, rapidinho, numa boa.
Que nem pessoas crescidas, livres e amigas fazem por aí.
E isso é muito, muito bom.
*************************************
Impressionante como tudo e todos mudam em apenas um ano!
O lugar mudou.
A casa mudou.
O bar mudou.
As pessoas mudaram.
E ainda tem gente que acha que um ano não é nada...
*************************************
Agora, a rebordosa.
Toda vez que eu volto fico assim.
Entro num ônibus, vejo os prédios, os carros e já vem logo uma dor de cabeça, uma certa dificuldade em respirar, uma fobia de concreto.
Passa porque tem que passar.
Porque eu não tenho lá grandes escolhas no momento, só grandes objetivos.
Porque ainda é aqui que eu vivo.
Porque.
*************************************
Saudades grandes da minha filha.
Do sorriso dela.
Do beijo dela.
Do abraço dela.
Das tiradas dela.
Dela toda.
*************************************
Resta a espera.
Por Ela.
Pela passagens destes dias, para mais alguns dias, para aí retornar de vez.
Começar meu ano novo de verdade.
Fechada aqui no meio dessa coisa toda.
Esperando mais coisas.
*************************************
Outro final de semana maravilhoso.
Calmo.
Descansei, li, tomei minhas cervejinhas e enfiei o pé na lama literalmente.
Acabei participando ativamente de uma obra, pensando que, no futuro, isso será mais uma grande lembrança. Puta prova de amizade, cheia de risadas e momentos gostosos.
Fritei ao sol, que, sabiamente só apareceu um dia, caso contrário estaria eu intocável, também no sentido literal, agora - tenho essa falha de caráter; não pode fazer sol que eu fico lá torrando e depois fico toda roxa, cheia de dor.
Quem me dera a vida fosse assim em todos os finais de semana.
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O encontro que o povo temia aconteceu, como era previsto.
E sabe do quê mais?
Nada.
Não aconteceu nada.
Em todos os sentidos imagináveis.
Confesso que achei que os joelhos iam tremer, o coração ia bater mais forte, mas nada. Só sorrisos, abraços, rapidinho, numa boa.
Que nem pessoas crescidas, livres e amigas fazem por aí.
E isso é muito, muito bom.
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Impressionante como tudo e todos mudam em apenas um ano!
O lugar mudou.
A casa mudou.
O bar mudou.
As pessoas mudaram.
E ainda tem gente que acha que um ano não é nada...
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Agora, a rebordosa.
Toda vez que eu volto fico assim.
Entro num ônibus, vejo os prédios, os carros e já vem logo uma dor de cabeça, uma certa dificuldade em respirar, uma fobia de concreto.
Passa porque tem que passar.
Porque eu não tenho lá grandes escolhas no momento, só grandes objetivos.
Porque ainda é aqui que eu vivo.
Porque.
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Saudades grandes da minha filha.
Do sorriso dela.
Do beijo dela.
Do abraço dela.
Das tiradas dela.
Dela toda.
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Resta a espera.
Por Ela.
Pela passagens destes dias, para mais alguns dias, para aí retornar de vez.
Começar meu ano novo de verdade.
Fechada aqui no meio dessa coisa toda.
Esperando mais coisas.
sexta-feira, janeiro 12
Indo
"Sexta, 12 de Janeiro de 2007
Que delícia, fim de semana chegando... Se der para antecipar e passar o dia de papo pro ar, melhor ainda. Tudo convida ao nada fazer e a exercitar o ócio criativo. Estique as pinças na areia, deixe o Sol bater e a imaginação voar, sentindo o chuá-chuá das ondas em sua praia. O paraíso ao seu alcance, lá, ali, e até aí, na mesa do escritório."
Vamos combinar que já era bem o meu plano antes de ler o famigerado horóscopo do dia.
Estou eu, de partida, de novo, para mais um final de semana longe do Rio.
Mais uma vantagem das férias: eu vivo a vida que gostaria de viver todos os dias do ano. Longe do Rio a maior parte do tempo, longe de todas as loucuras nocivas, curtindo quem eu amo, vivendo com prazer.
Não consegui terminar a literatura mulherzinha antes da viagem por mais que me empenhasse no assunto (meu pescoço que o diga - agora quem dói é ele), o que quer dizer que terei que levar dois livros na mochila, ao mesmo tempo, como neste final de semana de semana viajaremos somente eu e meu anjo da guarda, isso não será lá um grande problema.
Ai, tô tão animada pra exercitar o ócio (a criatividade eu deixo a quem é de criatividade) que chega a doer!!!
Passei bons anos da minha vida viajando quase nada e é muito bom voltar a viajar sempre que possível.
(Reflexo da idade, entre outros bichos, creio eu.)
************************************
A franja da Licas não ficou assim tão ruim...
Mesmo assim, prometo não fazer de novo nunca mais.
************************************
Preciso:
Fazer backup das fotos que estão dentro do computador.
Desmontar a árvore de Natal.
Ir ao banco.
Lavar roupa.
Comprar o material de higiene da criança para o ano letivo que se aproxima.
Ir na Creche perguntar qual é a turma dela e saber onde diabos estão as fotos que eu paguei dela com Papai Noel.
Comprar calcinhas para ela para poder entrar de forma mais agressiva na etapa "Cocô no trono".
Voltar pra dieta.
Exterminar as espinhas.
Dar um jeitinho de ir ao show dos Mutantes - mesmo com a Zélia Duncan cantando, o que é um ponto negativo no meu ponto de vista.
Encontrar uma lâmpada mágica que me conceda o desejo de ser mais magra, ter os peitos em pé e um emprego bacana.
Ver todos os meus amigos de verdade antes do fim das férias sem que, para isso, tenha que ir a boates.
Pregar o porta cds na parede.
E por aí vai...
**********************************
Mas, por enquanto, só vou eu.
**********************************
Nenhum motivo para preocupação.
Juro.
Que delícia, fim de semana chegando... Se der para antecipar e passar o dia de papo pro ar, melhor ainda. Tudo convida ao nada fazer e a exercitar o ócio criativo. Estique as pinças na areia, deixe o Sol bater e a imaginação voar, sentindo o chuá-chuá das ondas em sua praia. O paraíso ao seu alcance, lá, ali, e até aí, na mesa do escritório."
Vamos combinar que já era bem o meu plano antes de ler o famigerado horóscopo do dia.
Estou eu, de partida, de novo, para mais um final de semana longe do Rio.
Mais uma vantagem das férias: eu vivo a vida que gostaria de viver todos os dias do ano. Longe do Rio a maior parte do tempo, longe de todas as loucuras nocivas, curtindo quem eu amo, vivendo com prazer.
Não consegui terminar a literatura mulherzinha antes da viagem por mais que me empenhasse no assunto (meu pescoço que o diga - agora quem dói é ele), o que quer dizer que terei que levar dois livros na mochila, ao mesmo tempo, como neste final de semana de semana viajaremos somente eu e meu anjo da guarda, isso não será lá um grande problema.
Ai, tô tão animada pra exercitar o ócio (a criatividade eu deixo a quem é de criatividade) que chega a doer!!!
Passei bons anos da minha vida viajando quase nada e é muito bom voltar a viajar sempre que possível.
(Reflexo da idade, entre outros bichos, creio eu.)
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A franja da Licas não ficou assim tão ruim...
Mesmo assim, prometo não fazer de novo nunca mais.
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Preciso:
Fazer backup das fotos que estão dentro do computador.
Desmontar a árvore de Natal.
Ir ao banco.
Lavar roupa.
Comprar o material de higiene da criança para o ano letivo que se aproxima.
Ir na Creche perguntar qual é a turma dela e saber onde diabos estão as fotos que eu paguei dela com Papai Noel.
Comprar calcinhas para ela para poder entrar de forma mais agressiva na etapa "Cocô no trono".
Voltar pra dieta.
Exterminar as espinhas.
Dar um jeitinho de ir ao show dos Mutantes - mesmo com a Zélia Duncan cantando, o que é um ponto negativo no meu ponto de vista.
Encontrar uma lâmpada mágica que me conceda o desejo de ser mais magra, ter os peitos em pé e um emprego bacana.
Ver todos os meus amigos de verdade antes do fim das férias sem que, para isso, tenha que ir a boates.
Pregar o porta cds na parede.
E por aí vai...
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Mas, por enquanto, só vou eu.
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Nenhum motivo para preocupação.
Juro.
terça-feira, janeiro 9
Mulher
Aí você, que obviamente está de conluio com a minha terapeuta, vai fazer a mesma pergunta que ela me fez hoje: tudo bem, Renata, muito bacana isso tudo, mas o que é que você está fazendo para você nestas férias?
Responderei com orgulho.
Estou me dando certos prazeres também.
O primeiro, é estar perto dos meus amigos.
Uma companhia constante é uma amiga que eu conheci no "colégio" (era segundo grau profissionalizante, logo, não era bem um colégio, além da nossa idade não ser mais tão tenra já nesse tempo), que descobri ser vizinha quase de porta e que se tornou uma amiga tão amiga que eu nem sabia há quanto tempo a conhecia! Ela se casou, mudou para Manaus, teve uma filha dois meses antes de mim e vem visitar os parentes que ficaram aqui nas férias de julho e dezembro. Eu fui ao casamento, estive perto quando a mãe dela faleceu, terminamos o "colégio", nossas filhas nas férias ficam as amigas mais grudadas e lá se vão 15 anos de amizade!
Fazer programas com as meninas têm sido uma ocupação prazerosa para ambas, sem contar as duas pequenas que dão berros da mais pura felicidade quando se vêem.
Depois de vários dias e vários bolos - segundo ele não oficias, já que não havíamos combinado nada oficialmente - consegui encontrar meu amigo aspirante a Glauber num almoço rápido, mas gostoso e cheio de saudades e outros bichos.
Depois de um mês de ausência sentida por conta das festas de fim de ano, também encontrei outro amigo, que tem sido um bom amigo e conselheiro desde que tornou a aparecer. Este é o amigo que me leva para sair, dançar, beber e me trata feito uma princesa; um amigo que anda cuidando de mim tanto o quanto pode. Que quando soube que meus homens nunca haviam me levado para jantar (fato) e que isto me deixava meio confusa quanto a um convite que andaram me fazendo, resolveu que em breve liquidará a questão. Que conseguiu me tirar da cama numa quinta à noite para uma noite deveras divertida me salvando, sem saber, de uma noite que eu não gostaria de ter.
Passei o ano novo cercada de amigos queridos.
Este final de semana migrarei para a casa do amigo que me faz mais falta nesta vida.
Passei o final de semana passado rodeada por familiares que me amam.
Estou me rodeando de pessoas que eu amo e que me amam também.
Depois, ando lendo.
Nenhuma novidade nisso, não?
Só este ano - ou seja, nos últimos 9 dias - já devorei a coletânea dos contos de "A vida como ela é" do Nelson Rodrigues (Amém!), tentei ler "Laranja mecânica" e me encontro atracada com a primeira dose literatura mulherzinha do ano ("Agora ou nunca").
Encontrar palavras para Nelson Rodrigues é quase sacrilégio.
Todos os contos são deliciosos; com a Copacabana que abriga todos os apartamentinhos mantidos para os casos extraconjugais; com o ideal de subúrbio onde todas as famílias respeitáveis e trabalhadoras moravam até que se dava alguma tragédia ou paixão alucinante; com as famílias em si, sempre cheias de perversões e segredos e defeitos tão maravilosamente humanos.
"Laranja mecânica" eu sinto muito. Na época deve ter sido um filme e tanto, um livro e tanto, para ter virado objeto de culto, que tem até uma ou outra coisa para pensar a respeito; eu, particularmente, achei uma grande bosta. Fico devendo essa.
Já a literatura de mulherzinha da vez está sendo deliciosa de novo. Rola uma identificação meio dolorosa com as duas personagens principais: uma que não consegue fazer e manter uma dieta e sofre com isso e outra que desistiu de se relacionar com os homens porque relacionamentos acabam em lágrimas e ela está melhor sozinha. Ambas com 31 anos. A história é em torno delas e de mais dois amigos delas, assim como das pessoas que entram e interferem e interagem com elas. Nada edificante, nada demais, só um romance gostosinho que eu tenho que terminar até quinta de madrugada para poder levar um livro novo e cabaçinho para a nova viagem - tenho medo do livro acabar no meio da viagem e eu ficar sem nada para ler.
O bom das férias é justamente poder me fartar de boas e gostosas leituras.
Tudo bem que elas acabaam de vez com a minha coluna, visto que nesta casa não existe um só lugar verdadeiramente confortável para se ler.
Precisa mais?
Tá bom. Ando me dando ao luxo de ir ao salão fazer as unhas toda a semana.
Vou fazer mais duas viagens - a deste final de semana que vem sozinha, inclusive.
Estão sendo boas férias.
Tranquilas.
Do jeito que eu ando querendo que a vida realmente seja.
Responderei com orgulho.
Estou me dando certos prazeres também.
O primeiro, é estar perto dos meus amigos.
Uma companhia constante é uma amiga que eu conheci no "colégio" (era segundo grau profissionalizante, logo, não era bem um colégio, além da nossa idade não ser mais tão tenra já nesse tempo), que descobri ser vizinha quase de porta e que se tornou uma amiga tão amiga que eu nem sabia há quanto tempo a conhecia! Ela se casou, mudou para Manaus, teve uma filha dois meses antes de mim e vem visitar os parentes que ficaram aqui nas férias de julho e dezembro. Eu fui ao casamento, estive perto quando a mãe dela faleceu, terminamos o "colégio", nossas filhas nas férias ficam as amigas mais grudadas e lá se vão 15 anos de amizade!
Fazer programas com as meninas têm sido uma ocupação prazerosa para ambas, sem contar as duas pequenas que dão berros da mais pura felicidade quando se vêem.
Depois de vários dias e vários bolos - segundo ele não oficias, já que não havíamos combinado nada oficialmente - consegui encontrar meu amigo aspirante a Glauber num almoço rápido, mas gostoso e cheio de saudades e outros bichos.
Depois de um mês de ausência sentida por conta das festas de fim de ano, também encontrei outro amigo, que tem sido um bom amigo e conselheiro desde que tornou a aparecer. Este é o amigo que me leva para sair, dançar, beber e me trata feito uma princesa; um amigo que anda cuidando de mim tanto o quanto pode. Que quando soube que meus homens nunca haviam me levado para jantar (fato) e que isto me deixava meio confusa quanto a um convite que andaram me fazendo, resolveu que em breve liquidará a questão. Que conseguiu me tirar da cama numa quinta à noite para uma noite deveras divertida me salvando, sem saber, de uma noite que eu não gostaria de ter.
Passei o ano novo cercada de amigos queridos.
Este final de semana migrarei para a casa do amigo que me faz mais falta nesta vida.
Passei o final de semana passado rodeada por familiares que me amam.
Estou me rodeando de pessoas que eu amo e que me amam também.
Depois, ando lendo.
Nenhuma novidade nisso, não?
Só este ano - ou seja, nos últimos 9 dias - já devorei a coletânea dos contos de "A vida como ela é" do Nelson Rodrigues (Amém!), tentei ler "Laranja mecânica" e me encontro atracada com a primeira dose literatura mulherzinha do ano ("Agora ou nunca").
Encontrar palavras para Nelson Rodrigues é quase sacrilégio.
Todos os contos são deliciosos; com a Copacabana que abriga todos os apartamentinhos mantidos para os casos extraconjugais; com o ideal de subúrbio onde todas as famílias respeitáveis e trabalhadoras moravam até que se dava alguma tragédia ou paixão alucinante; com as famílias em si, sempre cheias de perversões e segredos e defeitos tão maravilosamente humanos.
"Laranja mecânica" eu sinto muito. Na época deve ter sido um filme e tanto, um livro e tanto, para ter virado objeto de culto, que tem até uma ou outra coisa para pensar a respeito; eu, particularmente, achei uma grande bosta. Fico devendo essa.
Já a literatura de mulherzinha da vez está sendo deliciosa de novo. Rola uma identificação meio dolorosa com as duas personagens principais: uma que não consegue fazer e manter uma dieta e sofre com isso e outra que desistiu de se relacionar com os homens porque relacionamentos acabam em lágrimas e ela está melhor sozinha. Ambas com 31 anos. A história é em torno delas e de mais dois amigos delas, assim como das pessoas que entram e interferem e interagem com elas. Nada edificante, nada demais, só um romance gostosinho que eu tenho que terminar até quinta de madrugada para poder levar um livro novo e cabaçinho para a nova viagem - tenho medo do livro acabar no meio da viagem e eu ficar sem nada para ler.
O bom das férias é justamente poder me fartar de boas e gostosas leituras.
Tudo bem que elas acabaam de vez com a minha coluna, visto que nesta casa não existe um só lugar verdadeiramente confortável para se ler.
Precisa mais?
Tá bom. Ando me dando ao luxo de ir ao salão fazer as unhas toda a semana.
Vou fazer mais duas viagens - a deste final de semana que vem sozinha, inclusive.
Estão sendo boas férias.
Tranquilas.
Do jeito que eu ando querendo que a vida realmente seja.
SuperMãe
Eu sou uma mãe um pouco obsessiva às vezes.
A obsessão do momento é fazer com as férias da Licas sejam superaproveitadas: é proibido passar o dia em casa sem fazer nada (desde o início das férias só ficamos em casa dois inteiros - um que chovia, outro em que estávamos preguiçosas); programas culturais são necessários, com amiguinhos também; viagens estão programadas e acontecendo - eu queimo meus neurônios, minha verba mensal e todo meu estoque de energias por conta deste super complexo de supermãe que eu tenho.
(Aliás, meu complexo acabou de me levar a fazer uma coisa medonha: a franja da Olívia estava muito, muito grande; eu, incomodada, resolvi pegar a tesoura e mandar ver - achando que ia ficar lindo, porque, afinal de contas, eu sou uma supermãe. O resultado não poderia ter sido pior! Me lembrei de quando cortava os cabelos das minhas bonecas e também não dava certo e de quando eu me metia a cortar o meu cabelo e acontecia o mesmo desastre e porque eu havia resolvido nunca mais cortar cabelo nenhum, coitada... Sorte é que cabelo cresce. E que eu acho que dessa vez aprendi que existem certas coisas que uma mãe não pode fazer, não.)
Então, desenvolvi uma tara.
Quase uma perversão.
Resolvi que um dos programas de férias que seria certo de fazermos ia ser uma dia ao zoológico - e me poupem do discurso de que bicho em jaula isso e aquilo!
O lance é que ela está na fase de descoberta dos bichos, os livros dela são cheios de bichos, as historinhas cheias de bichos e eu não quero que minha filha cresça achando que leite vem de caixa, mas também não estou com condições financeiras suficientes para ir até a África para que elas possa conhecer os leõezinhos em seu habitat.
Então que eu já marquei o programa três vezes.
Em uma, fez um sol escaldante que não dava pra encarar; em outra, choveram canivetes; na última, resolveram atacar pessoas "normais" no meio das ruas do Rio de Janeiro, então não convinha ir até o suburbo ver bichinhos.
Agora marquei de novo.
Tem carona, tem coleguinha, tem biscoitos variados na despensa - aí chove!!!
Assim, não dá!!!
Eu não vou descansar enquanto não fizer essse maldito passeio, vou ficar aqui sofrendo, me sentindo um cu de mãe que não consegue cumprir suas metas de férias ou ter culhão suficiente para levar a criança sozinha mesmo.
Falando sério.
Preciso aprender a ser menos supermãe...
A obsessão do momento é fazer com as férias da Licas sejam superaproveitadas: é proibido passar o dia em casa sem fazer nada (desde o início das férias só ficamos em casa dois inteiros - um que chovia, outro em que estávamos preguiçosas); programas culturais são necessários, com amiguinhos também; viagens estão programadas e acontecendo - eu queimo meus neurônios, minha verba mensal e todo meu estoque de energias por conta deste super complexo de supermãe que eu tenho.
(Aliás, meu complexo acabou de me levar a fazer uma coisa medonha: a franja da Olívia estava muito, muito grande; eu, incomodada, resolvi pegar a tesoura e mandar ver - achando que ia ficar lindo, porque, afinal de contas, eu sou uma supermãe. O resultado não poderia ter sido pior! Me lembrei de quando cortava os cabelos das minhas bonecas e também não dava certo e de quando eu me metia a cortar o meu cabelo e acontecia o mesmo desastre e porque eu havia resolvido nunca mais cortar cabelo nenhum, coitada... Sorte é que cabelo cresce. E que eu acho que dessa vez aprendi que existem certas coisas que uma mãe não pode fazer, não.)
Então, desenvolvi uma tara.
Quase uma perversão.
Resolvi que um dos programas de férias que seria certo de fazermos ia ser uma dia ao zoológico - e me poupem do discurso de que bicho em jaula isso e aquilo!
O lance é que ela está na fase de descoberta dos bichos, os livros dela são cheios de bichos, as historinhas cheias de bichos e eu não quero que minha filha cresça achando que leite vem de caixa, mas também não estou com condições financeiras suficientes para ir até a África para que elas possa conhecer os leõezinhos em seu habitat.
Então que eu já marquei o programa três vezes.
Em uma, fez um sol escaldante que não dava pra encarar; em outra, choveram canivetes; na última, resolveram atacar pessoas "normais" no meio das ruas do Rio de Janeiro, então não convinha ir até o suburbo ver bichinhos.
Agora marquei de novo.
Tem carona, tem coleguinha, tem biscoitos variados na despensa - aí chove!!!
Assim, não dá!!!
Eu não vou descansar enquanto não fizer essse maldito passeio, vou ficar aqui sofrendo, me sentindo um cu de mãe que não consegue cumprir suas metas de férias ou ter culhão suficiente para levar a criança sozinha mesmo.
Falando sério.
Preciso aprender a ser menos supermãe...
quinta-feira, janeiro 4
Cigarras
Ai, as cigarras estão frenéticas!
Tá rolando uma cantoria aqui de dar inveja às Meninas Cantoras de Petrópolis!
Será que isso quer dizer que meu final de semana no mato vai ser de sol? Ou será que isso só vale para a região da cantoria? De qualquer forma, só de parar de chover um pouco para que eu possa sair na rua sem ter que carregar mochila, bebê e guarda-chuva nos meus braços e coluna já não tão eficientes, é uma benção!
Porque as responsáveis pelas boas notícias tinham que ser cigarras?
Invertebrados, num geral, são "coisas" que não gosto - na verdade, se pudesse, afogava todos com baygon, mas aí ia rolar um desequilíbrio ecológico bizarro além de estourar de vez com a camada de ozônio, o que ia frustrar meus planos de morrer com 100 anos só de sacanagem - tenho um terror imenso das anteninhas, das patinhas, das - argh! - casquinhas...!
E cigarras, ainda por cima, trocam de casquinhas!
E são enormes.
E têm aquelas asas enormes e transparentes.
E aquelas caras feias do inferno...
Arrrrrggggghhhhhhhhhhhhh!!!
Porque cigarras?
Não podiam ser, sei lá, coelhinhos do tempo...?
Tá rolando uma cantoria aqui de dar inveja às Meninas Cantoras de Petrópolis!
Será que isso quer dizer que meu final de semana no mato vai ser de sol? Ou será que isso só vale para a região da cantoria? De qualquer forma, só de parar de chover um pouco para que eu possa sair na rua sem ter que carregar mochila, bebê e guarda-chuva nos meus braços e coluna já não tão eficientes, é uma benção!
Porque as responsáveis pelas boas notícias tinham que ser cigarras?
Invertebrados, num geral, são "coisas" que não gosto - na verdade, se pudesse, afogava todos com baygon, mas aí ia rolar um desequilíbrio ecológico bizarro além de estourar de vez com a camada de ozônio, o que ia frustrar meus planos de morrer com 100 anos só de sacanagem - tenho um terror imenso das anteninhas, das patinhas, das - argh! - casquinhas...!
E cigarras, ainda por cima, trocam de casquinhas!
E são enormes.
E têm aquelas asas enormes e transparentes.
E aquelas caras feias do inferno...
Arrrrrggggghhhhhhhhhhhhh!!!
Porque cigarras?
Não podiam ser, sei lá, coelhinhos do tempo...?
...Já que eu não posso ir ao Caribe...
Na verdade, Caribe é apenas uma figura de linguagem, uma vez que tesão, tesão mesmo pelas ilhotas eu não tenho. Ilhota, aliás, é uma coisa que eu não freqüento nem em termos nacionais se tiver que pegar um barquinho...
Mas, enfim, dentro das minhas possibilidades atuais, quando chegam as férias - ainda que tortas - fico eu aqui, me virando do avesso, para tentar viajar o máximo que puder. Com e sem filha.
E sendo eu quem sou, antes que o mês começe, já estou com tudo programado e esquematizado e contabilizado.
Também fiquei avessa a mudanças e planos de última hora nos últimos anos.
Coisa de gente doida.
Então, começa amanhã a temporada de viagens de férias.
A primeira vai ser visita de final de semana ao meu fabuloso genitor.
Fabuloso não mora no Rio, se esconde num meio de mato no interior dele.
Interior daquele tipo raro, sabe? Daquele tipo que, na cidade, existe um bar, duas ruas, um mercado... Toneladas de nada para fazer e um milhão de invertebrados que arrepiariam os pêlinhos de qualquer patricinha depilada da Zona Sul carioca.
Para as crianças é genial.
Terreiro, gente! Alguém lá sabe, hoje em dia, o que diabos é um terreiro?
Um carramanchão?
Minha filha sabe.
Eu sei.
Ontem, quando a cigarra cantou - dizem que quando a cigarra canta é sinal de que no dia seguinte vai fazer sol - fiquei até mais felizinha; com sol, a roça é bem mais interessante...
...Além do fato de que eu comprei bóias de braço para a Licas em junho e nem vi ela usando ainda.
Enfim, lá vamos nós pro mato.
Depois, programei mais duas viagens - uma só para mim.
Nada muito chique também, mas supimpa em termos de afetividade, já que vou visitar amigos muito, muito queridos.
Só não aborreço de cair da cama toda vez que sonho com o Caribe, porque sei que serei uma velha viajadoira...
*******************************************
No meio disso tudo, tem um amigo.
Um amigo com quem eu apostei outro dia mesmo, que na hora "h", quando a velhice chegar, quem há de trocar suas fraldas sou eu e não essas moças dele. Um amigo que é quase um irmão.
Mas esse amigo irmão tá mal na fita pra caramba.
Imagina que ele está baseado na Colômbia ultimamente e veio ao Rio só para as festas de final de ano. Imagina que só hoje, na véspera da partida de ambos, que iremos nos ver. Agora imagina o sabão que ele vai levar...
*******************************************
Um dos maiores problemas de se viver em sociedade é esse: as pessoas atrapalham seus planos pessoais.
Eu perco horas preciosas da minha vida todos os meses organizando o meu mês (coisa de gente doida), aí, de repente, vem um sujeito que te dá bolo, outro que pede mudança de horário, outro que chega de viagem; e tudo aquilo que esquematizei fica bagunçado.
Ou eu mato essas pessoas ou páro com essa mania.
Matar as pessoas não é uma opção lá muito boa, porque, na cadeia, eu não vou poder ser uma velhota viajadoira - apesar de poder ficar lendo sem grandes interrupções.
Párar com a mania...?
Eu faço terapia; um dia isso passa.
*******************************************
E tá.
Agora que Licas está mais (ativa? independente?) crescida e tem uma disposição supimpa de viver, fico eu aqui obrigada a declarar que mãe nenhuma no mundo é páreo para um período de férias.
Não me entendam mal.
Quem me conhece sabe muito bem que eu adoro a companhia da minha filha e amo poder passar tanto tempo (útil e inútil) com ela, mas, num dia de "ócio", num mísero diazinho, a pessoa já tem que cantar, dançar, desenhar, contar história, passear, cozinhar, etc,etc,etc; imagina um mês...!
Confesso, não tenho criatividade suficiente.
Não tenho grana suficiente.
Às vezes, nem paciência suficiente.
Tô me sentindo vencida pelas férias escolares.
O DVD da Cinderela já está quase furando de tanto que passa nessa tv, tem dias que tem tanto papel com desenho e tanto lápis de cor/cera espalhado pelo chão que eu tenho vontade de me mudar... Tem dias em que parece que uma ou duas bombas explodiram por aqui.
Como se não bastasse, São Pedro resolveu me presentear com semanas chuvosas.
Preciso descobrir - ou criar - um curso de sobrevivência às férias para o próximo ano.
Mas, enfim, dentro das minhas possibilidades atuais, quando chegam as férias - ainda que tortas - fico eu aqui, me virando do avesso, para tentar viajar o máximo que puder. Com e sem filha.
E sendo eu quem sou, antes que o mês começe, já estou com tudo programado e esquematizado e contabilizado.
Também fiquei avessa a mudanças e planos de última hora nos últimos anos.
Coisa de gente doida.
Então, começa amanhã a temporada de viagens de férias.
A primeira vai ser visita de final de semana ao meu fabuloso genitor.
Fabuloso não mora no Rio, se esconde num meio de mato no interior dele.
Interior daquele tipo raro, sabe? Daquele tipo que, na cidade, existe um bar, duas ruas, um mercado... Toneladas de nada para fazer e um milhão de invertebrados que arrepiariam os pêlinhos de qualquer patricinha depilada da Zona Sul carioca.
Para as crianças é genial.
Terreiro, gente! Alguém lá sabe, hoje em dia, o que diabos é um terreiro?
Um carramanchão?
Minha filha sabe.
Eu sei.
Ontem, quando a cigarra cantou - dizem que quando a cigarra canta é sinal de que no dia seguinte vai fazer sol - fiquei até mais felizinha; com sol, a roça é bem mais interessante...
...Além do fato de que eu comprei bóias de braço para a Licas em junho e nem vi ela usando ainda.
Enfim, lá vamos nós pro mato.
Depois, programei mais duas viagens - uma só para mim.
Nada muito chique também, mas supimpa em termos de afetividade, já que vou visitar amigos muito, muito queridos.
Só não aborreço de cair da cama toda vez que sonho com o Caribe, porque sei que serei uma velha viajadoira...
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No meio disso tudo, tem um amigo.
Um amigo com quem eu apostei outro dia mesmo, que na hora "h", quando a velhice chegar, quem há de trocar suas fraldas sou eu e não essas moças dele. Um amigo que é quase um irmão.
Mas esse amigo irmão tá mal na fita pra caramba.
Imagina que ele está baseado na Colômbia ultimamente e veio ao Rio só para as festas de final de ano. Imagina que só hoje, na véspera da partida de ambos, que iremos nos ver. Agora imagina o sabão que ele vai levar...
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Um dos maiores problemas de se viver em sociedade é esse: as pessoas atrapalham seus planos pessoais.
Eu perco horas preciosas da minha vida todos os meses organizando o meu mês (coisa de gente doida), aí, de repente, vem um sujeito que te dá bolo, outro que pede mudança de horário, outro que chega de viagem; e tudo aquilo que esquematizei fica bagunçado.
Ou eu mato essas pessoas ou páro com essa mania.
Matar as pessoas não é uma opção lá muito boa, porque, na cadeia, eu não vou poder ser uma velhota viajadoira - apesar de poder ficar lendo sem grandes interrupções.
Párar com a mania...?
Eu faço terapia; um dia isso passa.
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E tá.
Agora que Licas está mais (ativa? independente?) crescida e tem uma disposição supimpa de viver, fico eu aqui obrigada a declarar que mãe nenhuma no mundo é páreo para um período de férias.
Não me entendam mal.
Quem me conhece sabe muito bem que eu adoro a companhia da minha filha e amo poder passar tanto tempo (útil e inútil) com ela, mas, num dia de "ócio", num mísero diazinho, a pessoa já tem que cantar, dançar, desenhar, contar história, passear, cozinhar, etc,etc,etc; imagina um mês...!
Confesso, não tenho criatividade suficiente.
Não tenho grana suficiente.
Às vezes, nem paciência suficiente.
Tô me sentindo vencida pelas férias escolares.
O DVD da Cinderela já está quase furando de tanto que passa nessa tv, tem dias que tem tanto papel com desenho e tanto lápis de cor/cera espalhado pelo chão que eu tenho vontade de me mudar... Tem dias em que parece que uma ou duas bombas explodiram por aqui.
Como se não bastasse, São Pedro resolveu me presentear com semanas chuvosas.
Preciso descobrir - ou criar - um curso de sobrevivência às férias para o próximo ano.
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