domingo, março 25

Okay

Sabe...
Na verdade, eu estou achando tudo um pouco fantástico.
Tudo bem que a parte de ser rejeitada e trocada não é lá muito legal, nem deixa ninguém muito feliz da vida. Mas também não é nenhuma novidade.
Além disso, dessa vez nem posso dizer que doeu tanto.
E é fantástico, do seu jeito, porque eu fiquei foi é me sentindo livre.
Zerada.
Eu estava pronta, mas presa de algum modo.
Agora não estou mais.
Pronta e zerada.
Agora sim vai ser um novo começo.
De uma forma meio estranha, isso tudo foi bom.
Me deu esperança.
Foi só uma coisa que eu já via que ia acontecer que aconteceu e me deixou okay dessa vez.
Okay...
No hard feelings.
Boa viagem, meu bem, e até qualquer dia!

sexta-feira, março 23

...

Essa semana não está sendo uma boa semana.
Em nenhum, ne-nhum, aspecto.
Nenhum.
Além de tudo mais, você nem pensou, nem perguntou, nem perdeu seu precioso tempo para tentar saber - eu poderia até dizer lembar, já que eu já havia lhe dito - o quê anda acontecendo.
O Motivo Principal.
Tens culhões para se dizer abandonado, quando abandonada estou eu.
Por ti.
Por ela.
Por tanta gente.
E é tudo tanto, que a lembrança me dói.
Todos os dias.
Nos últimos dias.
De ti.
Que não me quer e diz que não rejeita.
Que canta tudo quye eu posso ser e não vê.
Que me impede.
Do galego, que me assombra, diz que ama, que me espera, mas não nada nunca no mundo e por quem eu teria mudado toda uma vida.
Do amor, da felicidade, da plenitude que sentia quando estava com quem dizia não poder me amar e que hoje ama tão plenamente a outra pessoa.
De quem mentiu, deliberadamente, para mim.
De quem ainda me desperta calafrios e não me deixa pegar certas linhas de ônibus.
De quem eu ainda tenho medo de esbarrar.
De quem eu ainda não estou curada.
Precisava de ti.
Que me conhece e compreende.
Dele não me promete, que é carnal.
Dele que me protegia e preenchia.
Dos três.
Que me amam.
Que queria que aqui estivessem para me acalmar sobre aquele que amanhã pode ser bom ou acabar com com minha razão de vida.
Para segurar minha mão enquanto tenho medo, muito medo.
Para me acalentar para que eu possa descansar.
Estar pronta.
Precisava de uma fusão dos três em um.
Precisava só de ti, que vinha me ocupando e me tendo.
Precisava tanto.
E, ainda assim, não te tenho.
Não tenho a ninguém.
Só a mim.
Que ando gostando tão pouco de mim...
...E precisava tanto de ti.
Tão perdido em umbiguismos.
Tão esquecido.
Tão desleixado.
Tão pouco cuidadoso com quem te cuida tanto.
Tanto te quer.

Devia eu, estar acostumada.
Devia eu, ser tão mais forte.
Devia eu, salvar minhas lágrimas.

quarta-feira, março 21

A Barbie

Pois então...
Pouco antes do Natal, minha filha descobriu a Barbie.
Barbie: aquela boneca loura, peituda e de pernas compridas que toda garota tem pelo menos uma há décadas, e que é tão ícone de qualquer coisa que recentemente até divorciada virou.
Obviamente, eu já esperava que o "Momento Barbie" fosse acontecer em alguma hora da infância, mas não contava que fosse já.
Foi uma coisa inacreditável o primeiro contato.
A Barbie em questão era uma bailarina da prima de 3 anos.
Eu, cá com meus botões, já havia ficado muito espantada de uma menina de 3 nos ter uma.
Olívia quando viu ficou no encanto dos encantos com a boneca!
Agarrada e possessiva durante toda nossa estadia com a prima.
Pouco depois, viajamos de novo e ela, mais uma vez, encontrou uma Barbie - dessa vez de uma garotinha de 7 anos.
Novamente foi aquele encanto.
E eu comecei, então a maturar a idéia de comprar uma para ela.
Hoje em dia, existem, sim, Barbies caríssimas, mas também existem Barbies mais "populares". Eu, na verdade, achava que uma genérica já quebrava o galho e cumpria sua função.
E assim foi...
Após algum tempo de pesquisa, veio uma Barbie genérica.
Devidamente munida de mudas de roupa tão genéricas quanto ela.
E que causou grande comoção!
A frase de ordem ultimamente aqui em casa é "vou mostrar pra Luísa" - "vou mostrar pra Luísa" serve para comidas, acessórios, brinquedos, programas; para tudo - e a nova boneca entrou nessa.
O grande problema da Barbie genérica é que ela é genérica e sua composição corporal, vamos dizer assim, é absolutamente insufciente para sobreviver a uma criança de dois anos de idade. Foram dois dias de "mamãe, caiu pernas*", "mamãe, caiu braços", "conserta, por favor" em intervalos constantes de 10 minutos.
Mamãe aqui anda um pouco atabalhoada, atrapalhada e não muito paciente, como bem se sabe.
Então, mamãe aqui saiu correndo e embicou na primeira Lojas Americanas que viu pela frente e, em desespero, comprou uma Barbie original e deu mais alguns reais para a Mattel bem mais cedo do que poderia supôr.

(Ainda teve o desprazer de sacar o quanto é uma mulher desvalorizada, já que a Barbie loura era 8 reais mais cara que a morena!)

Olívia amou sua nova boneca, como não poderia deixar de ser, mas, imediatamente me olhou e perguntou: "cadê minha outra Barbie?".

...E eu achando que ia conseguir dar a volta nela...

Agora ela anda grudada com as duas, para cima e para baixo.

*Ela descobriu o plural. Não que saiba usá-lo corretamente ainda, uma vez que ela machuca seu braços ou seu pés, mas a gente chega lá! ;)

Ex's

E o que faz uma pessoa guardar tudo?
No caso, e-mails antigos de ex-namorados.
Eu também guardo cartas, fotos e afins, mas muito, muito bem guardados.
Guardados apenas por desencargo de consciência, porque essas pessoas fizeram parte da minha vida em algum momento passado e isso seria apagar a minha história de vida.
Mas, porque a gente precisa guardar os e-mails, assim, tão à vista?
Porque que quando a gente procura uma coisa boba acaba dando o mole de achar coisas que podem balançar tanto com a gente?
Pelo simples fato do que poderia ter sido e de como acabou.
Pelo momento particular de vida que eu estou vivendo.
Porque só olhar o nome ali já é confuso.
Porque?
Em alguns casos bastante específicos, ultimamente, eu bem que tenho me pego pensando - e verbalizando, e agora, escrevendo - o quanto seria bom, fácil, se ex-namorados tivessem um pó de pirlimpimpim qualquer que os fizesse simplesmente sumir - puf! - desaparecer, sem mais poder ter o poder de atrapalhar você, que segue com a sua vida sem eles.
Não por mágoas - tenho muito poucas não resolvidas com eles.
Não por ainda existir sentimentos de amor - no máximo um tremer de pernas.
Seria simplesmente fantástico se os e-mails se evaporassem até a gente ter uns 90 anos e precisar deles para lembrar de alguma coisa, se eles não mais conhecessem as mesmas pessoas que você, se eles não pudessem aparecer sem aviso quando você está andando descabelada e desmazelada pelas ruas num dia comum, se eles fossem banidos para o Cazaquistão até que você esteja tão curada deles que já não importa nada se eles estão lá ou aqui.
Porque, em casos bem específicos, nada disso, por mais maldoso que seja e por mais karma que possa me acrescer, não me parece mal por esses dias...

A minha casa

E nisso, existem sempre problemas que existem, mas que eu não posso resolver de forma prática.

De vez em quando eles me assaltam.

E, hoje, eu me peguei, de novo, pensando na minha casa.
Naquela casa que eu planejo ter há mais de um ano.
Ao invés de ser assaltada pela melancolia da coisa - a melancolia pelo tempo em que eu vou levar para ter ainda essa casa - hoje eu pensei na casa em termos diferentes.
Pensei em tudo que eu ainda tenho que passar para tê-la de fato.
Pensei no prazer que eu vou ter de ter passado por tudo para poder chegar a ela.
Me imaginei, me vi, olhando e falando: caramba, eu consegui.
"Eu tanto quis e tanto fiz que eu consegui. Minha casa. A casa que eu sonho desde...".
E isso me deu um alento...!
Me deu, já, uma sensação boa de conquista.
Me fez acreditar que eu vou conseguir de verdade.
Me deixou na boca o gosto que eu vou ter em tê-la.

Porque a gente vive uma vida complicada, numa cidade complicada.
A vida é difícil. Ponto.
A cidade está em guerra civil.
Ou você se rende, ou convive com ela - e tem medo de um jeito ou de outro.
Eu leio, vejo, escuto casos.

Vivo casos.

Semana passada, uns amigos vieram me deixar em casa.
Assim que o carro encostou, uma patrulinha vinha subindo a rua. Eu desci com um dos meninos e a patrulinha encostou, perguntou aos rapazes o que eles estavam fazendo aqui; não sei se a resposta não foi clara ou o quê, mas um dos PMs resolveu então saltar do carro de arma na mão e vir abordar o carro em pessoa. Eu dizia que eles só estavam me deixando em casa. Devo ter repetido umas duas vezes antes de começar a atravessar a rua de volta e da miha mãe ter, então, aparecido abrindo a janela com um certo barulho. Lá pela quarta vez que eu repetia que eles só estavam me deixando em casa, já com o outro PM do lado de fora do carro, também de arma na mão, pelo mesmo motivo oculto que o cara saiu do carro, ele resolveu voltar. Eles ainda ficaram parados um tempo na rua, e eu, tensa, me despedi com pressa.
Nesse dia, além de todos os meus direitos que já são diariamente violados, me roubaram o direito a um beijo de boa noite.
Eu, como boa carioca que sou, engoli mais essa violação e nada fiz ou falei.

Compreendo o medo deles, veja bem, mas acho absurdo que já abordem amigos meus de arma em punho por causa de uma carona, no meu caso após uma noite de trabalho.

Então, minha mãe vem pedir cuidado agora sempre que eu saio por causa do caso "x" ou do caso "y". Eu não vou deixar de sair. Saio, às vezes, com medo - sempre com cautela - mas não posso deixar de sair.

Também não pretendo envelhecer com esse medo, nem dessa forma.

E ainda há quem ache que eu que estou errada de não querer mais morar aqui.
Que eu que estou errada de querer beijos de boa noite, noites de liberdade, casas ao invés de apartamentos brutalmente protegidos e vigiados, laranjeiras no meu jardim - um jardim.

terça-feira, março 20

Depois eu tenho que contar da Barbie...

Óbvio

Eu ando ficando tão boa em auto diagnóstico que eu deveria também começar a ponderar porque cargas d'água eu continuo pagando minha terapeuta...

É simples.

O ano - o meu ano - finalmente começou.

Metida que eu sou, peguei matérias bastante trabalhosas e um bocado avançadas na faculdade. Nada que muito trabalho não vença, mas ainda assim, trabalho.
Muito.

Eu gosto de bastidores.
Amo fazer as coisas, trabalhar por elas, mas não gosto de aparecer.
De repente me escalaram para aparecer.
Okay, ser locutora de rádio não é exatamente exposição de figura.
Okay, fato já percebido anteriormente, os locutores com as vozes mais fantásticas não são lá as maiores beldades.
Eu muito me espantei, visto que já ouvi minha voz gravada e não gostei.
Não gosto da minha voz.
Mas também não tenho nenhum poder decisivo real nessa questão.
Ouço e obedeço.

Na outra aula, "ganhei" um professor tão bom (ególatra, mas bom) que sinto uma necessidade incrível de mostrar àquele sujeito o quão boa e inteligente eu posso ser.
Transferência.
Dispendiosa e trabalhosa.
Mas, que faz de mim alguém necessariamente melhor do ponto de vista intelectual (sem kant, hein!).

As pendências judicias continuam e são um saco.
O tipo de coisa que me faz pensar como seria bom voltar a ser criança.
E, na maioria do tempo, isso é uma tremenda inverdade.
Ser adulta tem lá as suas vantagens.

Pela primeira vez desde que a Licas nasceu, comecei a correr atrás, aceitar e fazer alguns pequenos trabalhos. De verdade.
Nada genial, nem que nos sustente com louvor - ou sem louvor - mas ainda assim, trabalhos.

Fisicamente, ando bastante insatisfeita comigo mesma.
O cabelo não está curto, não está grande, não está com a cor certa.
O rosto, volta e meia tem espinhas - ainda que minúsculas.
A ocupação espacial só faz aumentar.

Tem dois meses que eu espero uma consulta com um cara que deve ser o Rei da Cocada Preta das dietas, que está marcada para semana que vem.
Isso me deixa tensa.
Nesse meio tempo, apelei para um chá, que era ótimo, mas que eu não tenho mais tempo de tomar porque passo o dia na rua agora e o tal chá maravilha é laxante.
Fui me inscrever na Curves e a filial perto da minha faculdade ainda não foi inaugurada.
Tinha acupuntura marcada e o médico não foi.
É um complô.
Eu fiz todo um plano, pela primeira vez na minha vida, de que tenho que estar alguma coisa mais magra no dia do meu aniversário.
Daqui a quatro meses.
Quando os 30 anos chegarem e me arrebatarem.
Daqui a quatro meses, eu preciso de um par de calças que me caiba decentemente.

Meus dias começam de manhã bem cedo agora e terminam bem tarde.
Em muitos dias, o máximo que eu consigo dormir é 4 horas por noite.
Tudo bem adulto.
Tudo para que eu consiga ler tudo que preciso, ver tudo que preciso, preparar tudo que preciso, trabalhar no que me comprometi, cuidar da minha filha sem ser relapsa.

E aí, eu me pego pensando em rapazes.
Rapazes genéricos.
Rapazes.
Que eu bem quero e bem preciso.
Preciso porque acho que mereço ser premiada, recompensada pelos meus esforços, por assim dizer.
É o básico do meu modus operandi quando as coisas ficam demais.

Mesmo me sentindo num dos meus piores momentos comigo mesma, não é que as oportunidades têm aparecido? Elogios e oportunidades.

Nada muito digno de nota, se não fosse isso: eu não ando gostando de mim, mas outras pessoas andam.

Entelinhas e diagnósticos?
250 só nesse texto confuso.

É tudo muito óbvio, na verdade.

Quase como que noticiar que as crianças do Iraque têm pesadelos com a guerra.
(Isso foi notícia no jornal hoje. Faz parte de novo do meu dia ler jornal todos os dias e ter que me deparar com uma coisa dessas...)

terça-feira, março 13

Eu & Meu Horóscopo

"A dinamização da libido
13/03 (hoje) às 23h13 a 28/03 às 8h24 Marte em trigono com Vênus natal

Entre os dias 13/03 (hoje) às 23h13 e 28/03 às 8h24, o planeta Marte estará formando um ângulo harmonioso em relação ao planeta Vênus do seu mapa astral, Renata. Este tende a ser um período particularmente positivo para o sexo, o prazer, uma fase em que você provavelmente sentirá que está irradiando um magnetismo pessoal maior, e de fato estará... Convém aproveitar o momento, circular mais, fazer-se ver, exibir-se um pouquinho não faz mal ninguém, afinal de contas.

O magnetismo pessoal irradiado neste momento vai bem além da mera esfera sexual, entrando em todas as suas áreas sociais, do trabalho às amizades. As pessoas estarão percebendo em você um "tesão maior" para fazer as coisas, uma percepção de que você estará tendo mais prazer em viver a vida. E você, é claro, poderá contaminar positivamente os outros com esta qualidade, neste momento. "

Dramático...

domingo, março 11

Ready again

Foi um longo fim de férias.
Cansativo em todas as suas cores e possibilidades.
Em muitos momentos, angustiante.

(Já pararam para pensar na angústia? No quê ela é? Como ela vem e vai, vem e vai...?)

O período fora, é período fora.

Cada vez mais, o que passou, passou.
Cada vez mais, eu não gosto de lembrar de coisas passadas.
Ver fotos antigas.
Lembrar conversas e acontecimentos.
Certas lembranças são dolorosas e dor é um sentimento desnecessário.
Aquilo que foi feito no segundo passado jamais poderá ser desfeito; com sorte, melhorado (ou piorado), talvez até remendado. Desfeito, nunca.
Eu e minhas "coisas" doidas.
De alguma maneira, o conceito de não carregar sentimentos negativos se enraizou no meu ser de tal forma, que virou isso aí.
Não gosto mais de lembranças.

Descobri semana passada, também, que estou virando uma velha ridícula.
Depois de tanto assistir - sorver - filmes de terror japonês ao longo do ano passado, de repente me vi na seguinte situação: estava eu no paraíso; em casa, sem mãe nem criança, sem compromisso e resolvi que ia tomar um longo banho de banheira. A banheira começou a encher, eu entrei e fui assaltada por um pânico absolutamente surreal, uma certeza quase absoluta de que alguma coisa ia aparecer lá dentro do meu banho ou que alguém ia me agarrar por trás - as cenas clássicas. De nada adiantou me xingar mentalmente e tentar me convencer de que nada disso ia acontecer, tive que sair da banheira.
O que faz de mim uma velha ridícula.
Extremamente ridícula de resolver ter medo de tomar banho sozinha a essa altura do campeonato.

De qualquer forma, nem foi sobre isso que eu vim escrever.
Não foi o que me fez voltar.

Foi a angústia de novo.

Já fazem uns dias que eu prestei atenção em algumas coisas.
Ando pensando em algumas coisas.
Coisas do meu já tão maltratado coração.

O fim do último "relacionamento" foi o mais doloroso que eu tive nos últimos dois anos. No início, eu nem me dei muito conta disso, já andava adepta de ser inimiga do passado, então resolvi tentar de novo. Mas me relacionar, fazer aquela dança do acasalamento que eu tanto detesto e levo tão pouco jeito e tenho tão pouca paciência, beijar outra boca, estar com outro corpo não me caiu bem. Não parecia certo. Não era o que eu queria. Ainda mais quando o meu peito pedia por uma pessoa que eu já não podia ter.
Então eu me fechei.
Resolvi respeitar meu próprio luto e meu próprio tempo.
Durante esse tempo, apenas uma outra pessoa pôde se aproximar um pouco mais de mim. E isso estava ok. Está ok.
Mas tem uns dias já que eu percebi que o luto acabou.
Que, por mais que a lembranças me venha de vez em quando, que o medo permaneça e tenha tomado novos contornos; por mais que eu ainda não tenha as condições que eu mesma ache "apropriadas" para me envolver com alguém de novo; estou sentindo uma falta tremenda de estar apaixonada. Estou precisando me apaixonar de novo.
Poderia ser pela "pessoa". Facilmente. Mas a "pessoa" tem coisas com a paixão, não é o que ele quer e eu não vou ser doida de deixar que isso aconteça.
Sim, o princípio básico é predisposição para se apaixonar.
E, sim, a gente não manda no coração um sem número de vezes - eu sei.
Mas a gente pode manobrar as coisas e ter um acordo prévio de um relacionamento sem chances já é meio caminho andado para isso.
Mesmo que a pessoa seja realmente fantástica (e não veja) e você ache... Enfim, não vem ao caso.
Então eu preciso de uma pessoa nova.
Preciso de telefonemas de boa noite. De corações acelerados. De encontros fortuitos. De risadas cúmplices. De programas em casal. De beijos. De cheiros. De gostos. De histórias. De tudo.
Preciso e quero.
Anuncio com orgulho.
Me angustio é por pensar nisso.
Pensar aonde essa pessoa pode estar.
Quanto tempo ela ainda vai demorar.
Se eu vou ver ela chegar.
Se não vou deixar passar.

O amor é uma coisa muito complicada.

Né?

Hoje é um sábado à noite.
Inevitável que venha à cabeça que o Mundo está lá fora e eu estou aqui.
Inevitável que me ocorra aquela canção do Michael que diz: "I sit around, with my head hanging down, and I wonder who's loving you..."
Inevitável que esteja me sentindo solitária.
Fazia tempo que não me sentia solitária.
Tão solitária.

Eu ando, eu estudo, eu lavo, passo, cozinho, crio filha, pago conta, resolvo perrengue, eventualmente trabalho fora, leio, vejo filmes, saio, volto, viajo... Minha vida é até bastante boa, atribulada e satisfatória.
Mas são nos sábados à noite, sentada sozinha numa sala quente feito o inferno e cheia de insônia que pensamentos como estes ficam mais fortes, quase tangíveis.
O que me faz falta hoje, me faz falta já há bastante tempo, mas, às vezes, é só como aquele sapato que você não pode comprar.
Hoje, meu sapato virou item de necessidade básica.
Ainda que seja uma vitória para mim reconhecer essa mudança de status.

quarta-feira, fevereiro 14

Luz e contraste

Toda vez que eu vou à praia agora eu me espanto com algo, lá do lato do meu posto de observadora do Mundo.

Sábado, de repente, apareceu um transatlântico, daqueles que a gente ouve falar, mas pouco vê por aí. Daqueles que até deveriam ser bastante divertidos não fosse o fato de estarem dentro d'água. Ele apareceu lá no canto do Leme, soltando um daqueles apitos de navio que a gente vê em filme. Enorme. Um monstrengo branco no meio de um monte de barquinhos de passeio que se não fosse ele ter aparecido lá longe a gente sequer notaria tão imersos na paisagem que estão.
No que eu vi o barcão, notei também, na beira da praia, em contraste extremo com todo aquele povo caído, queimado e de biquini, um senhor.
Um senhor daqueles de filme de nordestino, sabe?
Bem pobrinho, com uma sacola de viagem bem surrada num ombro, boné na cabeça, um bebê no outro ombro e uma menininha segurando a mão da sacola. Uma família atípica num lugar atípico. Olhando, assim como eu, e com a maior atenção, aquele monstro branco que passava lá no fundo fazendo grande alarde.
A maioria das pessoas não prestou a atenção que nós prestamos nele.
A maioria das pessoas não prestou atenção neles.
Eu achei de um contraste tão absurdo; aquela família, que muito provavelmente nunca vai andar naquilo observando tão atentamente aquele símbolo de luxo e riqueza tão distantes. Fiquei a imaginar se dali não teria nascido naquele momento uma daquelas histórias em que a menininha então vai sair, batalhar, fundar uma empresa ou cantar ou rebolar ou fazer algo que lhe dê toneladas de dinheiro só para poder levar seu velho pai para andar de navio por causa daquela tarde em Copacabana.

Hoje, como tem sido de praxe, o mar estava uma coisa lamentável de sujeira. Havia uma espuma marrom que eu tenho certeza que vai desencadear uma centena de doenças de pele mutantes sem que as pessoas que brincavam tão alegremente venham sequer a se dar conta que a culpada foi ela. Ela borbulhava na areia quando as ondas vinham, quase como se fosse realmente um Ser. Do Mal.
Além dos riscos marrons, manchas pretas e rastros de lixo na areia.
Uma pena das penas das penas.
Nem sou das pessoas mais ecológicas do planeta, mas morro de pena ao ver como o homem destrói aquilo que lhe é dado de tão bom grado e de forma tão generosa. Bem feito para nós que daqui a alguns anos não vamos poder mergulhar mais sem que nos caia um braço e vamos morrer de sede e feder como se fedia na Idade Média por conta dessa burrice tão imensa.
O mar hoje, por sinal, estava como há anos eu não via. Ondas enormes, que vinham e levavam tudo que desse mole no meio do caminho, tomavam conta também da areia que em certos pontos mal existia... Como se ele também estivesse furioso. E estivesse mostrando a quem quisesse ver o quanto ele estava furioso.
Enquanto observava este espetáculo bem lá de longe, deixando o sol bater no meu rosto, fui acordada dos meus devaneios quando um senhor começou a tocar o tema da Pantera Cor-de-rosa em um trombone de vara.
Sim, um trombone de vara no meio da praia.
Que tal?

Cada vez que eu vou, observo um espetáculo. Do homem e/ou da natureza. Em altos contrastes.
Fico sempre embevecida.
Perdida em milhões de pensamentos.

Mas, precisar mesmo, eu precisava era pensar menos e conseguir luz de mais.
Luz, energia.
Apesar das caminhadas, os dias têm sido trabalhosos.
Cansativos.
Têm exigido demais de mim em todos os sentidos.
As madrugadas têm sido de imensas batalhas.
Volta e meia elas acontecem.
E passam.
Mas o durante sempre me deixa massacrada.
Por isso preciso de mais luz.
Para conseguir passar por mais essa, acordar, levantar, continuar tudo que eu sempre faço sem que me perca, sem que erre feio, sem sucumbir.
Não são mais cores.
É luz.

Luz e contraste, hein...
Uau...

segunda-feira, fevereiro 12

A Frase

Assim como quando me descobri grávida, em dias como o de hoje, o que mais me vem à cabeça é aquela frase celébre que todos os médicos de Nelson Rodrigues viviam dizendo às pobres "heroínas":

"- Na hora de fazer gostou, não foi? Agora agüenta."

Claro, claro...
Eu aguento...
Às vezes, como hoje, mal e porcamente, mas agüento...

*Suspiro*

Tem um caboclo solto por aí que não quer que eu tenha férias, cara...
Ameaça uma tempestade, um pequeno nariz escorre, faz frio no Rio.

Não tem jeito, né?
A vida só começa depois do Carnaval...

Passa, carnaval, passa...

sexta-feira, fevereiro 9

Só um pensamento

Outro dia eu estava na rua com um casal de amigos.
De repente, ele começa com um tal de "cuidado com o carro", "vamos por ali" e ela me diz, rindo: "Ele acha que eu não sei andar na rua sozinha".
Eu respondi: "Puxa! E como foi que conseguiu andar durante os 30 anos que passou sem ele?".

Que nem amizade.
Existem amizades que você é obrigada a fazer com aquele moleque melequento ou com aquela garota nojenta porque eles são filhos do Fulano de Tal e da Maria das Couves, que são amigos dos seus pais. Eu tenho, inclusive, amizades que começaram assim - por imposição - e que duram até hoje, bonitas pra caramba, mas enfim...
A sua primeira amizade.
A que você fez.
Sozinho.
Com certeza não foi se enfiando debaixo das saias da sua mãe, ou de mãos dadas com ela.

O ponto é, pára pra pensar em tudo que você faz sozinho.
Que pode fazer sozinho.
Que não depende de ninguém para fazer.
Em como você sobrevive legal a ruas lotadas, colégios, eventos sociais, filas de banco...
Em como você sobrevive.

Não sei você, mas eu acharia, inclusive, um saco ir a algum lugar com alguém pendurado em mim tentando me dar atenção todo o tempo, ou tentando me pajear o tempo todo.
Atenção é ótimo.
Mimo é ótimo.
Cuidado é ótimo.
Mas tudo que é muito enjoa, não?

Anyway, isso é só um pensamento...

3:33 A.M.

"Color me once color me twice
Everything gonna turn out nice
Everlasting arms you gotta keep me from these false alarms
Alarm, alarm I see you sad
Maybe I see you I'm glad
Maybe maybe t he fire of her desire
Patience patience said the man
Patience patience I can't understand
Patience like a man and a wife I got patience on my neck like a cold cold knife"

Previsão para 09/02

"Previsão para 09/02

Reunião, então? Muito bem, faça a rodinha de caranguejos e ponha os pingos nos Is. Vá fundo, não deixe as coisas importantes e que lhe incomodam passarem assim, sem mais. Você bem sabe que elas não passam de verdade, que seguem dando voltas e voltas em sua concha, lhe dando enjôo, gastrite e outras ites. Cuide de sua paz."

Eu preciso parar de ler horóscopo...

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E quem disse que a quinta-feira não foi proveitosa?

Criança em casa ainda acidentada, mas já sem febre.
Mãe morrendo de calor.
Faxineira tentando arrumar a casa.
Tia vindo visitar.
Encontro rápido com amigos.
Pingos nos Is, um dia antes da previsão.

Fora isso, redescobri uma coisa nova.
Hoje eu me sentei para colorir pôneis e outros bichos com a minha filha.
Cada uma com seu desenho, deitadas no chão, divindo lápis.
Engraçado como a gente esquece dos pequenos prazeres da vida a medida que vai crescendo!
Foi divertido!
Me fez lembrar que faz tempo também que eu não desenho.
Parei de desenhar, de repente, há uns três anos.
Eu resolvia e pensava tanta coisa quando desenhava, cheguei até a pensar que viveria disso. Hoje não desenho mais. Não tenho vontade. Tempo.
De novo, o maldito do tempo.
Por um lado, dias de 48 horas seriam excelentes, por outro dispensáveis.
Os desenhos me tomavam um tempo que hoje não disponho.
De horas e horas que ficava sentada viajando...
Além de tudo o mais que eu faço, hoje existem livros me seduzindo e que eu nunca vou conseguir ler todos. Já até brinquei que a idéia de nascer burra na próxima encarnação é atraente, mas que do jeito que eu sou, periga deixar separada uma pilha de livros pra quando eu voltar.
De qualquer forma, além de tudo mais que planejo, o plano do final de semana é desenterrar os meus lápis - aqueles, já secos, que ficam em cima do armário, que eu não dou, não vendo e não empresto - e pintar, colorir mais um pouco a vida e o tempo.

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Já contei aqui que de um cara espantoso que tem aqui na rua - porque, a essa altura, o homem já é da área.
Ele apareceu aqui ano passado em algum momento, ficava lá na rua, sem camisa, garrafa em punho e gritando por horas a fio: "vagabunda!!!" - que aliás, virou seu apelido aqui em casa. Tudo muito chique, claro. Depois de um tempo ele deu uma sumida, mas no início do ano ele voltou. Agora não grita mais, só fica ali, sem camisa, garrafa em punho, olhando a janela da moça, que até hoje eu não descobri quem é, mas devo reconhecer que ela deve ser algo sensacional. São 3:30 da manhã e ele está lá fora.
Claro que se fosse comigo eu ia ficar muito assustada e incomodada, mas vendo de fora, isso sim que é amor! Doente e obsessivo, é verdade, mas ainda assim...

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Que nem a astronauta que dirigiu 14 horas de fraldas só para dar uns tabefes na cara da rival. Mamãe achou o fim, eu achei de um profissionalismo espantoso!

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Cores.
Tudo se resume a cores.

quarta-feira, fevereiro 7

Acidentes

Acontecem.
São normais.
Fazem parte de uma infância bem vivida.
E, sim, geralmente podiam ter sido evitados, mas não foram.
A grande questão em torno de acidentes infantis, na verdade, é que o Mundo se une e bota a culpa na mãe.
Na pobre mãezinha que quase perde o coração pela boca quando vê aquela sanguera toda, mas tem que se controlar para conseguir lavar, aparentar calma e medir se seu bebê deve ou não ser levado voando para um hospital.
Na pobre mãezinha que fica correndo atrás da criança de remédio em punho enquanto a criança grita "na-na-ni-não" a plenos pulmões.
Na pobre mãezinha que deita com a criança nos braços depois de toda a agitação para acalmar dois corações e que acaba adormecendo junto.
Na pobre mãezinha que acorda de madrugada para tentar dar remédio à criança com febre.
Na pobre mãezinha que olha para o rostinho da filha e fica com o coração apertado, tentando se convencer de que ele vai ficar lindo e lisinho de novo.
Na pobre mãezinha que sai com sua doentinha na rua e se vê obrigada a responder perguntas e recebe de volta olhares que se fossem pedras a estraçalhariam.
Na pobre mãezinha que fica escutando esporros da família aos prantos no telefone por causa de uma situação que ela não pôde controlar.
Porque o mundo é assim.
Cheio de coisa que a gente não controla.
Assim como os acidentes.
E é uma sujeira bem das grandes pôr a culpa logo em mim como se eu estivesse felizona da minha filha estar parecendo o "scarface"...

Princesas

Mas era claro, óbvio e ululante que eu não teria duas semanas de descanso sem percalços.
Ontem à noite, um pequeno acidente doméstico nos deu um susto horroroso e deixou Liloca fora de combate, pelo menos por hoje.
Assim sendo, estamos de castigo em casa.
Assim sendo, eu fui uma mulher iluminada e resolvi pegar vários filminhos na locadora - coisa que até não deveria, visto que hoje é quarta, amanhã é quinta e os seriados que nós vemos aqui em casa estão estreiando novas temporadas.
E então, resolvi iniciar minha filha em uma nova princesa: a Bela.
A história eu sei de cor e nem era das minhas preferidas quando criança, ainda assim é uma história que ficou marcada na minha história.

A última vez que eu havia visto "A Bela e a Fera", foi quando a Disney resolveu lançar o desenho no cinema. Era meu aniversário de 15 anos e fomos ao cinema eu, meu pai e meus dois irmãos, na época com 5 e 4 anos respectivamente. E eu fui vendo a história, etc,etc, e quando o filme acabou eu era uma pessoa que se debulhava em lágrimas vigorosas! Meu pai, meus irmãos e o resto da platéia, composta por crianças pequenas e pais em sua grande maioria; todos olhavam para mim como se eu fosse um grande e verde e.t.. E eu ali, chorando, achando aquelas a mais bela história de amor que eu já havia visto...!

(E realmente é uma história belíssima de uma moral estupenda, a meu ver.)

Foi cedo, porém, para a minha pequena princesa bailarina.
Ela até tentou, mas no fim não deu a menor pelota.
Veio aqui me pedir a Cinderela, por favor.

Eu tentei, mas a praga não me deixa, né?
Quem diria que eu ia ser assombrada por princesas...

terça-feira, fevereiro 6

Ah, sim!

Hoje ela não chorou!
Hoje ela não chorou!
Viva a Santa Luísa!
Viva a Minha Filha!
Perdão, Senhor, por ter implicado com a professora nova.
Amém.

Deus quer que eu morra gorda.

Acordei com o pé torcido pelo terceiro dia consecutivo.
Como eu não sei, nem adianta perguntar. As especulações giram em torno de dormir com o pé para fora da cama, coisa que eu ando fazendo ultimamente, apesar do tamanho compacto.
O fato é que hoje o pé - é o esquerdo, não é engraçado? - doeu mais que em todos os outros dias.
Saí eu manca, para comprar cigarros, corri manca para me arrumar, desci manca as escadas de novo, peguei um ônibus manca e deixei a criança no colégio, obviamente, manca.
Mesmo assim, ainda existia a esperança de andar até o Leblon, deixar para passar pomadas e afins à noite.
Então chove.
Cheguei à conclusão de que é um complô divino contra a minha pessoa.
Na volta, acabei andando mais da metade do caminho, mas aí foi por pura e simples burrice, simplesmente porque quando entrei no ônibus esqueci de olhar o número. Que tal? Uma pessoa que entra nos ônibus, passa a roleta e não vê que linha é.

Por enquanto, a coisa boa do dia foi ter lembrado que existe um hortifruti no Leblon.
Boa porque estou viciada na coisa mais besta do mundo: suco de melancia.
Tá, é vermelho, é bom, é saudável, mas pensa bem, como uma coisa tão besta quanto uma melancia pode ser tão boa? E como é que uma pessoa se vicia nisso?

Passei a outra metade do dia - cheio de metades - absorta em planos para o futuro. Pensando em mil coisas, desligada. O ruim de pensar e planejar o futuro é que fico ansiosa, querendo conseguir tudo logo; daqui a uns dois dias vou ficar deprimida porque odeio longos prazos. Todos os meus prazos para planos são longos ultimamente. 3 anos e tal para o fim da faculdade, 4 anos para uma loucura, mais 4 para outra, mais 1 e meio para um ar... A espera me enlouquece. Me enlouquece também pensar tudo o que pode acontecer nesse meio tempo; que meus planos podem mudar. Sempre.

Eu odeio férias longas.
Odeio férias longas.

Inevitavelmente eu penso mais do que seria razoavelmente recomendado.

(Lembra quando você era criança e via, de vez em quando, aquelas pessoas que fazem comida para a criança, pro cachorro, para si, lavava roupa, escrevia, atendia telefone; tudo ao mesmo tempo? Pois é, eu cresci e fiquei assim...)

segunda-feira, fevereiro 5

Novo dia novo

E então chegou o primeiro dia de aula da Licas.
Eu aqui passei um bom pedaço da noite acordada, tensa; o que é uma idiotiçe já que a criança está no colégio há um ano já.
Hoje, ela foi felizona, louca para rever os amiguinhos, foi correndo toda animada!
Quando chegou lá ela bolou, quis voltar pra casa e não quis entrar na sala direto; a sorte é que eu vi lá no canto uma cara conhecida:
- Ô, filha, olha lá a Luísa!!!
Santa Luísa!
Ela aí entrou correndo e foi lá ter com a amiga mais querida, que ficava lá chamando:
- Aqui, Roxo, o telefone, pega!
Conversei rapidamente com a nova professora e saí fora.
Um erro, um erro o colégio não ter feito uma reunião de pais antes de hoje, mas sutilmente, escrevi eu uma cartinha para a professora explicando um pouco de tudo de nós e dela.
Olívia chiou, chorou um pouco, mas ficou.
Aí saí eu.
Duas semanas de tardes livres!
Que beleza!
Que fazer com esse tempo livre tão sonhado?
Meu plano "A" para hoje era dormir até furar o colchão, mas quando acordei fazia um sol maravilhoso, daqueles quentes e brilhantes.
O plano "B" dessas férias era caminhar na praia, todos os dias; um plano com falhas, obviamente, já que não disponho de todos os dias para caminhar, ainda assim é a intenção que conta.
Então eu fui, caminhar.
Em Ipanema um mar lindo, calmo, azul...
Mas a monga aqui resolveu que só ia mergulhar em Copacabana, mais perto de casa, e, quando eu cheguei a Copacabana, desci pra areia, tirei o vestido, guardei a sandália, molhei os pés numa água meio, uhm, escura, ignorei as algas verdes nojentas e...
...Me deparei com um absorvente usado!
Tudo bem, há três dias atrás foi Dia de Iemanjá, ontem foi domingo, Dia Oficial da Farofa; mas absorvente usado não deu pra ignorar. Pensei cá comigo que mais a frente haveria de existir um lugarzinho mais limpo...
E continuei caminhando.
Essa é a beleza de Copacabana, eu posso andar só de maiô na beira da praia que continuo sendo uma das pessoas mais gatas sobre o sol...!
Mas aí, um saco de lixo.
Quando as pessoas vão entender que a gente leva, sim, sacos de lixo para a praia, mas que o lugar de jogar fora é na lixeira e não no mar?
Mais adiante, tropecei em outro saco.
Outro saco.
Uma maré de coisas não identificadas.
Algas nojentas.
Tentei não pensar em todas as doenças de pele que podiam estar entrando pelos meus poros; não pensar em como eu fui mané de não ter mergulhado do outro lado da curva onde o povo é mais chique e limpinho; não pensar nos coliformes fecais - que aliás, são uma invenção do inferno, antes ninguém se preocupava com eles...
Tentei, andei, procurei, pensei em como estava sendo bom andar na beira da praia, pegar um solzinho para manter minha corzinha de café torrado, exercitar as pernocas flácidas; mas nada de um buraquinho que fosse que me encorajasse a entrar nesse marzão sem porteira...
Graças ao bom Deus, o homem inventou o coliforme, mas também inventou aqueles chuveirinhos fantásticos que ficam lá perto das barracas! Foi a salvação!
Pena que a praia estivesse tão suja...
Queria tanto ter nadado um pouquinho...!
Mas, tudo bem...
Amanhã eu tento de novo.
Ainda existe tempo para a minha salada, para um banho de chuveiro sozinha e para ler alguns capítulos do livro novo.
Ainda existem planos para uma orgia literária esta semana e, quem sabe, até um cineminha.
Quem diria que existiriam boas segundas-feiras...!
Nada mais justo depois dos últimos dias, também.
Eu mereço!