terça-feira, maio 26

Caos e Espera

Há duas, três semanas, a semana começa e eu só consigo pensar em quando ela vai terminar...
Vários textos esperando fichamento, e eu só penso em tomar uma cerveja...
Páginas esperando para serem escritas, e eu só penso no show de sexta-feira (essa semana)...
Duas sacolas transbordando de roupas para passar, e eu só penso no monte de homem bonito que existe no mundo e cruza o meu acidentado caminho...
Dinheiro pra ganhar, criança pra criar, plantas pra replantar, poeira para tirar, e eu só penso no oposto de tudo isso...
Na dúvida, sento, espero passar.
Não ficho, não escrevo, não passo, não ganho, não planto, não limpo - só crio.
O caos se instala e lá eu fico; pensando e esperando.

segunda-feira, maio 25

No ônibus

Sábado à noite, a caminho da Lapa, 434.
O cobrador levava um papo animadíssimo no celular - fiquei até pensando que operadora seria, porque eu tenho pânico de conversa demorada via celular, só o que pisca na minha cabeça é o valor da conta no mês seguinte. Ele, pinta de cheiroso, cabelo com gel, correntinha no pescoço, roupa muito bem engomada; não prestava a menor atenção aos passageiros - executava o serviço quase mecanicamente - e então, eu passei a prestar atenção nele.

"- Olha, não importa se ele é trabalhador ou bandido, importa se você acha que ele vale a pena pra você."

Achei bonito.

quarta-feira, maio 20

A vontade hoje era...




...mas se fosse hoje, ia dar zica...

...Não disse?

"Entre os dias 20/05 (Hoje) e 02/06, o planeta Vênus estará entrando em contato de forma harmoniosa com o planeta Mercúrio do seu mapa astral, Renata. A qualidade maior deste período envolve um melhor entendimento no que diz respeito à sua vida afetiva. Neste período, você estará mais consciente de coisas que você precisa melhorar para que as suas relações amorosas se tornem mais proveitosas. Talvez você venha a receber conselhos, toques, ou mesmo simplesmente tomar consciência das coisas que precisam ser mudadas. Mas o processo envolve também você receber alguns elogios a respeito de suas melhores qualidades nas relações. As pessoas em geral - amigos, amantes, familiares - estarão salientando suas virtudes, e falando mais delas. É legal ouvir essas coisas, mesmo quando já sabemos quais são nossas qualidades. Um melhor estímulo para a auto-estima é a marca registrada destes dias.

Outra qualidade marcante para o período, Renata, envolve você provavelmente ter idéias mais harmoniosas, percebendo em si uma tendência mais apaziguadora e razoável."

terça-feira, maio 19

I Had a Dream

Exausta, mal consegui ler meia dúzia de parágrafos do livro da vez, o corpo quando encostou no travesseiro deu aquele revertério de corpo cansado, can-sa-do.
Então eu sonhei.
Tinha uma aranha, que não era uma aranha, era uma Maria Farinha, mas era uma aranha, e ela estava lá na minha estante de livros tecendo uma teia. Eu fui fazer aquela coisa que as pessoas fazem de enfiar o dedo pra ver se a bicha pára com o serviço e então ela caiu em cima de mim; que acordei com o coração na boca, que nem a gente vê em filme e fica se perguntando "Ah, qual é! Quem acorda desse jeito?".
O medo que o sonho me deu e a adrenalina que ele me despertou, fez com que eu saísse da cama e demorasse mais três horas e um filme ruim a valer para conseguir pegar no sono de novo.
Agora fui procurar na internet:

"Sonhar com aranhas é muito desfavorável. Ver uma aranha tecer a teia representa uma armadilha preparada pelos inimigos. Ver-se preso numa teia deve-se deduzir que certas pessoas espreitam o primeiro erro que se cometa. Mas matar aranha significa libertação de um obstáculo. Comer aranha é presságio de ruína completa. Deve-se acrescentar que a aranha representa também o medo da sexualidade. Grandes e negras- é um sinal de mau agouro; traição e rivalidade; cuidado com mulheres morenas. Pequenas- sua situação financeira melhorará, com a ajuda de parentes próximos."

Como era uma aranha-carangueijo, eu fui ver se tinha carangueijo. Tinha sonho com ânus, mas não tinha com carangueijo. O mais similar era:

"ANIMAIS
Grandes - boa sorte, em tudo. Pequenos- grandes felicidades estão por acontecer. Fugir deles- você terá boas notícias, sobre assuntos comerciais e financeiros."

Então, deixa eu ver se eu entendi...
Vou ter grandes felicidades, melhorar um pouco da miséria, mas estou com medo da minha sexualidade e alguém vai arrumar algum mosquito pra vir me amolar.

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Então, às 8 da manhã, voltava eu pelo meu caminho, tinha acabado de deixar a criança no colégio e estava louca por um café e uma nesga de sol que pudesse me aquecer um pouquinho. Um pouco mais adiante, um cara, beirando os 50, sentado num degrau da rua, bem vestido, olhava com uma cara assassina pros passantes.
Quando eu passei, o semblante mudou, a voz se tornou chorosa e "moça, compra uma coca-cola pra mim?". Os tempos mudaram... Antes era um pão com manteiga, um café... Agora o cara pede coca-cola. Mesmo sendo solidária aos bebuns, nunca fiquei sentada em calçada pedindo dinheiro pras pessoas; e, mesmo que eu quisesse não poderia mesmo atender ao pedido do cara porque saí de casa sem um centavo sequer.
Quando o meu abanar de cabeça tomou lugar, veio a resposta "vai tomar no cu, sua puta!".
Meu primeiro reflexo foi de perplexidade. O segundo foi a vontade de voltar lá, olhar pra ele e "vem cá, mermão, por acaso você me conhece? Quem você acha que é pra me chamar de puta assim?". Minha filha, que não merece uma mãe morta de porrada no meio da rua e meu metro e pouco de altura, trouxeram o bom senso de volta à minha cabeça.

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Não foi a primeira vez.
Semana passada eu ouvi "eu vim de um relacionamento problemático" e perdi a cabeça.
"Vem cá, e você lá sabe como foram os meus? Me conhece o suficiente para lançar essa afirmação extremamente egoísta? Sabe você como foram os meus?".
É o tipo da afirmação que anda me tirando do sério.
Como é que as pessoas podem ser tão autocentradas assim? Assumir sempre que os problemas delas, que o passado delas, que elas são maiores e mais importantes que qualquer outra pessoa?
Não é uma competição de qual desgraça é maior, mas eu ando com muita preguiça dessa coisa individualista demais que as pessoas têm hoje em dia.
Juro que estou.

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Eu relativizo, hora bolas.

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E na parte que dos quereres, eu sou uma pessoa que realmente tem uma lista diminuta de coisas que realmente quer e serão indispensáveis à minha morte, no sentido de plena realização pessoal. E são coisas muito bobas até.
O resto é dispensável.
É consumo.
Quero, mas não preciso.
Ser amolada por terceiros ou quartos, realmente não faz parte da lista de quereres, mas é uma coisa, infelizmente, que acontece bastante quando se é vivo.
A minha sexualidade não me dá medo, mas eu ando lá analisando certos aspectos dela. São anos e anos de auto análise - final de semana passado mesmo descobri e decidi uma série de coisas que eu não quero e hoje não estou num momento ser mulher é muito bom - e ainda serão anos e mais anos até pôr todas as descobertas e decisões em prática, eu sei. É difícil perder certos (maus) hábitos...
Melhorar financeiramente, eu acho que não conheço nem uma só alma no mundo que não queira. Ajuda no que a gente quer, mas não precisa. Se bem que a casa anda precisando de várias pequenas coisas mesmo...
E pequenas felicidades?
Não só eu quero, como descobri que mereço.
Ah, se mereço!

sexta-feira, maio 15

Nikita

Apesar da semana não ter sido nem de longe das piores do ano corrente, hoje eu acordei latindo.
Não tive a menor paciência para discussões de "É sim, mãe", "Não é, filha"; na faculdade, deu de cara na porta da sala, desperdício de dinheiro de passagem e tempo ocioso; o tempo, que não decide se chove ou não, não me ajuda em nada; as pessoas mal educadas pelas ruas, metrô, ônibus que vou pegando aumentam a vontade que estou sentindo de socar, morder, gritar com outro ser humano.
Resolvo fazer compras, mas nada me apetece como deveria, não sinto a satisfação que deveria sentir diante do meu mais novo par de argolas. Penso um pouco e concluo que só pode ser a TPM - só ela é capaz de fazer emergir todo o apocalipse e a Nikita Assassina que moram dentro do meu ser.
Um porre, necessário, combinado há vários dias, merecido e planejado está para vir, mas procuro aqui, dentro de uma caneca de café, forças para voltar aos meios de transportes, as pessoas que eu quero estrangular, a fim de passar em casa e me tornar uma mulher socialmente apresentável. Hoje, excepcionalmente, eu poderia ter ido ao salão fazer as unhas pela primeira vez em alguns meses,mas a idéia de alguém me futucando não foi recebida com alegria.
Vários mosquitos rondam a minha cabeça. Penso em sair sem celular para evitar um desastre nuclear.
A esperança é que eu consiga achar a ressaca perfeita, que me alivie e deixe nikita embriagada pelos próximos 10 dias de horror...

quarta-feira, maio 13

"Mas eu sou a sua amiga mais debilóide!"
"A mais debilóide, mas a que lê mais, o que é uma combinação bastante curiosa..."

E quem vai dizer que eu não morri de orgulho de ser a débil mais letrada no meio de um monte de gente que pensa de verdade?

segunda-feira, maio 11

Sociologia Numa Hora Dessas...

Noite perfeita.
Amanhecer perfeito.
Um friiiiio na espinha...
Uma semana longa pela frente.
E tem quem queira que eu consiga pensar...

terça-feira, maio 5

Sadomasoquismo

Completamente psicótica dentro do meu novo vício, eis que veio mais um feriado. Decidi aproveitar o quarto feriado seguido da melhor maneira possível: ia me esparramada na poltrona do quarto, lendo mais um novo livro e curtindo com toda a força do meu ser a gripe que estava tentando me derrubar há duas semanas.
E, psicoticamente, passei o dia anterior ao novo feriado – que ganhei de folga de presente de uma professora malvada que não gosta de orientar monografandos – esparramada na poltrona, coberta até o pescoço, com um lencinho pendurado no nariz (cara, fumar com o lenço no nariz, além de perigoso, se mostrou uma proeza muito mais complicada do que eu achei que seria!), terminando o livro em curso para poder correr até a biblioteca e pegar outro que o pudesse substituir ao longo do feriado propriamente dito.
Meu estado quando consegui ir à rua era tão lastimável que não parava de passar pela minha cabeça que seria justo naquele dia que eu provavelmente encontraria “aquele cara”. Não foi. Mas eu também pensei bastante em atacar as pessoas à espirros se elas continuassem esbarrando em mim...
Como eu estava muito determinada (psicótica) a pegar mais um livro na brincadeira da biblioteca, ignorei a razão, os apelos dos livros que já são moradores da casa e peguei outro livro de mulherzinha da mesma autora. Achei que seria bom. Divertido.
Eu gosto. Sou entusiasta da literatura de mulherzinha, de verdade. É bom saber que eu não sou a única mulher otária, histérica, sentimentalóide e ridícula do planeta; mas é o tipo de sabedoria que só deve usada com parcimônia – em casos de falta de crença na humanidade gravíssimos.
Tudo bem, eu ando com uma falta de crença na humanidade gravíssima.
Não anda tão ruim como andava antes do primeiro livro, mas ler o segundo foi overdose. Sim, sim, todas as pessoas são sacaneadas, todo mundo termina relacionamento e encontra outra pessoa e não morre jogada às traças a não ser que queira, todo mundo é otário e sentimentalóide (até quem esconde bem); mas duas histórias onde tudo termina certinho com a mocinha nos braços de um tremendo homenzarrão (*&%$) foi demais pra mim!!!
Quando terminei o livro hoje percebi que havia exagerado, que essas coisas só podem ser lidas pela minha pessoa uma vez a cada seis meses, quatro se a barra estiver muito pesada. Ler um atrás do outro me fez vontade de voltar a ler sobre o Oriente Médio, sobre histórias de terror sanguinolento, massacres e pessoas infelizes. Nem nada do aconteceu no final de semana serviu para me consolar de que desta vez eu realmente havia passado da linha.
E com isso, foi-se a psicose.
Devolvi o livro e não peguei nenhum outro – se bem que talvez pudesse ser uma experiência sociológica interessante, saber como me comportaria ao final de um terceiro romance açucarado écati – virei as costas e fui mimbora pensando em bombas, baratas, sangue, sangue, sangue!!!
Definitivamente, meu lado mulherzinha tem um lugar muito definido em mim mesma para me fazer acreditar que tais coisas são passíveis de acontecer e eu talvez devesse me sentir mais feliz por estar viva neste mundo imenso cheio de possibilidades maravilhosas; sou muito sadomasoquista pra isso.

quarta-feira, abril 29

Consolo

Quando eu fico muito desesperada eu corro pro horóscopo.
Não o horóscopo do jornal, que eu leio religiosamente todo dia, mesmo sabendo que ele sai de uma caixinha de papéizinhos qualquer; mas previsões mais bacanas.
E tá lá, olha que legal, que em JULHO, tudo deve melhorar.
Tá lá, que até sexta meu magnetismo sexual está em alta.
Quer consolo melhor?
Julho é logo ali.
Só falta passar maio, junho...
Eu já tô esperando desde dezembro mesmo, quê que são mais 60 dias?
Além do mais, é um puta consolo saber que o mundo todo quer te pegar, segundo os astros, quando você está com as raízes dos cabelos aparecendo, uma espinha enorme no queixo por causa dos hormônios, a perna e o sovaco cabeludos porque tá-no-osso-e-gripada-então-foda-se; enfim, se achando o que há de baranga no universo.

Eu não sei porque, mas o pior é que consola mesmo...

A Noite Sem Fim

Antes de voltar pra casa consegui sanar meu desespero mental voltando à biblioteca e me certificando que a caixinha de fato havia funcionado como prometia. De quebra, peguei mais um livro.
Um livro da minha longa e eterna 'wishlist'.
Consegui ficar quase feliz quando percebi que, só na última semana, essa coisa de ser sócia de biblioteca havia me feito poupar 70 reais - o que, dada a minha situação financeira atual, não é pouca merda, não.
Quase feliz porque eu entendo que um terço do meu tesão pelos livros novos se deve ao fato de que eles vão ficar fazendo a fina lá minha única estante bombada no futuro para que todos que me visitem vejam o quanto eu sou erudita e como eu gosto de ler - uma mania de gente tarada mesmo, porque eu poderia ficar passar bem uns dois, três anos sem comprar nenhum livro se me dispusesse a ler todos os livros que a minha mãe já comprou na vida e que recheiam as paredes da casa dela ou à fileira de livros que eu ainda não li que estão dentro da minha própria casa; o que leva a outra mania de gente tarada que é gostar do cheiro, da cor, da figura do livro novo; a possessão do livro novo. A ausência deles na minha coleção será algo com a qual eu vou ter que conviver pacificamente sem a ajuda de um analista.
O importante era me sentir uma pessoa supra econômica e feliz por ter poupado os tais 70 reais e ainda ter prazer nisso.
Assim, logo que cheguei em casa, abstraí totalmente do compromisso de assistir a dois seriados na tv, e me atraquei com livro - outro exemplar de literatura mulherzinha - até quando o corpo aguentou e eu resolvi dormir o sono das pessoas abatidas pela gripe "filina"; mal cabendo em mim de antecipação ao pensar que faltavam apenas dois dias para eu ter de volta o meu amado, idolatrado, salve, salve edredom cheiroso, limpinho e quentinho (ele estava além do sujo e eu sem grana para mandar lavar, dormindo coberta por 3 lençóis e eu odeio lençol).
Quando meu corpo parou de latejar e eu comecei a cair no sono risadas e tiros de metralhadora me acordaram de supetão. Aparentemente, os mesmos vizinhos que deram uma festinha na terça-feira da semana passada haviam resolvido dar outra festinha e os vizinhos de cima resolveram assistir algo na tv que seria responsável pela saraivada de tiros.
Eu não sou uma vizinha que reclama. Detesto essse papel. Já existem 3 outras vizinhas que se prestam a ele e eu sempre me obrigo a pensar que ainda sou jovem e que virá o dia em que eu vou resolver dar uma festinha eu mesma e fazer barulho eu mesma - a diferença é que nesta terça, nesta noite, eu estava doente, doída e tinha que acordar às 5 e meia da manhã dia seguinte.
Ainda assim me resignei, peguei o livro de novo, fui fumar na varanda, futuquei as cutículas (Meu Reino Por Uma Manicure!) e, quando diminuiu a emoção, voltei pra cama.
Mais uma vez, num momento onde eu estava até babando no colchão, gritos, urros irados me tiraram do estado de torpor. Um dos casais do prédio havia resolvido ter uma discussão acalorada, com direito a palavras de baixo calão, portas batendo...
Na Idade da Pedra eu já fui parte de um casal também, então, mais uma vez me resignei.
Olívia dormia um sono pesado e solto e eu tive muita inveja dela.
Peguei o livro de novo, tomei uma aspirina porque o alto das minhas costas parecia ter sido torcido tal e qual a gente faz com tiras de plástico bolha e resolvi tomar um banho bem quente enquanto o casal resolvia acalmar os ânimos.
Dentro da banheira tive tempo de descobrir mais um aspecto importante da minha relação com os espécimes do sexo oposto - a análise havia começado à tarde, durante um papo com um amigo, a catarse dentro d'água seria apenas um encerramento para uma questão que nunca se encerra; mas que eu compreendo cada vez mais.
Na saída, limpa, quentinha, de repente encontrei dois caracóis na minha janela. Me toquei que não tenho a menor capacidade de distinguir quem são eles realmente - Sidney, Nancy, Maria - e pude ver que nenhum dos dois estava sem concha, o que me levou a perceber que eu não tenho a menor idéia de quantos deles existem na jardineira (ou eu tive um delírio) e começar a considerar a possibilidade de exterminar todos eles em breve.
Voltei pra cama.
Com o advento da solteirisse, meu colchão começou a ganhar forma, afundar, apenas de um lado da cama. Tem seu lado confortável, mas também tem seu lado deprimente, então lá fui eu mudar de lado para tentar moldar os dois lados - ou o meio - ao formato do meu corpinho de sereia. E isso também não é fácil. Nem confortável. Mas, uns vinte minutos e dez viradas variadas depois, caí no sono...
...Para ser acordada novamente!
Dessa vez meu algoz era um caminhão de lixo, entulho, a porra que for porque da minha casa não se enxerga a rua - mas se ouve.
O caminhão manobrava, rugia, um cabra do lado de fora gritava o que eu imaginava serem comandos de manobra. Quando eu achava que ia acabar, lá vinha o rugido furioso de novo.
Levantei.
Peguei o livro de novo.
Abri a janela.
Acendi um incenso.
Levei o cigarro pro quarto - foda-se.
Peguei o resto do sorvete - foda-se.
Sentei na minha poltrona e, entre uma colherada de sorvete e um parágrafo, tive tempo de pensar que a razão deu passar o mês de dieta e não emagrecer nem cem gramas estava ali, naquele pote de sorvete, na minha noite mal dormida, na minha gripe, nos meus problemas hidráulicos correntes...
Cheguei à conclusão de que faço dieta o mês inteiro para poder ficar menstruada feliz, passar pela TPM feliz e ficar de mau humor feliz, podendo me entupir de chocolate até que ele saia pelos ouvidos e eu possa morrer de culpa no dia seguinte quando os culotes resolverem saltar para os lados ameaçadoramente numa existência nada feliz em termos gerais - o que me levou à conclusão de que todo aquele papo que eu ouvia de que depois dos 30 fica muito mais difícil emagrecer não só é verdade, como é muito cruel.
Mas fodam-se os culotes. Eu não ia conseguir acordar na hora no dia seguinte, não estava me sentindo bem, minha vida amorosa, além de inexistente, é tão errada que deveria ser usada como exemplo de tudo que dá errado, estou tão dura e tão de saco cheio de estar dura que nem rezar para ganhar na mega sena eu rezo mais, minha monografia foi por água abaixo até segunda ordem, e mais, muito mais... Então fodam-se os culotes.
De repente, o silêncio.
Minha vontade, vontade mesmo, id, era enfiar a cara na janela e gritar bem alto:
- Agora acabou? Agora eu POSSO dormir? Ou alguém aí vai dançar sapateado?
Mas eu não gritei.
Fechei a janela.
Voltei pra cama.
O alto da coluna já doía de novo.
Resolvi atrasar o relógio em meia hora, já que o atraso era inevitável. Banho pra quê, não é mesmo?
Achar a posição foi mais fácil dessa vez.
Acabou a noite.
E acordei atrasada de novo.

terça-feira, abril 28

...E o Sidney, hein?
Coitado...
Na última grande chuva o mané perdeu a casinha, o que me levou à conclusão de que ele é, de fato, um caracol burro pra caramba; mas não é que mesmo sem a casa, lá tava o bicho, vivinho?
Pode ser burro, mas é highlander de verdade - e só por essa já merece todo o meu respeito.

Meu Novo Luxo

Uma das conseqüências de ser uma moradora de Botafogo, além de estar rodeada, afogada, sufocada de cinemas por todos os lados, graças a Deus, é que passei a utilizar o metrô como forma de locomoção preferida.
Preferida em todos os termos da palavra - até para a observação da flora e fauna locais.
Sem entrar no mérito caótico da coisa (só o vagão de mulheres, por exemplo, merecia tese de mestrado!), metrô é uma das invenções mais geniais da nossa era. Minhoquinha gigante embaixo da terra. Vuuuuuuiiiiimmmmmmmm!!!
(Vocês vão ter que me desculpar; estou gripada sob o efeito de remedinhos, posso alucinar um pouco.)
E então, eis que chega ao Rio de Janeiro a melhor invenção que o metrô já inventou e que já existia no reino tão, tão distante de São Paulo: a biblioteca do metrô!
O lance é que o primeiro posto era lá na estação lá longe da Central, Praça Onze, um lado distante desses que a Madame Zona Sul não freqüenta nem por acidente.
Mas, como eu não devo ter sido a única pessoa do mundo indisposta a mudar o itinerário e ir dar uma voltinha lá na Zona Norte só pra pegar um livrinho de grátis, o povo teve a sapiência de inaugurar mais um posto aqui do ladinho, na nossa amiga e bombadona Estação Siqueira Campos!!!
Fui lá, olhei, cheirei, namorei... Durante meses...
Só folhetinho descritivo de todas as coisas e papéis que a pessoa precisa pra ter a carteirinha eu devo ter pego umas 3 vezes...
Enfim, com a crise e o meu momento astrológico combinados, tomei coragem, xeroquei todas vias de papéis (depois de levar um tempo descobrindo aonde eles estavam, claro) e encarei meu cadastro.
Mais que o meu cadastro: meu e da Olívia!
Apesar de todos os obstáculos colocados pelo povo, eu venci!
Uma semana depois, carteirinhas na mão (aliás, estou morrendo de vontade de perguntar porque cargas d'água demora-se uma semana para confeccionar uma carteirinha tão peba num sistema tão moderno, informatizado, etcétera e tal, mas tenho medo que me expulsem do clubinho), peguei meu primeiro livrinho - que foi devidamente devorado ao longo do final de semana.
E então eu, esta moça zen, nada nervosa, ansiosa e tal, acabei acabando (eu sei que vocês detestam, que não se escreve assim, mas eu adoro, adoro, adoro) o livro no domingo.
Domingo a biblioteca não funciona.
Muito justo.
Tem uma caixinha de devolução "feito a blockbuster", me disse o atendente. Eu nunca usei caixinha da blockbuster, nunca fui sócia da blockbuster, mas não disse isso pra ele com medo de ser expulsa do clubinho.
Comecei a me coçar toda.
Devolver mais cedo é mais honesto com os outros leitores, afinal, eu já li, não preciso mais do livro dentro da minha casa - até porque corro o risco de me apaixonar por ele e resolver incorporar o cara à minha coleção ou realmente esquecer de devolver pra biblioteca - mas, e se eu puser na caixinha e alguém pegar? Como é que eu vou provar que pus, de fato, o livro na caixinha? Eu não confio em caixinhas!
Foi meu dilema do dia.
Só não foi maior porque o porre da noite anterior, onde pipocaram mensagens bêbadas para quem eu não devia ter mandado mensagens bêbadas, dividiu espaço dentro desta minha cabeça ocupada.
Resolvi o dilema dizendo a mim mesma que eu deveria deixar de ser old school, caretona e desconfiada e confiar no raio da caixinha; que eu só poderia estar fisicamente no balcão novamente mais para o fim da semana e que isso ia privar uma pobre alma do prazer da leitura e não era justo.
Devolvi.
Do meu lado tinha um cara olhando a vitrine (sim, a biblioteca do metrô tem vitrine!), e, imediatamente eu pensei: "e se esse cara enfiar a mão ali dentro e pegar o livro?", que foi imediatamente substituído pelo: "será que amassou o pobrezinho?"; que foi substituído pelo: "vou ter que dar um jeito de vir aqui antes ver se o moço achou o livro direitinho senão não vou conseguir dormir o resto da semana".
Não tem jeito, não confio na caixinha.
Definitivamente sou do tipo que prefere gente para essas coisas.
Mas, tirando isso, não é um luxo?
"Documento com foto, por favor, senhora"...
(Odeio, odeio, odeio, mas hoje me chama de senhora todos os dias e assinalar que é 'senhorita' já deixou de pegar bem...)
...E a senhora aqui vai e tira a carteirinha da biblioteca!
Luxo!
Adorei!
Hahahahaha
Fora que, com livro, a senhora aqui vai praonde nêgo cavar o buraco na maior felicidade!
Não tem muita coisa ainda, mas eu recomendo do mesmo jeito. :)

quarta-feira, abril 15

O atraso

Às quartas-feiras meu dia começa 5:30 da manhã.
Apesar de só precisar pôr o pé na rua uma hora e vinte minutos mais tarde esse tempo é o que eu preciso para despertar, tomar minha garrafa térmica de café, comer alguma coisa qualquer, tomar um banho (em nome da boa higiene e dos narizes das pessoas que vão estar ao meu redor durante todo o dia), arrumar a mochila da criança, acordar a criança, dar alguma coisa para ela comer e vestir a nós duas.
Há mais ou menos um mês, com todas as coisas todas que têm acontecido na minha vida, essa tarefa ficou difícil e eu tenho acordado com algo em torno de uma hora de atraso. Ainda é cedo e tem ficado escuro às 6:30 da manhã.
Prever o tempo é uma tarefa impossível e, freqüentemente, eu mando a criança de short quando chove ou calça comprida quando faz um sol nigeriano.
É uma rotina puxada pra caramba.
Meu sono tem sido mais forte justamente quando o despertador costuma dar sinais de vida - que costuma ter o som incorporado ao meu sonho corrente - e o resultado é um despertar caótico, onde só me falta vestir meias na cabeça e é comum que eu esqueça alguma coisa que ela precise levar para o colégio e pentear os cabelos de ambas é artigo de luxo quando um bom par de grampos dá conta do recado (Amém à moda dos cabelos cuidadosamente despenteados!).
Hoje, porém, me dei ao luxo de atrasar um pouco. O mundo todo se movia rápido demais pra mim e cada vez que eu ia olhar o relógio, depois de ter feito qualquer coisa, haviam se passado dez minutos. Assim, acabamos saindo bem mais atrasadas que a encomenda.
Nestes dias, ambas saímos segurando uma maçã que comemos enquanto vamos caminhando rua abaixo.
Hoje, meus olhos mal se abriam. Parecia que eu estava numa ressaca fenomenal - daquelas que têm me feito falta à alma e que anseio para o próximo sábado como se não houvesse amanhã.
No fim da rua, uma família muitas vezes maior que a minha, com cerca de uma dúzia de pessoas entre adultos e crianças ainda de colo, ainda despertava preguiçosamente, confortavelmente refastelados sobre seus pedaços de papelão e cobertores puídos.
Meu espanto foi por ver que eles, que a esta hora já costumam estar frenéticos, ainda estavam por ali - também atrasados.
Na outra esquina, porém, o casal já estava na porta da padaria.
Ela não deve ser mais que uma adolescente. Magra, despenteada. Ele é mais velho, deve estar em torno dos 25 anos.
Todos os dias eles e o cachorro estão na porta da padaria - deduzo eu que esperando por um pedaço de pão ou algo parecido.
Nunca incomodam os passantes e normalmente já se foram quando eu faço o caminho de volta. Nosso encontro é muito rápido, mas nunca desapercebido.
Eles não estavam atrasados.
Na frente do colégio, ao invés de carros de variadas formas, cores e marcas também estavam atrasados e não estavam lá. A rua parecia ainda adormecida, as professoras, coitadas, pareciam ainda adormecidas.
Mal registrei ter entrado dentro do ônibus e o percurso que este fez, mas quando bati o olho na Lagoa e no sol brilhando entre as árvores floridas ali em volta, toda a beleza da vida veio - inteira.
Lembrei porque tudo isso vale a pena e esqueci totalmente do atraso.

terça-feira, abril 14

Velha desmazelada

Hoje eu queria deixar aqui registrado que faziam anos que eu não tinha um semestre tão ruim dentro de uma instituição de ensino.
Ando me sentindo uma retardada completa.
Meu novo vício é um joguinho online num site dedicado a adolescentes imberbes, o coelho da Páscoa me deixou de presente um novo "Banco Imobiliário", que eu andava super de olho, mas tinha uma vergonha imensa de comprar pra mim cada vez que olhava na caixa que é um jogo destinado a crianças de 8 anos em diante; a nerd que habita meu ser, que geralmente fica em polvorosa nos primeiros semestres porque já existe a ida a FLIP programada e paga e as "provas finais" sempre coincidem com a data da viagem, descobriu que as datas este semestre não vão se encontrar e resolveu tirar férias, me deixando sozinha e empurrando com a barrigada cada trabalho que me é passado até a véspera da entrega, quando são feitos com o maior desmazelo do universo; a Bree que também habita meu confuso ser multipersonálico (se é que existe essa palavra), também entrou em greve, só emergindo vagamente quando os poodles de cabelo passam a ser visíveis pelo chão da casa e ao ponto da minha filha reagir com surpresa dia destes: "Nossa, mãe, não tem louça na pia!!!".
Ainda que eu saiba o motivo real de tudo isso, queria deixar registrado que de vez em quando faz bem e que eu deveria, mas não estou nem aí.

(...Enquanto isso, a monografia manda lembranças, mas a pesquisa tem me sido deveras instrutiva... Assunto para outra hora, claro.)

quarta-feira, abril 8

Olhar alienígena

Estava eu lá, sentada na minha maravilhosa poltrona de balanço que eu ganhei há duas semanas e pela qual estou imensamente apaixonada, quando um casal começou a dançar no seriado que estava rolando na tv e eu estava vendo só por ver para poder ficar sentada mais um pouco no meu ninho.
Aquela cena me fez realizar o quanto o ato de dançar é uma coisa ridícula.
Como o ser humano é ridículo.
Pensa bem: fica um bando de gente sacudindo o corpo quando ouve um barulhinho (ou barulhão). Alguém já reparou nas caras das pessoas? Alguém já reparou nos passinhos? Alguém já parou para pensar na peculiaridade que é essa coisa de gente dançando, além de eu mesma, é claro?
Eu fiquei vendo lá o negão cheio de sorrisos, jogando os braços pra lá e pra cá, enquanto a parceira dele se sacudia que nem uma minhoca com dor de barriga na frente dele. Os dois no meio de mais um monte de gente pipocando em volta, espremido, sem espaço, só porque algum outro alguém resolveu brincar de tocar piano ou violão ou saiú por aí cantando sobre o último namoro que deu errado - aliás, cantar também é uma coisa estranhíssima!
Fiquei imaginando se um alienígena visse aquela cena.
Fiquei imaginando esse ser pensando exatamente como eu penso grande parte do meu dia dentro do universo acadêmico: "Muito manés...".
Meu pensamento acava de uma forma totalmente diferente, mas quando sentei para escrever, começou a me dar pena.
Eu gosto de dançar.
De certa forma eu sempre tive noção do quão ridículo é o ritual - tanto que eu detesto me ver dançar - mas gosto.
Gosto de cantar.
Estranho. Estranho demais essa coisa da gente fazer som e pôr pra fora e isso ser legal, mas gosto.
E se, depois de começar a observar essas coisas, estranhar e achar um ritual profundamente patético, eu implicar comigo mesma e resolver bloquear qualquer tentativa que meu corpo faça de poder ser esquisito?
Porque eu já não ando querendo falar. Falo. Quando bebo continuo falando pra caramba, inclusive. Mas no dia a dia passo horas e horas e mais horas sem dar um pio. Só falo em caso de necessidade, de um interlocutor me enchendo o saco. Então só o que me falta é resolver parar de cantar e dançar, não é, não?
Próximo passo: morar em algum lugar isolado, pelada e peluda e passar a fazer parte de uma família de cabras selvagens.
Ai se os alienígenas olhassem para mim!

segunda-feira, abril 6

Ressaca Moral

Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Porquequeeufuibeijaraquelecara, peloamordeDeus? Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Pustadesperdíciodesaliva... Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga!Porquediaboseuaindasintotantafaltadadrogadomeuex? Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Porqueétãodifícilseradulta,caramba? Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Porqueéqueeunãoganheiaindanamegasena? Azarnoamordeviasercompensadoseriamentecomumamegasena... Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Porquediabosagentetemquefazer4anosdefaculdadeprapoderterumsubempregodemerda? Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Equemfoioviadoqueinventoumonografia? Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Euqueriamuito,muitoumafaxineiraporquenãoaguentomaislimpartudosemparareestoucomcalodevassouranamão,oqueéumamerdamuitomaiorquequalquercelulite... Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Precisoquebraressadrogadesseencantamentovoodooquelançarampracimademimporquetáfoda. Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga! Algumacoisatemquecomeçaradarcerto. Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!Aiquedroga! Aiquedroga!

domingo, abril 5

Pirando...

Sonhar não anda lá muito possível.
Ando precisando de coisas palpáveis, reais.
Infelizmente, o real também não anda lá essas coisas.
Tudo enrolado, novidades desanimadoras, falta tudo – no sentido literal de tudo.
Meu horóscopo manda eu ter paciência há uns dois meses ou mais – e eu ando tentando ser paciente, mas agora já estou é bastante agoniada com a vida.
Então, quando até os sonhos me trazem agonias, eu resolvi ir ao cinema.

E então eu olhei lá pra cima e pensei:
“Quando será que se lavam as cortinas da tela?”.
Não sei se alguém que não seja eu já reparou nisso, mas, em volta da tela existe uma cortina. São metros e metros de tecido. Metros e metros de poeira em estado bruto. Bacana, né?
Fiquei um pouco enjoada...

E então eu percebi que durante essa última semana vi mais de 10 filmes – uma tentativa de me refugiar em qualquer outro mundo que não fosse o meu, assumida.
E então eu percebi que isso significa que eu vi 10 histórias diferentes. 10 histórias diferentes que eu guardei na memória. E aí eu pirei no número de filmes e livros que eu já vi e li ao longo da vida e que ainda vou ver e percebi o tamanho da quantidade de informação que cabe dentro de uma cabeça. Fiquei pensando que não era pra menos que a memória começasse a falhar com a idade. É impossível se lembrar de tudo.
Fiquei um pouco enjoada de novo...

E então, seguindo a lógica da estupidez, eu resolvi sair de casa.
E percebi o quanto eu me desperdiço em certas noites desnecessariamente.
Acordei enjoada.

Vou procurar um antiácido.

terça-feira, março 24

No Primeiro Dia Veio a TPM...

...E vieram dias em que eu chorava vendo trailer de filme, outros em que os hormônios estavam numa festa tão animada que eu resolvia ligar para SACs de empresas para tentar resolver problemas no meio da madrugada só para poder descarregar um pouco da tensão e poder dormir em paz, já que o Dormonid está em falta na farmácia lá de casa.
Em todos os dias, a sensação bem conhecida de solidão.
Mais uma vez, o desejo de mandar desligar pelo menos um dos meus telefones, já que as únicas ligações constantes que eu recebo ultimamente são da minha mãe.
A sensação conhecida de que meus problemas, apesar de para mim serem imensos, são menores do que os dos outros e de que havia sido muito incoveniente de procurar a ajuda de outra pessoa.
A sensação conhecida de saudade, muita saudade.
Uma saudade tardia que despertou um embate com a minha própria força de vontade.
Mais uma vez, eu venci.
Sensações conhecidas de abandono, de cansaço, da necessidade de uma outra pessoa por perto.
Me deu vontade de adotar um bicho de estimação de verdade, apesar de saber o tamanho da insanidade e do trabalho extra que isso me traria.
Me deu vontade de sumir, de aparecer, de dormir...
Dormir foi um prazer.
Nos sonhos, imagens e cores e pessoas não vistas a algum tempo.
Roteiros de amor, de suspense, de aventura.
Sonhei.
Ainda assim, muito menos do que gostaria.
Acordei e a festa acabou.
Metade das sensações não foram embora ainda - tenho uma dificuldade imensa de deixar de sentir as coisas.
Acordei e a guerra comia solta.
Voltou a vontade de ir embora - tenho uma dificuldade imensa de me livrar dela.
Acordei e agora espero o sétimo dia - para voltar a sonhar mais um pouco.

sexta-feira, março 13

De repente, o sol volta a brilhar!!!

Tudo começou numa manhã modorrenta em que a nossa brilhante protagonista, depois de deixar sua animada e bela filha no colégio, chegou em casa e reparou que ainda tinha algumas horas antes de ser obrigada a sair e enfrentar o mundo feio e malvado. Nada que valesse a pena o custo destas horas passava na televisão.
De repente, ela sentiu uma coisa que não sentia havia muitos e muitos meses. Foi até o quarto de hóspedes, que, ao invés de pessoas anda hospedando uma enorme e ameaçadora pilha de roupas limpas a guardar e passar (a pior parte do trabalho doméstico, segundo ela), pegou um punhado de folhas de papel em branco, pescou lá de um fundo bem fundo sua caixa de lápis de cor de estimação (ela a possui desde os 15 anos) e, na mesa da sala, se deu o milagre! Pôs para fora, em forma de desenhos, uma história que estava rodando a sua cabeça ha alguns dias. Ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou...
Era um milagre porque ela tinha costume de agir assim quando era uma adolescente - fazia uma boa soma de tempo, alguns namorados, uma filha, duas faculdades e uma casa que ela não coloria nada; muito menos botava pra fora alguma história absurda e fictícia. As histórias que ela faz, colore, guarda uns dois meses, depois rasga e joga fora e não deixa nunca ninguém ver, mas que lhe dão um prazer imenso e são uma coisa que é só dela - é bom que a gente tenha algo que seja só nosso na vida.
...E ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou, por horas a fio...
...Aí ela lembrou de um "livro para colorir para adultos" que ela tinha comprado quando nem adulta era e que nunca tinha colorido, mas tinha certeza que estava guardado em algum lugar. Bendita mania de não jogar as coisas fora e entulhar tudo o que possa vir a ter alguma utilidade! Achou.
E coloriu, rabiscou... Até que os olhos dela,que já não são mais os olhos que ela tinha, começaram a ver coisas duplicadas. Ela piscava os olhos, pingava gotinhas, fechava um e abria outro - tudo para enxergar mais um tempo e poder continuar - até não conseguir enxergar mais nada MESMO.
Resolveu se arrumar e sair para enfrentar o mundo sujo, feio e malvado que lhe esparava lá fora; grudada num livro. Não era um livro que ela de-ve-ria estar lendo - porque ela tem muitos livro que deve ler - era outro livro qualquer. E, mais uma vez, ela seguiu até a visão embolar.
Quando chegou aonde deveria estar, se animou, escreveu, questionou, debateu, sentou e trabalhou. Alguma coisa naquele dia estava diferente.
Ela sentia que depois de um longo período em que as coisas não andavam, de repente elas começavam a andar a novo. E com os passos, as cores. As letras. As idéias.
A alegria.