segunda-feira, julho 23

Ah, as Férias...!

Meio que sobrevivi aos 30.
Tô me achando até mais calma enquanto ser humano.
Preciso curar a ressaca moral do bando de besteira que eu andei dizendo e todo o resto.
Foi um aniversário feliz.
Rodeada de pessoas que eu gosto muito na vida.
Estou feliz.
E de férias!

...Só falta voltar pra ginástica...

quinta-feira, julho 19

Ah, as férias...!

Essa coisa de estar de férias, sem computador e à beira dos 30 tem coisas...

Uma é perceber pela primeira vez.
Olhar coisas ao seu redor e realizar elas.

Outro dia eu estava andando na rua e percebi um pombo.
Eu fiquei olhando o pombo.
Ele vinha pela calçada, desceu o meio-fio, atravessou a rua e continuou andando pela calçada - daquele jeito que os pombos andam - desviando dos pedestres, ele mesmo um pedestre.
Se eu estivesse pensando, de cabeça cheia, correndo, no meu normal atual, essa cena que foi, no mínimo inusitada, ia passar e eu não ia ver - nunca ia poder contar a quem quer que fosse que eu já vi um pombo atravessando a rua.
(As pirações antropológicas e filosóficas da coisa eu vou deixar em aberto.)

Outra é o uso do tempo.

Pela primeira vez na vida, apesar de me faltar tempo, na maior parte dos dias tem me sobrado tempo. Eu tenho cozinhado, lavado arrumado... Outro dia até costurei!
A sobra do tempo tem coisas excelentes, como poder se sentar e curtir tardes inteiras sem compromissos pontuais ao lado de amigos-não-freqüentes discutindo a vida e as coisas da vida - vendo o tempo passar sem vergonha; mas também tem aquelas noites em que existe uma insônia e a sua fabulosa tv a cabo com 288 canais digitais do além from hell especiais só te oferece como opções um especial sobre o calamar assassino ou sobre "a noite em que Mongo se tornará um homem" (isso não é brincadeira, aconteceu ontem).
A sobra do tempo me faz andar, olhar, observar...
Me faz querer produzir o que quer que seja.

Inacreditavelmente, ando lendo pouco; ou melhor, em doses homeopáticas.
Meu trauma com o estripamento foi tão grande que eu lia apenas umas dez páginas por dia, eu me dizia que estava saboreando o livro, lendo com calma.
Mentira das mais deslavadas.
Eu estou de férias.
Estou com preguiça.
À beira dos 30 e de todas as minhas crises de praxe só o que me interessa é estar perto dos não-freqüentes (e dos titulares), tomando umas cervejas e fingindo que nada disso me aborrece ou me importa.
Há dois dias eu finalmente engrenei.
Eu e Féodor estamos nos dando muito bem, ainda que eu mude o nome de toda aquela russarada pobre dele.
Pressinto que cometerei meu próximo assassinato dentro de poucos dias.
Pressinto que a dor não será a mesma.
Pressinto que terei até algum prazer na coisa.

Mais cruel!
Mais cruel!!!

O que me deixa puta é as pessoas não entenderem as coisas que eu digo.
Me deixa certa de que minha comunicabilidade é alguma coisa perto de zero.
Os jornalistas são os outros, porque existe distorção, tanta distorção das coisas que eu digo!

Eu sou uma pessoa difícil.
Assumo.
Geniosa.
Assumo.
Minha ética de vida e as coisas em que eu acredito só se tornam mais caxias com o passar dos anos. Eu uso daquela máxima cafona e lugar comum que todo mundo conhece do "não fazer aos outros o que você não gosta que façam com você", então fico louca, piro, queimo fusível quando as pessoas fazem coisas que eu não faria com elas.
Disseram que eu ando brigando com o Mundo.
É uma afirmação bastante plausível.
Se você não briga com o Mundo, o Mundo monta em você, não te respeita, te faz de babaca. Eu passei anos e anos da minha vida sendo mula do Mundo. Agora chega.
Se para ter paz e ser uma pessoa feliz eu precisar brigar com o Mundo eu vou brigar.

Da minha dificuldade pessoal existe ainda aquilo que, por mais que eu fale abertamente das minhas experiências de vida e daquilo que eu penso, para chegar dentro de mim - do que eu sinto - é preciso ter conquistado minha amizade e confiança. Quem me conhece, sabe que eu tenho um milhão de coisas difíceis para administrar e me preocupar - pena que quem não conhece, ache que por conta disso eu não mereça me preocupar com coisas mais supérfluas. Dizer que eu me preocupo mais com elas também é diminuir minha inteligência e minha participação na vida de um modo geral. Se assim fosse, eu não trabalharia, não criaria minha filha, não leria e conversaria com as pessoas. Quando eu falo do supérfluo é sinal de confiança, é procurando um ombro; quando eu falo do supérfluo é porque não quero falar do resto.

...Mas as pessoas não entendem.

É isso que me deixa puta, que a vida esteja okay, entrando no lugar, que eu passe tardes fantásticas e prazerosas lavando uma roupinha, cozinhando uma comidinha, dando risadinhas, lendo e de repente venham as pessoas me amolar a vida. Me deixa puta que esse lado relacionamentos humanos esteja tão conturbado ultimamente...

Pessoas...
Bah...

30 anos...

Eu ia fazer um balanço, acordos, toda aquela palhaçada que eu gosto de fazer - ainda mais estando de férias da analista, mas, quer saber...?
Meus primeiros 30 tiveram muitos momentos difíceis, sim. Eu chego neles com muito mais experiência de pedreira que muita gente que eu conheço mais velha, mas pôxa, eu fui criança, eu ri muito, eu tomei porres divertidos, eu amei muito, eu pari, eu estudei, eu viajei... Os primeiros 30 foram intensos e plenos. De uma forma geral, muita coisa pode ter dado errado, mas eu estou bastante satisfeita.
Agora, eu só devo ter mais outros 30 pela frente, um pouquinho menos de pedreira nem caía mal...
Porra, balanceei.

sexta-feira, julho 13

A Noite Em Que Eu Estripei Dostoiévski

A fim de corrigir alguma, apenas uma, mais uma; uma das minhas falhas de caráter aí debaixo; lá fui eu. Uma vergonha, repreensível último nível que a pessoa tenha em casa a coleção de obras completas do russo aí do título, que saiba que o nome do cabra é Fiodor, que saiba algo de sua biografia e nunca tenha se dignado a gastar algo do seu tempo com a leitura de algum livro dele, né? Após debater com meu único amigo (isso é outra coisa; empombei, inventei, preciso ter certeza ainda, mas empombei que só tenho dois amigos "sobrando" na vida) e estee ter me dito que também nunca havia lido nada do cara, meu lado competitivo, burro, obsessivo tomou à frente e resolveu corrigir a falha.
Achei que ir direto aos "Irmãos Karamazov" também já era demais - são 3 volumes - então fui à estante e "Crime e Castigo".
Vejam bem, não sei se sou eu que estou ficando cadaa vez mais pancada das idéias, mas o que se seguiu, para mim foi emblemático.
O livro - a edição em questão é velha. A capa traz um desenho feito à mão - da época em que se desenhavam capas de livro à mão para impressão; a lombada ameaçava despencar, amarelado, com uma camadaa fina de poeira que nem é camadaa de peira de falta de limpeza, é de idade do livro. Fui ler a introdução e tomei um susto: as páginas do livro todo estava grudadas em grupos de 4. Olhei mais um pouco, pensando como aquilo seria possível. Olhei a data de publicação do volume: 1951. Um livro de 56 anos e virgem!
Corri para a sala desolada...

- Mãe, eu não vou poder ler isso!!!
(Cara de "Renata enlouqueceu".)
- Porquê?!?
- Porque as páginas estão gudadas, olha só! - Disse a monga aqui estendendo o livro.
(Olhar de diversão.)
- Nãããããããooooooo, minha filha, é assim mesmo... Naquela éepoca, os livros eram editados assim, a gente abria as páginas com faquinha... Abre lá!
- Mas, mãe... Eu não posso abrir o livro...!
- Pode, sim, abre lá!

Fui eu, me sentindo mais burra que burra e prestes a cometer o assassinato dos assassinatos para a cozinha. Peguei a faquinha. Enquanto ia rasgando as páginas, com aquele som "créc,créc,créc..." servindo de trilha sonora só me lembrava de outro livro que li há pouco; o tal livro falava da paixão de certas pessoas que eu nem sabia que existiam por edições raras, o que elas faziam para conseguir pôr as mãos nelas, quanto pagavam... Créc, créc,créc... E eu ali, estripando uma edição virrgem de 56 anos de Dostiévski única e exclusivamente para prazer pessoal e menos 2 anos de análise... Créc, créc,créc... Imagina se alguém, um dos meus amigos livreiros me visse realizando essa operação... Créc,créc,créc...Um colecionador... Créc, créc, créc... Suei frio. Cheguei a derramar uma ou duas lágrimas de pesar, mas não consegui parar. Se parasse, não ia ler o livro nunca mais. A dona do livro havia me dado salvo-conduto; apesar da minha consciência.

Saí da cozinha mais arqueada do que entrei.
Mais deprimida do que quando entrei.

- Estou me sentindo uma assassina.
- Porquê, minha filha...?
- Eu estripei Dostoiévski...
- Ah, mas ele ia gostar que você lesse!!! (Pusta sorriso satisfeito.)
- Uma edição tão antiga... (Quase chorando de novo.)
- Ele ia gostar que você lesse, filhinha, fica assim, não... (Ainda o sorriso.)
- Eu estripei Dostoiévski... Vou dormir. Boa noite.

Deitei na cama e fiquei pensando se não era uma coincidência muito da bizarra ter tido salvo-conduto da dona da relíquia que eu tinha em mãos para cometer um assassinato justificado a fim de ler justo a história de um assassinato justificado. A dor do feito persiste, minha consciência - uma coisa! - mas fiz do mesmo jeito.
Está feito.
Estripei.
Me resta lê-lo.
Sentir-me mais leve ao corrigir uma falha de caráter tendo cometido outra.

Obsessão

Este post vai começar com uma frase que, para quem me conhece, é o que há em obviedade:
Eu sou uma pessoa obsessiva.
O Grande Lance é que essas obsessões, em sua maioria, são, vamos dizer assim, rotativas. E eu me refiro as Grandes Obsessões. Aquelas do momento específico de vida. Já foram homens, a filha, a destruição através de muitas noites de rock e biritas e por aí vai...
Pois então, de um mês pra cá mais ou menos começou a me dar uma coisa – uma coisa lááááááááá no fundo...
Eu comecei a perceber que existiam muitos, muitos, muitos livros no mundo. As pessoas escrevem sem parar!!! E eu não vou conseguir ler todos os livros que devo e que quero num espaço de uma vida. Nem que eu viva 200 anos.
Nem se eu largasse a faculdade, mandasse a minha filha morar com o pai e não saísse mais de casa nunca mais.
Nem se eu deixasse uma pilha de livros ao lado do meu leito de morte – existe uma crença de um povo aí que eu já esqueci qual é (ou era) de que você deve deixar ao lado do seu leito de morte aquilo que deseja encontrar assim que reencarnar.
É um pensamento caótico e aflitivo.
Eu me considero uma leitora ávida. Costumo ler mais que a maioria das pessoas que eu conheço. Com falhas de caráter; afinal, nunca li nada de Victor Hugo ou Dostoievski ou Proust ou... deu pra entender; ainda assim, me considero ávida.
Passou a fazer parte da minha compreensão de vida que eu não preciso escrever nada nunca na vida, porque já existe gente demais escrevendo coisa demais. No fundo do meu íntimo, num lugar lá escondido, sempre existiu uma vontade inconfessa – e que assim vai permanecer porque eu vou negar, não vou dizer em voz alta e se alguém perguntar eu digo que escrevi isso em momentos de dor e delírio – de ser uma escritora. Eu invejo os escritores; com sua inteligência, imaginação e domínio da língua, com a aura que eu acho que escritores têm; invejo. Mas não serei uma. Não só não serei como não preciso ser. Me faz bem ler e admirar essas pessoas.
Bom, fazia...
No momento, é angustiante olhar a pilha de mais de 20 livros que se ergue e cresce ao lado da minha cama a cada semana. É angustiante receber indicações, lembrar de clássicos, conhecer novos autores – escolher o próximo livro a ser lido.
Escolher o próximo livro!
Sempre foi fácil. Era pegar e ler. Hoje, não consigo me decidir por este ou aquele, pelo fino (que será lido mais rápido) ou pelo grosso (que vai me tomar o tempo de dois finos), pelo clássico ou pelo novo, o policial, o romance, o “de conteúdo” ou o fútil.
Ser uma leitora ávida nunca foi tão difícil.

Existe um bocado de ressaca de FLIP nesse meu desespero absurdo.
Foi uma experiência – para mim, pelo menos.
Sim. Experiência ponto.
Porque eu ainda não sei definir bem que espécie de experiência foi.
Foi maravilhoso, angustiante, maravilhoso. Saí de lá me sentindo uma das mulheres mais burras do planeta – com a minha obsessão latente latindo mais do que nunca.
Entrei numa livraria ontem e saí praticamente correndo quando olhei em volta e me dei conta da quantidade de coisas que eu quero ler.

Além de tudo é uma obsessão cara pra caralho.

quarta-feira, julho 11

P.S.

Mais coisas...
Mas ainda sem PC.
Bloco cheio de anotações relevantes...
Tenho vindo à faculdade, em plenas férias só para usar o computador, talvez volte amanhã...
Talvez não.
Sei lá.

Voltando pra casa

De uns tempos pra cá voltar de viagem é uma coisa que sempre dói.
E olha que eu nem gosto de Paraty! Pode tacar pedra, mas quando eu digo que não gosto, quero dizer que eu não me imagino de forma alguma morando lá algum dia – é um lugar bacana para ir, visitar (a FLIP é uma experiência – depois eu conto), passar uns dias e voltar pra onde quer que você more.
Mas more no Rio...
Pra início de conversa, seu portal de entrada é a Baixada Fluminense.
Que fique claro que eu nunca freqüentei nada da Baixada a não ser o “Alemão” que tinha um croquete absurdo de bom que hoje em dia eu acho mole, mole em várias casas “finas” da Zona Sul – então nem vou falar mal – mas que a Avenida que corta a coisa, as bordas da Avenida, a “paisagem” que nos recebe assim que voltamos à Cidade é feia. Pobre e maltratada como a maior parte do Rio de Janeiro anda.
Porque Rio de Janeiro não é só Zona Sul. A ZS é famosa, é grande, é chique – haha! – mas como o nome diz é Sul; existem ainda Leste, Oeste e Norte.
Você já parou para pensar nisso?
Então você chega na Rodoviária Novo Rio.
Aquele caos.
Consegue – a duras penas – pegar um táxi. O táxi que te coube é um daqueles que está mais pra golzinho 80 que pra gol 1000, o motorista, um senhor careca de barba te lembra alguém de pornochanchada e dirige como se não houvesse amanhã fazendo com que você segure sua filha no colo com uma força que não se lembra de ter segurado em muito tempo.
Finalmente, o táxi estaciona na entrada da sua casa.
Você salta e ouve logo de cara que a Creche do Inferno do lado da sua casa está dando uma “daquelas” festinhas.
Então, você entra em casa e percebe que vai ter muita, mas muita roupa para lavar, já que trouxe junto metade do chão de terra de Paraty grudado nas roupas....Que maravilha voltar pra casa...!

segunda-feira, julho 2

Pra variar...

...E não perder o hábito, estamos naquela fase do ano em que eu estou excluída digital.
Meu pc pifou;
O semestre acabou;
O coração vai mal (de várias formas e sentidos diferentes);
E depois de amanhã eu viajo de mãe, filha e malas - muitas malas - para a minha tão esperada primeira FLIP.
Um prêmio mais do que merecido.
Na volta eu resolvo, conserto, escrevo, leio...

terça-feira, junho 5

Duas Cartas Para Homens Que Eu Amo

"Sabe, a semana está sendo uma semana ruim.
(Bem como as últimas antes dela)
O semestre está quase terminando e nas próximas semanas provavelmente não terei vida minha; ficarei só correndo de um lado a outro, de ilha de edição a ilha de edição, de estúdio em estúdio, de livro a livro...
O corpo pede arrêgo, a mente também.
Estou exausta.
Então, no meio desta terça-feira em que eu não queria estar fazendo nada, em que eu só queria dormir, tive que vir às pressas para casa porque havia esquecido uma conta e dei de cara com o carteiro me esperando, com um envelope em punho com o meu nome escrito numa letra linda.
Dentro do envelope, uma carta - impressa, o que deu um toque todo impessoal a coisa, ainda assim, uma bela carta; papéis e um disco. A carta que demorou tanto a vir e o disco que eu tanto queria ouvir. No encarte uma surpresa: meu nome também estava lá!
Chorei.
Chorei porque foi um momento lindo num dia, num mês escuro - e, Deus! como eu ando precisando de momentos lindos...!
Parei, então, pra te contar como eu fiquei feliz.
Que resolvi parar um pouco com o dia, as contas, os trabalhos e até meu coração partido, pra ouvir o que eu esperava há tanto tempo...
Pra ouvir um pouco a sua voz.
Hoje, com a certeza de que, pelo menos pra você, eu não passei batida.
Obrigada, amor.
Apesar, mesmo, de todo o jeito estarei sempre aqui, serei sempre sua companheira e sua amiga.
Pode contar.
Beijos enormes,
Com muitas saudades, sempre.
Rê."

" Oi XXXX **!
Hehehehehe
Ai, XXX, foi mal...
A coisa tá tão punk rock pra mim aqui que eu nem tive tempo de sentar e escrever uma resposta decente pra você...
Agora estamos no final do semestre, o pânico toma conta. Aliás, tomou conta o semestre inteiro e eu estou exausta ao cubo. Peguei rádio e tv pra fazer, então tenho dois programas de rádio e uma trauletada de coisas de tv pra fazer semanalmente, tipo ritmo frenético mesmo. Meu atual pesadelo é entrevistar o XXXX (um jornalista fodão aí) dia 20. Eu nem vi direito esse início de ano!
Ainda mais porque agora no início de julho vai ter a FLIP (festa literária de paraty), as Roxo vão em peso (Licas inclusa), tudo reservado e meio pago e eu preciso passar direto! hehehehehe
FLIP foi outra novela, mas depois eu te conto.
Quando você vier.
Liloca tá bem, cara. Agora que esfriou, gripada, pra variar. Nunca pensei que um nariz tão pequeno pudesse produzir tanta meleca!
Mas tá aquilo mesmo: figuraça, amorosa e hipergeniosa.
Altas historinhas.
Cada dia mais linda também! :)
Mamãe tá bem. Trabalhando pra cacete. Teve um estresse básico por causa de grana mês passado, mas nada que uma FLIP não cure. Continua cabeluda e pegando no meu pé quando eu bebo, definitivamente ajuda a pessoa a se sentir com 15 anos quando está é na porta dos 30. :P
Amores?
Bah!
Esse setor, meu amigo, é um que não muda na vida da sua amiga aqui. A sorte inexiste nele. Solteira desde XXXX, encalhadona último nível, sem fé na humanidade, padecendo de uma carência sinistra. Já apareceram aí duas outras pessoas, uma que não deu certo (me trocou por uma guria de 21 anos) e outro que eu ainda não sei bem que que eu faço com ele - longa história, longuíssima história mesmo. O fato é que até beijo na boca aqui tá raro, é que nem ano novo, tem até que soltar fogos quando acontece.
E eu nem tava me ligando nisso, não. Fiquei sem tempo de viver mesmo nos últimos meses. Literalmente. Agora é que aniversário chegando, Dia dos Namorados chegando, essa porra toda, que eu resolvi voltar a me incomodar. Mas esperanças de sucesso mesmo - só volto a ter quando vir acontecer.
E é isso.
Tô morta de saudades. Mesmo.
Doida pra te ver! :)
Mande beijos pra patrôa, viu?
E outro enorme pra você!
Té breve! ;)
Rê"

Um ex-amor, dois amigos, homens que fazem parte da minha vida mesmo estando longe.
E, que agora, sabem um pouco mais dela.

* - Os nomes alheios foram trocados pelo XXX.

segunda-feira, maio 21

Crise dos Trinta

Uma mulher dizer que está em crise é de uma redundância incrível; crises fazem parte do nosso DNA, são uma espécie de doença pré-existente e sempre presente.
Ainda assim, de vez em quando, aparece uma Crise Especial – daquelas que têm ser bem aproveitadas porque acontecem uma vez só na vida e olhe lá.
Daquelas que fazem com que você sinta que o dinheiro que gasta de análise está sendo bem utilizado uma vez na vida.
Daquelas que fazem com você possa alugar seus amigos por horas a fio numa mesa de bar sem a menor culpa.
Daquelas que fazem você dar uma pirada básica e poder usar uma desculpa socialmente aceitável – irreprimível.

No momento, eu curto uma crise dessas.
A famosa Crise dos 30.

Ela veio me assaltar a uns três meses atrás.
Depois do período das férias escolares, diversas viagens e romances rompidos, um dia percebi que faltavam cinco meses para o fatídico dia em que eu não poderia mais dizer que tinha vinte e algo; passaria aos trrri.
Pior do que isso! Me ocorreu que jamais havia sido assídua dos tão famosos e vendidos cremes faciais e corporais. Eu nem sei como se passa creme no rosto! Depilação pra mim é com gilete porque me falta saco e disposição de ficar mostrando minhas intimidades a pessoas que eu não conheço; manicura só faço na TPM, quando preciso me sentir bonita para ser um ser menos nocivo ao planeta Terra de um modo geral.
Pior que isso!!! Comecei a perceber como os anos de noitadas, boates, efeito iô-iô, gravidez e afins deixaram sua marca no meu “corpitcho”. Verdade seja dita, beldade eu nunca fui. Sempre fui a mais gorducha da turma e carreguei com uma certa dose de prazer – me baseando naquela máxima de que as marcas que eu corpo traz contam a minha história – uma coleção invejável de celulites e estrias.
Mas, aos cinco meses de virar de fato uma “balzaca”, pela primeira vez tive um pânico profundo quando entalei num par de calças.

Já me conformei e aprendi a duras penas que aquela vidinha “perfeita” que eu imaginava aos quinze anos não passava disso mesmo – imaginação. Que a vida dá voltas, nos surpreende, blábláblábláblá... Agora, não chegar aos trinta cabendo numa roupa decente foi demais pra mim!

De repente, me tornei uma mulher ordinária.
Igualzinha a todas as outras.
E quase uma obcecada por virar uma mulher mais gostosinha.

Fui ao médico, fechei a boca, mas o principal sintoma da seriedade da coisa foi quando eu resolvi me render, e, num rompante de desespero, me inscrevi na Curves.

Nunca fui fã de academias- devo ter me matriculado em pelo menos uma dúzia delas ao longo dos últimos dez anos. Sempre me pareceu ilógico gastar uma hora inteira do meu dia numa esteira e perceber que depois disso eu só havia queimado calorias o suficiente para deletar um chopp da minha longa folha corrida de débitos alimentares. Achava o fim ficar de bumbum para cima ou abrindo e fechando as pernas em público, com uma platéia de He-Mans e Barbies me olhando – eu sou uma senhora pudorada!
Quando a própria Curves foi lançada no Brasil, me lembro de passar na frente daquilo e ficar imaginando que deveria ser uma espécie de seita, uma coisa Vigilantes do Peso onde as pessoas gritam que o melhor Spa é o esparadrapo.
E, de certa forma, é mesmo.
E eu caí feito uma patinha.

Um mês e meio depois, já não me dá vontade de atirar nas professoras quando elas gritam entusiasticamente: “Vamos lá, Rê, acelera!”. Já penso que, se não tenho mesmo mais nada para fazer em algum momento do dia, melhor ir malhar. Comecei a carregar na mochila a muda de roupa da ginástica!
Este mês eles inventaram uma gincana. As alunas realizam tarefas e ganham prêmios por isso. Eu sou uma das mais aplicadas e competitivas.

Há cinco anos atrás, perder peso não era uma tarefa tão excruciante. Era rápido e fácil. Os cinco quilos que perdi nos últimos dois meses, teria perdido em uma semana; e meu ideal de chegar ao tão temido dia com pelos menos dez a menos, já teria sido alcançado a esta altura – mesmo com meus momentos de gorda safada onde me pego com um chocolate na boca enquanto penso no tempo que falta.

É ridículo.
É fútil.
É vergonhoso que uma mulher como eu, tão inteligente de uma forma geral, tenha como maior preocupação momentânea separar meia hora do seu dia a uma das atividades que passou a maior parte da vida abominando.
Apesar disso, trinta anos só se faz uma vez, e, se eu não consegui grana, homens e sucesso, pelo menos coxas mais durinhas e um manequim menor eu mereço.
Ah, se mereço!

quarta-feira, maio 16

Moreninha ordinária

É absolutamente ridículo que uma pessoa que vive de escrever (isso agora é fato, só não me deu dinheiro ainda); que esteja se virando do avesso para que chegue logo a festa literária do ano; que pretende pleitear uma vaga num curso de escrita disputado; é ridículo que essa pessoa não consiga manter um mísero blog.
Ridículo, mas real.
Ou é o cansaço, ou é a falta de tempo, ou a falta de inspiração, ou a sociopatia, ou simplesmente o fato de que não ando achando minha lá muito digna de nota no momento.
Apesar de todas as coisas fantásticas que eu faço todos os dias, na verdade não ando passando de uma moreninha ordinária...
Como tantas outras...

(Talvez nunca tenha passado.)

Mas me dá dó.
O blog foi uma das coisas mais constantes que mantive na minha vida nos últimos anos.
Uma espécie de vitória - conseguir manter algo durante tanto tempo.
Poder acompanhar meu desenvolvimento em várias áreas...

Talvez seja só mais um hiato.

Todo mundo tem hiatos.
Lapsos.
Ou coisa que o valha.

Até (inclusive) moreninhas ordinárias.

domingo, abril 8

...

Ai, cara, mil coisas.
E pouco tempo.
Pouquíssimo.
Mas, uma coisa é certa: eu pedi.
Eu pensei tanto, mas tanto, que vieram lá, os três, me assombrar.
Cada um a seu modo.
Bem feito.

sábado, abril 7

Listas

Eu devia ter posto uma lista de shows que eu vi também... :/
No próximo que eu for, eu começo com ela, apesar de defasada.

Amanhã eu volto...

sábado, março 31

"It's been a hard day's night..."

segunda-feira, março 26

Dos Planos

Houve um tempo em que eu realmente baseava o que queria da vida - o que esperava e como eu achava que ela deveria ser - em alguém.

Foi assim com o primeiro amor.
Eu fiz planos, construí toda uma vida. Mesmo sabendo que ia acabar. Quando acabou, foi um choque e eu fiquei perdida e sem planos.

Foi assim quando engravidei e pensei em formar uma família.
De verdade e como mandava o figurino.
Deus foi sábio e hoje eu vejo que não era - nem nunca foi - uma boa idéia.

Eu gosto de fazer planos.

Ano passado cheguei a fazer planos de novo.
Imaginei toda uma vida nova, a rotina, como ia ser esperar que ele chegasse de onde tivesse ido, como ia ser a nossa casa.
Acho que ele nem sabe disso até hoje.

Mas entre um plano e outro, eu aprendi a viver sozinha.
Muito mais do que eu gostaria até.
Meus planos, hoje em dia, na maioria das vezes, são independentes de outras pessoas para existirem.
Porque, hoje, eu bem sei o que quero da minha vida; quais são minhas metas.
Sei o que eu não quero também.

Nulidade.
Subjeição.
Rejeição.
Certas pessoas...

E a dificuldade é justo achar alguém que case com esses planos.
Que eu possa arrastar junto.
Que me ajude a construir isso tudo que eu quero.

Nenhuma paixão teve mais planos.
E eu quero planos de novo.
Quero pensar, fazer e construir.
Junto.

Mas, se for sozinha, eu hoje sei que também vou conseguir.
Porque eu vou conseguir.

Até penso se não seria melhor deixar certas coisas para depois de conseguir.
Talvez fosse melhor...

Mas aí o quê que eu faço para me distrair nesse meio tempo?
Pra quem eu vou escrever?
Por quem eu vou chorar?

Por mais que eu tenha mesmo muito pouco tempo meu, uma distração sempre cai bem.

Hoje, eu só tenho a mim mesma de novo.
Mas amanhã (numa linguagem literária e não literal, por favor), eu sei que ainda vai haver alguém para me ajudar a erguer tijolinhos. Ou, pelo menos, ajudar a conservar...

...E fazer novos planos.

(Que estes são sempre necessários e são o que dão graça à vida, no fim das coisas...)

domingo, março 25

Okay

Sabe...
Na verdade, eu estou achando tudo um pouco fantástico.
Tudo bem que a parte de ser rejeitada e trocada não é lá muito legal, nem deixa ninguém muito feliz da vida. Mas também não é nenhuma novidade.
Além disso, dessa vez nem posso dizer que doeu tanto.
E é fantástico, do seu jeito, porque eu fiquei foi é me sentindo livre.
Zerada.
Eu estava pronta, mas presa de algum modo.
Agora não estou mais.
Pronta e zerada.
Agora sim vai ser um novo começo.
De uma forma meio estranha, isso tudo foi bom.
Me deu esperança.
Foi só uma coisa que eu já via que ia acontecer que aconteceu e me deixou okay dessa vez.
Okay...
No hard feelings.
Boa viagem, meu bem, e até qualquer dia!

sexta-feira, março 23

...

Essa semana não está sendo uma boa semana.
Em nenhum, ne-nhum, aspecto.
Nenhum.
Além de tudo mais, você nem pensou, nem perguntou, nem perdeu seu precioso tempo para tentar saber - eu poderia até dizer lembar, já que eu já havia lhe dito - o quê anda acontecendo.
O Motivo Principal.
Tens culhões para se dizer abandonado, quando abandonada estou eu.
Por ti.
Por ela.
Por tanta gente.
E é tudo tanto, que a lembrança me dói.
Todos os dias.
Nos últimos dias.
De ti.
Que não me quer e diz que não rejeita.
Que canta tudo quye eu posso ser e não vê.
Que me impede.
Do galego, que me assombra, diz que ama, que me espera, mas não nada nunca no mundo e por quem eu teria mudado toda uma vida.
Do amor, da felicidade, da plenitude que sentia quando estava com quem dizia não poder me amar e que hoje ama tão plenamente a outra pessoa.
De quem mentiu, deliberadamente, para mim.
De quem ainda me desperta calafrios e não me deixa pegar certas linhas de ônibus.
De quem eu ainda tenho medo de esbarrar.
De quem eu ainda não estou curada.
Precisava de ti.
Que me conhece e compreende.
Dele não me promete, que é carnal.
Dele que me protegia e preenchia.
Dos três.
Que me amam.
Que queria que aqui estivessem para me acalmar sobre aquele que amanhã pode ser bom ou acabar com com minha razão de vida.
Para segurar minha mão enquanto tenho medo, muito medo.
Para me acalentar para que eu possa descansar.
Estar pronta.
Precisava de uma fusão dos três em um.
Precisava só de ti, que vinha me ocupando e me tendo.
Precisava tanto.
E, ainda assim, não te tenho.
Não tenho a ninguém.
Só a mim.
Que ando gostando tão pouco de mim...
...E precisava tanto de ti.
Tão perdido em umbiguismos.
Tão esquecido.
Tão desleixado.
Tão pouco cuidadoso com quem te cuida tanto.
Tanto te quer.

Devia eu, estar acostumada.
Devia eu, ser tão mais forte.
Devia eu, salvar minhas lágrimas.

quarta-feira, março 21

A Barbie

Pois então...
Pouco antes do Natal, minha filha descobriu a Barbie.
Barbie: aquela boneca loura, peituda e de pernas compridas que toda garota tem pelo menos uma há décadas, e que é tão ícone de qualquer coisa que recentemente até divorciada virou.
Obviamente, eu já esperava que o "Momento Barbie" fosse acontecer em alguma hora da infância, mas não contava que fosse já.
Foi uma coisa inacreditável o primeiro contato.
A Barbie em questão era uma bailarina da prima de 3 anos.
Eu, cá com meus botões, já havia ficado muito espantada de uma menina de 3 nos ter uma.
Olívia quando viu ficou no encanto dos encantos com a boneca!
Agarrada e possessiva durante toda nossa estadia com a prima.
Pouco depois, viajamos de novo e ela, mais uma vez, encontrou uma Barbie - dessa vez de uma garotinha de 7 anos.
Novamente foi aquele encanto.
E eu comecei, então a maturar a idéia de comprar uma para ela.
Hoje em dia, existem, sim, Barbies caríssimas, mas também existem Barbies mais "populares". Eu, na verdade, achava que uma genérica já quebrava o galho e cumpria sua função.
E assim foi...
Após algum tempo de pesquisa, veio uma Barbie genérica.
Devidamente munida de mudas de roupa tão genéricas quanto ela.
E que causou grande comoção!
A frase de ordem ultimamente aqui em casa é "vou mostrar pra Luísa" - "vou mostrar pra Luísa" serve para comidas, acessórios, brinquedos, programas; para tudo - e a nova boneca entrou nessa.
O grande problema da Barbie genérica é que ela é genérica e sua composição corporal, vamos dizer assim, é absolutamente insufciente para sobreviver a uma criança de dois anos de idade. Foram dois dias de "mamãe, caiu pernas*", "mamãe, caiu braços", "conserta, por favor" em intervalos constantes de 10 minutos.
Mamãe aqui anda um pouco atabalhoada, atrapalhada e não muito paciente, como bem se sabe.
Então, mamãe aqui saiu correndo e embicou na primeira Lojas Americanas que viu pela frente e, em desespero, comprou uma Barbie original e deu mais alguns reais para a Mattel bem mais cedo do que poderia supôr.

(Ainda teve o desprazer de sacar o quanto é uma mulher desvalorizada, já que a Barbie loura era 8 reais mais cara que a morena!)

Olívia amou sua nova boneca, como não poderia deixar de ser, mas, imediatamente me olhou e perguntou: "cadê minha outra Barbie?".

...E eu achando que ia conseguir dar a volta nela...

Agora ela anda grudada com as duas, para cima e para baixo.

*Ela descobriu o plural. Não que saiba usá-lo corretamente ainda, uma vez que ela machuca seu braços ou seu pés, mas a gente chega lá! ;)

Ex's

E o que faz uma pessoa guardar tudo?
No caso, e-mails antigos de ex-namorados.
Eu também guardo cartas, fotos e afins, mas muito, muito bem guardados.
Guardados apenas por desencargo de consciência, porque essas pessoas fizeram parte da minha vida em algum momento passado e isso seria apagar a minha história de vida.
Mas, porque a gente precisa guardar os e-mails, assim, tão à vista?
Porque que quando a gente procura uma coisa boba acaba dando o mole de achar coisas que podem balançar tanto com a gente?
Pelo simples fato do que poderia ter sido e de como acabou.
Pelo momento particular de vida que eu estou vivendo.
Porque só olhar o nome ali já é confuso.
Porque?
Em alguns casos bastante específicos, ultimamente, eu bem que tenho me pego pensando - e verbalizando, e agora, escrevendo - o quanto seria bom, fácil, se ex-namorados tivessem um pó de pirlimpimpim qualquer que os fizesse simplesmente sumir - puf! - desaparecer, sem mais poder ter o poder de atrapalhar você, que segue com a sua vida sem eles.
Não por mágoas - tenho muito poucas não resolvidas com eles.
Não por ainda existir sentimentos de amor - no máximo um tremer de pernas.
Seria simplesmente fantástico se os e-mails se evaporassem até a gente ter uns 90 anos e precisar deles para lembrar de alguma coisa, se eles não mais conhecessem as mesmas pessoas que você, se eles não pudessem aparecer sem aviso quando você está andando descabelada e desmazelada pelas ruas num dia comum, se eles fossem banidos para o Cazaquistão até que você esteja tão curada deles que já não importa nada se eles estão lá ou aqui.
Porque, em casos bem específicos, nada disso, por mais maldoso que seja e por mais karma que possa me acrescer, não me parece mal por esses dias...

A minha casa

E nisso, existem sempre problemas que existem, mas que eu não posso resolver de forma prática.

De vez em quando eles me assaltam.

E, hoje, eu me peguei, de novo, pensando na minha casa.
Naquela casa que eu planejo ter há mais de um ano.
Ao invés de ser assaltada pela melancolia da coisa - a melancolia pelo tempo em que eu vou levar para ter ainda essa casa - hoje eu pensei na casa em termos diferentes.
Pensei em tudo que eu ainda tenho que passar para tê-la de fato.
Pensei no prazer que eu vou ter de ter passado por tudo para poder chegar a ela.
Me imaginei, me vi, olhando e falando: caramba, eu consegui.
"Eu tanto quis e tanto fiz que eu consegui. Minha casa. A casa que eu sonho desde...".
E isso me deu um alento...!
Me deu, já, uma sensação boa de conquista.
Me fez acreditar que eu vou conseguir de verdade.
Me deixou na boca o gosto que eu vou ter em tê-la.

Porque a gente vive uma vida complicada, numa cidade complicada.
A vida é difícil. Ponto.
A cidade está em guerra civil.
Ou você se rende, ou convive com ela - e tem medo de um jeito ou de outro.
Eu leio, vejo, escuto casos.

Vivo casos.

Semana passada, uns amigos vieram me deixar em casa.
Assim que o carro encostou, uma patrulinha vinha subindo a rua. Eu desci com um dos meninos e a patrulinha encostou, perguntou aos rapazes o que eles estavam fazendo aqui; não sei se a resposta não foi clara ou o quê, mas um dos PMs resolveu então saltar do carro de arma na mão e vir abordar o carro em pessoa. Eu dizia que eles só estavam me deixando em casa. Devo ter repetido umas duas vezes antes de começar a atravessar a rua de volta e da miha mãe ter, então, aparecido abrindo a janela com um certo barulho. Lá pela quarta vez que eu repetia que eles só estavam me deixando em casa, já com o outro PM do lado de fora do carro, também de arma na mão, pelo mesmo motivo oculto que o cara saiu do carro, ele resolveu voltar. Eles ainda ficaram parados um tempo na rua, e eu, tensa, me despedi com pressa.
Nesse dia, além de todos os meus direitos que já são diariamente violados, me roubaram o direito a um beijo de boa noite.
Eu, como boa carioca que sou, engoli mais essa violação e nada fiz ou falei.

Compreendo o medo deles, veja bem, mas acho absurdo que já abordem amigos meus de arma em punho por causa de uma carona, no meu caso após uma noite de trabalho.

Então, minha mãe vem pedir cuidado agora sempre que eu saio por causa do caso "x" ou do caso "y". Eu não vou deixar de sair. Saio, às vezes, com medo - sempre com cautela - mas não posso deixar de sair.

Também não pretendo envelhecer com esse medo, nem dessa forma.

E ainda há quem ache que eu que estou errada de não querer mais morar aqui.
Que eu que estou errada de querer beijos de boa noite, noites de liberdade, casas ao invés de apartamentos brutalmente protegidos e vigiados, laranjeiras no meu jardim - um jardim.

terça-feira, março 20

Depois eu tenho que contar da Barbie...