segunda-feira, outubro 7

I REALLY quit.

quarta-feira, outubro 2

TPM é uma coisa escrota.
O primeiro pensamento que se lembrou de ter hoje foi: esquece isso; não vai dar certo.
A parte que acha que nunca mais vai ser amorzinho, amorzão, momô ou qualquer corruptela do gênero para outra do pessoa de outro gênero acordou furiosa.
É um caso curioso.
Com ele, não existe coragem.
Não existindo coragem e existindo mau olhado, macumba, feitiçaria ou qualquer corruptela do gênero, talvez a melhor coisa, a mais segura e mais sã seja mesmo desistir.
Parar de sonhar, de tentar acreditar, de tentar tentar.
O corpo está inchado.
Quanto mais e maior é o desejo de que ele desinche e diminua, mais ele cresce, alarga e incha.
Um fenômeno.
Uma hora se desiste de tudo, uma hora grita, uma hora ri, o corpo inchado dói, uma hora a irritação é maior que tudo, todos e ela própria.
Ela não está bonita.
Melhor desistir dele, do coração partido - que certamente virá - de se perfumar, de agradar o outro amante que nem amante é.
Melhor desistir, diz seu coração.

sábado, setembro 28

Eu tinha perto de 10 anos.
Naquele tempo, meninas de 10 anos or so podiam voltar pra casa sozinhas de ônibus coisa e tal.
No meu caminho de casa tinha uma loja de animais - naquela época elas ainda não se chamavam pet shops - e um dia eu me apaixonei por um filhote de poodle (pasmem).
Juntei dinheiro da mesada, pedi permissão e levei ele pra casa.
Um bichinho minúsculo, preto, de cabelinho desgrenhado.
Chamei de Bruce, em homenagem ao Bruce Lee.

Eu nem tinha visto nenhum filme do Bruce Lee na vida, mas meu pai gostava dele, eu tinha (cofcof) issues com a figura paterna, Freud explica, coisa e tal.

Infelizmente, em coisa de uma semana Bruce morreu.
De repente teve uma tremenda diarréia, passou mal e morreu.
Ele tinha escolhido fazer cocô debaixo de uma cama, então ninguém percebeu que ele estava doente.

Eu fiquei tão mortalmente triste quanto uma garota de 10 anos pode ficar.

Até então, minha mãe tinha me deixado ter periquitos de estimação, que amos e convenhamos não são exatamente bichinhos interativos.

E a tristeza foi tão grande que, em coisa de um mês eu ganhei uma outra cachorrinha que me trouxe muita alegria e foi minha grande companheira por quase 18 anos e ainda pariu mais dois que foram cachorrinhos incríveis.
Mas isso é outra estória...

Fato é, no meio disso tudo eu esqueci do Bruce.
Enterrei no jardim do prédio, chorei e esqueci.

Aí essa semana, 26 anos e três cachorros depois, eu resolvi  dar de presente pra minha filha um cachorro.
Um vira lata lindo pretinho, gente boníssima, que trouxe pra mim uma alegria esquecida lá longe...

No título ele é dela, mas quem passa os dias com ele sou eu e um amor gigante começou.

E aí minha mãe me lembrou do Bruce.
E aí eu não consigo mais ficar em paz.
Passo metade do tempo me certificando que o bichinho está vivo, que ele vai conseguir chegar à sexta vacina bem e sobreviver conosco.
É muito, muito parecido com o parto de uma criança humana - a sobrevivência é a coisa mais importante de todas; também a mais angustiante.

Disse-me a veterinária que ele só vai poder ir na rua daqui a dois meses.
Disse-me a veterinária que clinicamente ele está muito bem.
Queria que ela também tivesse dito que eu vou ficar clinicamente bem.

Foram só 4 dias até agora, mas eu vejo o quão importante já é esse pequeno serzinho na nossa vida.
Eu quero que ele viva.
Para a minha.
Para mim.
Conosco.

Não quero que ele seja nosso por uma, duas semanas.
Quero que seja por uma, duas  décadas.

E eu não ligo se isso é uma espécie de egoísmo.
Mas a psicose podia pegar mais leve...

quarta-feira, setembro 25

"Ninguém se lembrava no dia seguinte do que haviam conversado a noite toda. Não era importante para ninguém o que os adultos falavam. Só eram importantes os sons que iam e vinham sobre as samambaias delicadas que cercavam a varanda dos três lados. Só era importante que a escuridão enchesse a cidade como uma água negra sendo despejada nas casas, e que os charutos luzissem e as conversas continuassem sem parar."

Bradbury, R. - Licor de dente-de-leão

terça-feira, setembro 24

De repente eu cresci.
Estudo pra concurso, tenho dívidas, uma filha, cachorro, planta.
Virei adulta.
Sacramentada.
Que medo.

quarta-feira, setembro 18

O desespero de ter quase 1000 páginas de texto para ler e compreender (sem contar o lembrar) em pouco tempo e ainda querer conciliar o fogo no rabo no meio disso tudo.

segunda-feira, setembro 16

Desço a rua com uma certa pressa.
No meio do meu caminho 3 mulheres.
Das 3 mulheres, de repente, a senhorinha com uma blusa de uma azulão muito vivo, de maquiagem forte e brincos pressão - ela me lembra minha avó - vem faminta em minha direção abanando um papel.

- Posso falar consigo um minuto?
- Desculpa, tô atrasada.
- Leva ao menos o papel...
Que eu pego e uma das companheiras da senhorinha faz questão de enfatizar com um certo tom raivoso: "Mas não joga fora!".
Não joguei.

Começa assim:
"Gostaria de conhecer a verdade?"
Pula linha.
"A verdade sobre o quê? (....)
Será que Deus se importa conosco? (...)
O que preciso fazer para Deus ouvir minhas orações?
Como posso encontrar a felicidade?"

Realmente, taí, boas perguntas.
Essas 3 aí andam fazendo parte do meu repertório de forma bastante incisiva nos últimos dois anos.
Infelizmente, as explicações do folhetinho não me convenceram.
Não, eu não vou escrever às Testemunhas de Jeová.
Mas, se alguém tiver uma resposta, agradeço.
O que eu penso sobre o assunto já tá mais ou menos espalhado por aqui...

domingo, setembro 15

Um pouco rancorosa.
Mas sabe do que mais?
Esse luxo eu vou me dar.
Da série Coisas que Talvez Nunca Sejam Ditas...

Há mais de um ano a gente combinou ser mais presente na vida do outro.
Talvez por confiar nisso, em contrapartida, nunca precisei tanto de você na minha vida.
E, curiosamente, justo depois disso, nunca mais nos vimos.
Ontem, mais uma vez, eu procurei e precisei do seu abraço e ele não veio.
Tanto desencontro, tanta falta...
Talvez seja hora de não esperar mais pelo abraço.
Talvez seja hora de não esperar mais.
O nome da vila é "Vila Imperio".
Não é uma vila bonita. É reta, meio cinza, quase nunca existe sinal de vida lá.
Logo na entrada a maior casa de todas permanece abandonada - e eu sei que se parar um dia para ficar olhando as janelas bertas do terceiro andar vou ver algum fantasma lá dentro.
Passando hoje, lá no fundo, uma senhora numa cadeira de balanço.
Tão fantasmagórica quanto o que mora lá e na minha imaginação.
Não tinha sol, logo essa não poderia ser a desculpa para tal decoração.
Só haviam os carros estacionados e imóveis de um lado.
A fonte seca no fundo.
E a velha a se balançar lentamente naquela cadeira enorme.
Olhando a vida passar.

sexta-feira, setembro 13

A volta do fundo poço.
A cabeça opera a 330, fosse antes diriam que eu tenho DDA.
Concentração zero, oitocentos planos.
Daqui a pouco desacelera.
Por enquanto tô me achando bem, mas bem maluca mesmo.

quarta-feira, setembro 11

Foi só postar o texto que houve rebuliço.
A mulherada em peso apareceu, contou história, bateu palma, mas... Um, me indicou uma dieta. Vê-se logo que não entendeu porra nenhuma do que eu escrevi. Outro, amigo, ex-amante de séculos, uma pessoa que me conhece do avesso, achou lindo, me defendeu; como sempre, ofereceu o braço. Todos os outros se calaram, ou responderam ao texto inbox. Quase que imediatamente veio um: "Eu nunca te vi assim. Na verdade, eu te queria, você que não me quis. Aí eu casei."
"Só para constar, eu acho você sexy, simpática, inteligente e gostosa. E é ótima na cama."

Aí veio outro:
Finalizamos com a chave de ouro:
"(...) certas partes do texto não posso comentar mas existem controvérsias .... NÈ"
Quê que eu posso dizer?
O primeiro era o Homem Perfeito, já falei bastante dele aqui, mas que eu não tenho tesão, infelizmente.
O segundo, bom, nunca nem pensou em ficar comigo, resumindo a coisa.
O terceiro aconteceu esse ano.
Eu não quis. 
"Ah, mas você reclamou que não tem namorado!"
Reclamei.
E disse 80%. E mesmo reclamando eu também tenho direito de não querer ficar com o primeiro que aparece (que foi um dos motivos porque eu não quis ficar com ele - um dos), ou com o segundo, ou com o terceiro, enfim...
Reclamei, mas também direito de querer ficar com alguém que eu realmente ame, ora pipocas!
Não que a intenção do texto fosse atingir qualquer pessoa que fosse, mas homem tem essa coisa de achar que é com ele.
Mas, como eu sou uma mulher educada, só aqui vou escrever tudo isso.


Homens...

terça-feira, setembro 10

Tô precisando chorar.
Copiosamente.
Outra coisa que me incomodou foi o suicídio de um músico.
O cara saiu pra jantar, chegou em casa, se trancou no quarto e deu um tiro na cabeça.
Deixou uma mulher grávida de 5 meses.
Os motivos, dizem, giram entre falta de grana e depressão.
Acho que eu posso falar das duas coisas com bastante propriedade, por isso me incomodou, por isso acho inaceitável.
Quantas vezes, meu Deus, ao longo dos anos, não passei por dificuldades financeiras. Todo mundo passa!
É terrível, é preocupante, mas não justifica tirar a própria vida.
Quantas vezes eu não fiquei mortalmente deprimida (tipo, agora)?
Depressão tem tratamento.
Um dos mais eficazes, inclusive, é ter filhos.
Já disse mais de uma vez: a partir do momento em que você tem filhos, a sua vida é deles e por eles.
Um pai, uma mãe, não podem se dar ao luxo de ficarem deprimidos.
Não podem se dar ao luxo de morrer.
Não podem se dar ao luxo. Ponto.
Rolou na internet um texto da Averbuck sobre as gordas, e ele me deu uma vontade imensa de fazer um desabafo.
A partir daqui, você ler se quiser, e, se for ler, vai entender que É um desabafo.
Gratuito.

Muita coisa do que ela diz ali é verdade.
A vida de gorda não é fácil. Desde bem cedo eu faço dietas, desde bem cedo as amigas tem roupas que eu não posso nem nunca vou poder ter, desde muito cedo enfrento olhares reprovadores e excludentes. Na adolescência cheguei a ouvir de um parente que “se eu não emagrecesse, ninguém ia querer me engravidar”.
Eu já dancei, sim, em muitas entrevistas de emprego por causa disso.
Como se o tamanho da minha bunda fosse fator decisivo na minha competência.
Arrumar roupa era um suplício. Hoje melhorou um pouco; as pessoas começaram a entender que gordo não anda pelado, nem precisa vestir um saco de batata, que ele pode se vestir bem e ficar bonito. Mesmo assim, ainda é difícil.
As dietas continuam.
Gordo passa mais da metade da vida atrás de chazinho, dieta, suquinho, bolinha das estrelas que permitam que ele tente ser mais magro.
Há 10 meses eu tomo remédios para emagrecer. Mesmo quando emagreço, continuo gorda – é minha constituição corporal e isso não é balela – mas eu já fui mais magra e gostaria de ser de novo.
Por quê?
Porque é uma foda ver que a sua filha também é rechonchudinha e morrer de medo, de angústia, que ela venha a passar metade do que você passou a vida toda. Vivo repetindo o quanto é uma merda ser gorda e nessa de proteger ela, eu mesma acabo cobrando dela o que não quero que cobrem de mim. Porque a família pressiona, sim. Eu me pressiono.
Nesses 10 meses emagreci muito pouco. Uma série de problemas fez com que eu simplesmente não conseguisse perder peso. E todos os dias eu sofro por isso.
De uns tempos pra cá, passei a ter vergonha de comer em público.
Muitas vezes abaixo a cabeça enquanto como pra não ver se existe outra pessoa olhando.
A grande maioria dos gordos espertos que eu conheço se vira, compensa essa “deficiência”, sendo inteligente ou bem humorado ou bom de cama – aposto que vocês conhecem vários que são “a alma da festa”. E muitos juntam as 3 qualidades, viu?
Mas vejam o meu caso, por exemplo.
As pessoas costumam me achar simpática, inteligente até mesmo bonita de vez em quando, mas eu posso afirmar que 80% da razão deu permanecer solteira até hoje é porque os caras tem vergonha de ter uma namorada gorda.
O fã clube existe, mas eles só querem sexo.
Meus dois últimos "namoros" aconteceram inteiramente dentro do quarto.
Assumir e sair, nem pensar!
O cara namora uma mulher burra, o cara namora uma mulher feia, o cara namora uma mulher filha da puta, mas gorda não pode.
Já ouvi, sim, muita gente dizer que é desleixo.
Pode ser, mas pode não ser.
Sim, é uma questão de saúde; mas, a minha, por exemplo, é impecável.
A vida de gorda não é fácil, e eu podia escrever bem mais sobre isso.
Também não quero que ninguém pense que somos coitadinhos – como eu disse ali em cima, o gordo se vira.

Só pensem nisso na próxima vez que resolverem olhar enviesado pra um.
Olhem além da capa.

domingo, setembro 8

É mais um daqueles momentos na vida que é tanta coisa pra fazer, tanta coisa pra consertar, que é até difícil saber por onde começar.
Ser mãe é uma foda.
No sentido literal.
Tava agora assistindo um seriado e aí chega uma garota de 15 anos e tenta seduzir o pai da garotinha que ela é babá. Toma uma cerveja, dá uma rebolada daquela gostosa... Aí meu estômago embrulhou.
Embrulhou porque eu pensei na minha filha.
Embrulhou porque pensei que não quero ela fazendo isso tão nova.
Embrulhou porque eu lembrei que aos 15 eu já fazia essas coisas.
Você bota uma pessoa no mundo e é isso, as coisas vão acontecer você querendo ou não, porque essa jóia a gente não pode manter dentro de uma caixinha dentro de casa.
E isso é uma foda.

sexta-feira, setembro 6

Foi ensinado, alguém planta na cabeça das pessoas normais, que é preciso planejar a vida.
Fazendo um retrospecto, nunca planejei nada; saí fazendo.
(Um batalhão de merda, mas saí fazendo...)
Mesmo hoje, que tudo parece ajeitadinho, certo e no calendário, não sou minimamente capaz de dizer como vai ser ano que vem.
Até semestre passado o plano era um; hoje é outro; no próximo semestre tudo pode mudar de novo - amanhã tudo pode mudar.
A vida vai passando, as coisas vão acontecendo, e eu continuo a Rainha do Improviso.

quinta-feira, setembro 5

Se ano passado foi ruim, esse, que já está quase no fim, tá dando de mil a zero nele.
Aí, como não poderia deixar de ser, vem a fase da autocomiseração.
Que eu acho que tenho mais que direito.
Porque eu queria entender - do fundo do meu útero - que grande cagada fiz eu nessa ou em outra vida pra conseguir bater todos os recordes de pagamento de taxa kármica.
Não é possível que a vida seja sempre esta grande merda.
Eu tento animar, sigo em frente, choro pouco, sofro muito, mas corro atrás.
E fico correndo, correndo, Forrest Gump style, num loop eterno...
...E porra nenhuma de paz.
Paz no coração, paz no bolso, paz na saúde.
Tudo parece meio arruinado, amaldiçoado e assombrado.
Todo mundo consegue ser feliz e amado.
Menos eu.
Passamos os 100 filmes!
Ueba!
(A verdade é que eu nunca fui. Isso é uma das poucas coisas que eu mantenho com apego. Só não tinha nada a dizer - ou achei que não tinha.)
"(...) subi numa cadeira e observei a multidão de esqueletos potenciais. Em oitenta anos estaríamos todos mortos. Vivíamos, por falta de opção, como se não fosse assim, como se não estivéssemos sós, como se não existisse o momento quando cada um de nós veria que a vida havia acabado, que corríamos sem freio contra um muro de tijolos."
"Quem sabe a vida é não sonhar..."

segunda-feira, setembro 2

Primeiro eu sonhei que saíam coisas nojentas de um machucado já cicatrizado.

"Você poderá ter perdas, causadas por conselhos de amigos mal-orientados.
Quem sonha com isso pode arriscar a sorte no bicho: vaca"

Depois eu sonhei com os meu irmãos. O que não ando falando (nem falei no sonho) e a minha irmã, que procurava emprego em um hospital. 

"(...) se você sonhar que está conversando com seu irmão aí neste caso já significa que você terá boa notícias e melhoras na vida. Se você está passando por uma situação mais complicada, um problema financeiro, saúde, quando sonhar com uma conversa entre você e seu irmão, comemore, boas novas estão por vir."

Por fim, sonhei que ganhava charutos de presente.

"Receber um (presente): alguém que está distante vai se comunicar por carta ou telefonema.
Fumar (Charuto): sua imagem entre seus amigos está melhorando."

Coincidentemente, no dia seguinte acabei indo tomar um café com um amigo numa charutaria. E meu pai telefonou.
Agora, o resto aí, ainda tô esperando...

quinta-feira, julho 25

Viva.
Quase voltando.

quinta-feira, junho 13

Primeiro eu comecei a me sentir uma espécie de Rapunzel - trancada na torre.

Depois, há uma semana, mais uma vez dancei numa seleção de emprego - e comecei a me sentir um desperdício de espaço no mundo.

Aí não sei, talvez tenha sido um novo alinhamento, talvez tenha sido outra coisa, mas começou a pintar uma esperança qualquer.

No dia em que assumi para mim que tinha virado uma noviça (voto de pobreza, castidade e drug free) contra a minha vontade, saí da torre.
Lá fora me esperavam beijos, abraços, elogios, amigos.
O caos ainda reina e eu continuo pobre, mas, de repente, talvez por um alinhamento, fiquei um pouquinho mais feliz.

sexta-feira, maio 24

"Não tem nada mais ridículo do que uma pessoa tentando convencer outra. Trabalhei com persuasão minha vida toda, a persuasão é o maior câncer do comportamento humano. Ninguém nunca devia ser convencido de nada. As pessoas sabem o que querem e sabem do que precisam. (...) Não tenta me dissuadir. (...) Não tenta me persuadir. Persuadir uma pessoa a não seguir o coração é obsceno, a persuasão é uma coisa obscena, a gente sabe do que precisa (...)"
Daniel Galera, Barba Ensopada de Sangue.

quinta-feira, maio 23

Uma pessoa que, de repente, entra na sua rotina à fórceps.
Você ama, ela faz parte da sua vida, mas agora ela está ali, no meio da sala, quando você dorme, quando você acorda, quando você come.
É por pouco tempo, mas você pensa se não há de enlouquecer.
Você não sabe mais viver com outra pessoa.

Uma pessoa que, de repente, se encanta com você.
Você acha ela legal, mas não caiu dura de alucinação quando esteve com ela.
Você não sabe se são as cicatrizes que deram queloide, se foi o longo tempo na clausura, só sabe que toda essa vontade não é partilhada por você.
Você desaprendeu a se relacionar com outra pessoa.

Uma pessoa que, de repente, atrapalha a sua vida.
Você pediu, ela faz parte da sua vida, a culpa é toda sua e dos deuses que te armaram essa e ainda não explicaram por quê.
É a pessoa mais difícil com a qual você já topou na sua vida toda, que te obriga a ser a maior tocadora de castanhola do Brasil.
Uma pessoa que faz o que bem quer e acha que você pode fazer mágica, que nunca pensa que você tem outra vida também.
Você aprendeu a sufocar a vontade de matar outra pessoa.

terça-feira, maio 21

Era de manhã.
Fui tomar café ao som das marteladas devastadoras da obra do apartamento ao lado.
A cozinha meio que tremia e eu resolvi espiar a parede.
Já andava com medo dela cair.

Nessa manhã ela tinha caído.
Não toda, mas um buraco que não estava ali no dia anterior agora a adornava.
Compunham o quadro os pedaços de tinta e cimento que caíram no chão e um olho que me olhava do outro lado.

No meio de todos os pedidos de desculpas e paciência, desabei a chorar.

Chorei como não chorava há mais de um ano.
Chorei andando na rua, chorei andando no metrô, chorei digitando no computador...
Chorei por 5 horas ininterruptas.

Eu sabia, desde o início, que aquela água toda não era por causa do buraco.
O buraco era a cereja do bolo.
A água era por minha causa.
Eu chorava por mim e todas as coisas ruins que andavam acontecendo na vida.

De noite, uma dor de cabeça quase terminou o serviço de explodir com a minha cabeça.

Foi preciso um buraco para que meu buraco se abrisse e saísse de dentro dele tudo de Mal que havia no mundo.

quarta-feira, maio 15

É um conjunto muito grande de coisas.
Tratamento pra doença, tratamento pra emagrecer, tratamento pra parar de fumar, tratamento pra desencantar...
Hoje eu tive "alta" de um dos médicos que está me acompanhando. Isso foi bom.
Ainda falta uma parte, infelizmente.
Tenho tentando seguir a dieta, mas a falta de grana, a falta de amor, a falta vem atrapalhando.
Tudo bem, daqui a pouco tudo se estabiliza.
Comecei bem o primeiro dia tentando parar de fumar - no caso, por enquanto, policiar e diminuir; o parar vem mais à frente - mas falhei também, epicamente agora à noite graças ao ciúme, esse monstro que eu tento dominar há tantos anos, mas que sempre acaba me assolando quando eu menos espero.
O desencanto também vai mal, obviamente.
E o prognóstico é que as coisas não melhorem nas próximas semanas.
Tudo isso devia me desanimar, e desanima, mas, mesmo assim, tem essa estranha calma, essa vontade de continuar, essa certeza de que tudo vai melhorar.
Nos últimos 6 meses eu fui lá embaixo, eu quase fui, mas resolvi voltar.
Voltar, ficar e esperar tudo ficar bem de novo.

sexta-feira, abril 19

Passei os últimos dois meses achando que ia morrer de doença.
Hoje achei que ia morrer de tristeza.
As palavras que iam me salvar hoje não vieram.
Continuo triste, chorei um bocado; mas não morri nem de um, nem de outro.
Vou levar um bocado de tristeza pra vida agora.
Mas, reset, restart, bola pra frente.

quinta-feira, abril 4

Tô voltando.
Já, já.

sexta-feira, março 15

A lei do Karma é aquela lei que ajusta o efeito a sua causa, ou seja, todo o bem ou mal que tenhamos feito numa vida virá trazer-nos consequências boas ou más para esta vida ou próximas existências. A lei do Karma é imodificável, e é conhecida em várias religiões como “justiça celestial”.

Tá demais, bicho...
Tá demais...

terça-feira, março 12


sexta-feira, março 8


If never I met you
I'd never have seen you cry
If not for our first "Hello"
We'd never have to say goodbye
If never I held you
My feelin's would never show
It's time I start walkin'
But there's so much you'll never know
I keep telling you hard luck woman
You ain't a hard luck woman
Rags, the sailor's only daughter
A child of the water
Too proud to be a queen
Rags, I really love you
I can't forget about you
You'll be a hard luck woman
Baby, till you find your man
Before I go let me kiss you
And wipe the tears from your eyes
I don't wanna hurt you, girl
You know I could never lie
I keep telling you hard luck woman
You ain't a hard luck woman
You'll be a hard luck woman
Baby, till you find your man
Rags, the sailor's only daughter
A child of the water
Too proud to be a queen
Rags, I really love you
I can't forget about you
You'll be a hard luck woman
Baby, till you find your man
You'll be a hard luck woman
Baby, till you find your man
Oh yeah, bye bye, so long, don't cry
I'm just packin' my bags, whoo, leavin' you
Bye bye, bye bye, bye bye, baby, don't cry
I gotta keep on movin', yeah movin'
Bye, bye my baby
Ooh, don't cry, lady, oh

segunda-feira, março 4

Eu quero e peço pouco da vida.
Acontece que às vezes parece que esse pouco parece muito e vida me diz "não".
Aí ela vem, a Grande Tristeza.
Ela é ruim, feia e desagradável.
E ela vem sendo uma companheira constante.
Não gosto dela.
Nada é bom com ela.
Eu quero e quero e quero que ela vá embora.
Tudo que eu quero é ser feliz.
Mas acontece que ser feliz parece muito.
E a vida me diz "não".

quarta-feira, fevereiro 27

É tudo, mas não é nada.
Daqui a pouco passa.
Daqui a pouco eu volto.

sexta-feira, janeiro 25

 "A semana fecha com o Sol em trígono com Júpiter e a Lua no signo de Leão favorecendo festas e eventos sociais requintados. O glamour e a luxúria estão livres para seduzir as pessoas que não podem viver sem elas. "

Nossa! Ri muito alto!

quarta-feira, janeiro 16

Eu não preciso de um homem novo, preciso de um exorcista.

domingo, janeiro 13

Da Série Momentos de Clareza:

Tenho certeza absoluta de que na próxima encarnação quero vir homem.
Homem.

sexta-feira, janeiro 11


Did you ever hear what I told you
Did you ever read what I wrote you
Did you ever listen to what we played
Did you ever let in what the world said
(...)
Did we play to become only pawns in the game
How blind can you be, don`t you see
You chose the long road (..)
Bye bye beautiful!
Bye bye beautiful!

quinta-feira, janeiro 10

...Ainda assim, considerei uma boa nova, considerando meu enlutamento.
E ontem eu descobri que tenho um vizinho gato.
Pena que ele curte umas músicas... ruins.
‎"(...) dizia escrever para si mesmo, com a intenção de investigar e conhecer a si mesmo, e para seus amigos, a fim de que dele conservassem uma imagem clara após sua morte."

terça-feira, janeiro 8

Feeling blue...

quinta-feira, janeiro 3

Resolvi encerrar as listas no último dia do ano ao invés de em fevereiro.
As listas começavam em fevereiro por que eu comecei a contabilidade de cultura neste mês, mas é 2013, ano de mudança, de esperança, então o que é de 2012, fica em 2012.
Em 2012 tivemos mais 3 livros do que em 2011, mas ainda precisamos recuperar o recorde de 2009.
Vi poucos filmes em comparação com outros anos e nenhuma peça de teatro (levando em consideração que Cabaret entrou na lista de shows), em compensação, nunca antes havia me dedicado tão fortemente a shows. Por conta deste escore, considero-me satisfeita.
E já vou abrir os trabalhos de 2013.

domingo, dezembro 30

Over canceriana.

quarta-feira, dezembro 26

Verdade seja dita: você nunca me prometeu nada.

Na verdade, já nem posso contar nos dedos as vezes que ouvi "não prometo".

Se eu embarquei - e eu embarquei - a culpa é minha e somente minha.

Mas é impossível evitar a fome que eu tenho de você, a vontade de estar do teu lado, de sentir teu gosto, ver teu sorriso.
Cada vez que eu posso ter isso, fico embriagada, é a melhor onda que tenho em anos.

Obviamente, sempre alimentei esperanças.

Você não me promete nada, mas tem tanta propriedade sobre mim, bagunça tanto tudo que eu sei, que eu tenho esperanças.
É difícil quando a gente só conhece um lado da moeda.

Na minha cabeça existem um milhão de conjecturas - a maioria delas não muito agradáveis.

Hoje me adiantei.
Disse coisas que só pretendia dizer no último dia do ano.

E é okay que não tenha havido resposta.
Respostas são boas quando a pessoa quer responder, sente o que vai responder.

Você nunca me prometeu nada.

E se eu gosto sozinha, bom, o problema é meu.

segunda-feira, dezembro 24

Odeio Natal.
Com força.

sexta-feira, dezembro 21

Agradecer?
Sim, fim de ano chegando a gente deve agradecer.
Ainda que tenha sido um ano terrível, eu queria agradecer a cada pessoa que passou pela vida nele.
Ao rapaz que não quis me namorar e quebrou meu coração, ao amor antigo tão presente, aos amigos que foram embora e nunca me procuraram, aos novos que eu fiz (ainda que não seja muito chegada a essa coisa de socializar com pessoas desconhecidas), àqueles que não via há muito tempo e voltei a ver, à todo mundo que me sacaneou.
À ele, que foi meu grande meu amigo, meu amante, a razão deu não entender muita coisa da vida.
Às amigas que ficaram, me acompanharam e entenderam todo o processo, as que não me abandonaram.
À minha filha, que cresceu, sofreu, passou por um ano tão delicado e continua a coisa mais linda que existe nesse mundo, que não perdeu sua magia.
À minha família, tão complicada, cada dia mais velha e precisando de cuidados.
Cada uma das pessoas que cruzaram meu caminho merecia um abraço.
Cada percalço me endureceu, tirou a minha magia, mas me fez ter forças e levantar pra tentar de novo e continuar tentando.
Cada abraço, cada sorriso, me amoleceu, repôs um pingo de magia e me deu forças pra levantar e continuar tentando.
Estes foram poucos e não suficientes, mas ainda assim existiram, e eu vou agradecer por cada um deles.
E esperar que o novo ano venha a me trazer mais abraços e sorrisos que este, que tenhamos ano que vem mais magia e menos lágrimas.

Aí a família começa a perguntar e você começa a pensar...
O que eu queria mesmo de Natal?
Que o Medina confirmasse o Rob Zombie e fizesse de mim uma mulher feliz e esperançosa para 2013 e uma meia dúzia de livros novos. 
Se desse pra botar no pacote um emprego e aquele sorriso, daquela pessoa, aí ia ser jackpot, sabe?

quinta-feira, dezembro 20

Mas eu queria, sabe, ainda acreditar em mágica, em coisas muito maravilhosamente mágicas.

Crescer é tão difícil.
A gente deixa de acreditar em um milhão de coisas.
Em Papai Noel, em fadas, no amor, nas amizades, num trabalho bom, numa boa vida feliz...

É por isso que eu faço questão de reforçar toda e qualquer crença na magia que a minha filha tenha.
Quero que ela acredite melhor e mais tempo do que eu.
Que o mundo pra ela seja bem cheio de pirlimpimpim pelo máximo de tempo possível.

Porque magia é uma coisa linda.
E acaba.
E faz falta na vida de uma pessoa.
Outro dia um amigo me disse que eu sou uma bundona.
E muitas vezes eu acho que sou mesmo.
As poucas pessoas que eu gosto, quando gosto mesmo, recebem meus cuidados e minha atenção - inúmeras vezes numa escala que elas jamais imaginariam fazer igualmente por mim.
Não faço esperando algo em troca, faço automaticamente; por que quero, por que gosto dessas pessoas.
Mas, no fundo, espero algo em troca, sim.
Pode parecer esquisito.
Eu sei que muito provavelmente não vou receber metade do carinho que dedico à essas pessoas de volta - coisas de canceriano, esse signo tão mal interpretado - mas não deixo de me entristecer quando acabo não recebendo nada.
Sempre que isso acontece eu juro que não vou mais fazer -  porque acredito piamente que as relações são feitas de trocas - mas antes que eu perceba, já estou fazendo de novo, e vou continuar fazendo porque fazer essas coisas me faz bem.
Eu sento, me xingo, aceito o fato de que sou uma bundona, mas nunca, jamais, serei capaz de deixar de ser, sobretudo, uma pessoa boa.
Disso eu tenho certeza.

quarta-feira, dezembro 19

Encheu meu saco esse ano já.

Não era o dia pra desabafar isso.
Cumpri com todas as minhas obrigações, fui relativamente feliz.
Mas ando matutando sobre novos rumos.

Este não está sendo um bom ano.

Perdi meus dois empregos, carreguei dois milhões de angústias, só me relacionei com caras que acabaram por firmar ainda mais as queloides do meu coração, fiz muito pouca coisa que prestasse - poucos anos foram tão ruins quanto este.

Fiquei cansada, triste, gorda.
Fui de mal à pior.

Não quero mais esse ano.

Não que eu acredite realmente que a simples mudança de calendário vá mudar alguma coisa...
Só sei que não quero mais.

Ainda assim, tenho a tranquilidade de terminar este ano do inferno em paz.
Ajudei quem pude e quando pude, mesmo quando não podia realmente, e isso me fez bem.
Corri atrás de novas coisas como nunca.

Mas agora chega.
Pra mim já deu.

segunda-feira, dezembro 17

O fato de uma pessoa não te esperar pra sempre não quer dizer que ela não te ame, quer dizer que uma hora ela cansa de amar sozinha.
E essa hora sempre, sempre chega.
Por mais que demore.

quarta-feira, dezembro 12

Eu sou que nem viciada.
Melhor dizendo, eu sou viciada.
O dependente em drogas sua, treme, só pensa em consumir mais e mais, esquece as outras coisas por conta dela. Se promete que a próxima vez vai ser a última. Sempre. E torna a usar de novo se valendo desse subterfúgio.
Minha crise de abstinência estava totalmente sob controle.
Bastou um sms e voltou tudo.
Toda a vontade aflorou e acordou meu corpo todo.
É tão grande que a combustão espontânea não me parece impossível.
E eu já me prometi, que dessa vez é a última.
Até a próxima.

quinta-feira, dezembro 6

Uma semana e meia.
Todo mundo vivo, já não tão faminta.
Parece que fazem 6 meses desde que tomei a última cerveja...

quarta-feira, novembro 28

Terceiro dia de dieta e, por enquanto, tá todo mundo vivo.
Com fome, de mau humor, mas todo mundo vivo.

terça-feira, novembro 27

Meu médico é um fanfarrão.
Descobri que o remédio que ele me passou é uma combinação entre um antitabagístico e um antialcoolismo.

Passada meia hora do susto, tô começando a meio que curtir matar 3 coelhos com uma cajadada só.
Quando fizer efeito eu conto...

quinta-feira, novembro 22

E aí a pessoa lê:

"vc é gente fina demais, tem papo bom, é divertida... vejo você como uma boa pessoa pra namorar"

Não só você, meu anjo... Perdi as contas de quantas vezes ouvi isso das pessoas.
De teorias, papos, conversas, o mundo tá cheio, mas a realidade não é essa, não é assim que acontece.
São 5 anos sem um namorado fato.
De coisinha a coisinha, investimento a investimento, dor de cotovelo a dor de cotovelo e a coisa não funciona.
Cada ano que passa, cada dia que passa...
Na atual conjuntura da situação, não é uma coisa boa de ler.
Não mesmo.

Especialmente num dia em que você quer estrangular algumas pessoas; pra variar. 

quarta-feira, novembro 21

"Renata, você é linda."

Em meio a todo o furacão emocional que já estava instalado, positivo e operante, num momento em que tudo eu me acho é nada parecido com isso; essa frase teve mais poder de desestabilizar o que já estava caótico do que se o próprio objeto de afeição a tivesse pronunciado.

Foi uma das frases mais importantes ouvidas por estes ouvidos ao longo de todo este ano.

Vinda de uma boca que já foi todo o foco do meu desejo, da minha vida, em uma outra vida há muito esquecida... Uma boca que já foi todo meu tesão, minha tristeza, tantas e tantas coisas. Uma boca que eu acredito procurar até hoje.

O resto do que a boca disse eu não guardei.
Beijei avidamente a boca, me enlacei nela e no resto dela, mas não guardei mais nenhuma sílaba, e, ao invés de me sentir deslumbrada, feliz, enfim, linda no dia seguinte, o que pairava era tristeza.

Como é importante pra mim ainda hoje que essa boca me ache linda!
Como é possível palavras que cheguem tão tarde na vida?
Como é possível que elas tenham saído dessa boca e não da boca agora desejada?
...E a pessoa desenvolve uma insônia animal por causa de um garoto que não tá nem aí pra ela...
Ó vida.

terça-feira, novembro 20

A pessoa tem que ter muito treinamento Jedi pra não pôr o carro na frente dos bois, sabe?

A vida toda eu falei o que queria, na hora que queria.
Entrei muito no cano por causa disso.
Na tentativa de não entrar dessa vez, fico aqui, fazendo pose de fina, bem resolvida - enquanto por dentro me rôo inteira.

Não nasci pra isso.
Mas dizem por aí que quem espera sempre alcança, né?

Um ano e meio dessa brincadeira já...
Agora existe a categoria "não sei, não entendo", muitas vezes tenho vontade de jogar o celular na parede, de perguntar PORQUEMEUDEUS acontecem certas coisas.
Mas, tudo bem...
Foca no resultado e vai em frente, né?

terça-feira, novembro 13

E é óbvio ululante da Silva que no dia em que você encontra aquele amigo de colégio por quem tinha uma quedinha que você estaria um trapo.

A cena mais bacana do Mundo!
Ele me viu e veio correndo lá do outro lado do mercado me dar um abraço.
O encontro foi feliz e cheio de sorrisos, uma coisa gostosa mesmo!

Mas aí, quando viram as costas, você percebe que ele continua com a mesma cara de 20 anos atrás e você, que tinha saído debaixo de chuva despretensiosamente para levar a filha à fonoaudióloga, está de Crocs, vestido de bolinha com bolsa de oncinha, uns 30 quilos mais gorda e cheia de raízes brancas na cabeça.
Você percebe que deve ter sido uma punhalada visual no amiguinho designer.

E corre pra drogaria pra comprar a tinta de cabelo.

segunda-feira, novembro 12

O que eu quero mesmo é que o ano se acabe logo.

Podia ficar aqui contando minhas desventuras com o Sr. Seu Moço que tornou a voltar e confundir as minhas calcinhas.

Podia ficar aqui contando de como é difícil perder metade do meu ser e o quanto eu ando sofrendo diariamente pra isso.

Podia ficar aqui contando como eu tô explodindo de felicidade com a possibilidade da minha banda favorita vir tocar no Brasil.

Podia ficar aqui contando como eu vou sentir saudades dos paulistas que conquistaram meu coraçãozinho.

Podia ficar aqui contando como eu ando preocupada por não ter a pauta do segundo trabalho ainda.

Podia ficar aqui contando como me corta o coração cada currículo enviado que não tem resposta.

Podia ficar aqui contando o fiasco que foi o aniversário da minha já não tão pequena filha.

Podia ficar aqui contando as pequenas vitórias do dia a dia.

Podia ficar aqui contando miséria pela minha conta bancária eternamente no vermelho.

Podia ficar aqui contando sobre os livros incríveis que ando lendo.

Podia ficar aqui contando sobre a saudade que sinto de alguns amigos e a mágoa que ando sentindo de outros.

Podia ficar aqui contando um mooooooooooooooooooooooooooooooooonte de coisas.

Mas, hoje, eu só quero que o ano acabe logo.
Que comece outro.
Que tudo que vem vindo se resolva e passe e pronto.

quarta-feira, outubro 24

Anteontem eu desenhei.
Quatro páginas, frente e verso, dobradas ao meio.
Lembrei de quando costumava passar meus dias desenhando.
Desenhos sempre tão secretos, tão cheios de sonhos e esperanças - viagens.
Tinha vários dias já que a vontade estava aqui, mas eu não sentava e botava ela pra fora.
Foi tão bom quanto costumava ser.
Ela deu amor demais a quem não merecia.
Quebrou, ficou estragada.

terça-feira, outubro 23

Tem chovido um pouco aqui e um pouco ali.
A essa altura eu já deveria ter comprado um guarda-chuva novo - o meu está moderadamente quebrado e o da criança sumiu no meio da bagunça que impera no nosso lar.
As semanas têm sido frenéticas.
Pequenas vitórias a serem comemoradas.
Uma passada de vassoura, dias de academia, um freela mixuruca que vai cobrir parte do rombo orçamental, uma meia dúzia de palavras de alguém que sequer me diz bom dia.
Lá fora raios e trovões se fazem presentes e anunciam a tempestade.
Acho bom que ela caia hoje.
Nos últimos meses a vigilância sobre a previsão do tempo é uma companheira constante.
Neste momento, um enjôo significativo toma conta do meu ser a cada avião que passa voando por cima da minha casa. Tudo que consigo pensar é como estaria eu, dentro do pássaro de ferro, se uma tempestade se fizesse anunciar.
A última viagem foi desconfortável.
Apesar de pouco balançar, do dia não estar feio, tudo o que eu queria era descer logo dali, sair de lá de dentro.
Se um trovão estourasse ao meu lado, com a força que estourou agora lá do lado de fora, talvez, provavelmente, nem os poderosos e milagrosos calmantes seriam capaz de me trazer paz de espírito.
Penso em cada uma das pessoas que têm medo como eu.
Que o que mais desejam é pisar em terra firme e ver os filhos, amantes, maridos e namorados.

Não tenho pensado em amantes, maridos e namorados.

Tenho pensado em contas correntes, trabalho e compras de mercado. Juros.

Todos subjugados pelo som ribombante que vem lá de fora e passa mais alto, cheio de outros sons, a cada vez ou outra.

sexta-feira, outubro 12

Amanhã - hoje, se a gente considerar que já deu meia noite - é Dia das Crianças.

Vai ter lanche, presente, uma série de firulas em torno da minha pequena criança.
Ela está que não se aguenta, já me arrancou um dos presentes dela.

Eu, por outro lado, não consigo ficar feliz.
Faço contas, bolo cardápios, e bem sei que não sou mais criança, mas, lá no fundo, tudo que eu queria era ganhar um presente também.
Um abraço só já me bastava.

quinta-feira, outubro 11

Ir na rua é preciso.
No caminho, carros não respeitam o sinal, pedestres não respeitam...tudo.
Uma bicicleta me dá uma cortada, um pombo quase me faz tropeçar em sua indecisão de ir ou vir, uma mãe brinca com uma criança lambuzada de sorvete, outro pombo me dá um rasante, pedestres demais no caminho.
Na loja parece véspera de Natal.
Muita gente, vendedores frenéticos que sobrem, descem, passam e não pedem licença.
Esbarro nos mostruários, começo a ficar tonta.
Minha agonia demora a passar, mas passa.
Tudo resolvido.
Não quero mais sair de casa.

terça-feira, outubro 9

É isso.
Dia de fúria.

(Re) começou quando eu lembrei da desfeita que uma das coleguinhas fez ao convite da festa de aniversário da criança ontem. Mesmo depois de uma aula de bullying por parte da minha psicanalítica mãe, não melhorou em nada a minha vontade de mandar ela dizer pra menina que ela só tinha sido convidada por educação.

Depois, soube que a escola programou um passeio pro dia da festa.
Fiquei com ódio.
Não só a menina vai perder o passeio, como pode ser que muitos coleguinhas desistam de ir por causa dele.

Aí, finalmente comprei as passagens para visitar meu irmão, depois de um mês tentando retirar as mesmas usando milhagens. Me deu vontade de ligar pro programa de milhagens e dizer que eu tinha comprado as passagens e eles podiam enfiar todas elas no cu.

Meu ex-chefe me dizendo que quando o projeto dele engatasse meu emprego estava garantido também não contribuiu em nada para o sentimento de inadequação financeira que me assola.

Aí pego um livro novo para ler e descubro que o final (trilogia) só deve sair em 2015.
Nunca mais compro uma porra duma saga literária que já não esteja totalmente publicada. Saco.

Odeio todo mundo, tá tudo errado e eu voltei a ter 15 anos.
Tem épocas em que ser adulta não é nada, nada divertido.
Tipo quando você não tem um puto no bolso, tá devendo a um monte de gente, não consegue emprego...
...E assume que está profundamente deprimida.

segunda-feira, outubro 1

...Numa outra definição, ser obrigada a virar esta página, me deu uma estranha sensação de liberdade, de poder cavar um novo começo, uma nova história, que tenha mais a ver com o que eu preciso.
E aí outro dia eu pensei como ia ser o dia em que ele arrumasse uma namorada.
Hipótese perfeitamente plausível.
Hipótese ontem confirmada.

Achei que fosse sofrer demais, demais, demais.
Triste, sim.
É o clássico da minha vida.
Mas sofrendo? Não.

Acho que ele precisa ser feliz, se dar outra chance.
Mesmo que não seja comigo, que já andava pensando em tirar meu time de campo de vez.
Por mais que a gente goste das pessoas, às vezes elas não gostam da gente do mesmo jeito; é preciso saber reconhecer quando tentar, insistir, não traz benefícios ou muda coisa alguma.
Por mais que a gente goste das pessoas, às vezes é preciso deixar elas irem embora, abrir espaço dentro da gente; se libertar de histórias que nunca vão ser resolvidas.

Eu tenho problemas com esse espaço, mas...
...

quarta-feira, setembro 26

Coisas que eu queria hoje:

Dinheiro.
Um namorado.
Anfetaminas.
Uma faxineira.
Uma manicure.
Uma pauta.
Cerveja.
Dinheiro.

Adoro essa vibe TPM/ fim do mês.

Ela entra na lotérica como entra quase toda semana.
Pensa, como quase todo mundo, em tudo aquilo que os 2 Reais que carrega na mão podem vir a comprar.
Pensa no casal na Grã-Bretanha, que ela leu no jornal, ganha na loteria a cada filho feito.
Pensa que nem tem como fazer outro filho.
Não é muito o que ela quer na vida.
De um modo geral.

Ela entra na lotérica como entra quase toda semana.
Deposita seus sonhos naqueles 2 Reais.
Naquele pedaço de papel toscamente impresso.
Pensa na piada de Deus - piada mesmo.
No fundo, no fundo, ela tem fé.

Ela entra na lotérica como entra quase toda semana.
Porque ainda acredita que seus sonhos podem virar realidade.
Porque o que ela precisa é ar para respirar.
Porque é assim que gente não tão adulta vive.
Sonhando.

terça-feira, setembro 25

Terceira semana de academia.
Já odeio a esteira.
Chato pra cacete passar 40 minutos andando no mesmo lugar.
A Fátima Bernardes não ajuda em nada.
O metal ajuda, mas não salva.
Chato pra cacete.
Lá pelos 25 minutos apareceu o professor que me mandou passar por esta tortura medieval.
Me deu um sorriso, que se ele fosse candidato à alguma coisa, eu votaria.
Eu estava tão concentrada em pensar em cortar os pulsos que só consegui fazer uma mistura de careta com aceno com beijo.
Deve ter sido horrível.
Bem feito pra ele, porque esteira é chato pra cacete.

segunda-feira, setembro 24

Não quero mais 2012.

Em 2011 eu soube que ia ser um ano difícil, puxado.
E foi.
Mas, como sempre, achei que pior não podia ficar.
Ficou.

2012 começou com a promessa de muito sacrifício, cansaço.
O que eu não esperava foi o que veio junto com isso, a solidão massacrante.
Está sendo um ano de muita dor, de muitas decepções, muito maiores do que eu achava que viriam ou que podia aguentar.
Não quero mais.

2012, eu não te amo mais.

quarta-feira, setembro 12

Felicidade tá em falta, só semana que vem.
Então... Tive um sonho muito louco com uma amiga agora.
A gente tava filmando uma coisa no pavilhão de são cristóvão - longo pedaço passando por cancelas dentro de um taxi, subindo e descendo rampas atrás de uma pessoa- aí a gente ia descendo até achar um subnível bem lá no fundo escondido e abandonado. Na volta, ela comentava comigo que tinha achado aquele buraco sinistro, aí vinha um cara de jaqueta de couro que dizia que era comunista e levava você de volta. Isso com a gente pendurada de cabeça pra baixo num trilho cheio de graxa.
Tinha uma equipe enorme, eu chamava todo mundo, aí eu começava a chorar dizendo que alguém tinha que ir buscar ela. Do lado de onde a gente tava começava a funcionar uma central do Itau e nego começava procurar um comunista pra ir te tirar de lá. Eu chorando mais e mais.
Aí do nada, aparece um negão de rádio na mão trazendo ela e o cara, que era uma mulher.
Aí ela foi e deu um beijão num cabeludo loiro lá chamado Bruno.
Aí eu acordei. 

domingo, setembro 9

Ah, famílias felizes!
Quero que se explodam todas.

quinta-feira, setembro 6

Ontem tive tempo de divagar sobre como as cidades, os bairros, possuem uma biologia própria, são organismos vivos.
Um tempo que você passa longe deles e tudo já se modificou.
Lojas tomam o lugar de outras lojas, prédios diferentes se levantam, pessoas diferentes transitam.

Ontem tive tempo de pensar numa lista de coisas que tenho medo.
Um inicinho pequeno e breve já denunciou que tenho muitos, muitos medos.
Patologia séria, mas vivo com eles.
Fiquei com vontade de desenhar meus medos.

Hoje não foi um dia bom.
Tive muita dor e muita tristeza, não tive tempo.

quinta-feira, agosto 30


"Quinta, 30 de agosto de 2012
Um projeto de viagem pode precisar ser adiado, mas somente por uns dias. O dia pode parecer confuso, especialmente no que se refere aos projetos idealizados por você. No amor, a paixão corre solta."

Eu apostaria no exato oposto.
Viagens correm soltas, o amor pode precisar ser adiado.
Logrei êxito.
O primeiro trabalho saiu.
Up to the next.

segunda-feira, agosto 27

Esse fim de semana comentei que tinha certeza que Deus era bom de alguma forma.
Que se Ele seguisse tudo aquilo que eu já quis na vida, a vida seria bastante diferente do que é hoje.
Talvez não tão feliz como eu supunha que seria na época.

Aí hoje eu fui fuxicar o facebook de um ex.
(Sim, eu fuxico.)
Um ex daqueles - que quebrou meu coração, do qual eu nem sei bem se já me recuperei totalmente, tal a devastação que o cidadão ocasionou na minha vida.
Aí lá tinha uma moça reclamando abertamente que sobre sentimentos ele ainda tinha muito que aprender.

Fiquei triste por ela, mas feliz por mim.
Anos depois, ele também não mudou, no fim das contas.

Assim, realmente acho que alguma meta oculta Ele tem e ainda não dividiu comigo.

Os dias vão ficando assim.
Luto para acordar.
Luto para levantar.
Luto para escrever.

A cada letra digitada, impressa no papel; duzentas surgem na cabeça; mas a luta continua.

Luto para comer, ou deixar de comer.
Luto para andar.
Luto para não parar.

A poeira se acumula; a louça se acumula; a vida se acumula.

Luto para tomar banho.
Luto para pensar e parar de pensar.
Luto para dormir.

Todo dia, o dia todo, dia após dia.

Só não luto ou reluto em desperdiçar, espalhar, deixar escorrer todo o amor.

sexta-feira, agosto 24

Aí é assim.
É só a gente saber que vai ter um mês daqueles que já começa a dar defeito.
Bate angústia, carência, a cabeça faz contas absolutamente o tempo todo, a casa emerge em poeiras variadas.
Fica tudo uma beleza.

Nesse meio tempo, o relógio ruge enquanto você sofre de forma excruciante para terminar "o texto" com relativa calma.
Definitivamente, não sou fã de correr.
O mau humor já deu sua graça.
Parece que nunca mais na vida vai acabar.
Não estou bebendo, mas me prometo tomar um porre daqueles quando acabar com isso.

O não estar bebendo, por sinal, hoje foi uma dádiva.
Em outros tempos, teria metido os pés pelas mãos, como me é habitual e isso não seria bom.
No Sir!
Fiquei deveras feliz em ter sido fina.
Fiquei deveras feliz e boba adolescente porque comecei a achar lá no fundo uma coisinha... :)
(I think he likes me!)

Ainda achei tempo, olha que coisa, pra elaborar, pensar, combinar e começar a agitar o "Massacre das Bailarinas" (a festa de aniversário da minha filha).

Semana produtiva, proveitosa, com altos momentos de tremenda satisfação pessoal.
Hoje que não foi um dia bom.

Quanto mais preocupada, menos eu durmo, menos eu rendo, mais me caem os cabelos.
Mas vem coisa boa por aí.
Tem que vir.

quarta-feira, agosto 22

"Entre os dias 22/08 (Hoje) e 31/08, você estará vivendo o seu aniversário de Mercúrio! Esta é uma fase de valor singular, pois é quando o planeta Mercúrio completa um ciclo revolutivo em torno do Sol, voltando para a mesma posição em que estava no momento em que você nasceu. Este momento é traduzido como uma fase de renovação da mente, de redefinição das suas prioridades no que diz respeito a objetivos e empreitadas de curto e médio prazo. Sua mente fica poderosa nesta fase, de modo que lhe parecerá mais fácil chegar a conclusões a respeito dos problemas que você tem para resolver. O aniversário de Mercúrio é uma fase em que novas idéias transbordam, nos indicando novos caminhos."

Amém!
O trabalho de parto de um texto grande é lento e doloroso.
Muito lento.
E muito doloroso.

Mas ajuda a distrair a mente daquilo ao qual ela não pertence, não foi moldada, para estacionar.

sexta-feira, agosto 17

"Ele gosta de estar solteiro! O (signo do rapaz) é aquele tipo de pessoa que não resiste a uma boa farra e troca qualquer companhia para estar com os seus amigos. Não costuma se apaixonar fácil e gosta de manter relações sem compromisso."

Aquele momento em que você só pensa que fudeu.

terça-feira, agosto 14

E quando você não quer que a sua filha cresça mais?

E quando dinheiro passa a ser mais importante que amor pra você?
Às vezes eu tenho muito ódio de quem acha que quem é gordo o é por ser preguiçoso, que usa o biotipo como desculpa.
Essas pessoas não tem a menor idéia da merda que é fazer dieta desde a mais tenra idade, muito antes dessa coisa de "Medidinha certa" ser moda. 
Das suas amigas todas terem roupas lindinhas, que não cabem, nem nunca vão te caber porque os estilistas acham que gente gorda anda pelada, ou, no máximo se cobre. Suas roupas nunca vão tão bonitas ou estilosas quanto às delas.
Do mal que faz à autoestima de uma garota sair por aí sabendo que nada vai ficar bem nela.
Da merda que é, de tempos em tempos, ser obrigada a fechar a boca para perder em dois meses o que eles perdem em duas semanas, e, por causa disso, ter outras parte do seu corpo esteticamente comprometidas. Da fome e do mau humor que nos atacam quando isso acontece - e acontece muito.
Do quanto é ruim ver mocinhas todas lisinhas, de peitinhos em pé por aí, sabendo que você só vai ser assim a custa de muita cirurgia ou de nascer de novo.
De saber que, não importa seu intelecto, seu humor ou seu bom caráter, as moças escolhidas pelos moços dificilmente vão ser você.
Da preocupação que você tem se a sua filha também vai passar por isso - porque a idade vem e a gente aprende a aceitar melhor isso, mas sabe muito, muito bem o trauma de vida que isso é.
Sim, existem pessoas mais largas.
Sim, existem pessoas que de respirar engordam.
Mesmo que elas comam equilibradamente, se exercitem e tudo o mais.
E, sim, essas pessoas também tem sentimentos.
Talvez por conta do livro lido, mas ando com uma certa nostalgia de Copacabana.
De sentar e olhar aquelas pessoas passarem.
De cumprimentar o porteiro, a velhinha da lavanderia, as crianças na praça.

É uma felicidade poder passar 15 dias em casa.
Vou namorar Copacabana um pouco nos intervalos.
Lavar a alma nas ondas do mar, se fizer sol.

Mais pra frente talvez até aproveitar outros bairros...

sábado, agosto 11

Exercício do dia:
Pense em como seria o início da sua autobiografia, narrada em primeira pessoa.

- Eu vou ser mãe de alguém.
Olhei para o exame e não tive dúvidas. Naquele momento tomei a decisão mais egoísta de toda a minha vida.
Não pensei em dinheiro, nos outros envolvidos - pai da criança, minha família - nada.
Os números eram claros: eu não estava grávida, eu estava MUITO grávida - coisa de mais de três meses.
Na porta do laboratório tudo mudou em segundos, e, ali começou minha segunda vida.
Difícil se vestir, se maquiar para sair, quando o que você esperava era se despir, ficar de cara nua.
Mas, foi-se o tempo em que eu ficava esperando e lamentando...

quinta-feira, agosto 9

Há quem diga que o Garcia-Roza sempre faz mais do mesmo.
Eu digo, até.
Mas é um do mais do mesmo que te pega.
Há duas semanas meus companheiros fiéis são livros que, de uma forma ou de outra, abordam os conflitos do Oriente Médio, aí sem querer, talvez querendo aproveitar a vibe mais leve que me acometeu, lancei do Garcia.
Um terço do livro já foi neste fim de dia e a coisa anda a passos tão largos que vou viajar com ele e o escocês na mala com medo de que tudo se acabe antes da viagem de volta.
Queria eu fazer mais do mesmo assim, sabe...?
Um cansaço enorme.

Não deixa de ser impressionante como as coisas começam a caminhar quando a gente resolve se andar também.

A fome já não incomoda tanto - a falta do copo continua forte, mas eu tenho o consolo de poder me valer dele uma ou duas vezes por semana.
A grana continua sendo artigo de luxo, ainda que eu venha cortando cada vez mais luxos.

Mas hoje fiz uma boa entrevista, recebi abraços e sorrisos.
Desde ontem, sinto-me feliz, inundada de amor, na verdade.

Tudo que fiz hoje, não fazia há meses, e isso foi bom, ainda que - mesmo inundada - continue com um certo mau humor.

Duas bolhas no dedo mindinho do pé.
Sensação de dever cumprido por hoje.
Amanhã uma nova viagem.

As coisas caminham, eu também.
E em meio a semanas deprimidas e abandonadas, ela realiza que vai sentir saudades desta vida dupla quando ela acabar.
Que ironia...
Da última vez guardou a escova de dentes.
Por um acaso do destino, sua gaveta anda cheia de toucas, sabonetes e escovas de dentes descartáveis. A cada viagem, novos itens tomam moradia provisória.
Ele usou uma.
Ela guardou.

E guardou.

E aguardou.

O tempo passa rápido e ele ainda não voltou.
A cada dia que passa, ela acha que não vai voltar.
Diz que não vai mais puxar conversa, se oferecer, responder...
O fato é que ela é louca por ele.
E sabe que isso pode ser bem ruim.

Ela guardou a escova.

E aguardou por ele.

Dez dias se passaram desde que ela resolveu se desprender dele.
Nesse meio tempo, mensagens pipocaram.
Ela respondeu.
Como sempre, solícita, carente, faminta.

Hoje conversaram.
Ela jogou fora escova de dentes.

Mas continua aguardando...

quarta-feira, agosto 1

Existirmos: a que será que se destina?