segunda-feira, agosto 25

Minhas Férias (Escrito quase no fim delas, há mais de um mês atrás)

As pessoas me lançam olhares de inveja – dentre outras coisas – cada vez que eu digo que estou de férias.
Bom; eu tenho mais uma Verdade Absoluta para revelar: 85% do tempo não existe nada digno da inveja – dentre outras coisas – por parte das outras pessoas.
Minha fabulosa e amada rotina continua basicamente a mesma. Eu acordo, ou sou acordada; providencio a tão conhecida e mais importante refeição do dia, o café da manhã; leio o jornal, ou apenas passo o olho pelas manchetes conforme a relevância das mesmas para a minha vida e sabedoria latente ou meu estado de humor diário, que anda sendo bastante volúvel nas últimas semanas; boto a criança no banho, entro no banho, arrumo a criança, me arrumo, levo a criança pro colégio, volto pra casa; me vejo afogada entre roupas a lavar, casa para limpar, uma luta que já dura bem uns dois meses com a roupa para passar que parece crescer e tomar conta do quarto de hóspedes por mais que eu ande me esforçando um pouco que seja para dar conta dela, a louça para lavar que faz a gentileza de crescer de tamanho mesmo que eu insista em só me alimentar de “coisas em pacote”; depois eu busco a criança no colégio, venho pra casa, faço o jantar – quando faço – para encarar mais um capítulo da novela “é hora de dormir” e caio dentro do livro da vez; o que me lembra que meus olhos não andam lá grandes coisas. Os cabelos estão cada vez mais cabelos brancos; as unhas não sabem o que é uma profissional balizada há Deus sabe lá quanto tempo, as sobrancelhas só hoje foram receber um alôu da pinça. Fora o fato de que só a nomenclatura “férias” engorda.
Na maior parte do tempo eu continuo bastante cansada e cada vez mais sem o glamour que outrora me pertencia.
Ou seja, nada que seja digno de olhares enviesados.

Mesmo assim, uma ou outra coisa é capaz de me tirar da rotina e fazer destes dias, dias de férias.

Como quando eu cheguei de viagem, por exemplo.
(E paciência porque eu vou passar pela viagem em algum momento.)
Desde a minha chegada venho tentado me dar alguns momentos de relaxamento – coisa bastante difícil para uma pessoa tensa e ansiosa, ainda que em férias. Então, resolvi, logo no primeiro dia, que iria levar a criança ao colégio (O colégio dela não tem férias de meio de ano. Como mãe o primeiro impulso é achar uma maravilha e pensar no tanto que eu ia conseguir descansar, mas a prática não é bem assim. De qualquer forma, ainda é bem melhor do que deixar a bichinha em casa todos os dias e ficar quebrando a cabeça pensando em atividades ou gastar tubos de dinheiro com programas supostamente divertidos ou ficar me roendo de culpa por não ser tão criativa nem tão rica.) e depois aproveitar o sol que havia resolvido dar o ar da sua graça e dar um mergulho na praia. Fazer reverências, fotossíntese, sentir a energia, aquela areia toda podre no meio dos dedos dos pés e todas as outras dobrinhas que eu raramente sei que tenho pelo o corpo e todo esse papo hippie todo.
Assim sendo, lá fui eu, com a minha sacolinha plástica de praxe. Nadei pra cá, nadei pra lá... Achando ótimo ter a sacolinha que acabou me servindo de bóia em algumas ocasiões, tentando não pensar que bem que podia aparecer um tubarão com uma bocarra imensa aberta numa daquelas ondas sem que tivesse ninguém por perto pra me acudir, achando ótimo ficar à deriva... E então, uma hora eu cansei de brincar de náufraga e resolvi sair da água e me mandar, quando olhei em volta e percebi que tinha uma multidão parada na beira d’água e, virando de costas para ver o que era tão magnífico, tinha lá um pingüim. Amarradão. Totalmente banhista. Nada parecido com os do zoológico ou aqueles que a gente lê no jornal que chegaram exaustos e feridos e semimortos. Ele nadava, botava a cabeça pro lado de fora, espiava em volta, parecia que dava uma conversada com as pessoas atônitas que estava ainda dentro d’água e nadava de novo, repetindo o processo por algum tempo. Depois eu acho que ele encheu o saco e se mandou.
Eu também enchi o saco e me mandei.
Mas naquela tarde eu vi um pingüim na praia.
E isso não é uma coisa que eu vejo todos os dias.

Eu tinha algumas “resoluções de férias”.
Sabe, que nem quando a gente faz aniversário ou chega o ano novo que a gente faz uma lista com coisas e diz que vai fazer aquilo ou não vai mais fazer isto. A lista de férias é quase igual, com a diferença de que é uma compilação das coisas que a gente quer fazer nas férias porque no resto do ano não sobra tempo. A minha lista nem era uma coisa tão enorme assim, já que antes das férias meu único desejo vigente era poder dormir um pouco. Tudo bem que eu ainda não consegui dormir as 48 horas seguidas que sonhava, mas até que eu ando sonhando um bocado.
Enfim, a lista.
Além de modesta, muito lentamente eu ando conseguindo dar conta dela.
E foi assim que externei meu desejo de plantar umas flores nas minhas janelas. Externando este desejo, acabei ganhando duas mudas de presente, além de duas jardineiras. E, assim, toda e qualquer desculpa para não plantar as flores foi por água abaixo.

É que eu sempre achei que me faltava aquilo que as pessoas precisam ter para ter plantas em casa. Não basta sol e água. Tem que ter “mão” e eu nunca tive antes.
A minha glória – até agora – é um vaso de violeta que eu ganhei de uma das minhas melhores amigas logo no dia em que peguei as chaves de casa. Essa violeta sobreviveu à sinteco, pintura, poeira, mudança e, até agora, à mim.
Dos meus seis vasos de tempero, só três cismam em sobreviver – e ainda assim com um galhinho mais guerreiro em cada vaso. Nada que dê para fazer uma caçarola.

Mas aqui perto de casa tem uma casa (casa mesmo) que tem nas janelas duas jardineiras super floridas de maria-sem-vergonha. Eu sou uma admiradora de flores simples. Meu barato é a florzinha branca que nego bota de enfeite em buquê e que os floristas nem vendem avulso de tão renegada que ela é enquanto flor. E maria-sem-vergonha. Eu me lembro da minha felicidade quando era criança em ir a um jardim perto de casa e ficar catando aqueles casulinhos de sementes que elas têm para apertar! Nos últimos meses eu comecei a sentir uma inveja de doer das jardineiras naquelas janelas.
São lindas e eu queria pra mim também. Enfeitando as minhas janelas!
Minha confiança na empreitada aumentou quando me disseram o porquê do nome da florzinha com olhares que me garantiam que até uma retardada folial como eu poderia ter sucesso no plantio da mesma.

No dia seguinte ao meu aniversário (que foi quando eu ganhei as mudas), vim toda feliz contente e carregada pelas ruas trazendo nos braços as duas e pesadas jardineiras.
No dia seguinte, lá fui eu ao bazar aqui do lado para fazer a feliz compra da terra. Como havia sido instruída comprei dois tipos de terra, pedras para pôr no fundo do vaso e um adubo que eu achei simpático, além de poder ser uma bela ajuda. Segui todas as instruções que minha tia, minha mãe, o florista e o rapaz do bazar me passaram e plantei as mudas.
Na hora, fiquei com o desejo de que a vida fosse que nem desenho animado, onde a gente planta as coisas e elas imediatamente começam a dar flores e cantar e sorrir de felicidade. Mas, me convenci de que essas coisas levam tempo e de que eu precisava ter alguma paciência na vida.
Para meu espanto, ontem de manhã, a maria-sem-vergonha já tinha aberto uma flor. Hoje, mais duas.

A outra jardineira recebeu uma muda de beijo, uma parenta mais chique da m-s-v. Hoje de manhã ela estava deprimida, com os galhos baixos... Eu já estava achando que essa aí não ia dar em nada, que o lance era encher as janelas de m-s-v mesmo e me dar por feliz. Mas aí eu fui lá, falei pra ela que o lugar dela era destaque na casa, que ela era a estrela da minha janela e não podia ficar triste daquele jeito. Fiz um carinho. Totalmente retardada mental.
No fim da tarde eu fui lá ver ela de novo. Estou me sentindo de novo mãe de recém-nascido, que a gente fica olhando de dez em dez minutos pra ver se está respirando. Não é que as folhas deprimidas e os galhos baixos dela estavam de pé?!?
Fiquei embevecida com a natureza!
A natureza dos meus vãos, vá lá, mas ainda assim a natureza.
Foi imbecilizante e fantástico ver aquela planta toda em pé no fim do dia só porque levou um papo...!
Fiz a dancinha da felicidade e estou toda orgulhosa da minha casa ganhando forma, enfeite e cor.

Talvez pensando secretamente que nem tudo que a gente acha que não tem jeito é realmente tão sem jeito assim.

Okay.
Passaram-se dois dias desde que eu escrevi a parte de cima.
Retiro o que disse. O Beijo da minha janela não passa de uma planta chantagista e vil. Passei um dia inteiro fora de casa e hoje já estava ela deprimida novamente. Minha consultoria em jardins e afins levantou a hipótese de que ela seja o tipo de planta que precisa ser regada diariamente e por isso a depressão.
Há mais de um mês considero a hipótese de me livrar da saudade que assola o peito, me render e adotar um novo bicho de estimação nesta casa. O que me impedia era a sensação de que já tinha coisas e pessoas demais para cuidar, que um pouco de liberdade não faria mal a ninguém. Aí me arranjam o Beijo. Maldito Beijo deprimido que exige regadas diárias e conversas estimulantes! Se eu quisesse estimular alguém diariamente certamente teria escolhido outra profissão! Ai dessa planta se ela não crescer e ficar exuberante!

As Maria-Sem-Vergonha, sim, são meu orgulho e já florescem na minha janela.

Que nem nos desenhos animados.

Pela primeira vez desde que eu entrei de férias e tenho sido refém de todo o trabalho braçal das alegrias do lar, fico feliz em anunciar que não existem roupas na fila da máquina de lavar.
Pelo menos até amanhã.

E já há algum tempo, meu namorado perguntou qual era a cor do meu cabelo.
Não aquela que eu desfilo, mudo e as pessoas vêem na rua, mas a cor de cabelo que Deus me deu e que eu saí da barriga carregando comigo.
“Castanho”.
“Claro, escuro? Que tom de castanho?”.
Me fugiu.
Não lembro mais. Mais pro claro? Não sei.
“Então porque você não deixa de um pintar um tempo pra gente descobrir?”
“Porque vai ficar cheio de cabelos brancos. Eu não agüento os meus cabelos brancos.”
“Bobagem... Aposto que vai ficar lindo...”

Eu ainda não decidi se ele quer que eu fique mais bagulha do que eu já sou pra que outros homens não fiquem espichando o olho e tentem me comer e tal; se ele tem uma queda pelo lado bizarro da vida; ou se ele realmente não se importa e gosta de mim como eu realmente sou. Normalmente eu apostaria na alternativa “A”, mas juro que não sei o que pensar dessa vez.

De qualquer forma, resolvi tentar.
Assim como não me lembro o tom, não me lembro quando foi a última vez que encarnei a cabeleireira em mim e fiz aquela lambança de lama preta no meu banheiro.
Também não desisti daquela história de deixar os cabelos crescerem até os pés e serem meus amigos de fé e irmãos camaradas eternos.
Passei pelo dia dos 31 anos – um dia muito sem propósito, aliás – ostentando orgulhosamente 4 dedos de fios brancos e um tom de marrom nos cabelos que obviamente ainda não era o marrom virgem que eu esperava que fosse surgir. Meus amigos, muito educados e polidos, não deram um pio a respeito. Todos eles, ao longo dos últimos meses.
E então eu parei na frente do espelho.
Sou a primeira pessoa a dizer que bem orgulho dos peitos caídos e todas as mudanças todas que a idade trouxe pro meu corpo, mas sou um ser incapaz de superar a barreira dos cabelos brancos.
Nada me abala tanto.
Nem a monocelha, nem unhas desfeitas, nem pernas cabeludas, nem peitos caídos ou coxas moles. Cabelos brancos são a única coisa que eu ainda não consigo encarar, adquirir e viver em paz com. Com eles, meu ar, ar mesmo, fica mais lento, mais descuidado, mais pesado. Eu não sou pesada e descuidada – ainda que um pouco lenta mesmo.
Quanto mais tempo eu passei na frente do espelho esses últimos dias, mais apática fui ficando quando olhava e passava os dedos por aquelas cintilantes raízes brancas. Muito eu lutei. Queria não ligar.
Mas liguei.
Liguei, levantei da cama, passei na primeira farmácia que encontrei, comprei e mandei ver.
E, realmente, é impressionante o poder que existe num cabelo de cor uniforme! Passar o pente para dividir um cabelo que é todo preto feito as asas da graúna é quase tão orgástico quanto o próprio orgasmo em si. É completamente diferente de passar o pente pelas madeixas da sua avó (que Deus a tenha).
Não lembro do tom de castanho.
Não sou capaz de ser tão (escolha a sua palavra aí).




E após cinco meses de mudança, ainda existem umas três caixas estrategicamente malocadas pela casa, mas a adaptação não poderia ser mais perfeita!
Eu, que desde muito antes da minha filha sonhar em ser minha filha, reclamava que precisava mudar de ares, que morei a vida toda no mesmo prédio e na mesma rua e nunca tive um número tão abundante de vizinhos, estou perfeitamente adaptada.
Tudo bem, falta conhecer mais uns bares, provar alguns restaurantes novos e me enfurnar nas galerias sinistras; mas pela primeira vez, presenciei coisas nunca dante vistas. Hoje, quando saía para buscar a criança no colégio, quase vi uma batida entre um ônibus escolar e um cidadão que dirigia um pusta carrão achando que estava em um rali bem na minha frente! Teve cantada de pneu, sinal avançado e, por pouco, não voa vidro em cima de mim.
Não que eu nunca tenha visto uma batida antes; até fui coadjuvante em umas duas ou três, mas, como espectadora in live action foi a primeira vez.

Outro dia também, estava saindo, indo pro meu ponto de ônibus habitual (sim, eu já tenho um ponto de ônibus habitual) quando uma pessoa de bicicleta passou e levou o celular da orelha de uma moça – que, coitada, tentou correr atrás e chamar um guarda, mas, como a gente bem sabe, cabine de polícia no Rio é enfeite.
Eu já tinha ouvido falar, tenho uma amiga com quem aconteceu isso, meu pai passou por isso, mas em live action...

Eu já descobri que sexta-feira é dia do lixo.
Não lixo saquinho de lixeira de pia, mas lixo, lixo mesmo, daqueles responsa. Então, sexta-feira à noite, toda aquela população de rua toda sai de onde quer que eles se escondem - não que não tenha população de rua, tem; mas são poucos e morando por aqui a gente conhece todos eles, desde o velho esfarrapado que xinga todo mundo, ao outro velho que não tem o menor pudor de se aliviar no meio da rua no meio do dia – e a praia de Botafogo, que já é um lugar bastante movimentado ganha novas cores.

Notem bem que isso não é de forma alguma uma reclamação ou a pintura de um retrato feio, sou eu maravilhada com esse Novo Mundo!

Além disso, tem o pessoal do bazar que sempre morre de rir quando eu entro lá pra comprar alguma coisa, visto que eu sempre desempenho o papel de mulher atolada querendo se meter em alguma presepada quando isso acontece; a vagabunda da chinesa que eu sinto ganas de embolachar porque deu uma cantada no meu namorado; as caixas do mercadinho que riem de se acabar com a Olívia; as vizinhas que me param na rua para fofocar...
Um Mundo Novo!
To maravilhada!

Nesse meio tempo, eu tento ser uma mãe exemplar.
Claro que eu sou cheia de falhas e quebro minhas próprias determinações, mas uma delas é não ficar dando presentes sem parar para a Olívia, que eu costumo seguir direitinho, tirando um brinde de Mcdonald’s aqui e ali (quebra-cabeças e livros são liberados com uma certa parcimônia, tendo em vista o futuro intelectual da menina, assim como tintas, pincéis, lápis, papel, e tudo o mais que possa dar um empurrãozinho). Assim sendo, eu só quebro a regra do “pede de aniversário” quando ela passa uns bons 4 meses de olho num brinquedo específico – porque aí eu vejo que ela está realmente afins da parada e tento fazer um esforço para comprar pra ela; e ela, por sua vez, sabendo disso, exerce seu direito de desejar as coisas com todos os requintes. A novidade das férias é que quase todos os dias eu sou convencida a dar uma volta nas Lojas Americanas para olhar os brinquedos. Esse programa virou a saída para qualquer momento de tédio que eu possa vir a ter com ela pelos próximos anos, acredito.
Ela entra, olha, olha, olha, deseja, deseja, deseja e depois nós damos a volta e vamos embora.

Outra coisa que virou tradição diária dela, é sair do colégio, passar numa kone store que tem no meio do caminho, entrar lá dentro e dar umas reboladas ao som do que quer que esteja tocando na hora. Naturalmente, depois, viramos as costas e vamos embora.

Agora, imagina que vida fantástica não seria a nossa se bastasse desejar as coisas e rebolar em qualquer lugar, hein?

Um dos itens da minha lista de coisas a fazer nas férias era me permitir perder algumas horas de vida jogando joguinhos de computador sem ter que me preocupar em acordar de manhã cedo e cair na pauleira.
Até agora, um item esquecido e renegado.
Então, quando eu resolvi me dar este prazer, pegando emprestado um jogo novo com o meu namorado, empaquei logo no primeiro nível da parada, já morri umas 10 vezes de porrada e estou morta de ódio do jogo. Por outro lado, se adolescentes com menos da metade da minha idade (ai) conseguem matar a porcaria do monstro, sinto-me moralmente obrigada a conseguir também, mesmo que signifique o sacrifício de horas de filmes que eu poderia estar vendo ou livros que eu poderia estar lendo.
Nem que seja para desistir depois.

Por falar em livros que eu poderia estar lendo, já saquei que a minha meta de leitura para as férias não vai ser alcançada.
Baseado no princípio de que não estou nadando em grana e que existem um monte de livros que a família possui que eu ainda não li, tomei coragem (depois de visitar uma exposição sobre o Japão, claro) e peguei os dois volumes de “Xogum” na casa da minha mãe. Não sei que houve...
Só sei que eu já li uns 3 livros nesse meio de caminho, antes de pegar o próprio, e acabei de pegar mais um que eu devo terminar até o fim da semana. Eu tenho tesão por livro novo, sabe? De qualquer forma, algo me diz que duas semanas vão ser muito pouco tempo para que eu me orientalize e leia os dois volumes. Tenho duas opiniões (dadas de grátis por terceiros bem intencionados, se é que isso existe): a de que eu vou amar e a de que estou tentando cometer um haraquiri.
Pressinto uma coisa meio Dostoievski no ar...

E, para encerrar só este post, devo declarar que terei cortinas tapando o sol que bate na minha bela carinha todos os dias de manhã arruinando várias vezes as perspectivas de um dia feliz e uma dormida daquelas que vão além das 9 da manhã!

terça-feira, agosto 19

Para não dizer que não falei das férias...

...Fui à FLIP, tenho cortinas no quarto e penso todos os dias em não me levantar mais da cama, li alguns livros, vi alguns filmes, briguei com o namorado, fiz as pazes com o namorado, não escrevi muito, arrumei a casa menos do que deveria, vi alguns amigos, fiz 31 anos, plantei plantas que ainda vivem, pintei um quadro, me aborreci bastante, ri um pouco, andei, andei, andei e escrevi um longo texto já defasado que eu vou postar ainda essa semana só pra ele não se sentir mal amado.
Mas o resumo foi isso aí.
Voltei mais cansada do que fui e não foi nada demais.
Viu que bonito?
Nada de crescimento intelectual ou alguma epifania monumental.

Um e-mail e algumas considerações rápidas

"from: Felipe
to: Renata

Oiê!
Já estava pensando que você não ia me responder, que com tanta filha, faxina, faculdade e namorado já nem escrevia para os amigos... :)
Que bom, pelo visto está tudo bem por aí, você parece bem mais animada que da última vez que a gente falou.
(trecho que não lhes diz respeito)
E falando de excluída digital, você está chegando 10 anos tarde no Diablo, que já estão fazendo a versão 3!!! Eu gostava muito de jogar junto com a Dani em rede. Já passou do "The Butcher"? É o bicho mais ferrado depois do próprio Diablo. :)
Beijos e muitas saudades! Manda beijos pra Liloca e pra mamãe! E um abraço pro Arnaldo! ;)
Felipe

Date: Mon, 11 Aug 2008 17:28:59 -0300
From: Renata
To: Felipe
Subject: btw

esqueci de te contar que o arnaldo conseguiu fazer uma coisa que eu não imaginava nunca na vida: me deixar viciada em diablo!não pula ainda porque eu tô jogando o primeiro e ainda não terminei, mas penso em você toda vez que me sento no computador. :)"

...Eu descubro jogos com 10 anos de atraso, minhas bandas preferidas também já têm bem mais de 10 anos de vida, apesar disso comprei meu primeiro All Star pouco antes dos 31 anos, saí hoje pelas ruas de tranças no cabelo e fazendo a dancinha da abelha.
Sou praticamente uma velha gagá, como vocês podem ver.

quarta-feira, junho 11

....

Tem dias que são uma merda, saca?
Em que a gente acha que a vida tá uma merda, que nunca vai ter grana pra gastar num Givenchy ou num trinco novo para a porta da frente, que nunca vai conseguir perder 3 quilos numa boa sem ganhar 6 depois, que dói lembrar que a coxa já foi dura um dia, que você nunca vai ter paz por conta de uma trepada mal dada com um espírito de porco que só te dá trabalho, que ninguém mais pode ficar doente esse mês senão você fica sem grana pra pegar o Ônibus, que amanhã é dia dos namorados e o seu nem liga pra isso, que justo o livro que você mais queria não vai ser entregue na sua casa depois de um mês de espera, que existem mais vários livros que você quer ler e ter, mas não tem grana pra isso também; em que a gente somatiza tudo e sente uma dor fulminante no raio do seio nasal que cisma de doer muito toda vez que muda o tempo ou você se aborrece e aí você sente como se a sua pilha tivesse chegado na reserva e tudo o que você quer fazer é dormir na esperança de que amanhã, quem sabe, tudo fique melhor ou pelo mais coloridinho, mesmo você tendo dormido pela primeira vez em meses amsi de 12 horas numa noite; em que você começa a fantasiar com uma barra de chocolates tamanho gigante rebolando e fazendo striptease na sua frente, porque chocolate tem aquilo de compensar frustação, mas você não pode se compensar assim porque senão vai ter que passar uns bons 6 meses sem comer e já vem um casamento por aí e você está gorda e não vai caber em roupa nenhuma com ou sem o chocolate dançarino; em que você pensa que não vai aguentar mais 8 meses sem faxineira ou alguma outra pessoa para dar uma força porque você está extremamente cansada e a sua casa está começando a querer ficar meio podre porque você anda, sim, desleixada, o quê, aliás, foi o que salvou seu o mês já que você descobriu que a sua briga com o ferro de passar fez com que a sua conta de luz também sofresse uma baixa considerável, de toda forma, você precisa de ajuda, mas vai ser obrigada a aguentar, querendo ou não; em que aquele trabalho que você tem que entregar para a semana que vem parece sem salvação e faz com que você se sinta uma burra de marca maior e tenha ganas de queimar todos os seus livros que tratam de semiologia; em que acha a vida uma merda, saca?

quinta-feira, junho 5

Eu e o Banquinho

Tudo aconteceu quando eu estava perambulando pela minha casa naquele meu ritmo frenético e apressado de hora do banho. Exatamente como eu previa, as lâmpadas da casa começaram a queimar e eu, do alto do meu metro e cinqüenta e oito de altura, não consigo trocar a maioria sem ajuda. O namorado até ajudou a trocar a lâmpada da área de serviço, mas a dita é muito fraca e mal brilha no meio das roupas que estão sempre penduradas no varal. Além do mais, enquanto dona de casa eu tenho uma falha grave – que deve ser culpa dos radicais livres já libertos – que é esquecer de comprar pequenas coisas essenciais para uma casa quando vou ao mercado, como pilhas e lâmpadas.
(Por falar nisso, preciso lembrar de comprar cola. Qualquer cola.)
Assim sendo, lá estava eu no meu ritmo frenético e apressado de hora do banho, indo buscar um pedaço de sabão de coco no quarto de empregada, quando dei uma joelhada daquelas cheias de vontade no banquinho.
Fora o palavrão de praxe, meu primeiro pensamento foi “Merda de banquinho! Pra quê que eu fui inventar de pôr um banquinho aqui?!”, e, antes que eu pudesse responder a mim mesma, me vi pensando no banquinho.
O banquinho foi para a minha casa porque EU quis. Foi para a área de serviço porque EU quis. Ele faz parte da minha herança e das minhas memórias de vida.
Nosso relacionamento começou na casa da minha falecida avó. Lá, o lugar dele era no banheiro. Um enorme banheiro de granito rosa (uma coisa medonha, mas que na época devia ser chiquíssimo), onde ele ficava debaixo do enorme espelho de parede com várias divisórias que escondia os segredos de beleza da vovó. Era nele que a minha tia me botava de pé para me enxugar depois do banho. Onde eu subia para xeretar o armário e ver os cremes, maquiagens e a caixinha de talco da minha avó que eu achava o que há de mais luxuoso no mundo. Onde eu brincava de me olhar no imenso espelho e inventava histórias dentro da minha cabeça que eu era uma princesa ou estrela de Hollywood.
Depois de um tempo, o banquinho passou a ser apenas um lugar para botar as roupas e toalhas que usaríamos depois do banho.
Depois de um tempo, foi a minha filha que começou a ficar de pé em cima do banquinho quando saía do banho e que tinha o prazer de ficar se maravilhando com a descoberta da sua própria imagem refletida no espelho.
Depois de um tempo, vovó morreu. O banquinho, junto com um monte de outros móveis (alguns que são hoje meus móveis) foi para um depósito. Quando eu me mudei e fiz o inventário do que iria querer, reabilitei o banquinho.
Eu não tenho um enorme banheiro de granito rosa, nem vou ter – azulejo rosa vá lá, mas granito é muito cafona, né, não? – então, depois de décadas a serviço da beleza e da imaginação, morando num mundo cheirosinho, a solução foi mudar o cargo do banquinho e mudar o seu lugar de destaque para a área de serviço: um lugar não tão cheiroso, nada imaginativo, mas onde ele desempenha a tarefa não menos importante de ser o lugar aonde eu apóio as roupas para lavar ou guardar.
É uma função de destaque, vamos... Imagina se ele não estivesse ali do meu lado...?
Não é pouco.
Pensando bem, o banquinho me acompanha há 30 anos e faz parte da minha história de vida. Engraçado como um objeto tão bobo quanto um banquinho pode desempenhar um papel tão importante na vida de alguém, não? E, olhando em volta, percebi que existem vários objetos aos quais eu me apego e que também fazem parte da minha vida. E, diante de tudo isso, o que é uma mancha roxa no joelho? Sacanagem xingar o banquinho...

quinta-feira, maio 15

Pior que tudo isso?

Viciei.


*MEDO* - Parte III

Dito tudo isto, só o que faltará à minha velhice feliz serão chinelos com pompons, um robe de seda e uma colcha de cetim com estampa de oncinha...

*MEDO* - Parte II

Aliás, eu andei prestando atenção em cabelos ultimamente também.
Aí, de repente, me encantei com os cabelões.
Não com cabelos, mas cabelões, daqueles de crente, que batem na bunda, que a pessoa não corta nem ou por causa de promessa. Aqueles cabelões criados, companheiros de anos, que não sabem o que diabos é uma tesourada ou uma escova inteligente-de-orquídea-chocolate-vinho-placenta, sabe?
Aí, no meio do meu encantamento, quando bateu a paixão, resolvi que não vou mais cortar os meus cabelos. Que eu quero um cabelo amigo. Que a bunda, vasta bunda, há de ter uma companhia. Que quando agarrarem meus cabelos, não vai ter pra Rapunzel.
...

*MEDO*

...Então eu estou aqui, procurando livros, pensando em livros, tendo idéias e cometendo o pecado da cobiça navegando numa lista enoooooooooorme de lançamentos literários quando vejo um, vejo dois, vejo três, vejo DEZ livros da mesma "série" (se não, do mesmo autor).
O lance com esses livros são as capas coloridas onde você vê um amontoado de nuvens, uma coisa meio "Deus vai falar" e os títulos que vão desde "A Alegria da Obediência Fiel", passando por "A Alegria de uma Vida Cheia do Espírito Santo", até "A Alegria do Perdão Completo". Todos na base dos 20 Reais e da Alegria - com maiúsculo! Realmente, eu imagino que para lançar 10 livros com essa temática, eles devem vender bem e o autor deve estar felicíssimo - com ou sem perdão, certo?

É que ontem eu estava andando de ônibus e vi um cartaz de um livro chamado "A Chave Mestra". Não era do filme, era auto-ajuda. O cartaz prometia que assim que a pessoa abrisse o livro, novas portas também se abririam. Há pouco tempo, o grande must da parada era o tal d"O Segredo", que geral lia e jurava que funcionava, mudava a vida e tal.

Eu nunca li nada disso.
Sou péssima de auto-ajuda, seja ela lida ou feita por mim mesma. Pró-boicote total.
Na época em que isso começou a aparecer por aqui (por "isso" subentendam essa mania de auto-ajuda), eu era muito nova, não entendia nada dessas coisas complicadas e filosóficas da vida e meus maiores interesses eram rapazinhos bombando de hormônios e um bom e velho rock'n'roll. Mas eis-me aqui, aos 30, uma balzaca, cheia de cabelos brancos e responsabilidades, sendo bombardeada diariamente pelas "7 Orações que vão mudar a sua vida" e pensando: "Cara, será que essa porra dá certo mesmo?".
Porque tudo que as pessoas dizem que ajuda e não me atrapalha a vida, tipo saco de São Cosme e Damião, vasinho de arruda, borrifo de álcool canforado pela casa, espelhinho na varanda, comer 12 uvas no reveillon e guardar a rolha da champanhe, tomar banho de sal grosso, comer nhoque dia 29, carregar alho na bolsa, essas, eu faço; mas auto-ajuda eu nunca tentei...
Será que funciona?
Será que essa vai ser a minha nova loucura...?
(Eu tinha uma coisa ótima da Olívia pra contar, mas me escapou...)

Pequeno parênteses

(Vale dizer que naquela época eu ainda não tinha o cagaço que eu tenho de transportes públicos. Vale dizer que naquela época eu não tinha o horror que eu tenho hoje de gente que tem pressa. Naquela época, talvez eu também tivesse pressa, mas fiquei velha e cheguei à conclusão de que gente com presssa só faz merda e morre cedo; não vale a pena. Fecha parênteses.)

Gastando as sete vidas

No meio das minhas reclamações, ponderações e decisões que eu não levo a cabo, ontem entrei de novo num 434.
Toda vez que eu entro no ônibus com a Olívia, passo ela primeiro pela roleta, sento ela e então vou pagar a passagem. Pela primeira vez a menina voou do banco e deu uma pirueta.
Já nesse início eu soube que a viagem ia ser barra pesada, mas, como eu sou um poço de teimosia, continuei dentro do veículo.
E o motorista continuou correndo absolutamente insandecido.
A uma senhora que teve peito de reclamar, exclamou:
- Quê que é, hein?!

Quando chegamos na Pompeu Loureiro eu já estava nauseada, mas me convenci de que era pouco chão, que era uma besteira saltar do ônibus e que ônibus não viram e batem com a facilidade com que o meu medo me ataca.

Na curva da Lagoa - aquela curva que me dá enjôo todo santo dia há anos, onde eu sempre acho que o ônibus vai virar - o homem ao invés de ir mais devagar, acelerou como se estivesse numa corrida de Fórmula 1. Desculpa, eu não sei dirigir (opção própria por ter medo de porrar o carro por aí e, de repente, quem sabe, atropelar a sua mãe, coitada), mas não é para a pessoa diminuir quando tem uma curva pe-ri-go-sa?
E, de fato, o ônibus quase virou. Bambeou seriamente pro lado e não foi minha imaginação. E o sujeito a-ce-le-ran-do.
Eu, que durante a semana, todas as semanas, só penso cá comigo dentro da minha cabeça "mas precisa correr assim?", "tem necessidade de correr assim?", "que pressa é essa, meu amigo?"; não me agüentei dentro de mim e soltei aquele berro:
- Vai devagar, moço! Tá correndo demais!
Não gosto quando eu grito desse jeito porque a Olívia fica com medo e eu não sou muito fã de disseminar o medo na criança, mas gritei.
O sujeito riu e... acelerou!!!
Depois de me deixar no ponto, dando uma parada daquelas em que o passageiro é praticamente cuspido de dentro do veículo com ele ainda em movimento, ainda furou o sinal vermelho sem a menor preocupação com as pessoas que atravessavam.
De pernas bambas e quase fazendo xixi nas calças, prometi a mim mesma que nunca mais pego um 434 enquanto houver algum resquício de sanidade na minha mente.

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Só tinha visto um motorista tão possuído assim uma vez que fui à Niterói (sim, até eu já fui à Niterói) e estava lá suando dentro 996, que chacoalhava freneticamente, quando um velhinho vinha atravessar a rua e o motorista soltou uma gargalhada digna de vilão de filme (MUAHAHAHA) e acelerou pra ver se o velhinho escapava.
Escapou.

Que nem eu.

Amém!

segunda-feira, maio 12

Mil coisas

Todas as vezes que eu desco de um 434 é como se Deus me abençoasse e dissesse que eu mereço estar viva. Praticamente um renascimento.
Eu poderia facilmente resolver isso esse ritual esquifênix meu se:
a) o metrô finalmente chegasse a Ipanema;
b) eu fosse rica o suficiente para poder pagar taxi todos os dias da semana (ultimamente é coisa de uma vês por mês e em casos de extrema emergência);
carro eu descarto porque se eu dirigisse, provavelmente bateria ou atropelaria alguém, fora que eu acho que mocinhas sozinhas dentro de carrinhos são alvos quase tão apetitosos para os marginal da vida quanto mocinhas sozinhas na rua de madrugada a pé.
Como se pode ver é um caso sem solução.
Meu medo é que o coração pife numa descarga de adrenalina dessas antes que o metrô chegue ou eu ganhe a mega sena.

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Peguei uma gripe matadora.
Passei a minha sexta-feira de faxina completamente inútil, me arrastando entre o sofá e a cama, gemendo, sem ar. Nem o banheiro eu consegui limpar!
O bom é que o namorado foi cuidar de mim com sopinha em punho.
O ruim foi que não só eu passei pra ele, como ainda continuo com ela.
Gripe é uma parada escrota. Porque não só não é nada, como te derruba e os remédios pra ela são caríssimos; e as pessoas que não podem ficar gripadas por uma, duas semanas, caem em desespero e acabam tendo que comprar um pequeno arsenal de vitaminas, anti isso e aquilo e ficam boas, mas falidas (meu caso).
Descobri que vários amigos estão com ela, por sinal.
Será que ela já tem nome...?

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Pela primeira vez desde o colegial vou tirar notas medonhas, discuti com um professor, estou com espinhas no focinho e tudo que eu consigo pensar perante essa desgraça toda é que eu queria era estar dormindo.

quarta-feira, maio 7

A GB

A Grande Bosta de não escrever com regularidade é deixar de registrar formalmente coisas espetaculares que te acontecem. No meu caso, que tenho uma filha em fase de crescimento e desenvolvimento de uma super personalidade, é deixar de registrar coisas espetaculares que me acontecem por causa dela.
Por exemplo, semana passada uma chuva torrencial alagou e atrapalhou o Rio de Janeiro - conseqüentemente, a minha vida. Num desses dias de água, passei o dia in-tei-ro na rua resolvendo várias coisas, e, como eu não acredito em guardas-chuvas, conseqüentemente, passei o dia encharcada.
Às sete da noite, quando costumo chegar em casa, meus pés faziam poçinha dentro dos tênis e já doíam, eu sentia um frio desagradável, estava suja, cansada, molhada e tudo o que eu queria na minha vida era chá, sopa e pijama (coisa de velho, eu sei e assumo). Então fui trocar de roupa. Era dia de semana e em dia de semana não tem namorado em casa, então meu alvo foi logo sacar uma calcinha de "dia sem namorado em casa", bem grande e confortável. Nisso, eis que chega meu pequeno furacão, me olha, passa a mão na minha barriga e solta:
"- Foi a sua avó que te emprestou?"
E eu, chocada:
"- Não, Olívia, é minha. Por que, é feia?"
"- Não, é bonita. Mas não foi a sua avó que te emprestou?"

3 anos e já me dá esse tipo de fora fenomenal...

E tem mais, muito mais... Todos os dias...
Pena que eu não esteja escrevendo regularmente...

segunda-feira, abril 28

Mudança

Tá. Mudança.
Toda mudança exige adaptação.
Por mais que eu já tome banho no banheiro achando que o banheiro já é meu há muito mais tempo do realmente é, por mais que eu já dê uma circuladinha ou outra despreocupada sem roupa pela casa, por mais que a minha cozinha seja meu santuário...Por mais que tudo isso, não posso dizer que já esteja 100% adaptada.
De vez em quando, coisas me fazem falta.
Não só as materiais. Acho que precisar me privar de certas coisas pode vir a ser muito pra mim.
Mas de pessoas.
Por um lado, eu me sinto tão feliz e tão bem na minha casa que eu simplesmente não tenho vontade de sair de lá. Mas, por outro, houve um tempo em que querendo ou não eu saía de casa para ver outras pessoas. Eu ainda não estou certa de se isso é velhice, se é normal, se faz parte do “ficar madura e responsável”.
De qualquer forma, tive um ataque esse final de semana.
(Final de semana sozinha, playground do diabo!)
Me deu uma saudade, mas uma saudade imensa de vários amigos, muito amigos, pouco amigos, só amigos que eu tenho nessa vida. Sexta à noite eu olhava pro celular e queria ligar pra todos, abraçar todos, saber de todos. Ontem ouvi várias músicas que me lembravam dessas pessoas e dos tempos em que a gente andava junto e era muito feliz mesmo quando estava triste.
Eu continuo feliz mesmo quando estou triste. Aprendi que tudo tem jeito nessa vida e que a gente tem super que acreditar naquele clichêzinho básico do “tudo vai dar certo”.
A pior mudança de se adaptar, não é a de espaço, a dos móveis, a de bairro, de responsabilidades; é a do tempo.
Eu sinto muito.
Sinto muito, mas hoje eu já não saio mais para as boates da moda porque, a meu ver, não existe nada que eu possa querer conversar gratuitamente com uma pessoa anos luz mais nova que eu e que não combine em nada comigo. Eu vou às boates hoje e me sinto a “tiazinha” do rock. Passou, sacumé?
Sinto muito, mas eu não tenho mais pique para ficar dançando ou zanzando por lugar nenhum até amanhecer, estou ficando bêbada com a terceira cerveja e voltando automaticamente pra casa depois da sexta porque passei a ter horror de ficar de ressaca (depois de uma certa idade, você esquece as coisas e a sua cabeça dói como se tivessem deixado aquela bigorna de desenho animado cair bem em cima do seu crânio).
Sinto muito, mas eu aprendi que amigo de bar é ótimo no bar, mas não presta para absolutamente nada fora do bar, que teve um tempo que eu deixei meus amigos de verdade de lado por eles e que nunca deveria ter feito isso.
Sinto muito, mas eu tenho contas a pagar e uma criança para criar, então não posso gastar rios de dinheiro em birita, nem fazer mais strip teases na rua ou pegar conduções sinistras para lugares longínquos e sinistros de bobeira.
Sinto muito, mas, na verdade, quando chega a noite eu quero silêncio. Ouço rádio baixinho, tv baixinho, essa coisa de som alto no cérebro é para pessoas jovens, as velhas ficam nervosas, não se amarram muito. Eu achava que era um mito, mas é real.
Sinto muito, mas multidão suada se espremendo, me espremendo, alegre e feliz no meio de uma densa cortina de fumaça não exerce mais o menor apelo junto a minha pessoa. Eu, que fumo, fico desesperada hoje em dia para jogar as minhas roupas fora depois que freqüento esses lugares.
Sinto muito, mas eu sou deveras educada para viver em sociedade.
Nunca achei que eu fosse ficar assim. Pelo menos não tão cedo. Nos últimos 3 anos, eu mudei de tal forma, que quem via por aí e conversava comigo na rua, hoje não pode mais dizer que conhece. Talvez tivesse que ser mais tarde, mas quer saber...? Eu não ligo.
Ligo pra muito pouca coisa hoje em dia.
Feliz ainda que triste.
Tudo vai dar certo.
Só tenho que correr atrás dos abraços que eu estou devendo por aí...

quinta-feira, abril 24

No virtual life, saca?
Mortalmente envergonhada da baixeza cultural que me acomete.
Empacada nos simeologistas, no romance mela cueca, nos estudos.
Nem um show ainda.
Nem fazer as unhas eu consigo!
É o ano do apocalipse!

terça-feira, abril 1

Segredos de Casa Nova

A rotina de uma casa é cheia de segredos e surpresas.
Assim como a maternidade, essa rotina carrega diversos mitos e verdades que ninguém nunca te contou.

Meu problema aquático, por exemplo, descobri que tem nome: câncer de água!
Segundo a minha mãe, esse é o nome dado quando seus canos começam a jorrar enlouquecidos e pedir para que você gaste rios de dinheiro e paciência na contratação de um pedreiro.
E, sim, surgiu mais um problema aquático depois do post. Eu só resolvi ignorá-lo solenemente.

Há uns anos atrás, em quando descrevendo um problema doméstico/emocional que teve, meu pai (que, por sinal, aniversaria hoje e vocês não têm nada a ver nem se importam nem um pouco com isso) me descreveu com um olhar de gozo e aconselhou: “Quando você derrubar uma geladeira, minha filha, lembra de abrir a porta antes. Aquele bando de pote, fruta, comida, água, caindo antes dela no chão e se espatifando é uma maravilha! Lembra de abrir a porta!”.

Então, sábado passado eu lembrei demais disso. Lembrei porque eu descobri uma maravilha de casa! Ao contrário do meu fabuloso pai, a filha saiu à limpeza. A filha sabe há muito tempo que o pior sintoma de paixão nela é quando ela se sente compelida a lavar cuecas e limpar cozinhas – quando a vontade de limpar a cozinha do cara se torna insuportável, é uma pusta paixão. (Vale ressaltar aqui, que eu já matei essa compulsão com o meu namorado, na maior felicidade.) E, a filha, descobriu que, na casa dela, poucas coisas a satisfazem mais do que limpar o banheiro.
E sábado, eu não só limpei, como lavei o banheiro.
Lavei igual gente lava carro – de balde e esponja na mão.
E, toda vez que eu chegava na porta do banheiro, e jogava aquele balde cheio d’água para dentro do banheiro e fazia aquele “chuááááá” cheio de sabão pelo chão, eu lembrava do papai e pensava “Ah, se papai soubesse o tesão que dá limpar isso!!!”.

Isso é um dos segredos da casa.
Ninguém te conta que lavar banheiro dá um tesão incrível! Que cura briga com namorado, tira a cabeça daquela conta de dez milhões de reais que você tem que pagar, da raiva que você fica quando discute com quem não deve, de que existe um bando de gente estúpida no mundo, que a sua filha está pedindo uma boneca caríssima e você não dinheiro pra dar... Essas coisas.

Ninguém diz também que passar roupa é uma das tarefas mais bisonhas de se ter uma casa. Todo mundo ama dizer “minha casa isso, minha casa aquilo”, “eu faço isso, cuido daquilo”, mas A Hora da Tábua ninguém comenta!
É até bastante lógico que, numa casa onde se lava uma tonelada de roupas por mês, também é preciso que se passe essa tonelada de roupas por mês. Para homens solteiros essa observação é absolutamente nula, visto que, tirando um ou dois, todos os outros homens solteiros não passam uma peça sequer de roupa, a não ser que queiram comer alguém específico em alguma ocasião específica, o que também quer dizer que, se você já for namorada dele por mais de três meses, esse fenômeno só vai acontecer se for seu aniversário – e ainda assim se tiver festa, se for jantar em casa, pode desistir.
Mas, enfim, A Hora em que a cidadã aqui se dirige à sala com aquela saca enooooorme, e a tábua e o ferro, é uma Hora triste. E longa.
Algumas coisas servem de consolo, como executar essa punição enquanto rola o “Fantástico” ou o jornal (qualquer um deles), mas mesmo assim, depois de um tempo a coluna começa a reclamar e lembrar que você não tem mais 15 anos para abusar dela assim e que a sua postura é péssima e você deveria tomar vergonha e usar um colete ortopédico, o ar começa a ficar quente e você começa a suar- coisa que você detesta, sua filha começa a passar perto do ferro com uma insistência em ter um acidente quase cruel – fora as vezes em que ela pede para ir ao banheiro fazendo você parar. Depois de um tempo extremamente longo, onde a sacola parece a bolsa do Gato Félix que cabe coisa até não acabar mais, você consegue terminar.
Mas, essa tarefa, eu consigo entender perfeitamente porque ninguém comenta, é ruim, é chata, é feia, é um inferno.

...E o horror de limpar um fogão para fazer comida e sujar de novo em meia hora? Tem dia que eu sugiro comer na rua, ou biscoito, ou qualquer outra coisa só para me privar da decepção que é você ver aquela coisa limpinha prateadinha virar um mar de respingos oleosos.

E, a maioria, não te conta essas coisas todas porque não faz essas coisas todas. A maioria tem faxineira.

Particularmente, pode ser chato, massacrante, pouco glamouroso, mas são esses segredos e perrengues que fazem uma casa, em especial uma casa nova, valer a pena.

segunda-feira, março 31

...Vamos combinar que é um desespero a pessoa estar entrando em abril e não ter visto nem um show ou peça de teatro no último mês. Assim não se sobe estatística!
Merda de vida de pobre.

quinta-feira, março 20

Altos!

...Mas isso tudo quer dizer, então, que eu vou pôr correndo TV a cabo ou internet no meu novo lar? Não.

Neste primeiro mês, tive acidentes domésticos traumatizantes a cada semana.

Logo no primeiro final de semana, domingo de chuva, dia de Oscar, estávamos nós dentro de casa quando eu levei minha filha ao banheiro, apertei a descarga e ela saltou em cima de mim! (A descarga, não a filha.).
De repente a água corria ininterruptamente e o botão não encaixava de volta. O registro de água do meu banheiro, assim como a casa toda, é muito velho e só fecha na base da chave inglesa, artefato que não existe na minha casa. Amos e convenhamos que chave de fenda eu até tenho, mas chave inglesa é super pedir demais que exista na casa de uma mulher solteira, certo?
Eu gritava de um lado, o namorado de outro, a criança ficava andando no meio que nem barata tonta e a água rolando... Como ainda era o meu primeiro final de semana no latifúndio, ainda não tinha aquela bossa de ter algum dinheiro escondido em casa - coisa que, agora eu sei ser essencial, mas ainda não cumpri – então não podia nem chamar um serviço urgente 24 horas de socorro.
Depois de muita luta, o homem da casa conseguiu descobrir uma trava lá qualquer que parou o fluxo de água furioso e no dia seguinte fez a gentileza de levar o bombeiro lá para consertar o estrago.
Eu perdi qualquer fio de humor que tinha e a transmissão do Oscar de tabela.

Na semana seguinte, eu fui estrear minha nova velha máquina de lavar e, logo depois da primeira lavagem (por dia de lavanderia são 3 lavagens), comecei a notar uma poça de água que aumentava e tomava a minha cozinha lentamente.
Minha primeira reação foi “fudeu, o casco da máquina abriu!”. Ela é velhinha, era da vovó, tinha soltado uma ferrugenzinha amiga... Mas a água que estava lá dentro não descia e a poça aumentava. Eu botava folhas e folhas de jornal, todos os meus poucos panos de chão e a água corria...
E nisso deu a hora de levar minha filha pro colégio. Forrei a cozinha toda e fui – à beira das lágrimas. Rezando pra que conseguisse encontrar a casa não inteiramente encharcada. Na volta, a água estava na porta da cozinha, mas não chegou a molhar meu precioso sinteco novo. E eu subi no tanque, e eu fechei registro, e eu secava, e nada da água parar de escorrer. Mais uma vez, apelei para o meu lado mulherzinha dependente e liguei pro namorado, que, dessa vez, não pode me socorrer. Então lembrei do meu querido faz-tudo. Pedi peloamordedeus e em 15 minutos ele me dizia todo feliz que meu problema era uma mangueira furada. De 9 da manhã às 4 da tarde, eu tentei ser uma mulher auto suficiente e resolvedora de problemas. Fui vencida por uma mangueira; que denunciou minha total inaptidão para esses assuntos e foi devidamente trocada enquanto o Seu José tomava um café com a outra mão.

(Na mesma semana aconteceu uma obra debaixo, no sentido literal, da minha janela envolvendo o meu cano, mas, como me foi dito que o problema era do prédio e a obra seria custeada pelo prédio, eu agüentei a batucada intermitente dos martelos pelos 3 dias que se seguiram numa boa e fingi que o problema não foi meu de fato.)

Então, na semana seguinte, estava eu de novo no banheiro com a minha adorada, venerada, salve, salve filha quando, novamente, fui dar a descarga e... ÁGUA!!!
Jorrava! Dessa vez jorrava, em grandes quantidades, tal qual uma cachoeira selvagem aquela água infecta de trás da minha privada! Foi um susto tremendo, eu gritava, Olívia corria, eu sacava um pano e... parou. Foi só o tempo da descarga mesmo.
Fui ver o que tinha acontecido, e uma peça que eu nem sabia que existia, que eu nunca tinha prestado atenção ou pensava em conhecer tinha resolvido ficar solta, frouxa, broxa, bem na porra da minha privada.
Mais uma vez eu tentei solucionar o problema sozinha e, aparentemente, com meio rolo de fita isolante isso foi possível. Acabei com as cataratas.

A essa altura, você também já teve um flash e já sacou que o meu problema da vez é água, né? Ou era. Espero.

Por conta de todas as que passei antes de mudar, e essas aventuras aquáticas, eu não quero mais ter que mexer em nada dentro da minha casa. Nem consertar nada por tempo indeterminado. Nada. Nada.
Quando o rapaz do telefone me disse que para instalar o Velox precisaria passar um fio da minha sala até o escritório, imediatamente saquei que eu ia demorar a autorizar este serviço e fazer usufruto dele.
Assim como a TV a cabo. Não vou quebrar, nem mexer, nem consertar, mas vou ter que me submeter ao “nós vamos estar indo...” e eu já estou de saco cheio disso também.

Quero terminar de desencaixotar minhas coisas, arrumar minha varanda e descansar. Nem festa eu quero dar! Minha mãe já quer comprar móveis novos quando eu nem arrumei os que já estão lá. Minhas paredes estão nuas, coitadas. Não tem nem uma fotinha pendurada em lugar nenhum.

Não troco, não conserto e não mexo.
To de altos.

Sacou?

O Vício & a Seita

Há até uma semana atrás eu enchia a boca com toda a vontade dos meus pulmões para dizer a quem quisesse ouvir que, dentro dessa confusão de casa nova e adaptações e serviços de utilidade doméstica, TV a cabo era uma coisa que não me fazia falta nenhuma. (O discurso, na íntegra, dizia que internet eu uso na faculdade mesmo - fato - e que eu ando chegando tão cansado e passo tão pouco tempo em casa que quase não vejo mais TV e não tinha, então, a menor necessidade de pôr uma TV a cabo correndo.)
Até sábado passado.

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Eu agora sou A Ninja da Faxina.
Se das primeiras vezes em que eu limpei a casa minhas mãos ficaram quase em carne viva, com calos latejantes e uma dor colossal e debilitante na coluna; a cada final de semana eu vou ficando mais parecida com minhas ex-faxineiras e fazendo minhas tarefas do lar com maior rapidez e precisão.
E, como tem sido a minha rotina de sábados, levantei junto com o namorado no horário mais ingrato e infeliz de se levantar num sábado em que a sua filha não está em casa, mas ele tinha que trabalhar, gosta de tomar café juntinho antes de sair, então meu dia começou. Como eu também ando desenvolvendo uma mania de limpeza que pode vir a ser preocupante, mas ainda não é porque eu acabei de mudar (1 mês sábadoooo!!!), assim que o namorado saiu, eu peguei a minha vassoura!
Limpar a casa tem sido meu momento mais meu dentro daquela casa. É um momento que faço sozinha, sem ninguém em casa. Cômodo por cômodo, na maior calma. Vai me dando um prazer passear pelos quartos e ficar sentindo aquele cheiro de Veja Floral (fragrância da semana), vendo aquele chão brilhando, aquela cama arrumadinha que até merecia mentinha no travesseiro...! Essa semana eu cheguei a arrastar os sofás e limpar os vidros das janelas. Chovia e eu limpava... Uma coisa quase orgásmica...
Só que, como eu já virei A Ninja da Limpeza, minha masturbação olfativa e visual só durou até meio-dia. E agora? Eu tinha marcado 18h com uns amigos em casa, como eu ia matar longas seis horas sem nada para fazer?
Nessas horas, dificilmente meus amados livros servem de opção. Tomei banho, fui ao banco, comprei uma comidinha na rua pra não ter que sujar meu fogão limpinho e brilhante, almoçei, tentei dormir e... Duas da tarde.
Resolvi fazer as unhas e abrir uma cerveja - porque não? já tinha acabado o "sirviço" mesmo!

Assim que comecei a fazer as unhas - que bem estavam merecidas de um lustre - liguei a TV.
TV aberta. Globo. Sábado. Sacou?

Então eu me toquei que faziam três sábados que eu ligava a TV para me fazer companhia enquanto faxinava. Que enquanto ela me fazia companhia, estava sempre passando "O Caldeirão do Huck". Que enquanto passava "O Caldeirão do Huck", eu prestava a maior atenção. Que, não só eu prestava atenção, como em muitos quadros eu chegava a chorar ou torcer como se não houvesse amanhã. Que eu acompanho, assisto, estou viciadona em "Caldeirão do Huck".

Assim que realizei minha triste situação de vida, telefonei para a minha melhor amiga, para a minha mãe e para o meu namorado. Um vício dessa magnitude e podridão não pode ser escondido uma vez que a cidadã precisa do apoio dos mais chegados para sair dessa.

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Então, quando tudo mais acabou, só o que me restou foi um programa de luta livre.
Luta livre do tipo que um cara pegava uma cadeira de ferro para dar nas costas do outro que tomou uma porrada no pescoço que quase sufocou o outro que olhava pro outro com cara de ódio e fazia aquele gesto de cortar garganta pro outro. Entendeu? Bestificante.
Fiquei. Completamente besta com a programação da TV aberta num sábado de ócio de minha parte.

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Quando a amiga chegou lá em casa eu estava sentada no sofá com uma cerveja numa mão, um cigarro na outra, assistindo luta de boxe feminino, quase babando.

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Não posso mais encher a boca para dizer que não sinto saudades da TV a cabo.

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E "Bebê de Rosemary", lembra?
Lembra quando eles se mudam pro condomínio e os velhinhos começam a fazer um monte de gracinhas pra ele pensar que é uma vizinhazinha queridinha?
Aos poucos os meus vizinhos estão começando a aparecer, bater lá minha casa, simpatiquinhos. Uma de cá, outra de lá...
Eu, que a vida toda tive dois, três vizinhos, que nunca nem tchuns pra minha vida, acho muito esquisito, não estou acostumada, mas sou sempre educadinha do jeito que a mamãe ensinou.

Eis que ontem, estava eu enrolada na toalha saindo do banho, quando toca a minha campainha.

Pausa: é preciso que todo mundo entenda também que eu nunca tive uma campainha que funcionasse na casa da minha mãe, então, toda vez que ela toca eu me sinto na obrigação de sair correndo e atender porque, se ela toca, deve ser alguma muito urgente, que outro motivo haveria para as pessoas ficarem tocando a campainha da minha casa?

Olhei no olho mágico e tinha lá uma senhora de uns 50 anos parada nos seus chinelos esperando. Como ela não tinha cara de assaltante - eu sei que assaltante não tem cara - abri uma frestinha para atender a senhora.
Ela me vem, então, com um papo de que o pai dela, um senhor idoso de óculos (dãr), queria conversar comigo e com o meu marido e pediu para perguntar que dia seria melhor para que ele fosse à minha casa.
*HEIN?!?*
Sem perder a pose - se é que eu ainda tinha alguma - perguntei qual o assunto, expliquei que o marido não era marido, que a casa era minha mesmo, e falei que ele poderia aparecer à noite, quando eu estaria em casa. Ela me disse que ia dar o recado ao pai, que devia ser sobre uma votação para síndico que vem aí, mas que, como ele era um senhor muito idoso, ia apenas dizer que meu marido chegava muito tarde mesmo.
Como eu estava de toalha na porta e com uma criança na banheira, concordei.
Depois a Simone que há em mim ficou aos berros de "onde já se viu tamanho preconceito para comigo que cuido de tudo sozinha e pago tudo sozinha dentro da minha própria casa, e imagina se eu termino com o namorado e arrumo outro e o velho fica achando que eu sou uma desfrutável quando eu não sou", mas achei melhor pôr um cigarro na boca dela e ficar na minha. Foda-se a senhora e o preconceito dela. Talvez eu mate o velho quando ele for lá em casa desmentindo tudo eu mesma. Talvez não. Não vem ao caso.
...Mas, que depois da visita, eu fiquei com um certo pensamento fixo no "Bebê de Rosemary", isso lá fiquei... Esse povo batendo na minha porta, fazendo visita... Eu, hein...

quinta-feira, março 13

...

...pode usar o blog na faculdade...
...e daí...?
...quem disse que eu ando com alguma pra dizer...?
...a vida anda tão chata...

...feliz...

...parada...

...doméstica...

...amando...

...sóbria...

...tudo muito reticente...

(Só vim aqui hoje por causa das listas. Um dia...)

sábado, fevereiro 16

Té já

Agora eu vou mesmo.
Já tive um ataque de choro de quase 24 horas contínuas, estou tendo um trabalho monumental para empacotar as coisas, ainda não tenho fogão porque a Brastemp não tem peça, mas essa semana eu vou.
Vou ficar fora do ar pelo próximo mês se eu me conheço bem e conheço a lentidão do binômio Renata + Serviços.

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Empacotar é foda.
Não dá vontade de ir futucar aquele alto de armário, com todas aquelas tranqueiras que você guardou lá porque quer ter por perto mas não precisa mexer. Não dá vontade de futucar todas aquelas caixas e bilhetes antigos que remetem você ao passado.
Passado sempre me deprime.
O meu teve muitas coisas boas, óbvio; mas também tem muitas coisas que eu não gosto de ver e lembrar. O passado facilmente nos faz ver o quanto já fomos ou somos ainda estúpidos e vulneráveis, nos faz ver várias cagadas bizarras que jamais faríamos com os hormônios no lugar.
Não gosto de futucar essas coisas.
E estou muito cansada de fazer tudo isso sozinha.
Hoje mesmo, estou aqui rodando pela sala há mais de 3 horas pensando em começar a etapa de hoje. Já vi um episódio de "Heroes", já dormi, já li o jornal, já tomei incontáveis canecas de café, já joguei na internet... Nos intervalos eu olho para as estantes e para os armários e fico pensando que bem que poderia existir alguma coisa que mandasse as coisas pro apartamento novo sem que eu precisasse me enfiar nelas. Olhos as estantes e os armários e vou dar uma volta. Mas, procrastinação demais também não funciona.
Mais um café e poeira na veia.
Qualquer hora dessas eu volto.
Com sorte, consigo contratar um serviço de internet antes do meu aniversário.

quarta-feira, fevereiro 13

A Novela do Gás - Parte Final Graças a Deus!!!

Pois então:

"Prezada Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente,

Qual não foi o meu espanto ao chegar em casa hoje (08/02/2008) e ouvir a faxineira da minha mãe me dizendo que o técnico da CEG tinha ido ao apartamento futuro! O rapaz fez várias perguntas as quais ela - que não é a futura moradora da casa ou sequer minha empregada - obviamente, não sabia responder. Como sou eu a futura moradora e responsável por todas as obras, melhorias e execução das exigências da CEG, sou a única que pode respondê-las. E como assim o rapaz apareceu hoje?!
Não havíamos, cá entre nós, entrado em comum acordo de que meu próximo chá de cadeira seria na próxima terça-feira, dia 12/02?
De novo - desta vez para plena fixação: Eu ainda não moro no local porque não tenho fornecimento de...gás! Não estou presente lá todos os dias ainda. Mesmo que já morasse, não estaria presente todas as horas do dia!
Terei eu que ligar de novo para a CEG?
Agendar agora uma nova data? Porque é isso que o papel que o rapaz que foi lá hoje escreveu.
Ligar para a CEG é uma tarefa que já está me dando arrepios.
Será que algum dia eu consiguirei dar fim a esta novela e ter meu direito básico de cidadã de poder me dar ao luxo de cozinhar dentro de casa e pagar uma soma considerável de dinheiro à sua companhia?"

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"Prezada Sra.,

Mais uma vez lamentamos os transtornos e confirmamos o agendamento para o dia 12/2/2008.

Atenciosamente,

Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente"

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Pois é, nêgo adora lamentar, mas ligar a porra do meu gás que é bom, nada.
Eu só pensei em responder isso. Dada a confirmação, eu resolvi ficar quieta dessa vez porque comecei a desconfiar que eles não estava querendo ligar meu gás só de onda, pra continuar recebendo meus e-mails engraçado/desaforados.

Ontem, lá veio o rapaz.
Olha daqui, anota dali, escreve de lá.
"Eu vou voltar para fazer o teste da tubulação e aproveito para pegar o material."
Foi.
Voltou.
E eu roendo as unhas pela primeira vez em anos, tentando fingir que estava super interessada em forrar o armário da despensa.
"Pronto, moça, tá ligado."

Me vieram lágrimas nos olhos. De verdade.
Eu agradecia sem parar ao Vanderlei. Nunca vou me esquecer que o nome do cara que pôs fim ao meu tormento era Vanderlei. Com i.

Mandei mensagens de texto pro namorado e pra mãe e saí pela casa fazendo o que eu entitulei de "Dancinha da Felicidade".
Meu aquecedor e meu fogão começam a funcionar a todo vapor sexta-feira e aí é só levar a tralha.

Muito obrigada, Vanderlei!

sexta-feira, fevereiro 8

A Novela do Gás - Parte II

Pois então...
Lá fui eu de novo.
O rapazinho apareceu no meio da tarde, cortou minha porta, pregou minhas janelas, foi cutucar meu cano e...

"O cano da senhora está com excesso de resina. A senhora tem que ligar pra quem fez o serviço e mandar vir aqui retirar o excesso, senão a resina vai secar e entupir a sua tubulação e a senhora vai ter que trocar tudo. Se passar do carnaval, não vai mais ter jeito."

Como assim???
Primeiro o cano estava vazando, agora podia ficar entupida.
Corri pro telefone desesperada, pedindo peloamordedeus pro cara voltar lá e dizendo tudo que o rapazinho da CEG havia me dito.
Não tô podendo trocar tubulação toda, não. Minha casa já deu o que tinha que dar de despesa extra.
Ameacei o cara dizendo que estava histérica e ele resolveu ir pra lá correndo.

Detalhe: eram 17h da sexta-feira de carnaval.

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Então veio o carnaval.
Sábado pela manhã eu encontro o seguinte e-mail:


"Prezada Sra.,

Lamentamos todos os transtornos e informamos que agendamos atendimento para o dia 7/2, na parte da tarde.

Informamos que encaminhamos o seu e-mail ao setor responsável para as devidas providências quanto aos atendimentos anteriores.


Atenciosamente,

Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente

A Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente estará em recesso no período de Carnaval, retornando suas atividades no dia 07/02. Em casos de emergência favor entrar em contato através do telefone 0800 24 01 97."

Excelente!

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07/02.
A palhaça aqui ficou sentada toda a parte da tarde dentro do apartamento, com uma criança enlouquecida e entediada em volta e nada do "cara do gás".

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08/02, meu primeiro ato foi:

"Cara Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente,

Passei a tarde do dia 07/02, in-tei-ra sentada esperando o interfone do apartamento tocar e meu problema ser finalmente resolvido. O interfone não tocou. Ninguém foi. Em nova ligação para a CEG, agendei outra vistoria para o dia 12/02. Mais uma semana de espera e em que eu não vou poder me mudar (tenho uma criança pequena em casa, mencionei isso? Não dá para ficar sem o luxo do gás com crianças em casa.).
A CEG está me deixando mesmo imensamente feliz, não?"


A resposta:

"
Prezada Sra.,

Lamentamos os transtornos, mas informamos que o técnico esteve no local ontem, 7/2, às 18:05, e identificou o prédio como sendo branco com grades cinzas, ao lado do Hotel Bambina.

Informamos que poderemos agendar novo atendimento para o dia 11/2, segunda-feira, mas se a senhora preferir, poderemos confirmar o agendamento feito junto ao Serviço de Atendimento a Clientes para o dia 12/2.

Aguardamos contato.

Atenciosamente,

Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente"

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Realmente, quando cheguei lá hoje, o porteiro veio correndo me avisar que o "cara do gás" tinha ido lá umas 6 e 15. Eu tinha uma missa de sétimo dia ontem, então não esperei um segundo além do horário.

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"Estive lá agora de manhã e soube da ida do técnico. O problema foi exatamente esse: ele esteve lá após as 18h. Já perdi pelo menos três dias esperando técnicos da CEG, o horário combinado no agendamento é entre 8 e 18hs - o que, por si só, já é um absurdo, uma vez que existe trabalho, filho, enfim, vida além da CEG - assim sendo, após as 18hs, eu não estava mais no local, já que não consigo me mudar para lá de vez justamente por não ter gás em casa e considero como sendo falta do técnico sim, já que, durante o horário combinado, eu estava sentadinha esperando.
Como existe vida além da CEG, não poderei estar sentada durante todo este tempo lá na segunda-feira por ser o primeiro dia de aula da minha filha. Tenho certeza de que você, que está lendo este e-mail sabe muito bem, ou pode imaginar, como é complicado passar tanto tempo à disposição da CEG. Por este motivo, agendei o serviço para terça-feira, quando poderei, mais uma vez, fazer alguma espécie de malabarismo para poder estar presente à minha futura casa de corpo presente.
De forma alguma desejo ligar para a CEG confirmando este agendamento para o dia 12/02, já que, da última vez, este ato me custou mais dois dias de espera e muito aborrecimento. E esta brincadeira do técnico ter comparecido ao local após o horário combinado, acabou de me custar mais cinco dias de espera.
Estou nessa "novela" para ter meu gás religado há mais de um mês. Profundamente aborrecida, decepcionada e irritada, uma vez que o meu prazo de mudança está no fim. Repito que tudo que a CEG me pediu, todos os dias combinados, tudo, foi feito pela minha pessoa de forma imediata. Essa situação toda é absurda do início ao fim.
Sem mais,
Aguardarei mais uma vez,
Entre 8 e 18h,
Dia 12/02,
Mais um técnico.

Renata Roxo."


Cinco minutos depois:
"
Prezada Sra.,

Atendendo a sua solicitação, confirmamos o agendamento da vistoria para a instação do medidor para o dia 12/2/2008.

Atenciosamente,

Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente"


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Se não ligarem meu gás, eu vou começar a mandar e-mails para aplacar minha solidão e fazer amizade com os atendentes que nem fez aquele japa...
A onda não acaba.

quinta-feira, janeiro 31

As Listas.

Findo o mês de Janeiro, meu primeiro ano enquanto mulher obsessiva que anota as coisas e faz listas chega ao fim.
Em um ano eu li 47 livros, dá uma média de 3,916666666666666 livros lidos por mês. Quase um por semana.
Assisti 92 filmes, o que dá 7,6666666666666 por mês, ou quase dois por semana.
Só precisava ter ido a mais shows e mais peças de teatro. Nestes quesitos a média foi uma vergonhosa freqüência de 1 evento a cada dois meses. Já fui melhor nisso...

New Lists from now on!!!

"Ah, é assim mesmo..." - ou A Novela Do Gás

A sua mãe te contou todos os perrengues que você ia ter que passar para conseguir se mudar?
Os seus amigos te contaram todos os perrengues que você ia ter que passar para conseguir se mudar?

Coisa boa assim, ninguém conta!

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Primeiro, eu caí na besteira de romantizar a pintura com aquele papo de “ah, meu primeiro apartamento fui eu que pintei!”; no papo dos meus amigos que me disseram que já haviam pintado suas casas sozinhos; de que na Europa é muito comum... Bem que na hora que fui comprar o material de pintura a moça perguntou se era eu mesma que ia pintar com uma cara de quem não estava levando muita fé! Só depois de algum tempo fui realizar que sou uma pessoa incapaz de realizar linhas retas à mão livre; que fita crepe quando descola, descola também pedaços de tinta e que rodapé duplo é a pior invenção do planeta! Lixar rodapé, minha gente!
O que é lixar rodapé?!?

Foi aí que eu ouvi pela primeira vez:
“Ah, é assim mesmo...”.

Depois meu apartamento é antigo. Aquela coisa bonita, de pé direito alto, com sanca no teto, espaçoso... O que ninguém te avisa é que se você cutucar alguma coisa, aquela coisa vai cair! Essa parte começou na varanda da Olívia onde tinha uma infiltraçãozinha que eu resolvi raspar para passar massa e ficar bonito. Acontece que do pedacinho pequenininho onde eu enfiei a espátula, a coisa foi subindo, crescendo, descascando e daqui a pouco eu tinha metade da parede aos meus pés e só conseguia repetir freneticamente “putaquepariu”. Aí o Seu Moço lá foi futucar o meu banheiro e descobriu que os meus canos de água quente estavam nas últimas, completamente entupidos.
A essa altura, já resolvi tudo. A varanda está emassada, os canos trocados, mas ao longo do caminho, enquanto eu esperneava:
“Ah, é assim mesmo...”.

Então eu descobri que o povo que morava lá antes de mim fez o favor de resolver se mudar bem na época que a CEG, a nossa incrível Companhia Distribuidora de Gás, estava fazendo o raio da conversão para gás natural. Sobrou pra quem?
“Ah, é assim mesmo...”.

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E a minha Novela do Gás ainda está em curso!

Todo o resto da casa – a pintura das paredes supra coloridas que parecia ter sido feita pelos colegas de classe da Olívia, os canos do banheiro, o chão de salão de baile depois de maratona do beijo, a varanda podre, tudo! – já está funcional, já está ok para que a gente possa habitar finalmente a casa. Só falta o gás.

Eu comprei o aquecedor novo, bonitinho, automático à pilha (seja lá como for isso) preu poder tomar meus banhos quentes e merecidos sem morrer de explosão. Comprei um fogão espacial cheio de coisas que eu, muito provavelmente, nunca vou usar.
Primeiro passo: instalar o aquecedor. Alguma coisa precisa estar instalada fisicamente para que a Fabulosa Companhia Distribuidora de Gás vistorie o imóvel e religue o gás.
O rapazinho da loja chegou cedinho, contrariando a máxima que diz que você provavelmente vai passar o dia inteiro sentada esperando para que um técnico venha até a sua futura residência e realize um serviço que, geralmente, não dura mais que 15 minutos para estar finalizado. Muito simpático, pisou no meu incrível banheiro azul e disse a uma descabelada e, então, à beira das lágrimas, Renata que não ia poder fazer a instalação porque o buraco da chaminé era muito pequeno e eu precisaria não só abrir um buraco maior, que ele sugeriu ser no vidro.
O vidraceiro me deu um trabalho enorme. Primeiro para achar, já que eu não tenho (ou tinha) a menor intimidade com esse tipo de serviço ou endereço; depois, me dizendo que eu teria uma série de riscos para fazer o sugerido, todos estes incluindo a frase “aí a responsabilidade é sua”.

“Ah, é assim mesmo...”.

Resolvi, então, me rebelar e chamar um “faz-tudo” para quebrar o raio da parede e aumentar a porcaria do buraco. Um sonho para quem não queria ter que quebrar nada mais que copos durante a mudança. Por uma despesa de meio aquecedor novo, o buraco foi aumentado (e foi aí que nós descobrimos o lance dos canos do banheiro).
Reparem que, todas essas coisas foram sendo vistas e agendadas em dias diferentes, numa saga que começou antes do Natal e já dura até o Carnaval, que para quem é vagabundo, já começou, mas, no calendário, começa sábado.

“Ah, é assim mesmo...”.

E lá veio o rapazinho simpático de novo, que pelo preço de mais meio aquecedor novo, desceu o aparelho sensacional e essencial à altura mínima exigida pela Fabulosa Companhia de Gás para que a instalação fosse aprovada.
Beleza. O aparelho no lugar, liguei eu para a FCG marcando a vistoria no imóvel, toda (boba) esperançosa de que meus problemas de origem natural estariam resolvidos.
Os pobres moços da FCG bem que tentaram, mas descobriram então, que minha tubulação, por estar muito tempo sem uso, apresentava vazamento.
Você sabia que tinha isso? Nem eu.
Solução? Pelo preço de mais um aquecedor novo, aplicar resina na tubulação.
Coisa bem rápida e fácil pra mim, segundo o pobre moço trabalhador da FCG.

“Ah, é assim mesmo...”.

O outro moço simpático que aplicou a tal da resina, não me garantiu que fosse funcionar de fato, mas...
Feito o serviço, eu ligo de novo pra Fabulosa Companhia a fim de agendar a segunda vistoria – e isso já sabendo que deveria ligar uma terceira vez caso estivesse tudo “nos conformes” para adequação da minha porta do banheiro e os pregos nas janelas para que ninguém morra por inalação de gás...natural – e a Dona Moça me disse que a visita seria feita em dois dias, mas que eu ligasse no dia seguinte para confirmar.
Dito isto, no dia seguinte, às 9 e meia da manhã, lá estava eu, ao telefone, ligando para confirmar a visita, que, não só não foi confirmada, como seria adiada para depois do Carnaval!!!

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O que se segue:

“Tudo que eu preciso na minha vida, para poder me mudar, é que o gás da minha casa seja religado.
Seguindo as exigências da CEG, comprei um aquecedor novo e o instalei. Comprei um fogão novo - que só poderá ser instalado após o gás ser ligado. Chamei a CEG para realizar a vistoria do imóvel.
O técnico me disse que a minha tubulação estava com vazamento e que eu deveria chamar alguém - que a CEG me indicaria - para aplicar resina na mesma. A CEG não me indicou ninguém, tive que procurar sozinha. Mas achei e cumpri a exigência da CEG, mais uma vez.
Liguei, então, ontem, para agendar uma nova vistoria, que foi marcada para amanhã (31/01), sendo que eu deveria ligar hoje de novo para confirmar! Não entendi, mas liguei. Comecei a ligar às 9:30 da manhã.
Já foram 6 ligações. Primeiro me disseram que ainda não estava confirmado, mas em análise. Eu pedi que me esclarecessem qual era a dificuldade em marcar a vistoria. Para falar com um supervisor. Na primeira vez, a menina que me atendeu, pegou meu telefone e disse que o supervisor retornaria minha ligação - fato este que não aconteceu até agora. Agora, da útima vez, a menina me deixou em espera por quase 15 minutos até a ligação cair. Foi-me dito que o meu pedido já havia sido passado ao setor responsável e estava em análise em caráter de urgência, que alguém entraria em contato comigo em até 3 dias úteis!!!
Peraí! Eu cumpri todas as exigências feitas até agora! Liguei hoje para confirmar a vistoria de AMANHÃ! De repente, fiquei na espera de uma ligação para agendamento de visita que pode vir a acontecer somente quinta-feira da semana que vem, já que o carnaval vai ocupar todo o início, e assim, os dias úteis do início da semana! Eu, assim como todo o resto da população, e você mesmo que está lendo este e-mail (se é que ele vai ser lido e levado em conta) não possuo disponibilidade de tempo para ficar esperando várias vezes a CEG resolver ir até a minha casa entre 8 e 18h para que meu gás possa ser religado, dentro das exigências da própria CEG e eu possa começar a poder pagar a própria CEG!!!


Meu nome é Renata Roxo XXXXXXXXXX, meu CPF é XXXXXXXX e eu não sei meu o meu número de cliente porque ainda não possuo uma conta paga ou a ser paga (coisa que estou achando dificílima de vir a ter) e nesta confusão toda ninguém fez a caridade de me informar.

Gostaria de ter meu problema solucionado e não obtive, até agora, nenhuma resposta satisfatória.
Obrigada,
Renata Roxo”

“Ah, é assim mesmo...”

E eu aqui, em angústia profunda...

Mais:

“São 16:30.
Desde as 9:30 venho ligando para a CEG a fim de resolver o meu problema, de conseguir uma resposta satisfatória às minhas questões e ainda não consegui obter sucesso.

No site da CEG está escrito:
"Na Ouvidoria, qualquer cidadão pode apresentar sua reclamação quando considerar que não foi devidamente atendido pelos canais habituais da Companhia.
A Ouvidoria, no entanto, não pode nem deve substituir canais primários de comunicação já existentes, tais como o teleatendimento, as agências ou mesmo o furgão, este, especificamente no caso da revisão e conversão.
O direcionamento de problemas, reclamações, opiniões e sugestões através do Ouvidor visa garantir a expressão dos direitos do cidadão, fortalecendo-o, enquanto destinatário de bens e serviços prestados. É esse nosso objetivo."
Pois bem, cá estou eu, mais uma vez, expressando meus direitos de cidadã. Não consigo entender como uma vistoria que deveria ser realizada amanhã (31/01), de repente foi para análise e, diz-me a atentedente, só será efetuado contato comigo após 3 dias úteis, ou seja, depois do carnaval. Não considero que estou sendo ou tenha sido bem atendida pelos canais primários, nem por esta ouvidoria que já recebeu um e-mail meu no dia de hoje. De qualquer forma, como já são longas 7 horas de insatisfação, estresse mental e gastos telefônicos (que a CEG certamente não vai cobrir), resolvi, mais uma vez expor minha situação e o andamento do descaso de vocês, que me negam a prestação de um serviço essencial ao qual eu sei que tenho direito de usufruir.
De novo:
Meu nome é Renata Roxo XXXXXXXXX
Meu CPF é XXXXXXXXXXXXX
Meu número de cliente não me foi informado até o corrente momento, mas, de qualquer forma, eu não consigo virar cliente da CEG, então tudo bem.
E meus telefones de contato são (21) XXXXXXX/ XXXXXXXX.
Já desistindo de obter alguma solução, atenção ou tratamento digno,
Renata.”

Às 17h30min tive um ataque de choro no telefone.
Às 18h55min eu só conseguia gemer e minha sinusite ameaça destroçar meu belo rostinho as we know it.

“Ah, mas é assim mesmo...”.


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Eu pensei – olha, pensei mesmo - nos meus amigos que trabalham com telemarketing. Visualizei toda a seção de atendimento, no intervalo do café, conversando sobre “a maluca que está ligando pra cá aos berros desde manhã”; em como eu, certamente, viraria um causo de trabalho.

Teve uma mocinha que me disse que entendia minha insatisfação – o que é absolutamente irritante quando você está do lado de cá e ela do lado de lá, porque, certamente ela só entende essa insatisfação quando está também do lado de cá.

Pensei cá comigo que só Deus saberia o tamanho da minha insatisfação, mas cheguei à conclusão que nem Deus sabe uma coisa dessas já que lá onde ele mora eu duvideodó que exista a Fabulosa Companhia de Gás e Ele tenha problemas deste tipo, até chegar também à conclusão que a invenção da tal Companhia é uma espécie de penitência em vida que a pessoa é obrigada a experimentar a fim de poder usufruir de prazeres mundanos como banhos quentes no inverno e comida quentinha saída do forno sem que seja preciso fazer uma fogueira.

Imaginei como seria a vida vivendo à base daqueles fogareiros medonhos de camping...

"Ah, mas é assim mesmo..."

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Hoje, de manhã, lá fui eu de novo.
Em mais uma ligação malcriada e num tom de voz nada educado, esbravejei minha insatisfação ao bairro inteiro, registrei e anotei o protocolo de outra reclamação. Tenho tantos números de protocolo que faria inveja a qualquer burocrata safado.
Exigi que resolvessem meu problema ou chamaria um advogado – ameaça em que nem eu acreditei, diga-se de passagem.
Fui resolver a minha vida.
Quando voltei, fui surpreendida por um telefonema da Empresa Prestadora de Serviços me pedindo, por favor, para agendar para amanhã a visita do rapaz no horário da tarde!!! Até horário, cara!!!
Logo depois, recebi um e-mail me dizendo que o outro técnico deve visitar minha futura residência também amanhã, mas dessa vez sem horário.
Respondi que ficava muito feliz, agradecida e esperançosa, mas muito infeliz ao perceber que as coisas só funcionavam quando alguém esperneava.
A expectativa é grande e lá vou eu madrugar pra esperar o pobre trabalhador da Fabulosa Companhia de Gás.

Mas,
“Ah, é assim mesmo...”

E nêgo só me avisa isso agora...

sexta-feira, janeiro 18

Momento

(Ontem, no consultório do pediatra da minha filha.)

"- E ela está respirando bem?
- Ai, eu não sei nem se ela respira! Ela fala sem parar o dia inteiro!"

Ele morreu de rir.
Eu estava falando sério.

Eu tenho sorte.
(Apesar de não me sentir muito sortuda nos últimos dois dias.)

Sol na casa 11, lua na casa 4

"No período que vai de 18/01 a 20/01, o Sol se encontrará na Casa 11 e a Lua na Casa 4 do seu mapa, Renata. Seu sentimento de bem-estar emocional estará associado aos seus amigos queridos, mas de uma forma mais introspectiva: bom momento para selecionar quem é mesmo seu amigo, passar uma peneira fina! Este é um momento particularmente propício para fazer reuniões em casa com as pessoas mais queridas, ou mesmo visitar amigos-irmãos. "

quarta-feira, janeiro 16

Um Quase Manifesto Feminista

(Antes de mais nada, gostaria de esclarecer para os devidos fins que: duas ou três coisas nesse texto são puramente hipotéticas, fantasiosas e não condizem com a realidade e que não era isso que eu tinha pensado em escrever ontem. Obrigada.)

Homens.
Homens adoram alardear que as mulheres reclamam demais. Que “nós mulheres” (uma das aspas que eu mais odeio no vocabulário testoterônico) passamos a vida batalhando por direitos iguais, iguais condições, igual isso e igual aquilo, mas, que na hora de arcar com as conseqüências, “nós mulheres” não sabemos segurar a barra.

Eu conheço um cara que uma vez veio me dizer que tinha a impressão de que as mulheres, após a maternidade, ficavam todas meio loucas e descompensadas. Eu concordei. Realmente, meu nível de loucura em escala subiu de forma alarmante – mas, até esta data corrente, entre mortos e feridos, estamos todos a salvo e eu não fui morar ainda em Doutor Eiras.

Uma coisa complementa a outra.

“Nós mulheres” lutamos por igualdade, sim. Pela queda de barreiras, preconceitos, essa coisa toda de acharem que a gente vai chorar toda hora, não tem neurônios, não tem desejos.

Fato: homem nenhum iria agüentar parir uma criança. Todos os homens que eu conheço, TODOS, ao menor sinal de gripe já ficam manhosos, leitosos, chatos e inúteis; enquanto “nós mulheres” não podemos, na maior parte das vezes, nos dar ao luxo de pensar em passar um dia inteiro enterradas na cama. Eu mesma, a Rainha da Somatisação, estou amargando há um mês uma gripe que não me abandona. Olhei na agenda um dia e disse “tenho que segurar a onda porque eu só tenho tempo livre na terça-feira da semana que vem e só então eu vou poder ficar doente”. Agüentei, esperei, caí doente na dita terça-feira e na quarta já estava de volta aos meus afazeres. Homem nenhum faz isso. Imagina passar pela chatice de noves meses de gravidez, o pré-parto, o parto e pós-parto... Não é à toa.
É preciso ser muito mulher fisicamente pra parir uma criança.

O voto era negado porque, mulher votar?! Mulher não pensa, não sabe dessa coisa de política, não tem neurônio. Quer assustar um cara? De verdade? Fazer ele correr bem rápido e pra bem longe? Diz que já leu Kant, melhor, diz que já leu! Que seu programa preferido é ler! Corrija ele quando ele estiver fazendo alguma coisa no computador, mostre que você é melhor que ele nisso, dê uma surra nele no joguinho preferido de Playstation dele! Discuta filosofia, religião! Mas, desculpe, estudar é preciso. Ler é preciso. Previne morte neuronal, imbecilidade, ignorância dentre uma série de outors males à civilidade assim como eu concebo.

“Nós mulheres” queimamos sutiãs em praça pública, mas morremos de vergonha de andar com os peitos caídos por aí e somos discriminadas abertamente se a força das circunstâncias nos leva a ser usuária do famoso sexo casual. Um cara pode viver tranquilamente levando putas pra casa para satisfazer suas necessidades fisiológicas, mas se uma mulher faz algo do gênero vira logo a “vagabunda” do prédio e, muito provavelmente, vai encontrar o vizinho do 303 batendo na porta oferecendo os serviços dele de graça.

“Nós mulheres” batalhamos muito por direitos iguais, mas temos uma penca de obrigações que são vistas como exclusivamente femininas. É uma obrigação cuidar da estética. O básico pelo menos. Cabelos, unhas, perninhas raspadinhas. O que custa tempo (e dinheiro). E ai de nós se não! Já os homens passam uns dois meses sem cortar as unhas dos pés ou limpar as orelhas e a gente enfia a língua lá dentro sem reclamar numa boa.

Se uma mulher resolve passar uns dois dias na cama doente, quando sair, vai encontrar a filha descalça, de calcinha, almoçando biscoito de chocolate depois de ir para o colégio com um pé de sapato de cada cor meleca no nariz, sem agenda assinada; o marido vai sair com a camisa desgrenhada porque ou não sabe passar roupa ou passa mal – porque isso é tarefa de mulher. Se o marido precisar ir ao mercado nesse meio tempo, pode esquecer as coisas realmente necessárias à casa, ele vai trazer supérfluo atrás de supérfluo. Vassoura? A casa vai estar com bolotas de poeira pelos cantos, a louça vai ter procriado na pia numa dimensão quase arquitetônica e as roupas usadas vão estar emboladas em algum canto obscuro, se não estiverem espalhadas por todos eles. Se “nós mulheres” não fizermos, ninguém mais vai fazer.

E trabalho? Não importa o quão boa seja uma mulher naquilo que ela faz, o quanto ela trabalhe; o pagamento por isso e o reconhecimento jamais serão os mesmos de um homem realmente bom naquilo que faz.

Então dizer pra mim, que uma mulher que estuda, trabalha, cuida de uma casa, dos filhos, que tem uma vida social e que ainda tem que estar gostosinha pro maridão, namorado, companheiro ou o caralho que o seja, não arca com as conseqüências do que buscou; não segura a bara; ou é uma doida descompensada é uma tremenda sacanagem, não é, não?

Muita coisa se conseguiu, muita coisa mudou, mas hoje, a mulher tem muito mais coisas para administrar – e é cobrada para que administre bem – então, é óbvio que em algum momento essa mulher vai dar uma pifada, uma enlouquecida, uma descompensada. É um direito dela!

É de direito que “nós mulheres” possamos gozar da TPM em toda a sua plenitude e tentar atirar qualquer pessoa que chegue perto pela janela.
É de direito que “nós mulheres” possamos sair com as amigas de vez em quando para encher a cara e dançar Britney Spears numa boate.
É de direito que “nós mulheres” possamos dar um ataque de ciúmes ou carência sem que isso seja visto como sinal de fraqueza.

Direitos iguais o cacete!
A gente fala em direitos iguais quando eu conhecer um homem que faça tudo o que eu faço e depois ouça que “você não faz nada mesmo” e consiga não perder a linha depois disso.
...Eu tinha uma coisa pra escrever, mas as horas passaram, o dia passou e eu perdi a linha do pensamento. Já tinha "escrito" dentro da minha cabeça todo o inicinho da coisa. Estava fantástico. Agora já nem lembro qual era o assunto - o que o torna ou de pouca relevância ou a minha pessoa numa pessoa senil.
Terceira vez que isso acontece.
Depois nêgo não quer que eu me sinta uma anciã aos 30 anos, ou que diga que os radicais livres estão comendo soltos...

domingo, janeiro 13

Das coisas que a gente nunca pensa

Ontem eu estava aqui em casa reclamando que com "o calor senegalês que anda fazendo" eu não estava conseguindo nem pensar em ir para a rua - para desgosto da minha jovem filha - quando a minha mãe bem observou:
- Eu queria era saber se lá no Senegal eles dizem que está fazendo um "calor brasileiro"...

E não é...?

Sobre a Idade... (De novo) (Ainda)

(Ando meio aficcionada.)

O Grande Lance é você descobrir como você vai ser quando ficar velho.
É mole. Aprendi bem antes de ficar grávida, quando via aquelas mães cheias de sacolas, com crianças penduradas debaixo do braço e achava o máximo da falta de glamour. Não deu outra: fiquei igual, se não pior.

Aí eu fico vendo a minha mãe, que está chegando aos 60 e diz que agora pode fazer o escândalo que ela quiser no mercado porque ninguém vai prestar atenção numa velha louca, e que isso é libertador.

Aí, outro dia eu estava num ponto de ônibus. Devia ser o Dia Oficial de Cuidar das Dorzinhas de velhinhas no Rocha Maia porque eu nunca tinha visto aquele ponto de ônibus tão lotado numa manhã de sábado. Enfim, na primeira leva chegou uma velhinha daquelas que usa guarda-chuva de oncinha, que imediatamente abordou um pobre de um rapaz que com certeza estava indo pro trabalho e começou a fazer um discurso anti-tabagista daqueles que começam a me dar coceira no pulmão - como todo tabagista que se preze, diga-se de passagem. No meio do "eu fumava não sei quantos cigarros por dia", chega um casalzinho, daqueles que vivem a vida toda juntos, sabe? Ele, com um tapa olho, ela, conduzindo ele e... fumando um cigarro! Eis que a primeira senhorinha se vira pra outra e diz: "Á, lá! Outra fumando! Larga isso, minha filha, que faz mal!". Tipo uns três minutos depois, quando o casalzinho já estava do meu lado eu ouço o senhorzinho esbravejando do meu lado: "Ela disse isso??? Quem é ela? Ela te conhece? Que intimidade ela tem com você com você para dizer isso? É ela que paga o seu cigarro?". Revolta profunda. Eu estava só me divertindo e quase acendendo um cigarro também pra pôr mais lenha na fogueira quando o ônibus chegou e eu fiquei sem saber pra sempre se o senhorzinho de tapa-olho sentou o cacete na senhorinha do guarda-chuva de oncinha.

O lance é: guarda-chuva de oncinha é cafona, mas eu só não uso desde já porque ainda não comprei, não consegui romper esta barreira minha comigo, mas aceito de presente de bom grado e, certamente, quando chegar à idade dela, vou usar.
Hoje, acho de um tremendo mau gosto se meter na conversa e na vida alheias sem ser convidada (excetuando-se quando a conversa é entre pessoas conhecidas, claro), mas, vai saber... Minha filha vai crescer, vai sair de casa e ter a casa dela, vai cagar apara aa velha mãe, que vai ter que se ocupar dos vizinhos e de se meter na vida alheia, certamente.

De repente, cada vez que eu me deparo com algum tributo medonho à cafonice e ao mau gosto - e isso me incomoda - passei a pressentir que o meu futuro, que a minha velhice, será de um negrume sem igual. Eu já tenho um pé na coisa. Com 20 anos era muito hype ser cafona, dos 30 aos 40, predomina o cafona de luxo; mas depois dos 50 a tendência é ladeira abaixo.

Tem meses que eu ando com uma vontade quase incontrolável de comprar um argolão com contas coloridas penduradas, bem estilo "Caixa do Mundial" (estereotipando e sendo preconceituosa, sim), mas aos 30 isso ainda é controlável. Se eu tivesse 50 provavelmente já tinha comprado uns 3 pares.
E andaria de lenço com bobs na rua.
E tamanco 7 de salto de madeira.

Vai me dizer que a velhice não é assustadora?
Vai me dizer que eu não tenho motivos para me preocupar?

sábado, janeiro 12

2008

...E já fazem 12 dias que O Ano Novo começou.
Ao mesmo tempo, parece que tem muito mais que 12 dias.

É senso comum pela Cidade do Rio de Janeiro, que o ano só começa "de verdade" depois do carnaval - este, por sua vez, já se aproxima a passos tão largos que eu fico um pouco assustada quando ando na rua e começo a começar a perceber as fantasias penduradas nas portas das lojas - além do mais, teoricamente, é tempo de férias.

Mas, isso, colega, é na casa dos outros. Na minha e nas casas das pessoas do meu círculo de amizades, tudo isso é ba-le-la. A gente nunca correu tanto.

Esse ano não tem viagem de férias; também não tem colônia de férias, que ela bem já pode, mas quem não pode pagar sou eu, que cada vez que piso na casa nova gasto uma fortuna com pequenos detalhes dispensáveis, absolutamente indispensáveis.

A mudança vai a passos pequenos. Perdi meu único ajudante (ainda que por uma boa causa) e descobri que o Maior Mistério da Humanidade pra mim, no momento, é: Como as Pessoas Conseguem se Mudar e Eu não???
Porque eu não consigo terminar!
Tudo bem que eu fui entrar numas de pintar a casa inteira, encorajada por aquelas comédias românticas xexelentas de hollywood e alguns amigos intrépidos, por assim dizer. Tudo bem que existem lugares que eu, de fato, não alcanço e preciso de ajuda - além de tudo, esta casa está fazendo maravilhas com a minha auto estima: nunca na minha vida me senti uma pessoa tão baixa. (Sem trocadilho.) Tudo bem que eu estou com a filha em casa de férias, que foi proibida pelo pediatra de ir me acompanhar às seções de pintura, o que me deixa dependendo de quem e quando alguém pode ficar com ela pra mim.
Aprendi a minha lição.
Da próxima vez, vou contratar peões. Dois de uma vez. Não! Quatro!
E vou ganhar bastante dinheiro processando os estúdios de hollywood pra poder pagar a colônia de férias.

Na verdade, eu acho que deveria fazer parte de alguma aula no colégio isso. "Como se Mudar em 10 lições". "Como conseguir ajeitar uma casa". "Como usar o faça-você-mesmo e sobreviver".

Pra mim, é um Mistério.
Cada vez que eu paro e penso, vejo que tem mais coisa pra ajeitar antes de ir.
Mistério...

Então eu me dedico a isso. Da melhor maneira que posso e quando posso.
Afora isso, ainda existe uma criança de férias em casa.
Uma criança que quase me fez empacotar de desgosto pessoal comigo mesma (é pra ficar bem claro) quando acordou um dia semana passada e me perguntou: "Mãe, pra casa de quem que eu vou hoje?"; mas, que, mesmo assim, hoje, com o sol senegalês que fez, foi absolutamente incapaz de me tirar de casa, coisa que, a esta altura, já está me fazendo retorcer de culpa e deverá ser muito bem recompensada amanhã, se eu bem me conheço.
E haja criatividade para os dias em que eu tento compensar!

Afora isso, um namorado lindo que merece um monte de atenção, um jeito, uma brecha, qualquer coisa.

Afora isso, eu, né?
Eu que fiquei a Mais Esquecida no meio dessa história toda.
A sobrancelha está uma coisa de medonha, mas não tem me sobrado nem ouro, nem tempo para dar um jeito nela; as unhas, cobertas de esmalte de parede e nem adiantam ser pintadas porque eu ainda preciso pintar mais; os cabelos: grisalhos -ainda não decidi o que vou fazer com eles.
Ou seja, em Estado de Calamidade Pública.

Resolvi me dar de presente essa semana uma saída com os amigos.
Claro está, que o Universo está conspirando e três dos que eu mais queria ver não apareceram, mas tudo bem. Eu precisava ver gente, precisava encher a cara, precisava dançar.
Fiz tudo isso e...

...E aí a idade é uma merda.
Você se pega conversando com a filha do seu namorado dizendo que "ela ainda é novinha", resolve dar trepadas violentas e depois precisa tomar uma dúzia de comprimidos porque ficou com uma dor escrota na coluna, e; sai de noite, e em vez de relaxar, cair de beber e chegar em casa com o dia nascendo, como quando você tinha 15 anos, resolve olhar no relógio sem parar e chega à conclusão de que a hora tal já é tarde demais e você precisa ir porque tem que levar sua filha ao médico na manhã seguinte - coisa que você faz, com o maior bafo de cerveja de ontem, mas cheia da responsabilidade - e ainda passa um dia inteiro amargando uma ressaca violenta por 6 horas de saída.
A idade me trouxe uma certa (eu disse "uma certa", hein) sabedoria, me deixou mais bonita (salvo esta semana), está me dando coisas e prazeres supimpas, mas também é a Mestra em estragar toda a diversão da coisa, viu?

E, em dias como hoje, eu fico meio saudosa daquela idéia de uma viagem de férias pro Caribe, que tem anos que não é Caribe, é Araruama; e este ano nem isso vai ser.

2008, hein...
Começou.
Assim, entende?
Simplesmente começou.

segunda-feira, dezembro 31

....Brother, eu ODEIO fim de ano...

Esse ano, estava cá eu, toda feliz da minha vida.
Esse ano, nosso amigo Grinch tirou férias.
Do quê exatamente podia eu reclamar quando habemos casa nova, habemos uma filha linda, habemos namorado novo, habemos os melhores amigos do mundo e habemos uma parcela bastante razoável de livros novos no estoque?
Materialmente, puta que pariu, devia eu erguer estas mãozinhas tortinhas que Deus me deu aos céu e agradecer!
A bem da verdade, nas duas últimas semanas antes do Natal, muitas vezes, o que me consolava enquanto Ser Humano era pensar "Eu vou ganhar o livro do Umberto Eco. Eu vou ganhar o livro LINDO do Umberto Eco" - "História da feiúra", para aqueles que não lêem jornal ou livro ou... foda-se.

Tudo bem que eu queria MUITO matar o filho da puta que disse que se mudar É mole. E também todo mundo que anda me enchendo o saco porque eu não mudei ainda - geralmente é alguém sem filhos que não entende a necessidade de organização na vida de uma criança, sorry fugitivo. E também todo mundo que diz que a culpa é única e exclusivamente minha porque fui eu que inventei de pintar o latifúndio sem a menor necessidade ou desprendimento material suficiente para pagar um cabra profissional para fazer isso por mim.
Mudar não é nada mole.
Cada vez que eu piso naquela casa - na Minha Casa - eu descubro uma coisa nova para ajeitar ou percebo o quanto de tempo eu ainda vou precisar para deixar ela habitável ou penso que não vou terminar nunca tudo que eu preciso fazer.
Eu não posso - repito - NÃO POSSO tacar uma merda dum colchão no chão, ir pra lá e ir arrumando as coisas aos poucos. Claro está que nada vai estar terminado tão cedo, que eu vou passar pelo esquema mambembe de primeira casa reciclagem de móvel etc,etc,etc, mas eu tenho uma criança que precisa de um mínimo de organização espacial na vida para que não se transforme fatalmente numa grandecíssima psicopata.
Minha agonia inicial era não saber para onde eu ia; agora a coisa é saber para onde, mas não conseguir ir.
Tudo bem que eu estou deixando a casa toda colorida e feliz e bonita (e borrada porque a gente não é tão bom de pincel assim) do jeito que eu imaginei, mas tudo anda a passos muito mais lentos do que imaginava do que fossem andar, uma vez que o tempo é escasso, luxo e subdividido, muito subdividido... Tudo bem que eu ando planejando, compando e construindo coisas lindas que a maioria não pode; que eu tenho - de fato - coisas lindas e belas melhores até do que eu sonhei.
Mas, sabe lá você, a agonia que é adiar toda a semana aquilo que você mais quer e que está ali, logo ali, te esperando? Choro semanlamente de frustração, mas resolvi que, por esta, não poderia reclamar. Deveria mais agradecer. E agradeço.

E meus amigos, meus belos amigos? Puxa, vida, eu tenho os melhores! Ando até meio envergonhada ultimamente de mancadas passadas que eu dei com eles e que precisei de tempo para perceber. Ando com saudades de muitos deles, por mais que eu fale com eles ou os veja ocasionalmente.

Minha filha.
Cada dia mais linda, cada dia mais geniosa, cada dia mais "adolescente", mais menina, menos bebê. A Melhor Coisa Que Eu Já Fiz Na Minha Vida. Que todo dia me inventa uma história nova, que é tão amada por todos e me enche tanto de orgulho, sempre.

Namorado novo.
A maior supresa do meu ano todo.
A história mais clichê barato de filme.
O que eu menos esperava, no momento menos propício e desejado, mas que me pegou de um jeito que hoje é difícil separar - viver sem.
Um homem lindo. Lindo.

Todos os livros que eu pedi.
Ali. Debaixo da árvore, esperando que eu os leia, os descubra, saiba deles e passe noites e noites com eles, sobre eles.

Com tudo isso, existe algo para uma garota reclamar?
Não!

Foi o primeiro Natal em muitos anos em que eu cheguei - definitvamente - ao Natal, sem desejos homicidas ou aquele mau humor canino que me assalta todo mês de dezembro.
Mas eis que chega A Noite de Natal.

O dia tinha sido lindo.
Almoço com o namorado, as filhas de ambos, tudo no maior amor...
No fim da tarde, filha e mãe estavam num humor canino assassino homicida de natal - o que não ajuda que o meu não fique.
Após uma arrumação conturabada para a saída para a ceia, pegamos um taxi com um cara que fedia, mas fedia que era uma coisa incrível, e ainda ouvia no rádio uma missa "daquelas". Na Lagoa, o taxi quebrou. Uma coisa bastante propícia, em se levando em conta as duas mal humoradas, as oitenta sacolas de comida, presentes e afins e o poste que resolveu apagar também na mesma hora.
Na primeira garfada da ceia, minha mãe se engasgou com uma espinha e logo depois saiu para uma ronda pelos hospitais do Rio de Janeiro. Enquanto o Mundo ceiava e dava presentes e confraternizava, eu estava abraçada com um celular para saber aonde ela estava, como estava e se o problema havia sido resolvido. Foi. E a nossa ceia acabou acontecendo, mas o prólogo naõ foi bom.

Depois de cinco anos "sozinha" é difícil mesmo se adaptar à outra pessoa na vida. Um amigo me disse que nós estamos na fase da negociação de regras e limites. Concordo. Eu ando tentando real hard não cometer os mesmo erros do passado, mostrar que eu cresci, que eu aprendi, que eu posso e quero ser uma Mulher muito melhor - caramba! Como é difícil! Obviamente, acabo repetindo alguns vícios. Meus. Mas, no Natal, especificamente, o namorado também resolveu usar um bocado do saldo do cartão de vacilo.

Mesmo eu não querendo, não devendo, acabou sendo um Natal Infernal. Um Natal em que eu tive materialmente tudo o que eu quis, mas com flhas seríssimas emocionalmente falando. Foi impossível não detestar o Natal esse ano.
De novo.

E, mal passa o Natal, vem o Ano Novo. Mais uma semana atribulada, de estresses, de afazeres... Por mais que sejam "só duas datas", não são só duas datas. Eu não conheço um único ser humano que fique realmente alheio a elas; que não planeje ou participe ou se cobre ou se preocupe com o Natal - seja lá qual a desculpa; ou consiga passar a noite do dia 31 sem sequer olhar a Globo para saber como está a praia de Copacabana ou a costa da Tailândia. Não conheço.

E eu sou um ser humano.

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Eu sucumbo.
A datas.
A propagandas.
A horas de espera.
A telefonemas.
A cartas.
Sou praticamente uma pessoa imbecil; porque eu acredito nas pessoas e as levo a sério. Sempre.


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Nem tudo eu odiei.
"Across the universe" me fez voltar a ouvir Beatles.
Mesmo que eu nunca tenha sido Beatlemaníaca - e, sim, amiga deles - redescobri as letras, as músicas e tenho ouvido sem parar.

O livro do Eco foi uma paixão a primeira vista que eu ganhei com muita felicidade, mas que vou guardar para ler na casa nova. É um livro tão lindo que deve ser lido indoors, somente indoors.

E o desencanto, não?
Voltar a ler e escrever é tudo!
Tudo!

Pra mim.

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3 da manhã.
Eu cozinho uma sopa wicca de ano novo, ouço música, penso quando vou poder ir à praia jogar palmas para Iemanjá, escrevo, penso na hora do salão, derreto de calor...
Pena que me resta tão pouco tempo pro fim do ano...
E que no ano que vem, também ele não será tão vasto...

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Ainda assim...
Todo fim de ano eu gosto de ler esse poema.

Minha persona adolescente assina embaixo: "super tudo a ver".

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A passagem do ano

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olhar e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras expreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles...e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasta renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Carlos Drummond de Andrade

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Tchau 2007

sexta-feira, dezembro 21

Ser mãe não é a morte

No início vai parecer que sim.
Adeus, noites de baladas frenéticas! Adeus, fechar todos os botecos! Adeus, namoricos fugazes! Adeus, noites de fofoca com as amigas! Adeus! Adeus!
Você vai pensar que, por sorte, aproveitou bem a vida, namorou bastante e foi à quase todas as festas que queria, ou, que não aproveitou nada, namorou pouco e deveria ter saído mais.
E, por um tempo, realmente, seu filho vai exigir demais do seu tempo, sua conversa vai girar entre cocôs, babas e outras coisas nojentas, assustadoras e nada interessantes aos seus amigos sem filhos (ou com filhos já crescidos) de forma geral.
Fisicamente também. Não vai existir tempo de se depilar, pintar os cabelos ou as unhas, por mais vaidosa que você seja. Você vai regredir à condição de primata – com direito a macaquinho pendurado e tudo!
Mas o tempo vai passar.
De todas as coisas que a sua mãe te disse, omitiu ou enfeitou; essa talvez seja a verdade mais absoluta de todas: o tempo passa. E rápido.
Em pouco tempo, você vai poder voltar a ver filmes que não incluam personagens da Disney ou dinossauros roxos. Vai poder (tentar) confiar em uma terceira pessoa para cuidar do seu lindo rebento e tomar um chopp com os amigos, saber das fofocas sobre as pessoas que você não sabe mais nem quem são. Vai poder se meter a sair para dançar e descobrir que você não conhece mais ninguém “na noite”, nem as músicas que os seus djs preferidos (agora meio grisalhos – ou eles já eram assim?) tocam. Vai poder a ler não só os livros novos dos seus autores preferidos (que, a essa altura, já lançaram mais uns três livros inéditos, olha que maravilha!), como descobrir novos autores. Vai poder voltar a freqüentar o salão de beleza e descobrir que agora existe um novo tratamento para os seus cabelos a base de placenta de cabra alpina ou um esmalte à prova de acetona que são uma maravilha. Vai poder voltar a comprar roupas que estejam de fato na moda para você.
Também vai descobrir que aquele terror que você tinha de ser amiga das mães da pracinha é real. Você vai ser amiga das mães da pracinha; e, muitas vezes, vai levar o seu filho para passear porque quer encontrar a mãe da criança – não a criança. Vai descobrir que colégio é a melhor invenção do mundo, porque a sua criatividade nunca vai dar conta de tudo que eles podem e devem aprender e você vai poder respirar e ter uma vida adulta com adultos que falam “adultês” nesse meio tempo. Vai descobrir que trabalhar, produzir e estudar são coisas essenciais à sanidade humana e fazem muito, muito bem. Vai descobrir que vai preferir, em muitas sextas-feiras à noite, ficar em casa vendo o último dvd da Barbie com o seu filho que sair para a farra e acordar com uma ressaca sinistra que vai fazer você se arrepender de ter nascido. Vai descobrir que tudo que o seu filho faz é mesmo uma maravilha – até as pirraças – e que a companhia dele é melhor que a de muita gente que você conhece.
Vai descobrir que é possível, sim, coexistir como mulher e pessoa com o mito que você tem na sua cabeça sobre a maternidade – e ser uma boa mãe.
Duas coisas, para finalizar. Lembre-se sempre que a sua mãe e a sua avó e a sua bisavó, todas, passaram pela maternidade e sobreviveram, logo, você também vai. Depois, ser mãe não é a morte; é o início da sua nova vida. E ela é boa.

(Texto escrito para o meu projeto final de Projeto Editorial - Outubro/2007)
Negligente!
Negligente!
Sua mulherzinha negligente!
Deixando os livros de lado, seus textos de lado, só porque está de mudança, arrumou namorado e cria uma filha sozinha... Pfffffff!!!

sexta-feira, novembro 2

...E sabe aquela piada...

...Da mulher que fica falando: "Bege... Bege... Vou pintar o teto de bege..."?
Se eu contar que não é piada, que eu estou assim na "vida real", vocês vão acreditar?

...E, em pleno feriado de sol escaldante...

...Estou eu aqui sentadinha como uma boa nerd fazendo trabalho de faculdade.

(Sim, tanto rezei, tanto pedi, o ebó foi tão forte, que o Rio de Janeiro está com pinta de Saara. O ar está abafado, quente e você tem que andar na rua se submetendo aos odores alheios, como se não já bastassem os seus para lembrar o quanto você é humana e nada fina.)

Projetos com tema livre - o temido e inefável tema livre - acabam saindo com a personalidade e conforme o gosto de quem os faz. Assim sendo, estou cá eu trabalhando no meu projetinho fictício sobre uma mostra de filmes de horror, fazendo as minhas pesquisas para a minha grade fictícia de atrações, quando descubro que o Rio de Janeioro vai ter um festival desses ano que vem!!!
Não é supimpa?
Descobri que Porto Alegre já tem um desses há 3 anos!!!
Não é supimpa?

No fundo, no fundo, fiquei é morta de inveja de alguém já ter tido essa idéia antes e deu não ter ficado sabendo antes... Hehehehehe

De qualquer jeito, já tenho um programa imperdível para o ano que vem! :D

Ufa!

Eu (e quem lê) já devia ter me acostumado.
Eu esperneio, chilico, choro, desespero, mas no fim dá tudo certo.
A festa foi ótima!
Linda, feliz, cheia de gente querida!
Minha filha estava o que há de felicidade, logo, eu também fiquei.

Outros perrengues estão em vista de serem resolvidos.
Vou poder descansar!