E então você passa um bom tempo sonhando com alguma coisa.
Estabelecendo padrões, definindo o que voce quer, acendendo velas pra Santo Antônio - eu não roubo mais o menino ou afogo a imagem depois que me chamaram a atenção de que o Santo até manda alguém depois, mas alguém horrível, só vingança.
E começa a procurar.
No meio do caminho, tropeça em vários pessoas que não são o que voce espera; até que um dia, tropeça no cara que você esperava.
O que acontece depois não fica bem definido, porque voce não sabe direito se é porque ele te dá a atenção que voce queria, se é porque ele tem vontade de verdade de estar perto de voce, mas a coisa acaba não acontecendo como voce esperava que acontecesse.
Perde noites em claro pensando na surrealidade da situação.
Sem querer acaba machucando alguém.
E termina com um sentimento mau dentro do peito.
E frases más no celular.
Os dias vão passar.
E voce vai voltar ao Santo, vai voltar a treinar dormir no meio da cama sozinha; daqui a pouco vai voltar a procurar - mesmo achando que as chances de um acerto diminuem a cada dia.
Não sem um pouco de tristeza.
Não sem xingar um pouco o Tio Segmundo.
E continuar sobrevivendo.
"Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma." George R.R. Martin
sábado, setembro 26
terça-feira, setembro 22
Duas Datas, Um Ano.
Em 2008.
19 de setembro foi sexta.
19 de setembro foi a segunda vez na minha vida que eu botei um homem pra fora de casa.
A bebedeira, que seguia sem grandes novidades, descambou pruma discussão - que começou no meio da rua, testemunhada por olhares tão ébrios quanto os das pessoas que gritavam entre si, e foi acabar num quarto. Pra sempre.
Não só o homem e as coisas que eu consegui pegar e enfiar dentro de uma sacola de mercado (camisetas, cuecas, bermudas) enquanto gritos se misturavam com lágrimas.
Quando eu fechei (bati) aquela porta - a minha porta - muito mais coisa foi junto com aquele homem.
Naquela madrugada, um Amigo me consolou, me abraçou, ouviu, bebeu comigo e ficou todo ensopado de lágrimas.
Um Amigo que, há anos, faz dessas de atender telefone no meio da madrugada e vir correndo me socorrer, mas que também não faz só isso - a gente também ri muito há muitos anos.
Eu fui dormir bem mais calma, mas com uma dor que quase não cabia dentro do peito.
Em 2009.
19 de setembro foi sábado.
Guardei bem os dias da semana e a data porque uma Amiga faz aniversário dia 20; e, no dia 20 do ano passado ela havia dançado no dia do próprio aniversário, e as danças só acontecem aos sábados.
Neste ano eu também fui ver Amigas dançarem.
Duas outras Amigas.
Não era aniversário de nenhuma delas, mas, nos últimos anos, essas duas Amigas saíram das almofadinhas que ficam no chão para a mesa dos adultos dentro do meu coração.
No caminho, dentro de um 569, sem querer olhei pro lado, vi o homem.
Meu coração não bateu como costumava bater, mas ele ainda é uma lembrança ruim.
Ele ainda está no mesmo lugar, com a mesma cara.
Eu ia para o mesmo lugar que havia ido há um ano atrás.
Mas eu não estou mais no mesmo lugar ou tenho a mesma cara.
Em 2008
20 de setembro foi sábado.
Como se eu não tivesse chorado a alma - como só fui chorar apenas uma vez depois e por motivos em nada semelhantes, ainda que ambos digam respeito ao abandono - levantei.
Me banhei, me arrumei, me enfeitei como não fazia há tempos.
E fui ver, pela primeira vez, minha Amiga numa apresentação de dança do ventre.
Uma mesa enorme me esperava, cheia de Amigos e amigos.
Todo mundo muito feliz, comemorando.
Eu, louca para ir embora - observando a felicidade alheia e rindo da desgraça alheia.
Quando a dança acabou e eu achei que já poderia ir sem fazer desfeita ou algo do gênero, voltei pra casa e chorei olhando pruma sandália havaiana, até dormir.
Em 2009
20 de setembro foi domingo.
A Amiga que dançava ano passado hoje amamenta um lindo e robusto bebê faminto. Continua aniversariando, mas hoje não dança mais.
Os Amigos naquela casa, neste dia, sentam todos à Grande Mesa; e a casa me é muito mais familiar e querida do que era no ano que passou.
No dia anterior, a mesa do bar era mesma, mas não eram as pessoas que lá estavam ou sentavam conosco.
Muitas se separaram, algumas encontraram um novo par, novas amizades se formaram, novas crianças nasceram - as pessoas que dançam não são mais as mesmas.
Ainda me espanta a quantidade de coisas e pessoas que podem acontecer no período de um ano. Me espanta a quantidade de pessoas que entram, que vão embora; como há dois meses atrás eu me treinava para aprender a dormir no meio da cama, aceitando a inevitabilidade da solidão; como há apenas um mês atrás, sentia que ocupava muito espaço no mundo à toa e hoje me falta espaço para ocupar tudo o que devo.
Perceber o passar de um ano todo e tudo o que aconteceu neste ano me espanta.
Coroei a passagem com tantos beijos e abraços e Amigos que dentro do meu peito, hoje, não cabe mesmo, nenhuma dor.
19 de setembro foi sexta.
19 de setembro foi a segunda vez na minha vida que eu botei um homem pra fora de casa.
A bebedeira, que seguia sem grandes novidades, descambou pruma discussão - que começou no meio da rua, testemunhada por olhares tão ébrios quanto os das pessoas que gritavam entre si, e foi acabar num quarto. Pra sempre.
Não só o homem e as coisas que eu consegui pegar e enfiar dentro de uma sacola de mercado (camisetas, cuecas, bermudas) enquanto gritos se misturavam com lágrimas.
Quando eu fechei (bati) aquela porta - a minha porta - muito mais coisa foi junto com aquele homem.
Naquela madrugada, um Amigo me consolou, me abraçou, ouviu, bebeu comigo e ficou todo ensopado de lágrimas.
Um Amigo que, há anos, faz dessas de atender telefone no meio da madrugada e vir correndo me socorrer, mas que também não faz só isso - a gente também ri muito há muitos anos.
Eu fui dormir bem mais calma, mas com uma dor que quase não cabia dentro do peito.
Em 2009.
19 de setembro foi sábado.
Guardei bem os dias da semana e a data porque uma Amiga faz aniversário dia 20; e, no dia 20 do ano passado ela havia dançado no dia do próprio aniversário, e as danças só acontecem aos sábados.
Neste ano eu também fui ver Amigas dançarem.
Duas outras Amigas.
Não era aniversário de nenhuma delas, mas, nos últimos anos, essas duas Amigas saíram das almofadinhas que ficam no chão para a mesa dos adultos dentro do meu coração.
No caminho, dentro de um 569, sem querer olhei pro lado, vi o homem.
Meu coração não bateu como costumava bater, mas ele ainda é uma lembrança ruim.
Ele ainda está no mesmo lugar, com a mesma cara.
Eu ia para o mesmo lugar que havia ido há um ano atrás.
Mas eu não estou mais no mesmo lugar ou tenho a mesma cara.
Em 2008
20 de setembro foi sábado.
Como se eu não tivesse chorado a alma - como só fui chorar apenas uma vez depois e por motivos em nada semelhantes, ainda que ambos digam respeito ao abandono - levantei.
Me banhei, me arrumei, me enfeitei como não fazia há tempos.
E fui ver, pela primeira vez, minha Amiga numa apresentação de dança do ventre.
Uma mesa enorme me esperava, cheia de Amigos e amigos.
Todo mundo muito feliz, comemorando.
Eu, louca para ir embora - observando a felicidade alheia e rindo da desgraça alheia.
Quando a dança acabou e eu achei que já poderia ir sem fazer desfeita ou algo do gênero, voltei pra casa e chorei olhando pruma sandália havaiana, até dormir.
Em 2009
20 de setembro foi domingo.
A Amiga que dançava ano passado hoje amamenta um lindo e robusto bebê faminto. Continua aniversariando, mas hoje não dança mais.
Os Amigos naquela casa, neste dia, sentam todos à Grande Mesa; e a casa me é muito mais familiar e querida do que era no ano que passou.
No dia anterior, a mesa do bar era mesma, mas não eram as pessoas que lá estavam ou sentavam conosco.
Muitas se separaram, algumas encontraram um novo par, novas amizades se formaram, novas crianças nasceram - as pessoas que dançam não são mais as mesmas.
Ainda me espanta a quantidade de coisas e pessoas que podem acontecer no período de um ano. Me espanta a quantidade de pessoas que entram, que vão embora; como há dois meses atrás eu me treinava para aprender a dormir no meio da cama, aceitando a inevitabilidade da solidão; como há apenas um mês atrás, sentia que ocupava muito espaço no mundo à toa e hoje me falta espaço para ocupar tudo o que devo.
Perceber o passar de um ano todo e tudo o que aconteceu neste ano me espanta.
Coroei a passagem com tantos beijos e abraços e Amigos que dentro do meu peito, hoje, não cabe mesmo, nenhuma dor.
quarta-feira, setembro 16
Facinha, facinha...
Meu Mundo por uma manicure, uma faxineira e um passaporte pro Festival do Rio.
...Alguém...?
...Alguém...?
quarta-feira, setembro 9
Do You Realize?
De vez em quando eu escuto muita música.
É uma coisa que varia com o humor, com o tempo, com aquelas coisas todas...
E, de vez em quando, quando eu escuto música, eu volto a ouvir coisas que não ouvia há algum tempo...
"Do You Realize - that you have the most beautiful face
Do You Realize - we're floating in space -
Do You Realize - that happiness makes you cry
Do You Realize - that everyone you know someday will die
And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round
Do You Realize - Oh - Oh - Oh
Do You Realize - that everyone you know
Someday will die -
And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round
Do You Realize - that you have the most beautiful face
Do You Realize"
Ouvi.
Prestei atenção na letra.
...E lá veio o revertério!
Do dia para a noite, passei a dizer tanto para as pessoas que eu as amo que uma das amigas reclamou dizendo que nem o namorado dizia tanto isso para ela; tenho ouvido mais música e bem mais alto; não tenho pensado duas vezes antes de chutar os estudos para a monografia para cima para ficar com as pessoas que eu amo (e eu sei que vou pagar caro por isso); faxina eu faço quando eu quero e até tenho tirado fotos sorrindo.
Do dia para a noite, reservei todos os finais de semana para ir a todos os aniversários das pessoas - ultimamente comemorados em lugares onde eu não iria se estivesse no que as pessoas chama de "meu juízo perfeito"; compareci a três chás de bebê e visito religiosamente a amiga que já deu à luz ao seu pequeno moleirabanger; passei a dar presentes para as pessoas com uma determinação furiosa que não me assaltava há anos; arrastei estantes e vou pintar paredes.
Do dia para a noite, por causa de uma música, porque eu me dei conta...
É uma coisa que varia com o humor, com o tempo, com aquelas coisas todas...
E, de vez em quando, quando eu escuto música, eu volto a ouvir coisas que não ouvia há algum tempo...
"Do You Realize - that you have the most beautiful face
Do You Realize - we're floating in space -
Do You Realize - that happiness makes you cry
Do You Realize - that everyone you know someday will die
And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round
Do You Realize - Oh - Oh - Oh
Do You Realize - that everyone you know
Someday will die -
And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round
Do You Realize - that you have the most beautiful face
Do You Realize"
Ouvi.
Prestei atenção na letra.
...E lá veio o revertério!
Do dia para a noite, passei a dizer tanto para as pessoas que eu as amo que uma das amigas reclamou dizendo que nem o namorado dizia tanto isso para ela; tenho ouvido mais música e bem mais alto; não tenho pensado duas vezes antes de chutar os estudos para a monografia para cima para ficar com as pessoas que eu amo (e eu sei que vou pagar caro por isso); faxina eu faço quando eu quero e até tenho tirado fotos sorrindo.
Do dia para a noite, reservei todos os finais de semana para ir a todos os aniversários das pessoas - ultimamente comemorados em lugares onde eu não iria se estivesse no que as pessoas chama de "meu juízo perfeito"; compareci a três chás de bebê e visito religiosamente a amiga que já deu à luz ao seu pequeno moleirabanger; passei a dar presentes para as pessoas com uma determinação furiosa que não me assaltava há anos; arrastei estantes e vou pintar paredes.
Do dia para a noite, por causa de uma música, porque eu me dei conta...
terça-feira, setembro 1
A felicidade de uns...
De vez em quando eu descompenso.
Tem TPM, trabalho de faculdade, telefone que não toca, roupa pra lavar, falta de grana... Eu descompenso.
E quando eu descompenso o mundo fica ruim.
Cada defeito que eu dou ou que a criança dá nesse período é coroado por gritos - pelos quais eu pago o preço caindo em prantos no meu travesseiro quando o cai o silêncio na casa, me achando uma mãe horrenda e malvada.
Mas é quando existem manhãs como a de hoje, que eu vejo que isso acontece com todo mundo.
Às 9:20 da manhã, um vizinho gritava.
Gritava tanto e mais alto do que eu.
Ele estava descompensado.
A gritaria durou algo mais que 20 minutos e eu fui invadida por uma alegria tremenda ao perceber que existem pessoas como eu; que meus vizinhos, que sempre ouvem os meus gritos, também ouvem os próprios gritos; que eles também são gente como eu; e que isso é normal.
Por mais estranho que seja se sentir feliz com o que acontece de ruim com outras pessoas, fez com que eu começasse meu dia bem.
E perfeitamente compensada.
Tem TPM, trabalho de faculdade, telefone que não toca, roupa pra lavar, falta de grana... Eu descompenso.
E quando eu descompenso o mundo fica ruim.
Cada defeito que eu dou ou que a criança dá nesse período é coroado por gritos - pelos quais eu pago o preço caindo em prantos no meu travesseiro quando o cai o silêncio na casa, me achando uma mãe horrenda e malvada.
Mas é quando existem manhãs como a de hoje, que eu vejo que isso acontece com todo mundo.
Às 9:20 da manhã, um vizinho gritava.
Gritava tanto e mais alto do que eu.
Ele estava descompensado.
A gritaria durou algo mais que 20 minutos e eu fui invadida por uma alegria tremenda ao perceber que existem pessoas como eu; que meus vizinhos, que sempre ouvem os meus gritos, também ouvem os próprios gritos; que eles também são gente como eu; e que isso é normal.
Por mais estranho que seja se sentir feliz com o que acontece de ruim com outras pessoas, fez com que eu começasse meu dia bem.
E perfeitamente compensada.
domingo, agosto 30
Harmonizando o dia-a-dia material
Vênus na casa 6
DE: 30/08 (Hoje), 23h38
ATÉ: 23/09 , 22h57
Entre os dias 30/08 (Hoje) e 23/09, você estará passando pelo momento de Vênus na sexta casa do seu mapa, Renata. Como que para compensar a "farra" do ciclo anterior, neste momento você passa a se interessar mais com o andamento das questões cotidianas: o emprego, a saúde, as contas a pagar. A atenção sai subitamente do plano das diversões, e "cai na real", por assim dizer, percebendo que também há prazer em organizar uma vida funcional, resolvendo pendências e deixando o dia-a-dia mais harmonioso e equilibrado.
Esta é uma fase excelente para você aprimorar alguma habilidade sua, Renata. Você estará com uma predisposição maior a lapidar seus talentos, aprendendo a fazer melhor aquilo que já sabe fazer.
Em geral, há neste período um desejo por uma atmosfera harmoniosa no trabalho, e isso favorece as relações com os colegas, caso você trabalhe. Caso não esteja trabalhando no momento, Vênus na Casa 6 sugere um momento em que você sente grande necessidade de ser útil, e isso pode significar você ajudando mais nos afazeres domésticos, ou colaborando com algum amigo na produção de alguma coisa.
No que diz respeito à saúde, esta é uma boa fase, é bem provável que você venha a dar mais atenção à sua alimentação, à qualidade do que você come, aos seus hábitos em geral.
*****************
Por essas e outras eu continuo lendo essas coisas.
E acreditando.
DE: 30/08 (Hoje), 23h38
ATÉ: 23/09 , 22h57
Entre os dias 30/08 (Hoje) e 23/09, você estará passando pelo momento de Vênus na sexta casa do seu mapa, Renata. Como que para compensar a "farra" do ciclo anterior, neste momento você passa a se interessar mais com o andamento das questões cotidianas: o emprego, a saúde, as contas a pagar. A atenção sai subitamente do plano das diversões, e "cai na real", por assim dizer, percebendo que também há prazer em organizar uma vida funcional, resolvendo pendências e deixando o dia-a-dia mais harmonioso e equilibrado.
Esta é uma fase excelente para você aprimorar alguma habilidade sua, Renata. Você estará com uma predisposição maior a lapidar seus talentos, aprendendo a fazer melhor aquilo que já sabe fazer.
Em geral, há neste período um desejo por uma atmosfera harmoniosa no trabalho, e isso favorece as relações com os colegas, caso você trabalhe. Caso não esteja trabalhando no momento, Vênus na Casa 6 sugere um momento em que você sente grande necessidade de ser útil, e isso pode significar você ajudando mais nos afazeres domésticos, ou colaborando com algum amigo na produção de alguma coisa.
No que diz respeito à saúde, esta é uma boa fase, é bem provável que você venha a dar mais atenção à sua alimentação, à qualidade do que você come, aos seus hábitos em geral.
*****************
Por essas e outras eu continuo lendo essas coisas.
E acreditando.
quarta-feira, agosto 26
O problema de agosto
O problema de agosto é que eu virei pisciana.
Sabe aquele papo de que, em alguma hora da sua vida, você vai passar a ser "comandada" pelo seu signo ascendente?
Então.
Comecei a desconfiar quando percebi que a Olívia chegava todos os dias em casa, me pedia biscoito, e eu não ligava. Porque, geralmente, eu faço uma pressão por uma maçãzinha, uma bananinha, alguma coisinha mais saudável e maternal - o que nem tem tanta importância assim, visto que a criança passa o dia no colégio só comendo coisas saudáveis - e eu passei a não fazer.
Depois, meu liquidificador quebrou. Eu preciso do meu liquidificador porque eu gosto demais de chegar em casa e tomar uma sopinha. Mas ele quebrou. E até hoje ele está quebrado.
Então uma das lâmpadas da sala queimou. Bastaria que eu fosse ao mercado e comprasse uma nova. De fato, já fui ao mercado um sem número de vezes desde que ela queimou, mas ela continua lá, queimada.
E aí, nesse tempo todo, passei algumas noites, zapeando em frente à tv, em noites que seriam livres e eu não saí por preguiça de me arrumar, sentada na minha poltrona de balanço, com os pés pra cima, enrolada numa coberta - o verdadeiro retrato da decadência humana e que jamais será visto por alguma outra pessoa que não seja a minha filha, que é uma pessoa que me acha linda não importa meu estado - pensando como seria bom se eu não tivesse que me levantar para ir ao banheiro.
Comecei a ler notícias no jornal que fugiam à minha compreensão - tive que pedir ajuda à minha mãe. Meus textos de semiótica se transformaram em algo próximo ao grego arcaico. Livro, tem mais de uma semana que eu não leio - o que é grave. Resolvi mudar o tema da minha monografia, mas, por enquanto, não tenho nada melhor para apresentar de objetivo do que "preciso me formar" ou justificar além de "eu gosto de livro".
Fiquei lenta.
Desliguei da tomada.
A vida fica mais calma, bonita e menos sofrida, mas tudo isso tá me atrapalhando.
Sabe aquele papo de que, em alguma hora da sua vida, você vai passar a ser "comandada" pelo seu signo ascendente?
Então.
Comecei a desconfiar quando percebi que a Olívia chegava todos os dias em casa, me pedia biscoito, e eu não ligava. Porque, geralmente, eu faço uma pressão por uma maçãzinha, uma bananinha, alguma coisinha mais saudável e maternal - o que nem tem tanta importância assim, visto que a criança passa o dia no colégio só comendo coisas saudáveis - e eu passei a não fazer.
Depois, meu liquidificador quebrou. Eu preciso do meu liquidificador porque eu gosto demais de chegar em casa e tomar uma sopinha. Mas ele quebrou. E até hoje ele está quebrado.
Então uma das lâmpadas da sala queimou. Bastaria que eu fosse ao mercado e comprasse uma nova. De fato, já fui ao mercado um sem número de vezes desde que ela queimou, mas ela continua lá, queimada.
E aí, nesse tempo todo, passei algumas noites, zapeando em frente à tv, em noites que seriam livres e eu não saí por preguiça de me arrumar, sentada na minha poltrona de balanço, com os pés pra cima, enrolada numa coberta - o verdadeiro retrato da decadência humana e que jamais será visto por alguma outra pessoa que não seja a minha filha, que é uma pessoa que me acha linda não importa meu estado - pensando como seria bom se eu não tivesse que me levantar para ir ao banheiro.
Comecei a ler notícias no jornal que fugiam à minha compreensão - tive que pedir ajuda à minha mãe. Meus textos de semiótica se transformaram em algo próximo ao grego arcaico. Livro, tem mais de uma semana que eu não leio - o que é grave. Resolvi mudar o tema da minha monografia, mas, por enquanto, não tenho nada melhor para apresentar de objetivo do que "preciso me formar" ou justificar além de "eu gosto de livro".
Fiquei lenta.
Desliguei da tomada.
A vida fica mais calma, bonita e menos sofrida, mas tudo isso tá me atrapalhando.
Essa noite eu morri
Era noite numa cidade com toques coloniais, meio Paraty (Centro histórico), meio Salvador (Pelourinho). Um grupo grande de amigos, dos quais eu só me lembro de dois, e que um eu não revelo nem sob tortura, havia acabado de sair de algum evento meio sarau, meio cinema, meio show e procurava um bar, algum outro lugar em que pudessem beber e continuar as risadas e alongar a noite que estava muito divertida e agradável.
O lugar escolhido era um casarão, daqueles meio estilosos com móveis coloniais e lustres grandes e brilhantes. Numa mesa bem grande, no meio do salão, um farto bufet de frutas e outras coisas. Havia um par de candelabros em cada ponta da mesa também, com velas brancas e aquela luz de vela - fraca no meio dos lustres.
Tudo começou a ficar estranho quando todos escolheram beber taças de vinho e o garçom era o Lafayete, de True Blood.
(Sim, eu ando vendo tv demais, mas foi quando eu notei que as coisas estavam estranhas.)
Antes que o vinho chegasse, pela janela entraram dois insetos.
Um de cada lado da mesa.
O do lado de cá, meio lagosta pré-histórica, não se mexia.
O do lado de lá, uma espécie de filhote de libéluba gigante criada a base de geléia de mocotó, era frenético.
Minha fobia de inseto e coisas que possuem exoesqueleto começou a se manifestar com força total, enquanto o grupo de rapazes - 3 - ria muito e corria até o lado de lá para espiar de perto "o bichinho".
Este ("o bichinho"), a esta altura me olhava com grandes olhos de mosca, de um azul bem azul, cheio de olhinhos pequenos juntos num mesmo olho, todos emoldurados por uma longa e fragmentada antena de mariposa.
Quando os rapazes chegaram perto - rindo do meu medo - de repente, a mosca libélula mariposa superalimentada, criou um bico. Um bico que abria e fechava sem parar e de onde saía um zumbido alto.
Ensurdecedor.
Logo, o monstro inseto from hell também tinha penas e abocanhou o primeiro rapaz. Todinho. De uma só bocada. E, enquanto comia os outros, ia crescendo numa rapidez espantosa, ficando cada vez maior a cada corpo que engolia.
Ainda com medo do outro monstro - o monstro lagosta do lado de cá - não consegui ir pro outro lado da mesa, então resolvi me enfiar debaixo da mesa.
Acontece que outra amiga também tinha tido a mesma idéia e, num remake muito ruim de Alice do País das Maravilhas, embaixo da mesa era um lugar pequeno para nós duas, como se ambas tivessem resolvido crescer e a mesa diminuir.
Nisso, o monstro inseto-passarinho, que a esta altura era um ser gigante, resolveu ir para cima da mesa, quase esmigalhando as duas com o seu peso e procurando as duas últimas iguarias do seu jantar.
Naquela hora, apertei a toalha, de veludo verde escuro, de encontro ao meu rosto, fechei os olhos e tive certeza que ia morrer.
Acordei com o coração aos saltos, o corpo todo doído e precisei de um bom tempo para conseguir pregar os olhos de novo - ainda com medo de ser devorada.
O lugar escolhido era um casarão, daqueles meio estilosos com móveis coloniais e lustres grandes e brilhantes. Numa mesa bem grande, no meio do salão, um farto bufet de frutas e outras coisas. Havia um par de candelabros em cada ponta da mesa também, com velas brancas e aquela luz de vela - fraca no meio dos lustres.
Tudo começou a ficar estranho quando todos escolheram beber taças de vinho e o garçom era o Lafayete, de True Blood.
(Sim, eu ando vendo tv demais, mas foi quando eu notei que as coisas estavam estranhas.)
Antes que o vinho chegasse, pela janela entraram dois insetos.
Um de cada lado da mesa.
O do lado de cá, meio lagosta pré-histórica, não se mexia.
O do lado de lá, uma espécie de filhote de libéluba gigante criada a base de geléia de mocotó, era frenético.
Minha fobia de inseto e coisas que possuem exoesqueleto começou a se manifestar com força total, enquanto o grupo de rapazes - 3 - ria muito e corria até o lado de lá para espiar de perto "o bichinho".
Este ("o bichinho"), a esta altura me olhava com grandes olhos de mosca, de um azul bem azul, cheio de olhinhos pequenos juntos num mesmo olho, todos emoldurados por uma longa e fragmentada antena de mariposa.
Quando os rapazes chegaram perto - rindo do meu medo - de repente, a mosca libélula mariposa superalimentada, criou um bico. Um bico que abria e fechava sem parar e de onde saía um zumbido alto.
Ensurdecedor.
Logo, o monstro inseto from hell também tinha penas e abocanhou o primeiro rapaz. Todinho. De uma só bocada. E, enquanto comia os outros, ia crescendo numa rapidez espantosa, ficando cada vez maior a cada corpo que engolia.
Ainda com medo do outro monstro - o monstro lagosta do lado de cá - não consegui ir pro outro lado da mesa, então resolvi me enfiar debaixo da mesa.
Acontece que outra amiga também tinha tido a mesma idéia e, num remake muito ruim de Alice do País das Maravilhas, embaixo da mesa era um lugar pequeno para nós duas, como se ambas tivessem resolvido crescer e a mesa diminuir.
Nisso, o monstro inseto-passarinho, que a esta altura era um ser gigante, resolveu ir para cima da mesa, quase esmigalhando as duas com o seu peso e procurando as duas últimas iguarias do seu jantar.
Naquela hora, apertei a toalha, de veludo verde escuro, de encontro ao meu rosto, fechei os olhos e tive certeza que ia morrer.
Acordei com o coração aos saltos, o corpo todo doído e precisei de um bom tempo para conseguir pregar os olhos de novo - ainda com medo de ser devorada.
quarta-feira, agosto 12
Ah, dois meses, hein?
Alguém tem lá idéia do que é passar dois meses de férias?
Sendo que um deles em uma quase completa imobilidade?
A televisão me acrescentou coisas incríveis à vida... "Sobre duas rodas com Ewan McGregor", que eu perdi o tesão de ver quando ele resolveu ficar choroso de saudades da esposa; "Pimp my wife", um programa incrível das madrugadas do Multishow que me provou por A + B como os homens podem ser uns manés e dão mais sorte com certas coisas do que mereciam; episódios e mais episódios de "True Blood", meu novo vício...
Passei a voltar a prestar atenção nos comerciais.
Aquele do absorvente Sym, por exemplo, conseguiu me irritar profundamente. Aquela mocinha faz perguntas que qualquer publicitário debilóide sabe responder, mas que eles acham que a população que compra é absolutamente incapaz de perceber. Sinto-me no dever de contar pra vocês o mistério:
1 -Pessoas podem e devem ficar felizes quando ficam menstruadas porque isso significa que o mole que elas deram no final de semana foi, de certa forma, bastante inofensivo, além do mais, quem gosta de lembrar que passa alguns dias TODO MÊS deitada troncha em algum lugar sofrendo de cólicas cruéis como a maioria das mulheres? Mostre uma mulher sofrendo de cólica num anúncio de absorvente que eu quero ver se ele vai vender...
2 - As moças nesse tipo de comercial usam sempre calças brancas porque o produto quer mostrar que é tão confiável que a pessoa pode pôr uma calça branca sem medo de sair por aí com uma imensa mancha vermelha nos países baixos. Mostra lá uma moça com a calça manchada de sangue que eu quero ver se o absorvente vende...
3 - O teste é sempre feito com o líquido azul porque se fosse feito com o vermelho as pessoas iam ficar nojo. É fato que as mulheres menstruam todo mês, mas ninguém quer ou precisa tomar conhecimento da hemorragia pessoal das pessoas e é desagradável lembrar que o que sai da área de lazer é sangue, sangue, muito sangue... Sangue nêgo só gosta de ver em filme de terror e seriado de médico, pô!
Odeio coisas que diminuem o espectador enquanto ser pensante.
Mas gostei quando reparei que um dos Blue Man do anúncio da TIM tinha também os olhos azuis. Perdi uma pá de tempo pensando comigo mesma que todos os homens azuis deveriam ter olhos também azuis e como eles são serezinhos simpáticos...
Eu li.
Li muito.
Li mesmo.
Os mais incríveis foram o "Mundo Sem Fim", que, por ter quase 1000 páginas, me arrancou noites e mais noites de sono e realmente pareceu não ter fim porque demorava a acabar e eu fico tensa quando um livro demora a acabar; e ando me divertindo consideravelmente na minha aventura de ler "Ramsés". Gosto dessa coisa de romancear o que se não se conhece por fato.
Eu vi uma tonelada de filmes.
Em casa, no cinema.
Gastei mais horas sentada com um balde de pipoca debaixo do edredom do que se pode pensar e sonhar.
Até o momento minha única grande descoberta - além de estar com meu saco bem cheio de dinossauros - é que o Polanski era bastante gatinho quando era novo e dava um caldo bem bacana.
No Metrô, descobri manicures que cozinham enquanto baixam músicas no laptop de casa - o que só confirma a minha inaptidão informática.
Eu viajei, o pé melhorou, eu plantei plantas, fiz aniversário, dei festinha, chorei, bebi, dancei, beijei e estou esfuziante em voltar às aulas porque começou a ficar bem chato ler e filmes só porque não existe mais nada que eu possa fazer no momento.
Ainda assim, desconfio que dois quartos dos neurônios derreteram, um quarto permanece a salvo, estudando para futura procriação e o quarto que sobrou ainda não sabe bem se foge, se fica...
Eu?
Tô entediada.
Muito entediada.
Mas parece que isso vai melhorar...
Sendo que um deles em uma quase completa imobilidade?
A televisão me acrescentou coisas incríveis à vida... "Sobre duas rodas com Ewan McGregor", que eu perdi o tesão de ver quando ele resolveu ficar choroso de saudades da esposa; "Pimp my wife", um programa incrível das madrugadas do Multishow que me provou por A + B como os homens podem ser uns manés e dão mais sorte com certas coisas do que mereciam; episódios e mais episódios de "True Blood", meu novo vício...
Passei a voltar a prestar atenção nos comerciais.
Aquele do absorvente Sym, por exemplo, conseguiu me irritar profundamente. Aquela mocinha faz perguntas que qualquer publicitário debilóide sabe responder, mas que eles acham que a população que compra é absolutamente incapaz de perceber. Sinto-me no dever de contar pra vocês o mistério:
1 -Pessoas podem e devem ficar felizes quando ficam menstruadas porque isso significa que o mole que elas deram no final de semana foi, de certa forma, bastante inofensivo, além do mais, quem gosta de lembrar que passa alguns dias TODO MÊS deitada troncha em algum lugar sofrendo de cólicas cruéis como a maioria das mulheres? Mostre uma mulher sofrendo de cólica num anúncio de absorvente que eu quero ver se ele vai vender...
2 - As moças nesse tipo de comercial usam sempre calças brancas porque o produto quer mostrar que é tão confiável que a pessoa pode pôr uma calça branca sem medo de sair por aí com uma imensa mancha vermelha nos países baixos. Mostra lá uma moça com a calça manchada de sangue que eu quero ver se o absorvente vende...
3 - O teste é sempre feito com o líquido azul porque se fosse feito com o vermelho as pessoas iam ficar nojo. É fato que as mulheres menstruam todo mês, mas ninguém quer ou precisa tomar conhecimento da hemorragia pessoal das pessoas e é desagradável lembrar que o que sai da área de lazer é sangue, sangue, muito sangue... Sangue nêgo só gosta de ver em filme de terror e seriado de médico, pô!
Odeio coisas que diminuem o espectador enquanto ser pensante.
Mas gostei quando reparei que um dos Blue Man do anúncio da TIM tinha também os olhos azuis. Perdi uma pá de tempo pensando comigo mesma que todos os homens azuis deveriam ter olhos também azuis e como eles são serezinhos simpáticos...
Eu li.
Li muito.
Li mesmo.
Os mais incríveis foram o "Mundo Sem Fim", que, por ter quase 1000 páginas, me arrancou noites e mais noites de sono e realmente pareceu não ter fim porque demorava a acabar e eu fico tensa quando um livro demora a acabar; e ando me divertindo consideravelmente na minha aventura de ler "Ramsés". Gosto dessa coisa de romancear o que se não se conhece por fato.
Eu vi uma tonelada de filmes.
Em casa, no cinema.
Gastei mais horas sentada com um balde de pipoca debaixo do edredom do que se pode pensar e sonhar.
Até o momento minha única grande descoberta - além de estar com meu saco bem cheio de dinossauros - é que o Polanski era bastante gatinho quando era novo e dava um caldo bem bacana.
No Metrô, descobri manicures que cozinham enquanto baixam músicas no laptop de casa - o que só confirma a minha inaptidão informática.
Eu viajei, o pé melhorou, eu plantei plantas, fiz aniversário, dei festinha, chorei, bebi, dancei, beijei e estou esfuziante em voltar às aulas porque começou a ficar bem chato ler e filmes só porque não existe mais nada que eu possa fazer no momento.
Ainda assim, desconfio que dois quartos dos neurônios derreteram, um quarto permanece a salvo, estudando para futura procriação e o quarto que sobrou ainda não sabe bem se foge, se fica...
Eu?
Tô entediada.
Muito entediada.
Mas parece que isso vai melhorar...
sexta-feira, junho 19
Eu & meu anjo
Então, no segundo dia, um anjo estropiado, com as roupas em farrapos e uma puta enxaqueca pediu uma audiência.
Num pranto desesperado expôs ao Chefe suas provações, pedindo penico.
Este, ouviu tudo muito atento e respondeu naquela voz de Deus dele:
- Tens razão, meu chapa. A mulher anda abusando de ti. Do serviço não vai dar pra te liberar, sacumé... Mas, faz o seguinte...
Cochichou um cochicho celestial no pé do ouvido do anjo e...
...foi assim que eu acabei quebrando um dedo do pé.
A mãe quando soube teve uma crise de riso que a levou às lágrimas - porque ela tem certeza que uma das minhas taras mais profundas é ficar engessada numa cama.
Não posso dizer que ela esteja lá tãããããão errada assim - o curativo realmente me fez babar de satisfação de tão bonito e complexo.
Duas das melhores amigas suspiraram de alívio - não estavam mais aguentando o ritmo frenético que a amiga se encontrava. Ambas concordam que as saídas são divertidas e que a companhia é pau pra toda obra, mas nenhuma das três têm mais 15 anos...
Eu?
Depois de embevecida com o curativo imobilizador, fiquei bastante injuriada.
Por um mês a proibição de sair para lugares crawdeados.
Por um mês nada de festinhas dançantes ou botecos lotados.
Por um mês nada de bater perna na rua, nada de faxina pesada (isso tem o seu lado bom. hehehe).
Fazia parte do plano ler muitos livros e ver muitos filmes, mas é completamente diferente ver muitos filmes e ler muitos livros porque é só o que voce pode fazer.
O anjo se mandou prum spa com um estoque tamanho família de aspirinas e eu estou aqui, morta de tédio, comendo, lendo, vendo, dormindo e esperando o raio do osso calcificar.
Num pranto desesperado expôs ao Chefe suas provações, pedindo penico.
Este, ouviu tudo muito atento e respondeu naquela voz de Deus dele:
- Tens razão, meu chapa. A mulher anda abusando de ti. Do serviço não vai dar pra te liberar, sacumé... Mas, faz o seguinte...
Cochichou um cochicho celestial no pé do ouvido do anjo e...
...foi assim que eu acabei quebrando um dedo do pé.
A mãe quando soube teve uma crise de riso que a levou às lágrimas - porque ela tem certeza que uma das minhas taras mais profundas é ficar engessada numa cama.
Não posso dizer que ela esteja lá tãããããão errada assim - o curativo realmente me fez babar de satisfação de tão bonito e complexo.
Duas das melhores amigas suspiraram de alívio - não estavam mais aguentando o ritmo frenético que a amiga se encontrava. Ambas concordam que as saídas são divertidas e que a companhia é pau pra toda obra, mas nenhuma das três têm mais 15 anos...
Eu?
Depois de embevecida com o curativo imobilizador, fiquei bastante injuriada.
Por um mês a proibição de sair para lugares crawdeados.
Por um mês nada de festinhas dançantes ou botecos lotados.
Por um mês nada de bater perna na rua, nada de faxina pesada (isso tem o seu lado bom. hehehe).
Fazia parte do plano ler muitos livros e ver muitos filmes, mas é completamente diferente ver muitos filmes e ler muitos livros porque é só o que voce pode fazer.
O anjo se mandou prum spa com um estoque tamanho família de aspirinas e eu estou aqui, morta de tédio, comendo, lendo, vendo, dormindo e esperando o raio do osso calcificar.
terça-feira, junho 9
Mea culpa
Tá bom, dessa vez reclamei sem razão.
Logo depois que escrevi percebi a coisa feia que eu fiz.
Fim de semana passado reclamei que queria ler e ficar quieta e não conseguia.
Nesse fim de semana, não só tem um livro "andando" como tem dois novos chegando (encomendei o livro neura da vez) e eu vou ter todo o tempo do mundo para ficar lendo quieta - ainda assim, reclamei que ninguém ia querer sair comigo.
Eu reclamo demais e tenho vontades muito conflitantes.
Praticamente uma esquizofrênica.
Desculpem.
Logo depois que escrevi percebi a coisa feia que eu fiz.
Fim de semana passado reclamei que queria ler e ficar quieta e não conseguia.
Nesse fim de semana, não só tem um livro "andando" como tem dois novos chegando (encomendei o livro neura da vez) e eu vou ter todo o tempo do mundo para ficar lendo quieta - ainda assim, reclamei que ninguém ia querer sair comigo.
Eu reclamo demais e tenho vontades muito conflitantes.
Praticamente uma esquizofrênica.
Desculpem.
Injuriada
Como eu já havia dito antes, esse ano o Dia dos Namorados não surtiu nenhum efeito na minha pessoa.
Só havia me lembrado dele, até ontem à noite em três ocasiões:
- Nas Lojas Americanas, de repente a Olívia me pede pra esperar enquanto ela olha atentamente uma daquelas estantes de cartões. Quando eu pergunto o quê que ela está fazendo, ela me responde: "Preciso escolher alguma coisa pra dar pro Dani...".
- Ainda na procura do presente pro 'namorado', ela pára, mais uma vez, diante de uma vitrine. No meio de milhões de corações, e camisetas e canecas onde se lê 'supernamorado(a)', eu consigo ver um mouse pad cor de rosa com os seguintes dizeres: "Penso. Por isso sou solteira.". Me senti vingada; e, se tivesse um computador que funciona, juro que comprava um pra mim.
- De novo, Olívia: "Mãe, existe dia das namoradas?".
A vida na escola nova anda movimentada. Ela é louca pelo Dani, que é o apaixonado clássico - rasga as sucatas, destrói os desenhos dela, uma loucura! - mas tem o Rodrigo, que é louco por ela - outro dia ela chegou em casa com a sandália arrebentada porque ele queria fazer massagem no pé dela e a sandália, que era uma porcaria, arrebentou - e ela esnoba. Parece familiar isso?
Eu expliquei que dia dos namorados servia pros dois e combinamos que o melhor seria ela fazer um presente no colégio para dar pro namorado que ela quisesse.
Me tremo toda de pensar nos 15 anos.
Mas, enfim, até ontem era isso.
Mas aí eu estava salvando grana, planejando nefastamente sair e chacoalhar o esqueleto e o que mais estivesse na frente durante o feriado e lembrei. Lembrei do Dia dos Namorados; onde o grosso dos meus amigos 'baladeiros de plantão' vai cumprir a etiqueta e ficar grudado na cara metade da vez, me deixando largada ao Deus dará e frustrando os meus planos...
Aí me afetou.
Aí fiquei com raivinha.
Aí deu eca.
Mas, chata do jeito que eu sou, periga conseguir arrumar companhia mesmo com os percalços da data.
Só havia me lembrado dele, até ontem à noite em três ocasiões:
- Nas Lojas Americanas, de repente a Olívia me pede pra esperar enquanto ela olha atentamente uma daquelas estantes de cartões. Quando eu pergunto o quê que ela está fazendo, ela me responde: "Preciso escolher alguma coisa pra dar pro Dani...".
- Ainda na procura do presente pro 'namorado', ela pára, mais uma vez, diante de uma vitrine. No meio de milhões de corações, e camisetas e canecas onde se lê 'supernamorado(a)', eu consigo ver um mouse pad cor de rosa com os seguintes dizeres: "Penso. Por isso sou solteira.". Me senti vingada; e, se tivesse um computador que funciona, juro que comprava um pra mim.
- De novo, Olívia: "Mãe, existe dia das namoradas?".
A vida na escola nova anda movimentada. Ela é louca pelo Dani, que é o apaixonado clássico - rasga as sucatas, destrói os desenhos dela, uma loucura! - mas tem o Rodrigo, que é louco por ela - outro dia ela chegou em casa com a sandália arrebentada porque ele queria fazer massagem no pé dela e a sandália, que era uma porcaria, arrebentou - e ela esnoba. Parece familiar isso?
Eu expliquei que dia dos namorados servia pros dois e combinamos que o melhor seria ela fazer um presente no colégio para dar pro namorado que ela quisesse.
Me tremo toda de pensar nos 15 anos.
Mas, enfim, até ontem era isso.
Mas aí eu estava salvando grana, planejando nefastamente sair e chacoalhar o esqueleto e o que mais estivesse na frente durante o feriado e lembrei. Lembrei do Dia dos Namorados; onde o grosso dos meus amigos 'baladeiros de plantão' vai cumprir a etiqueta e ficar grudado na cara metade da vez, me deixando largada ao Deus dará e frustrando os meus planos...
Aí me afetou.
Aí fiquei com raivinha.
Aí deu eca.
Mas, chata do jeito que eu sou, periga conseguir arrumar companhia mesmo com os percalços da data.
segunda-feira, junho 8
Pírulas
Ainda estou bolada com um acontecimento do final de semana: pela primeira vez na história da minha "carreira" cinéfila, eu vi um filme melhor que o livro!
Eu precisava explicar isso, porque, se um dos meus dois leitores olhar ali do lado e vir que eu pus um 'zenzacional' do lado de "Crepúsculo", vai achar que eu pirei de vez e que a internação é eminente; mas eu juro: o filme é muito bom.
Claro, é um filme muito bom na medida em que a pessoa entende que é um filme sobre amor adolescente entre um vampiro e uma adolescente.
O livro, tio Stephen tem toda a razão, é muito mal escrito; e foi exatamente por isso que eu nem me animei a saber o resto da história, nem quis ir ao cinema quando o filme saiu. Mas, na sexta-feira, ele estava lá, na estante da locadora, que anda me assombrando ou com filmes que eu já vi, ou com filmes que eu não quero ver - estou numa fase aficcionada onde nada me vai me apetecer até a chegada da segunda temporada de 'Dexter' às prateleiras - só que eu ia ficar em casa com a criança, não tinha nada que pudesse prender minha atenção na tv - apesar dos 88 canais - então eu resolvi pegar o filme, porque ainda não estou preparada psicologicamente para encarar "Strippers Zumbi", por mais gore e tentador que isso possa parecer.
E então, de repente, eu me vi com um cigarro na mão, pescocinho duro, sentada ao invés de deitada, na maior adrenalina durante a batalha dos vampiros (sempre tem batalha de vampiro em filme de vampiro, ok?). E pensei: cara, esse filme é do caralho.
Bolei.
E agora, confesso, espero "Lua Nova" ansiosamente.
Talvez até leia o livro...
***********************************
Tem uma semana que eu não termino um livro.
Depois dos últimos dois, peguei "Meu nome é vermelho" para ler.
Acontece que eu estou com vontade de ler "A mulher que escreveu a bíblia" - minha mãe disse tanto que eu ia gostar de ler, que era ótimo e tal, que eu fiquei com vontade de ler; o fato dela ter perdido o livro só aumentou essa vontade.
Aí estou eu encarando a crise obssessiva e não consigo me aprofundar no Negro. Tenho um feeling de que vou gostar do livro, mas simplesmente não consigo avançar nele.
Amanhã chega outro livro que eu quero ler a coisa de um ano.
Mas desconfio que terei que ir à livraria mais próxima o mais rápido possível ou meu futuro será nebuloso.
************************************
Porque eu ando cheia de planos.
Daqui a dois dias eu entro em férias, graçasadeus.
E fiz planos nefastos.
Vou ter que replantar minhas plantas porque todas morreram afogadas com as chuvas torrenciais do mês passado; quero arrumar mais um pouco da minha casa e comprar umas duas ou três coisinhas novas para enfeitar o barraco; quero tomar uns 3 ou 4 porres bem cabeludos; quero sair para dançar até sentir dor nos quadris de novo; quero ver filmes, filmes, muitos filmes porque tem uns dois meses que eu não vejo filmes, filmes, muitos filmes e quero ler livros, livros, muitos livros.
Quero passar tardes e mais tardes enterrada nas minhas poltronas lendo, sem nem atender o telefone.
Parecem planos nefastos o suficiente para mim.
************************************
Eu também queria cortar os cabelos.
Passei o mês esperando a chegada da lua cheia, na crença de que se eu cortar na lua cheia consiga amanhecer com uma vasta cabeleira tal e qual a Fergie.
Mas a lua cheia fez o favor de encher justo hoje, segunda-feira, que é dia de folga dos cabeleireiros (é assim?), e agora não sei o que fazer com eles de novo.
************************************
No mais, meu coração dói quando eu penso em todos os gastos extras que vou ter este mês e a cada vez que essse maldito celular toca. Antes, razão de alegria, hoje razão de profunda vergonha e dor.
Continuo firme no masoquismo de não mudar o toque para lembrar de não pegar mais essa porcaria quando beber e fazer valer os 3 reais mais caros da história da minha vida.
Eu precisava explicar isso, porque, se um dos meus dois leitores olhar ali do lado e vir que eu pus um 'zenzacional' do lado de "Crepúsculo", vai achar que eu pirei de vez e que a internação é eminente; mas eu juro: o filme é muito bom.
Claro, é um filme muito bom na medida em que a pessoa entende que é um filme sobre amor adolescente entre um vampiro e uma adolescente.
O livro, tio Stephen tem toda a razão, é muito mal escrito; e foi exatamente por isso que eu nem me animei a saber o resto da história, nem quis ir ao cinema quando o filme saiu. Mas, na sexta-feira, ele estava lá, na estante da locadora, que anda me assombrando ou com filmes que eu já vi, ou com filmes que eu não quero ver - estou numa fase aficcionada onde nada me vai me apetecer até a chegada da segunda temporada de 'Dexter' às prateleiras - só que eu ia ficar em casa com a criança, não tinha nada que pudesse prender minha atenção na tv - apesar dos 88 canais - então eu resolvi pegar o filme, porque ainda não estou preparada psicologicamente para encarar "Strippers Zumbi", por mais gore e tentador que isso possa parecer.
E então, de repente, eu me vi com um cigarro na mão, pescocinho duro, sentada ao invés de deitada, na maior adrenalina durante a batalha dos vampiros (sempre tem batalha de vampiro em filme de vampiro, ok?). E pensei: cara, esse filme é do caralho.
Bolei.
E agora, confesso, espero "Lua Nova" ansiosamente.
Talvez até leia o livro...
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Tem uma semana que eu não termino um livro.
Depois dos últimos dois, peguei "Meu nome é vermelho" para ler.
Acontece que eu estou com vontade de ler "A mulher que escreveu a bíblia" - minha mãe disse tanto que eu ia gostar de ler, que era ótimo e tal, que eu fiquei com vontade de ler; o fato dela ter perdido o livro só aumentou essa vontade.
Aí estou eu encarando a crise obssessiva e não consigo me aprofundar no Negro. Tenho um feeling de que vou gostar do livro, mas simplesmente não consigo avançar nele.
Amanhã chega outro livro que eu quero ler a coisa de um ano.
Mas desconfio que terei que ir à livraria mais próxima o mais rápido possível ou meu futuro será nebuloso.
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Porque eu ando cheia de planos.
Daqui a dois dias eu entro em férias, graçasadeus.
E fiz planos nefastos.
Vou ter que replantar minhas plantas porque todas morreram afogadas com as chuvas torrenciais do mês passado; quero arrumar mais um pouco da minha casa e comprar umas duas ou três coisinhas novas para enfeitar o barraco; quero tomar uns 3 ou 4 porres bem cabeludos; quero sair para dançar até sentir dor nos quadris de novo; quero ver filmes, filmes, muitos filmes porque tem uns dois meses que eu não vejo filmes, filmes, muitos filmes e quero ler livros, livros, muitos livros.
Quero passar tardes e mais tardes enterrada nas minhas poltronas lendo, sem nem atender o telefone.
Parecem planos nefastos o suficiente para mim.
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Eu também queria cortar os cabelos.
Passei o mês esperando a chegada da lua cheia, na crença de que se eu cortar na lua cheia consiga amanhecer com uma vasta cabeleira tal e qual a Fergie.
Mas a lua cheia fez o favor de encher justo hoje, segunda-feira, que é dia de folga dos cabeleireiros (é assim?), e agora não sei o que fazer com eles de novo.
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No mais, meu coração dói quando eu penso em todos os gastos extras que vou ter este mês e a cada vez que essse maldito celular toca. Antes, razão de alegria, hoje razão de profunda vergonha e dor.
Continuo firme no masoquismo de não mudar o toque para lembrar de não pegar mais essa porcaria quando beber e fazer valer os 3 reais mais caros da história da minha vida.
sexta-feira, junho 5
Celular de Bêbado
Por mais que eu me cobre e jure, 8 em 10 vezes que eu tomo um pileque acabo agarrada no meu celular. Ontem, não podia ter sido diferente.
Ontem foi meu dia 05.
Dia 05 é o dia mais infeliz do meu mês, o dia em que eu pago o grosso das minhas contas. Pagar contas me deprime.
Quer dizer, fico feliz por um lado porque elas estão pagas; o que é ruim é o montante de grana que sai da conta para que elas sejam pagas.
Enfim, o dinheiro sai e eu, para me consolar, me dou o direito a ficar ébria.
E foi assim, que enquanto tinha um momento macho alfa, sentadona no sofá, assistindo a mais um capítulo emocionante de "Supernatural", com a mão enfiada dentro das calças coçando a barriga enquanto tomava uma cerveja, que meu olho bateu nele.
Rolava um tédio. Já era a segunda vez que ele me assaltava.
Hoje, eu e meus pudores não me permitem mais ligar para ninguém para conversar depois das 22h, e fui forte na minha determinação em não passar mensagens para ninguém (até deletei um telefone estratégico), então fui xeretar qualquer parada.
Resultado: acabei baixando um toque pro meu celular tosco até o fim da vida de uma música Beyoncé.
Que eu vou ter que usar, já que paguei por ele.
E que vai me fazer jurar e cobrar tudo de novo pelos próximos meses toda vez que ele tocar...
Ontem foi meu dia 05.
Dia 05 é o dia mais infeliz do meu mês, o dia em que eu pago o grosso das minhas contas. Pagar contas me deprime.
Quer dizer, fico feliz por um lado porque elas estão pagas; o que é ruim é o montante de grana que sai da conta para que elas sejam pagas.
Enfim, o dinheiro sai e eu, para me consolar, me dou o direito a ficar ébria.
E foi assim, que enquanto tinha um momento macho alfa, sentadona no sofá, assistindo a mais um capítulo emocionante de "Supernatural", com a mão enfiada dentro das calças coçando a barriga enquanto tomava uma cerveja, que meu olho bateu nele.
Rolava um tédio. Já era a segunda vez que ele me assaltava.
Hoje, eu e meus pudores não me permitem mais ligar para ninguém para conversar depois das 22h, e fui forte na minha determinação em não passar mensagens para ninguém (até deletei um telefone estratégico), então fui xeretar qualquer parada.
Resultado: acabei baixando um toque pro meu celular tosco até o fim da vida de uma música Beyoncé.
Que eu vou ter que usar, já que paguei por ele.
E que vai me fazer jurar e cobrar tudo de novo pelos próximos meses toda vez que ele tocar...
quarta-feira, junho 3
sexta-feira, maio 29
quarta-feira, maio 27
De Vez Em Quando Ter Cérebro É Deprimente
Tá bom.
Movida pelo superego que não me deixa tirar mais zeros na vida ou deixar um projeto em suspenso, resolvi trabalhar um pouco. Achei uma tese zenzacional, com tudo que eu preciso e mais um pouco.
Evoé!
O foda é ter que fichar 130 páginas, no meio de um monte de estudantes sem um pingo de educação, com a bunda sentada numa cadeira mais dura que cimento, sem nem um cafézinho à mão ou o luxo de um cigarrinho amigo.
Dá desgosto.
Ainda mais quando a gente olha pela janela, vê aquele pusta sol brilhando lá fora e lembra que só vai sair daqui quando ele já tiver ido embora...
Movida pelo superego que não me deixa tirar mais zeros na vida ou deixar um projeto em suspenso, resolvi trabalhar um pouco. Achei uma tese zenzacional, com tudo que eu preciso e mais um pouco.
Evoé!
O foda é ter que fichar 130 páginas, no meio de um monte de estudantes sem um pingo de educação, com a bunda sentada numa cadeira mais dura que cimento, sem nem um cafézinho à mão ou o luxo de um cigarrinho amigo.
Dá desgosto.
Ainda mais quando a gente olha pela janela, vê aquele pusta sol brilhando lá fora e lembra que só vai sair daqui quando ele já tiver ido embora...
Restless
Como todo mundo sabe, o calendário não me dá descanso.
Todo mês tem uma data qualquer, uma coisa qualquer, que não me deixa começar a minha poupança milhonária ou comprar aquele quadro que eu bebi para a parede da minha sala.
Janeiro teve férias.
Não exatamente uma data comemorativa, mas uma data custosa, uma vez que existem viagens, programinhas culturais, cervejas... Ainda teve mudança de colégio e todo o material e uniforme novos de novo.
Não sobrou nem um realzinho pra contar a história.
Fevereiro, carnaval.
De novo, viagem. Adoro viajar, se pudesse viajava todo mês, mas viagem custa caro - ainda mais quando é viagem de mais de uma semana.
Março, páscoa.
Fui ser um gênio brilhante em prol da vida saudável (coisa que, de fato, ando tendo, no sentido alimentar, durante a semana) e troquei o ovo pelo novo filme da Barbie. Saiu mais caro. E ainda teve ovo pra professora, pra secretária...
Abril chegou com tudo!
Três feriados e um show.
Passei duas semanas comendo miojo por conta de todo esse rebuliço.
Maio.
Mais dois shows e uma bonequinha aplacadora de culpa materna.
Tudo bem que o ingresso de abril eu ganhei de mamãe e o do Dancing Dio da rádio, mas a ida ao show se configura em gasto também. Às vezes, maior que o preço do ingresso.
Então, chega junho.
Mês dos namorados.
Não sei se sou eu, que já estou bastante conformada com o fato de que Dia dos Namorados não foi uma invenção comercial feita pra mim - mesmo quando eu tinha um negócio desses, alguma coisa acontecia e o dia fatídico eu passava solteira; as pessoas têm costume de acabar no carnaval pra cair na putaria, eu tinha o costume de acabar no Dia dos Namorados - mas, este ano, não só as vitrines estão menos cheias de coraçõezinhos fofos e vermelhos, como eu não estou dando a mínima.
Claro que eu penso em descolar uma das minhas amiguinhas encalhadas e passar com elas enchendo o focinho em algum lugar remoto, falando mal de todos os homens malvados que nos deixaram na vida.
Mas, num geral, não estou dando a mínima.
Este mês, o que me move é que o semestre está quase acabando (pelo menos aqui na faculdade) e a Flip está quase chegando!
O primeiro semestre dos meus últimos anos têm isso em comum: eu sempre brigo com um professor, sempre me esforço para passar direto e sempre acaba em Flip!!!
Segunda-feira lá vou eu, amanhecer na porta da loja, com a programação em punho, para me degladiar com uma dúzia de velhinhas furiosas e enlouquecidas que vão enfrentar aquela fila monstra sentadas no chão da galeriazinha imunda de Copacabana, tão na vala quanto eu, para comprar os ingressos das mesas.
Para mim, este é pior dia da Flip, mas é um dos que dá mais charme à coisa toda.
Já comecei a fazer contagem regressiva.
As plantas vão ficar para depois da Flip, o gato vai ficar para depois da Flip, tudo agora vai esperar a Flip passar.
Flip que abre julho.
Julho que é meu aniversário.
Julho que é mês de férias.
Julho que é mês de festa junina no colégio, que vai me custar as prendas e a lavagem da roupitcha da criança na lavanderia.
E eu já tenho compromissos para setembro, outubro, dezembro...
Meio cansativo isso tudo, né, não?
Todo mês tem uma data qualquer, uma coisa qualquer, que não me deixa começar a minha poupança milhonária ou comprar aquele quadro que eu bebi para a parede da minha sala.
Janeiro teve férias.
Não exatamente uma data comemorativa, mas uma data custosa, uma vez que existem viagens, programinhas culturais, cervejas... Ainda teve mudança de colégio e todo o material e uniforme novos de novo.
Não sobrou nem um realzinho pra contar a história.
Fevereiro, carnaval.
De novo, viagem. Adoro viajar, se pudesse viajava todo mês, mas viagem custa caro - ainda mais quando é viagem de mais de uma semana.
Março, páscoa.
Fui ser um gênio brilhante em prol da vida saudável (coisa que, de fato, ando tendo, no sentido alimentar, durante a semana) e troquei o ovo pelo novo filme da Barbie. Saiu mais caro. E ainda teve ovo pra professora, pra secretária...
Abril chegou com tudo!
Três feriados e um show.
Passei duas semanas comendo miojo por conta de todo esse rebuliço.
Maio.
Mais dois shows e uma bonequinha aplacadora de culpa materna.
Tudo bem que o ingresso de abril eu ganhei de mamãe e o do Dancing Dio da rádio, mas a ida ao show se configura em gasto também. Às vezes, maior que o preço do ingresso.
Então, chega junho.
Mês dos namorados.
Não sei se sou eu, que já estou bastante conformada com o fato de que Dia dos Namorados não foi uma invenção comercial feita pra mim - mesmo quando eu tinha um negócio desses, alguma coisa acontecia e o dia fatídico eu passava solteira; as pessoas têm costume de acabar no carnaval pra cair na putaria, eu tinha o costume de acabar no Dia dos Namorados - mas, este ano, não só as vitrines estão menos cheias de coraçõezinhos fofos e vermelhos, como eu não estou dando a mínima.
Claro que eu penso em descolar uma das minhas amiguinhas encalhadas e passar com elas enchendo o focinho em algum lugar remoto, falando mal de todos os homens malvados que nos deixaram na vida.
Mas, num geral, não estou dando a mínima.
Este mês, o que me move é que o semestre está quase acabando (pelo menos aqui na faculdade) e a Flip está quase chegando!
O primeiro semestre dos meus últimos anos têm isso em comum: eu sempre brigo com um professor, sempre me esforço para passar direto e sempre acaba em Flip!!!
Segunda-feira lá vou eu, amanhecer na porta da loja, com a programação em punho, para me degladiar com uma dúzia de velhinhas furiosas e enlouquecidas que vão enfrentar aquela fila monstra sentadas no chão da galeriazinha imunda de Copacabana, tão na vala quanto eu, para comprar os ingressos das mesas.
Para mim, este é pior dia da Flip, mas é um dos que dá mais charme à coisa toda.
Já comecei a fazer contagem regressiva.
As plantas vão ficar para depois da Flip, o gato vai ficar para depois da Flip, tudo agora vai esperar a Flip passar.
Flip que abre julho.
Julho que é meu aniversário.
Julho que é mês de férias.
Julho que é mês de festa junina no colégio, que vai me custar as prendas e a lavagem da roupitcha da criança na lavanderia.
E eu já tenho compromissos para setembro, outubro, dezembro...
Meio cansativo isso tudo, né, não?
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