Voltei de viagem hoje.
Outra.
A última por alguns meses, se tudo der certo.
Então aparece um muro - estávamos em Maguinhos - onde estava escrito:
O que realmente você quer para a sua vida?
Faz anos que eu não gosto muito de voltar de viagem.
Hoje, já estava não gostando quando vi essa frase.
Engraçado como a gente descobre frases "filosóficas" nos lugares mais esquisitos...
Antes de ler, já estava pensando...
Pensando nas coisas que eu tenho a fazer, resolver...
No meu coração, tão fudido, tão machucado...
E, quando eu vi a frase, pela primeira vez, não quis voltar pra casa mesmo.
Pela primeira vez, a imagem de que amanhã era segunda, da eventualidade de re-sol-ver , dis-cu-tir, chutar pra escanteio ou cair de cabeça no cimento coisas que doem - pela primeira vez, o conjunto dessa obra me fez chorar.
Pensei no meu emprego, e o quanto eu preciso melhorar isso.
No quanto fiquei chateada com o pensamento que para que eu pudesse bancar um fim de semana assim sozinha, seria preciso, no mínimo oito a dez meses de economia.
Tive um ataque de solidão.
Ainda que estivesse com a minha mãe a minha filha, a solidão pairava sobre mim, forte e densa.
Pensei na situação que, mais uma vez, eu abri para que acontecesse. No que eu deveria fazer, como podeira consertar...
Até chegar à conclusão que não tem conserto.
E que eu não sei se sou forte o suficiente para resolver sozinha.
Então eu chorei.
Quis ir embora, não ter que voltar.
Achei o mundo injusto, Deus um sacana, uma dor no peeeeeeitooooooooooo...
No meu colo Olívia dormia, do meu lado, um casal pós-adolescente discutia se exceção tinha cedilha ou dois esses...
E, do alto da minha solidão, ninguém nem me ouviu chorar ou vai vir aqui me abraçar...
"Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma." George R.R. Martin
domingo, janeiro 30
segunda-feira, janeiro 24
quinta-feira, janeiro 13
Do Egoísmo
Hoje foi um dia.
Um dia daqueles de criança em casa de férias, mãe tendo que cozinhar para o mês, em que a máquina de lavar quebrou de novo – como tem acontecido todos os meses desde o ano passado – transformando a cozinha num mar não exatamente muito limpo, em que o boy ia passar para pegar os cheques do hotel fazenda, em que o único livro que faltava da tão temida lista de material escolar chegou na livraria, em que entre uma e outra atividade, foi possível terminar de ler mais um livro; e que, ainda por cima, trabalhar era preciso.
Na internet pipocavam notícias nos jornais e comentários de um ou outro amigo.
Na secretária, uma mensagem do pai dizendo que ele estava bem.
O primeiro pensamento foi: “Ai, claro que está...”.
E assim seguiu mais um dia quase normal dentro desta casa.
Pouco depois das oito da noite, outro telefonema – este prontamente atendido.
O mesmo pai do recado na secretária reiterava que ele estava bem, que lá estavam todos bem, e começou a contar o que havia acontecido...
Ainda na minha pré adolescência, meu pai resolveu se mudar para o interior do estado. Mais precisamente Areal – uma cidadezinha pouco depois de Petrópolis, com duas ruas para cima e duas para baixo.
Antes de ser a casa dele, foi a casa da minha bisavó mais querida.
O lugar que na infância era mágico; na adolescência muito, muito chato para uma garota de cidade grande; na fase adulta, praticamente esquecido, uma vez que adultos correm demais, fazem coisas demais e nunca, nunca têm tempo sobrando para nada.
Ainda assim, sempre foi um lugar que “cheirava”, lembrava, era família para mim.
Um dos poucos lugares que, salvo uma ou outra alteração mínima, era imutável.
Ainda ontem pensei que estava na hora de fazer a minha visita anual a esta família.
Então hoje, pouco depois das oito da noite, soube que pontes caíram, as ruas ficaram com 1,5m de água, prédios sucumbiram, o rio subiu, a represa ameaçou ruir e a minha família que mora lá teve que deixar sua casa com a roupa do corpo.
Só então eu entendi.
Chuvas sempre houveram – e, por isso, me parecia normal que estivessem todos bem.
Telefones sempre ficaram mudos e energia sempre faltou desde que eu me entendo por gente e vou para aquela casa.
Já vi o rio encher, mas nunca, jamais, na proporção que aconteceu desta vez.
Até agora eu ainda não sei – eles ainda não sabem – como esta casa estará amanhã.
Ninguém morreu, graças a Deus.
De certa forma, sinto-me profundamente egoísta em estar pensando que meu mundo imutável não mais existe – ele vai ter que ser reconstruído e jamais será igual ao que era antes.
Sinto-me egoísta por ter usufruído tão pouco deste mundo nos últimos anos, por sentir uma tristeza que, nem de brincadeira, se compara à dos que perderam casa & família; uma tristeza que a minha família que constituiu família lá há de sentir o seu lar devastado; que eu sequer posso imaginar a magnitude.
Hoje, meu mundo mudou, de repente, pouco depois das oito da noite.
Foi tanta corrida, compromisso, pensamento, adultabilidades afins, que deixei de perceber.
E agora eu sinto muito.
Um dia daqueles de criança em casa de férias, mãe tendo que cozinhar para o mês, em que a máquina de lavar quebrou de novo – como tem acontecido todos os meses desde o ano passado – transformando a cozinha num mar não exatamente muito limpo, em que o boy ia passar para pegar os cheques do hotel fazenda, em que o único livro que faltava da tão temida lista de material escolar chegou na livraria, em que entre uma e outra atividade, foi possível terminar de ler mais um livro; e que, ainda por cima, trabalhar era preciso.
Na internet pipocavam notícias nos jornais e comentários de um ou outro amigo.
Na secretária, uma mensagem do pai dizendo que ele estava bem.
O primeiro pensamento foi: “Ai, claro que está...”.
E assim seguiu mais um dia quase normal dentro desta casa.
Pouco depois das oito da noite, outro telefonema – este prontamente atendido.
O mesmo pai do recado na secretária reiterava que ele estava bem, que lá estavam todos bem, e começou a contar o que havia acontecido...
Ainda na minha pré adolescência, meu pai resolveu se mudar para o interior do estado. Mais precisamente Areal – uma cidadezinha pouco depois de Petrópolis, com duas ruas para cima e duas para baixo.
Antes de ser a casa dele, foi a casa da minha bisavó mais querida.
O lugar que na infância era mágico; na adolescência muito, muito chato para uma garota de cidade grande; na fase adulta, praticamente esquecido, uma vez que adultos correm demais, fazem coisas demais e nunca, nunca têm tempo sobrando para nada.
Ainda assim, sempre foi um lugar que “cheirava”, lembrava, era família para mim.
Um dos poucos lugares que, salvo uma ou outra alteração mínima, era imutável.
Ainda ontem pensei que estava na hora de fazer a minha visita anual a esta família.
Então hoje, pouco depois das oito da noite, soube que pontes caíram, as ruas ficaram com 1,5m de água, prédios sucumbiram, o rio subiu, a represa ameaçou ruir e a minha família que mora lá teve que deixar sua casa com a roupa do corpo.
Só então eu entendi.
Chuvas sempre houveram – e, por isso, me parecia normal que estivessem todos bem.
Telefones sempre ficaram mudos e energia sempre faltou desde que eu me entendo por gente e vou para aquela casa.
Já vi o rio encher, mas nunca, jamais, na proporção que aconteceu desta vez.
Até agora eu ainda não sei – eles ainda não sabem – como esta casa estará amanhã.
Ninguém morreu, graças a Deus.
De certa forma, sinto-me profundamente egoísta em estar pensando que meu mundo imutável não mais existe – ele vai ter que ser reconstruído e jamais será igual ao que era antes.
Sinto-me egoísta por ter usufruído tão pouco deste mundo nos últimos anos, por sentir uma tristeza que, nem de brincadeira, se compara à dos que perderam casa & família; uma tristeza que a minha família que constituiu família lá há de sentir o seu lar devastado; que eu sequer posso imaginar a magnitude.
Hoje, meu mundo mudou, de repente, pouco depois das oito da noite.
Foi tanta corrida, compromisso, pensamento, adultabilidades afins, que deixei de perceber.
E agora eu sinto muito.
sexta-feira, janeiro 7
2010...
...Foi um ano medíocre.
Fedido.
Dolorido.
Com chulé.
Daqueles que eu VOU esquecer.
(Chegou a me ocorrer até não mais escrever...)
Em virtude de todos estes sentimentos negativos em relação aos 12 meses passados, este ano vou zerar as listas agora, em Janeiro, a fim de não prolongar mais a mediocridade.
Ainda não sei bem por quê - não tive nem motivos ainda - mas ponho fé em 2011.
Fedido.
Dolorido.
Com chulé.
Daqueles que eu VOU esquecer.
(Chegou a me ocorrer até não mais escrever...)
Em virtude de todos estes sentimentos negativos em relação aos 12 meses passados, este ano vou zerar as listas agora, em Janeiro, a fim de não prolongar mais a mediocridade.
Ainda não sei bem por quê - não tive nem motivos ainda - mas ponho fé em 2011.
terça-feira, dezembro 21
Nunca faça hoje...
O dia foi muito bem sucedido.
Criança de férias, companheira de bate perna, um calor infernal no Rio de Janeiro e todas as tarefas cumpridas à perfeição: clínica, almoço com pai + irmãos, compra do último presente de natal, trabalho, e-mails, jantar pronto.
Sento-me na sala para jantar.
Lei e Ordem na tela da tv.
Meus olhos, porém, não conseguiram fixar foco na trama de assassinatos e sacanagens que os humanos cometem todos os dias... Vagaram pela mesa, pelo banco, pela estante, pela varanda...
De tarde eu já tinha começado a sentir um comichão pela Grande Faxina.
Lavei meus pinguins de geladeira na esperança de que isso servisse de engodo ao comichão.
Não serviu.
Os olhos foram registrando e mandando para o cérebro todas as tarefas de limpeza, arrumação e embelezamento do barraco que preciso executar urgentemente.
O comichão está se transformando em Comichão.
Mas hoje foi um dia bem sucedido, a coluna dói e está um calor de rachar.
Resolvi terminar um livro.
Coisa que também não faço há muito tempo.
Criança de férias, companheira de bate perna, um calor infernal no Rio de Janeiro e todas as tarefas cumpridas à perfeição: clínica, almoço com pai + irmãos, compra do último presente de natal, trabalho, e-mails, jantar pronto.
Sento-me na sala para jantar.
Lei e Ordem na tela da tv.
Meus olhos, porém, não conseguiram fixar foco na trama de assassinatos e sacanagens que os humanos cometem todos os dias... Vagaram pela mesa, pelo banco, pela estante, pela varanda...
De tarde eu já tinha começado a sentir um comichão pela Grande Faxina.
Lavei meus pinguins de geladeira na esperança de que isso servisse de engodo ao comichão.
Não serviu.
Os olhos foram registrando e mandando para o cérebro todas as tarefas de limpeza, arrumação e embelezamento do barraco que preciso executar urgentemente.
O comichão está se transformando em Comichão.
Mas hoje foi um dia bem sucedido, a coluna dói e está um calor de rachar.
Resolvi terminar um livro.
Coisa que também não faço há muito tempo.
quinta-feira, dezembro 9
...Enquanto isso em Gothan City...
"Mãe, beijo na boca é nojento?"
Uhmmmmm...
Sim, o interesse começa a aparecer e com ele as perguntas - Aquelas que as mães temem, suam frio, e que, aparecem sempre nas horas mais inesperadas e impróprias.
Passado o susto, ponderei.
Essa é uma questão que tem duas respostas.
Por um lado, se a gente levar em conta a quantidade de bactérias que existem dentro de uma boca e que cuspir e lamber as pessoas aleatoriamente são práticas categorizadas como nojentas, então beijo na boca é nojento, sim, uma vez que o que você faz é trocar saliva com um outro indivíduo.
Por outro lado, quando você quer uma pessoa e existe um sentimento, por mais fugaz que ele seja, beijar aquela pessoa é algo semelhante ao paraíso. Parafraseando George Michael, "Heaven is a kiss and a smile".
Assim sendo, assim expliquei - não com estas palavras, mas a idéia era essa.
"Você beijava na boca aquele seu namorado, né mãe?"
Sim, eu beijava... Mal sabe ela dos beijos da mãe...
"Beijei seu pai, inclusive."
"VOCÊ BEIJOU MEU PAI?!?" - absolutamente espantada com a surrealidade da afirmativa.
É, nessa próxima etapa a gente ainda não chegou...
Ainda não faz o menor sentido que a mãe tenha beijado algum dia o pai e que o resultado disso tenha sido ela.
Graças a Deus, porque eu ainda preciso de mais uns dois anos pra poder responder essa aí...
Uhmmmmm...
Sim, o interesse começa a aparecer e com ele as perguntas - Aquelas que as mães temem, suam frio, e que, aparecem sempre nas horas mais inesperadas e impróprias.
Passado o susto, ponderei.
Essa é uma questão que tem duas respostas.
Por um lado, se a gente levar em conta a quantidade de bactérias que existem dentro de uma boca e que cuspir e lamber as pessoas aleatoriamente são práticas categorizadas como nojentas, então beijo na boca é nojento, sim, uma vez que o que você faz é trocar saliva com um outro indivíduo.
Por outro lado, quando você quer uma pessoa e existe um sentimento, por mais fugaz que ele seja, beijar aquela pessoa é algo semelhante ao paraíso. Parafraseando George Michael, "Heaven is a kiss and a smile".
Assim sendo, assim expliquei - não com estas palavras, mas a idéia era essa.
"Você beijava na boca aquele seu namorado, né mãe?"
Sim, eu beijava... Mal sabe ela dos beijos da mãe...
"Beijei seu pai, inclusive."
"VOCÊ BEIJOU MEU PAI?!?" - absolutamente espantada com a surrealidade da afirmativa.
É, nessa próxima etapa a gente ainda não chegou...
Ainda não faz o menor sentido que a mãe tenha beijado algum dia o pai e que o resultado disso tenha sido ela.
Graças a Deus, porque eu ainda preciso de mais uns dois anos pra poder responder essa aí...
quarta-feira, dezembro 8
Hoje eu fiz...
...Pela primeira vez desde que me lembro.
A primeira vez que eu realizei, foi numa peça de teatro. Nunca achei que um dia fosse fazer.
Mas hoje estava eu lá...
Foi um dia punk pauleira.
Têm sido semanas punk pauleira - Joãozinho Podre perde feio.
Metade do dia trabalhei chorando, o pensamento no despertador tocando às 4 e meia da manhã e no pouco tempo que eu ia ter para dormir, um cansaço inominável e imensurável da vida e tudo que a cerca, atravessando a rua num passo rapidinho, eis que...
...Eu tenho cara de Guia Michelin, então, uma senhora me pára e pergunta por uma rua - isso acontece pelo menos uma vez por dia quando eu resolvo ir à rua - eu respondo:
- Blablablablabla, tem uma rua, a senhora não entra...
Pronto! Tava eu fazendo.
Sem querer, me saio com a coisa de "tem uma escada, a senhora não sobe", espalhei a minha confusão em direção ao domínio alheio.
A minha confusão anda cheia de percepções, cansada e confusa.
As percepções variam desde o nível genético - como a aceitação de que não importa que roupa eu use, sempre vai aparecer a alça do sutiã - a cansada vai desde a extrema infelicidade de estar lendo 3 livros ao mesmo tempo e não conseguir terminar nenhum, conjugada com a falta, falta, falta de tempo e a derrota de uma mãe que não resiste ao poder de um filho quando ele quer brigar com ela; o confuso abrage não poder postar um "hoje pensei em você", visto que a frase atingiria mais de uma pessoa, ainda que nenhuma delas seja a pessoa em que eu havia pensado no momento. Um pensa em mim, um não pensa, outro eu não sei, nenhum deles me dá futuro e aquele em quem eu pensei, nem sei por que ainda penso, se me causa tanta dor.
Hoje eu queria postar letras de músicas românticas nos outros lugares, queria uma porrada de outras coisas.
Tomei 3 cervejas, me despedi de quem devia, vou tomar fôlego e ir dormir o pouco que ainda posso.
Hoje não existiu felicidade.
Mas 2010 não foi feito de felicidades, muito pelo contrário.
Eu acabei com ele, mas ele não acabou comigo.
Amanhã outro avião.
Eu volto.
E na escada, não desço.
A primeira vez que eu realizei, foi numa peça de teatro. Nunca achei que um dia fosse fazer.
Mas hoje estava eu lá...
Foi um dia punk pauleira.
Têm sido semanas punk pauleira - Joãozinho Podre perde feio.
Metade do dia trabalhei chorando, o pensamento no despertador tocando às 4 e meia da manhã e no pouco tempo que eu ia ter para dormir, um cansaço inominável e imensurável da vida e tudo que a cerca, atravessando a rua num passo rapidinho, eis que...
...Eu tenho cara de Guia Michelin, então, uma senhora me pára e pergunta por uma rua - isso acontece pelo menos uma vez por dia quando eu resolvo ir à rua - eu respondo:
- Blablablablabla, tem uma rua, a senhora não entra...
Pronto! Tava eu fazendo.
Sem querer, me saio com a coisa de "tem uma escada, a senhora não sobe", espalhei a minha confusão em direção ao domínio alheio.
A minha confusão anda cheia de percepções, cansada e confusa.
As percepções variam desde o nível genético - como a aceitação de que não importa que roupa eu use, sempre vai aparecer a alça do sutiã - a cansada vai desde a extrema infelicidade de estar lendo 3 livros ao mesmo tempo e não conseguir terminar nenhum, conjugada com a falta, falta, falta de tempo e a derrota de uma mãe que não resiste ao poder de um filho quando ele quer brigar com ela; o confuso abrage não poder postar um "hoje pensei em você", visto que a frase atingiria mais de uma pessoa, ainda que nenhuma delas seja a pessoa em que eu havia pensado no momento. Um pensa em mim, um não pensa, outro eu não sei, nenhum deles me dá futuro e aquele em quem eu pensei, nem sei por que ainda penso, se me causa tanta dor.
Hoje eu queria postar letras de músicas românticas nos outros lugares, queria uma porrada de outras coisas.
Tomei 3 cervejas, me despedi de quem devia, vou tomar fôlego e ir dormir o pouco que ainda posso.
Hoje não existiu felicidade.
Mas 2010 não foi feito de felicidades, muito pelo contrário.
Eu acabei com ele, mas ele não acabou comigo.
Amanhã outro avião.
Eu volto.
E na escada, não desço.
terça-feira, novembro 30
Bingo!
"Tenha cuidado, Renata, entre os dias 30/11 (Hoje) e 17/12, com um certo sentimento de menos-valia e com pensamentos e atitudes que lhe levam a diminuir sua auto-estima, pois nesta fase o Sol estará se opondo à Vênus do seu mapa de nascimento. Este não é um trânsito particularmente forte, mas pode estar relacionado com uma tendência a enveredar por caminhos de autocrítica excessiva, com você se colocando em situações e circunstâncias em que sentirá inadequação ou desvalorização pessoal. Reconhecendo esta tendência antecipadamente, você pode evitar se expôr. Não permita que os outros lhe diminuam, mas saiba conscientemente que se alguém faz isso, é porque você se coloca em posição de permitir tal coisa!E, mais especificamente entre os dias 30/10 e 09/12, a Vênus em trânsito também estará afligindo o seu Sol natal, Renata, reforçando mais ainda esta predisposição a se colocar em situação de rebaixamento. Outra possibilidade para este período envolve o risco de você se envolver em problemas que são de uma futilidade sem igual, ou seja, dedicar energia e bobagens. Procure avaliar criticamente para onde você direciona a sua atenção, Renata!"
(Eu ando lacônica, eu sei)
(Eu ando lacônica, eu sei)
sexta-feira, novembro 26
Remake
Eu pedi.
Eu chamei.
Quase implorei - porque, felizmente eu já passei dessa fase, então fica tudo só aqui dentro da minha insana cabecinha.
Depois ele vai reclamar.
O deja vu é sinistramente sinistro e eu sinto cheiro de coisas não muito boas no ar.
Mas, eu já me enganei uma vez este mês.
Além de insana, a cabecinha está ficando confusa, fazendo nó de escoteiro.
Odeio remake.
Só Freud mesmo pra explicar por que diabos continuo fazendo.
Eu chamei.
Quase implorei - porque, felizmente eu já passei dessa fase, então fica tudo só aqui dentro da minha insana cabecinha.
Depois ele vai reclamar.
O deja vu é sinistramente sinistro e eu sinto cheiro de coisas não muito boas no ar.
Mas, eu já me enganei uma vez este mês.
Além de insana, a cabecinha está ficando confusa, fazendo nó de escoteiro.
Odeio remake.
Só Freud mesmo pra explicar por que diabos continuo fazendo.
Senta e chora
"Sol e Lua entram em ângulo harmônico entre os dias 26/11 (Hoje) e 28/11, Renata, agindo diretamente sobre as casas 10 (Sol) e 6 (Lua), o que favorece muito todas as questões práticas do seu dia-a-dia. Você se perceberá com muito mais organização por estes dias, conseguindo dar uma ordem às questões que lhe são caras e importantes. Estes são dias em que a responsabilidade chama, e você precisa dar ouvidos a estes chamados. Procure se dedicar aos seus afazeres importantes, deixando as questões românticas ou de lazer um pouco de lado por estes dias. Por várias razões, o astral está lhe dirigindo para o trabalho e a produção, seja profissional, seja estudantil."
quarta-feira, novembro 24
Hoje...
...Tudo que eu quero é agarrar meu bebê e ficar com ela junto de mim...
Ontem começou.
Primeiro, ela virou pra mim e disse que quando eu morresse ela ia poder fazer tudo o que ela quisesse - por que eu não quis deixar ela brincar no pátio do colégio debaixo de chuva.
Depois me chamou de bruxa - por que eu não quis deixar ela dormir na minha cama.
O pau comeu.
Minha mãe quando soube riu de se acabar.
Ela também já passou por isso.
Eu sei, assumo e tenho muita vergonha.
São momentos inevitáveis da vida.
Então hoje, lendo as notícias - que andam tão ruins - bateu aquele aperto no peito.
Bateu a vontade de ter ela aqui, protegida e criança e linda e sem saber das agruras do Mundo, debaixo da minha asa.
E não sair mais.
Só ficar aqui.
Com ela.
Esperando tudo de ruim passar e esperando só as boas coisas que ainda hão de vir.
Ontem começou.
Primeiro, ela virou pra mim e disse que quando eu morresse ela ia poder fazer tudo o que ela quisesse - por que eu não quis deixar ela brincar no pátio do colégio debaixo de chuva.
Depois me chamou de bruxa - por que eu não quis deixar ela dormir na minha cama.
O pau comeu.
Minha mãe quando soube riu de se acabar.
Ela também já passou por isso.
Eu sei, assumo e tenho muita vergonha.
São momentos inevitáveis da vida.
Então hoje, lendo as notícias - que andam tão ruins - bateu aquele aperto no peito.
Bateu a vontade de ter ela aqui, protegida e criança e linda e sem saber das agruras do Mundo, debaixo da minha asa.
E não sair mais.
Só ficar aqui.
Com ela.
Esperando tudo de ruim passar e esperando só as boas coisas que ainda hão de vir.
terça-feira, novembro 23
Eu tenho...
Uma bolha no dedo mindinho do pé, um roxo na coxa esquerda, um nariz arranhado, um monte de roupa limpa pra guardar, louça pra lavar, trabalho pra terminar, jantar pra fazer, seriado pra ver, livro pra terminar, projeto pra escrever, que passar no mercado e 4 fantasias pra costurar.
Hoje eu trocava meu sirviço de casa, minhas ideologias e crenças pessoais facinho, facinho por um trabalho dentro de um escritório de verdade.
E o pior é que eu nem posso parafrasear o amigo que brada no MSN : "Compro horas extras pro meu dia", porque eu nem ando podendo comprar nada...
Hoje eu trocava meu sirviço de casa, minhas ideologias e crenças pessoais facinho, facinho por um trabalho dentro de um escritório de verdade.
E o pior é que eu nem posso parafrasear o amigo que brada no MSN : "Compro horas extras pro meu dia", porque eu nem ando podendo comprar nada...
quinta-feira, novembro 4
Tá.
O homem-que-conserta-a-máquina não me deu cano.
Ele só chegou uma hora e meia atrasado.
E a máquina fez a vergonha de funcionar normalmente - o que configurou um desperdício absurdo de recursos, visto que eu tive que pagar a visita.
Segundo a minha mãe, a máquina estava com saudades dele e eu deveria contratar ele para vir visitar pelo menos uma vez por mês.
O homem-que-conserta-a-máquina não me deu cano.
Ele só chegou uma hora e meia atrasado.
E a máquina fez a vergonha de funcionar normalmente - o que configurou um desperdício absurdo de recursos, visto que eu tive que pagar a visita.
Segundo a minha mãe, a máquina estava com saudades dele e eu deveria contratar ele para vir visitar pelo menos uma vez por mês.
E ainda por cima tomei um cano do homem-que-conserta-a-máquina, que fez o favor de quebrar cheia de água e roupas dentro de novo - o que significa que terei que encarar o tanque antes que as roupas no balde apodreçam.
Um retrocesso essa coisa de lavar roupa no tanque.
Em pleno século XXI é o absurdo dos absurdos e eu faço chorando - literalmente.
E amanhã ainda tem dedetização.
Minha casa é equipada com um mecanismo ectoplásmico que desintegra as pobres baratas que fizeram a besteira de resolver vir dar uma voltinha aqui pelo meu barraco. Tipo assim, em 3 anos, apareceram 3. As duas últimas euzinha mesma afoguei em veneno. A pegadinha é que depois voltei pra buscar o cadáver e não havia cadáver algum! Elas simplesmente desaparecem.
Mesmo assim, o prédio está passando por um momento de, digamos, volta à vida depois de um longo período em coma. Parte da reabilitação é envenenar e exterminar a população de ratos e baratas que pode, e creio eu vive, lá do lado de fora.
Logo, se eu não fizer também, a possibilidade de êxodo em direção ao meu quase imaculado santuário é enorme.
Então, faremos.
Pruma pessoa que já estava arruinada por conta da micareta de aniversário filial (que, aliás, será assunto de outro post), duas despesas desta magnitude numa semana são de sentar e chorar (ainda mais quando existe a chance de... uhmmmm... coisas... no fim de semana). E eu choraria de bom grado, não fosse meu potinho cheio de moedinhas de prontidão para um assalto e o sono, o sono, o enorme sono.
Ainda não se pode dormir nesta casa.
A reabilitação parece ter tomado conta de todas as pessoas do mundo e continua caindo como uma pedra sobre a minha cansada cabeça. Me sinto como o coiote do papa léguas, que fica caindo do precipício, caindo do precipício... Cada vez que eu acho que vou conseguir dormir um pouco além das 7 da manhã, vem um peão qualquer e bate uma marreta no teto como se não houvesse amanhã ou bota alguma máquina que corta ou lava ou encera qualquer coisa para funcionar.
Minha sanidade mental está indo para a casa do c$#alho.
Ando pensando seriamente em fazer uma abordagem digna dos outro moradores aqui do The Bramford e convencê-la a fazer uma espécie de Semana Nacional Sem Obras.
Um retrocesso essa coisa de lavar roupa no tanque.
Em pleno século XXI é o absurdo dos absurdos e eu faço chorando - literalmente.
E amanhã ainda tem dedetização.
Minha casa é equipada com um mecanismo ectoplásmico que desintegra as pobres baratas que fizeram a besteira de resolver vir dar uma voltinha aqui pelo meu barraco. Tipo assim, em 3 anos, apareceram 3. As duas últimas euzinha mesma afoguei em veneno. A pegadinha é que depois voltei pra buscar o cadáver e não havia cadáver algum! Elas simplesmente desaparecem.
Mesmo assim, o prédio está passando por um momento de, digamos, volta à vida depois de um longo período em coma. Parte da reabilitação é envenenar e exterminar a população de ratos e baratas que pode, e creio eu vive, lá do lado de fora.
Logo, se eu não fizer também, a possibilidade de êxodo em direção ao meu quase imaculado santuário é enorme.
Então, faremos.
Pruma pessoa que já estava arruinada por conta da micareta de aniversário filial (que, aliás, será assunto de outro post), duas despesas desta magnitude numa semana são de sentar e chorar (ainda mais quando existe a chance de... uhmmmm... coisas... no fim de semana). E eu choraria de bom grado, não fosse meu potinho cheio de moedinhas de prontidão para um assalto e o sono, o sono, o enorme sono.
Ainda não se pode dormir nesta casa.
A reabilitação parece ter tomado conta de todas as pessoas do mundo e continua caindo como uma pedra sobre a minha cansada cabeça. Me sinto como o coiote do papa léguas, que fica caindo do precipício, caindo do precipício... Cada vez que eu acho que vou conseguir dormir um pouco além das 7 da manhã, vem um peão qualquer e bate uma marreta no teto como se não houvesse amanhã ou bota alguma máquina que corta ou lava ou encera qualquer coisa para funcionar.
Minha sanidade mental está indo para a casa do c$#alho.
Ando pensando seriamente em fazer uma abordagem digna dos outro moradores aqui do The Bramford e convencê-la a fazer uma espécie de Semana Nacional Sem Obras.
E já que estamos...
...postando freneticamente...
É hoje!
Tomara que eu consiga não dormir no meio...
(Não por ser chato, mas por estar sendo um dia.)
É hoje!
Tomara que eu consiga não dormir no meio...
(Não por ser chato, mas por estar sendo um dia.)
Não me sai da cabeça hoje...
"Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E desses dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos.
Este é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas.
Vamos lá tudo bem - eu só quero me divertir
esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar.
(...)
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas.
Vamos lá tudo bem - eu só quero me divertir
esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e artilharia
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém. "
(E nem é uma das minhas favoritas... Porém, pertinente.)
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E desses dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos.
Este é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas.
Vamos lá tudo bem - eu só quero me divertir
esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar.
(...)
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas.
Vamos lá tudo bem - eu só quero me divertir
esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e artilharia
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém. "
(E nem é uma das minhas favoritas... Porém, pertinente.)
Senhora
Não consigo me lembrar.
Faz alguns dias, tento me lembrar em que momento específico eu me transformei numa "senhora".
A lembrança mais antiga vem de um festival de rock, onde eu já tinha lá meus 27, 28 e um rapazinho de seus 17,18 vendia os refrigerantes superfaturados.
Mas não sei se foi a primeira vez.
Só o que eu sei é que hoje, eu sou uma "senhora".
Ontem, andando na rua, numa caminhada de pouco mais de dez minutos, a alcunha surgiu duas vezes ao longo do caminho.
Ela vem de um porteiro, de um transeunte desconhecido, de uma mãe com uma criança, da atendente do telemarketing, da caixa do mercado, do jornaleiro...
Vem sem permissão nenhuma, uma vez que a "senhora" aqui passa a maior parte de seu tempo não sentindo a idade que já tem.
A "senhora" entende que é um sinal de educação e respeito - segundo algumas correntes bastante deturpado, mas este não é o assunto aqui - e fica imaginando se a nova alcunha vem junto com o pacote de responsabilidades sociais que ela tem que cumprir e seguir todos os dias, já há algum tempo e até morrer ou ficar senil - o que vier primeiro.
A "senhora" entende, mas não lembra; a alcunha agora faz parte do que ela é, da pessoa dela.
Andando nas ruas todos os dias, me lembro de um livro que minha filha leu este ano, que conta a história de uma menina que sai para passear com a tia. A tia é distraída e no meio do caminho, ao invés de dar a mão à menina, dá a mão para um macaco de realejo durante o passeio, recuperando a menina ao final e sem nem perceber que havia feito alguma troca.
Lembro do livro porque quando andamos na rua, nossas mãos se pegam automaticamente; mesmo não havendo rua a atravessar, mesmo não havendo obstáculo, nada. Elas simplesmente vão se pegando e se dando e se namorando ao longo dos nossos caminhos, sejam eles quais forem.
Em muitas dessas vezes, nós sequer nos olhamos ou estamos conversando.
São as mãos. Sozinhas. Que se pegam.
E daí que eu imagino o que aconteceria se um dia minha mão pegasse uma outra mão que não a dela. Se ela pegasse outra mão que não a minha.
O medo dessa situação é o tipo de coisa que me transforma em uma "senhora".
Garotinhas não precisam se preocupar com mãos enamoradas - ou a perda delas.
À noite, todos os dias, lembro da prateleira branca da sala, onde enfileiro metodicamente, de acordo com a data de vencimento, cada uma das 8 contas que tenho que pagar mensalmente (outras 4 não me mandam boletos) e faço contas. Contas frenéticas e furiosas.
Que não deixam a minha cabeça descansar ao longo de todo o dia seguinte, e a noite, e o dia...
Garotinhas não precisam se preocupar com contas a pagar.
Semanas sim, semanas não, dias sim, dias não, vem aquela angústia no peito quando penso em tudo que preciso estudar, quando faço planos acadêmicos. Hora é angústia, hora é fome. Mas os planos não param, não descansam.
A vontade que eu tenho agora de estudar incessantemente só dá em "senhoras".
Que dizer do coração - que quer um outro tipo de amor e já não tem paciência para o que antes era satisfatório - do corpo - que já não tem a mesma elasticidade e resistência aos prazeres mundanos e alcóolicos da vida - dos desejos - tão diferentes!
Coisas de "senhora".
E na maior parte do tempo é realmente assim.
Na maior parte dos dias, minha casa é meu programa predileto e beber uma cerveja em frente à tv um prazer imenso.
Mas tem dias...
Dias em que eu me pergunto...
Dias em que não me sinto como uma "senhora".
Não sinto nada disso e meus anos diminuem pela metade.
Em que quero sair, dançar, beijar, rir, perder a consciência e a conseqüência.
Dias em que eu tento me lembrar e não consigo, em como fui me transformar nesta jovem senhora.
Faz alguns dias, tento me lembrar em que momento específico eu me transformei numa "senhora".
A lembrança mais antiga vem de um festival de rock, onde eu já tinha lá meus 27, 28 e um rapazinho de seus 17,18 vendia os refrigerantes superfaturados.
Mas não sei se foi a primeira vez.
Só o que eu sei é que hoje, eu sou uma "senhora".
Ontem, andando na rua, numa caminhada de pouco mais de dez minutos, a alcunha surgiu duas vezes ao longo do caminho.
Ela vem de um porteiro, de um transeunte desconhecido, de uma mãe com uma criança, da atendente do telemarketing, da caixa do mercado, do jornaleiro...
Vem sem permissão nenhuma, uma vez que a "senhora" aqui passa a maior parte de seu tempo não sentindo a idade que já tem.
A "senhora" entende que é um sinal de educação e respeito - segundo algumas correntes bastante deturpado, mas este não é o assunto aqui - e fica imaginando se a nova alcunha vem junto com o pacote de responsabilidades sociais que ela tem que cumprir e seguir todos os dias, já há algum tempo e até morrer ou ficar senil - o que vier primeiro.
A "senhora" entende, mas não lembra; a alcunha agora faz parte do que ela é, da pessoa dela.
Andando nas ruas todos os dias, me lembro de um livro que minha filha leu este ano, que conta a história de uma menina que sai para passear com a tia. A tia é distraída e no meio do caminho, ao invés de dar a mão à menina, dá a mão para um macaco de realejo durante o passeio, recuperando a menina ao final e sem nem perceber que havia feito alguma troca.
Lembro do livro porque quando andamos na rua, nossas mãos se pegam automaticamente; mesmo não havendo rua a atravessar, mesmo não havendo obstáculo, nada. Elas simplesmente vão se pegando e se dando e se namorando ao longo dos nossos caminhos, sejam eles quais forem.
Em muitas dessas vezes, nós sequer nos olhamos ou estamos conversando.
São as mãos. Sozinhas. Que se pegam.
E daí que eu imagino o que aconteceria se um dia minha mão pegasse uma outra mão que não a dela. Se ela pegasse outra mão que não a minha.
O medo dessa situação é o tipo de coisa que me transforma em uma "senhora".
Garotinhas não precisam se preocupar com mãos enamoradas - ou a perda delas.
À noite, todos os dias, lembro da prateleira branca da sala, onde enfileiro metodicamente, de acordo com a data de vencimento, cada uma das 8 contas que tenho que pagar mensalmente (outras 4 não me mandam boletos) e faço contas. Contas frenéticas e furiosas.
Que não deixam a minha cabeça descansar ao longo de todo o dia seguinte, e a noite, e o dia...
Garotinhas não precisam se preocupar com contas a pagar.
Semanas sim, semanas não, dias sim, dias não, vem aquela angústia no peito quando penso em tudo que preciso estudar, quando faço planos acadêmicos. Hora é angústia, hora é fome. Mas os planos não param, não descansam.
A vontade que eu tenho agora de estudar incessantemente só dá em "senhoras".
Que dizer do coração - que quer um outro tipo de amor e já não tem paciência para o que antes era satisfatório - do corpo - que já não tem a mesma elasticidade e resistência aos prazeres mundanos e alcóolicos da vida - dos desejos - tão diferentes!
Coisas de "senhora".
E na maior parte do tempo é realmente assim.
Na maior parte dos dias, minha casa é meu programa predileto e beber uma cerveja em frente à tv um prazer imenso.
Mas tem dias...
Dias em que eu me pergunto...
Dias em que não me sinto como uma "senhora".
Não sinto nada disso e meus anos diminuem pela metade.
Em que quero sair, dançar, beijar, rir, perder a consciência e a conseqüência.
Dias em que eu tento me lembrar e não consigo, em como fui me transformar nesta jovem senhora.
sexta-feira, outubro 29
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