sexta-feira, outubro 30

Em Breve

...Internet em casa.
Visualizo um futuro negro...

Trabalho rural

No meio de todos os preparativos para a micareta de aniversário, me foi oferecido um trabalho.
Temporário, mas urra!, uma coisa que a gente procura e não tem há alguns anos é sempre bem vinda, seja lá qual for a confusão domiciliar que você esteja metida.
Um trabalho, vamos dizer assim, rural.
E instrutivo.
Já no dois primeiro dia eu descobri que:
Traíras são realmente traíras – elas comem peixinhos inocentes.
Hitler devia gostar de touros (não li “Minha Luta”, ainda que ache que deva ler algum dia pela relevância histórica da coisa, então não posso fazer esta afirmação com 100% de certeza), porque existe uma busca por exemplares geneticamente perfeitos bizarra no meio.
Que bananeiras têm sigatokas nas axilas.
...Dentre outras coisas...

(À noite, durante um breve intervalo, peguei uma família de cochonilas pondo ovos na minha roseira. Agora eu sei o que são e já vi cochonilas.)

No segundo e no terceiro dias, tive a imagem perfeita de mim mesma como uma caricatura mais cheia e bonita de Beavis and Buthead.
Ouvia expressões como “Pantanal da nhecolândia”, “distribuição de sêmen para as comunidades carentes”, “época de montagem” e começava a gargalhar sozinha.

Hoje, quase uma semana depois, estou tendo trecos de irritação em perceber como as pessoas de um modo geral falam mal.
ÃÃÃÃÃ...
ÉÉÉÉÉ...

E rola uma certa dor de ouvido por ter que ficar com os fones, uma vez que o som do computador é algo de bem baixo.

Chega a ser irônico que eu, uma pessoa que nem gosta quando o telefone toca, tenha que trabalhar com barulhos e sons a maior parte do dia.

Getting old

- Mãe, quando eu tiver 6 anos eu vou ser do seu tamanho, né?
- Quando você tiver 16, você quer dizer...
- Nããããããããooooooo, 16 é muito velhinha!
(Gargalhada materna.)
- Poxa, então eu sou uma múmia!!!
- Não, mãe...
- Mas eu tenho duas vezes 16!
(O queixo da criança cai e seu rosto fica com uma expressão de horror profunda.)
(Ela se recompõe.)
- Tá bom, então.
- O que que tá bom?
- 16 não é tão velha...


Preciso urgentemente me render aos cremes antirugas.

A festa

...De qualquer forma, o Veríssimo tem toda razão: festa de criança sem birita, não dá.
Organizar uma festa de criança em casa é um trabalho hercúleo que começa bem antes da festa.
Existe a excursão, ou excursões como foi o caso, à lojinhas de artigos de festas em busca do tema encomendado pela criança, do confeito perfeito, da lembrancinha pros amigos... São horas e mais horas de solas de sapato jogadas ao vento e uma coisa bem próxima dos milhões de dólares.
Antes de qualquer coisa, é preciso arrumar o barraco.
Avós, tias, amigos e toda a sorte de pessoas vão transitar pela casa e, no meu entender, ela tem que estar im-pe-ca-vel-men-te arrumada. Observando o meu nível de histeria – já que passo dois dias falando com as pessoas de cima de um armário qualquer porque realmente acredito que as pessoas vão enxergar os coelhos de poeira que moram em cima dos armários – minha mãe, temendo um acidente brutal quando eu começo a discorrer sobre limprar as janelas, resolve me ceder a faxineira dela um dia para que ela execute essa tarefa.
Começo a me sentir muito mal com esse meu luxo de sinhá – coisa que só piora quando passo o rodo no estoque de cervejas e refrigerantes das Sendas e preciso contratar o serviço de entrega a domicílio, feito por um senhor bem mais velho que eu que faz questão de me acompanhar pelo caminho enquanto empurra o carrinho com as minhas coisas. Pela primeira vez desde que eu me mudei, o porteiro ajudou a descarregar as compras, acredito que para ganhar um trocado; mas a sinhá é de quinta, então não tinha um mísero trocado (de verdade) e ele ficou a ver navios.
Aposto que não me ajuda nunca mais e que vai sumir com alguma das minhas contas preu pagar multa só de vingança.
Mas as janelas ficam limpas e a birita garantida.
Teoricamente, o menu da festa deve comportar coisas que sejam do gosto tanto dos adultos quanto das crianças.
Por elas, eu posso dizer com confiança: bastava um fandanguinho em cima da mesa que já ficava geral na maior felicidade; mas não! Lá vai a mãe (com bastante influência da avó) inventar hambúrguer, cachorro quente, empada, várias coisas super práticas de se ter à mesa. Elas só precisam que você não dê mole e esquente fornadas e mais fornadas variadas de cada uma delas – o que faz com que a mãe da criança, que também é da dona da casa, seja facilmente encontrada durante os festejos dentro da cozinha com um pano em cima do ombro, suando em bicas por causa do calor do fogão, mas sem perder o glamour do alto de suas chinelas de strass.
E tem que ter bolo e brigadeiro!
Mamãe tem alguns desvios de conduta. Um deles é a recusa premente de pagar uma padaria de quinta (tá, segunda) uma fortuna para que eles façam um bolinho de chocolate de nada.
O que leva nossa pobre mamãe de volta ao fogão – ou inicia a sua saga, já que o bolo é feito antes da festinha.
O brigadeiro requere ajuda já que, apesar de gorda e balzaca, o brigadeiro da mamãe nunca deu e hoje nem tem mais pretensão de dar ponto para enrolar. Sobra para a madrinha.
Na véspera da festa, o saldo de cervejas já consumidas já ultrapassa uma caixa.
E alguns brigadeiros lembram aquele papel famoso do Eric Stoltz – o Rock Dennis.
E tome mãe de metro e meio subindo em parapeito de janela pra pendurar bola!
Bolas estas que vão ficar penduradas um bom tempo...
Duas horas antes, cerveja no gelo, comida entregue,criança de banho tomado, tudo pronto.
Pelas próximas sete horas eu iria me dividir entre todos os cômodos e convidados da casa, num ritmo tão frenético que entabular duas frases era uma tarefa digna de medalha.
Lembrei do Veríssimo.
Na última hora, consegui sentar, beber e conversar com meus amigos.
Depois que a última pessoa foi embora, a criança foi banhada e posta para dormir, copos e pratos foram recolhidos.
Lembrei de novo do Veríssimo e agradeci por só ter que fazer uma festa por ano.
O plano era comemorar sozinha o sucesso da empreitada bebendo uma cerveja com calma – todas ficavam quentes ou perdidas pela casa antes que a gente pudesse ter uma relação mais íntima.
Acabei dormindo, antes que pudesse começar uma relação mais íntima com qualquer cerveja, agradecendo por só ter que fazer uma festa por ano, com o corpo todo destruído e imensamente feliz por olhar a felicidade de quem – excepcionalmente – havia tido permissão para no fim de tudo isso vir dormir abraçada comigo.

5 anos

Aniversário.
Se no nosso, já fica impossível não fazer uma retrospectiva do que foi o ano que passou e o que a gente espera pro que vai vir, no dos filhos, é igualmente inevitável lembrar, lembrar, lembrar...
Lembrar que, há 5 anos atrás, a esta hora eu já não podia nem comer nem beber nada há algumas horas – e isso era ruim.
Lembrar que, às 22:26 da noite, a mala já estava pronta.
Lembrar que existia uma enorme ansiedade para saber se o que estava dentro de mim tinha mesmo aquela carinha que apareceu na última ultra.
Tinha.
Tinha, mas ainda era de verdade.
É inevitável lembrar de todo o caminho que a gente percorreu até aqui.
Ver como as duas cresceram.
No caso dela, bate um aperto no peito se eu penso tudo que ainda vai acontecer com ela...
Nos amores que ela vai ter e que não vão ser correspondidos, nas provas em que ela vai bombar, no momento em que ela vai descobrir que a vida não é um conto de fadas, que ela não vai conseguir ser cantora, pilota, construtora, médica de bichos e professora ao mesmo tempo.
Aperta o peito a cada par de meias que ela bota sozinha, a cada resposta malcriada que eu nem imaginava que ela pudesse dar, a cada jogo novo que ela descobre no computador, a cada passo de balé.
Ao mesmo tempo que é muito bom ver um filho crescer e se tornar mais independente, também é muito ruim saber que o dia em que ele vai te deixar chega cada vez mais perto.
Todas as noites eu agradeço pela filha companheira, bem humorada, carinhosa e maravilhosa que eu tenho. Todos os dias é ela o motivo deu levantar da minha cama e tocar os piores e melhores dias.
Hoje, virada do avesso depois de uma festinha caseira com sucesso absoluto de público e crítica onde trabalhei cachorramente, ela me disse:
“Quando eu crescer vou querer ser cantora, bailarina, construtora, médica de bicho, pilota... e mãe! Mas mãe eu vou ser todo dia!!!”
Pronto.
Pra mim, já valeu o dia.
Ganhei o meu presente de hoje.
Porque tem 5 que eu ganho um novo todos os dias.
E, nossa! Como vale a pena!

quinta-feira, outubro 15

Kevin Costner Mode On

Feriado.
4 pessoas numa mesa de bar.
Chegam outras duas pessoas, cumprimentam duas das pessoas já sentadas e saem.
"Puxa, a gente é mal educado, né?"
"Ai, tudo bem, eu não preciso conhecer mais ninguém mesmo..."

A mesa riu, mas o pensamento é mais ou menos esse mesmo.
Não é porque você mora numa cidade que tem milhões de habitantes que deve conhecer um milhão de pessoas.
Nem tem espaço no hard disk pra isso!
Eu gosto de curtir as pessoas que eu já conheço...
Conversar com elas, sair com elas...
Não precisa mais.
Ainda que eu saiba que elas virão.

quarta-feira, outubro 14

Além desse, voltei ao Projeto Aprendendo a Dormir no Meio da Cama.
Ao Projeto Fure Você Mesma a Parede.
Ao Projeto Vamos Revelar Fotos Antigas.
Ao Projeto Abaixo a Gilete.
E ao Projeto Vamos Ser Fortes e Resistir às Tentações...
Uma mulher muito projetada eu...

Mural de Balzaca

...Andei queimando muitos neurônios...
...Compensou imensamente, mas, logo depois de sair de uma prova que me deixou literalmente de pernas bambas, aproveitei a rebordosa, o antibiótico (que acabou, acabou, acabou graçasadeus!!!) e lá fui eu me internar na minha cama para ler todas as revistas que ganhei de presente...
Apesar de precisar queimar muitos outros neurônios, é um daqueles momentos na vida em que só o que vai me salvar é Coleção Vagalume, Sidney Sheldon...
É uma pausa rápida pra perfumaria...

...Então, numa dessas revistas tava lá: O Cozinheiro.
Quase peladão.
Mas, pruma mulher, o quase peladão é tão bom quanto o peladão em si.
Olhei praquela foto e pensei que eu devia pendurar ela na parede do meu quarto.
Aí fui pensando em todos os caras que a gente pode dizer que são ídolos de alguma forma...

... Lembrei dos 14 anos.
Aquela parede cheia de Tom Cruise em uniforme de piloto, Axel Rose de shortinho de lycra... Típica parede de menina de 14 anos.
Percebi que, hoje, aos 32, os cantores e atores que eu gosto não são mais os mesmos, nem têm o mesmo visual... A grande maioria de fotos seria de escritores - com pequenas excessões para os dois grupos anteriores...
Pensei nas mudanças e no grupo que mereceria figurar desse meu novo mural...
Todo mundo com barriguinha, quase todos de barbinha, muita coisa dentro e nada que costume interessar o público geral fora...

Mural de Balzaca.
Meu novo projeto novo para 2010.

segunda-feira, outubro 5

...ai, tô em crise...

domingo, outubro 4

Delegando Culpa

Aquele pessoal da auto ajuda, do esoterismo, dessa bobajada toda, costuma dizer que se a gente repetir bastante alguma coisa, ela se realiza.
Que a palavra tem poder.
Ok.
Eu acredito nisso.
Sempre acreditei.
Passo horas e horas do meu dia repetindo coisas variadas - que, dependendo do meu humor, podem ser coisas bem suaves e felizes até ameaças (veladas) de estrangulamento ou alguma coisa parecida.

Como meu ano foi bastante barra pesada no quesito que diz respeito àquele músculo disforme e esmigalhado que eu trago dentro do peito, por muitas vezes passei o dia cantando:

"De hoje em diante
Vou modificar o meu modo de vida
(...)
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim
"

Não só não funcionou, como eu não sei se ainda se sinto raiva do povo biruta, do Rei, do Seguimundo ou de mim mesma...
...Essa coisa de mulher civilizada que tem delegar culpa à alguém ou àlguma coisa ainda vai acabar comigo...

E eu ainda me espanto...

- E aí quando a gente morrer, vão vir vários bichinhos e comer toda a nossa carne lá embaixo da terra até não sobrar nada, não é, mãe?

Vida de Adulta

...Passava uma coisa qualquer na televisão quando eu me senti sentindo saudades de uma alegria plena que, ou não me acomete há muito, muito tempo, ou que eu nunca senti...
...Senti saudade de ter inocência, da vida descomplicada onde a maior preocupação é a prova de matemática e, por falta de maior compromisso, existia sempre uma festa americana planejada em coisa de meia hora...
...Saudade de quando achar que uma coisa era eterna era sinônimo de felicidade e não o despertar de uma furiosa vontade de chorar...

Quando me batem essas saudades, batata: TPM ou é Dia de Conta Pra Pagar.

Coisas extremamente simbólicas que me lembram do quanto eu cresci, encaretei, acabei ficando esmigalhada de afazeres e responsabilidades e preocupações. As mesmas que eu via a minha mãe ter quando era criança e não conseguia entender.
Mesmo hoje, entendendo, não posso dizer que entenda.
Porque eu não entendo e não gosto do preço alto que se paga pelos afazeres, responsabilidades e preocupações, que a gente chama de "liberdade".
Quanto mais preso a gente se sente, mais liberto - independente - também. E isso tudo é muito louco demais pra mim.

Nesses momentos, eu saio empurrando minhas pedras, resolvendo meus problemas, desfiando meus novelos...
Empurro aqui, resolvo ali, desfio lá e, quanto mais adulta e resolvida eu fico, mais eu sinto saudades...

Nesse final de semana eu fui lá, venci meus medos, tive um momento "Fome Animal", com direito a pus, sangue e um belo buraco pra enfeitar minha perna direita. Resolvi sozinha. Ainda que tenha chorado por horas a fio, dado chilique e gasto minhas parcas economias em remédios.
Muito adulta.
Muito independente.
Um final de semana em que fiquei de perna pra cima, sem andar, fazendo curativo em mim mesma e completamente sozinha.
O antibiótico de ouro cumpre a sua função.
Dois dias depois eu já posso andar sem dor.
A perna vai ficar boa.
Eu penso se existe a possibilidade do remédio estar curando outras coisas que eu nem se existem dentro de mim - e penso nisso como uma coisa boa.
A única coisa que o remédio não cura - insiste em não curar - é a saudade.

...Saudade de uma vida mais leve, despreocupada, feliz...
Completamente utópica.
E sem cura.

sábado, setembro 26

Círculo Vicioso

E então você passa um bom tempo sonhando com alguma coisa.
Estabelecendo padrões, definindo o que voce quer, acendendo velas pra Santo Antônio - eu não roubo mais o menino ou afogo a imagem depois que me chamaram a atenção de que o Santo até manda alguém depois, mas alguém horrível, só vingança.
E começa a procurar.
No meio do caminho, tropeça em vários pessoas que não são o que voce espera; até que um dia, tropeça no cara que você esperava.
O que acontece depois não fica bem definido, porque voce não sabe direito se é porque ele te dá a atenção que voce queria, se é porque ele tem vontade de verdade de estar perto de voce, mas a coisa acaba não acontecendo como voce esperava que acontecesse.
Perde noites em claro pensando na surrealidade da situação.
Sem querer acaba machucando alguém.
E termina com um sentimento mau dentro do peito.
E frases más no celular.
Os dias vão passar.
E voce vai voltar ao Santo, vai voltar a treinar dormir no meio da cama sozinha; daqui a pouco vai voltar a procurar - mesmo achando que as chances de um acerto diminuem a cada dia.
Não sem um pouco de tristeza.
Não sem xingar um pouco o Tio Segmundo.
E continuar sobrevivendo.

terça-feira, setembro 22

Duas Datas, Um Ano.

Em 2008.
19 de setembro foi sexta.
19 de setembro foi a segunda vez na minha vida que eu botei um homem pra fora de casa.
A bebedeira, que seguia sem grandes novidades, descambou pruma discussão - que começou no meio da rua, testemunhada por olhares tão ébrios quanto os das pessoas que gritavam entre si, e foi acabar num quarto. Pra sempre.
Não só o homem e as coisas que eu consegui pegar e enfiar dentro de uma sacola de mercado (camisetas, cuecas, bermudas) enquanto gritos se misturavam com lágrimas.
Quando eu fechei (bati) aquela porta - a minha porta - muito mais coisa foi junto com aquele homem.
Naquela madrugada, um Amigo me consolou, me abraçou, ouviu, bebeu comigo e ficou todo ensopado de lágrimas.
Um Amigo que, há anos, faz dessas de atender telefone no meio da madrugada e vir correndo me socorrer, mas que também não faz só isso - a gente também ri muito há muitos anos.
Eu fui dormir bem mais calma, mas com uma dor que quase não cabia dentro do peito.

Em 2009.
19 de setembro foi sábado.
Guardei bem os dias da semana e a data porque uma Amiga faz aniversário dia 20; e, no dia 20 do ano passado ela havia dançado no dia do próprio aniversário, e as danças só acontecem aos sábados.
Neste ano eu também fui ver Amigas dançarem.
Duas outras Amigas.
Não era aniversário de nenhuma delas, mas, nos últimos anos, essas duas Amigas saíram das almofadinhas que ficam no chão para a mesa dos adultos dentro do meu coração.
No caminho, dentro de um 569, sem querer olhei pro lado, vi o homem.
Meu coração não bateu como costumava bater, mas ele ainda é uma lembrança ruim.
Ele ainda está no mesmo lugar, com a mesma cara.
Eu ia para o mesmo lugar que havia ido há um ano atrás.
Mas eu não estou mais no mesmo lugar ou tenho a mesma cara.

Em 2008
20 de setembro foi sábado.
Como se eu não tivesse chorado a alma - como só fui chorar apenas uma vez depois e por motivos em nada semelhantes, ainda que ambos digam respeito ao abandono - levantei.
Me banhei, me arrumei, me enfeitei como não fazia há tempos.
E fui ver, pela primeira vez, minha Amiga numa apresentação de dança do ventre.
Uma mesa enorme me esperava, cheia de Amigos e amigos.
Todo mundo muito feliz, comemorando.
Eu, louca para ir embora - observando a felicidade alheia e rindo da desgraça alheia.
Quando a dança acabou e eu achei que já poderia ir sem fazer desfeita ou algo do gênero, voltei pra casa e chorei olhando pruma sandália havaiana, até dormir.

Em 2009
20 de setembro foi domingo.
A Amiga que dançava ano passado hoje amamenta um lindo e robusto bebê faminto. Continua aniversariando, mas hoje não dança mais.
Os Amigos naquela casa, neste dia, sentam todos à Grande Mesa; e a casa me é muito mais familiar e querida do que era no ano que passou.
No dia anterior, a mesa do bar era mesma, mas não eram as pessoas que lá estavam ou sentavam conosco.
Muitas se separaram, algumas encontraram um novo par, novas amizades se formaram, novas crianças nasceram - as pessoas que dançam não são mais as mesmas.

Ainda me espanta a quantidade de coisas e pessoas que podem acontecer no período de um ano. Me espanta a quantidade de pessoas que entram, que vão embora; como há dois meses atrás eu me treinava para aprender a dormir no meio da cama, aceitando a inevitabilidade da solidão; como há apenas um mês atrás, sentia que ocupava muito espaço no mundo à toa e hoje me falta espaço para ocupar tudo o que devo.
Perceber o passar de um ano todo e tudo o que aconteceu neste ano me espanta.
Coroei a passagem com tantos beijos e abraços e Amigos que dentro do meu peito, hoje, não cabe mesmo, nenhuma dor.

quarta-feira, setembro 16

Facinha, facinha...

Meu Mundo por uma manicure, uma faxineira e um passaporte pro Festival do Rio.


...Alguém...?

quarta-feira, setembro 9

Do You Realize?

De vez em quando eu escuto muita música.
É uma coisa que varia com o humor, com o tempo, com aquelas coisas todas...
E, de vez em quando, quando eu escuto música, eu volto a ouvir coisas que não ouvia há algum tempo...

"Do You Realize - that you have the most beautiful face
Do You Realize - we're floating in space -
Do You Realize - that happiness makes you cry
Do You Realize - that everyone you know someday will die

And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round

Do You Realize - Oh - Oh - Oh
Do You Realize - that everyone you know
Someday will die -

And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast

It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round

Do You Realize - that you have the most beautiful face
Do You Realize
"

Ouvi.
Prestei atenção na letra.
...E lá veio o revertério!

Do dia para a noite, passei a dizer tanto para as pessoas que eu as amo que uma das amigas reclamou dizendo que nem o namorado dizia tanto isso para ela; tenho ouvido mais música e bem mais alto; não tenho pensado duas vezes antes de chutar os estudos para a monografia para cima para ficar com as pessoas que eu amo (e eu sei que vou pagar caro por isso); faxina eu faço quando eu quero e até tenho tirado fotos sorrindo.
Do dia para a noite, reservei todos os finais de semana para ir a todos os aniversários das pessoas - ultimamente comemorados em lugares onde eu não iria se estivesse no que as pessoas chama de "meu juízo perfeito"; compareci a três chás de bebê e visito religiosamente a amiga que já deu à luz ao seu pequeno moleirabanger; passei a dar presentes para as pessoas com uma determinação furiosa que não me assaltava há anos; arrastei estantes e vou pintar paredes.
Do dia para a noite, por causa de uma música, porque eu me dei conta...

terça-feira, setembro 1

A felicidade de uns...

De vez em quando eu descompenso.
Tem TPM, trabalho de faculdade, telefone que não toca, roupa pra lavar, falta de grana... Eu descompenso.
E quando eu descompenso o mundo fica ruim.
Cada defeito que eu dou ou que a criança dá nesse período é coroado por gritos - pelos quais eu pago o preço caindo em prantos no meu travesseiro quando o cai o silêncio na casa, me achando uma mãe horrenda e malvada.
Mas é quando existem manhãs como a de hoje, que eu vejo que isso acontece com todo mundo.
Às 9:20 da manhã, um vizinho gritava.
Gritava tanto e mais alto do que eu.
Ele estava descompensado.
A gritaria durou algo mais que 20 minutos e eu fui invadida por uma alegria tremenda ao perceber que existem pessoas como eu; que meus vizinhos, que sempre ouvem os meus gritos, também ouvem os próprios gritos; que eles também são gente como eu; e que isso é normal.
Por mais estranho que seja se sentir feliz com o que acontece de ruim com outras pessoas, fez com que eu começasse meu dia bem.
E perfeitamente compensada.

domingo, agosto 30

Harmonizando o dia-a-dia material

Vênus na casa 6

DE: 30/08 (Hoje), 23h38
ATÉ: 23/09 , 22h57
Entre os dias 30/08 (Hoje) e 23/09, você estará passando pelo momento de Vênus na sexta casa do seu mapa, Renata. Como que para compensar a "farra" do ciclo anterior, neste momento você passa a se interessar mais com o andamento das questões cotidianas: o emprego, a saúde, as contas a pagar. A atenção sai subitamente do plano das diversões, e "cai na real", por assim dizer, percebendo que também há prazer em organizar uma vida funcional, resolvendo pendências e deixando o dia-a-dia mais harmonioso e equilibrado.

Esta é uma fase excelente para você aprimorar alguma habilidade sua, Renata. Você estará com uma predisposição maior a lapidar seus talentos, aprendendo a fazer melhor aquilo que já sabe fazer.

Em geral, há neste período um desejo por uma atmosfera harmoniosa no trabalho, e isso favorece as relações com os colegas, caso você trabalhe. Caso não esteja trabalhando no momento, Vênus na Casa 6 sugere um momento em que você sente grande necessidade de ser útil, e isso pode significar você ajudando mais nos afazeres domésticos, ou colaborando com algum amigo na produção de alguma coisa.

No que diz respeito à saúde, esta é uma boa fase, é bem provável que você venha a dar mais atenção à sua alimentação, à qualidade do que você come, aos seus hábitos em geral.

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Por essas e outras eu continuo lendo essas coisas.
E acreditando.

quarta-feira, agosto 26

Alguém me leva?



vouterumtreco
euqueroirnoshow

O problema de agosto

O problema de agosto é que eu virei pisciana.
Sabe aquele papo de que, em alguma hora da sua vida, você vai passar a ser "comandada" pelo seu signo ascendente?
Então.

Comecei a desconfiar quando percebi que a Olívia chegava todos os dias em casa, me pedia biscoito, e eu não ligava. Porque, geralmente, eu faço uma pressão por uma maçãzinha, uma bananinha, alguma coisinha mais saudável e maternal - o que nem tem tanta importância assim, visto que a criança passa o dia no colégio só comendo coisas saudáveis - e eu passei a não fazer.
Depois, meu liquidificador quebrou. Eu preciso do meu liquidificador porque eu gosto demais de chegar em casa e tomar uma sopinha. Mas ele quebrou. E até hoje ele está quebrado.
Então uma das lâmpadas da sala queimou. Bastaria que eu fosse ao mercado e comprasse uma nova. De fato, já fui ao mercado um sem número de vezes desde que ela queimou, mas ela continua lá, queimada.
E aí, nesse tempo todo, passei algumas noites, zapeando em frente à tv, em noites que seriam livres e eu não saí por preguiça de me arrumar, sentada na minha poltrona de balanço, com os pés pra cima, enrolada numa coberta - o verdadeiro retrato da decadência humana e que jamais será visto por alguma outra pessoa que não seja a minha filha, que é uma pessoa que me acha linda não importa meu estado - pensando como seria bom se eu não tivesse que me levantar para ir ao banheiro.

Comecei a ler notícias no jornal que fugiam à minha compreensão - tive que pedir ajuda à minha mãe. Meus textos de semiótica se transformaram em algo próximo ao grego arcaico. Livro, tem mais de uma semana que eu não leio - o que é grave. Resolvi mudar o tema da minha monografia, mas, por enquanto, não tenho nada melhor para apresentar de objetivo do que "preciso me formar" ou justificar além de "eu gosto de livro".

Fiquei lenta.
Desliguei da tomada.
A vida fica mais calma, bonita e menos sofrida, mas tudo isso tá me atrapalhando.