terça-feira, março 24

No Primeiro Dia Veio a TPM...

...E vieram dias em que eu chorava vendo trailer de filme, outros em que os hormônios estavam numa festa tão animada que eu resolvia ligar para SACs de empresas para tentar resolver problemas no meio da madrugada só para poder descarregar um pouco da tensão e poder dormir em paz, já que o Dormonid está em falta na farmácia lá de casa.
Em todos os dias, a sensação bem conhecida de solidão.
Mais uma vez, o desejo de mandar desligar pelo menos um dos meus telefones, já que as únicas ligações constantes que eu recebo ultimamente são da minha mãe.
A sensação conhecida de que meus problemas, apesar de para mim serem imensos, são menores do que os dos outros e de que havia sido muito incoveniente de procurar a ajuda de outra pessoa.
A sensação conhecida de saudade, muita saudade.
Uma saudade tardia que despertou um embate com a minha própria força de vontade.
Mais uma vez, eu venci.
Sensações conhecidas de abandono, de cansaço, da necessidade de uma outra pessoa por perto.
Me deu vontade de adotar um bicho de estimação de verdade, apesar de saber o tamanho da insanidade e do trabalho extra que isso me traria.
Me deu vontade de sumir, de aparecer, de dormir...
Dormir foi um prazer.
Nos sonhos, imagens e cores e pessoas não vistas a algum tempo.
Roteiros de amor, de suspense, de aventura.
Sonhei.
Ainda assim, muito menos do que gostaria.
Acordei e a festa acabou.
Metade das sensações não foram embora ainda - tenho uma dificuldade imensa de deixar de sentir as coisas.
Acordei e a guerra comia solta.
Voltou a vontade de ir embora - tenho uma dificuldade imensa de me livrar dela.
Acordei e agora espero o sétimo dia - para voltar a sonhar mais um pouco.

sexta-feira, março 13

De repente, o sol volta a brilhar!!!

Tudo começou numa manhã modorrenta em que a nossa brilhante protagonista, depois de deixar sua animada e bela filha no colégio, chegou em casa e reparou que ainda tinha algumas horas antes de ser obrigada a sair e enfrentar o mundo feio e malvado. Nada que valesse a pena o custo destas horas passava na televisão.
De repente, ela sentiu uma coisa que não sentia havia muitos e muitos meses. Foi até o quarto de hóspedes, que, ao invés de pessoas anda hospedando uma enorme e ameaçadora pilha de roupas limpas a guardar e passar (a pior parte do trabalho doméstico, segundo ela), pegou um punhado de folhas de papel em branco, pescou lá de um fundo bem fundo sua caixa de lápis de cor de estimação (ela a possui desde os 15 anos) e, na mesa da sala, se deu o milagre! Pôs para fora, em forma de desenhos, uma história que estava rodando a sua cabeça ha alguns dias. Ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou...
Era um milagre porque ela tinha costume de agir assim quando era uma adolescente - fazia uma boa soma de tempo, alguns namorados, uma filha, duas faculdades e uma casa que ela não coloria nada; muito menos botava pra fora alguma história absurda e fictícia. As histórias que ela faz, colore, guarda uns dois meses, depois rasga e joga fora e não deixa nunca ninguém ver, mas que lhe dão um prazer imenso e são uma coisa que é só dela - é bom que a gente tenha algo que seja só nosso na vida.
...E ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou, por horas a fio...
...Aí ela lembrou de um "livro para colorir para adultos" que ela tinha comprado quando nem adulta era e que nunca tinha colorido, mas tinha certeza que estava guardado em algum lugar. Bendita mania de não jogar as coisas fora e entulhar tudo o que possa vir a ter alguma utilidade! Achou.
E coloriu, rabiscou... Até que os olhos dela,que já não são mais os olhos que ela tinha, começaram a ver coisas duplicadas. Ela piscava os olhos, pingava gotinhas, fechava um e abria outro - tudo para enxergar mais um tempo e poder continuar - até não conseguir enxergar mais nada MESMO.
Resolveu se arrumar e sair para enfrentar o mundo sujo, feio e malvado que lhe esparava lá fora; grudada num livro. Não era um livro que ela de-ve-ria estar lendo - porque ela tem muitos livro que deve ler - era outro livro qualquer. E, mais uma vez, ela seguiu até a visão embolar.
Quando chegou aonde deveria estar, se animou, escreveu, questionou, debateu, sentou e trabalhou. Alguma coisa naquele dia estava diferente.
Ela sentia que depois de um longo período em que as coisas não andavam, de repente elas começavam a andar a novo. E com os passos, as cores. As letras. As idéias.
A alegria.

terça-feira, março 10

E daí?

Geralmente eu sou atacada pela Síndrome de Barbie Malibu (uma boneca que existia quando eu era criança que era bem morena e tinha os cabelos bem loiros e que ninguém mais lembra), mas, chegada aos 31, decidi aceitar que eu nunca vou ter o corpo da Barbie, os peitos da Barbie e, muito menos, os longos e loiros cabelos da Barbie - já que os meus andam ameaçando me deixar...
...Como a única coisa que eu realmente consigo adquirir no verão é uma pele morena de dar inveja a Sargenteli, troquei o nome da Síndrome, entoei "Garoto Maroto" e resolvi que, a partir deste verão, eu faço workshop é pra clone de Alcione mesmo, que é coisa nossa e ainda tem aquelas unhas decoradas enormes superestilosas.

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Aí, poxa vida, voltei de viagem abalada e pensando que eu realmente era um clone da Marrom. A dita civilização realmente me aborrece horrores já nos meus dias bons, num dia ruim e em que a minha pequena filha resolve padecer de otite num dia chave para resolução de um trabalhinho de colégio, foi demais para mim!
Minha casa estava andando sozinha, pilhas de roupa dominavam o planeta, a geladeira rugia tamanho o eco que a porta fazia quando ela era aberta.
Resolvi tirar a minha semana sabática do semestre.
Meu primeiro ato?
Me dar ao prazer de me render ao detergente em gel.
Do ponto de vista racional, custa o triplo do preço e lava a mesma coisa, então eu não preciso dele; mas o racional falou mais alto e eu resolvi comprar porque acho uma coisa linda de doer os olhos aquele detergente em gel brilhante! Ainda comprei num mercado bem caro que tem lá perto de casa porque, este mês, tirei a Alcione de campo uns dez minutos e gritei "Nunca mais carregarei sacolas pesadas de tão longe!" tal qual Scarlet O'Hara gritaria se tivesse que fazer compras longe, muito longe de casa e me dei esse luxo. Dane-se.
Sinal claro: se produtos de limpeza estão voltando a ser o meu ápice em termos consumistas, devo estar voltando ao normal muito em breve.

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Porque, sim, eu ando meio descompensada.
Não sei bem se é a TPM, se é o fato cósmico de sair na porrada com algum professor sempre no primeiro semestre do ano, se é porque a Claro é uma merda, se é porque a NET é uma merda, se é porque, finalmente, decidi sentir falta de ter um namorado...
...O lance é que eu descobri que ligar para o atendimento de empresas que te sacaneiam antes de dormir é um tremendo calmante.
No mais, a TPM costuma passar - até hoje sem incidentes graves.
E a falta... A falta também passa. Daqui a pouco eu paro com essas coisas de sentir saudades da pessoa errada, de implicar com a cama vazia e ter vontade de chorar por causa de lâmpada queimada.
Estou otimista!

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Meu otimismo, por sinal, começou a voltar quando eu fui ao cinema semana passada ver "O Leitor". Olha, a história é ótima, tudo aquilo e tal, mas o que me deu uma puta emoção mesmo foi perceber que a Kate Winslet tem um peito caído FEITO O MEU e um monte de estria no lombo FEITO EU um cabelo quebrado do inferno FEITO EU e uma ruguinhas nos olhos bisonhas - feito ela, que isso eu ainda não tenho.
Durante todo o início do filme, em que rola aquela coisa toda que você já fez algum dia na vida, eu só tinha olhos para estas coisas lindas. Além de ganhar o Oscar, aquela mulher era tão baranga quanto eu!!!
Em dias de baixa estima, nada melhor que isso!
Deve ter me feito tão bem, que, quando eu saí na rua de novo, tinha um monte de peão me olhando e eu nem tava com um abacaxi pendurado na cabeça!

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Não que eu realmente esteja otimista de novo.
Não que isso tenha adiantado de alguma coisa.
Mas, e daí, né?

quarta-feira, março 4

Procura-se um "S" Desesperadamente

Em Janeiro eu amava tanto que parecia que meu peito ia explodir.
Amava tudo e todo mundo, amava demais e a beleza das coisas todas chegava a doer.
Foi um surto de amor.

Em Fevereiro, todo esse amor em excesso foi embora.
Comecei a sentir um vazio no peito.
Uma coisa muito estranha...
As coisas ficaram mais cruas, desmistifiquei várias pessoas e várias coisas...

E as coisas continuam nessa "esquisiteza".
Pôr do sol foda dá vazio.
Eu sempre segui apaixonada ou sofrendo de amor, de repente não estar em paixão é um trânsito, uma lógica, completamente nova na minha vida.
Não sei se eu gosto dela, mas também não sei se estando assim estaria propensa a me apaixonar de novo. Fui atacada por um excesso de estudo teóricos, pensamentos, vidas sem graça, ruas sujas, barulhos... Sei lá...

No meio disso tudo, parece-me que Nancy abandonou Sid. Só tenho visto ele pela minha jardineira. Ontem pude até constatar que ele continua um caracol deveras estúpido que levou outra travada da janela na casa por estar estacionado em local proibido. Fiquei pensando nela...
Será que ela encheu a casa de ovinhos e se mandou para parir em paz longe daquele ser pegajoso? Será esta a lógica de reprodução dos caracóis? Afinal, porque ela deixou o Sid lá, sozinho, coitado?
Tão complicadamente humano tudo isso...

Olhei prum lado, olhei pro outro, e, tudo que existia para ser lido dentro de casa se resumia a coisas de estudo e histórias reais. Bateu um enorme desespero essa falta de romance até em papel na minha vida. Bateu uma urgência de alguma coisa estúpida qualquer para dar descanso a mim mesma.
Um Stephen King, peloamordedeus!!!
Na atual conjuntura até Sidney Sheldon seria muitíssimo bem vindo...
Um "S", eu preciso de um escritor com "s", capaz de escrever alguma coisa longa ao invés de um conto, uma história que me deixe esperando pelo próximo capítulo ao invés da próxima história, que escangalhe a minha coluna de uma vez por todas além do limite da dor que já anda me perseguindo fiel como um cãozinho, que me deixe feliz por só poder mastigar cenourinhas...!
Um "S"!!!

segunda-feira, março 2

Agora eu vou mimbora daqui, trabalhar debaixo desse sol escroto, se eu não carbonizar, com certeza vou voltar muito mais nobre.

...Já que estou transcrevendo diálogos...

...Como pude esquecer da frase chave da viagem?!?

Cenário: Ponto de parada na estrada, debaixo de uma cobertura cheia de ar quente por causa do sol que brilhava lá fora e fritava as coisas vivas que se arriscassem sobre ele.

- Mãe, pedei.
- Hein?!?
- Pedei.

Seguem gargalhadas e uma leve bronca porque mocinhas educadas não saem dizendo essas coisas por aí.

Dia seguinte, nova cena.
Cenário: casa de um amigo, churrasco rolando, sessão de fotos.
Descrevo a cena acima.

- Você entendeu errado, Renata, ela olhou em volta e tava era dizendo 'Mayday, mayday!'!

Adoro meus amigos!!!

Segunda-feira

Por si só já é uma coisa terrível.
Fora todo o trabalho que eu tenho para fazer, tudo o que eu tenho para ler, todo o esforço físico que me aguarda ante a eminência de levantar as ruínas da casa que esteve abandonada, é segunda-feira.
Mesmo sabendo que fechar as cortinas e pôr aquela paradinha de avião que tapa olho depois de horas de viagem e algumas chamadas madrugada adentro seria uma má idéia e certeza absoluta de acordar atrasada, escolhi ignorar os argumentos da razão e foi exatamente o que eu fiz.
E exatamente o que aconteceu.
Acordei atrasada, ainda cansada e com a disposição de uma entrevada.
Meu sono foi tão pesado que mais pareceu um cochilo.
Lá fora, um sol rascante, que só era bonito quando eu estava fazendo meu workshop pra clone de Alcione...

- Ai, droga! Que sol é esse?!?
- Mãe, ele tá brilhando pra dizer olá...
- Ahn?!?
- É porque a gente voltou e ele tá dizendo "olá, Olívia!", "olá, Renata!"!
- Tudo bem, mas ele podia brilhar com menos força um pouquinho, não podia...?

Mais uma volta

Mais uma semana de viagem - graças a Deus e à econômia doméstica.
A volta pra casa sempre se repete...
Apesar da saudade dos meus caracóis e plantas, a paisagem e as casas que passam lá fora simbolizam tantas coisas que eu ainda quero que me dão uma dó imensa de voltar...
A "civilização" me esperava de braços abertos.
De saída houve um atraso de 20 minutos. Aparentemente o motorista só tirou o carro da garagem cinco minutos depois da hora em que ele deveria ter saído da rodoviária, mas tudo bem... Visto que a vida no interior é mais descansada... Tentava-se manter o bom humor, bastante abalado ante a perspectiva de uma segunda-feira de trabalho na cidade grande em troca de dias de sol na beira da piscina e churrascos sobre o céu estrelado; mas este nos deixou definitivamente quando havia uma parada em cada esquina de uma pequena cidade e nosso guia e guardião teimava em ultrapassar pequenos veículos em estradas de mão dupla.
Na ponte, uma esperança.
No desembarque, ninguém por perto para pegar as bagagens de um ônibus que chegou atrasado em uma hora "graças a Deus", como bem me disse o motorista, porque haviam muitos ônibus chegando - ainda que os carregadores estivessem batendo um papo muito animado sobre jogos de futebol ou coisa que o valha. Uma fila monstruosa e barulhenta para conseguir pegar um taxi (onde a menina do voucher ficou sem resposta ao me perguntar se havia bagagem; tão mecânica e treinada que tem a pachorra de perguntar algo assim a alguém munido de criança, mala de rodinhas e mochila de camping) seria nosso último obstáculo se não fosse chegar na minha esquina e encontrar alguns guardinhas municipais desviando o trânsito por causa de um bloco de carnaval - que, eu podia jurar, já havia acabado há pelo menos 5 dias - que me dão as boas vindas com um "vai ter que ir a pé".
Já voltei praguejando. Consegui fazer passar o taxi. Andei atrás do bloco um tempo a pedido da criança e em busca de comida. A idéia de viajar sem arrumar a casa e deixando a geladeira vazia mostrou-se um fiasco - a visão do caos e do vazio até dentro do meu ninho também me deu vontade de sair correndo.
Cheguei assim, querendo sair correndo.
De novo.

sábado, fevereiro 21

My pet




Esse é um dos meus caracóis de estimação.
Cheguei em casa anteontem e ele tava lá na janela, todo pimpão. No começo das fotos o bicho ficou tímido, mas depois já tava todo fazendo pose pro flash. Hehehehe
Eu só não sei se é o menino ou a menina, então não posso batizar...
Sacanagem...

quinta-feira, fevereiro 19

Momento Mastercard

Meia-calça arrastão: R$ 20,00
Fita de veludo: R$ 2,50
Esmalte dourado: R$ 1,20
O olhar de espanto da sua mãe quando você declara que vai se fantasiar de oncinha: Não tem preço!!!

Rapidinho:




Eu vôoôuuuu!!!
Comprei!!!
Eu vôoôuuuu!!!
Comprei!!!
Eu vôoôuuuu!!!
Comprei!!!

quarta-feira, fevereiro 18

Eu sei que o rosa está agressivo...
Mais adiante, vou tentar suavizar.
É que eu ando me sentindo rosa, sabe...?
Uma espécie de Vingança do Sonho de Valsa ambulante. :)

terça-feira, fevereiro 17

Ameaça Carnavalesca

Eu não sei se foi porque ontem escrevi sobre aquele diálogo carnavalesco; eu só sei que hoje, desde que acordei, só consigo pensar na chegada do carnaval.
No final de semana de semana antes de viajar, em que estarei entregue ao carnaval.

Como certas coisas a gente nunca faz sozinha e eu mereço lá pagar algumas penitências leves, já às 10 horas da manhã passei uma SMS pro Folião:

"Pilhei de me fantasiar de oncinha. Arruma um bloco ae pra nóis."

Já sei a cor do esmalte, vou lavar a camisola que levou um banho de cerveja, vou iniciar uma caça frenética por uma meia calça arrastão (HOHOHO); o problema é que ou eu matei o Folião de susto, ou ele saiu correndo de medo de mim ou saiu correndo de vergonha de ser visto na rua comigo nestes trajes...

Faltam 3 dias ainda para o final de semana, 5 para a viagem.
(Já posso até sentir o calor, a sovaqueira, a boniteza da rodoviária no meio do carnaval...!)

Mal posso esperar!
Tanto que não gastei mais de 10 minutos hoje pensando em como estou infeliz de estar com dois livros empacados na cabeceira da cama (além dos outros 2 que já moram lá) por conta de todos os textos de logias que andam me mandando ler. Sim, a revanche dos cabeçudos continua, mas eu me vingo pintando as unhas de rosa pink e tomando revistas populares como tema de monografia. Rá!

Menos essa semana.
Essa semana meu cérebro está virando geléia e só a oncinha me importa.

A conferir...

Historinha de Amor

Eu tinha uma presilha de cabelo.
Uma presilha de cabelo amiga.
Ela era daquela cor que as pessoas que sabem nome de cor chamam de "casco de tartaruga", seja lá o que for isso; prendia meus longos e parcos cabelos bem firme; tinha o tamanho perfeito - nem muito grande, nem muito pequena - e eu carregava para todos os cantos.
Se você é meu amigo, com certeza chegou a me ver com ela por aí.

Então essa presilha caiu.
Caiu, não. Praticamente se jogou da pia do banheiro. Como se eu me jogasse do alto de um prédio de...uhm...uns 6 andares, vamos dizer. Sem play e garagem, tá? Só 6 andares.
E nesse salto, a minha presilha perdeu um dente e um pedaço daquela paradinha do meio perto da mola que fazia ela ficar firme e retinha.
Ela já havia caído duas outras vezes.
Em uma, havia perdido um dente - no caso das piranhas, classe a qual a minha presilha muito fiel infelizmente pertencia, perder um dente é uma seqüela gravíssima. Em outra perdeu mais uma parada qualquer que fazia ela engasgar na hora de prender e me dar um certo trabalho para encaixar a bichinha no lugar.

Com esse tombo, eu percebi que, por mais que a gente ame as coisas loucamente e saiba o tamanho da falta que elas vão fazer na nossa vida, depois de um certo número de quedas, essa coisa que detém o seu afeto vai estar irremediavelmente quebrada. Primeiro vai estar doente, depois remendada, mas, em alguma hora, nenhum superbonder do mundo vai mais fazer efeito. Você vai ter que jogar o que está quebrado no lixo.
Vai sentir tristeza e passar meses procurando outra coisa que dê a liga que aquilo dava.

Hoje eu vou jogar ela no lixo.
Que nem eu fiz com tantas outras coisas antes que não podiam ser mais consertadas.
Não vou me importar com as frases bonitas, que chegam tão tarde; e vou procurar numa outra banca alguma outra coisa que possa enfeitar os meus cabelos, que hoje nem são mais pretos...

segunda-feira, fevereiro 16

R.R., 31, Caracóloga

Depois do período em que eu ficava observando as plantas crescerem, agora eu gasto horas dos meus dias assistindo a vida que passou a existir lá dentro.

Tudo começou com as formigas.
Eram formigas pequenininhas, que andam para lá e para cá tirando pequenos nacos das minhas folhinhas. Como eu tenho o costume de mandar ver um spray de veneno uma vez a cada dois meses, azar o delas.
Ainda assim, pode ser bastante terapêutico ficar espiando aquele povo que vai pra lá e pra cá.

Em dezembro apareceu um caracol.
Apareceu da pior forma possível.
Provavelmente ele já estava lá vivendo na comunidade da minha jardineira, mas nós só nos encontramos num dia em que eu estava tendo um dia muito ruim, muito ruim mesmo e resolvi ir lá dar uma espiada nas plantas. Abri a janela com uma certa fúria e só ouvi aquele "CREC", que, por mais que tenha sido quase inaudível, me pareceu o barulho mais alto do mundo. Quando eu espiei o que era, lá estava ele, meio sem rabo, com a casinha meio esmigalhada, meio pendurada, soltando uma gosma gosmenta do lado de fora da minha janela. E, pelas próximas horas, meu sentimento de culpa por ter massacrado o caracol sem querer e a preocupação com a possibilidade dele continuar vivo foram o estopim para outra coisa muito ruim que eu fiz aquele dia.
Eu ligava pros meus amigos - que, graças a Deus são meus amigos, então não acharam que eu já era caso de internação - praticamente aos prantos dizendo que "ainda por cima eu tinha matado um caracoooooooollllllllll".
Desde esse dia eu passei a procurar o caracol.
Vi que ele se recuperou e passei a tomar o maior cuidado do mundo com o momento de abrir e fechar as minhas janelas.

Semana passada, quando cheguei em casa de noite, além do meu caracol, havia a caracol dele. E eles estavam fornicando. Foi um momento de ápice da minha vida Discovery.
Numa noite pouco depois, pude presenciar o momento em que um deles (eu ainda não sei quem é a moça e quem é o moço, mas me dêem um tempo que eu chego lá) fazia uma manobra arriscadíssima e extremamente nojenta entre a borda da jardineira e a parede da mesma. Ninguém nunca tinha me dito que eles eram tão elásticos.

E assim, sem querer, ganhei dois bichos de estimação.
Entre cachorros, gatos, tartarugas, peixes, eu crio um casal de caracóis.
Minha mãe brinca que eu deveria trocar de carreira, virar Caracóloga.
Eu já penso em comprar uma lanterninha, porque eu fico querendo dar boa noite pra eles, ver se eles estão bem de noite, e não consigo enxergar nada no meio daquele meu matagal.

A pessoa vive 31 anos pra isso.
Virar criadora de caracol.
Foda.

Da Chuva

No meio de todas as confusões todas, ainda vieram dias de chuva.
Dias de chuva forte.
E, numa dessas chuvas, percebi o quanto é difícil ser uma pessoa que anda na chuva, ainda mais uma pessoa que anda na chuva sem segurar um guarda-chuva nas mãos. É como se as pessoas que carregam guarda-chuvas fossem mais pessoas que você, que não carrega um por questões ideológicas. Estas pessoas, saem pelas ruas andando como se fossem verdadeiros monarcas de pés molhados e descontam em você o fato de não terem carro com motorista ou terem que enfiar os pés dentro de poças cheias de organismos vivos e praticamente escalpelam as pessoas desprotegidas.
Estas, precisam fazer um caminho que é quase um roteiro de RPG, desviando daqui, escapando de fininho de uma ponta de guarda-chuva dentro do olho, pulando uma Bacia de Campos ali...
Não existe nada romântico do tipo música tocando ao fundo enquanto as pessoas sapateiam felizes e que vá culminar em você sendo parte de um casal que se beija loucamente enquanto borboletas borboleteiam e o sol sai lá atrás. Na melhor das hipóteses, um ônibus passa à toda do seu lado e te dá um banho de esgoto e a sua trilha sonora é a buzina daquele camarada que não se convenceu ainda, com 40 anos de carteira, que buzina em meio de engarrafamento não faz com que as pessoas comecem a andar mais rápido.
Um bueiro que jorra no meio do caminho uma mistura de água com alguma coisa marrom, que eu faço questão de bloquear da minha mente, me faz prestar atenção no fato que, tirando uns dois ou três porteiros espalhados por aí, ninguém se dá ao trabalho de passar um sabãozinho nas calçadas da cidade. Todos os dias cachorros fazem as suas coisas, eu apago cigarros, pessoas derrubam comidas e bebidas, outras fazem as mesmas coisas dos cachorros, cabelos caem, folhas caem, poeira se espalha e ninguém lava aquilo tudo como a gente deve lavar as coisas. E chuva? Chuva lava, leva uma água preta cheia dessas coisas todas que eu já listei aí em cima, aquela água, mas deixa o grosso da coisa. Não desinfeta.
O bueiro me fez entender de verdade o conceito de rua ser um lugar sujo.
E, no fundo, no fundo, começo eu aqui a pensar o que será que vai acontecer quando essa crosta ficar mais sólida, mais prensadinha...
ARGH!

O Carnaval Ruge!

Aí que outro dia eu tomei uma tremenda bronca de um amigo meu.

Ele é folião, sabe.
Folião daqueles que saem de casa na sexta-feira e só voltam pra casa às onze da noite da quarta-feira de cinzas.

Eu não sou uma foliã.
Quando eu era pequena pulava carnaval nos bailes da Associação Atlética Arealense e hoje vou a um bloco (pra ver se é nesse ano que eu consigo gostar) e um bailinho infantil por ano.
Há anos tenho um desejo não tão furioso de possuir e usar um daqueles sutiãs cheios de lantejolas que aqueles camelôes pebas vendem lá na frente da Help para usar durante a festança do povo e abalar Bangu. Também sonho, com saudades, em ter uma fantasia de melindrosa só minha para usar num baile qualquer. Os dois desejos esbarram sempre no fim da dieta eterna que não chega nunca e que se encontra em andamento - como em todos os anos.
Então, eu não me fantasio.
Minha ida ao bloco se resume a uma escalada da sobriedade a ebriedade ao longo de um quarteirão de um bairro qualquer e o bailinho... Até ano passado eu desconfiava que a minha filha não era lá muito fã dos bailinhos (apesar de ser usuária, em toda a glória do termo, de fantasias), mas ela anda aprendendo a história da Carmen Miranda e cantando as marchinhas, então eu já não sei como será este episódio esse ano.

Voltando ao assunto.
Estávamos eu e esse meu amigo comentando a proximidade do carnaval. Desde que eu passei a prestar mais atenção no mundo, quando eu me conecto a ele, posso orgulhosamente declarar que a minha vida já não é mais a mesma e eu virei uma pessoa muito mais escrota nas observações que faço.


- Fala sério, qual é a graça de sair andando espremido atrás de um bando de nêgo bêbado, suado, com o sovaco fedorento na sua cara, sem nem ouvir o que diabos tá sendo tocado lá na frente?
- Ah, é legal...
- Legal? Que que tem de legal nisso? Muvuca, sovaqueira...
- Você tem razão. Obrigada, Renata, você acabou de arruinar uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida...


Tadinho. Me senti malvada. Ainda argumentei que a intenção não era essa, que eu provavelmente também acabaria indo a algum bloco, que ele deveria aproveitar do mesmo jeito...
...Mas, sem entrar nos méritos antropológicos da coisa, eu tenho, ou não tenho razão?

A Escova de Dentes

Há 3 semanas atrás, estava eu lá tentando resolver as coisas da minha pouco interessante e atribulada vidinha (que, inclusive, me mantiveram bem longe daqui; algumas vezes graças a Deus) quando me apareceu um senhor problema: minha escova de dentes da nova geração movida a pilha etecétera e tal resolveu morrer.
O problema que se instaurou foi: que escova de dentes eu devo comprar?
Comprar uma escova de dentes se tornou uma escolha complicadíssima nos dias de hoje. Existem vários fabricantes e estes fabricantes (que declaram sempre serem "a escolha preferida dos dentistas" ou coisa que o valha) fabricam uma dúzia de modelos diferentes de escovas. Cada uma delas tem uma nova tecnologia ou acessório absolutamente essencial à saúde da sua flora bucal e dos seus dentes.
Meus dentes não são lá essas coisas, como nunca são os dentes de qualquer fumante; eu como as minhas bochechas constantemente por nervosismo e vício, e, como pude descobrir ao longo do último mês, minhas bochechas são o grande novo foco de bactérias bucais (junto com as próprias cerdas das escovas!!!); minhas gengivas também sofrem com meus nervos nervosos...Tudo necessita das novidades e do amparo de uma nova escova robótica e super cheia de coisículas.
Cada comercial que passa na televisão (ao longo do mês acabei me rendendo de novo aos seriados, coisa que havia jurado de pés juntos que não faria mais) me mostra um modelo novo, uma tecnologia essencial.
Fiz uma média de duas excursões à farmácia por semana para observar os modelos e todas as minhas opções na tentativa de comprar o tal... (Escova de dente é o quê? Acessório?) ...a tal escova. Como costuma me acontecer quando existem muitas opções de escolha, não consegui escolher nenhuma delas e passei semanas indo embora das farmácias de mãos vazias.
A pergunta que me atormentava era por quê, meu Deus, por quê essas modernidades todas, essas coisas todas que eles dizem que eu preciso ter, não vinham todas num único modelo de uma vez?!? Por quê tinha eu, com todas as coisas todas que eu já tenho que fazer e cuidar e pensar, que ficar torturada por conta de um raio de uma escova de dentes?!?
Não me interessavam as desculpas mercadológicas que explicam esse fenômeno, apenas a praticidade da coisa e o fim da procura.
Todas as noites a Colgate me atormentava com seus comerciais...
Até que a minha filha apareceu em casa com a escova de dentes do colégio toda mastigada e apareceu a necessidade de comprar uma escova para ela também. No caso dela é extremamente mais fácil, visto que só existem duas ou três para a faixa de idade dela e o grande dilema dela é escolher entre a Hello Kitty e As Princesas.
Assim, lá fui eu de novo para dentro de uma farmácia.
Olha daqui, espia de lá, no meio de todas aqueles totens agressivos da higiene moderna, bem na hora em que eu estava quase me convencendo realmente de que o lance seria comprar uma escova que não tivesse tecnologia nenhuma ou qualquer espécie de proteção extra a sei lá o quê que eles dizem que tem dentro da minha boca, estava lá, na embalagem: "3 em 1".
Eu não demorei nem um minuto pensando no assunto, não sei 3 o que aonde, só vi que eram coisas numa escova só e isso me pareceu bastante satisfatório para acabar com o dilema do mês de uma vez.
Mas aí eu saí de lá e já fiquei pensando se a minha escolha, se essas 3 coisas seriam realmente o que a minha boca - que depois de tantos comerciais já me parece um dos lugares mais inóspitos do universo - precisaria para ser saudável, feliz e soltar flores pelo ar quando eu falasse com as pessoas...

sexta-feira, fevereiro 6

Amanhã nada...
Semana que vem porque eu ano muito ocupada....

segunda-feira, fevereiro 2

Shame on Me

Triste, muito triste mesmo o balanço de tudo o que eu consumi de cultura no ano de 2008.
Tirando os filmes, que eu tive uma média excelente; li menos livros, não vi show nenhum, praticamente não fui ao teatro.
Uma derrota.
Uma vergonha vergonhosa.


Vou me recuperar e amanhã talvez eu volte...