Sonhar não anda lá muito possível.
Ando precisando de coisas palpáveis, reais.
Infelizmente, o real também não anda lá essas coisas.
Tudo enrolado, novidades desanimadoras, falta tudo – no sentido literal de tudo.
Meu horóscopo manda eu ter paciência há uns dois meses ou mais – e eu ando tentando ser paciente, mas agora já estou é bastante agoniada com a vida.
Então, quando até os sonhos me trazem agonias, eu resolvi ir ao cinema.
E então eu olhei lá pra cima e pensei:
“Quando será que se lavam as cortinas da tela?”.
Não sei se alguém que não seja eu já reparou nisso, mas, em volta da tela existe uma cortina. São metros e metros de tecido. Metros e metros de poeira em estado bruto. Bacana, né?
Fiquei um pouco enjoada...
E então eu percebi que durante essa última semana vi mais de 10 filmes – uma tentativa de me refugiar em qualquer outro mundo que não fosse o meu, assumida.
E então eu percebi que isso significa que eu vi 10 histórias diferentes. 10 histórias diferentes que eu guardei na memória. E aí eu pirei no número de filmes e livros que eu já vi e li ao longo da vida e que ainda vou ver e percebi o tamanho da quantidade de informação que cabe dentro de uma cabeça. Fiquei pensando que não era pra menos que a memória começasse a falhar com a idade. É impossível se lembrar de tudo.
Fiquei um pouco enjoada de novo...
E então, seguindo a lógica da estupidez, eu resolvi sair de casa.
E percebi o quanto eu me desperdiço em certas noites desnecessariamente.
Acordei enjoada.
Vou procurar um antiácido.
"Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma." George R.R. Martin
domingo, abril 5
terça-feira, março 24
No Primeiro Dia Veio a TPM...
...E vieram dias em que eu chorava vendo trailer de filme, outros em que os hormônios estavam numa festa tão animada que eu resolvia ligar para SACs de empresas para tentar resolver problemas no meio da madrugada só para poder descarregar um pouco da tensão e poder dormir em paz, já que o Dormonid está em falta na farmácia lá de casa.
Em todos os dias, a sensação bem conhecida de solidão.
Mais uma vez, o desejo de mandar desligar pelo menos um dos meus telefones, já que as únicas ligações constantes que eu recebo ultimamente são da minha mãe.
A sensação conhecida de que meus problemas, apesar de para mim serem imensos, são menores do que os dos outros e de que havia sido muito incoveniente de procurar a ajuda de outra pessoa.
A sensação conhecida de saudade, muita saudade.
Uma saudade tardia que despertou um embate com a minha própria força de vontade.
Mais uma vez, eu venci.
Sensações conhecidas de abandono, de cansaço, da necessidade de uma outra pessoa por perto.
Me deu vontade de adotar um bicho de estimação de verdade, apesar de saber o tamanho da insanidade e do trabalho extra que isso me traria.
Me deu vontade de sumir, de aparecer, de dormir...
Dormir foi um prazer.
Nos sonhos, imagens e cores e pessoas não vistas a algum tempo.
Roteiros de amor, de suspense, de aventura.
Sonhei.
Ainda assim, muito menos do que gostaria.
Acordei e a festa acabou.
Metade das sensações não foram embora ainda - tenho uma dificuldade imensa de deixar de sentir as coisas.
Acordei e a guerra comia solta.
Voltou a vontade de ir embora - tenho uma dificuldade imensa de me livrar dela.
Acordei e agora espero o sétimo dia - para voltar a sonhar mais um pouco.
Em todos os dias, a sensação bem conhecida de solidão.
Mais uma vez, o desejo de mandar desligar pelo menos um dos meus telefones, já que as únicas ligações constantes que eu recebo ultimamente são da minha mãe.
A sensação conhecida de que meus problemas, apesar de para mim serem imensos, são menores do que os dos outros e de que havia sido muito incoveniente de procurar a ajuda de outra pessoa.
A sensação conhecida de saudade, muita saudade.
Uma saudade tardia que despertou um embate com a minha própria força de vontade.
Mais uma vez, eu venci.
Sensações conhecidas de abandono, de cansaço, da necessidade de uma outra pessoa por perto.
Me deu vontade de adotar um bicho de estimação de verdade, apesar de saber o tamanho da insanidade e do trabalho extra que isso me traria.
Me deu vontade de sumir, de aparecer, de dormir...
Dormir foi um prazer.
Nos sonhos, imagens e cores e pessoas não vistas a algum tempo.
Roteiros de amor, de suspense, de aventura.
Sonhei.
Ainda assim, muito menos do que gostaria.
Acordei e a festa acabou.
Metade das sensações não foram embora ainda - tenho uma dificuldade imensa de deixar de sentir as coisas.
Acordei e a guerra comia solta.
Voltou a vontade de ir embora - tenho uma dificuldade imensa de me livrar dela.
Acordei e agora espero o sétimo dia - para voltar a sonhar mais um pouco.
sexta-feira, março 13
De repente, o sol volta a brilhar!!!
Tudo começou numa manhã modorrenta em que a nossa brilhante protagonista, depois de deixar sua animada e bela filha no colégio, chegou em casa e reparou que ainda tinha algumas horas antes de ser obrigada a sair e enfrentar o mundo feio e malvado. Nada que valesse a pena o custo destas horas passava na televisão.
De repente, ela sentiu uma coisa que não sentia havia muitos e muitos meses. Foi até o quarto de hóspedes, que, ao invés de pessoas anda hospedando uma enorme e ameaçadora pilha de roupas limpas a guardar e passar (a pior parte do trabalho doméstico, segundo ela), pegou um punhado de folhas de papel em branco, pescou lá de um fundo bem fundo sua caixa de lápis de cor de estimação (ela a possui desde os 15 anos) e, na mesa da sala, se deu o milagre! Pôs para fora, em forma de desenhos, uma história que estava rodando a sua cabeça ha alguns dias. Ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou...
Era um milagre porque ela tinha costume de agir assim quando era uma adolescente - fazia uma boa soma de tempo, alguns namorados, uma filha, duas faculdades e uma casa que ela não coloria nada; muito menos botava pra fora alguma história absurda e fictícia. As histórias que ela faz, colore, guarda uns dois meses, depois rasga e joga fora e não deixa nunca ninguém ver, mas que lhe dão um prazer imenso e são uma coisa que é só dela - é bom que a gente tenha algo que seja só nosso na vida.
...E ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou, por horas a fio...
...Aí ela lembrou de um "livro para colorir para adultos" que ela tinha comprado quando nem adulta era e que nunca tinha colorido, mas tinha certeza que estava guardado em algum lugar. Bendita mania de não jogar as coisas fora e entulhar tudo o que possa vir a ter alguma utilidade! Achou.
E coloriu, rabiscou... Até que os olhos dela,que já não são mais os olhos que ela tinha, começaram a ver coisas duplicadas. Ela piscava os olhos, pingava gotinhas, fechava um e abria outro - tudo para enxergar mais um tempo e poder continuar - até não conseguir enxergar mais nada MESMO.
Resolveu se arrumar e sair para enfrentar o mundo sujo, feio e malvado que lhe esparava lá fora; grudada num livro. Não era um livro que ela de-ve-ria estar lendo - porque ela tem muitos livro que deve ler - era outro livro qualquer. E, mais uma vez, ela seguiu até a visão embolar.
Quando chegou aonde deveria estar, se animou, escreveu, questionou, debateu, sentou e trabalhou. Alguma coisa naquele dia estava diferente.
Ela sentia que depois de um longo período em que as coisas não andavam, de repente elas começavam a andar a novo. E com os passos, as cores. As letras. As idéias.
A alegria.
De repente, ela sentiu uma coisa que não sentia havia muitos e muitos meses. Foi até o quarto de hóspedes, que, ao invés de pessoas anda hospedando uma enorme e ameaçadora pilha de roupas limpas a guardar e passar (a pior parte do trabalho doméstico, segundo ela), pegou um punhado de folhas de papel em branco, pescou lá de um fundo bem fundo sua caixa de lápis de cor de estimação (ela a possui desde os 15 anos) e, na mesa da sala, se deu o milagre! Pôs para fora, em forma de desenhos, uma história que estava rodando a sua cabeça ha alguns dias. Ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou...
Era um milagre porque ela tinha costume de agir assim quando era uma adolescente - fazia uma boa soma de tempo, alguns namorados, uma filha, duas faculdades e uma casa que ela não coloria nada; muito menos botava pra fora alguma história absurda e fictícia. As histórias que ela faz, colore, guarda uns dois meses, depois rasga e joga fora e não deixa nunca ninguém ver, mas que lhe dão um prazer imenso e são uma coisa que é só dela - é bom que a gente tenha algo que seja só nosso na vida.
...E ela desenhou, coloriu, apagou, rabiscou, por horas a fio...
...Aí ela lembrou de um "livro para colorir para adultos" que ela tinha comprado quando nem adulta era e que nunca tinha colorido, mas tinha certeza que estava guardado em algum lugar. Bendita mania de não jogar as coisas fora e entulhar tudo o que possa vir a ter alguma utilidade! Achou.
E coloriu, rabiscou... Até que os olhos dela,que já não são mais os olhos que ela tinha, começaram a ver coisas duplicadas. Ela piscava os olhos, pingava gotinhas, fechava um e abria outro - tudo para enxergar mais um tempo e poder continuar - até não conseguir enxergar mais nada MESMO.
Resolveu se arrumar e sair para enfrentar o mundo sujo, feio e malvado que lhe esparava lá fora; grudada num livro. Não era um livro que ela de-ve-ria estar lendo - porque ela tem muitos livro que deve ler - era outro livro qualquer. E, mais uma vez, ela seguiu até a visão embolar.
Quando chegou aonde deveria estar, se animou, escreveu, questionou, debateu, sentou e trabalhou. Alguma coisa naquele dia estava diferente.
Ela sentia que depois de um longo período em que as coisas não andavam, de repente elas começavam a andar a novo. E com os passos, as cores. As letras. As idéias.
A alegria.
terça-feira, março 10
E daí?
Geralmente eu sou atacada pela Síndrome de Barbie Malibu (uma boneca que existia quando eu era criança que era bem morena e tinha os cabelos bem loiros e que ninguém mais lembra), mas, chegada aos 31, decidi aceitar que eu nunca vou ter o corpo da Barbie, os peitos da Barbie e, muito menos, os longos e loiros cabelos da Barbie - já que os meus andam ameaçando me deixar...
...Como a única coisa que eu realmente consigo adquirir no verão é uma pele morena de dar inveja a Sargenteli, troquei o nome da Síndrome, entoei "Garoto Maroto" e resolvi que, a partir deste verão, eu faço workshop é pra clone de Alcione mesmo, que é coisa nossa e ainda tem aquelas unhas decoradas enormes superestilosas.
***********************************
Aí, poxa vida, voltei de viagem abalada e pensando que eu realmente era um clone da Marrom. A dita civilização realmente me aborrece horrores já nos meus dias bons, num dia ruim e em que a minha pequena filha resolve padecer de otite num dia chave para resolução de um trabalhinho de colégio, foi demais para mim!
Minha casa estava andando sozinha, pilhas de roupa dominavam o planeta, a geladeira rugia tamanho o eco que a porta fazia quando ela era aberta.
Resolvi tirar a minha semana sabática do semestre.
Meu primeiro ato?
Me dar ao prazer de me render ao detergente em gel.
Do ponto de vista racional, custa o triplo do preço e lava a mesma coisa, então eu não preciso dele; mas o racional falou mais alto e eu resolvi comprar porque acho uma coisa linda de doer os olhos aquele detergente em gel brilhante! Ainda comprei num mercado bem caro que tem lá perto de casa porque, este mês, tirei a Alcione de campo uns dez minutos e gritei "Nunca mais carregarei sacolas pesadas de tão longe!" tal qual Scarlet O'Hara gritaria se tivesse que fazer compras longe, muito longe de casa e me dei esse luxo. Dane-se.
Sinal claro: se produtos de limpeza estão voltando a ser o meu ápice em termos consumistas, devo estar voltando ao normal muito em breve.
**************************************
Porque, sim, eu ando meio descompensada.
Não sei bem se é a TPM, se é o fato cósmico de sair na porrada com algum professor sempre no primeiro semestre do ano, se é porque a Claro é uma merda, se é porque a NET é uma merda, se é porque, finalmente, decidi sentir falta de ter um namorado...
...O lance é que eu descobri que ligar para o atendimento de empresas que te sacaneiam antes de dormir é um tremendo calmante.
No mais, a TPM costuma passar - até hoje sem incidentes graves.
E a falta... A falta também passa. Daqui a pouco eu paro com essas coisas de sentir saudades da pessoa errada, de implicar com a cama vazia e ter vontade de chorar por causa de lâmpada queimada.
Estou otimista!
**************************************
Meu otimismo, por sinal, começou a voltar quando eu fui ao cinema semana passada ver "O Leitor". Olha, a história é ótima, tudo aquilo e tal, mas o que me deu uma puta emoção mesmo foi perceber que a Kate Winslet tem um peito caído FEITO O MEU e um monte de estria no lombo FEITO EU um cabelo quebrado do inferno FEITO EU e uma ruguinhas nos olhos bisonhas - feito ela, que isso eu ainda não tenho.
Durante todo o início do filme, em que rola aquela coisa toda que você já fez algum dia na vida, eu só tinha olhos para estas coisas lindas. Além de ganhar o Oscar, aquela mulher era tão baranga quanto eu!!!
Em dias de baixa estima, nada melhor que isso!
Deve ter me feito tão bem, que, quando eu saí na rua de novo, tinha um monte de peão me olhando e eu nem tava com um abacaxi pendurado na cabeça!
***************************************
Não que eu realmente esteja otimista de novo.
Não que isso tenha adiantado de alguma coisa.
Mas, e daí, né?
...Como a única coisa que eu realmente consigo adquirir no verão é uma pele morena de dar inveja a Sargenteli, troquei o nome da Síndrome, entoei "Garoto Maroto" e resolvi que, a partir deste verão, eu faço workshop é pra clone de Alcione mesmo, que é coisa nossa e ainda tem aquelas unhas decoradas enormes superestilosas.
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Aí, poxa vida, voltei de viagem abalada e pensando que eu realmente era um clone da Marrom. A dita civilização realmente me aborrece horrores já nos meus dias bons, num dia ruim e em que a minha pequena filha resolve padecer de otite num dia chave para resolução de um trabalhinho de colégio, foi demais para mim!
Minha casa estava andando sozinha, pilhas de roupa dominavam o planeta, a geladeira rugia tamanho o eco que a porta fazia quando ela era aberta.
Resolvi tirar a minha semana sabática do semestre.
Meu primeiro ato?
Me dar ao prazer de me render ao detergente em gel.
Do ponto de vista racional, custa o triplo do preço e lava a mesma coisa, então eu não preciso dele; mas o racional falou mais alto e eu resolvi comprar porque acho uma coisa linda de doer os olhos aquele detergente em gel brilhante! Ainda comprei num mercado bem caro que tem lá perto de casa porque, este mês, tirei a Alcione de campo uns dez minutos e gritei "Nunca mais carregarei sacolas pesadas de tão longe!" tal qual Scarlet O'Hara gritaria se tivesse que fazer compras longe, muito longe de casa e me dei esse luxo. Dane-se.
Sinal claro: se produtos de limpeza estão voltando a ser o meu ápice em termos consumistas, devo estar voltando ao normal muito em breve.
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Porque, sim, eu ando meio descompensada.
Não sei bem se é a TPM, se é o fato cósmico de sair na porrada com algum professor sempre no primeiro semestre do ano, se é porque a Claro é uma merda, se é porque a NET é uma merda, se é porque, finalmente, decidi sentir falta de ter um namorado...
...O lance é que eu descobri que ligar para o atendimento de empresas que te sacaneiam antes de dormir é um tremendo calmante.
No mais, a TPM costuma passar - até hoje sem incidentes graves.
E a falta... A falta também passa. Daqui a pouco eu paro com essas coisas de sentir saudades da pessoa errada, de implicar com a cama vazia e ter vontade de chorar por causa de lâmpada queimada.
Estou otimista!
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Meu otimismo, por sinal, começou a voltar quando eu fui ao cinema semana passada ver "O Leitor". Olha, a história é ótima, tudo aquilo e tal, mas o que me deu uma puta emoção mesmo foi perceber que a Kate Winslet tem um peito caído FEITO O MEU e um monte de estria no lombo FEITO EU um cabelo quebrado do inferno FEITO EU e uma ruguinhas nos olhos bisonhas - feito ela, que isso eu ainda não tenho.
Durante todo o início do filme, em que rola aquela coisa toda que você já fez algum dia na vida, eu só tinha olhos para estas coisas lindas. Além de ganhar o Oscar, aquela mulher era tão baranga quanto eu!!!
Em dias de baixa estima, nada melhor que isso!
Deve ter me feito tão bem, que, quando eu saí na rua de novo, tinha um monte de peão me olhando e eu nem tava com um abacaxi pendurado na cabeça!
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Não que eu realmente esteja otimista de novo.
Não que isso tenha adiantado de alguma coisa.
Mas, e daí, né?
quarta-feira, março 4
Procura-se um "S" Desesperadamente
Em Janeiro eu amava tanto que parecia que meu peito ia explodir.
Amava tudo e todo mundo, amava demais e a beleza das coisas todas chegava a doer.
Foi um surto de amor.
Em Fevereiro, todo esse amor em excesso foi embora.
Comecei a sentir um vazio no peito.
Uma coisa muito estranha...
As coisas ficaram mais cruas, desmistifiquei várias pessoas e várias coisas...
E as coisas continuam nessa "esquisiteza".
Pôr do sol foda dá vazio.
Eu sempre segui apaixonada ou sofrendo de amor, de repente não estar em paixão é um trânsito, uma lógica, completamente nova na minha vida.
Não sei se eu gosto dela, mas também não sei se estando assim estaria propensa a me apaixonar de novo. Fui atacada por um excesso de estudo teóricos, pensamentos, vidas sem graça, ruas sujas, barulhos... Sei lá...
No meio disso tudo, parece-me que Nancy abandonou Sid. Só tenho visto ele pela minha jardineira. Ontem pude até constatar que ele continua um caracol deveras estúpido que levou outra travada da janela na casa por estar estacionado em local proibido. Fiquei pensando nela...
Será que ela encheu a casa de ovinhos e se mandou para parir em paz longe daquele ser pegajoso? Será esta a lógica de reprodução dos caracóis? Afinal, porque ela deixou o Sid lá, sozinho, coitado?
Tão complicadamente humano tudo isso...
Olhei prum lado, olhei pro outro, e, tudo que existia para ser lido dentro de casa se resumia a coisas de estudo e histórias reais. Bateu um enorme desespero essa falta de romance até em papel na minha vida. Bateu uma urgência de alguma coisa estúpida qualquer para dar descanso a mim mesma.
Um Stephen King, peloamordedeus!!!
Na atual conjuntura até Sidney Sheldon seria muitíssimo bem vindo...
Um "S", eu preciso de um escritor com "s", capaz de escrever alguma coisa longa ao invés de um conto, uma história que me deixe esperando pelo próximo capítulo ao invés da próxima história, que escangalhe a minha coluna de uma vez por todas além do limite da dor que já anda me perseguindo fiel como um cãozinho, que me deixe feliz por só poder mastigar cenourinhas...!
Um "S"!!!
Amava tudo e todo mundo, amava demais e a beleza das coisas todas chegava a doer.
Foi um surto de amor.
Em Fevereiro, todo esse amor em excesso foi embora.
Comecei a sentir um vazio no peito.
Uma coisa muito estranha...
As coisas ficaram mais cruas, desmistifiquei várias pessoas e várias coisas...
E as coisas continuam nessa "esquisiteza".
Pôr do sol foda dá vazio.
Eu sempre segui apaixonada ou sofrendo de amor, de repente não estar em paixão é um trânsito, uma lógica, completamente nova na minha vida.
Não sei se eu gosto dela, mas também não sei se estando assim estaria propensa a me apaixonar de novo. Fui atacada por um excesso de estudo teóricos, pensamentos, vidas sem graça, ruas sujas, barulhos... Sei lá...
No meio disso tudo, parece-me que Nancy abandonou Sid. Só tenho visto ele pela minha jardineira. Ontem pude até constatar que ele continua um caracol deveras estúpido que levou outra travada da janela na casa por estar estacionado em local proibido. Fiquei pensando nela...
Será que ela encheu a casa de ovinhos e se mandou para parir em paz longe daquele ser pegajoso? Será esta a lógica de reprodução dos caracóis? Afinal, porque ela deixou o Sid lá, sozinho, coitado?
Tão complicadamente humano tudo isso...
Olhei prum lado, olhei pro outro, e, tudo que existia para ser lido dentro de casa se resumia a coisas de estudo e histórias reais. Bateu um enorme desespero essa falta de romance até em papel na minha vida. Bateu uma urgência de alguma coisa estúpida qualquer para dar descanso a mim mesma.
Um Stephen King, peloamordedeus!!!
Na atual conjuntura até Sidney Sheldon seria muitíssimo bem vindo...
Um "S", eu preciso de um escritor com "s", capaz de escrever alguma coisa longa ao invés de um conto, uma história que me deixe esperando pelo próximo capítulo ao invés da próxima história, que escangalhe a minha coluna de uma vez por todas além do limite da dor que já anda me perseguindo fiel como um cãozinho, que me deixe feliz por só poder mastigar cenourinhas...!
Um "S"!!!
segunda-feira, março 2
...Já que estou transcrevendo diálogos...
...Como pude esquecer da frase chave da viagem?!?
Cenário: Ponto de parada na estrada, debaixo de uma cobertura cheia de ar quente por causa do sol que brilhava lá fora e fritava as coisas vivas que se arriscassem sobre ele.
- Mãe, pedei.
- Hein?!?
- Pedei.
Seguem gargalhadas e uma leve bronca porque mocinhas educadas não saem dizendo essas coisas por aí.
Dia seguinte, nova cena.
Cenário: casa de um amigo, churrasco rolando, sessão de fotos.
Descrevo a cena acima.
- Você entendeu errado, Renata, ela olhou em volta e tava era dizendo 'Mayday, mayday!'!
Adoro meus amigos!!!
Cenário: Ponto de parada na estrada, debaixo de uma cobertura cheia de ar quente por causa do sol que brilhava lá fora e fritava as coisas vivas que se arriscassem sobre ele.
- Mãe, pedei.
- Hein?!?
- Pedei.
Seguem gargalhadas e uma leve bronca porque mocinhas educadas não saem dizendo essas coisas por aí.
Dia seguinte, nova cena.
Cenário: casa de um amigo, churrasco rolando, sessão de fotos.
Descrevo a cena acima.
- Você entendeu errado, Renata, ela olhou em volta e tava era dizendo 'Mayday, mayday!'!
Adoro meus amigos!!!
Segunda-feira
Por si só já é uma coisa terrível.
Fora todo o trabalho que eu tenho para fazer, tudo o que eu tenho para ler, todo o esforço físico que me aguarda ante a eminência de levantar as ruínas da casa que esteve abandonada, é segunda-feira.
Mesmo sabendo que fechar as cortinas e pôr aquela paradinha de avião que tapa olho depois de horas de viagem e algumas chamadas madrugada adentro seria uma má idéia e certeza absoluta de acordar atrasada, escolhi ignorar os argumentos da razão e foi exatamente o que eu fiz.
E exatamente o que aconteceu.
Acordei atrasada, ainda cansada e com a disposição de uma entrevada.
Meu sono foi tão pesado que mais pareceu um cochilo.
Lá fora, um sol rascante, que só era bonito quando eu estava fazendo meu workshop pra clone de Alcione...
- Ai, droga! Que sol é esse?!?
- Mãe, ele tá brilhando pra dizer olá...
- Ahn?!?
- É porque a gente voltou e ele tá dizendo "olá, Olívia!", "olá, Renata!"!
- Tudo bem, mas ele podia brilhar com menos força um pouquinho, não podia...?
Fora todo o trabalho que eu tenho para fazer, tudo o que eu tenho para ler, todo o esforço físico que me aguarda ante a eminência de levantar as ruínas da casa que esteve abandonada, é segunda-feira.
Mesmo sabendo que fechar as cortinas e pôr aquela paradinha de avião que tapa olho depois de horas de viagem e algumas chamadas madrugada adentro seria uma má idéia e certeza absoluta de acordar atrasada, escolhi ignorar os argumentos da razão e foi exatamente o que eu fiz.
E exatamente o que aconteceu.
Acordei atrasada, ainda cansada e com a disposição de uma entrevada.
Meu sono foi tão pesado que mais pareceu um cochilo.
Lá fora, um sol rascante, que só era bonito quando eu estava fazendo meu workshop pra clone de Alcione...
- Ai, droga! Que sol é esse?!?
- Mãe, ele tá brilhando pra dizer olá...
- Ahn?!?
- É porque a gente voltou e ele tá dizendo "olá, Olívia!", "olá, Renata!"!
- Tudo bem, mas ele podia brilhar com menos força um pouquinho, não podia...?
Mais uma volta
Mais uma semana de viagem - graças a Deus e à econômia doméstica.
A volta pra casa sempre se repete...
Apesar da saudade dos meus caracóis e plantas, a paisagem e as casas que passam lá fora simbolizam tantas coisas que eu ainda quero que me dão uma dó imensa de voltar...
A "civilização" me esperava de braços abertos.
De saída houve um atraso de 20 minutos. Aparentemente o motorista só tirou o carro da garagem cinco minutos depois da hora em que ele deveria ter saído da rodoviária, mas tudo bem... Visto que a vida no interior é mais descansada... Tentava-se manter o bom humor, bastante abalado ante a perspectiva de uma segunda-feira de trabalho na cidade grande em troca de dias de sol na beira da piscina e churrascos sobre o céu estrelado; mas este nos deixou definitivamente quando havia uma parada em cada esquina de uma pequena cidade e nosso guia e guardião teimava em ultrapassar pequenos veículos em estradas de mão dupla.
Na ponte, uma esperança.
No desembarque, ninguém por perto para pegar as bagagens de um ônibus que chegou atrasado em uma hora "graças a Deus", como bem me disse o motorista, porque haviam muitos ônibus chegando - ainda que os carregadores estivessem batendo um papo muito animado sobre jogos de futebol ou coisa que o valha. Uma fila monstruosa e barulhenta para conseguir pegar um taxi (onde a menina do voucher ficou sem resposta ao me perguntar se havia bagagem; tão mecânica e treinada que tem a pachorra de perguntar algo assim a alguém munido de criança, mala de rodinhas e mochila de camping) seria nosso último obstáculo se não fosse chegar na minha esquina e encontrar alguns guardinhas municipais desviando o trânsito por causa de um bloco de carnaval - que, eu podia jurar, já havia acabado há pelo menos 5 dias - que me dão as boas vindas com um "vai ter que ir a pé".
Já voltei praguejando. Consegui fazer passar o taxi. Andei atrás do bloco um tempo a pedido da criança e em busca de comida. A idéia de viajar sem arrumar a casa e deixando a geladeira vazia mostrou-se um fiasco - a visão do caos e do vazio até dentro do meu ninho também me deu vontade de sair correndo.
Cheguei assim, querendo sair correndo.
De novo.
A volta pra casa sempre se repete...
Apesar da saudade dos meus caracóis e plantas, a paisagem e as casas que passam lá fora simbolizam tantas coisas que eu ainda quero que me dão uma dó imensa de voltar...
A "civilização" me esperava de braços abertos.
De saída houve um atraso de 20 minutos. Aparentemente o motorista só tirou o carro da garagem cinco minutos depois da hora em que ele deveria ter saído da rodoviária, mas tudo bem... Visto que a vida no interior é mais descansada... Tentava-se manter o bom humor, bastante abalado ante a perspectiva de uma segunda-feira de trabalho na cidade grande em troca de dias de sol na beira da piscina e churrascos sobre o céu estrelado; mas este nos deixou definitivamente quando havia uma parada em cada esquina de uma pequena cidade e nosso guia e guardião teimava em ultrapassar pequenos veículos em estradas de mão dupla.
Na ponte, uma esperança.
No desembarque, ninguém por perto para pegar as bagagens de um ônibus que chegou atrasado em uma hora "graças a Deus", como bem me disse o motorista, porque haviam muitos ônibus chegando - ainda que os carregadores estivessem batendo um papo muito animado sobre jogos de futebol ou coisa que o valha. Uma fila monstruosa e barulhenta para conseguir pegar um taxi (onde a menina do voucher ficou sem resposta ao me perguntar se havia bagagem; tão mecânica e treinada que tem a pachorra de perguntar algo assim a alguém munido de criança, mala de rodinhas e mochila de camping) seria nosso último obstáculo se não fosse chegar na minha esquina e encontrar alguns guardinhas municipais desviando o trânsito por causa de um bloco de carnaval - que, eu podia jurar, já havia acabado há pelo menos 5 dias - que me dão as boas vindas com um "vai ter que ir a pé".
Já voltei praguejando. Consegui fazer passar o taxi. Andei atrás do bloco um tempo a pedido da criança e em busca de comida. A idéia de viajar sem arrumar a casa e deixando a geladeira vazia mostrou-se um fiasco - a visão do caos e do vazio até dentro do meu ninho também me deu vontade de sair correndo.
Cheguei assim, querendo sair correndo.
De novo.
sábado, fevereiro 21
My pet
quinta-feira, fevereiro 19
Momento Mastercard
Meia-calça arrastão: R$ 20,00
Fita de veludo: R$ 2,50
Esmalte dourado: R$ 1,20
O olhar de espanto da sua mãe quando você declara que vai se fantasiar de oncinha: Não tem preço!!!
Fita de veludo: R$ 2,50
Esmalte dourado: R$ 1,20
O olhar de espanto da sua mãe quando você declara que vai se fantasiar de oncinha: Não tem preço!!!
quarta-feira, fevereiro 18
terça-feira, fevereiro 17
Ameaça Carnavalesca
Eu não sei se foi porque ontem escrevi sobre aquele diálogo carnavalesco; eu só sei que hoje, desde que acordei, só consigo pensar na chegada do carnaval.
No final de semana de semana antes de viajar, em que estarei entregue ao carnaval.
Como certas coisas a gente nunca faz sozinha e eu mereço lá pagar algumas penitências leves, já às 10 horas da manhã passei uma SMS pro Folião:
"Pilhei de me fantasiar de oncinha. Arruma um bloco ae pra nóis."
Já sei a cor do esmalte, vou lavar a camisola que levou um banho de cerveja, vou iniciar uma caça frenética por uma meia calça arrastão (HOHOHO); o problema é que ou eu matei o Folião de susto, ou ele saiu correndo de medo de mim ou saiu correndo de vergonha de ser visto na rua comigo nestes trajes...
Faltam 3 dias ainda para o final de semana, 5 para a viagem.
(Já posso até sentir o calor, a sovaqueira, a boniteza da rodoviária no meio do carnaval...!)
Mal posso esperar!
Tanto que não gastei mais de 10 minutos hoje pensando em como estou infeliz de estar com dois livros empacados na cabeceira da cama (além dos outros 2 que já moram lá) por conta de todos os textos de logias que andam me mandando ler. Sim, a revanche dos cabeçudos continua, mas eu me vingo pintando as unhas de rosa pink e tomando revistas populares como tema de monografia. Rá!
Menos essa semana.
Essa semana meu cérebro está virando geléia e só a oncinha me importa.
A conferir...
No final de semana de semana antes de viajar, em que estarei entregue ao carnaval.
Como certas coisas a gente nunca faz sozinha e eu mereço lá pagar algumas penitências leves, já às 10 horas da manhã passei uma SMS pro Folião:
"Pilhei de me fantasiar de oncinha. Arruma um bloco ae pra nóis."
Já sei a cor do esmalte, vou lavar a camisola que levou um banho de cerveja, vou iniciar uma caça frenética por uma meia calça arrastão (HOHOHO); o problema é que ou eu matei o Folião de susto, ou ele saiu correndo de medo de mim ou saiu correndo de vergonha de ser visto na rua comigo nestes trajes...
Faltam 3 dias ainda para o final de semana, 5 para a viagem.
(Já posso até sentir o calor, a sovaqueira, a boniteza da rodoviária no meio do carnaval...!)
Mal posso esperar!
Tanto que não gastei mais de 10 minutos hoje pensando em como estou infeliz de estar com dois livros empacados na cabeceira da cama (além dos outros 2 que já moram lá) por conta de todos os textos de logias que andam me mandando ler. Sim, a revanche dos cabeçudos continua, mas eu me vingo pintando as unhas de rosa pink e tomando revistas populares como tema de monografia. Rá!
Menos essa semana.
Essa semana meu cérebro está virando geléia e só a oncinha me importa.
A conferir...
Historinha de Amor
Eu tinha uma presilha de cabelo.
Uma presilha de cabelo amiga.
Ela era daquela cor que as pessoas que sabem nome de cor chamam de "casco de tartaruga", seja lá o que for isso; prendia meus longos e parcos cabelos bem firme; tinha o tamanho perfeito - nem muito grande, nem muito pequena - e eu carregava para todos os cantos.
Se você é meu amigo, com certeza chegou a me ver com ela por aí.
Então essa presilha caiu.
Caiu, não. Praticamente se jogou da pia do banheiro. Como se eu me jogasse do alto de um prédio de...uhm...uns 6 andares, vamos dizer. Sem play e garagem, tá? Só 6 andares.
E nesse salto, a minha presilha perdeu um dente e um pedaço daquela paradinha do meio perto da mola que fazia ela ficar firme e retinha.
Ela já havia caído duas outras vezes.
Em uma, havia perdido um dente - no caso das piranhas, classe a qual a minha presilha muito fiel infelizmente pertencia, perder um dente é uma seqüela gravíssima. Em outra perdeu mais uma parada qualquer que fazia ela engasgar na hora de prender e me dar um certo trabalho para encaixar a bichinha no lugar.
Com esse tombo, eu percebi que, por mais que a gente ame as coisas loucamente e saiba o tamanho da falta que elas vão fazer na nossa vida, depois de um certo número de quedas, essa coisa que detém o seu afeto vai estar irremediavelmente quebrada. Primeiro vai estar doente, depois remendada, mas, em alguma hora, nenhum superbonder do mundo vai mais fazer efeito. Você vai ter que jogar o que está quebrado no lixo.
Vai sentir tristeza e passar meses procurando outra coisa que dê a liga que aquilo dava.
Hoje eu vou jogar ela no lixo.
Que nem eu fiz com tantas outras coisas antes que não podiam ser mais consertadas.
Não vou me importar com as frases bonitas, que chegam tão tarde; e vou procurar numa outra banca alguma outra coisa que possa enfeitar os meus cabelos, que hoje nem são mais pretos...
Uma presilha de cabelo amiga.
Ela era daquela cor que as pessoas que sabem nome de cor chamam de "casco de tartaruga", seja lá o que for isso; prendia meus longos e parcos cabelos bem firme; tinha o tamanho perfeito - nem muito grande, nem muito pequena - e eu carregava para todos os cantos.
Se você é meu amigo, com certeza chegou a me ver com ela por aí.
Então essa presilha caiu.
Caiu, não. Praticamente se jogou da pia do banheiro. Como se eu me jogasse do alto de um prédio de...uhm...uns 6 andares, vamos dizer. Sem play e garagem, tá? Só 6 andares.
E nesse salto, a minha presilha perdeu um dente e um pedaço daquela paradinha do meio perto da mola que fazia ela ficar firme e retinha.
Ela já havia caído duas outras vezes.
Em uma, havia perdido um dente - no caso das piranhas, classe a qual a minha presilha muito fiel infelizmente pertencia, perder um dente é uma seqüela gravíssima. Em outra perdeu mais uma parada qualquer que fazia ela engasgar na hora de prender e me dar um certo trabalho para encaixar a bichinha no lugar.
Com esse tombo, eu percebi que, por mais que a gente ame as coisas loucamente e saiba o tamanho da falta que elas vão fazer na nossa vida, depois de um certo número de quedas, essa coisa que detém o seu afeto vai estar irremediavelmente quebrada. Primeiro vai estar doente, depois remendada, mas, em alguma hora, nenhum superbonder do mundo vai mais fazer efeito. Você vai ter que jogar o que está quebrado no lixo.
Vai sentir tristeza e passar meses procurando outra coisa que dê a liga que aquilo dava.
Hoje eu vou jogar ela no lixo.
Que nem eu fiz com tantas outras coisas antes que não podiam ser mais consertadas.
Não vou me importar com as frases bonitas, que chegam tão tarde; e vou procurar numa outra banca alguma outra coisa que possa enfeitar os meus cabelos, que hoje nem são mais pretos...
segunda-feira, fevereiro 16
R.R., 31, Caracóloga
Depois do período em que eu ficava observando as plantas crescerem, agora eu gasto horas dos meus dias assistindo a vida que passou a existir lá dentro.
Tudo começou com as formigas.
Eram formigas pequenininhas, que andam para lá e para cá tirando pequenos nacos das minhas folhinhas. Como eu tenho o costume de mandar ver um spray de veneno uma vez a cada dois meses, azar o delas.
Ainda assim, pode ser bastante terapêutico ficar espiando aquele povo que vai pra lá e pra cá.
Em dezembro apareceu um caracol.
Apareceu da pior forma possível.
Provavelmente ele já estava lá vivendo na comunidade da minha jardineira, mas nós só nos encontramos num dia em que eu estava tendo um dia muito ruim, muito ruim mesmo e resolvi ir lá dar uma espiada nas plantas. Abri a janela com uma certa fúria e só ouvi aquele "CREC", que, por mais que tenha sido quase inaudível, me pareceu o barulho mais alto do mundo. Quando eu espiei o que era, lá estava ele, meio sem rabo, com a casinha meio esmigalhada, meio pendurada, soltando uma gosma gosmenta do lado de fora da minha janela. E, pelas próximas horas, meu sentimento de culpa por ter massacrado o caracol sem querer e a preocupação com a possibilidade dele continuar vivo foram o estopim para outra coisa muito ruim que eu fiz aquele dia.
Eu ligava pros meus amigos - que, graças a Deus são meus amigos, então não acharam que eu já era caso de internação - praticamente aos prantos dizendo que "ainda por cima eu tinha matado um caracoooooooollllllllll".
Desde esse dia eu passei a procurar o caracol.
Vi que ele se recuperou e passei a tomar o maior cuidado do mundo com o momento de abrir e fechar as minhas janelas.
Semana passada, quando cheguei em casa de noite, além do meu caracol, havia a caracol dele. E eles estavam fornicando. Foi um momento de ápice da minha vida Discovery.
Numa noite pouco depois, pude presenciar o momento em que um deles (eu ainda não sei quem é a moça e quem é o moço, mas me dêem um tempo que eu chego lá) fazia uma manobra arriscadíssima e extremamente nojenta entre a borda da jardineira e a parede da mesma. Ninguém nunca tinha me dito que eles eram tão elásticos.
E assim, sem querer, ganhei dois bichos de estimação.
Entre cachorros, gatos, tartarugas, peixes, eu crio um casal de caracóis.
Minha mãe brinca que eu deveria trocar de carreira, virar Caracóloga.
Eu já penso em comprar uma lanterninha, porque eu fico querendo dar boa noite pra eles, ver se eles estão bem de noite, e não consigo enxergar nada no meio daquele meu matagal.
A pessoa vive 31 anos pra isso.
Virar criadora de caracol.
Foda.
Tudo começou com as formigas.
Eram formigas pequenininhas, que andam para lá e para cá tirando pequenos nacos das minhas folhinhas. Como eu tenho o costume de mandar ver um spray de veneno uma vez a cada dois meses, azar o delas.
Ainda assim, pode ser bastante terapêutico ficar espiando aquele povo que vai pra lá e pra cá.
Em dezembro apareceu um caracol.
Apareceu da pior forma possível.
Provavelmente ele já estava lá vivendo na comunidade da minha jardineira, mas nós só nos encontramos num dia em que eu estava tendo um dia muito ruim, muito ruim mesmo e resolvi ir lá dar uma espiada nas plantas. Abri a janela com uma certa fúria e só ouvi aquele "CREC", que, por mais que tenha sido quase inaudível, me pareceu o barulho mais alto do mundo. Quando eu espiei o que era, lá estava ele, meio sem rabo, com a casinha meio esmigalhada, meio pendurada, soltando uma gosma gosmenta do lado de fora da minha janela. E, pelas próximas horas, meu sentimento de culpa por ter massacrado o caracol sem querer e a preocupação com a possibilidade dele continuar vivo foram o estopim para outra coisa muito ruim que eu fiz aquele dia.
Eu ligava pros meus amigos - que, graças a Deus são meus amigos, então não acharam que eu já era caso de internação - praticamente aos prantos dizendo que "ainda por cima eu tinha matado um caracoooooooollllllllll".
Desde esse dia eu passei a procurar o caracol.
Vi que ele se recuperou e passei a tomar o maior cuidado do mundo com o momento de abrir e fechar as minhas janelas.
Semana passada, quando cheguei em casa de noite, além do meu caracol, havia a caracol dele. E eles estavam fornicando. Foi um momento de ápice da minha vida Discovery.
Numa noite pouco depois, pude presenciar o momento em que um deles (eu ainda não sei quem é a moça e quem é o moço, mas me dêem um tempo que eu chego lá) fazia uma manobra arriscadíssima e extremamente nojenta entre a borda da jardineira e a parede da mesma. Ninguém nunca tinha me dito que eles eram tão elásticos.
E assim, sem querer, ganhei dois bichos de estimação.
Entre cachorros, gatos, tartarugas, peixes, eu crio um casal de caracóis.
Minha mãe brinca que eu deveria trocar de carreira, virar Caracóloga.
Eu já penso em comprar uma lanterninha, porque eu fico querendo dar boa noite pra eles, ver se eles estão bem de noite, e não consigo enxergar nada no meio daquele meu matagal.
A pessoa vive 31 anos pra isso.
Virar criadora de caracol.
Foda.
Da Chuva
No meio de todas as confusões todas, ainda vieram dias de chuva.
Dias de chuva forte.
E, numa dessas chuvas, percebi o quanto é difícil ser uma pessoa que anda na chuva, ainda mais uma pessoa que anda na chuva sem segurar um guarda-chuva nas mãos. É como se as pessoas que carregam guarda-chuvas fossem mais pessoas que você, que não carrega um por questões ideológicas. Estas pessoas, saem pelas ruas andando como se fossem verdadeiros monarcas de pés molhados e descontam em você o fato de não terem carro com motorista ou terem que enfiar os pés dentro de poças cheias de organismos vivos e praticamente escalpelam as pessoas desprotegidas.
Estas, precisam fazer um caminho que é quase um roteiro de RPG, desviando daqui, escapando de fininho de uma ponta de guarda-chuva dentro do olho, pulando uma Bacia de Campos ali...
Não existe nada romântico do tipo música tocando ao fundo enquanto as pessoas sapateiam felizes e que vá culminar em você sendo parte de um casal que se beija loucamente enquanto borboletas borboleteiam e o sol sai lá atrás. Na melhor das hipóteses, um ônibus passa à toda do seu lado e te dá um banho de esgoto e a sua trilha sonora é a buzina daquele camarada que não se convenceu ainda, com 40 anos de carteira, que buzina em meio de engarrafamento não faz com que as pessoas comecem a andar mais rápido.
Um bueiro que jorra no meio do caminho uma mistura de água com alguma coisa marrom, que eu faço questão de bloquear da minha mente, me faz prestar atenção no fato que, tirando uns dois ou três porteiros espalhados por aí, ninguém se dá ao trabalho de passar um sabãozinho nas calçadas da cidade. Todos os dias cachorros fazem as suas coisas, eu apago cigarros, pessoas derrubam comidas e bebidas, outras fazem as mesmas coisas dos cachorros, cabelos caem, folhas caem, poeira se espalha e ninguém lava aquilo tudo como a gente deve lavar as coisas. E chuva? Chuva lava, leva uma água preta cheia dessas coisas todas que eu já listei aí em cima, aquela água, mas deixa o grosso da coisa. Não desinfeta.
O bueiro me fez entender de verdade o conceito de rua ser um lugar sujo.
E, no fundo, no fundo, começo eu aqui a pensar o que será que vai acontecer quando essa crosta ficar mais sólida, mais prensadinha...
ARGH!
Dias de chuva forte.
E, numa dessas chuvas, percebi o quanto é difícil ser uma pessoa que anda na chuva, ainda mais uma pessoa que anda na chuva sem segurar um guarda-chuva nas mãos. É como se as pessoas que carregam guarda-chuvas fossem mais pessoas que você, que não carrega um por questões ideológicas. Estas pessoas, saem pelas ruas andando como se fossem verdadeiros monarcas de pés molhados e descontam em você o fato de não terem carro com motorista ou terem que enfiar os pés dentro de poças cheias de organismos vivos e praticamente escalpelam as pessoas desprotegidas.
Estas, precisam fazer um caminho que é quase um roteiro de RPG, desviando daqui, escapando de fininho de uma ponta de guarda-chuva dentro do olho, pulando uma Bacia de Campos ali...
Não existe nada romântico do tipo música tocando ao fundo enquanto as pessoas sapateiam felizes e que vá culminar em você sendo parte de um casal que se beija loucamente enquanto borboletas borboleteiam e o sol sai lá atrás. Na melhor das hipóteses, um ônibus passa à toda do seu lado e te dá um banho de esgoto e a sua trilha sonora é a buzina daquele camarada que não se convenceu ainda, com 40 anos de carteira, que buzina em meio de engarrafamento não faz com que as pessoas comecem a andar mais rápido.
Um bueiro que jorra no meio do caminho uma mistura de água com alguma coisa marrom, que eu faço questão de bloquear da minha mente, me faz prestar atenção no fato que, tirando uns dois ou três porteiros espalhados por aí, ninguém se dá ao trabalho de passar um sabãozinho nas calçadas da cidade. Todos os dias cachorros fazem as suas coisas, eu apago cigarros, pessoas derrubam comidas e bebidas, outras fazem as mesmas coisas dos cachorros, cabelos caem, folhas caem, poeira se espalha e ninguém lava aquilo tudo como a gente deve lavar as coisas. E chuva? Chuva lava, leva uma água preta cheia dessas coisas todas que eu já listei aí em cima, aquela água, mas deixa o grosso da coisa. Não desinfeta.
O bueiro me fez entender de verdade o conceito de rua ser um lugar sujo.
E, no fundo, no fundo, começo eu aqui a pensar o que será que vai acontecer quando essa crosta ficar mais sólida, mais prensadinha...
ARGH!
O Carnaval Ruge!
Aí que outro dia eu tomei uma tremenda bronca de um amigo meu.
Ele é folião, sabe.
Folião daqueles que saem de casa na sexta-feira e só voltam pra casa às onze da noite da quarta-feira de cinzas.
Eu não sou uma foliã.
Quando eu era pequena pulava carnaval nos bailes da Associação Atlética Arealense e hoje vou a um bloco (pra ver se é nesse ano que eu consigo gostar) e um bailinho infantil por ano.
Há anos tenho um desejo não tão furioso de possuir e usar um daqueles sutiãs cheios de lantejolas que aqueles camelôes pebas vendem lá na frente da Help para usar durante a festança do povo e abalar Bangu. Também sonho, com saudades, em ter uma fantasia de melindrosa só minha para usar num baile qualquer. Os dois desejos esbarram sempre no fim da dieta eterna que não chega nunca e que se encontra em andamento - como em todos os anos.
Então, eu não me fantasio.
Minha ida ao bloco se resume a uma escalada da sobriedade a ebriedade ao longo de um quarteirão de um bairro qualquer e o bailinho... Até ano passado eu desconfiava que a minha filha não era lá muito fã dos bailinhos (apesar de ser usuária, em toda a glória do termo, de fantasias), mas ela anda aprendendo a história da Carmen Miranda e cantando as marchinhas, então eu já não sei como será este episódio esse ano.
Voltando ao assunto.
Estávamos eu e esse meu amigo comentando a proximidade do carnaval. Desde que eu passei a prestar mais atenção no mundo, quando eu me conecto a ele, posso orgulhosamente declarar que a minha vida já não é mais a mesma e eu virei uma pessoa muito mais escrota nas observações que faço.
- Fala sério, qual é a graça de sair andando espremido atrás de um bando de nêgo bêbado, suado, com o sovaco fedorento na sua cara, sem nem ouvir o que diabos tá sendo tocado lá na frente?
- Ah, é legal...
- Legal? Que que tem de legal nisso? Muvuca, sovaqueira...
- Você tem razão. Obrigada, Renata, você acabou de arruinar uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida...
Tadinho. Me senti malvada. Ainda argumentei que a intenção não era essa, que eu provavelmente também acabaria indo a algum bloco, que ele deveria aproveitar do mesmo jeito...
...Mas, sem entrar nos méritos antropológicos da coisa, eu tenho, ou não tenho razão?
Ele é folião, sabe.
Folião daqueles que saem de casa na sexta-feira e só voltam pra casa às onze da noite da quarta-feira de cinzas.
Eu não sou uma foliã.
Quando eu era pequena pulava carnaval nos bailes da Associação Atlética Arealense e hoje vou a um bloco (pra ver se é nesse ano que eu consigo gostar) e um bailinho infantil por ano.
Há anos tenho um desejo não tão furioso de possuir e usar um daqueles sutiãs cheios de lantejolas que aqueles camelôes pebas vendem lá na frente da Help para usar durante a festança do povo e abalar Bangu. Também sonho, com saudades, em ter uma fantasia de melindrosa só minha para usar num baile qualquer. Os dois desejos esbarram sempre no fim da dieta eterna que não chega nunca e que se encontra em andamento - como em todos os anos.
Então, eu não me fantasio.
Minha ida ao bloco se resume a uma escalada da sobriedade a ebriedade ao longo de um quarteirão de um bairro qualquer e o bailinho... Até ano passado eu desconfiava que a minha filha não era lá muito fã dos bailinhos (apesar de ser usuária, em toda a glória do termo, de fantasias), mas ela anda aprendendo a história da Carmen Miranda e cantando as marchinhas, então eu já não sei como será este episódio esse ano.
Voltando ao assunto.
Estávamos eu e esse meu amigo comentando a proximidade do carnaval. Desde que eu passei a prestar mais atenção no mundo, quando eu me conecto a ele, posso orgulhosamente declarar que a minha vida já não é mais a mesma e eu virei uma pessoa muito mais escrota nas observações que faço.
- Fala sério, qual é a graça de sair andando espremido atrás de um bando de nêgo bêbado, suado, com o sovaco fedorento na sua cara, sem nem ouvir o que diabos tá sendo tocado lá na frente?
- Ah, é legal...
- Legal? Que que tem de legal nisso? Muvuca, sovaqueira...
- Você tem razão. Obrigada, Renata, você acabou de arruinar uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida...
Tadinho. Me senti malvada. Ainda argumentei que a intenção não era essa, que eu provavelmente também acabaria indo a algum bloco, que ele deveria aproveitar do mesmo jeito...
...Mas, sem entrar nos méritos antropológicos da coisa, eu tenho, ou não tenho razão?
A Escova de Dentes
Há 3 semanas atrás, estava eu lá tentando resolver as coisas da minha pouco interessante e atribulada vidinha (que, inclusive, me mantiveram bem longe daqui; algumas vezes graças a Deus) quando me apareceu um senhor problema: minha escova de dentes da nova geração movida a pilha etecétera e tal resolveu morrer.
O problema que se instaurou foi: que escova de dentes eu devo comprar?
Comprar uma escova de dentes se tornou uma escolha complicadíssima nos dias de hoje. Existem vários fabricantes e estes fabricantes (que declaram sempre serem "a escolha preferida dos dentistas" ou coisa que o valha) fabricam uma dúzia de modelos diferentes de escovas. Cada uma delas tem uma nova tecnologia ou acessório absolutamente essencial à saúde da sua flora bucal e dos seus dentes.
Meus dentes não são lá essas coisas, como nunca são os dentes de qualquer fumante; eu como as minhas bochechas constantemente por nervosismo e vício, e, como pude descobrir ao longo do último mês, minhas bochechas são o grande novo foco de bactérias bucais (junto com as próprias cerdas das escovas!!!); minhas gengivas também sofrem com meus nervos nervosos...Tudo necessita das novidades e do amparo de uma nova escova robótica e super cheia de coisículas.
Cada comercial que passa na televisão (ao longo do mês acabei me rendendo de novo aos seriados, coisa que havia jurado de pés juntos que não faria mais) me mostra um modelo novo, uma tecnologia essencial.
Fiz uma média de duas excursões à farmácia por semana para observar os modelos e todas as minhas opções na tentativa de comprar o tal... (Escova de dente é o quê? Acessório?) ...a tal escova. Como costuma me acontecer quando existem muitas opções de escolha, não consegui escolher nenhuma delas e passei semanas indo embora das farmácias de mãos vazias.
A pergunta que me atormentava era por quê, meu Deus, por quê essas modernidades todas, essas coisas todas que eles dizem que eu preciso ter, não vinham todas num único modelo de uma vez?!? Por quê tinha eu, com todas as coisas todas que eu já tenho que fazer e cuidar e pensar, que ficar torturada por conta de um raio de uma escova de dentes?!?
Não me interessavam as desculpas mercadológicas que explicam esse fenômeno, apenas a praticidade da coisa e o fim da procura.
Todas as noites a Colgate me atormentava com seus comerciais...
Até que a minha filha apareceu em casa com a escova de dentes do colégio toda mastigada e apareceu a necessidade de comprar uma escova para ela também. No caso dela é extremamente mais fácil, visto que só existem duas ou três para a faixa de idade dela e o grande dilema dela é escolher entre a Hello Kitty e As Princesas.
Assim, lá fui eu de novo para dentro de uma farmácia.
Olha daqui, espia de lá, no meio de todas aqueles totens agressivos da higiene moderna, bem na hora em que eu estava quase me convencendo realmente de que o lance seria comprar uma escova que não tivesse tecnologia nenhuma ou qualquer espécie de proteção extra a sei lá o quê que eles dizem que tem dentro da minha boca, estava lá, na embalagem: "3 em 1".
Eu não demorei nem um minuto pensando no assunto, não sei 3 o que aonde, só vi que eram coisas numa escova só e isso me pareceu bastante satisfatório para acabar com o dilema do mês de uma vez.
Mas aí eu saí de lá e já fiquei pensando se a minha escolha, se essas 3 coisas seriam realmente o que a minha boca - que depois de tantos comerciais já me parece um dos lugares mais inóspitos do universo - precisaria para ser saudável, feliz e soltar flores pelo ar quando eu falasse com as pessoas...
O problema que se instaurou foi: que escova de dentes eu devo comprar?
Comprar uma escova de dentes se tornou uma escolha complicadíssima nos dias de hoje. Existem vários fabricantes e estes fabricantes (que declaram sempre serem "a escolha preferida dos dentistas" ou coisa que o valha) fabricam uma dúzia de modelos diferentes de escovas. Cada uma delas tem uma nova tecnologia ou acessório absolutamente essencial à saúde da sua flora bucal e dos seus dentes.
Meus dentes não são lá essas coisas, como nunca são os dentes de qualquer fumante; eu como as minhas bochechas constantemente por nervosismo e vício, e, como pude descobrir ao longo do último mês, minhas bochechas são o grande novo foco de bactérias bucais (junto com as próprias cerdas das escovas!!!); minhas gengivas também sofrem com meus nervos nervosos...Tudo necessita das novidades e do amparo de uma nova escova robótica e super cheia de coisículas.
Cada comercial que passa na televisão (ao longo do mês acabei me rendendo de novo aos seriados, coisa que havia jurado de pés juntos que não faria mais) me mostra um modelo novo, uma tecnologia essencial.
Fiz uma média de duas excursões à farmácia por semana para observar os modelos e todas as minhas opções na tentativa de comprar o tal... (Escova de dente é o quê? Acessório?) ...a tal escova. Como costuma me acontecer quando existem muitas opções de escolha, não consegui escolher nenhuma delas e passei semanas indo embora das farmácias de mãos vazias.
A pergunta que me atormentava era por quê, meu Deus, por quê essas modernidades todas, essas coisas todas que eles dizem que eu preciso ter, não vinham todas num único modelo de uma vez?!? Por quê tinha eu, com todas as coisas todas que eu já tenho que fazer e cuidar e pensar, que ficar torturada por conta de um raio de uma escova de dentes?!?
Não me interessavam as desculpas mercadológicas que explicam esse fenômeno, apenas a praticidade da coisa e o fim da procura.
Todas as noites a Colgate me atormentava com seus comerciais...
Até que a minha filha apareceu em casa com a escova de dentes do colégio toda mastigada e apareceu a necessidade de comprar uma escova para ela também. No caso dela é extremamente mais fácil, visto que só existem duas ou três para a faixa de idade dela e o grande dilema dela é escolher entre a Hello Kitty e As Princesas.
Assim, lá fui eu de novo para dentro de uma farmácia.
Olha daqui, espia de lá, no meio de todas aqueles totens agressivos da higiene moderna, bem na hora em que eu estava quase me convencendo realmente de que o lance seria comprar uma escova que não tivesse tecnologia nenhuma ou qualquer espécie de proteção extra a sei lá o quê que eles dizem que tem dentro da minha boca, estava lá, na embalagem: "3 em 1".
Eu não demorei nem um minuto pensando no assunto, não sei 3 o que aonde, só vi que eram coisas numa escova só e isso me pareceu bastante satisfatório para acabar com o dilema do mês de uma vez.
Mas aí eu saí de lá e já fiquei pensando se a minha escolha, se essas 3 coisas seriam realmente o que a minha boca - que depois de tantos comerciais já me parece um dos lugares mais inóspitos do universo - precisaria para ser saudável, feliz e soltar flores pelo ar quando eu falasse com as pessoas...
segunda-feira, fevereiro 2
Shame on Me
Triste, muito triste mesmo o balanço de tudo o que eu consumi de cultura no ano de 2008.
Tirando os filmes, que eu tive uma média excelente; li menos livros, não vi show nenhum, praticamente não fui ao teatro.
Uma derrota.
Uma vergonha vergonhosa.
Vou me recuperar e amanhã talvez eu volte...
Tirando os filmes, que eu tive uma média excelente; li menos livros, não vi show nenhum, praticamente não fui ao teatro.
Uma derrota.
Uma vergonha vergonhosa.
Vou me recuperar e amanhã talvez eu volte...
quarta-feira, janeiro 21
Música do Dia
"I thought love was only true in fairy tales
Meant for someone else but not for me
Love was out to get me
That's the way it seemed
Disappointment haunted all my dreams
(...)
I thought love was more or less a givin' thing
Seems the more I gave the less I got
What's the use in trying
All you get is pain
When I needed sunshine I got rain"
Exatamente assim.
Pulando a parte feliz da coisa.
Como uma luva, amigo, como uma luva...
Meant for someone else but not for me
Love was out to get me
That's the way it seemed
Disappointment haunted all my dreams
(...)
I thought love was more or less a givin' thing
Seems the more I gave the less I got
What's the use in trying
All you get is pain
When I needed sunshine I got rain"
Exatamente assim.
Pulando a parte feliz da coisa.
Como uma luva, amigo, como uma luva...
sábado, janeiro 17
A janela
Na Banca de Jornal...
...diante de uma revista adolescente com previsões astrológicas para o amor em 2009.
- O que é isso, mãe?
- É uma revista para as meninas saberem quem elas vão namorar durante o ano.
- E você não vai comprar?!?
- Por que?
- Porque você precisa arrumar um namorado!!!
- Ah, minha filha, não quero namorado, não...
- Por que?
- Dá muito trabalho, filha... Mamãe tá bem assim...
- O que é isso, mãe?
- É uma revista para as meninas saberem quem elas vão namorar durante o ano.
- E você não vai comprar?!?
- Por que?
- Porque você precisa arrumar um namorado!!!
- Ah, minha filha, não quero namorado, não...
- Por que?
- Dá muito trabalho, filha... Mamãe tá bem assim...
terça-feira, janeiro 13
Hoje
Natal foi aquilo.
Última semana do ano, cheia de amigos aparecendo.
A viagem de réveillon, um alívio por não ter eu que caçar alguma festa fantástica e significativa, mas, o que chamou mesmo a minha atenção, não foi o amor do avestruz pelos meus belos olhos – e o meu pelos dele – mas um outdoor em algum lugar do caminho que anunciava um rodízio de pizza onde a estrela era uma pizza de pudim.
De todas as invenções inventadas nos últimos tempos, devo declarar que esta foi a que mais me deixou curiosa. Uma que eu não conheci, nem vou conhecer. Mas, você já parou para pensar em como seria uma pizza de pudim? A visão, na minha cabeça, é grotesca; mas como seria o sabor disso?
O mau humor da primeira semana do ano foi embora.
Foi uma primeira semana dificílima. Em quase todos os níveis.
Agora estou mais feliz, mais tranqüila, o hiato terminou, meu ano começou de uma forma mais leve. Tenho dedicado a semana a descobrir que a grande vantagem de ter a idade que eu tenho, é poder conviver bem comigo mesma em relação a todas as coisas certas e erradas que faço, é que posso usufruir, com algum conhecimento de causa do meu arquivo mental dos anos de análise para saber exatamente o que anda acontecendo – já que eu vivo me repetindo.
Na base das repetições, repito muitas coisas, entre elas uma nova dieta.
Ela e Freud são meus novos companheiros, enquanto eu tento fazer tudo que ainda preciso antes que as férias acabem e me controlo para não cair em prantos ante à pilha de livros que eu já deveria ter lido e que, certamente, não conseguirei terminar antes que comece meu novo período novo. As últimas semanas são sempre as piores porque começo a precisar produzir, começo a sentir falta, me ocupo com outras que sinto falta e não sei se tão louváveis.
Diria que para a internação no Pinel só me falta parar de fumar e escrever uma “Ode ao Brócolis” – coisas que eu bem posso adiar para gastar o tempo vigiando o crescimento das minhas adoradas plantinhas...
Última semana do ano, cheia de amigos aparecendo.
A viagem de réveillon, um alívio por não ter eu que caçar alguma festa fantástica e significativa, mas, o que chamou mesmo a minha atenção, não foi o amor do avestruz pelos meus belos olhos – e o meu pelos dele – mas um outdoor em algum lugar do caminho que anunciava um rodízio de pizza onde a estrela era uma pizza de pudim.
De todas as invenções inventadas nos últimos tempos, devo declarar que esta foi a que mais me deixou curiosa. Uma que eu não conheci, nem vou conhecer. Mas, você já parou para pensar em como seria uma pizza de pudim? A visão, na minha cabeça, é grotesca; mas como seria o sabor disso?
O mau humor da primeira semana do ano foi embora.
Foi uma primeira semana dificílima. Em quase todos os níveis.
Agora estou mais feliz, mais tranqüila, o hiato terminou, meu ano começou de uma forma mais leve. Tenho dedicado a semana a descobrir que a grande vantagem de ter a idade que eu tenho, é poder conviver bem comigo mesma em relação a todas as coisas certas e erradas que faço, é que posso usufruir, com algum conhecimento de causa do meu arquivo mental dos anos de análise para saber exatamente o que anda acontecendo – já que eu vivo me repetindo.
Na base das repetições, repito muitas coisas, entre elas uma nova dieta.
Ela e Freud são meus novos companheiros, enquanto eu tento fazer tudo que ainda preciso antes que as férias acabem e me controlo para não cair em prantos ante à pilha de livros que eu já deveria ter lido e que, certamente, não conseguirei terminar antes que comece meu novo período novo. As últimas semanas são sempre as piores porque começo a precisar produzir, começo a sentir falta, me ocupo com outras que sinto falta e não sei se tão louváveis.
Diria que para a internação no Pinel só me falta parar de fumar e escrever uma “Ode ao Brócolis” – coisas que eu bem posso adiar para gastar o tempo vigiando o crescimento das minhas adoradas plantinhas...
23 de Dezembro
Acordei 5 horas da manhã.
Acordei com aquela sede que a gente só sente quando uma ressaca cavalar se prepara para começar.
Nada no celular.
Do meu lado, a criança dorme um sono tão profundo que eu chego a ter uma pontada de inveja.
Levanto para pegar a água com a certeza de que uma boa convivência entre eu e a ressaca é afogar a mesma em litros e mais litros d’água. Ensinamento que nem Dalai seria capaz de me passar (Pensando nisso agora, será que Dalai tem ressacas como a minha? Duvido.).
Na noite passada fui me encontrar com uma amiga para trocarmos presentes de Natal e nos despedirmos de nós mesmas por este ano e o que seria rápido e inocente acabou v irando um papo de horas, risos, lágrimas e chopps a perder de vista. O resultado disso é que fui, mais uma vez, uma mãe permissiva (eu tenho sido permissiva de uma forma geral, mas isso é outra história) e deixei a criança dormir, mais uma vez, na minha cama (eu tenho regras); e, fui perceber que, do alto da minha sapiência etílica, resolvi dormir com as janelas do quarto abertas.
Dormir com as janelas do quarto abertas só estando de porre mesmo, porque volta e meia aparecem bichos estranhos, pré-históricos, cascudos, voadores e bizarros na minha casa. Só Deus sabe que espécie de dinossauro poderia ter invadido meus lençóis de madrugada. Uma náusea profunda me invadiu junto com esse pensamento. Fechei as janelas e deitei de novo.
De repente, me veio na cabeça a imagem das contas que eu tenho para pagar. Elas sempre me tiram o sono, mas acabam sendo sentidamente pagas pela minha pessoa.
Que raio tinha eu que pensar em conta às 5 meia da manhã?
O próximo passo foi levantar, pegar a calculadora, achar um boleto perdido entre o meus rios de papel e respirar aliviada chegando à brilhante conclusão de que eu nada poderia fazer àquela hora da madrugada – além de dormir.
Mas, para minha alegria, o sono não morava mais aqui.
Resolvi ver televisão.
Desde que o advento da NET chegou à minha humilde casa, sinto-me na obrigação de assistir à televisão. Já tinha desacostumado; me desintoxicado com sucesso dos anos e mais anos de fidelidade serial. Parei de achar graça e cheguei à conclusão de que não quero mais ter o compromisso de ter que ficar todo dia x, hora tal, por sei lá quantos anos a fio sentada no sofázão, perdendo tempo hábil da minha preciosa e tão curta vidinha. Uma espécie de circuito inverso.
Mas, acabo me sentindo na obrigação de justificar o investimento alheio.
Fiquei olhando sem absorver nada.
Passei um tempo distraída por um saco plático que passeava pela sala levado pelo vento do ventilador de teto, comecei a planejar mentalmente a faxina que se tornava necessária ao lar (na tela, a doente do seriado vomitava sangue de uma forma bonita mesmo), prestei atenção num reflexo de luz que passou pelo canto do meu olho e me fez pensar se teria sido mesmo apenas um reflexo, pensei no problema que eu tenho por ser tão chata e caxias ao ponto de ficar aborrecida com as pessoas só porque elas dizem que vão me ligar às 10 da manhã para se um dia todo fosse pouco para planejar...
Toda essa torrente foi gloriosamente interrompida por um dos dinossauros: preto, voador, cascudo que entrou voando pela minha sala com a mesma velocidade com que eu dei um pulo e saí desabalada do recinto. Sem nem querer saber o que seria o tal dinossauro, tranquei a porta do quarto acreditando piamente que quando saísse aquele monstro não estaria mais do lado de fora me esperando e sentindo toda a minha dignidade se esvair ante à minha atitude sóbria e nada corajosa, em menos de 30 segundos, graças a um inseto.
Mas o sono tinha mesmo ido embora. Começava a brilhar lá fora um sol brilhante de filme de amor de seção da tarde. E meu dente começou a doer.
Resolvi, então escrever.
O computador, resolveu, então, não ligar.
Resolvi nem pensar no pânico de perder todos os anos de fotografias estocados lá dentro que esperam há anos serem finalmente reveladas em papel.
Então o dente dói de novo, uma leve sinusite se insinua, a boca começa a ter “aquele gostinho de cabo de guarda-chuva” e eu começo a sentir um desejo meio kamikaze de “encarar uma prainha”.
O entregador do jornal toca o interfone – que eu não atendo de pirraça, porque acho inconcebível que alguém toque meu interfone antes de meio-dia sem que tenha sido convidado a isso – e o que me resta é fazer mais um penico de café, descobrir se o mundo já acabou e esperar o resto do mundo que resta voltar à vida e começar, ele, seu dia.
Acordei com aquela sede que a gente só sente quando uma ressaca cavalar se prepara para começar.
Nada no celular.
Do meu lado, a criança dorme um sono tão profundo que eu chego a ter uma pontada de inveja.
Levanto para pegar a água com a certeza de que uma boa convivência entre eu e a ressaca é afogar a mesma em litros e mais litros d’água. Ensinamento que nem Dalai seria capaz de me passar (Pensando nisso agora, será que Dalai tem ressacas como a minha? Duvido.).
Na noite passada fui me encontrar com uma amiga para trocarmos presentes de Natal e nos despedirmos de nós mesmas por este ano e o que seria rápido e inocente acabou v irando um papo de horas, risos, lágrimas e chopps a perder de vista. O resultado disso é que fui, mais uma vez, uma mãe permissiva (eu tenho sido permissiva de uma forma geral, mas isso é outra história) e deixei a criança dormir, mais uma vez, na minha cama (eu tenho regras); e, fui perceber que, do alto da minha sapiência etílica, resolvi dormir com as janelas do quarto abertas.
Dormir com as janelas do quarto abertas só estando de porre mesmo, porque volta e meia aparecem bichos estranhos, pré-históricos, cascudos, voadores e bizarros na minha casa. Só Deus sabe que espécie de dinossauro poderia ter invadido meus lençóis de madrugada. Uma náusea profunda me invadiu junto com esse pensamento. Fechei as janelas e deitei de novo.
De repente, me veio na cabeça a imagem das contas que eu tenho para pagar. Elas sempre me tiram o sono, mas acabam sendo sentidamente pagas pela minha pessoa.
Que raio tinha eu que pensar em conta às 5 meia da manhã?
O próximo passo foi levantar, pegar a calculadora, achar um boleto perdido entre o meus rios de papel e respirar aliviada chegando à brilhante conclusão de que eu nada poderia fazer àquela hora da madrugada – além de dormir.
Mas, para minha alegria, o sono não morava mais aqui.
Resolvi ver televisão.
Desde que o advento da NET chegou à minha humilde casa, sinto-me na obrigação de assistir à televisão. Já tinha desacostumado; me desintoxicado com sucesso dos anos e mais anos de fidelidade serial. Parei de achar graça e cheguei à conclusão de que não quero mais ter o compromisso de ter que ficar todo dia x, hora tal, por sei lá quantos anos a fio sentada no sofázão, perdendo tempo hábil da minha preciosa e tão curta vidinha. Uma espécie de circuito inverso.
Mas, acabo me sentindo na obrigação de justificar o investimento alheio.
Fiquei olhando sem absorver nada.
Passei um tempo distraída por um saco plático que passeava pela sala levado pelo vento do ventilador de teto, comecei a planejar mentalmente a faxina que se tornava necessária ao lar (na tela, a doente do seriado vomitava sangue de uma forma bonita mesmo), prestei atenção num reflexo de luz que passou pelo canto do meu olho e me fez pensar se teria sido mesmo apenas um reflexo, pensei no problema que eu tenho por ser tão chata e caxias ao ponto de ficar aborrecida com as pessoas só porque elas dizem que vão me ligar às 10 da manhã para se um dia todo fosse pouco para planejar...
Toda essa torrente foi gloriosamente interrompida por um dos dinossauros: preto, voador, cascudo que entrou voando pela minha sala com a mesma velocidade com que eu dei um pulo e saí desabalada do recinto. Sem nem querer saber o que seria o tal dinossauro, tranquei a porta do quarto acreditando piamente que quando saísse aquele monstro não estaria mais do lado de fora me esperando e sentindo toda a minha dignidade se esvair ante à minha atitude sóbria e nada corajosa, em menos de 30 segundos, graças a um inseto.
Mas o sono tinha mesmo ido embora. Começava a brilhar lá fora um sol brilhante de filme de amor de seção da tarde. E meu dente começou a doer.
Resolvi, então escrever.
O computador, resolveu, então, não ligar.
Resolvi nem pensar no pânico de perder todos os anos de fotografias estocados lá dentro que esperam há anos serem finalmente reveladas em papel.
Então o dente dói de novo, uma leve sinusite se insinua, a boca começa a ter “aquele gostinho de cabo de guarda-chuva” e eu começo a sentir um desejo meio kamikaze de “encarar uma prainha”.
O entregador do jornal toca o interfone – que eu não atendo de pirraça, porque acho inconcebível que alguém toque meu interfone antes de meio-dia sem que tenha sido convidado a isso – e o que me resta é fazer mais um penico de café, descobrir se o mundo já acabou e esperar o resto do mundo que resta voltar à vida e começar, ele, seu dia.
segunda-feira, janeiro 12
Eu tinha escrito um post imenso que o blogger fez a gentileza de não salvar e desapareceu.
Esqueci as novas coisas pra botar ali do lado também.
Assim sendo, não vou repetir minha luta com o teclado agora, não.
Me deu preguiça, eu estou feliz e não quero brigar com computador nenhum hoje. :)
Durante a semana eu conto as coisas todas...
Prometo. :)
Esqueci as novas coisas pra botar ali do lado também.
Assim sendo, não vou repetir minha luta com o teclado agora, não.
Me deu preguiça, eu estou feliz e não quero brigar com computador nenhum hoje. :)
Durante a semana eu conto as coisas todas...
Prometo. :)
terça-feira, janeiro 6
Uma Beleza
O Ano Novo é uma beleza, não é, minha gente?
Começa coisas, termina coisas...
Mesmo sem ter certeza absoluta do quê realmente aconteceu, tenho lá minhas teorias conspiratórias - a tia aqui não é nada boba, sabe? - e tem sempre um lado meu que gosta muito quando as pessoas resolvem resolver as coisas por mim.
Enfim, o Ano Novo é uma beleza, não é, minha gente?
E eu nem tive chance de falar do Natal, do mato e já me esperam meses de abstnência alcóolica pela frente...
Tudo uma delícia...!
E ninguém entende porque me falta um quê de animação...
Começa coisas, termina coisas...
Mesmo sem ter certeza absoluta do quê realmente aconteceu, tenho lá minhas teorias conspiratórias - a tia aqui não é nada boba, sabe? - e tem sempre um lado meu que gosta muito quando as pessoas resolvem resolver as coisas por mim.
Enfim, o Ano Novo é uma beleza, não é, minha gente?
E eu nem tive chance de falar do Natal, do mato e já me esperam meses de abstnência alcóolica pela frente...
Tudo uma delícia...!
E ninguém entende porque me falta um quê de animação...
segunda-feira, dezembro 22
...Eu não sabia que tudo ia dar certo hoje (agora não vai dar mais só porque eu disse que estava dando), porque eu tive dias em tudo deu muito errado. Nem sabia que ia ter tempo sobrando para ficar aqui vendo o tempo passar. Tudo isso para dizer que, se eu soubesse, ao invés de existir este post que não quer dizer, existiria uma foto aqui agora.
Signos
Faziam anos que eu não lançava mão do "Seu Futuro Astrológico" com fins de pesquisa.
Tinha esquecido como era divertido isso!!!
O que me lembra que tenho que correr na banca de jornais para comprar aquelas revisitinhas vagabundas de previsões para o ano que tanto me confortam!
Pode parecer besteira. Muita gente acha.
Eu, eu acredito em muita coisa que ninguém acredita.
Acredito e assumo todas as características do signo de Câncer, entendo perfeitamente as consequências da minha lua em Libra, fico pasma ao constatar que as minhas melhores amigas - a exceção de umazinha só - são todas virginianas, reconheço cada traço escorpiano da minha filhota (uma relação deveras interessante esta nossa câncer x escorpião), pago meus pecados com todos os arianos espalhados pela minha família mais próxima. Não pude deixar de pensar "putz, tô perdida".
Não entendo tudo. Entendo menos que muita gente.
Mas, super acredito.
Tinha esquecido como era divertido isso!!!
O que me lembra que tenho que correr na banca de jornais para comprar aquelas revisitinhas vagabundas de previsões para o ano que tanto me confortam!
Pode parecer besteira. Muita gente acha.
Eu, eu acredito em muita coisa que ninguém acredita.
Acredito e assumo todas as características do signo de Câncer, entendo perfeitamente as consequências da minha lua em Libra, fico pasma ao constatar que as minhas melhores amigas - a exceção de umazinha só - são todas virginianas, reconheço cada traço escorpiano da minha filhota (uma relação deveras interessante esta nossa câncer x escorpião), pago meus pecados com todos os arianos espalhados pela minha família mais próxima. Não pude deixar de pensar "putz, tô perdida".
Não entendo tudo. Entendo menos que muita gente.
Mas, super acredito.
Lindo e triste (Nua)
...Essa coisa de ter passado um bom tempo do meu ano dedicada aos contos de fadas - lendo, estudando, pesquisando, entendendo - provavelmente me deixou um pouco (mais) pirada.
Depois daquele dia em que questionei que direito tinha eu de segurar a criança para que ela não saísse voando na ventania, impedindo que, assim, ela pudesse ter aventuras fantásticas, dei para ter as mesmas fantasias em torno do ralo da banheira.
Eu explico.
Todas as vezes em que ela toma banho de banheira eu brinco que ela tem que tomar cuidado para não ir pelo ralo. Logicamente, eu sei que isso não é possível. No início ela tinha até bastante medo disso acontecer de verdade, mas o medo foi embora e deu lugar à curiosidade pelo dito ralo. Hoje, a diversão é ver a água indo embora, pôr o dedo lá. E eu brinco: "Então tá bom, boa viagem, quando voltar me conta tudo, tá?".
E então lá fui eu...
E se ela fosse mesmo? E se isso fosse possível?
A cada banho eu penso nisso.
Dava uma história...
...Assim como "A Mulher Que Vendeu o Natal".
O título não é meu - deram pra mim.
É a história que eu estou vivendo agora.
Essa e as outras...
Períodos de descontrole têm isso.
A última vez que me lembro de ter um enredo pessoal tão cheio de tramas paralelas foi quando fui parar na Bahia. Ao mesmo tempo existiam muitas histórias acontecendo. É uma administração difícil.
Tenho me lembrado constantemente de uma pessoa que conheci há uns anos atrás que me disse que eu estava perdida. Ando me achado um pouco perdida.
Não que coisas ótimas não estejam ocorrendo. Estão.
Amigos de longe, amigos de perto, felicidade bombante em contraste com tantas outras coisas. Não posso reclamar, ainda que ande sentindo cada dia mais a saudade de ter um bicho de estimação que durma comigo e me aqueça nas noites mais vazias, ainda que tente compensar o que eu sinto ou deixo de sentir com plantas novas e barris de cerveja.
Cancerianos.
A gente gosta de rotina. Gosta de saber aonde vai. O que vai fazer.
É um período de espera. Não muitos dias. Menos de um mês.
Mas, o quê que a gente faz quando tá esperando?
Pra que lado a gente segue?
Como se preenche isso?
Como a gente escolhe direita, esquerda ou no meio?
Ou não escolhe?
Detesto não saber. Ter que esperar para resolver as coisas da minha vida. Só saber que existe uma viagem, existe uma volta e que aí, sim, vou poder andar, decidir, fazer, produzir, esperar. Tranquila.
Não posso reclamar, mas este fim de ano está um fim de ano.
Engraçado. Bonito. Cheio de encontros.
Mas, ainda assim, um fim de ano.
Outro dia quase chorei depois de um passeio com a minha filha.
Bati os olhos numa vitrine - coisa raríssima - e...
"Olha, filha, quantas camisolas lindas!!!"
"Mãe, você já tem uma camisola de oncinha."
"Eu sei, mas eu quero outra, o quê que tem?"
(Ando numa fase terrível. De repente oncinhas me parecem o que há em termos de estampa, dourados passaram a existir entre as minhas coisas e nos tons em que pinto as unhas, meu desejo ancestral de possuir um par de tamancos com plumas voltou com força total e conjuntos de lingerie com detalhes floridos e laços que eu não possuo passam a ter lugar na cobiça. Uma coisa assustadora, mas eu estou adorando cada minuto.)
"Tá bom, quando eu receber meu dinheiro, eu vejo pra você. Calma, tá?"
(Eu falo assim com ela.)
Mais tarde, meu pai resolveu fazer uma visita e deu umas moedas para a Olívia, que no mesmo instante me olhou e disse: "Pronto, mãe, agora eu tenho dinheiros para comprar a sua camisola de presente de natal".
Lindo e triste, né?
Tô assim, achando tudo lindo e triste.
De noite é pior.
Até porque, meu silêncio, que é meu e eu amo, é um silêncio completo..
Lindo e triste.
Os beijos.
Os encontros.
Tudo dura somente o que tem durar.
Me agarro às pessoas querendo que elas não me deixem, não vão embora. Uma coisa quase antropofágica.
Todas.
Você, você e você também.
Tudo muito lindo e muito triste.
Eu queria que fosse fácil explicar, que fosse fácil entender.
Não anda mais cabendo tanta beleza e tanta tristeza no meu coração.
Depois daquele dia em que questionei que direito tinha eu de segurar a criança para que ela não saísse voando na ventania, impedindo que, assim, ela pudesse ter aventuras fantásticas, dei para ter as mesmas fantasias em torno do ralo da banheira.
Eu explico.
Todas as vezes em que ela toma banho de banheira eu brinco que ela tem que tomar cuidado para não ir pelo ralo. Logicamente, eu sei que isso não é possível. No início ela tinha até bastante medo disso acontecer de verdade, mas o medo foi embora e deu lugar à curiosidade pelo dito ralo. Hoje, a diversão é ver a água indo embora, pôr o dedo lá. E eu brinco: "Então tá bom, boa viagem, quando voltar me conta tudo, tá?".
E então lá fui eu...
E se ela fosse mesmo? E se isso fosse possível?
A cada banho eu penso nisso.
Dava uma história...
...Assim como "A Mulher Que Vendeu o Natal".
O título não é meu - deram pra mim.
É a história que eu estou vivendo agora.
Essa e as outras...
Períodos de descontrole têm isso.
A última vez que me lembro de ter um enredo pessoal tão cheio de tramas paralelas foi quando fui parar na Bahia. Ao mesmo tempo existiam muitas histórias acontecendo. É uma administração difícil.
Tenho me lembrado constantemente de uma pessoa que conheci há uns anos atrás que me disse que eu estava perdida. Ando me achado um pouco perdida.
Não que coisas ótimas não estejam ocorrendo. Estão.
Amigos de longe, amigos de perto, felicidade bombante em contraste com tantas outras coisas. Não posso reclamar, ainda que ande sentindo cada dia mais a saudade de ter um bicho de estimação que durma comigo e me aqueça nas noites mais vazias, ainda que tente compensar o que eu sinto ou deixo de sentir com plantas novas e barris de cerveja.
Cancerianos.
A gente gosta de rotina. Gosta de saber aonde vai. O que vai fazer.
É um período de espera. Não muitos dias. Menos de um mês.
Mas, o quê que a gente faz quando tá esperando?
Pra que lado a gente segue?
Como se preenche isso?
Como a gente escolhe direita, esquerda ou no meio?
Ou não escolhe?
Detesto não saber. Ter que esperar para resolver as coisas da minha vida. Só saber que existe uma viagem, existe uma volta e que aí, sim, vou poder andar, decidir, fazer, produzir, esperar. Tranquila.
Não posso reclamar, mas este fim de ano está um fim de ano.
Engraçado. Bonito. Cheio de encontros.
Mas, ainda assim, um fim de ano.
Outro dia quase chorei depois de um passeio com a minha filha.
Bati os olhos numa vitrine - coisa raríssima - e...
"Olha, filha, quantas camisolas lindas!!!"
"Mãe, você já tem uma camisola de oncinha."
"Eu sei, mas eu quero outra, o quê que tem?"
(Ando numa fase terrível. De repente oncinhas me parecem o que há em termos de estampa, dourados passaram a existir entre as minhas coisas e nos tons em que pinto as unhas, meu desejo ancestral de possuir um par de tamancos com plumas voltou com força total e conjuntos de lingerie com detalhes floridos e laços que eu não possuo passam a ter lugar na cobiça. Uma coisa assustadora, mas eu estou adorando cada minuto.)
"Tá bom, quando eu receber meu dinheiro, eu vejo pra você. Calma, tá?"
(Eu falo assim com ela.)
Mais tarde, meu pai resolveu fazer uma visita e deu umas moedas para a Olívia, que no mesmo instante me olhou e disse: "Pronto, mãe, agora eu tenho dinheiros para comprar a sua camisola de presente de natal".
Lindo e triste, né?
Tô assim, achando tudo lindo e triste.
De noite é pior.
Até porque, meu silêncio, que é meu e eu amo, é um silêncio completo..
Lindo e triste.
Os beijos.
Os encontros.
Tudo dura somente o que tem durar.
Me agarro às pessoas querendo que elas não me deixem, não vão embora. Uma coisa quase antropofágica.
Todas.
Você, você e você também.
Tudo muito lindo e muito triste.
Eu queria que fosse fácil explicar, que fosse fácil entender.
Não anda mais cabendo tanta beleza e tanta tristeza no meu coração.
quarta-feira, dezembro 17
Às vezes...
...Basta pouco para ser feliz.
Como o incrível supermercado incrível da minha rua resolver voltar a funcionar e eu poder, finalmente, ter uma porção de coisinhas gostosas à minha disposição e poder voltar a cozinhar de verdade por causa disso;
Como ver a felicidade da sua filha com a eminente chegada do Papai Noel e olhos brilhando cada vez que ela beija a árvore de Natal;
Como ter de novo Tv a cabo em casa e poder ver um seriado legal - ou esnobar o seriado legal por escolha própria.
...também basta pouco para ser infeliz.
Como não conseguir parar de se preocupar em ter que arrumar um emprego e pensar em grana;
Como aquela sua calça limite chegar ao limite da sua cintura, o que prenuncia um mês de janeiro de muitas privações gastronômicas;
Como o pensamento que também não abanadona de que a vida acontece lá fora e eu estou perdendo alguma coisa quando fico em casa nos finais de semana;
Como a mania que eu tenho de não conseguir segurar a língua dentro da boca de vez em quando que me faz dizer coisas pras pessoas que as normas de conduta humana não aconselham...
Como o incrível supermercado incrível da minha rua resolver voltar a funcionar e eu poder, finalmente, ter uma porção de coisinhas gostosas à minha disposição e poder voltar a cozinhar de verdade por causa disso;
Como ver a felicidade da sua filha com a eminente chegada do Papai Noel e olhos brilhando cada vez que ela beija a árvore de Natal;
Como ter de novo Tv a cabo em casa e poder ver um seriado legal - ou esnobar o seriado legal por escolha própria.
...também basta pouco para ser infeliz.
Como não conseguir parar de se preocupar em ter que arrumar um emprego e pensar em grana;
Como aquela sua calça limite chegar ao limite da sua cintura, o que prenuncia um mês de janeiro de muitas privações gastronômicas;
Como o pensamento que também não abanadona de que a vida acontece lá fora e eu estou perdendo alguma coisa quando fico em casa nos finais de semana;
Como a mania que eu tenho de não conseguir segurar a língua dentro da boca de vez em quando que me faz dizer coisas pras pessoas que as normas de conduta humana não aconselham...
segunda-feira, dezembro 15
Férias?
Teoricamente, elas começaram.
Isso significa que estarei mais longe do que o habitual deste ambiente virtual, logo, paciência.
Eu continuo anotando as minhas coisas, mas, como saí de casa baratinada, como de hábito, esqueci em cima da mesa.
Desde que começaram as férias já ajeitei coisas na minha casa, na casa da minha mãe, fiz as famigeradas compras de Natal...
Estas me dão a felicidade de escolher coisas legais para todas as pessoas que me aturam durante o ano, mas me dão uma deprêzinha básica ao vislumbrar o efeito arrasador que tiveram na minha conta bancária. E ainda vai existir uma nova reunião familiar em casa, para meu desespero de mulher limpadora e dona de casa em busca da perfeição.
Ainda estou correndo, correndo, correndo e com algumas considerações nada edificantes a fazer, mas vai tudo ficar pra outro dia.
...Era só pra dar alguma satisfação. :)
Isso significa que estarei mais longe do que o habitual deste ambiente virtual, logo, paciência.
Eu continuo anotando as minhas coisas, mas, como saí de casa baratinada, como de hábito, esqueci em cima da mesa.
Desde que começaram as férias já ajeitei coisas na minha casa, na casa da minha mãe, fiz as famigeradas compras de Natal...
Estas me dão a felicidade de escolher coisas legais para todas as pessoas que me aturam durante o ano, mas me dão uma deprêzinha básica ao vislumbrar o efeito arrasador que tiveram na minha conta bancária. E ainda vai existir uma nova reunião familiar em casa, para meu desespero de mulher limpadora e dona de casa em busca da perfeição.
Ainda estou correndo, correndo, correndo e com algumas considerações nada edificantes a fazer, mas vai tudo ficar pra outro dia.
...Era só pra dar alguma satisfação. :)
terça-feira, dezembro 2
Recaída da Velhinha. :D
Quando estou na pior, fico tipo a Lily Allen. Adoro desabafar no meu diário virtual, escrever músicas mandando recados para namorados, ex-namorados, faço a maluca e saio pelada na rua e me sinto derrotada facilmente. Tenho que sair dessa, gente!
Qual celebridade você é quando está na pior?
Hahahahahahahaha
A-mei!!!
Lista de tarefas
- Matrícula no colégio - Ok.
- Viagem de Ano-novo - Ok.
- Presente de Natal da Licas - Ok.
- Trabalho de Filosofia - Ok.
- Monitoria - Acabou.
Falta
- Cama nova da Licas montada.
- Tv da mamãe consertada.
- Chamar o técnico da Máquina de lavar para assinar o óbito.
- Levar o edredom pra lavar.
- Comprar minha sapatilha fashion nova.
- Esperar a NET.
Dormir 3 dias seguidos.
Sonhar com um capacho novo, plantar novas plantas, dar um jeito nas velhas, arrumar uma roupa pro reveillon, ver uniforme novo da criança, tomar coragem para recolher material para o exame dela, ver presente pelo menos para a mamãe e para as tias, faxinar lugares desagradáveis e empoeirados da casa, segurar a onda para conseguir colocar uma fechadura nova e comprar um creminho para os pés. Se der, comprar lembrancinhas para as amigas que tanto merecem.
Depois dormir mais 3 dias seguidos.
Tô exausta...
- Viagem de Ano-novo - Ok.
- Presente de Natal da Licas - Ok.
- Trabalho de Filosofia - Ok.
- Monitoria - Acabou.
Falta
- Cama nova da Licas montada.
- Tv da mamãe consertada.
- Chamar o técnico da Máquina de lavar para assinar o óbito.
- Levar o edredom pra lavar.
- Comprar minha sapatilha fashion nova.
- Esperar a NET.
Dormir 3 dias seguidos.
Sonhar com um capacho novo, plantar novas plantas, dar um jeito nas velhas, arrumar uma roupa pro reveillon, ver uniforme novo da criança, tomar coragem para recolher material para o exame dela, ver presente pelo menos para a mamãe e para as tias, faxinar lugares desagradáveis e empoeirados da casa, segurar a onda para conseguir colocar uma fechadura nova e comprar um creminho para os pés. Se der, comprar lembrancinhas para as amigas que tanto merecem.
Depois dormir mais 3 dias seguidos.
Tô exausta...
quinta-feira, novembro 27
quarta-feira, novembro 26
Suspense
Minha próxima investida ia ser isso aí. Tá. Tem gosto de drops (ergah e seja lá qual for este gosto). Tá. Linha jovem.
Mas eu fui uma jovenzinha tão feliz carregando essas caixinhas por aí!!!
(Ando com mania de caixinha, cara, acabei de me tocar!)
E hoje sou uma velhinha que vive com a boca descascando porque todas as outras do mundo a-do-ram ar-condicionado e eu vivo minha vida a sofrer...
Mas...
...E o medo agora?
Delete
...E, neste exato momento, meu professor entra em sala dizendo que eu poderia estar na ABL dando mãozinha pro Saramago...
...A semana começou tão bem!
Tão cheia de esperanças e dancinhas de felicidade!
Mesmo fedendo a birita sem ter biritado e com um pouco de muito ódio no coração, a vida continua bonitinha, o fim de ano não é malvado, tudo vai dar certo e eu vou fingir que o dia de hoje não existiu, certo?
>>>NEXT!!!
...A semana começou tão bem!
Tão cheia de esperanças e dancinhas de felicidade!
Mesmo fedendo a birita sem ter biritado e com um pouco de muito ódio no coração, a vida continua bonitinha, o fim de ano não é malvado, tudo vai dar certo e eu vou fingir que o dia de hoje não existiu, certo?
>>>NEXT!!!
O Cheiro do Mimo
...Ainda fui me fazer o mimo de comprar um desodorante novo...
Eu tenho loucura por cosméticos - perfumes, shampoos, sabonetes - com cheiro de rosas. No meu aniversário descobri a lojinha da Mahogany, que tem várias rosas diferentes, mas, não é coisa pra comprar toda hora; ainda mais estando desempregada; então, eu fui fazendo lista das coisas que eu queria.
O desodorante eu achei que podia ser uma boa idéia, ainda por cima custava o mesmo que o desodorante que eu já usava. E comprei. Toda feliz.
Então hoje, o dia do lencinho, fui eu usar o meu novo mimo pela primeira vez. Eu ando merecendo mimos.
Eis que, no meio da aula - a que eu dou assistência - comecei a sentir um cheio de chopp, cerveja, sei lá... Passei a aula toda bolada, mas tudo bem.
Fui em casa, tomei banho, almocei e... no ônibus, lá veio o cheiro de novo.
Cheguei na faculdade de volta e... o cheiro de novo.
Aí me toquei que o cheiro era meu!
Era do meu desodorante!
Passei a visualizar concretamente o que aquele cheiro poderia se tornar quando eu saísse pra dançar, ou tivesse que passar dias inteiros na rua. Visualizei concretamente o abalo que o cheiro teria na minha reputação - ainda mais agora que eu ando bombando.
Ainda tenho que esperar mais umas duas ou três horas para que eu possa entrar debaixo de um chuveiro e me livrar deste cheiro mortal. E ainda vou ter que comprar um desodorante novo.
Nunca um mimo deu tão errado na minha vida...
Eu tenho loucura por cosméticos - perfumes, shampoos, sabonetes - com cheiro de rosas. No meu aniversário descobri a lojinha da Mahogany, que tem várias rosas diferentes, mas, não é coisa pra comprar toda hora; ainda mais estando desempregada; então, eu fui fazendo lista das coisas que eu queria.
O desodorante eu achei que podia ser uma boa idéia, ainda por cima custava o mesmo que o desodorante que eu já usava. E comprei. Toda feliz.
Então hoje, o dia do lencinho, fui eu usar o meu novo mimo pela primeira vez. Eu ando merecendo mimos.
Eis que, no meio da aula - a que eu dou assistência - comecei a sentir um cheio de chopp, cerveja, sei lá... Passei a aula toda bolada, mas tudo bem.
Fui em casa, tomei banho, almocei e... no ônibus, lá veio o cheiro de novo.
Cheguei na faculdade de volta e... o cheiro de novo.
Aí me toquei que o cheiro era meu!
Era do meu desodorante!
Passei a visualizar concretamente o que aquele cheiro poderia se tornar quando eu saísse pra dançar, ou tivesse que passar dias inteiros na rua. Visualizei concretamente o abalo que o cheiro teria na minha reputação - ainda mais agora que eu ando bombando.
Ainda tenho que esperar mais umas duas ou três horas para que eu possa entrar debaixo de um chuveiro e me livrar deste cheiro mortal. E ainda vou ter que comprar um desodorante novo.
Nunca um mimo deu tão errado na minha vida...
Espírito de porco
Penúltimo dia de monitoria.
Última quarta-feira que eu precisei acordar antes das 6 da manhã pelo próximo mês e meio, dois.
Dane-se.
Abortei o banho.
Três dias que eu já uso o macacão para ir à faculdade porque sinto frio, está chovendo, minhas pernas estão cabeludas e ele é confortável. às 6 horas da manhã, a pessoa precisa de conforto.
O cabelo estava sujo, mas, poxa, resolvi me valer do truque do lencinho na cabeça.
Eis que, neste momento minha pequena filha adentra o banheiro e desanda numa gargalhada.
- Mãe, você está parecendo uma cinderela!!!
- Gostou, filha?
- Achei engraçado!!! TODO MUNDO na rua vai achar engraçado!!!
E continuou rindo da minha cara com toda a vontade...
Última quarta-feira que eu precisei acordar antes das 6 da manhã pelo próximo mês e meio, dois.
Dane-se.
Abortei o banho.
Três dias que eu já uso o macacão para ir à faculdade porque sinto frio, está chovendo, minhas pernas estão cabeludas e ele é confortável. às 6 horas da manhã, a pessoa precisa de conforto.
O cabelo estava sujo, mas, poxa, resolvi me valer do truque do lencinho na cabeça.
Eis que, neste momento minha pequena filha adentra o banheiro e desanda numa gargalhada.
- Mãe, você está parecendo uma cinderela!!!
- Gostou, filha?
- Achei engraçado!!! TODO MUNDO na rua vai achar engraçado!!!
E continuou rindo da minha cara com toda a vontade...
terça-feira, novembro 25
A-D-O-R-OOOOOOOO!!!
segunda-feira, novembro 24
segunda-feira, novembro 17
Vivificação do humor
Marte em sextil com Lua natal
DE: 17/11 , 20h40ATÉ: 30/11 , 8h
Bom humor e boa disposição social tendem a ser a tônica do período que vai dos dias 17/11 e 30/11 para você, Renata. Marte estará formando um ângulo estimulante e harmonioso à sua Lua de nascimento, e isso costuma dar uma dinamizada à vida emocional do indivíduo. Cores mais leves passam a tonificar o seu emocional, e este não é apenas um momento socialmente interessante como, sobretudo, tende a ser uma fase de reações emocionais positivas.
É curioso observar, Renata, como muitas vezes passamos dias, às vezes até meses e anos mergulhados numa chateação ou ressentimento. Remoemos aquilo, até que de repente - bum! - a coisa passa. Em geral, são nos ciclos positivos de Marte com a Lua que a pessoa simplesmente "espana a poeira" e se livra de emoções chatas que não lhe servem mais. E este momento, para você, é agora!
Daí a importância de, neste momento, conhecer gente nova, permitir-se trocar emoções com os outros, fazer coisas que lhe dão prazer. É um bom momento para o intercâmbio de sentimentos, para a expressão das emoções, sobretudo com as pessoas mais íntimas, da família, os amigos mais chegados, ou os amores.
Vamos combinar que eu estou mesmo precisada de um trânsito desses...
DE: 17/11 , 20h40ATÉ: 30/11 , 8h
Bom humor e boa disposição social tendem a ser a tônica do período que vai dos dias 17/11 e 30/11 para você, Renata. Marte estará formando um ângulo estimulante e harmonioso à sua Lua de nascimento, e isso costuma dar uma dinamizada à vida emocional do indivíduo. Cores mais leves passam a tonificar o seu emocional, e este não é apenas um momento socialmente interessante como, sobretudo, tende a ser uma fase de reações emocionais positivas.
É curioso observar, Renata, como muitas vezes passamos dias, às vezes até meses e anos mergulhados numa chateação ou ressentimento. Remoemos aquilo, até que de repente - bum! - a coisa passa. Em geral, são nos ciclos positivos de Marte com a Lua que a pessoa simplesmente "espana a poeira" e se livra de emoções chatas que não lhe servem mais. E este momento, para você, é agora!
Daí a importância de, neste momento, conhecer gente nova, permitir-se trocar emoções com os outros, fazer coisas que lhe dão prazer. É um bom momento para o intercâmbio de sentimentos, para a expressão das emoções, sobretudo com as pessoas mais íntimas, da família, os amigos mais chegados, ou os amores.
Vamos combinar que eu estou mesmo precisada de um trânsito desses...
quinta-feira, novembro 13
Show de lógica
- Tá chovendo, mãe!
- É, filha, São Pedro tá maluco!
- Porque?
- Porque ele não resolve se chove, faz sol...
Mais tarde...
- Mãe, o quê que você tá fazendo?
- Tirando o esmalte.
- Porque?
- Porque descascou e ficou feio, mas eu ainda não resolvi se vou pintar de novo.
- Que nem o pai do céu...
- Hein?!?
- Que nem o pai do céu que ainda não resolveu se chove, faz sol...
- Hahahahaha Que nem São Pedro, filha.
- Que mora com o pai do céu, ué!
Tá certo.
- É, filha, São Pedro tá maluco!
- Porque?
- Porque ele não resolve se chove, faz sol...
Mais tarde...
- Mãe, o quê que você tá fazendo?
- Tirando o esmalte.
- Porque?
- Porque descascou e ficou feio, mas eu ainda não resolvi se vou pintar de novo.
- Que nem o pai do céu...
- Hein?!?
- Que nem o pai do céu que ainda não resolveu se chove, faz sol...
- Hahahahaha Que nem São Pedro, filha.
- Que mora com o pai do céu, ué!
Tá certo.
quarta-feira, novembro 12
Mea Culpa
Eu não posso reclamar.
No dia em que eu tomo um cano, vou direto ver um filme sobre relacionamentos.
Hoje, resolvi ler o blog do Romário.
Deu aperto no coração.
É muita vontade de ser infeliz mesmo.
Credo.
(Acho que o remedinho tá fazendo efeito...)
No dia em que eu tomo um cano, vou direto ver um filme sobre relacionamentos.
Hoje, resolvi ler o blog do Romário.
Deu aperto no coração.
É muita vontade de ser infeliz mesmo.
Credo.
(Acho que o remedinho tá fazendo efeito...)
terça-feira, novembro 11
Todo ano
A nossa casa é a única que eu saiba que já tem sua árvore de Natal montada - tirando as dos shoppings - que recebe todos os dias beijos de bom dia, boa noite e até logo da minha filha, que já está encantada, enfeitiçada e esperando pelo bom velhinho com todas as suas forças.
Por outro lado, mal sabe ela que a sua mamãezinha linda já se transformou nesse cara aí debaixo, como é de praxe. A árvore se monta, mamãe muda de figura. Todo ano. Todo ano. Todo ano.
Já tô achando tudo uma merda, com o pescoço duro, resolvi que comprar pratinho de papai noel é o caralho e por aí vamos até o ano novo...

Lei do descontrole
Deveriam criar leis que proibissem mulheres em descontrole de comprar cervejas para beber enquanto ficam vendo filme de mulherzinha numa noite em que - teoricamente - levaram um cano.
O resultado poderia ter sido desastroso.
Graças a Deus, foram só três ou quatro mensagens não muito malcriadas e nenhuma menção ao que realmente anda me incomodando, porque não ia pegar bem.
Definitivamente.
Agora, imagina se eu tivesse internet em casa?
Este blog ia ter um dos posts mais deprimidos e deprimentes de sua não tão longa assim vida; várias pessoas receberiam e-mails bêbados com coisas que a gente não deve dizer ainda, mais ou nunca; fora o aluguel de terceiros e quartos via msn.
Um surto desses pode acabar com muita coisa na vida da pessoa - ou complicar bastante.
O e-mail foi substituído por um caderno que ganhou uma carta que não vai ser mandada, o post foi ruminado pela casa, o aluguel não houve e a saudade eu engoli. As mensagens foram inevitáveis e incontroláveis, mas isso dá pra ajeitar depois, eu acho.
A gente devia a ser obrigada a usar uma espécie de pulseirinha do humor que fizesse as pessoas saberem de saída a quantas anda seu humor e qual o perigo que você representa para a sociedade em determinado dia ou época, assim, por mais destrutiva que você esteja, eles iam te obrigar a não fazer cagadas monumentais - além de te lembrar que comprar um bom calmante na farmácia geralmente sai mais barato que comprar todas as outras coisas que você acaba comprando em dias de descontrole; sejam elas chocolates ou sapatos novos.
O resultado poderia ter sido desastroso.
Graças a Deus, foram só três ou quatro mensagens não muito malcriadas e nenhuma menção ao que realmente anda me incomodando, porque não ia pegar bem.
Definitivamente.
Agora, imagina se eu tivesse internet em casa?
Este blog ia ter um dos posts mais deprimidos e deprimentes de sua não tão longa assim vida; várias pessoas receberiam e-mails bêbados com coisas que a gente não deve dizer ainda, mais ou nunca; fora o aluguel de terceiros e quartos via msn.
Um surto desses pode acabar com muita coisa na vida da pessoa - ou complicar bastante.
O e-mail foi substituído por um caderno que ganhou uma carta que não vai ser mandada, o post foi ruminado pela casa, o aluguel não houve e a saudade eu engoli. As mensagens foram inevitáveis e incontroláveis, mas isso dá pra ajeitar depois, eu acho.
A gente devia a ser obrigada a usar uma espécie de pulseirinha do humor que fizesse as pessoas saberem de saída a quantas anda seu humor e qual o perigo que você representa para a sociedade em determinado dia ou época, assim, por mais destrutiva que você esteja, eles iam te obrigar a não fazer cagadas monumentais - além de te lembrar que comprar um bom calmante na farmácia geralmente sai mais barato que comprar todas as outras coisas que você acaba comprando em dias de descontrole; sejam elas chocolates ou sapatos novos.
segunda-feira, novembro 10
Eu não quero saber como foi o show do R.E.M., tá?
Porque eu passei a minha tarde de sábado debaixo de um sol africano esperando "Papai Noel" descer de rapel lá de cima do shopping enquanto quatro babacas que se auto entitulavam "Hannah Montana Cover" davam umas sacudidas em cima de um palquinho merda no meio da rua enrolando a plebe.
Um dos momentos mais deprimentes da minha vida e um dos mais felizes da minha filha.
Porque eu agora sou uma mulher responsável que tem que guardar dinheiro pra matricular a filha no colégio e não pode mais gastar dinheiro em nada divertido para si própria.
E porque eu tô tentando abstrair, mas, na verdade, estou cheia de ódio no coração.
Ok?!
Um dos momentos mais deprimentes da minha vida e um dos mais felizes da minha filha.
Porque eu agora sou uma mulher responsável que tem que guardar dinheiro pra matricular a filha no colégio e não pode mais gastar dinheiro em nada divertido para si própria.
E porque eu tô tentando abstrair, mas, na verdade, estou cheia de ódio no coração.
Ok?!
quarta-feira, novembro 5
Trava intelectual
...Porquê, com dez mil caralhinhos, eu fui inventar de namorar o Bettelheim? Bem feito pra mim que agora tenho que usar o cara em dois trabalhos monstros e não consigo terminar de ler o livro!!!
Fim de Ano - A Saga Recomeça ou Sofrimento Parental
Ano.
Período de 12 meses.
Assim que você se acostuma a ele, ele chega ao fim.
E fim de ano é foda.
Principalmente para quem tem filhos.
Primeiro vem o Dia das Crianças.
Data comercial; mas mãe nenhuma vai negar presente pra criança só por causa disso, certo? No meu caso, que tento ensinar que brinquedos caros são presentes feitos para ocasiões especiais, significa uma grande despesa.
Despesa que eu faço quase 100% feliz, porque eu tenho certeza de que a minha filha super merece acordar ou chegar no dia 12 de outubro e encontrar um dos brinquedos que ela tanto cobiça durante o ano embrulhado, para ela, dela.
Agora, 15 dias depois desta alegre data, nasceu a minha criança.
E aniversários devem ser sempre comemorados – ainda mais quando são da minha fabulosa e amada filha!
Agradeço cada dia de vida dela, mas a virada de mais um ano é literalmente uma coisa emblemática.
Ainda porque eu sou completamente apaixonada por ela e tenho certeza de que ela merece, procuro fazer tudo que eu posso para que a data seja inesquecível e deliciosa para ela. Festa, só de dois em dois anos porque a aporrinhação é imensa, depois porque um festão custa uma fortuna da qual eu não disponho.
Mesmo assim, qualquer festinha para meia dúzia de três ou quatro da família e alguns amigos, significa trabalho e novas despesas. Fora que nessa ela super se deu bem, já que, 15 dias depois de ter ganho um presentão, vai ganhar outros tantos.
Depois que tudo isso passou este ano – e eu digo tudo isso porque o planejamento, a pesquisa de preços, as compras, a poupança; tudo; começa bem antes dos eventos propriamente ditos e cansam bastante – eu suspirei e achei que ia ter algum tempo de descanso. Que poderia desopilar o corpo e a mente por algum tempo.
Ledo engano.
A mente anda muito ocupada com leituras nada intelectuais enquanto deveria estar construindo grandes paradoxos psicológicos para duas matérias que estão firmemente empacadas devido ao estado quase catastrófico em que ficaram os neurônios depois de tantas aventuras e preocupações.
O corpo anda recebendo passadas generosas de gel para pernas cansadas, porque eu não tenho mais 16 anos e fazer tudo que eu faço não é mole.
A mente anda tentando convencer o corpo de que açúcar é malvado, açúcar é ruim, chocolates são coisa do demônio, mas o corpo ainda não se convenceu disso, para minha infelicidade.
E ainda tem a carência, a crise de abstinência... Mas, não vou entrar nesse campo.
O tempo que eu tive, foi de uma semana para ficar dando voltas atrás do meu próprio rabo, que passou rápido demais, e, quando me dei conta, já é novembro.
Além dos lojistas me fazerem a grande contribuição de arrumar as lojas, os shoppings, a vida, para o Natal – a fantástica data simbólica do nascimento de Jesus Cristo lá em tempos distantes, em um lugar muito, muito distante, que hoje é comemorada em reuniões absolutamente excitantes em família; reuniões estas que, aviso, é de meu costume reclamar sobre freneticamente, mas depois adorar cada minuto delas, por mais qualquer nota que elas possam ser – que não só ainda demora mais de um mês para acontecer, como faz com que a minha pequena volte à carga dos pedidos de presentes como se não houvesse amanhã e ela não tivesse acabado de ganhar mais uma porrada de brinquedos novos. Assim, já sou eu uma mãe preocupada em guardar dinheiro para comprar símbolos do natal cristão para enfeitar a nossa casa, presentes não só para a pequena ambiciosa, como para o resto da família e um ou dois amigos mais sortudos.
A simples visão de um Papai Noel já está me deixando com torcicolo.
Como se não bastasse tudo isso, já é novembro.
O que também significa que eu estou em cima do laço para escolher uma nova escola para a estrela do meu lar.
Quando eu escolhi a primeira escola, existia tempo livre e hábil.
Pude percorrer coisa de quase 10 até me decidir pela que melhor cuidaria do meu bebezinho – que é o que ela era naquela época.
E foram 3 anos muito felizes.
Ela fez amizades, eu fiz amizades, senti muito carinho da escola em geral com ela, que é uma criança ,até aqui, muito bem orientada e feliz.
Mas, os anos passaram; nós nos mudamos, meu tempo – nosso tempo – é, cada vez mais, um artigo de luxo, a faculdade está quase no fim e um emprego é mais do que prioridade já há algum tempo, o colégio antigo é caro, fica longe de casa, a minha coluna está ficando em frangalhos e eu estou sempre exausta, e então, um novo colégio é necessário.
Cai por terra o meu desejo de não ficar mudando de colégio demais como foi comigo, me dá dói a possibilidade de pegar gosto pela coisa e fazer dela uma pessoa incapaz de estabelecer vínculos duradouros nas pessoas, mas a coluna ainda dói mais.
O primeiro passo é a apelação lógica da coisa: precisamos de algo que seja mais perto de casa e não deixe a desejar no conjunto de coisas que a escola atual oferece a ela.
E foi com esta idéia na cabeça que eu fui visitar a primeira escola esta semana.
Fiz questão de levar Madame Florzinha comigo para que ela também visse o ambiente e eu pudesse observar como ela ia se comportar dentro dele. E esta primeira nova escola me encantou!
Acabou sendo muito mais do que eu esperava, mesmo tendo ouvindo boas recomendações e tudo mais. O único problema é que mesmo o horário integral não cobre todas as horas que preciso e imagino que precisarei ficar fora de casa.
Para tirar a prova e poder ter um contraponto qualquer, ontem fui visitar a segunda escola que fica praticamente na porta da minha casa.
Dessa, que tem várias unidades e um nome bastante conhecido, eu esperava mais. Achei o espaço pequeno, ruim mesmo. Impliquei até com o atendimento que recebi por lá. Mas, esta tem um horário que cobre todos os meus supostos horários.
A questão é que, se eu puser ela na escola maravilha, muito provavelmente vou precisar pôr alguém dentro da minha casa, nem que seja só para buscar ela no colégio e dar o jantar. Sempre torci muito o meu nariz para empregadas e babás. O trabalho é meu. Eu que faço. Eu que sou a mãe. Não só é muito difícil arrumar alguém em que você possa confiar a guarda momentânea da sua criança, como eu também, quando criança, passei maus bocados com empregadas e afins. E ainda tem o detalhe que esta pessoa vai precisar ser paga por isso – o que significa mais uma despesa – e ainda vai ter que comer, usar a minha luz, meu telefone – o que também significam mais despesas. Uma pessoa dentro de casa pode muito facilmente passar de um luxo ou uma ajuda a uma coisa muito dispendiosa e difícil.
Fora o estrago que algumas horas por dia com a pessoa errada podem vir a fazer na edução suíça que eu tento dar à criança. Lavagem cerebral é uma coisa que super dá certo.
E aí, existe um colégio cujo o espaço não é uma grande maravilha, mas que tem um bom nome e a esperança de que, se ela continuar, uma casa maior e mais arejada que esta no futuro. Que o horário integral, puxado, cobre todas as horas que eu teoricamente precisarei – visto que a intenção é arrumar um emprego no próximo ano – o que significa que as minhas despesas fixas, que já não são pequenas e felizes, não aumentem tanto e eu não tenha que conviver com uma outra pessoa dentro da minha casa, pra comer, gastar, cuidar da minha filha e, ainda por cima, sem sexo!
E isso tudo sem falar naquela coisa que se chama matrícula, que é uma fortuna, que obviamente eu não disponho porque todas as contas são feitas na ponta do lápis e nunca sobra. Em quase 10 meses comandando um lar, é com muito pesar que observo que não consegui juntar um mísero centavo para despesas bisonhas feito esta. Já antevejo a compra de material e uniforme e o tempo que ainda vai levar para ajeitar algumas coisas de casa que eu queria e precisava.
De repente, ontem, me vi numa encruzilhada.
Sem saber o que fazer pela primeira vez em anos.
Tive que pedir ajuda pra mamãe, porque a criança diz que gostou dos dois lugares e nem tem a bondade de escolher para que eu possa dizer que foi ela que quis.
É muito difícil e doído escolher a quens você vai entregar a sua filha enquanto você termina de estudar porque não foi esperta o suficiente para fazer isso no tempo devido e agora precisa muito para poder arrumar um emprego maneiro que dê alguma grana e tenta começar a exercitar o binômio estuda&trabalha – ao qual você não tem lá muita certeza se vai sobreviver e já desencadeia uma enxurrada de sentimentos de culpa e saudade que só as mães têm quando precisam escolher e fazer coisas como essas. Uma solução vai ter.
Foda vai ser chegar nela.
E, quando o torcicolo atacar sem piedade, eu sempre posso pensar no Natal.
Hehe
Período de 12 meses.
Assim que você se acostuma a ele, ele chega ao fim.
E fim de ano é foda.
Principalmente para quem tem filhos.
Primeiro vem o Dia das Crianças.
Data comercial; mas mãe nenhuma vai negar presente pra criança só por causa disso, certo? No meu caso, que tento ensinar que brinquedos caros são presentes feitos para ocasiões especiais, significa uma grande despesa.
Despesa que eu faço quase 100% feliz, porque eu tenho certeza de que a minha filha super merece acordar ou chegar no dia 12 de outubro e encontrar um dos brinquedos que ela tanto cobiça durante o ano embrulhado, para ela, dela.
Agora, 15 dias depois desta alegre data, nasceu a minha criança.
E aniversários devem ser sempre comemorados – ainda mais quando são da minha fabulosa e amada filha!
Agradeço cada dia de vida dela, mas a virada de mais um ano é literalmente uma coisa emblemática.
Ainda porque eu sou completamente apaixonada por ela e tenho certeza de que ela merece, procuro fazer tudo que eu posso para que a data seja inesquecível e deliciosa para ela. Festa, só de dois em dois anos porque a aporrinhação é imensa, depois porque um festão custa uma fortuna da qual eu não disponho.
Mesmo assim, qualquer festinha para meia dúzia de três ou quatro da família e alguns amigos, significa trabalho e novas despesas. Fora que nessa ela super se deu bem, já que, 15 dias depois de ter ganho um presentão, vai ganhar outros tantos.
Depois que tudo isso passou este ano – e eu digo tudo isso porque o planejamento, a pesquisa de preços, as compras, a poupança; tudo; começa bem antes dos eventos propriamente ditos e cansam bastante – eu suspirei e achei que ia ter algum tempo de descanso. Que poderia desopilar o corpo e a mente por algum tempo.
Ledo engano.
A mente anda muito ocupada com leituras nada intelectuais enquanto deveria estar construindo grandes paradoxos psicológicos para duas matérias que estão firmemente empacadas devido ao estado quase catastrófico em que ficaram os neurônios depois de tantas aventuras e preocupações.
O corpo anda recebendo passadas generosas de gel para pernas cansadas, porque eu não tenho mais 16 anos e fazer tudo que eu faço não é mole.
A mente anda tentando convencer o corpo de que açúcar é malvado, açúcar é ruim, chocolates são coisa do demônio, mas o corpo ainda não se convenceu disso, para minha infelicidade.
E ainda tem a carência, a crise de abstinência... Mas, não vou entrar nesse campo.
O tempo que eu tive, foi de uma semana para ficar dando voltas atrás do meu próprio rabo, que passou rápido demais, e, quando me dei conta, já é novembro.
Além dos lojistas me fazerem a grande contribuição de arrumar as lojas, os shoppings, a vida, para o Natal – a fantástica data simbólica do nascimento de Jesus Cristo lá em tempos distantes, em um lugar muito, muito distante, que hoje é comemorada em reuniões absolutamente excitantes em família; reuniões estas que, aviso, é de meu costume reclamar sobre freneticamente, mas depois adorar cada minuto delas, por mais qualquer nota que elas possam ser – que não só ainda demora mais de um mês para acontecer, como faz com que a minha pequena volte à carga dos pedidos de presentes como se não houvesse amanhã e ela não tivesse acabado de ganhar mais uma porrada de brinquedos novos. Assim, já sou eu uma mãe preocupada em guardar dinheiro para comprar símbolos do natal cristão para enfeitar a nossa casa, presentes não só para a pequena ambiciosa, como para o resto da família e um ou dois amigos mais sortudos.
A simples visão de um Papai Noel já está me deixando com torcicolo.
Como se não bastasse tudo isso, já é novembro.
O que também significa que eu estou em cima do laço para escolher uma nova escola para a estrela do meu lar.
Quando eu escolhi a primeira escola, existia tempo livre e hábil.
Pude percorrer coisa de quase 10 até me decidir pela que melhor cuidaria do meu bebezinho – que é o que ela era naquela época.
E foram 3 anos muito felizes.
Ela fez amizades, eu fiz amizades, senti muito carinho da escola em geral com ela, que é uma criança ,até aqui, muito bem orientada e feliz.
Mas, os anos passaram; nós nos mudamos, meu tempo – nosso tempo – é, cada vez mais, um artigo de luxo, a faculdade está quase no fim e um emprego é mais do que prioridade já há algum tempo, o colégio antigo é caro, fica longe de casa, a minha coluna está ficando em frangalhos e eu estou sempre exausta, e então, um novo colégio é necessário.
Cai por terra o meu desejo de não ficar mudando de colégio demais como foi comigo, me dá dói a possibilidade de pegar gosto pela coisa e fazer dela uma pessoa incapaz de estabelecer vínculos duradouros nas pessoas, mas a coluna ainda dói mais.
O primeiro passo é a apelação lógica da coisa: precisamos de algo que seja mais perto de casa e não deixe a desejar no conjunto de coisas que a escola atual oferece a ela.
E foi com esta idéia na cabeça que eu fui visitar a primeira escola esta semana.
Fiz questão de levar Madame Florzinha comigo para que ela também visse o ambiente e eu pudesse observar como ela ia se comportar dentro dele. E esta primeira nova escola me encantou!
Acabou sendo muito mais do que eu esperava, mesmo tendo ouvindo boas recomendações e tudo mais. O único problema é que mesmo o horário integral não cobre todas as horas que preciso e imagino que precisarei ficar fora de casa.
Para tirar a prova e poder ter um contraponto qualquer, ontem fui visitar a segunda escola que fica praticamente na porta da minha casa.
Dessa, que tem várias unidades e um nome bastante conhecido, eu esperava mais. Achei o espaço pequeno, ruim mesmo. Impliquei até com o atendimento que recebi por lá. Mas, esta tem um horário que cobre todos os meus supostos horários.
A questão é que, se eu puser ela na escola maravilha, muito provavelmente vou precisar pôr alguém dentro da minha casa, nem que seja só para buscar ela no colégio e dar o jantar. Sempre torci muito o meu nariz para empregadas e babás. O trabalho é meu. Eu que faço. Eu que sou a mãe. Não só é muito difícil arrumar alguém em que você possa confiar a guarda momentânea da sua criança, como eu também, quando criança, passei maus bocados com empregadas e afins. E ainda tem o detalhe que esta pessoa vai precisar ser paga por isso – o que significa mais uma despesa – e ainda vai ter que comer, usar a minha luz, meu telefone – o que também significam mais despesas. Uma pessoa dentro de casa pode muito facilmente passar de um luxo ou uma ajuda a uma coisa muito dispendiosa e difícil.
Fora o estrago que algumas horas por dia com a pessoa errada podem vir a fazer na edução suíça que eu tento dar à criança. Lavagem cerebral é uma coisa que super dá certo.
E aí, existe um colégio cujo o espaço não é uma grande maravilha, mas que tem um bom nome e a esperança de que, se ela continuar, uma casa maior e mais arejada que esta no futuro. Que o horário integral, puxado, cobre todas as horas que eu teoricamente precisarei – visto que a intenção é arrumar um emprego no próximo ano – o que significa que as minhas despesas fixas, que já não são pequenas e felizes, não aumentem tanto e eu não tenha que conviver com uma outra pessoa dentro da minha casa, pra comer, gastar, cuidar da minha filha e, ainda por cima, sem sexo!
E isso tudo sem falar naquela coisa que se chama matrícula, que é uma fortuna, que obviamente eu não disponho porque todas as contas são feitas na ponta do lápis e nunca sobra. Em quase 10 meses comandando um lar, é com muito pesar que observo que não consegui juntar um mísero centavo para despesas bisonhas feito esta. Já antevejo a compra de material e uniforme e o tempo que ainda vai levar para ajeitar algumas coisas de casa que eu queria e precisava.
De repente, ontem, me vi numa encruzilhada.
Sem saber o que fazer pela primeira vez em anos.
Tive que pedir ajuda pra mamãe, porque a criança diz que gostou dos dois lugares e nem tem a bondade de escolher para que eu possa dizer que foi ela que quis.
É muito difícil e doído escolher a quens você vai entregar a sua filha enquanto você termina de estudar porque não foi esperta o suficiente para fazer isso no tempo devido e agora precisa muito para poder arrumar um emprego maneiro que dê alguma grana e tenta começar a exercitar o binômio estuda&trabalha – ao qual você não tem lá muita certeza se vai sobreviver e já desencadeia uma enxurrada de sentimentos de culpa e saudade que só as mães têm quando precisam escolher e fazer coisas como essas. Uma solução vai ter.
Foda vai ser chegar nela.
E, quando o torcicolo atacar sem piedade, eu sempre posso pensar no Natal.
Hehe
sexta-feira, outubro 31
quarta-feira, outubro 29
Uma lembrança
Eu não sou uma garota muito chegada em primeiras vezes.
Não me lembro do primeiro livro do Stephen King que eu li, do primeiro disco que eu comprei, do meu primeiro porre... E essas lembranças esquecidas são parte, definitivamente, do que eu gosto hoje, da minha história e de como eu me tornei quem eu sou (eu e todo mundo).
Por isso é tão especial quando, de repente, eu consigo me lembrar de alguma delas.
Assim que eu acabei de ler o livro aí do lado sobre as mitologias africanas, passeando numa livraria qualquer de um lugar qualquer, namorando todos aqueles livros todos que as pessoas escrevem e que eu cobiço diariamente, me deparei com um volume de “Tenda dos Milagres”, do Jorge Amado.
O lance é que eu nunca li nada do Jorge Amado – e eu gostava do cara, achava simpático e quase tudo que eu já sabia de Bahia foi tendo ele como professor. É uma lacuna da minha longa lista. Conheço a maioria das histórias pelo relato de outras pessoas ou pelas versões cinematográficas ou televisivas que foram feitas.
E quando eu me deparei com “Tenda dos Milagres”, lembrei.
Lembrei que foi por causa da adaptação dessa história que eu vi pela primeira vez, na tv, um orixá. Um terreiro. Aquelas danças, com aquelas pessoas paramentadas de saias e contas, que cantavam, entravam em transe. E aquele povo que acreditava naquelas coisas.
Pra mim, era um conto de fadas novo.
Foi a partir desse romance que eu nunca li que eu passei a pesquisar mais sobre o assunto, que eu fui procurar aquilo em alguns dos lugares onde eu andei. Nunca foi minha intenção me juntar àquele povo, mas ver aquilo acontecer, me maravilhar com aquele espetáculo que eu passei a achar tão bonito.
Porque é bonito pra caramba.
Foi ali que eu quis saber quem eram aqueles personagens, qual era a etiqueta, quais eram as suas histórias. Dali, tirei várias superstições e conheci várias coisas.
Estou longe de ser Phd no assunto – ainda tenho muito a aprender; mas me deu uma alegria imensa lembrar de onde saiu essa parte do meu gosto por essa história, essa cultura, que eu não lembrava.
Não me lembro do primeiro livro do Stephen King que eu li, do primeiro disco que eu comprei, do meu primeiro porre... E essas lembranças esquecidas são parte, definitivamente, do que eu gosto hoje, da minha história e de como eu me tornei quem eu sou (eu e todo mundo).
Por isso é tão especial quando, de repente, eu consigo me lembrar de alguma delas.
Assim que eu acabei de ler o livro aí do lado sobre as mitologias africanas, passeando numa livraria qualquer de um lugar qualquer, namorando todos aqueles livros todos que as pessoas escrevem e que eu cobiço diariamente, me deparei com um volume de “Tenda dos Milagres”, do Jorge Amado.
O lance é que eu nunca li nada do Jorge Amado – e eu gostava do cara, achava simpático e quase tudo que eu já sabia de Bahia foi tendo ele como professor. É uma lacuna da minha longa lista. Conheço a maioria das histórias pelo relato de outras pessoas ou pelas versões cinematográficas ou televisivas que foram feitas.
E quando eu me deparei com “Tenda dos Milagres”, lembrei.
Lembrei que foi por causa da adaptação dessa história que eu vi pela primeira vez, na tv, um orixá. Um terreiro. Aquelas danças, com aquelas pessoas paramentadas de saias e contas, que cantavam, entravam em transe. E aquele povo que acreditava naquelas coisas.
Pra mim, era um conto de fadas novo.
Foi a partir desse romance que eu nunca li que eu passei a pesquisar mais sobre o assunto, que eu fui procurar aquilo em alguns dos lugares onde eu andei. Nunca foi minha intenção me juntar àquele povo, mas ver aquilo acontecer, me maravilhar com aquele espetáculo que eu passei a achar tão bonito.
Porque é bonito pra caramba.
Foi ali que eu quis saber quem eram aqueles personagens, qual era a etiqueta, quais eram as suas histórias. Dali, tirei várias superstições e conheci várias coisas.
Estou longe de ser Phd no assunto – ainda tenho muito a aprender; mas me deu uma alegria imensa lembrar de onde saiu essa parte do meu gosto por essa história, essa cultura, que eu não lembrava.
Um domingo qualquer
Domingo.
Chovia.
Olho pro chão e vejo os meus pés, enfiados dentro do meu único par de all stars (hoje é converse, né?), que eu só fui comprar depois dos 30 anos, que me dão uma falsa sensação de juventude e que são os meus tênis de chuva, visto que também são os sapatos mais resistentes que eu tenho. Enfim, os tênis.
Os tênis estavam desamarrados. Faziam alguns dias que eles teimavam em desamarrar e me deixar andando na rua com cadarços que iam balançando de um lado para o outro, seguindo o meu ritmo de caminhada. Além de soltos, estavam molhados.
Tudo estava molhado, porque eu não acredito em guarda-chuvas.
Enquanto eles balançavam, também caía pela ponta do meu nariz uma grossa gota de chuva.
Por alguns minutos, andei por aí me sentindo e me lembrando como era ser uma menininha melequenta.
Saindo da chuva, emergi no metrô.
Assim como eu estava molhada e começando a ficar com frio, o metrô naquela tarde era igualmente frio.
Como não havia sol, não existiam aquelas enormes famílias que pegam o trem de Deus sabe lá aonde, paramentados com o melhor de moda praia e cadeirinhas e barraquinhas e sacolas e lanches e crianças e toda uma sorte de coisas debaixo dos braços para ir à praia na Zona Sul, que é chique, ao invés de ir tomar um bom sol na laje - que, na minha opinião é muito mais higiênico já que não tem areia com cocô de cachorro, mar cheio de cocô de gente, enfim, sem cocô, saca?
Como não havia sol, não existiam nem as famílias de papai-mamãe-filhinho que vão passear na rua, visitar a vovó, ir à festinhas.
Naquela noite, eu havia recebido a visita de duas avós falecidas nos meus sonhos. Eu ando tendo um sonhos esquisitos. E nem sempre me lembro de entrar na internet para ver o quê exatamente eles significam. Como o assunto era justamente o aniversário de uma delas, que, no sonho estava personificada na outra, minha primeira análise leiga foi que o meu inconsciente andava totalmente dominado pelo tema aniversário - tão dominado que até em sonho essa praga anual de aniversário/ festa insistia em me perseguir.
Inconsciente, consciente, tudo estava voltado pelo tema; não fosse a certeza que começou a me assaltar de que, aos 31 anos, finalmente aconteceu comigo de inventar de me apaixonar por um professor - coisa que eu nunca imaginava que ainda fosse acontecer comigo. É muito louco essa coisa de endeusar uma pessoa que você definitivamente não pode nem pegar e se esforçar feito uma alucinada para que a pessoa fique absolutamente encantada com a sua inteligência e carisma. Não poder perder uma aula sequer, saber tudo de cor e só pensar nisso em todo e qualquer tempo livre que você possa ter na vida. Procurar na rua, esperando encontrar, esbarrar. O tipo de situação que te deixa na dúvida se é falta de roupa pra lavar no tanque, falta de um cacho novo que te coma de verdade, essas coisas...
Como não havia sol, só existiam uma meia dúzia de pessoas perdidas. A maioria como eu, perdida, sozinha, com frio, usando umas caras não muito satisfeitas com a vida. Esta, a principal diferença entre nós: me vi bastante satisfeita em estar praticamente sozinha naquela enorme estação de pedra, naquele dia feio de domingo. Tem dias em que ser uma menininha de cadarços desamarrados num mundo grande e vazio é tudo que uma pessoa pode querer.
Chovia.
Olho pro chão e vejo os meus pés, enfiados dentro do meu único par de all stars (hoje é converse, né?), que eu só fui comprar depois dos 30 anos, que me dão uma falsa sensação de juventude e que são os meus tênis de chuva, visto que também são os sapatos mais resistentes que eu tenho. Enfim, os tênis.
Os tênis estavam desamarrados. Faziam alguns dias que eles teimavam em desamarrar e me deixar andando na rua com cadarços que iam balançando de um lado para o outro, seguindo o meu ritmo de caminhada. Além de soltos, estavam molhados.
Tudo estava molhado, porque eu não acredito em guarda-chuvas.
Enquanto eles balançavam, também caía pela ponta do meu nariz uma grossa gota de chuva.
Por alguns minutos, andei por aí me sentindo e me lembrando como era ser uma menininha melequenta.
Saindo da chuva, emergi no metrô.
Assim como eu estava molhada e começando a ficar com frio, o metrô naquela tarde era igualmente frio.
Como não havia sol, não existiam aquelas enormes famílias que pegam o trem de Deus sabe lá aonde, paramentados com o melhor de moda praia e cadeirinhas e barraquinhas e sacolas e lanches e crianças e toda uma sorte de coisas debaixo dos braços para ir à praia na Zona Sul, que é chique, ao invés de ir tomar um bom sol na laje - que, na minha opinião é muito mais higiênico já que não tem areia com cocô de cachorro, mar cheio de cocô de gente, enfim, sem cocô, saca?
Como não havia sol, não existiam nem as famílias de papai-mamãe-filhinho que vão passear na rua, visitar a vovó, ir à festinhas.
Naquela noite, eu havia recebido a visita de duas avós falecidas nos meus sonhos. Eu ando tendo um sonhos esquisitos. E nem sempre me lembro de entrar na internet para ver o quê exatamente eles significam. Como o assunto era justamente o aniversário de uma delas, que, no sonho estava personificada na outra, minha primeira análise leiga foi que o meu inconsciente andava totalmente dominado pelo tema aniversário - tão dominado que até em sonho essa praga anual de aniversário/ festa insistia em me perseguir.
Inconsciente, consciente, tudo estava voltado pelo tema; não fosse a certeza que começou a me assaltar de que, aos 31 anos, finalmente aconteceu comigo de inventar de me apaixonar por um professor - coisa que eu nunca imaginava que ainda fosse acontecer comigo. É muito louco essa coisa de endeusar uma pessoa que você definitivamente não pode nem pegar e se esforçar feito uma alucinada para que a pessoa fique absolutamente encantada com a sua inteligência e carisma. Não poder perder uma aula sequer, saber tudo de cor e só pensar nisso em todo e qualquer tempo livre que você possa ter na vida. Procurar na rua, esperando encontrar, esbarrar. O tipo de situação que te deixa na dúvida se é falta de roupa pra lavar no tanque, falta de um cacho novo que te coma de verdade, essas coisas...
Como não havia sol, só existiam uma meia dúzia de pessoas perdidas. A maioria como eu, perdida, sozinha, com frio, usando umas caras não muito satisfeitas com a vida. Esta, a principal diferença entre nós: me vi bastante satisfeita em estar praticamente sozinha naquela enorme estação de pedra, naquele dia feio de domingo. Tem dias em que ser uma menininha de cadarços desamarrados num mundo grande e vazio é tudo que uma pessoa pode querer.
Rolo de rir!!!
Num daqueles gloriosos dias em que fui exercer a minha cidadania forçada, estávamos eu e minha filha na casa da minha mãe esperando ela chegar. Enquanto isso, resolvemos nos aproveitar das boas graças da Tv a cabo - que inexiste na nossa casa. Estava começando a passar num dos canais infantis "O Corcunda de Notredame", que a pequena se sentou animadíssima para assistir.
Alguns minutos depois, vovó chega em casa é imediatamente saudada com:
"- Olha, vovó: o côcunda de mac donalds!!!".
Alguns minutos depois, vovó chega em casa é imediatamente saudada com:
"- Olha, vovó: o côcunda de mac donalds!!!".
terça-feira, outubro 28
Ufa!
Depois de uma semana extremamente frenética, organizando duas festas de criança e preparando tudo para sermos uma dupla de dama de honra e madrinha impecáveis - dentro do possível - num casamento, onde tive vários piripaques físicos porque tudo virou muita coisa pruma mulher só, apesar de ainda haver gente que acredita piamente que eu não faço nada da minha vida (rá!), estamos quase de volta à programação normal.
Tudo foi um sucesso, tudo deu certo, todos ficaram felizes, eu já dormi, já lavei a meia tonelada de louça que se aglomerou na minha cozinha e já leio um novo livro e volto a me dedicar à filosofia.
Desenvolvi uma nova fixação nova, que me ataca uma vez a cada cinco anos, uma coisa assim meio eleição, onde eu começo a cobiçar prateleiras e mais prateleiras de cremes e coisinhas de beleza de todos os cheiros, formas, cores e efeitos. Eu adoro e sei que vocês também adoram as minhas fixações esquisitas. No momento, estou dedicada a um tratamento capilar com um sei-lá-o-quê de orquídea e de olho num creminhos bacaninhas para os pés e rugas.
De ontem pra hoje, pessoas esquisitas passaram a me olhar na rua e falar coisas que eu não entendo, o que eu acho muito esquisito, mas eu vou deixar pra pensar nisso se isso continuar até a semana que vem.
Mas tudo o que eu ando pensando mesmo, mesmo, MESMO esses dias é que eu tô precisando levar uma pegada "daquelas". Falta oferta, mas tão aí Papai Noel e São Judas Tadeu preu fazer meus votos, né, não?
Tudo foi um sucesso, tudo deu certo, todos ficaram felizes, eu já dormi, já lavei a meia tonelada de louça que se aglomerou na minha cozinha e já leio um novo livro e volto a me dedicar à filosofia.
Desenvolvi uma nova fixação nova, que me ataca uma vez a cada cinco anos, uma coisa assim meio eleição, onde eu começo a cobiçar prateleiras e mais prateleiras de cremes e coisinhas de beleza de todos os cheiros, formas, cores e efeitos. Eu adoro e sei que vocês também adoram as minhas fixações esquisitas. No momento, estou dedicada a um tratamento capilar com um sei-lá-o-quê de orquídea e de olho num creminhos bacaninhas para os pés e rugas.
De ontem pra hoje, pessoas esquisitas passaram a me olhar na rua e falar coisas que eu não entendo, o que eu acho muito esquisito, mas eu vou deixar pra pensar nisso se isso continuar até a semana que vem.
Mas tudo o que eu ando pensando mesmo, mesmo, MESMO esses dias é que eu tô precisando levar uma pegada "daquelas". Falta oferta, mas tão aí Papai Noel e São Judas Tadeu preu fazer meus votos, né, não?
segunda-feira, outubro 27
quinta-feira, outubro 23
domingo, outubro 19
Iupiiii!!!
"Abertura social
Vênus em sextil com lua natal
Entre os dias 19/10 (Hoje) e 27/10, o planeta Vênus no céu estará formando um aspecto harmônico à Lua do seu mapa de nascimento, Renata. Este ciclo está associado a uma idéia de popularidade, charme social, boas situações envolvendo lazer, festas, encontros e reuniões. É um excelente momento para conhecer as pessoas certas, que poderão lhe beneficiar de alguma forma no seu trabalho ou em sua vida afetiva, ou até na vida espiritual. A qualidade natural deste momento envolve um bem-estar que está associado a uma busca por tudo aquilo que é bom e belo na sua concepção das coisas. É um período conveniente para interagir, fazer-se ver, conhecer gente nova. "
Vênus em sextil com lua natal
Entre os dias 19/10 (Hoje) e 27/10, o planeta Vênus no céu estará formando um aspecto harmônico à Lua do seu mapa de nascimento, Renata. Este ciclo está associado a uma idéia de popularidade, charme social, boas situações envolvendo lazer, festas, encontros e reuniões. É um excelente momento para conhecer as pessoas certas, que poderão lhe beneficiar de alguma forma no seu trabalho ou em sua vida afetiva, ou até na vida espiritual. A qualidade natural deste momento envolve um bem-estar que está associado a uma busca por tudo aquilo que é bom e belo na sua concepção das coisas. É um período conveniente para interagir, fazer-se ver, conhecer gente nova. "
terça-feira, outubro 14
Oh, S%$t!!!
E então depois de duas semanas de festa, farra, alforria, gritos de Elisabeth não é mais uma Fritzel, manhãs brindadas com cachorros-quente debaixo do braço, porres nada elegantes para uma senhora mãe de família, aquela enorme sensação de liberdade e três dias achando que a alma, enfim, abandonaria meu corpo dentro de um banheiro qualquer e pediria a aposentadoria pelos anos de maus tratos e abusos; a festa acabou.
Um dia acaba.
Assim como a grana e o fígado.
A vida chama, os filósofos chamam, todas as obrigações chamam você de volta e você percebe que crescer é de fato uma coisa muito chata – nada lúdica. Que, na sua adolescência – que, no meu caso, foi estendida bem por uns 10 extras além do prazo – as noites eram realmente sem fim e que na vida adulta isso é balela; elas acabam antes que você esteja preparada.
Porque são elas que não te deixam ver o outro lado da cama vazio, que fazem as noites sem telefonemas passarem numa boa porque existe sempre algo mais a fazer, que te tiram de casa para que você não esbarre naquele programa que vocês sempre viam naquela hora. São elas que te impedem de olhar outras mulheres na rua e pensar se aquela ali será a vadia vagabunda, que te impedem de olhar pro lado quando calha de você pegar um ônibus que passe por ali, que matam a tristeza que te come por dentro quando a sua filha pergunta por ele.
Porque você nunca se prepara para essas coisas, mesmo sabendo que, mais cedo ou mais tarde, elas vão bater na sua porta tão certamente quanto vendedores de bíblia.
Nas noites, tudo isso a gente afoga.
Afoga numa dúzia de copos, numa dúzia de risadas, numa dúzia de conversas absolutamente estúpidas e nada filosóficas, afoga nas caminhadas, afoga nos olhos e nos sorrisos dos outros náufragos que estão sempre em volta.
Morte por afogamento.
Difícil é a sobriedade.
Admiro por demais essas pessoas, os sóbrios.
Admiro a coragem que eles têm de passar por tudo isso sem se esconder em algum lugar ou alguma coisa.
Eu sou uma covarde assumida.
Só sou sóbria por força das responsabilidades, mas fujo na primeira oportunidade.
E volto...
E fujo...
Ao mesmo tempo, no meio da festa, chega um convidado que há muito rondava, sondava, cheirava...
E ele chega.
E ele está lá.
E é de uma ironia absurda que, desta vez, vocês tenham trocado de lugar.
Absolutamente.
E você só pode imaginar como vai ser aquela conversa.
De novo.
Porque, a bem da verdade, não é a hora de nada disso.
Só o que deveria interessar era um casamento que vem e um aniversário – O Aniversário Mais Importante Do Ano. Roupas, comidas, bolas, bebidas, maquiagem, jóias. Deveria ser um tempo de grandes despesas e pequenas futilidades e felicidades. De pensar em dourados, cachos soltos ou presos, na volta pra casa, na encomenda de doces, na sandália perfeita, em coca-cola ou guaraná e pendurar quadros na parede, sem esquecer de um engov e outro depois pra não ferrar a festinha da mamãe.
Ao invés disso, existem noites em que eu me sinto uma menina muito nova brincando de morar com outra menina mais nova ainda. Existem noites em que eu realmente acredito que é uma loucura que a gente possa viver sozinha – que eu me sinto muito incompetente e desprotegida. Existem noites em que eu queria colo – de novo. Que alguém entrasse e pusesse pra fora os monstros do meu quarto. Em que um raio duma carência babaca aparece e destrói anos do intensivão de terapia.
É você, seu coração ingrato, me amolando quando eu não preciso, quando eu não quero! Quando escolhi não pensar e não sentir. A vida é inevitável – seja de dia ou de noite. E eu vou passar por ela. Você só podia não atrapalhar, justo agora, que eu estava tão bem... Não quero nada, nada disso...
Não é a hora...
Um dia acaba.
Assim como a grana e o fígado.
A vida chama, os filósofos chamam, todas as obrigações chamam você de volta e você percebe que crescer é de fato uma coisa muito chata – nada lúdica. Que, na sua adolescência – que, no meu caso, foi estendida bem por uns 10 extras além do prazo – as noites eram realmente sem fim e que na vida adulta isso é balela; elas acabam antes que você esteja preparada.
Porque são elas que não te deixam ver o outro lado da cama vazio, que fazem as noites sem telefonemas passarem numa boa porque existe sempre algo mais a fazer, que te tiram de casa para que você não esbarre naquele programa que vocês sempre viam naquela hora. São elas que te impedem de olhar outras mulheres na rua e pensar se aquela ali será a vadia vagabunda, que te impedem de olhar pro lado quando calha de você pegar um ônibus que passe por ali, que matam a tristeza que te come por dentro quando a sua filha pergunta por ele.
Porque você nunca se prepara para essas coisas, mesmo sabendo que, mais cedo ou mais tarde, elas vão bater na sua porta tão certamente quanto vendedores de bíblia.
Nas noites, tudo isso a gente afoga.
Afoga numa dúzia de copos, numa dúzia de risadas, numa dúzia de conversas absolutamente estúpidas e nada filosóficas, afoga nas caminhadas, afoga nos olhos e nos sorrisos dos outros náufragos que estão sempre em volta.
Morte por afogamento.
Difícil é a sobriedade.
Admiro por demais essas pessoas, os sóbrios.
Admiro a coragem que eles têm de passar por tudo isso sem se esconder em algum lugar ou alguma coisa.
Eu sou uma covarde assumida.
Só sou sóbria por força das responsabilidades, mas fujo na primeira oportunidade.
E volto...
E fujo...
Ao mesmo tempo, no meio da festa, chega um convidado que há muito rondava, sondava, cheirava...
E ele chega.
E ele está lá.
E é de uma ironia absurda que, desta vez, vocês tenham trocado de lugar.
Absolutamente.
E você só pode imaginar como vai ser aquela conversa.
De novo.
Porque, a bem da verdade, não é a hora de nada disso.
Só o que deveria interessar era um casamento que vem e um aniversário – O Aniversário Mais Importante Do Ano. Roupas, comidas, bolas, bebidas, maquiagem, jóias. Deveria ser um tempo de grandes despesas e pequenas futilidades e felicidades. De pensar em dourados, cachos soltos ou presos, na volta pra casa, na encomenda de doces, na sandália perfeita, em coca-cola ou guaraná e pendurar quadros na parede, sem esquecer de um engov e outro depois pra não ferrar a festinha da mamãe.
Ao invés disso, existem noites em que eu me sinto uma menina muito nova brincando de morar com outra menina mais nova ainda. Existem noites em que eu realmente acredito que é uma loucura que a gente possa viver sozinha – que eu me sinto muito incompetente e desprotegida. Existem noites em que eu queria colo – de novo. Que alguém entrasse e pusesse pra fora os monstros do meu quarto. Em que um raio duma carência babaca aparece e destrói anos do intensivão de terapia.
É você, seu coração ingrato, me amolando quando eu não preciso, quando eu não quero! Quando escolhi não pensar e não sentir. A vida é inevitável – seja de dia ou de noite. E eu vou passar por ela. Você só podia não atrapalhar, justo agora, que eu estava tão bem... Não quero nada, nada disso...
Não é a hora...
sexta-feira, outubro 10
quinta-feira, outubro 9
Gonzo - Resenha
Porque o professor gostou, eu resolvi postar pra guardar de lembrança.
Meu limite eram 20 linhas, ok?
Desvendando o mito da palavra
E do criador da palavra
A primeira vez que ouvi a palavra “Gonzo” foi em meados da década de 1990. Um grupo de jornalistas recém-formados, cujos blogs eu adorava ler, volta e meia se auto definia como sendo “gonzo” ou fazia um tributo ao mesmo. Lembro de ter pesquisado um pouco para tentar entender o quê exatamente significava a expressão, o movimento, enfim. Lembro também de não ter entendido muito bem; assim, o assunto ficou renegado a um lado escuro qualquer do meu cérebro.
Então, enquanto folheava o vasto menu do Festival do Rio deste ano, lá estava: “Gonzo: Um Delírio Americano”, documentário que contava a história de Hunter S. Thompson, o criador da tal palavra nefasta. Estava aí a chance para maiores esclarecimentos.
O filme usa e abusa de imagens de arquivo e de filmes baseados nos livros de Thompson para ilustrar quem era aquela figura – além de depoimentos da família, de amigos, colegas de trabalho e personagens de suas matérias, mostrando um trabalho de pesquisa caprichado e caprichoso do diretor – num ritmo tão dinâmico quanto o próprio. Usuário de todo e qualquer tipo de droga e álcool em quantidades dantescas, amante de armas e sem papas na língua, ele é definido nos depoimentos como um homem muito bom que também sabia ser bem mau.
Quem assiste ao filme concorda plenamente com a ex-mulher dele quando ela anuncia que “Hunter era um homem extremamente sedutor”; é impossível não se sentir seduzido por aquele personagem que mudou as regras do jornalismo com o seu jeito quase irresponsável de trabalhar e lutava contra a alienação do seu próprio povo. Realmente, ele merecia os tributos teve, mas a sua importância é mais americana que global.
Não posso dizer que finalmente entendi o significado da palavra “gonzo”, mas já posso dizer que faço uma idéia e que um dia (talvez) eu chego lá.
“Gonzo – Um Delírio Americano”
Direção: Alex Gibney
Meu limite eram 20 linhas, ok?
Desvendando o mito da palavra
E do criador da palavra
A primeira vez que ouvi a palavra “Gonzo” foi em meados da década de 1990. Um grupo de jornalistas recém-formados, cujos blogs eu adorava ler, volta e meia se auto definia como sendo “gonzo” ou fazia um tributo ao mesmo. Lembro de ter pesquisado um pouco para tentar entender o quê exatamente significava a expressão, o movimento, enfim. Lembro também de não ter entendido muito bem; assim, o assunto ficou renegado a um lado escuro qualquer do meu cérebro.
Então, enquanto folheava o vasto menu do Festival do Rio deste ano, lá estava: “Gonzo: Um Delírio Americano”, documentário que contava a história de Hunter S. Thompson, o criador da tal palavra nefasta. Estava aí a chance para maiores esclarecimentos.
O filme usa e abusa de imagens de arquivo e de filmes baseados nos livros de Thompson para ilustrar quem era aquela figura – além de depoimentos da família, de amigos, colegas de trabalho e personagens de suas matérias, mostrando um trabalho de pesquisa caprichado e caprichoso do diretor – num ritmo tão dinâmico quanto o próprio. Usuário de todo e qualquer tipo de droga e álcool em quantidades dantescas, amante de armas e sem papas na língua, ele é definido nos depoimentos como um homem muito bom que também sabia ser bem mau.
Quem assiste ao filme concorda plenamente com a ex-mulher dele quando ela anuncia que “Hunter era um homem extremamente sedutor”; é impossível não se sentir seduzido por aquele personagem que mudou as regras do jornalismo com o seu jeito quase irresponsável de trabalhar e lutava contra a alienação do seu próprio povo. Realmente, ele merecia os tributos teve, mas a sua importância é mais americana que global.
Não posso dizer que finalmente entendi o significado da palavra “gonzo”, mas já posso dizer que faço uma idéia e que um dia (talvez) eu chego lá.
“Gonzo – Um Delírio Americano”
Direção: Alex Gibney
Feliz, porém fatalista
...Mas, do alto das 9 horas da manhã, por enquanto o dia está sendo feliz.
(Me tremo toda de dizer essas coisas, porque uma coisa que já aprendi bem na minha vida é que sempre que a gente elogia, a tendência é que a coisa dê terrivelmente errado tipo assim dez minutos depois de você ter feito essa cagada.)
(É, eu ando um pouco mais desbocada que o normal, mas não há nada que eu possa fazer a respeito...)
O ponto alto, porém, vai ser uma coisa que eu estou esperando ansiosa desde a semana passada:
(Me tremo toda de dizer essas coisas, porque uma coisa que já aprendi bem na minha vida é que sempre que a gente elogia, a tendência é que a coisa dê terrivelmente errado tipo assim dez minutos depois de você ter feito essa cagada.)
(É, eu ando um pouco mais desbocada que o normal, mas não há nada que eu possa fazer a respeito...)
O ponto alto, porém, vai ser uma coisa que eu estou esperando ansiosa desde a semana passada:

É hoje!!!
E, agora que eu falei, corre o risco de queimar a película ou coisa que o valha...
É culpa da chuva
Enche o saco, eu tenho noção, mas o tempo londrino que invadiu a Cidade-nem-tão-maravilhosa-assim anda tendo um efeito devastador no meu humor e eu me sinto obrigada a reclamar da vida.
Vamos lá. Meus dias andam sendo cansativos, ok? Eu chego em casa com um cansaço irreal e a minha única vontade na vida é deitar na minha cama e ficar prostada lá até que alguma alma ou coisa que o valha me obrigue a desgrudar do meu não-tão-bom-assim-colchãozinho-velho; mas, como a vida é uma coisa imperfeita e cruel, não é isso que costuma acontecer. Existem sempre coisas a fazer no meu empoeirado e zoneado palácio.
De vez em quando, eu deixo que as coisas se resolvam sozinhas, esqueço a ansiedade angustiante de ir para o meu roxo refúgio e fico esperando a onda passar. Anteontem foi um destes dias. Deixei minha pequena e geniosa filha se convencer de que mais nada de emocionante poderia acontecer naquela noite, deitei no chão ao lado da cama dela para esperar ela dormir enquanto lia o meu mais novo e feliz livro - ignorando solenemente as minhas costas, que resolveram dar um chilique qualquer por causa do excesso de peso que eu ando carregando e ainda insistem em reclamar quando eu levanto mais rápido ou dou uma cruzada de pernas mais frenética; uma fase de saliência nem pensar se eu não quiser parar direto no pronto socorro mais próximo, o que é uma irônia se nós considerarmos que eu pago um plano de saúde caríssimo e não existe nenhum pronto socorro realmente próximo à minha casa para adultos descadeirados - o que durou alguns capítulos. Com o advento da coluna, tenho esperado Madame apagar para poder ficar de molho na banheira.
Agora já comecei a achar que ela não é tão minúscula quanto eu achava que era e já consegui achar a minha posição no mundo dentro dela. Me dá um prazer quase sádico ver a minha pele, que de vez em quando tem seus tempos de moreninha belzebú, mas, no momento concorre ao Prêmio Lagartixa de Transparência, toda vermelhinha depois de ficar cozinhando naquele bando de água fervente que, sim, eu desperdiço.
Quando consegui terminar o banho, já era quase meia noite. O que, para uma pessoa normal, não seria nenhuma tragédia grega, mas, no meu caso, que ainda precisava sentar ao computador para escrever uma matéria super criativa (haha) para entregar hoje, a qual eu não havia sequer pensado na primeira frase, tendo que acordar antes das seis da manhã para vir ao meu tão querido templo do saber (haha de novo), me deixava numa situação um tanto dramática.
Desconfio que tenha procrastinado a produção da tal matéria de propósito – maldito inconsciente! – mas, não existia mais chance de escapar das minhas obrigações. Virei uma pessoa por demais maníaca e caxias para me permitir zerar em qualquer prova ou deixar de entregar qualquer coisa que eu saiba ser minha responsabilidade.
Às duas da manhã, o povo bateu palmas feliz, me dei por satisfeita e fui me enfiar no meu roxo refúgio. Às 3, minha belíssima filha adentrou o quarto alegando qualquer coisa que já não me lembro mais, querendo dormir de novo na minha cama.
Eu acho uma delícia dormir com ela, que faz questão de ficar grudada em mim, que inventa de dar as mãos no meio da madrugada; mas, a gente já sabe que a vida não pode ser tão cor de rosa assim, eu tenho paranóias maternais e então tal prática só é liberada uma vez por semana – e essa semana nós já havíamos praticado – e eu tive que negar. Depois de uma briguinha leve, voltei pra cama xingando muito o fato de ter que acordar com as galinhas e a minha coluna despedaçada.
Às 6 horas da manhã, chovia muito. Muito. Assim que me levantei, já comecei com a síndrome de tourette climática que anda me atacando e faz com que eu formate frases unicamente feitas de palavras chulas cada vez que vejo uma gota de chuva caindo. Mesmo assim, lá fomos nós, praticamente a nado, desbravando todos os grandes lagos que se formavam em Botafogo, completamente encharcadas, para conseguir chegar aos nossos colégios e compromissos.
Molhada até o útero, morta de frio, quase caí pra trás quando descobri que o professor faria a gentileza de não comparecer à faculdade. Merda! Podia ter me avisado, caramba! O cara sabe que eu saio de casa com criança, toda carregada... E o pior é que cada vez que eu vou de manhã fico um bocado mais pobre, e tem muita coisa que eu ando precisando, pomba!
Só não fiquei com mais ódio porque pude finalizar a minha matéria de uma forma que me fosse satisfatória.
Enquanto isso, recebo uma ligação do colégio da Olívia. Uma das coordenadoras me informando que ela estava com os tênis muito molhados (não diga!), perguntando se eu poderia levar outro sapato pra ela. Na boa, fiquei louca de ódio. Quê que esse povo pensa? Primeiro, eu sou mãe, mãe vê tudo, e eu estava com ela, logo, eu sei que ela havia enfiado o pé na poça, ué! Chuva é assim, faz poça, a gente enfia o pé. Depois, como assim levar outro sapato? Elas queriam que eu comprasse outro sapato? Porque, se eu boto a criança durante um dia inteiro no colégio, está subentendido que eu estarei ocupada e não na minha casa promovendo um baile! Porra!
Felizmente, tive tempo sobrando. Mas, enquanto ia para casa buscar o raio do sapato, recebi outra ligação do colégio – desta vez da professora – me dizendo as mesmas coisas. Como eu já estava puta com a situação, fui até um pouco grossa com ela, mas disse que já estava indo em casa pegar a porra do sapato. Dessa vez, de repente eu fiquei lá pensando: “Vem cá, se ela chegou com o sapato molhado, significa que eu também estou com o sapato molhado. Ninguém se preocupa com o meu pé, não?”. Não. Claro. Mas, a passadinha em casa foi providencial, pude trocar de blusa, de meias. O resto eu deixei, porque se era pra molhar de novo, melhor que fosse o que já estava molhado, certo?
Corri desabalada pro cinema. Durante o Festival do Rio, aproveitei todas as minhas horas de almoço para ver filmes, e ontem não seria diferente. Deu tempo. Deu tempo de tudo. Deu tempo até de terminar o filme e eu chegar sã e salva na faculdade a tempo da aula (eu sempre acho que não vai dar tempo).
Tudo muito bom, tudo muito bem. Tourette continuava comendo solta cada vez que eu olhava pro céu, mas as minhas tardes conseguem quase sempre ser bastante divertidas. Deu um pouco de trabalho desligar a criança, mas eu acabei conseguindo. Fiquei tão exausta, que não conseguia nem ler quando fui deitar na minha cama.
Aí, hoje estou eu de pé às 5:40 da manhã, pronta para uma maratona que só vai ter fim lá pelas 2:30.
O professor não veio de novo.
Legal.
Bacana.
Supimpa.
Caralho.
E continua chovendo.
Dá pra não reclamar? Não dá!
Aí eu fico puta de ficar tentando comer alface e não conseguir perder nem 10 gramos, fico puta com a pança caída, fico puta porque quero comprar um monte de coisas pra minha casa, mas preciso dar prioridade a outras coisas, fico puta porque vou ter que providenciar uma festa de aniversário maior do que eu gostaria para o aniversário da Olívia, porque eu quero um vestido novo, porque preciso ir ao salão de beleza, porque estou detestavelmente dura, porque as minhas costas ainda doem, porque eu recebo convites que esperei receber muito tempo e agora que recebi não sei se quero mais, porque eu tenho mau gosto, porque eu preciso de empregada e emprego e de menos poeira na minha casa, etc, etc, etc.
É mais forte do que eu.
(Além do mais, eu bem que gosto – desopila!)
Vamos lá. Meus dias andam sendo cansativos, ok? Eu chego em casa com um cansaço irreal e a minha única vontade na vida é deitar na minha cama e ficar prostada lá até que alguma alma ou coisa que o valha me obrigue a desgrudar do meu não-tão-bom-assim-colchãozinho-velho; mas, como a vida é uma coisa imperfeita e cruel, não é isso que costuma acontecer. Existem sempre coisas a fazer no meu empoeirado e zoneado palácio.
De vez em quando, eu deixo que as coisas se resolvam sozinhas, esqueço a ansiedade angustiante de ir para o meu roxo refúgio e fico esperando a onda passar. Anteontem foi um destes dias. Deixei minha pequena e geniosa filha se convencer de que mais nada de emocionante poderia acontecer naquela noite, deitei no chão ao lado da cama dela para esperar ela dormir enquanto lia o meu mais novo e feliz livro - ignorando solenemente as minhas costas, que resolveram dar um chilique qualquer por causa do excesso de peso que eu ando carregando e ainda insistem em reclamar quando eu levanto mais rápido ou dou uma cruzada de pernas mais frenética; uma fase de saliência nem pensar se eu não quiser parar direto no pronto socorro mais próximo, o que é uma irônia se nós considerarmos que eu pago um plano de saúde caríssimo e não existe nenhum pronto socorro realmente próximo à minha casa para adultos descadeirados - o que durou alguns capítulos. Com o advento da coluna, tenho esperado Madame apagar para poder ficar de molho na banheira.
Agora já comecei a achar que ela não é tão minúscula quanto eu achava que era e já consegui achar a minha posição no mundo dentro dela. Me dá um prazer quase sádico ver a minha pele, que de vez em quando tem seus tempos de moreninha belzebú, mas, no momento concorre ao Prêmio Lagartixa de Transparência, toda vermelhinha depois de ficar cozinhando naquele bando de água fervente que, sim, eu desperdiço.
Quando consegui terminar o banho, já era quase meia noite. O que, para uma pessoa normal, não seria nenhuma tragédia grega, mas, no meu caso, que ainda precisava sentar ao computador para escrever uma matéria super criativa (haha) para entregar hoje, a qual eu não havia sequer pensado na primeira frase, tendo que acordar antes das seis da manhã para vir ao meu tão querido templo do saber (haha de novo), me deixava numa situação um tanto dramática.
Desconfio que tenha procrastinado a produção da tal matéria de propósito – maldito inconsciente! – mas, não existia mais chance de escapar das minhas obrigações. Virei uma pessoa por demais maníaca e caxias para me permitir zerar em qualquer prova ou deixar de entregar qualquer coisa que eu saiba ser minha responsabilidade.
Às duas da manhã, o povo bateu palmas feliz, me dei por satisfeita e fui me enfiar no meu roxo refúgio. Às 3, minha belíssima filha adentrou o quarto alegando qualquer coisa que já não me lembro mais, querendo dormir de novo na minha cama.
Eu acho uma delícia dormir com ela, que faz questão de ficar grudada em mim, que inventa de dar as mãos no meio da madrugada; mas, a gente já sabe que a vida não pode ser tão cor de rosa assim, eu tenho paranóias maternais e então tal prática só é liberada uma vez por semana – e essa semana nós já havíamos praticado – e eu tive que negar. Depois de uma briguinha leve, voltei pra cama xingando muito o fato de ter que acordar com as galinhas e a minha coluna despedaçada.
Às 6 horas da manhã, chovia muito. Muito. Assim que me levantei, já comecei com a síndrome de tourette climática que anda me atacando e faz com que eu formate frases unicamente feitas de palavras chulas cada vez que vejo uma gota de chuva caindo. Mesmo assim, lá fomos nós, praticamente a nado, desbravando todos os grandes lagos que se formavam em Botafogo, completamente encharcadas, para conseguir chegar aos nossos colégios e compromissos.
Molhada até o útero, morta de frio, quase caí pra trás quando descobri que o professor faria a gentileza de não comparecer à faculdade. Merda! Podia ter me avisado, caramba! O cara sabe que eu saio de casa com criança, toda carregada... E o pior é que cada vez que eu vou de manhã fico um bocado mais pobre, e tem muita coisa que eu ando precisando, pomba!
Só não fiquei com mais ódio porque pude finalizar a minha matéria de uma forma que me fosse satisfatória.
Enquanto isso, recebo uma ligação do colégio da Olívia. Uma das coordenadoras me informando que ela estava com os tênis muito molhados (não diga!), perguntando se eu poderia levar outro sapato pra ela. Na boa, fiquei louca de ódio. Quê que esse povo pensa? Primeiro, eu sou mãe, mãe vê tudo, e eu estava com ela, logo, eu sei que ela havia enfiado o pé na poça, ué! Chuva é assim, faz poça, a gente enfia o pé. Depois, como assim levar outro sapato? Elas queriam que eu comprasse outro sapato? Porque, se eu boto a criança durante um dia inteiro no colégio, está subentendido que eu estarei ocupada e não na minha casa promovendo um baile! Porra!
Felizmente, tive tempo sobrando. Mas, enquanto ia para casa buscar o raio do sapato, recebi outra ligação do colégio – desta vez da professora – me dizendo as mesmas coisas. Como eu já estava puta com a situação, fui até um pouco grossa com ela, mas disse que já estava indo em casa pegar a porra do sapato. Dessa vez, de repente eu fiquei lá pensando: “Vem cá, se ela chegou com o sapato molhado, significa que eu também estou com o sapato molhado. Ninguém se preocupa com o meu pé, não?”. Não. Claro. Mas, a passadinha em casa foi providencial, pude trocar de blusa, de meias. O resto eu deixei, porque se era pra molhar de novo, melhor que fosse o que já estava molhado, certo?
Corri desabalada pro cinema. Durante o Festival do Rio, aproveitei todas as minhas horas de almoço para ver filmes, e ontem não seria diferente. Deu tempo. Deu tempo de tudo. Deu tempo até de terminar o filme e eu chegar sã e salva na faculdade a tempo da aula (eu sempre acho que não vai dar tempo).
Tudo muito bom, tudo muito bem. Tourette continuava comendo solta cada vez que eu olhava pro céu, mas as minhas tardes conseguem quase sempre ser bastante divertidas. Deu um pouco de trabalho desligar a criança, mas eu acabei conseguindo. Fiquei tão exausta, que não conseguia nem ler quando fui deitar na minha cama.
Aí, hoje estou eu de pé às 5:40 da manhã, pronta para uma maratona que só vai ter fim lá pelas 2:30.
O professor não veio de novo.
Legal.
Bacana.
Supimpa.
Caralho.
E continua chovendo.
Dá pra não reclamar? Não dá!
Aí eu fico puta de ficar tentando comer alface e não conseguir perder nem 10 gramos, fico puta com a pança caída, fico puta porque quero comprar um monte de coisas pra minha casa, mas preciso dar prioridade a outras coisas, fico puta porque vou ter que providenciar uma festa de aniversário maior do que eu gostaria para o aniversário da Olívia, porque eu quero um vestido novo, porque preciso ir ao salão de beleza, porque estou detestavelmente dura, porque as minhas costas ainda doem, porque eu recebo convites que esperei receber muito tempo e agora que recebi não sei se quero mais, porque eu tenho mau gosto, porque eu preciso de empregada e emprego e de menos poeira na minha casa, etc, etc, etc.
É mais forte do que eu.
(Além do mais, eu bem que gosto – desopila!)
quarta-feira, outubro 8
Revolta!
(Há dois dias atrás...)
Em véspera de prova, sempre passo metade dos meus dias lembrando da cena daquele filme que era campeão de bilheteria da Sessão da Tarde quando eu era criança que o sujeito acorda desesperado, aos berros: “Eu não sei nada! Eu não sei nada!”.
Na verdade, essa frase vira uma espécie de mantra que eu fico repetindo incontáveis vezes, desde a véspera, até o fim da dita prova.
Hoje, estou olhando as letrinhas, pedi folga pra mãe e pra filha, mas nada entra na cabeça. Excepcionalmente, eu penso: “Caralho. Quer merda. Que saco”.
Estou com um sono monstruoso, fruto de horas e mais horas de filmes, que são a mais nova obsessão do mês. Estou profundamente puta porque o meu dvd resolveu não funcionar num domingo, justo quando eu consegui pegar o filme mais disputado da locadora e nenhuma das lojas em volta da minha casa tem uma porra de um cd de limpeza para vender. Droga, droga, droga!
Então, de Sartre, não estou sabendo nada...
...Mas, no fim das contas, o Sean Penn acabou comendo a Madonna e virando um puta diretor de cinema, mesmo não sabendo nada naquela porra daquela prova.
Não que eu queira comer a Madonna (taí uma coisa que eu nunca quis – de verdade), nem virar uma puta diretora de cinema (também não quero virar uma puta nada – de verdade – ando super sem grandes ambições), mas pode ser que ainda exista futuro pra mim mesmo sem saber nada...
***************************
Minha prova foi medíocre.
Daquelas que vou ter muita vergonha de ter feito - hoje, que tenho vergonha dessas coisas.
**************************
Hoje, eu realmente só queria que parasse de chover.
Essa coisa de fazer um dia de sol e vinte e cinco de chuva já fodeu minha paciência faz muito tempo.
Assim como os pneumococos, que de tão desafiados pra briga, daqui a pouco vão acabar aceitando...
Em véspera de prova, sempre passo metade dos meus dias lembrando da cena daquele filme que era campeão de bilheteria da Sessão da Tarde quando eu era criança que o sujeito acorda desesperado, aos berros: “Eu não sei nada! Eu não sei nada!”.
Na verdade, essa frase vira uma espécie de mantra que eu fico repetindo incontáveis vezes, desde a véspera, até o fim da dita prova.
Hoje, estou olhando as letrinhas, pedi folga pra mãe e pra filha, mas nada entra na cabeça. Excepcionalmente, eu penso: “Caralho. Quer merda. Que saco”.
Estou com um sono monstruoso, fruto de horas e mais horas de filmes, que são a mais nova obsessão do mês. Estou profundamente puta porque o meu dvd resolveu não funcionar num domingo, justo quando eu consegui pegar o filme mais disputado da locadora e nenhuma das lojas em volta da minha casa tem uma porra de um cd de limpeza para vender. Droga, droga, droga!
Então, de Sartre, não estou sabendo nada...
...Mas, no fim das contas, o Sean Penn acabou comendo a Madonna e virando um puta diretor de cinema, mesmo não sabendo nada naquela porra daquela prova.
Não que eu queira comer a Madonna (taí uma coisa que eu nunca quis – de verdade), nem virar uma puta diretora de cinema (também não quero virar uma puta nada – de verdade – ando super sem grandes ambições), mas pode ser que ainda exista futuro pra mim mesmo sem saber nada...
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Minha prova foi medíocre.
Daquelas que vou ter muita vergonha de ter feito - hoje, que tenho vergonha dessas coisas.
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Hoje, eu realmente só queria que parasse de chover.
Essa coisa de fazer um dia de sol e vinte e cinco de chuva já fodeu minha paciência faz muito tempo.
Assim como os pneumococos, que de tão desafiados pra briga, daqui a pouco vão acabar aceitando...
quinta-feira, outubro 2
O Vento
O vento venta como não ventava há muuuuuuuuito tempo.
Passando de ônibus pela Lagoa, ela mais parece um pedaço de mar; com um verde mais profundo e ondas quase furiosas, se a gente achar que ondas furiosas podem ter apenas poucos centímetros de altura.
Soube que várias árvores não resistiram e desabaram (o jornal me diz que até em cima de casas de outras pessoas - Meu Deus, será que os meus vasos, tão resistentes e cheios de vontade de viver, também foram arremessados sabe-se lá para onde?!?).
Onde antes haviam largas poças de água de chuva, agora existem poças entupidas de folhas que caíram de cima destas árvores.
Enquanto pego o meu caminho, o vento me pega também.
Bate nos meus cabelos, até então quase penteados e sustentando minha persona sã para o mundo, e os espalha.
Não os espalha simplesmente.
De repente, sinto-me como se estivesse vivendo um flashback de "Carrie, a estranha", no momento em que ela finalmente se rebela junto àqueles playboyzinhos do colégio e começa a explodir o baile todo (isso sim é ser Rainha do Baile, convenhamos) e os seus cabelos estão voando em volta da sua cabeça numa cena para comercial de shampoo nenhum botar defeito.
A diferença é que eu não estou em baile nenhum, não sou Rainha e meu poder psíquico é pífio e então eu não explodo pessoas.
Raramente a gente pára para pensar no real poder da natureza.
Eu mesma penso muito pouco e considero-me muito pouco ecológica ou qualquer outro eco que caiba aqui; apesar de super acreditar nos seres da natureza, mas isso eu atribuo à falta de miolos mesmo.
Não parece que estamos na Primavera.
Eu só penso que terei que segurar muito bem minha filha nos braços se não quiser que ela saia voando...
...Ao mesmo tempo, consigo me pegar pensando se teria eu o direito de impedir que ela voasse de verdade, numa grande aventura, no meio do vento...
...Divaguei...
Passando de ônibus pela Lagoa, ela mais parece um pedaço de mar; com um verde mais profundo e ondas quase furiosas, se a gente achar que ondas furiosas podem ter apenas poucos centímetros de altura.
Soube que várias árvores não resistiram e desabaram (o jornal me diz que até em cima de casas de outras pessoas - Meu Deus, será que os meus vasos, tão resistentes e cheios de vontade de viver, também foram arremessados sabe-se lá para onde?!?).
Onde antes haviam largas poças de água de chuva, agora existem poças entupidas de folhas que caíram de cima destas árvores.
Enquanto pego o meu caminho, o vento me pega também.
Bate nos meus cabelos, até então quase penteados e sustentando minha persona sã para o mundo, e os espalha.
Não os espalha simplesmente.
De repente, sinto-me como se estivesse vivendo um flashback de "Carrie, a estranha", no momento em que ela finalmente se rebela junto àqueles playboyzinhos do colégio e começa a explodir o baile todo (isso sim é ser Rainha do Baile, convenhamos) e os seus cabelos estão voando em volta da sua cabeça numa cena para comercial de shampoo nenhum botar defeito.
A diferença é que eu não estou em baile nenhum, não sou Rainha e meu poder psíquico é pífio e então eu não explodo pessoas.
Raramente a gente pára para pensar no real poder da natureza.
Eu mesma penso muito pouco e considero-me muito pouco ecológica ou qualquer outro eco que caiba aqui; apesar de super acreditar nos seres da natureza, mas isso eu atribuo à falta de miolos mesmo.
Não parece que estamos na Primavera.
Eu só penso que terei que segurar muito bem minha filha nos braços se não quiser que ela saia voando...
...Ao mesmo tempo, consigo me pegar pensando se teria eu o direito de impedir que ela voasse de verdade, numa grande aventura, no meio do vento...
...Divaguei...
quarta-feira, outubro 1
Ah! O Fim!
...O texto de ontem pode ser considerado uma epígrafe.
Quando eu cheguei em casa, Zôiuda estava no mesmo lugar, mas numa posição nada natural. Muito espertamente, fui verificar se ela ainda estava viva e, me esquecendo de que a super faxina quinzenal não havia tomado lugar durante o final de semana sendo trocada pelas minhas atribulações sociais, enchi os pulmões e soprei com toda a minha força em cima daquele corpinho feioso e magrelo; recebi uma densa nuvem de poeira no rosto, mas nada de madame se mover. Era fato. Tínhamos um óbito na casa.
Seu enterro não foi religioso, não foi pomposo, sequer foi digno - confesso que ela foi da pá para o saco de lixo sem nenhuma hesitaçaõ de minha parte, que estava mais compenetrada em não deixar o cadáver cair da pá, que era segura bem longe do meu corpo, do que em dar um enterro cristão à minha ex-hóspede.
Assim, agora eu também não tenho mais hóspedes ou bichinhos de novo.
Quando eu cheguei em casa, Zôiuda estava no mesmo lugar, mas numa posição nada natural. Muito espertamente, fui verificar se ela ainda estava viva e, me esquecendo de que a super faxina quinzenal não havia tomado lugar durante o final de semana sendo trocada pelas minhas atribulações sociais, enchi os pulmões e soprei com toda a minha força em cima daquele corpinho feioso e magrelo; recebi uma densa nuvem de poeira no rosto, mas nada de madame se mover. Era fato. Tínhamos um óbito na casa.
Seu enterro não foi religioso, não foi pomposo, sequer foi digno - confesso que ela foi da pá para o saco de lixo sem nenhuma hesitaçaõ de minha parte, que estava mais compenetrada em não deixar o cadáver cair da pá, que era segura bem longe do meu corpo, do que em dar um enterro cristão à minha ex-hóspede.
Assim, agora eu também não tenho mais hóspedes ou bichinhos de novo.
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