Viciei."Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma." George R.R. Martin
quinta-feira, maio 15
*MEDO* - Parte III
Dito tudo isto, só o que faltará à minha velhice feliz serão chinelos com pompons, um robe de seda e uma colcha de cetim com estampa de oncinha...
*MEDO* - Parte II
Aliás, eu andei prestando atenção em cabelos ultimamente também.
Aí, de repente, me encantei com os cabelões.
Não com cabelos, mas cabelões, daqueles de crente, que batem na bunda, que a pessoa não corta nem ou por causa de promessa. Aqueles cabelões criados, companheiros de anos, que não sabem o que diabos é uma tesourada ou uma escova inteligente-de-orquídea-chocolate-vinho-placenta, sabe?
Aí, no meio do meu encantamento, quando bateu a paixão, resolvi que não vou mais cortar os meus cabelos. Que eu quero um cabelo amigo. Que a bunda, vasta bunda, há de ter uma companhia. Que quando agarrarem meus cabelos, não vai ter pra Rapunzel.
...
Aí, de repente, me encantei com os cabelões.
Não com cabelos, mas cabelões, daqueles de crente, que batem na bunda, que a pessoa não corta nem ou por causa de promessa. Aqueles cabelões criados, companheiros de anos, que não sabem o que diabos é uma tesourada ou uma escova inteligente-de-orquídea-chocolate-vinho-placenta, sabe?
Aí, no meio do meu encantamento, quando bateu a paixão, resolvi que não vou mais cortar os meus cabelos. Que eu quero um cabelo amigo. Que a bunda, vasta bunda, há de ter uma companhia. Que quando agarrarem meus cabelos, não vai ter pra Rapunzel.
...
*MEDO*
...Então eu estou aqui, procurando livros, pensando em livros, tendo idéias e cometendo o pecado da cobiça navegando numa lista enoooooooooorme de lançamentos literários quando vejo um, vejo dois, vejo três, vejo DEZ livros da mesma "série" (se não, do mesmo autor).
O lance com esses livros são as capas coloridas onde você vê um amontoado de nuvens, uma coisa meio "Deus vai falar" e os títulos que vão desde "A Alegria da Obediência Fiel", passando por "A Alegria de uma Vida Cheia do Espírito Santo", até "A Alegria do Perdão Completo". Todos na base dos 20 Reais e da Alegria - com maiúsculo! Realmente, eu imagino que para lançar 10 livros com essa temática, eles devem vender bem e o autor deve estar felicíssimo - com ou sem perdão, certo?
É que ontem eu estava andando de ônibus e vi um cartaz de um livro chamado "A Chave Mestra". Não era do filme, era auto-ajuda. O cartaz prometia que assim que a pessoa abrisse o livro, novas portas também se abririam. Há pouco tempo, o grande must da parada era o tal d"O Segredo", que geral lia e jurava que funcionava, mudava a vida e tal.
Eu nunca li nada disso.
Sou péssima de auto-ajuda, seja ela lida ou feita por mim mesma. Pró-boicote total.
Na época em que isso começou a aparecer por aqui (por "isso" subentendam essa mania de auto-ajuda), eu era muito nova, não entendia nada dessas coisas complicadas e filosóficas da vida e meus maiores interesses eram rapazinhos bombando de hormônios e um bom e velho rock'n'roll. Mas eis-me aqui, aos 30, uma balzaca, cheia de cabelos brancos e responsabilidades, sendo bombardeada diariamente pelas "7 Orações que vão mudar a sua vida" e pensando: "Cara, será que essa porra dá certo mesmo?".
Porque tudo que as pessoas dizem que ajuda e não me atrapalha a vida, tipo saco de São Cosme e Damião, vasinho de arruda, borrifo de álcool canforado pela casa, espelhinho na varanda, comer 12 uvas no reveillon e guardar a rolha da champanhe, tomar banho de sal grosso, comer nhoque dia 29, carregar alho na bolsa, essas, eu faço; mas auto-ajuda eu nunca tentei...
Será que funciona?
Será que essa vai ser a minha nova loucura...?
O lance com esses livros são as capas coloridas onde você vê um amontoado de nuvens, uma coisa meio "Deus vai falar" e os títulos que vão desde "A Alegria da Obediência Fiel", passando por "A Alegria de uma Vida Cheia do Espírito Santo", até "A Alegria do Perdão Completo". Todos na base dos 20 Reais e da Alegria - com maiúsculo! Realmente, eu imagino que para lançar 10 livros com essa temática, eles devem vender bem e o autor deve estar felicíssimo - com ou sem perdão, certo?
É que ontem eu estava andando de ônibus e vi um cartaz de um livro chamado "A Chave Mestra". Não era do filme, era auto-ajuda. O cartaz prometia que assim que a pessoa abrisse o livro, novas portas também se abririam. Há pouco tempo, o grande must da parada era o tal d"O Segredo", que geral lia e jurava que funcionava, mudava a vida e tal.
Eu nunca li nada disso.
Sou péssima de auto-ajuda, seja ela lida ou feita por mim mesma. Pró-boicote total.
Na época em que isso começou a aparecer por aqui (por "isso" subentendam essa mania de auto-ajuda), eu era muito nova, não entendia nada dessas coisas complicadas e filosóficas da vida e meus maiores interesses eram rapazinhos bombando de hormônios e um bom e velho rock'n'roll. Mas eis-me aqui, aos 30, uma balzaca, cheia de cabelos brancos e responsabilidades, sendo bombardeada diariamente pelas "7 Orações que vão mudar a sua vida" e pensando: "Cara, será que essa porra dá certo mesmo?".
Porque tudo que as pessoas dizem que ajuda e não me atrapalha a vida, tipo saco de São Cosme e Damião, vasinho de arruda, borrifo de álcool canforado pela casa, espelhinho na varanda, comer 12 uvas no reveillon e guardar a rolha da champanhe, tomar banho de sal grosso, comer nhoque dia 29, carregar alho na bolsa, essas, eu faço; mas auto-ajuda eu nunca tentei...
Será que funciona?
Será que essa vai ser a minha nova loucura...?
Pequeno parênteses
(Vale dizer que naquela época eu ainda não tinha o cagaço que eu tenho de transportes públicos. Vale dizer que naquela época eu não tinha o horror que eu tenho hoje de gente que tem pressa. Naquela época, talvez eu também tivesse pressa, mas fiquei velha e cheguei à conclusão de que gente com presssa só faz merda e morre cedo; não vale a pena. Fecha parênteses.)
Gastando as sete vidas
No meio das minhas reclamações, ponderações e decisões que eu não levo a cabo, ontem entrei de novo num 434.
Toda vez que eu entro no ônibus com a Olívia, passo ela primeiro pela roleta, sento ela e então vou pagar a passagem. Pela primeira vez a menina voou do banco e deu uma pirueta.
Já nesse início eu soube que a viagem ia ser barra pesada, mas, como eu sou um poço de teimosia, continuei dentro do veículo.
E o motorista continuou correndo absolutamente insandecido.
A uma senhora que teve peito de reclamar, exclamou:
- Quê que é, hein?!
Quando chegamos na Pompeu Loureiro eu já estava nauseada, mas me convenci de que era pouco chão, que era uma besteira saltar do ônibus e que ônibus não viram e batem com a facilidade com que o meu medo me ataca.
Na curva da Lagoa - aquela curva que me dá enjôo todo santo dia há anos, onde eu sempre acho que o ônibus vai virar - o homem ao invés de ir mais devagar, acelerou como se estivesse numa corrida de Fórmula 1. Desculpa, eu não sei dirigir (opção própria por ter medo de porrar o carro por aí e, de repente, quem sabe, atropelar a sua mãe, coitada), mas não é para a pessoa diminuir quando tem uma curva pe-ri-go-sa?
E, de fato, o ônibus quase virou. Bambeou seriamente pro lado e não foi minha imaginação. E o sujeito a-ce-le-ran-do.
Eu, que durante a semana, todas as semanas, só penso cá comigo dentro da minha cabeça "mas precisa correr assim?", "tem necessidade de correr assim?", "que pressa é essa, meu amigo?"; não me agüentei dentro de mim e soltei aquele berro:
- Vai devagar, moço! Tá correndo demais!
Não gosto quando eu grito desse jeito porque a Olívia fica com medo e eu não sou muito fã de disseminar o medo na criança, mas gritei.
O sujeito riu e... acelerou!!!
Depois de me deixar no ponto, dando uma parada daquelas em que o passageiro é praticamente cuspido de dentro do veículo com ele ainda em movimento, ainda furou o sinal vermelho sem a menor preocupação com as pessoas que atravessavam.
De pernas bambas e quase fazendo xixi nas calças, prometi a mim mesma que nunca mais pego um 434 enquanto houver algum resquício de sanidade na minha mente.
*****************************
Só tinha visto um motorista tão possuído assim uma vez que fui à Niterói (sim, até eu já fui à Niterói) e estava lá suando dentro 996, que chacoalhava freneticamente, quando um velhinho vinha atravessar a rua e o motorista soltou uma gargalhada digna de vilão de filme (MUAHAHAHA) e acelerou pra ver se o velhinho escapava.
Escapou.
Que nem eu.
Amém!
Toda vez que eu entro no ônibus com a Olívia, passo ela primeiro pela roleta, sento ela e então vou pagar a passagem. Pela primeira vez a menina voou do banco e deu uma pirueta.
Já nesse início eu soube que a viagem ia ser barra pesada, mas, como eu sou um poço de teimosia, continuei dentro do veículo.
E o motorista continuou correndo absolutamente insandecido.
A uma senhora que teve peito de reclamar, exclamou:
- Quê que é, hein?!
Quando chegamos na Pompeu Loureiro eu já estava nauseada, mas me convenci de que era pouco chão, que era uma besteira saltar do ônibus e que ônibus não viram e batem com a facilidade com que o meu medo me ataca.
Na curva da Lagoa - aquela curva que me dá enjôo todo santo dia há anos, onde eu sempre acho que o ônibus vai virar - o homem ao invés de ir mais devagar, acelerou como se estivesse numa corrida de Fórmula 1. Desculpa, eu não sei dirigir (opção própria por ter medo de porrar o carro por aí e, de repente, quem sabe, atropelar a sua mãe, coitada), mas não é para a pessoa diminuir quando tem uma curva pe-ri-go-sa?
E, de fato, o ônibus quase virou. Bambeou seriamente pro lado e não foi minha imaginação. E o sujeito a-ce-le-ran-do.
Eu, que durante a semana, todas as semanas, só penso cá comigo dentro da minha cabeça "mas precisa correr assim?", "tem necessidade de correr assim?", "que pressa é essa, meu amigo?"; não me agüentei dentro de mim e soltei aquele berro:
- Vai devagar, moço! Tá correndo demais!
Não gosto quando eu grito desse jeito porque a Olívia fica com medo e eu não sou muito fã de disseminar o medo na criança, mas gritei.
O sujeito riu e... acelerou!!!
Depois de me deixar no ponto, dando uma parada daquelas em que o passageiro é praticamente cuspido de dentro do veículo com ele ainda em movimento, ainda furou o sinal vermelho sem a menor preocupação com as pessoas que atravessavam.
De pernas bambas e quase fazendo xixi nas calças, prometi a mim mesma que nunca mais pego um 434 enquanto houver algum resquício de sanidade na minha mente.
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Só tinha visto um motorista tão possuído assim uma vez que fui à Niterói (sim, até eu já fui à Niterói) e estava lá suando dentro 996, que chacoalhava freneticamente, quando um velhinho vinha atravessar a rua e o motorista soltou uma gargalhada digna de vilão de filme (MUAHAHAHA) e acelerou pra ver se o velhinho escapava.
Escapou.
Que nem eu.
Amém!
segunda-feira, maio 12
Mil coisas
Todas as vezes que eu desco de um 434 é como se Deus me abençoasse e dissesse que eu mereço estar viva. Praticamente um renascimento.
Eu poderia facilmente resolver isso esse ritual esquifênix meu se:
a) o metrô finalmente chegasse a Ipanema;
b) eu fosse rica o suficiente para poder pagar taxi todos os dias da semana (ultimamente é coisa de uma vês por mês e em casos de extrema emergência);
carro eu descarto porque se eu dirigisse, provavelmente bateria ou atropelaria alguém, fora que eu acho que mocinhas sozinhas dentro de carrinhos são alvos quase tão apetitosos para os marginal da vida quanto mocinhas sozinhas na rua de madrugada a pé.
Como se pode ver é um caso sem solução.
Meu medo é que o coração pife numa descarga de adrenalina dessas antes que o metrô chegue ou eu ganhe a mega sena.
*****************************************************
Peguei uma gripe matadora.
Passei a minha sexta-feira de faxina completamente inútil, me arrastando entre o sofá e a cama, gemendo, sem ar. Nem o banheiro eu consegui limpar!
O bom é que o namorado foi cuidar de mim com sopinha em punho.
O ruim foi que não só eu passei pra ele, como ainda continuo com ela.
Gripe é uma parada escrota. Porque não só não é nada, como te derruba e os remédios pra ela são caríssimos; e as pessoas que não podem ficar gripadas por uma, duas semanas, caem em desespero e acabam tendo que comprar um pequeno arsenal de vitaminas, anti isso e aquilo e ficam boas, mas falidas (meu caso).
Descobri que vários amigos estão com ela, por sinal.
Será que ela já tem nome...?
***********************************************
Pela primeira vez desde o colegial vou tirar notas medonhas, discuti com um professor, estou com espinhas no focinho e tudo que eu consigo pensar perante essa desgraça toda é que eu queria era estar dormindo.
Eu poderia facilmente resolver isso esse ritual esquifênix meu se:
a) o metrô finalmente chegasse a Ipanema;
b) eu fosse rica o suficiente para poder pagar taxi todos os dias da semana (ultimamente é coisa de uma vês por mês e em casos de extrema emergência);
carro eu descarto porque se eu dirigisse, provavelmente bateria ou atropelaria alguém, fora que eu acho que mocinhas sozinhas dentro de carrinhos são alvos quase tão apetitosos para os marginal da vida quanto mocinhas sozinhas na rua de madrugada a pé.
Como se pode ver é um caso sem solução.
Meu medo é que o coração pife numa descarga de adrenalina dessas antes que o metrô chegue ou eu ganhe a mega sena.
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Peguei uma gripe matadora.
Passei a minha sexta-feira de faxina completamente inútil, me arrastando entre o sofá e a cama, gemendo, sem ar. Nem o banheiro eu consegui limpar!
O bom é que o namorado foi cuidar de mim com sopinha em punho.
O ruim foi que não só eu passei pra ele, como ainda continuo com ela.
Gripe é uma parada escrota. Porque não só não é nada, como te derruba e os remédios pra ela são caríssimos; e as pessoas que não podem ficar gripadas por uma, duas semanas, caem em desespero e acabam tendo que comprar um pequeno arsenal de vitaminas, anti isso e aquilo e ficam boas, mas falidas (meu caso).
Descobri que vários amigos estão com ela, por sinal.
Será que ela já tem nome...?
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Pela primeira vez desde o colegial vou tirar notas medonhas, discuti com um professor, estou com espinhas no focinho e tudo que eu consigo pensar perante essa desgraça toda é que eu queria era estar dormindo.
quarta-feira, maio 7
A GB
A Grande Bosta de não escrever com regularidade é deixar de registrar formalmente coisas espetaculares que te acontecem. No meu caso, que tenho uma filha em fase de crescimento e desenvolvimento de uma super personalidade, é deixar de registrar coisas espetaculares que me acontecem por causa dela.
Por exemplo, semana passada uma chuva torrencial alagou e atrapalhou o Rio de Janeiro - conseqüentemente, a minha vida. Num desses dias de água, passei o dia in-tei-ro na rua resolvendo várias coisas, e, como eu não acredito em guardas-chuvas, conseqüentemente, passei o dia encharcada.
Às sete da noite, quando costumo chegar em casa, meus pés faziam poçinha dentro dos tênis e já doíam, eu sentia um frio desagradável, estava suja, cansada, molhada e tudo o que eu queria na minha vida era chá, sopa e pijama (coisa de velho, eu sei e assumo). Então fui trocar de roupa. Era dia de semana e em dia de semana não tem namorado em casa, então meu alvo foi logo sacar uma calcinha de "dia sem namorado em casa", bem grande e confortável. Nisso, eis que chega meu pequeno furacão, me olha, passa a mão na minha barriga e solta:
"- Foi a sua avó que te emprestou?"
E eu, chocada:
"- Não, Olívia, é minha. Por que, é feia?"
"- Não, é bonita. Mas não foi a sua avó que te emprestou?"
3 anos e já me dá esse tipo de fora fenomenal...
E tem mais, muito mais... Todos os dias...
Pena que eu não esteja escrevendo regularmente...
Por exemplo, semana passada uma chuva torrencial alagou e atrapalhou o Rio de Janeiro - conseqüentemente, a minha vida. Num desses dias de água, passei o dia in-tei-ro na rua resolvendo várias coisas, e, como eu não acredito em guardas-chuvas, conseqüentemente, passei o dia encharcada.
Às sete da noite, quando costumo chegar em casa, meus pés faziam poçinha dentro dos tênis e já doíam, eu sentia um frio desagradável, estava suja, cansada, molhada e tudo o que eu queria na minha vida era chá, sopa e pijama (coisa de velho, eu sei e assumo). Então fui trocar de roupa. Era dia de semana e em dia de semana não tem namorado em casa, então meu alvo foi logo sacar uma calcinha de "dia sem namorado em casa", bem grande e confortável. Nisso, eis que chega meu pequeno furacão, me olha, passa a mão na minha barriga e solta:
"- Foi a sua avó que te emprestou?"
E eu, chocada:
"- Não, Olívia, é minha. Por que, é feia?"
"- Não, é bonita. Mas não foi a sua avó que te emprestou?"
3 anos e já me dá esse tipo de fora fenomenal...
E tem mais, muito mais... Todos os dias...
Pena que eu não esteja escrevendo regularmente...
segunda-feira, abril 28
Mudança
Tá. Mudança.
Toda mudança exige adaptação.
Por mais que eu já tome banho no banheiro achando que o banheiro já é meu há muito mais tempo do realmente é, por mais que eu já dê uma circuladinha ou outra despreocupada sem roupa pela casa, por mais que a minha cozinha seja meu santuário...Por mais que tudo isso, não posso dizer que já esteja 100% adaptada.
De vez em quando, coisas me fazem falta.
Não só as materiais. Acho que precisar me privar de certas coisas pode vir a ser muito pra mim.
Mas de pessoas.
Por um lado, eu me sinto tão feliz e tão bem na minha casa que eu simplesmente não tenho vontade de sair de lá. Mas, por outro, houve um tempo em que querendo ou não eu saía de casa para ver outras pessoas. Eu ainda não estou certa de se isso é velhice, se é normal, se faz parte do “ficar madura e responsável”.
De qualquer forma, tive um ataque esse final de semana.
(Final de semana sozinha, playground do diabo!)
Me deu uma saudade, mas uma saudade imensa de vários amigos, muito amigos, pouco amigos, só amigos que eu tenho nessa vida. Sexta à noite eu olhava pro celular e queria ligar pra todos, abraçar todos, saber de todos. Ontem ouvi várias músicas que me lembravam dessas pessoas e dos tempos em que a gente andava junto e era muito feliz mesmo quando estava triste.
Eu continuo feliz mesmo quando estou triste. Aprendi que tudo tem jeito nessa vida e que a gente tem super que acreditar naquele clichêzinho básico do “tudo vai dar certo”.
A pior mudança de se adaptar, não é a de espaço, a dos móveis, a de bairro, de responsabilidades; é a do tempo.
Eu sinto muito.
Sinto muito, mas hoje eu já não saio mais para as boates da moda porque, a meu ver, não existe nada que eu possa querer conversar gratuitamente com uma pessoa anos luz mais nova que eu e que não combine em nada comigo. Eu vou às boates hoje e me sinto a “tiazinha” do rock. Passou, sacumé?
Sinto muito, mas eu não tenho mais pique para ficar dançando ou zanzando por lugar nenhum até amanhecer, estou ficando bêbada com a terceira cerveja e voltando automaticamente pra casa depois da sexta porque passei a ter horror de ficar de ressaca (depois de uma certa idade, você esquece as coisas e a sua cabeça dói como se tivessem deixado aquela bigorna de desenho animado cair bem em cima do seu crânio).
Sinto muito, mas eu aprendi que amigo de bar é ótimo no bar, mas não presta para absolutamente nada fora do bar, que teve um tempo que eu deixei meus amigos de verdade de lado por eles e que nunca deveria ter feito isso.
Sinto muito, mas eu tenho contas a pagar e uma criança para criar, então não posso gastar rios de dinheiro em birita, nem fazer mais strip teases na rua ou pegar conduções sinistras para lugares longínquos e sinistros de bobeira.
Sinto muito, mas, na verdade, quando chega a noite eu quero silêncio. Ouço rádio baixinho, tv baixinho, essa coisa de som alto no cérebro é para pessoas jovens, as velhas ficam nervosas, não se amarram muito. Eu achava que era um mito, mas é real.
Sinto muito, mas multidão suada se espremendo, me espremendo, alegre e feliz no meio de uma densa cortina de fumaça não exerce mais o menor apelo junto a minha pessoa. Eu, que fumo, fico desesperada hoje em dia para jogar as minhas roupas fora depois que freqüento esses lugares.
Sinto muito, mas eu sou deveras educada para viver em sociedade.
Nunca achei que eu fosse ficar assim. Pelo menos não tão cedo. Nos últimos 3 anos, eu mudei de tal forma, que quem via por aí e conversava comigo na rua, hoje não pode mais dizer que conhece. Talvez tivesse que ser mais tarde, mas quer saber...? Eu não ligo.
Ligo pra muito pouca coisa hoje em dia.
Feliz ainda que triste.
Tudo vai dar certo.
Só tenho que correr atrás dos abraços que eu estou devendo por aí...
Toda mudança exige adaptação.
Por mais que eu já tome banho no banheiro achando que o banheiro já é meu há muito mais tempo do realmente é, por mais que eu já dê uma circuladinha ou outra despreocupada sem roupa pela casa, por mais que a minha cozinha seja meu santuário...Por mais que tudo isso, não posso dizer que já esteja 100% adaptada.
De vez em quando, coisas me fazem falta.
Não só as materiais. Acho que precisar me privar de certas coisas pode vir a ser muito pra mim.
Mas de pessoas.
Por um lado, eu me sinto tão feliz e tão bem na minha casa que eu simplesmente não tenho vontade de sair de lá. Mas, por outro, houve um tempo em que querendo ou não eu saía de casa para ver outras pessoas. Eu ainda não estou certa de se isso é velhice, se é normal, se faz parte do “ficar madura e responsável”.
De qualquer forma, tive um ataque esse final de semana.
(Final de semana sozinha, playground do diabo!)
Me deu uma saudade, mas uma saudade imensa de vários amigos, muito amigos, pouco amigos, só amigos que eu tenho nessa vida. Sexta à noite eu olhava pro celular e queria ligar pra todos, abraçar todos, saber de todos. Ontem ouvi várias músicas que me lembravam dessas pessoas e dos tempos em que a gente andava junto e era muito feliz mesmo quando estava triste.
Eu continuo feliz mesmo quando estou triste. Aprendi que tudo tem jeito nessa vida e que a gente tem super que acreditar naquele clichêzinho básico do “tudo vai dar certo”.
A pior mudança de se adaptar, não é a de espaço, a dos móveis, a de bairro, de responsabilidades; é a do tempo.
Eu sinto muito.
Sinto muito, mas hoje eu já não saio mais para as boates da moda porque, a meu ver, não existe nada que eu possa querer conversar gratuitamente com uma pessoa anos luz mais nova que eu e que não combine em nada comigo. Eu vou às boates hoje e me sinto a “tiazinha” do rock. Passou, sacumé?
Sinto muito, mas eu não tenho mais pique para ficar dançando ou zanzando por lugar nenhum até amanhecer, estou ficando bêbada com a terceira cerveja e voltando automaticamente pra casa depois da sexta porque passei a ter horror de ficar de ressaca (depois de uma certa idade, você esquece as coisas e a sua cabeça dói como se tivessem deixado aquela bigorna de desenho animado cair bem em cima do seu crânio).
Sinto muito, mas eu aprendi que amigo de bar é ótimo no bar, mas não presta para absolutamente nada fora do bar, que teve um tempo que eu deixei meus amigos de verdade de lado por eles e que nunca deveria ter feito isso.
Sinto muito, mas eu tenho contas a pagar e uma criança para criar, então não posso gastar rios de dinheiro em birita, nem fazer mais strip teases na rua ou pegar conduções sinistras para lugares longínquos e sinistros de bobeira.
Sinto muito, mas, na verdade, quando chega a noite eu quero silêncio. Ouço rádio baixinho, tv baixinho, essa coisa de som alto no cérebro é para pessoas jovens, as velhas ficam nervosas, não se amarram muito. Eu achava que era um mito, mas é real.
Sinto muito, mas multidão suada se espremendo, me espremendo, alegre e feliz no meio de uma densa cortina de fumaça não exerce mais o menor apelo junto a minha pessoa. Eu, que fumo, fico desesperada hoje em dia para jogar as minhas roupas fora depois que freqüento esses lugares.
Sinto muito, mas eu sou deveras educada para viver em sociedade.
Nunca achei que eu fosse ficar assim. Pelo menos não tão cedo. Nos últimos 3 anos, eu mudei de tal forma, que quem via por aí e conversava comigo na rua, hoje não pode mais dizer que conhece. Talvez tivesse que ser mais tarde, mas quer saber...? Eu não ligo.
Ligo pra muito pouca coisa hoje em dia.
Feliz ainda que triste.
Tudo vai dar certo.
Só tenho que correr atrás dos abraços que eu estou devendo por aí...
quinta-feira, abril 24
terça-feira, abril 1
Segredos de Casa Nova
A rotina de uma casa é cheia de segredos e surpresas.
Assim como a maternidade, essa rotina carrega diversos mitos e verdades que ninguém nunca te contou.
Meu problema aquático, por exemplo, descobri que tem nome: câncer de água!
Segundo a minha mãe, esse é o nome dado quando seus canos começam a jorrar enlouquecidos e pedir para que você gaste rios de dinheiro e paciência na contratação de um pedreiro.
E, sim, surgiu mais um problema aquático depois do post. Eu só resolvi ignorá-lo solenemente.
Há uns anos atrás, em quando descrevendo um problema doméstico/emocional que teve, meu pai (que, por sinal, aniversaria hoje e vocês não têm nada a ver nem se importam nem um pouco com isso) me descreveu com um olhar de gozo e aconselhou: “Quando você derrubar uma geladeira, minha filha, lembra de abrir a porta antes. Aquele bando de pote, fruta, comida, água, caindo antes dela no chão e se espatifando é uma maravilha! Lembra de abrir a porta!”.
Então, sábado passado eu lembrei demais disso. Lembrei porque eu descobri uma maravilha de casa! Ao contrário do meu fabuloso pai, a filha saiu à limpeza. A filha sabe há muito tempo que o pior sintoma de paixão nela é quando ela se sente compelida a lavar cuecas e limpar cozinhas – quando a vontade de limpar a cozinha do cara se torna insuportável, é uma pusta paixão. (Vale ressaltar aqui, que eu já matei essa compulsão com o meu namorado, na maior felicidade.) E, a filha, descobriu que, na casa dela, poucas coisas a satisfazem mais do que limpar o banheiro.
E sábado, eu não só limpei, como lavei o banheiro.
Lavei igual gente lava carro – de balde e esponja na mão.
E, toda vez que eu chegava na porta do banheiro, e jogava aquele balde cheio d’água para dentro do banheiro e fazia aquele “chuááááá” cheio de sabão pelo chão, eu lembrava do papai e pensava “Ah, se papai soubesse o tesão que dá limpar isso!!!”.
Isso é um dos segredos da casa.
Ninguém te conta que lavar banheiro dá um tesão incrível! Que cura briga com namorado, tira a cabeça daquela conta de dez milhões de reais que você tem que pagar, da raiva que você fica quando discute com quem não deve, de que existe um bando de gente estúpida no mundo, que a sua filha está pedindo uma boneca caríssima e você não dinheiro pra dar... Essas coisas.
Ninguém diz também que passar roupa é uma das tarefas mais bisonhas de se ter uma casa. Todo mundo ama dizer “minha casa isso, minha casa aquilo”, “eu faço isso, cuido daquilo”, mas A Hora da Tábua ninguém comenta!
É até bastante lógico que, numa casa onde se lava uma tonelada de roupas por mês, também é preciso que se passe essa tonelada de roupas por mês. Para homens solteiros essa observação é absolutamente nula, visto que, tirando um ou dois, todos os outros homens solteiros não passam uma peça sequer de roupa, a não ser que queiram comer alguém específico em alguma ocasião específica, o que também quer dizer que, se você já for namorada dele por mais de três meses, esse fenômeno só vai acontecer se for seu aniversário – e ainda assim se tiver festa, se for jantar em casa, pode desistir.
Mas, enfim, A Hora em que a cidadã aqui se dirige à sala com aquela saca enooooorme, e a tábua e o ferro, é uma Hora triste. E longa.
Algumas coisas servem de consolo, como executar essa punição enquanto rola o “Fantástico” ou o jornal (qualquer um deles), mas mesmo assim, depois de um tempo a coluna começa a reclamar e lembrar que você não tem mais 15 anos para abusar dela assim e que a sua postura é péssima e você deveria tomar vergonha e usar um colete ortopédico, o ar começa a ficar quente e você começa a suar- coisa que você detesta, sua filha começa a passar perto do ferro com uma insistência em ter um acidente quase cruel – fora as vezes em que ela pede para ir ao banheiro fazendo você parar. Depois de um tempo extremamente longo, onde a sacola parece a bolsa do Gato Félix que cabe coisa até não acabar mais, você consegue terminar.
Mas, essa tarefa, eu consigo entender perfeitamente porque ninguém comenta, é ruim, é chata, é feia, é um inferno.
...E o horror de limpar um fogão para fazer comida e sujar de novo em meia hora? Tem dia que eu sugiro comer na rua, ou biscoito, ou qualquer outra coisa só para me privar da decepção que é você ver aquela coisa limpinha prateadinha virar um mar de respingos oleosos.
E, a maioria, não te conta essas coisas todas porque não faz essas coisas todas. A maioria tem faxineira.
Particularmente, pode ser chato, massacrante, pouco glamouroso, mas são esses segredos e perrengues que fazem uma casa, em especial uma casa nova, valer a pena.
Assim como a maternidade, essa rotina carrega diversos mitos e verdades que ninguém nunca te contou.
Meu problema aquático, por exemplo, descobri que tem nome: câncer de água!
Segundo a minha mãe, esse é o nome dado quando seus canos começam a jorrar enlouquecidos e pedir para que você gaste rios de dinheiro e paciência na contratação de um pedreiro.
E, sim, surgiu mais um problema aquático depois do post. Eu só resolvi ignorá-lo solenemente.
Há uns anos atrás, em quando descrevendo um problema doméstico/emocional que teve, meu pai (que, por sinal, aniversaria hoje e vocês não têm nada a ver nem se importam nem um pouco com isso) me descreveu com um olhar de gozo e aconselhou: “Quando você derrubar uma geladeira, minha filha, lembra de abrir a porta antes. Aquele bando de pote, fruta, comida, água, caindo antes dela no chão e se espatifando é uma maravilha! Lembra de abrir a porta!”.
Então, sábado passado eu lembrei demais disso. Lembrei porque eu descobri uma maravilha de casa! Ao contrário do meu fabuloso pai, a filha saiu à limpeza. A filha sabe há muito tempo que o pior sintoma de paixão nela é quando ela se sente compelida a lavar cuecas e limpar cozinhas – quando a vontade de limpar a cozinha do cara se torna insuportável, é uma pusta paixão. (Vale ressaltar aqui, que eu já matei essa compulsão com o meu namorado, na maior felicidade.) E, a filha, descobriu que, na casa dela, poucas coisas a satisfazem mais do que limpar o banheiro.
E sábado, eu não só limpei, como lavei o banheiro.
Lavei igual gente lava carro – de balde e esponja na mão.
E, toda vez que eu chegava na porta do banheiro, e jogava aquele balde cheio d’água para dentro do banheiro e fazia aquele “chuááááá” cheio de sabão pelo chão, eu lembrava do papai e pensava “Ah, se papai soubesse o tesão que dá limpar isso!!!”.
Isso é um dos segredos da casa.
Ninguém te conta que lavar banheiro dá um tesão incrível! Que cura briga com namorado, tira a cabeça daquela conta de dez milhões de reais que você tem que pagar, da raiva que você fica quando discute com quem não deve, de que existe um bando de gente estúpida no mundo, que a sua filha está pedindo uma boneca caríssima e você não dinheiro pra dar... Essas coisas.
Ninguém diz também que passar roupa é uma das tarefas mais bisonhas de se ter uma casa. Todo mundo ama dizer “minha casa isso, minha casa aquilo”, “eu faço isso, cuido daquilo”, mas A Hora da Tábua ninguém comenta!
É até bastante lógico que, numa casa onde se lava uma tonelada de roupas por mês, também é preciso que se passe essa tonelada de roupas por mês. Para homens solteiros essa observação é absolutamente nula, visto que, tirando um ou dois, todos os outros homens solteiros não passam uma peça sequer de roupa, a não ser que queiram comer alguém específico em alguma ocasião específica, o que também quer dizer que, se você já for namorada dele por mais de três meses, esse fenômeno só vai acontecer se for seu aniversário – e ainda assim se tiver festa, se for jantar em casa, pode desistir.
Mas, enfim, A Hora em que a cidadã aqui se dirige à sala com aquela saca enooooorme, e a tábua e o ferro, é uma Hora triste. E longa.
Algumas coisas servem de consolo, como executar essa punição enquanto rola o “Fantástico” ou o jornal (qualquer um deles), mas mesmo assim, depois de um tempo a coluna começa a reclamar e lembrar que você não tem mais 15 anos para abusar dela assim e que a sua postura é péssima e você deveria tomar vergonha e usar um colete ortopédico, o ar começa a ficar quente e você começa a suar- coisa que você detesta, sua filha começa a passar perto do ferro com uma insistência em ter um acidente quase cruel – fora as vezes em que ela pede para ir ao banheiro fazendo você parar. Depois de um tempo extremamente longo, onde a sacola parece a bolsa do Gato Félix que cabe coisa até não acabar mais, você consegue terminar.
Mas, essa tarefa, eu consigo entender perfeitamente porque ninguém comenta, é ruim, é chata, é feia, é um inferno.
...E o horror de limpar um fogão para fazer comida e sujar de novo em meia hora? Tem dia que eu sugiro comer na rua, ou biscoito, ou qualquer outra coisa só para me privar da decepção que é você ver aquela coisa limpinha prateadinha virar um mar de respingos oleosos.
E, a maioria, não te conta essas coisas todas porque não faz essas coisas todas. A maioria tem faxineira.
Particularmente, pode ser chato, massacrante, pouco glamouroso, mas são esses segredos e perrengues que fazem uma casa, em especial uma casa nova, valer a pena.
segunda-feira, março 31
quinta-feira, março 20
Altos!
...Mas isso tudo quer dizer, então, que eu vou pôr correndo TV a cabo ou internet no meu novo lar? Não.
Neste primeiro mês, tive acidentes domésticos traumatizantes a cada semana.
Logo no primeiro final de semana, domingo de chuva, dia de Oscar, estávamos nós dentro de casa quando eu levei minha filha ao banheiro, apertei a descarga e ela saltou em cima de mim! (A descarga, não a filha.).
De repente a água corria ininterruptamente e o botão não encaixava de volta. O registro de água do meu banheiro, assim como a casa toda, é muito velho e só fecha na base da chave inglesa, artefato que não existe na minha casa. Amos e convenhamos que chave de fenda eu até tenho, mas chave inglesa é super pedir demais que exista na casa de uma mulher solteira, certo?
Eu gritava de um lado, o namorado de outro, a criança ficava andando no meio que nem barata tonta e a água rolando... Como ainda era o meu primeiro final de semana no latifúndio, ainda não tinha aquela bossa de ter algum dinheiro escondido em casa - coisa que, agora eu sei ser essencial, mas ainda não cumpri – então não podia nem chamar um serviço urgente 24 horas de socorro.
Depois de muita luta, o homem da casa conseguiu descobrir uma trava lá qualquer que parou o fluxo de água furioso e no dia seguinte fez a gentileza de levar o bombeiro lá para consertar o estrago.
Eu perdi qualquer fio de humor que tinha e a transmissão do Oscar de tabela.
Na semana seguinte, eu fui estrear minha nova velha máquina de lavar e, logo depois da primeira lavagem (por dia de lavanderia são 3 lavagens), comecei a notar uma poça de água que aumentava e tomava a minha cozinha lentamente.
Minha primeira reação foi “fudeu, o casco da máquina abriu!”. Ela é velhinha, era da vovó, tinha soltado uma ferrugenzinha amiga... Mas a água que estava lá dentro não descia e a poça aumentava. Eu botava folhas e folhas de jornal, todos os meus poucos panos de chão e a água corria...
E nisso deu a hora de levar minha filha pro colégio. Forrei a cozinha toda e fui – à beira das lágrimas. Rezando pra que conseguisse encontrar a casa não inteiramente encharcada. Na volta, a água estava na porta da cozinha, mas não chegou a molhar meu precioso sinteco novo. E eu subi no tanque, e eu fechei registro, e eu secava, e nada da água parar de escorrer. Mais uma vez, apelei para o meu lado mulherzinha dependente e liguei pro namorado, que, dessa vez, não pode me socorrer. Então lembrei do meu querido faz-tudo. Pedi peloamordedeus e em 15 minutos ele me dizia todo feliz que meu problema era uma mangueira furada. De 9 da manhã às 4 da tarde, eu tentei ser uma mulher auto suficiente e resolvedora de problemas. Fui vencida por uma mangueira; que denunciou minha total inaptidão para esses assuntos e foi devidamente trocada enquanto o Seu José tomava um café com a outra mão.
(Na mesma semana aconteceu uma obra debaixo, no sentido literal, da minha janela envolvendo o meu cano, mas, como me foi dito que o problema era do prédio e a obra seria custeada pelo prédio, eu agüentei a batucada intermitente dos martelos pelos 3 dias que se seguiram numa boa e fingi que o problema não foi meu de fato.)
Então, na semana seguinte, estava eu de novo no banheiro com a minha adorada, venerada, salve, salve filha quando, novamente, fui dar a descarga e... ÁGUA!!!
Jorrava! Dessa vez jorrava, em grandes quantidades, tal qual uma cachoeira selvagem aquela água infecta de trás da minha privada! Foi um susto tremendo, eu gritava, Olívia corria, eu sacava um pano e... parou. Foi só o tempo da descarga mesmo.
Fui ver o que tinha acontecido, e uma peça que eu nem sabia que existia, que eu nunca tinha prestado atenção ou pensava em conhecer tinha resolvido ficar solta, frouxa, broxa, bem na porra da minha privada.
Mais uma vez eu tentei solucionar o problema sozinha e, aparentemente, com meio rolo de fita isolante isso foi possível. Acabei com as cataratas.
A essa altura, você também já teve um flash e já sacou que o meu problema da vez é água, né? Ou era. Espero.
Por conta de todas as que passei antes de mudar, e essas aventuras aquáticas, eu não quero mais ter que mexer em nada dentro da minha casa. Nem consertar nada por tempo indeterminado. Nada. Nada.
Quando o rapaz do telefone me disse que para instalar o Velox precisaria passar um fio da minha sala até o escritório, imediatamente saquei que eu ia demorar a autorizar este serviço e fazer usufruto dele.
Assim como a TV a cabo. Não vou quebrar, nem mexer, nem consertar, mas vou ter que me submeter ao “nós vamos estar indo...” e eu já estou de saco cheio disso também.
Quero terminar de desencaixotar minhas coisas, arrumar minha varanda e descansar. Nem festa eu quero dar! Minha mãe já quer comprar móveis novos quando eu nem arrumei os que já estão lá. Minhas paredes estão nuas, coitadas. Não tem nem uma fotinha pendurada em lugar nenhum.
Não troco, não conserto e não mexo.
To de altos.
Sacou?
Neste primeiro mês, tive acidentes domésticos traumatizantes a cada semana.
Logo no primeiro final de semana, domingo de chuva, dia de Oscar, estávamos nós dentro de casa quando eu levei minha filha ao banheiro, apertei a descarga e ela saltou em cima de mim! (A descarga, não a filha.).
De repente a água corria ininterruptamente e o botão não encaixava de volta. O registro de água do meu banheiro, assim como a casa toda, é muito velho e só fecha na base da chave inglesa, artefato que não existe na minha casa. Amos e convenhamos que chave de fenda eu até tenho, mas chave inglesa é super pedir demais que exista na casa de uma mulher solteira, certo?
Eu gritava de um lado, o namorado de outro, a criança ficava andando no meio que nem barata tonta e a água rolando... Como ainda era o meu primeiro final de semana no latifúndio, ainda não tinha aquela bossa de ter algum dinheiro escondido em casa - coisa que, agora eu sei ser essencial, mas ainda não cumpri – então não podia nem chamar um serviço urgente 24 horas de socorro.
Depois de muita luta, o homem da casa conseguiu descobrir uma trava lá qualquer que parou o fluxo de água furioso e no dia seguinte fez a gentileza de levar o bombeiro lá para consertar o estrago.
Eu perdi qualquer fio de humor que tinha e a transmissão do Oscar de tabela.
Na semana seguinte, eu fui estrear minha nova velha máquina de lavar e, logo depois da primeira lavagem (por dia de lavanderia são 3 lavagens), comecei a notar uma poça de água que aumentava e tomava a minha cozinha lentamente.
Minha primeira reação foi “fudeu, o casco da máquina abriu!”. Ela é velhinha, era da vovó, tinha soltado uma ferrugenzinha amiga... Mas a água que estava lá dentro não descia e a poça aumentava. Eu botava folhas e folhas de jornal, todos os meus poucos panos de chão e a água corria...
E nisso deu a hora de levar minha filha pro colégio. Forrei a cozinha toda e fui – à beira das lágrimas. Rezando pra que conseguisse encontrar a casa não inteiramente encharcada. Na volta, a água estava na porta da cozinha, mas não chegou a molhar meu precioso sinteco novo. E eu subi no tanque, e eu fechei registro, e eu secava, e nada da água parar de escorrer. Mais uma vez, apelei para o meu lado mulherzinha dependente e liguei pro namorado, que, dessa vez, não pode me socorrer. Então lembrei do meu querido faz-tudo. Pedi peloamordedeus e em 15 minutos ele me dizia todo feliz que meu problema era uma mangueira furada. De 9 da manhã às 4 da tarde, eu tentei ser uma mulher auto suficiente e resolvedora de problemas. Fui vencida por uma mangueira; que denunciou minha total inaptidão para esses assuntos e foi devidamente trocada enquanto o Seu José tomava um café com a outra mão.
(Na mesma semana aconteceu uma obra debaixo, no sentido literal, da minha janela envolvendo o meu cano, mas, como me foi dito que o problema era do prédio e a obra seria custeada pelo prédio, eu agüentei a batucada intermitente dos martelos pelos 3 dias que se seguiram numa boa e fingi que o problema não foi meu de fato.)
Então, na semana seguinte, estava eu de novo no banheiro com a minha adorada, venerada, salve, salve filha quando, novamente, fui dar a descarga e... ÁGUA!!!
Jorrava! Dessa vez jorrava, em grandes quantidades, tal qual uma cachoeira selvagem aquela água infecta de trás da minha privada! Foi um susto tremendo, eu gritava, Olívia corria, eu sacava um pano e... parou. Foi só o tempo da descarga mesmo.
Fui ver o que tinha acontecido, e uma peça que eu nem sabia que existia, que eu nunca tinha prestado atenção ou pensava em conhecer tinha resolvido ficar solta, frouxa, broxa, bem na porra da minha privada.
Mais uma vez eu tentei solucionar o problema sozinha e, aparentemente, com meio rolo de fita isolante isso foi possível. Acabei com as cataratas.
A essa altura, você também já teve um flash e já sacou que o meu problema da vez é água, né? Ou era. Espero.
Por conta de todas as que passei antes de mudar, e essas aventuras aquáticas, eu não quero mais ter que mexer em nada dentro da minha casa. Nem consertar nada por tempo indeterminado. Nada. Nada.
Quando o rapaz do telefone me disse que para instalar o Velox precisaria passar um fio da minha sala até o escritório, imediatamente saquei que eu ia demorar a autorizar este serviço e fazer usufruto dele.
Assim como a TV a cabo. Não vou quebrar, nem mexer, nem consertar, mas vou ter que me submeter ao “nós vamos estar indo...” e eu já estou de saco cheio disso também.
Quero terminar de desencaixotar minhas coisas, arrumar minha varanda e descansar. Nem festa eu quero dar! Minha mãe já quer comprar móveis novos quando eu nem arrumei os que já estão lá. Minhas paredes estão nuas, coitadas. Não tem nem uma fotinha pendurada em lugar nenhum.
Não troco, não conserto e não mexo.
To de altos.
Sacou?
O Vício & a Seita
Há até uma semana atrás eu enchia a boca com toda a vontade dos meus pulmões para dizer a quem quisesse ouvir que, dentro dessa confusão de casa nova e adaptações e serviços de utilidade doméstica, TV a cabo era uma coisa que não me fazia falta nenhuma. (O discurso, na íntegra, dizia que internet eu uso na faculdade mesmo - fato - e que eu ando chegando tão cansado e passo tão pouco tempo em casa que quase não vejo mais TV e não tinha, então, a menor necessidade de pôr uma TV a cabo correndo.)
Até sábado passado.
**********************************************
Eu agora sou A Ninja da Faxina.
Se das primeiras vezes em que eu limpei a casa minhas mãos ficaram quase em carne viva, com calos latejantes e uma dor colossal e debilitante na coluna; a cada final de semana eu vou ficando mais parecida com minhas ex-faxineiras e fazendo minhas tarefas do lar com maior rapidez e precisão.
E, como tem sido a minha rotina de sábados, levantei junto com o namorado no horário mais ingrato e infeliz de se levantar num sábado em que a sua filha não está em casa, mas ele tinha que trabalhar, gosta de tomar café juntinho antes de sair, então meu dia começou. Como eu também ando desenvolvendo uma mania de limpeza que pode vir a ser preocupante, mas ainda não é porque eu acabei de mudar (1 mês sábadoooo!!!), assim que o namorado saiu, eu peguei a minha vassoura!
Limpar a casa tem sido meu momento mais meu dentro daquela casa. É um momento que faço sozinha, sem ninguém em casa. Cômodo por cômodo, na maior calma. Vai me dando um prazer passear pelos quartos e ficar sentindo aquele cheiro de Veja Floral (fragrância da semana), vendo aquele chão brilhando, aquela cama arrumadinha que até merecia mentinha no travesseiro...! Essa semana eu cheguei a arrastar os sofás e limpar os vidros das janelas. Chovia e eu limpava... Uma coisa quase orgásmica...
Só que, como eu já virei A Ninja da Limpeza, minha masturbação olfativa e visual só durou até meio-dia. E agora? Eu tinha marcado 18h com uns amigos em casa, como eu ia matar longas seis horas sem nada para fazer?
Nessas horas, dificilmente meus amados livros servem de opção. Tomei banho, fui ao banco, comprei uma comidinha na rua pra não ter que sujar meu fogão limpinho e brilhante, almoçei, tentei dormir e... Duas da tarde.
Resolvi fazer as unhas e abrir uma cerveja - porque não? já tinha acabado o "sirviço" mesmo!
Assim que comecei a fazer as unhas - que bem estavam merecidas de um lustre - liguei a TV.
TV aberta. Globo. Sábado. Sacou?
Então eu me toquei que faziam três sábados que eu ligava a TV para me fazer companhia enquanto faxinava. Que enquanto ela me fazia companhia, estava sempre passando "O Caldeirão do Huck". Que enquanto passava "O Caldeirão do Huck", eu prestava a maior atenção. Que, não só eu prestava atenção, como em muitos quadros eu chegava a chorar ou torcer como se não houvesse amanhã. Que eu acompanho, assisto, estou viciadona em "Caldeirão do Huck".
Assim que realizei minha triste situação de vida, telefonei para a minha melhor amiga, para a minha mãe e para o meu namorado. Um vício dessa magnitude e podridão não pode ser escondido uma vez que a cidadã precisa do apoio dos mais chegados para sair dessa.
********************************************
Então, quando tudo mais acabou, só o que me restou foi um programa de luta livre.
Luta livre do tipo que um cara pegava uma cadeira de ferro para dar nas costas do outro que tomou uma porrada no pescoço que quase sufocou o outro que olhava pro outro com cara de ódio e fazia aquele gesto de cortar garganta pro outro. Entendeu? Bestificante.
Fiquei. Completamente besta com a programação da TV aberta num sábado de ócio de minha parte.
********************************************
Quando a amiga chegou lá em casa eu estava sentada no sofá com uma cerveja numa mão, um cigarro na outra, assistindo luta de boxe feminino, quase babando.
********************************************
Não posso mais encher a boca para dizer que não sinto saudades da TV a cabo.
*********************************************
E "Bebê de Rosemary", lembra?
Lembra quando eles se mudam pro condomínio e os velhinhos começam a fazer um monte de gracinhas pra ele pensar que é uma vizinhazinha queridinha?
Aos poucos os meus vizinhos estão começando a aparecer, bater lá minha casa, simpatiquinhos. Uma de cá, outra de lá...
Eu, que a vida toda tive dois, três vizinhos, que nunca nem tchuns pra minha vida, acho muito esquisito, não estou acostumada, mas sou sempre educadinha do jeito que a mamãe ensinou.
Eis que ontem, estava eu enrolada na toalha saindo do banho, quando toca a minha campainha.
Pausa: é preciso que todo mundo entenda também que eu nunca tive uma campainha que funcionasse na casa da minha mãe, então, toda vez que ela toca eu me sinto na obrigação de sair correndo e atender porque, se ela toca, deve ser alguma muito urgente, que outro motivo haveria para as pessoas ficarem tocando a campainha da minha casa?
Olhei no olho mágico e tinha lá uma senhora de uns 50 anos parada nos seus chinelos esperando. Como ela não tinha cara de assaltante - eu sei que assaltante não tem cara - abri uma frestinha para atender a senhora.
Ela me vem, então, com um papo de que o pai dela, um senhor idoso de óculos (dãr), queria conversar comigo e com o meu marido e pediu para perguntar que dia seria melhor para que ele fosse à minha casa.
*HEIN?!?*
Sem perder a pose - se é que eu ainda tinha alguma - perguntei qual o assunto, expliquei que o marido não era marido, que a casa era minha mesmo, e falei que ele poderia aparecer à noite, quando eu estaria em casa. Ela me disse que ia dar o recado ao pai, que devia ser sobre uma votação para síndico que vem aí, mas que, como ele era um senhor muito idoso, ia apenas dizer que meu marido chegava muito tarde mesmo.
Como eu estava de toalha na porta e com uma criança na banheira, concordei.
Depois a Simone que há em mim ficou aos berros de "onde já se viu tamanho preconceito para comigo que cuido de tudo sozinha e pago tudo sozinha dentro da minha própria casa, e imagina se eu termino com o namorado e arrumo outro e o velho fica achando que eu sou uma desfrutável quando eu não sou", mas achei melhor pôr um cigarro na boca dela e ficar na minha. Foda-se a senhora e o preconceito dela. Talvez eu mate o velho quando ele for lá em casa desmentindo tudo eu mesma. Talvez não. Não vem ao caso.
...Mas, que depois da visita, eu fiquei com um certo pensamento fixo no "Bebê de Rosemary", isso lá fiquei... Esse povo batendo na minha porta, fazendo visita... Eu, hein...
Até sábado passado.
**********************************************
Eu agora sou A Ninja da Faxina.
Se das primeiras vezes em que eu limpei a casa minhas mãos ficaram quase em carne viva, com calos latejantes e uma dor colossal e debilitante na coluna; a cada final de semana eu vou ficando mais parecida com minhas ex-faxineiras e fazendo minhas tarefas do lar com maior rapidez e precisão.
E, como tem sido a minha rotina de sábados, levantei junto com o namorado no horário mais ingrato e infeliz de se levantar num sábado em que a sua filha não está em casa, mas ele tinha que trabalhar, gosta de tomar café juntinho antes de sair, então meu dia começou. Como eu também ando desenvolvendo uma mania de limpeza que pode vir a ser preocupante, mas ainda não é porque eu acabei de mudar (1 mês sábadoooo!!!), assim que o namorado saiu, eu peguei a minha vassoura!
Limpar a casa tem sido meu momento mais meu dentro daquela casa. É um momento que faço sozinha, sem ninguém em casa. Cômodo por cômodo, na maior calma. Vai me dando um prazer passear pelos quartos e ficar sentindo aquele cheiro de Veja Floral (fragrância da semana), vendo aquele chão brilhando, aquela cama arrumadinha que até merecia mentinha no travesseiro...! Essa semana eu cheguei a arrastar os sofás e limpar os vidros das janelas. Chovia e eu limpava... Uma coisa quase orgásmica...
Só que, como eu já virei A Ninja da Limpeza, minha masturbação olfativa e visual só durou até meio-dia. E agora? Eu tinha marcado 18h com uns amigos em casa, como eu ia matar longas seis horas sem nada para fazer?
Nessas horas, dificilmente meus amados livros servem de opção. Tomei banho, fui ao banco, comprei uma comidinha na rua pra não ter que sujar meu fogão limpinho e brilhante, almoçei, tentei dormir e... Duas da tarde.
Resolvi fazer as unhas e abrir uma cerveja - porque não? já tinha acabado o "sirviço" mesmo!
Assim que comecei a fazer as unhas - que bem estavam merecidas de um lustre - liguei a TV.
TV aberta. Globo. Sábado. Sacou?
Então eu me toquei que faziam três sábados que eu ligava a TV para me fazer companhia enquanto faxinava. Que enquanto ela me fazia companhia, estava sempre passando "O Caldeirão do Huck". Que enquanto passava "O Caldeirão do Huck", eu prestava a maior atenção. Que, não só eu prestava atenção, como em muitos quadros eu chegava a chorar ou torcer como se não houvesse amanhã. Que eu acompanho, assisto, estou viciadona em "Caldeirão do Huck".
Assim que realizei minha triste situação de vida, telefonei para a minha melhor amiga, para a minha mãe e para o meu namorado. Um vício dessa magnitude e podridão não pode ser escondido uma vez que a cidadã precisa do apoio dos mais chegados para sair dessa.
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Então, quando tudo mais acabou, só o que me restou foi um programa de luta livre.
Luta livre do tipo que um cara pegava uma cadeira de ferro para dar nas costas do outro que tomou uma porrada no pescoço que quase sufocou o outro que olhava pro outro com cara de ódio e fazia aquele gesto de cortar garganta pro outro. Entendeu? Bestificante.
Fiquei. Completamente besta com a programação da TV aberta num sábado de ócio de minha parte.
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Quando a amiga chegou lá em casa eu estava sentada no sofá com uma cerveja numa mão, um cigarro na outra, assistindo luta de boxe feminino, quase babando.
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Não posso mais encher a boca para dizer que não sinto saudades da TV a cabo.
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E "Bebê de Rosemary", lembra?
Lembra quando eles se mudam pro condomínio e os velhinhos começam a fazer um monte de gracinhas pra ele pensar que é uma vizinhazinha queridinha?
Aos poucos os meus vizinhos estão começando a aparecer, bater lá minha casa, simpatiquinhos. Uma de cá, outra de lá...
Eu, que a vida toda tive dois, três vizinhos, que nunca nem tchuns pra minha vida, acho muito esquisito, não estou acostumada, mas sou sempre educadinha do jeito que a mamãe ensinou.
Eis que ontem, estava eu enrolada na toalha saindo do banho, quando toca a minha campainha.
Pausa: é preciso que todo mundo entenda também que eu nunca tive uma campainha que funcionasse na casa da minha mãe, então, toda vez que ela toca eu me sinto na obrigação de sair correndo e atender porque, se ela toca, deve ser alguma muito urgente, que outro motivo haveria para as pessoas ficarem tocando a campainha da minha casa?
Olhei no olho mágico e tinha lá uma senhora de uns 50 anos parada nos seus chinelos esperando. Como ela não tinha cara de assaltante - eu sei que assaltante não tem cara - abri uma frestinha para atender a senhora.
Ela me vem, então, com um papo de que o pai dela, um senhor idoso de óculos (dãr), queria conversar comigo e com o meu marido e pediu para perguntar que dia seria melhor para que ele fosse à minha casa.
*HEIN?!?*
Sem perder a pose - se é que eu ainda tinha alguma - perguntei qual o assunto, expliquei que o marido não era marido, que a casa era minha mesmo, e falei que ele poderia aparecer à noite, quando eu estaria em casa. Ela me disse que ia dar o recado ao pai, que devia ser sobre uma votação para síndico que vem aí, mas que, como ele era um senhor muito idoso, ia apenas dizer que meu marido chegava muito tarde mesmo.
Como eu estava de toalha na porta e com uma criança na banheira, concordei.
Depois a Simone que há em mim ficou aos berros de "onde já se viu tamanho preconceito para comigo que cuido de tudo sozinha e pago tudo sozinha dentro da minha própria casa, e imagina se eu termino com o namorado e arrumo outro e o velho fica achando que eu sou uma desfrutável quando eu não sou", mas achei melhor pôr um cigarro na boca dela e ficar na minha. Foda-se a senhora e o preconceito dela. Talvez eu mate o velho quando ele for lá em casa desmentindo tudo eu mesma. Talvez não. Não vem ao caso.
...Mas, que depois da visita, eu fiquei com um certo pensamento fixo no "Bebê de Rosemary", isso lá fiquei... Esse povo batendo na minha porta, fazendo visita... Eu, hein...
quinta-feira, março 13
...
...pode usar o blog na faculdade...
...e daí...?
...quem disse que eu ando com alguma pra dizer...?
...a vida anda tão chata...
...feliz...
...parada...
...doméstica...
...amando...
...sóbria...
...tudo muito reticente...
(Só vim aqui hoje por causa das listas. Um dia...)
...e daí...?
...quem disse que eu ando com alguma pra dizer...?
...a vida anda tão chata...
...feliz...
...parada...
...doméstica...
...amando...
...sóbria...
...tudo muito reticente...
(Só vim aqui hoje por causa das listas. Um dia...)
sábado, fevereiro 16
Té já
Agora eu vou mesmo.
Já tive um ataque de choro de quase 24 horas contínuas, estou tendo um trabalho monumental para empacotar as coisas, ainda não tenho fogão porque a Brastemp não tem peça, mas essa semana eu vou.
Vou ficar fora do ar pelo próximo mês se eu me conheço bem e conheço a lentidão do binômio Renata + Serviços.
*******************************
Empacotar é foda.
Não dá vontade de ir futucar aquele alto de armário, com todas aquelas tranqueiras que você guardou lá porque quer ter por perto mas não precisa mexer. Não dá vontade de futucar todas aquelas caixas e bilhetes antigos que remetem você ao passado.
Passado sempre me deprime.
O meu teve muitas coisas boas, óbvio; mas também tem muitas coisas que eu não gosto de ver e lembrar. O passado facilmente nos faz ver o quanto já fomos ou somos ainda estúpidos e vulneráveis, nos faz ver várias cagadas bizarras que jamais faríamos com os hormônios no lugar.
Não gosto de futucar essas coisas.
E estou muito cansada de fazer tudo isso sozinha.
Hoje mesmo, estou aqui rodando pela sala há mais de 3 horas pensando em começar a etapa de hoje. Já vi um episódio de "Heroes", já dormi, já li o jornal, já tomei incontáveis canecas de café, já joguei na internet... Nos intervalos eu olho para as estantes e para os armários e fico pensando que bem que poderia existir alguma coisa que mandasse as coisas pro apartamento novo sem que eu precisasse me enfiar nelas. Olhos as estantes e os armários e vou dar uma volta. Mas, procrastinação demais também não funciona.
Mais um café e poeira na veia.
Qualquer hora dessas eu volto.
Com sorte, consigo contratar um serviço de internet antes do meu aniversário.
Já tive um ataque de choro de quase 24 horas contínuas, estou tendo um trabalho monumental para empacotar as coisas, ainda não tenho fogão porque a Brastemp não tem peça, mas essa semana eu vou.
Vou ficar fora do ar pelo próximo mês se eu me conheço bem e conheço a lentidão do binômio Renata + Serviços.
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Empacotar é foda.
Não dá vontade de ir futucar aquele alto de armário, com todas aquelas tranqueiras que você guardou lá porque quer ter por perto mas não precisa mexer. Não dá vontade de futucar todas aquelas caixas e bilhetes antigos que remetem você ao passado.
Passado sempre me deprime.
O meu teve muitas coisas boas, óbvio; mas também tem muitas coisas que eu não gosto de ver e lembrar. O passado facilmente nos faz ver o quanto já fomos ou somos ainda estúpidos e vulneráveis, nos faz ver várias cagadas bizarras que jamais faríamos com os hormônios no lugar.
Não gosto de futucar essas coisas.
E estou muito cansada de fazer tudo isso sozinha.
Hoje mesmo, estou aqui rodando pela sala há mais de 3 horas pensando em começar a etapa de hoje. Já vi um episódio de "Heroes", já dormi, já li o jornal, já tomei incontáveis canecas de café, já joguei na internet... Nos intervalos eu olho para as estantes e para os armários e fico pensando que bem que poderia existir alguma coisa que mandasse as coisas pro apartamento novo sem que eu precisasse me enfiar nelas. Olhos as estantes e os armários e vou dar uma volta. Mas, procrastinação demais também não funciona.
Mais um café e poeira na veia.
Qualquer hora dessas eu volto.
Com sorte, consigo contratar um serviço de internet antes do meu aniversário.
quarta-feira, fevereiro 13
A Novela do Gás - Parte Final Graças a Deus!!!
Pois então:
"Prezada Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente,
Qual não foi o meu espanto ao chegar em casa hoje (08/02/2008) e ouvir a faxineira da minha mãe me dizendo que o técnico da CEG tinha ido ao apartamento futuro! O rapaz fez várias perguntas as quais ela - que não é a futura moradora da casa ou sequer minha empregada - obviamente, não sabia responder. Como sou eu a futura moradora e responsável por todas as obras, melhorias e execução das exigências da CEG, sou a única que pode respondê-las. E como assim o rapaz apareceu hoje?!
Não havíamos, cá entre nós, entrado em comum acordo de que meu próximo chá de cadeira seria na próxima terça-feira, dia 12/02?
De novo - desta vez para plena fixação: Eu ainda não moro no local porque não tenho fornecimento de...gás! Não estou presente lá todos os dias ainda. Mesmo que já morasse, não estaria presente todas as horas do dia!
Terei eu que ligar de novo para a CEG?
Agendar agora uma nova data? Porque é isso que o papel que o rapaz que foi lá hoje escreveu.
Ligar para a CEG é uma tarefa que já está me dando arrepios.
Será que algum dia eu consiguirei dar fim a esta novela e ter meu direito básico de cidadã de poder me dar ao luxo de cozinhar dentro de casa e pagar uma soma considerável de dinheiro à sua companhia?"
****************************
"Prezada Sra.,
Mais uma vez lamentamos os transtornos e confirmamos o agendamento para o dia 12/2/2008.
Atenciosamente,
Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente"
****************************
Pois é, nêgo adora lamentar, mas ligar a porra do meu gás que é bom, nada.
Eu só pensei em responder isso. Dada a confirmação, eu resolvi ficar quieta dessa vez porque comecei a desconfiar que eles não estava querendo ligar meu gás só de onda, pra continuar recebendo meus e-mails engraçado/desaforados.
Ontem, lá veio o rapaz.
Olha daqui, anota dali, escreve de lá.
"Eu vou voltar para fazer o teste da tubulação e aproveito para pegar o material."
Foi.
Voltou.
E eu roendo as unhas pela primeira vez em anos, tentando fingir que estava super interessada em forrar o armário da despensa.
"Pronto, moça, tá ligado."
Me vieram lágrimas nos olhos. De verdade.
Eu agradecia sem parar ao Vanderlei. Nunca vou me esquecer que o nome do cara que pôs fim ao meu tormento era Vanderlei. Com i.
Mandei mensagens de texto pro namorado e pra mãe e saí pela casa fazendo o que eu entitulei de "Dancinha da Felicidade".
Meu aquecedor e meu fogão começam a funcionar a todo vapor sexta-feira e aí é só levar a tralha.
Muito obrigada, Vanderlei!
"Prezada Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente,
Qual não foi o meu espanto ao chegar em casa hoje (08/02/2008) e ouvir a faxineira da minha mãe me dizendo que o técnico da CEG tinha ido ao apartamento futuro! O rapaz fez várias perguntas as quais ela - que não é a futura moradora da casa ou sequer minha empregada - obviamente, não sabia responder. Como sou eu a futura moradora e responsável por todas as obras, melhorias e execução das exigências da CEG, sou a única que pode respondê-las. E como assim o rapaz apareceu hoje?!
Não havíamos, cá entre nós, entrado em comum acordo de que meu próximo chá de cadeira seria na próxima terça-feira, dia 12/02?
De novo - desta vez para plena fixação: Eu ainda não moro no local porque não tenho fornecimento de...gás! Não estou presente lá todos os dias ainda. Mesmo que já morasse, não estaria presente todas as horas do dia!
Terei eu que ligar de novo para a CEG?
Agendar agora uma nova data? Porque é isso que o papel que o rapaz que foi lá hoje escreveu.
Ligar para a CEG é uma tarefa que já está me dando arrepios.
Será que algum dia eu consiguirei dar fim a esta novela e ter meu direito básico de cidadã de poder me dar ao luxo de cozinhar dentro de casa e pagar uma soma considerável de dinheiro à sua companhia?"
****************************
"Prezada Sra.,
Mais uma vez lamentamos os transtornos e confirmamos o agendamento para o dia 12/2/2008.
Atenciosamente,
Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente"
****************************
Pois é, nêgo adora lamentar, mas ligar a porra do meu gás que é bom, nada.
Eu só pensei em responder isso. Dada a confirmação, eu resolvi ficar quieta dessa vez porque comecei a desconfiar que eles não estava querendo ligar meu gás só de onda, pra continuar recebendo meus e-mails engraçado/desaforados.
Ontem, lá veio o rapaz.
Olha daqui, anota dali, escreve de lá.
"Eu vou voltar para fazer o teste da tubulação e aproveito para pegar o material."
Foi.
Voltou.
E eu roendo as unhas pela primeira vez em anos, tentando fingir que estava super interessada em forrar o armário da despensa.
"Pronto, moça, tá ligado."
Me vieram lágrimas nos olhos. De verdade.
Eu agradecia sem parar ao Vanderlei. Nunca vou me esquecer que o nome do cara que pôs fim ao meu tormento era Vanderlei. Com i.
Mandei mensagens de texto pro namorado e pra mãe e saí pela casa fazendo o que eu entitulei de "Dancinha da Felicidade".
Meu aquecedor e meu fogão começam a funcionar a todo vapor sexta-feira e aí é só levar a tralha.
Muito obrigada, Vanderlei!
sexta-feira, fevereiro 8
A Novela do Gás - Parte II
Pois então...
Lá fui eu de novo.
O rapazinho apareceu no meio da tarde, cortou minha porta, pregou minhas janelas, foi cutucar meu cano e...
"O cano da senhora está com excesso de resina. A senhora tem que ligar pra quem fez o serviço e mandar vir aqui retirar o excesso, senão a resina vai secar e entupir a sua tubulação e a senhora vai ter que trocar tudo. Se passar do carnaval, não vai mais ter jeito."
Como assim???
Primeiro o cano estava vazando, agora podia ficar entupida.
Corri pro telefone desesperada, pedindo peloamordedeus pro cara voltar lá e dizendo tudo que o rapazinho da CEG havia me dito.
Não tô podendo trocar tubulação toda, não. Minha casa já deu o que tinha que dar de despesa extra.
Ameacei o cara dizendo que estava histérica e ele resolveu ir pra lá correndo.
Detalhe: eram 17h da sexta-feira de carnaval.
***************************************
Então veio o carnaval.
Sábado pela manhã eu encontro o seguinte e-mail:
"Prezada Sra.,
Lamentamos todos os transtornos e informamos que agendamos atendimento para o dia 7/2, na parte da tarde.
Informamos que encaminhamos o seu e-mail ao setor responsável para as devidas providências quanto aos atendimentos anteriores.
Atenciosamente,
Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente
A Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente estará em recesso no período de Carnaval, retornando suas atividades no dia 07/02. Em casos de emergência favor entrar em contato através do telefone 0800 24 01 97."
Excelente!
***************************************
07/02.
A palhaça aqui ficou sentada toda a parte da tarde dentro do apartamento, com uma criança enlouquecida e entediada em volta e nada do "cara do gás".
****************************************
08/02, meu primeiro ato foi:
"Cara Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente,
Passei a tarde do dia 07/02, in-tei-ra sentada esperando o interfone do apartamento tocar e meu problema ser finalmente resolvido. O interfone não tocou. Ninguém foi. Em nova ligação para a CEG, agendei outra vistoria para o dia 12/02. Mais uma semana de espera e em que eu não vou poder me mudar (tenho uma criança pequena em casa, mencionei isso? Não dá para ficar sem o luxo do gás com crianças em casa.).
A CEG está me deixando mesmo imensamente feliz, não?"
A resposta:
"
Prezada Sra.,
Lamentamos os transtornos, mas informamos que o técnico esteve no local ontem, 7/2, às 18:05, e identificou o prédio como sendo branco com grades cinzas, ao lado do Hotel Bambina.
Informamos que poderemos agendar novo atendimento para o dia 11/2, segunda-feira, mas se a senhora preferir, poderemos confirmar o agendamento feito junto ao Serviço de Atendimento a Clientes para o dia 12/2.
Aguardamos contato.
Atenciosamente,
Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente"
********************************************
Realmente, quando cheguei lá hoje, o porteiro veio correndo me avisar que o "cara do gás" tinha ido lá umas 6 e 15. Eu tinha uma missa de sétimo dia ontem, então não esperei um segundo além do horário.
*******************************************
"Estive lá agora de manhã e soube da ida do técnico. O problema foi exatamente esse: ele esteve lá após as 18h. Já perdi pelo menos três dias esperando técnicos da CEG, o horário combinado no agendamento é entre 8 e 18hs - o que, por si só, já é um absurdo, uma vez que existe trabalho, filho, enfim, vida além da CEG - assim sendo, após as 18hs, eu não estava mais no local, já que não consigo me mudar para lá de vez justamente por não ter gás em casa e considero como sendo falta do técnico sim, já que, durante o horário combinado, eu estava sentadinha esperando.
Como existe vida além da CEG, não poderei estar sentada durante todo este tempo lá na segunda-feira por ser o primeiro dia de aula da minha filha. Tenho certeza de que você, que está lendo este e-mail sabe muito bem, ou pode imaginar, como é complicado passar tanto tempo à disposição da CEG. Por este motivo, agendei o serviço para terça-feira, quando poderei, mais uma vez, fazer alguma espécie de malabarismo para poder estar presente à minha futura casa de corpo presente.
De forma alguma desejo ligar para a CEG confirmando este agendamento para o dia 12/02, já que, da última vez, este ato me custou mais dois dias de espera e muito aborrecimento. E esta brincadeira do técnico ter comparecido ao local após o horário combinado, acabou de me custar mais cinco dias de espera.
Estou nessa "novela" para ter meu gás religado há mais de um mês. Profundamente aborrecida, decepcionada e irritada, uma vez que o meu prazo de mudança está no fim. Repito que tudo que a CEG me pediu, todos os dias combinados, tudo, foi feito pela minha pessoa de forma imediata. Essa situação toda é absurda do início ao fim.
Sem mais,
Aguardarei mais uma vez,
Entre 8 e 18h,
Dia 12/02,
Mais um técnico.
Renata Roxo."
Cinco minutos depois:
"
Prezada Sra.,
Atendendo a sua solicitação, confirmamos o agendamento da vistoria para a instação do medidor para o dia 12/2/2008.
Atenciosamente,
Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente"
*************************************
Se não ligarem meu gás, eu vou começar a mandar e-mails para aplacar minha solidão e fazer amizade com os atendentes que nem fez aquele japa...
A onda não acaba.
Lá fui eu de novo.
O rapazinho apareceu no meio da tarde, cortou minha porta, pregou minhas janelas, foi cutucar meu cano e...
"O cano da senhora está com excesso de resina. A senhora tem que ligar pra quem fez o serviço e mandar vir aqui retirar o excesso, senão a resina vai secar e entupir a sua tubulação e a senhora vai ter que trocar tudo. Se passar do carnaval, não vai mais ter jeito."
Como assim???
Primeiro o cano estava vazando, agora podia ficar entupida.
Corri pro telefone desesperada, pedindo peloamordedeus pro cara voltar lá e dizendo tudo que o rapazinho da CEG havia me dito.
Não tô podendo trocar tubulação toda, não. Minha casa já deu o que tinha que dar de despesa extra.
Ameacei o cara dizendo que estava histérica e ele resolveu ir pra lá correndo.
Detalhe: eram 17h da sexta-feira de carnaval.
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Então veio o carnaval.
Sábado pela manhã eu encontro o seguinte e-mail:
"Prezada Sra.,
Lamentamos todos os transtornos e informamos que agendamos atendimento para o dia 7/2, na parte da tarde.
Informamos que encaminhamos o seu e-mail ao setor responsável para as devidas providências quanto aos atendimentos anteriores.
Atenciosamente,
Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente
A Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente estará em recesso no período de Carnaval, retornando suas atividades no dia 07/02. Em casos de emergência favor entrar em contato através do telefone 0800 24 01 97."
Excelente!
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07/02.
A palhaça aqui ficou sentada toda a parte da tarde dentro do apartamento, com uma criança enlouquecida e entediada em volta e nada do "cara do gás".
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08/02, meu primeiro ato foi:
"Cara Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente,
Passei a tarde do dia 07/02, in-tei-ra sentada esperando o interfone do apartamento tocar e meu problema ser finalmente resolvido. O interfone não tocou. Ninguém foi. Em nova ligação para a CEG, agendei outra vistoria para o dia 12/02. Mais uma semana de espera e em que eu não vou poder me mudar (tenho uma criança pequena em casa, mencionei isso? Não dá para ficar sem o luxo do gás com crianças em casa.).
A CEG está me deixando mesmo imensamente feliz, não?"
A resposta:
"
Prezada Sra.,
Lamentamos os transtornos, mas informamos que o técnico esteve no local ontem, 7/2, às 18:05, e identificou o prédio como sendo branco com grades cinzas, ao lado do Hotel Bambina.
Informamos que poderemos agendar novo atendimento para o dia 11/2, segunda-feira, mas se a senhora preferir, poderemos confirmar o agendamento feito junto ao Serviço de Atendimento a Clientes para o dia 12/2.
Aguardamos contato.
Atenciosamente,
Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente"
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Realmente, quando cheguei lá hoje, o porteiro veio correndo me avisar que o "cara do gás" tinha ido lá umas 6 e 15. Eu tinha uma missa de sétimo dia ontem, então não esperei um segundo além do horário.
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"Estive lá agora de manhã e soube da ida do técnico. O problema foi exatamente esse: ele esteve lá após as 18h. Já perdi pelo menos três dias esperando técnicos da CEG, o horário combinado no agendamento é entre 8 e 18hs - o que, por si só, já é um absurdo, uma vez que existe trabalho, filho, enfim, vida além da CEG - assim sendo, após as 18hs, eu não estava mais no local, já que não consigo me mudar para lá de vez justamente por não ter gás em casa e considero como sendo falta do técnico sim, já que, durante o horário combinado, eu estava sentadinha esperando.
Como existe vida além da CEG, não poderei estar sentada durante todo este tempo lá na segunda-feira por ser o primeiro dia de aula da minha filha. Tenho certeza de que você, que está lendo este e-mail sabe muito bem, ou pode imaginar, como é complicado passar tanto tempo à disposição da CEG. Por este motivo, agendei o serviço para terça-feira, quando poderei, mais uma vez, fazer alguma espécie de malabarismo para poder estar presente à minha futura casa de corpo presente.
De forma alguma desejo ligar para a CEG confirmando este agendamento para o dia 12/02, já que, da última vez, este ato me custou mais dois dias de espera e muito aborrecimento. E esta brincadeira do técnico ter comparecido ao local após o horário combinado, acabou de me custar mais cinco dias de espera.
Estou nessa "novela" para ter meu gás religado há mais de um mês. Profundamente aborrecida, decepcionada e irritada, uma vez que o meu prazo de mudança está no fim. Repito que tudo que a CEG me pediu, todos os dias combinados, tudo, foi feito pela minha pessoa de forma imediata. Essa situação toda é absurda do início ao fim.
Sem mais,
Aguardarei mais uma vez,
Entre 8 e 18h,
Dia 12/02,
Mais um técnico.
Renata Roxo."
Cinco minutos depois:
"
Prezada Sra.,
Atendendo a sua solicitação, confirmamos o agendamento da vistoria para a instação do medidor para o dia 12/2/2008.
Atenciosamente,
Oficina de Garantia de Serviço ao Cliente"
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Se não ligarem meu gás, eu vou começar a mandar e-mails para aplacar minha solidão e fazer amizade com os atendentes que nem fez aquele japa...
A onda não acaba.
quinta-feira, janeiro 31
As Listas.
Findo o mês de Janeiro, meu primeiro ano enquanto mulher obsessiva que anota as coisas e faz listas chega ao fim.
Em um ano eu li 47 livros, dá uma média de 3,916666666666666 livros lidos por mês. Quase um por semana.
Assisti 92 filmes, o que dá 7,6666666666666 por mês, ou quase dois por semana.
Só precisava ter ido a mais shows e mais peças de teatro. Nestes quesitos a média foi uma vergonhosa freqüência de 1 evento a cada dois meses. Já fui melhor nisso...
New Lists from now on!!!
Em um ano eu li 47 livros, dá uma média de 3,916666666666666 livros lidos por mês. Quase um por semana.
Assisti 92 filmes, o que dá 7,6666666666666 por mês, ou quase dois por semana.
Só precisava ter ido a mais shows e mais peças de teatro. Nestes quesitos a média foi uma vergonhosa freqüência de 1 evento a cada dois meses. Já fui melhor nisso...
New Lists from now on!!!
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